15/03/2015

9.730.(15mar2015.20.20') Neste dia...15março...vou rELEVAR: 364.avÔ, Beach Boys, Oswaldo Montenegro, Black Eyed Peas, Eduard Strauss e a poesia de Joaquim Pessoa.

2017
364.avÔ
sinto 1 cheirinho a saudade de ti
e ainda há pouco estive contigooooooo
ainda tenho o sentir-te o abRRaçAR-TE
o rogérinho ainda tem as vagas de abRReijinhos da tua BB bela baía
ainda tenho fresco as entradas e saídas
e o pisca-pisca do teu farolinho do praZER
*
Amar com esta energia eu não sabia

Ser amado asSIM é espantoso

Viver em harmonia instante a instante


Sentir a vida intensa e completa

Dar e receber 

Sentir + e +

Sonhar em conjunto

AbRRaçar de corpos em belas danças

Pupilar pleno de tesão

Vibrar cósmico duplo

Fazer acontecer os simultâneos

Explodir delíquios nestas nossas idades

Ir na onda do "LOVE ME TENDER"

Voltar ao amar para sempre!

Ama-me asSIM, sempre!

(10.01' dia 15março2012)
***
2015...face traz-me memórias deste dia:
Irina:
olha o que encontrei <3 span=""> com a Bárbara Raimundo
comentei:"qu' estupendo soRRiso da minha querida filhaaaaaaaaaa ...foto de há 5 anos???"
Foto de Irina Raimundo.
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10206244677500379&set=p.10206244677500379&type=3&theater
*
Quatro Alcobacenses campeãs da Europa
*
Manuel Constantino
As Gloriosas meninas do hóquei em Patins do Benfica sagraram-se hoje Campeãs da Europa. Parabéns Campeãs.
***
2014..face traz-me memórias deste dia:
E mais uma :)
https://www.youtube.com/watch?v=At2J563hOvw
*
20h-20'-20" é 1 bELO momento para partILHArr 3 poemas da Susana Duarte e a rua D.Pedro V, junto ao Mosteiro, d'Alcobaça que vos abRRaça..."ASAS", "não voltaste"...e "LUA"
partiste,
e ficaste no recanto escuro
do teu próprio inferno
sem asas.

não ouses voltar
a tirar, das flores,
as pétalas.

não ouses roubar
as asas das borboletas.
Foto de Susana Duarte.
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10202903251289820&set=a.1554816397863.2072458.1458792324&type=3&theater
*
PCP na linha certa: "...O povo não pode continuar este rumo de empobrecimento sistemático, para pagar mais de 7 mil milhões de euros de serviço da dívida com juros de agiotas!
Os portugueses não podem trabalhar toda a vida com baixos salários e salários desvalorizados e mais horas. Não podem continuar a cortar na vida dos filhos e da família para pagar uma renda colossal a especuladores.
É preciso travar este processo de espoliação do povo e de afundamento do País e continuar a agir em todas as frentes, para dar força à luta pela ruptura com a política de direita, pela demissão do governo e pela exigência de eleições antecipadas.
É preciso renegociar a dívida, toda a dívida, nos seus montantes, juros e prazos de pagamento, para relançar a economia e promover o emprego, para travar a sangria de jovens que aos milhares deixam o País, para devolver ao povo o que é do povo e melhorar as suas condições de vida."(...)
***
2012..face traz-me memórias deste dia:
QUEREMOS HOSPITAL A FUNCIONAR NA CIDADE COM MELHORES RESPOSTAS...amanhã 16março.17h30' concentrAÇÃO frente ao edifício da Câmara d' alcobaça que vos abRRaça
*
(curioso hj de madrugada vi o CORAÇÃO SELVageM com o Nicholas Cage..)
hj rELEVEI "love me tender" e a Norah Jones convenceu-me...
https://www.youtube.com/watch?v=-gzC29VwE1A
Love Me Tender
Elvis Presley
Love me tender,
Love me sweet,
Never let me go.
You have made my life complete,
And i love you so.

Love me tender,
Love me true,
All my dreams fulfilled.
For my darlin' i love you,
And i always will.

Love me tender,
Love me long,
Take me to your heart.
For it's there that i belong,
And we'll never part.

Love me tender,
Love me true,
All my dreams fulfilled.
For my darlin' i love you,
And i always will.

Love me tender,
Love me dear,
Tell me you are mine.
I'll be yours through all the years,
Till the end of time.

