08/02/2017

3.193.(8fev2017.8.8') Trump

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8fev2017
Lúcia ouviu-me ontem no TIRA.TEIMAS
e acha que não fui contundente