Love me tender,
Love me true,
All my dreams fulfilled.
For my darlin' i love you,
And i always will.
*
16.16' 1 pitadinha magnífica de Neruda...
Gisela Mendonça
Depois de tudo te amarei
como se fosse sempre antes
como se de tanto esperar
sem que te visse nem chegasses
estivesses eternamente
respirando perto de mim.
Perto de mim com teus hábitos,
teu colorido e tua guitarra
como estão juntos os países
nas lições escolares
e duas comarcas se confundem
e há um rio perto de um rio
e crescem juntos dois vulcões.
Perto de ti é perto de mim
e longe de tudo é tua ausência
e é cor de argila a lua
na noite do terremoto
quando no terror da terra
juntam-se todas as raízes
e ouve-se soar o silêncio
com a música do espanto.
O medo é também um caminho.
E entre suas pedras pavorosas
pode marchar com quatro pés
e quatro lábios, a ternura.
Porque sem sair do presente
que é um anel delicado
tocamos a areia de ontem
e no mar ensina o amor
um arrebatamento repetido.
Pablo Neruda
*
Presidente de alguns Portugueses!!! Tem lágrimas de crocodilo! O futuro é bem pior para quem fica na pior: desempregado!!! Andamos a descontar uma vida e depois roubam-nos o apoio na emergência!...ladrões!!! Para os ricos nada falta!!! daí GGG a 22 março!!!
http://www.cgtp.pt/cgtp-in/2519
*
informAÇÃO para a GGG
Foto de CGTP.
https://www.facebook.com/cgtp.portugal/photos/a.415861997914.206032.275330872914/10150728200602915/?type=3&theater
*
No Coração, TalvezNo coração, talvez, ou diga antes:
Uma ferida rasgada de navalha,
Por onde vai a vida, tão mal gasta.
Na total consciência nos retalha.
O desejar, o querer, o não bastar, 
Enganada procura da razão
Que o acaso de sermos justifique,
Eis o que dói, talvez no coração.
José Saramago, in "Os Poemas Possíveis
Foto de Zinda Rosa Mota Macedo.
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2641460090273&set=a.1056730313019.8559.1668702709&type=3&theater
***
2011...face traz-me memórias deste dia:

LITERATURA PORTUGUESA: SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN (PORTO, 1919-2004)

FOTOS GOOGLE


Palavras da poetisa: ” Quem procura uma relação justa com a pedra, com a árvore, com o rio, é necessariamente levado, pelo espírito da verdade que o anima, a procurar uma relação justa com o homem.”
Mais ainda: em 11 de Julho de1964, quando a SOCIEDADE PORTUGUESA DE AUTORES A HOMENAGEOU, ATRIBUINDO-LHE O GRANDE PRÉMIO DE POESIA, pela obra “LIVRO SEXTO”, disse SOPHIA, num texto do qual a minha sensibilidade destaca algumas frases: “e o tempo em que vivemos é o tempo de uma profunda tomada de consciência (…) Não aceitamos a fatalidade do mal. (….). Como ANTÍGONA, a poesia do nosso tempo não aprendeu a ceder aos desastres. (…). A obra do artista vem sempre dizer-nos “que não somos apenas animais acossados na luta pela sobrevivência, mas que somos, por direito natural, herdeiros da liberdade e da dignidade do ser.” In “DIMENSÃO LITERÁRIA”- PORTO EDITORA-ISBN 972-0-40055-2- (página 335).
Por vezes, o que aparentemente é fácil, torna-se, de repente, difícil. Isso acontece-me, frequentemente, quando começo a medir as palavras para falar de temáticas que se relacionam com a obra de certos vultos literários, como é o caso da poetisa que hoje vos trago e que é, nem mais nem menos que SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN (S.M.B.A.).
A sua poesia é uma das mais lindas dos últimos tempos da Literatura Portuguesa. Sei que nem todos apreciam; mas sei também que, na minha qualidade de Professora de Português, aprendi a amar as suas palavras e a sua visão do mundo, em função dos meus alunos e do programa desta disciplina. Quanto maior é o amor de um Professor pelo que transmite aos seus alunos, maior é a possibilidade de êxito dos mesmos. A poesia de S.M.B.A. é linda, colorida, cheira a mar e à Grécia antiga…brilha no Sol dos sentidos, atirando-nos à face a água do mar e da infância, o cheiro das paredes da casa da meninice, a maciez das areias da praia, a espuma das ondas quebradas aos seus pés…
Poema “CASA BRANCA”: “Casa branca em frente ao mar enorme, / Com o teu jardim de areia e flores marinhas/…A ti eu voltarei após o calor incerto…/(…) Passados os tumultos e o deserto/Beijados os fantasmas… da terra indefinida./”
Dado que a leitura nos enriquece e a poesia nos transmite sensibilidade para melhor entendermos o mundo que nos rodeia e em que estamos inseridos e dado que somos seres dotados de capacidades que escapam a outros seres da criação, aconselho os amigos leitores a aprofundar esta matéria a vosso bel-prazer, na certeza de que saireis enriquecidos…
A obra poética de S.M.B.A. é contaminante e, se nos esforçarmos, permanece em nós o desejo de continuar a “ser contaminado”. Esfusiante na afirmação dos valores que devem reger a vida do Homem, enquanto ser superior da criação, encontramo-la, em vários poemas, a lutar contra o farisaísmo e a hipocrisia, a discriminação, as injustiças sociais, a falta de liberdade das gentes no período salazarista, a miséria, etc.
Vejamos extractos dos poemas “OS FARISEUS” e “ AS PESSOAS SENSÍVEIS”. O primeiro compara o sofrimento humano ao de Cristo, traído pelos fariseus, vítima maior da hipocrisia humana, segundo a vontade do PAI. O tema é abrangente, na medida em que “toca” os que vivem atirando a pedra, ao mesmo tempo que escondem a mão; daí que a poetisa termine, dizendo:”NEM UMA NÓDOA SE VIA/ NA VESTE DOS FARISEUS.”
No poema “AS PESSOAS SENSÍVEIS”, impera, igualmente, a temática da mentira, do farisaísmo e das injustiças sociais, das quais a exploração dos pobres pelos ricos, sobressai, quando ela diz: ”As pessoas sensíveis não são capazes/De matar galinhas/ Porém são capazes/ De comer galinhas/, (…) Ganharás o pão com o suor do teu rosto/” e não:”Com o suor dos outros ganharás o pão.” Este poema termina com uma frase lapidar: “PERDOAI-LHES SENHOR/ PORQUE ELES SABEM O QUE FAZEM. ”
Amante do MUNDO CLÁSSICO Grego, sobretudo, S.M.B.A transporta esse mundo e esse amor para o século XX, em poemas onde refere a grandiosidade dos muros de Knossos, a dura luz de CRETA, DELFOS do Oráculo, onde “ressurgiremos” de um mundo mau, isento de harmonia, cheio de desigualdades sociais e de tiranias opressoras (alusão ao período salazarista) ideias que imortaliza no poema “PÁTRIA”: “ (…) Por um país de luz perfeita e clara( ideia de liberdade), (…)Pedra rio vento casa/Pranto dia canto alento/Espaço raiz e água/ Ó minha Pátria e meu centro / Me dói a luz me soluça o mar/ E o exílio se inscreve  em pleno tempo (LIVRO SEXTO ,1962). Ao fazer tais afirmações, Sophia recorda-nos a grandiosidade d’outrora que já não o é mais, porque o povo sofre a “miséria que o tempo desenhou”, no tempo da ditadura salazarista. Esta mulher, uma das mais notáveis poetisas portuguesas do séc., passado, condição que perdura pois o poeta é intemporal, foi também uma lutadora anti-fascista ao lado de seu marido, Francisco de Sousa Tavares, atitude social que se pode ver, nomeadamente, no poema “Este é o tempo”: “Este é o tempo/ da selva mais obscura/Até o ar azul se tornou grades/ E a luz do sol se tornou impura/ Esta é a noite/Densa de chacais (…) Este é o tempo em que os homens renunciam. ”
Fala Sophia, em vários poemas, do tema “exílio”, o que não é senão um modo de avivar o espectáculo degradante da emigração, na década de sessenta, em que se viam os portugueses a fugir do regime e da miséria atávica. Como sabemos todos, hoje, século XXI, continua este nosso ir pelo mundo fora, à procura de empregos que cá não temos, buscando “outras canelas e pimentas”, sofrendo novas despedidas, novos lenços a acenar, novos trajos negros a derramar lágrimas de dor…
É impossível não detectar na sua obra influências de Fernando Pessoa. Amando, como demonstra amar, os clássicos, mereceu-lhe especial carinho o heterónimo RICARDO REIS, a quem dedicou um poema, onde, seguindo as suas pegadas, reafirma que só o Presente conta, já que o Futuro é uma incógnita e o Passado de nada já pode valer. Nesse poema lembra a lição dos deuses ausentes, porque: ”O seu olhar ensina o nosso olhar:/Nossa atenção ao mundo/ É o culto que pedem. ” In “DUAL” (1972)
Esta é uma perfeita atitude epicurista, clássica-pois claro!- de quem usufrui plenamente do momento presente, pois KRONOS( deus do tempo) passa, inexoravelmente, sem nos conceder mais tempo que aquele que os deuses nos destinaram…Mas SOPHIA identifica-se também com ALBERTO CAEIRO, outro heterónimo de PESSOA, no amar a Natureza com a simplicidade dos sentidos; por isso fala tanto da maravilha que é apanhar búzios, conchas, ter as mãos e os pés
enterrados na doçura da areia , sentir a água do mar a fugir-lhe ,por entre os dedos …
MALLARMÉ, poeta francês do século XIX (1842-1898) afirmava, sobre a tarefa dos poetas: “dar um sentido mais puro às palavras da TRIBU, é uma missão do poeta.”
E como SOPHIA cumpriu essa missão! Linda de se ler, bela de se ouvir, rica de aprender!
Podemos, para concluir, afirmar que é belo tudo quanto nos possa vir à ideia, depois de a lermos: o Parthenon, a estátua de Apolo, o templo de SÃO PEDRO, EM ROMA, a incomensurável MURALHA DA CHINA, o TAJ MAHAL… pois tudo, à semelhança da poesia de S.M.B.A., foi feito pela mão e pela mente do Homem, com alegria e dor, na tentativa de “cantar” e elevar a “obra” para DEUS, esse Ser que para uns é DEUS, para outros ALÁ, para outros Jeová…Buda…Confúcio… KRISHNA… todos objecto de admiração do ser humano, o mais imperfeito dos seres perfeitos do PLANETA …
SOPHIA não foi poetisa, somente, pois talvez pelo facto de ter sido mãe de cinco filhos, cedo se dedicou à escrita de contos, que AINDA hoje fazem parte do universo literário dos programas de PORTUGUÊS. RECORDEMOS: “A FADA ORIANA”, “ O CAVALEIRO DA DINAMARCA”, “ A FLORESTA”, “ A MENINA DO MAR”, por exemplo. Não se esgota o tema “ SOPHIA”…Devem os leitores interessados aprofundá-lo, se assim o entenderem. Diz o povo que “o saber não ocupa lugar”… SOPHIA afirma: “Um verdadeiro livro propõe sempre uma maneira de ser”
Mª Elisa Rodrigues Ribeiro
*
1 do Zeca pela Dulce...PONTES... na noite marinheira
https://www.youtube.com/watch?v=4h9Ax1Z_s6A&list=RD4h9Ax1Z_s6A#t=27
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 1975
 Dia da nacionalização dos seguros...
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Dia do Ensino Profissional...Em Alcobaça que vos abRRaça temos a Escola Profissional EPADRCister...Temos a Academia de Música...Há mais cursos profissionais...
Mas muito mais poderíamos ter...Justifica ver as necessidades e agir conforme...A CARTA EDUCATIVA devia estar sempre actualizada...O maior envolvimento entre empresas, escolas, IPLeiria e Universidades...
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2010/07/2968na-reuniao-de-camara-de-3062010_02.html
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Dia mundial do Serviço Social
https://www.facebook.com/EspacoDoAssistenteSocial/photos/a.368430053263634.1073741828.362173957222577/804438942996074/?type=3&theater
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 Dia Mundial dos Direitos do Consumidor
foi instituído por John F. Kennedy, ex-presidente dos Estados Unidos da América, precisamente a 15 de março de 1962.
Kennedy defendeu os quatro direitos fundamentais dos consumidores:
direito à segurança
direito à informação
direito à escolha
direito a ser ouvido
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1975
Will.i.am dos Black Eyed Peas
https://www.youtube.com/watch?v=KRzMtlZjXpU&index=7&list=PLECDEC0F2B1E4F26A
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1962
Quino criou a Mafalda contestatária
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2017/03/559415mar201777-mafalda-constatariaquino.html
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1956
Oswaldo Montenegro
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2016/09/955599999-oswaldo-montenegro.html
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1941
Mike Love dos The Beach Boys
https://www.youtube.com/watch?v=jBfniHNBNgo
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 https://www.youtube.com/watch?v=Eab_beh07HU&list=RDEab_beh07HU
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1835
Eduard Strauss
https://www.youtube.com/watch?v=Mei8DbtZC_Q&list=RDMei8DbtZC_Q#t=3
***
e a poesia de Joaquim Pessoa:
2012
hj x AQUI +1 pitadinha do mestre Joaquim Pessoa


Joaquim Pessoa
Dia 70. (excerto)
Olha, fazer amor dá imensa fome e vamos abrir a boca para um
pequeno almoço que dure todo o dia, que venha a ser um grande
almoço e um enorme jantar.
Já quase não me lembrava de uma escovadela a dois, esforçando-me
por fazer bem a minha parte. Agora, vou para o duche pensar no
próximo parágrafo. Depois, iremos procurar motivos para lutar,
exercitar a memória, pois quando se perde a memória acaba tudo.
Vamos gozar este dia. Os nossos olhares confiantes substituirão a
fadiga, a caminho de uma noite excepcional, cheia de coisas incertas,
indecentes, capazes de transformar em pão as nossas rosas.
in ANO COMUM
*
2014
começar bem o sabadão com o mestre Joaquim Pessoa
Poema décimo sétimo
Tua pele tem um quê que não consigo
saber por que me deixa tão excitado.
Encostar-me a ti é sempre um perigo,
pior ainda se estiver deitado.


Saltam faíscas, raios e coriscos
numa atmosfera cheia de gemidos
e corremos, por isso, sérios riscos
de ficarmos chamuscados, derretidos

por tão embriagante alta-voltagem,
que em vez de meter medo dá coragem
para tentar um outro big-bangue.

E se meter em ti o meu rastilho,
então aí, amor, há mais sarilho
e explode tudo, tudo, até o sangue.

Joaquim Pessoa

Sonetos eróticos & irónicos & sarcásticos & satíricos & de amor & desamor & de bem & e de maldizer

Litexa Editora, 2008
Foto de sonhar a realidade.
https://www.facebook.com/sonhararealidade2013/photos/a.349115855209208.1073741828.349094905211303/525413154246143/?type=3&theater
Morrer de amor é assim
Quem morre de tempo certo
ao cabo de um certo tempo
é a rosa do deserto
que tem raízes no vento.

Qual a medida de um verso
que fale do meu amor?
Não me chega o universo
porque o meu verso é maior.

Morrer de amor é assim
como uma causa perdida.
Eu sei, e falo por mim,
vou morrer cheio de vida.

Digo-te adeus, vou-me embora,
que os versos que eu te escrever
nunca os lerás, sei agora
que nunca aprendeste a ler.

Neste dia que se enquadra
no tempo que vai passar,
termino mais esta quadra
feita ao gosto popular.

Joaquim Pessoa, do livro "Ano Comum"

Fotografia de Kurt Van Wagner

*
Foto de sonhar a realidade.



Sabe-me a boca a nada. Sabe-me a boca a sombra.
Bebi a madrugada porque ela me deslumbra.
Matei a minha sede. Esqueci a minha fome.
Soletrei as sílabas molhadas do teu nome.
E os pássaros que adejavam a luz do teu sorriso
eram mais, muito mais do que é preciso
para aninhar na minha carne a tua história,
rainha das perguntas, princesa da memória.
Um dia hei de servir-te palavras divertidas
e colherei, de um campo verde, margaridas.
Beijarei tuas mãos, teus peitos, tuas ancas
que cobrirei, depois, com essas flores brancas.
Farei muito amor contigo até de madrugada,
até que a boca saiba a sombra e saiba a nada.
E tudo há-de depois recomeçar do zero.
Beberei de novo a madrugada em desespero,
mas antes, gravarei, num dia como este,
o meu e o teu nome na casca de um cipreste
para que fique nesse tronco assinalado
que o futuro tem presente e tem passado.

E então, minha rainha, princesa, meu amor,
já podemos ir desta pra melhor.

em Ano Comum
  
***
Foto de Rosário Narciso.
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=779977628696736&set=gm.677563332285780&type=1&theater 
***
Foto de Mar da Palha.
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10152234966613417&set=a.172535788416.149938.172530728416&type=1&theater
Hoje canto não apenas o silêncio mas todos os silêncios que
em meu nome, e no teu, e no de todos os que procuram respostas, se constroem como um mar vazio, uma atmosfera
sem ar.
Hoje recordo, também com o coração cheio de piedade, aqueles que dentro da noite procuraram colher uma rosa de luz,
nus e fiéis, filhos do fogo da terra e que à terra voltaram, de
novo nus, com um estremecimento tão largo como a sua luta
e a sua profunda e golpeada vontade de viver.
Hoje, com a súbita alegria dos cães, sou irmão dos pássaros
pela profunda desilusão dos homens, pelos corações a abarrotar de sombra que escrevem esses discursos prometendo o
sol.
Hoje vejo o mar como o conjunto das lágrimas desde o primeiro homem. Vejo a morte como um amontoado dos sentimentos que se perdem, das tristezas inúteis, das canções que deixámos de cantar até para nós mesmos.
Hoje abandonarei o meu canto. E cantarei por ti.
Para que a primavera se precipite no fundo dos teus olhos.
Para que a coragem te absolva. E para que a luz das estrelas
volte a beijar as tuas mãos. 

In "Ano Comum"

fotografia: Nuno Trindade Photography
Centro Colombo, Benfica, Lisboa.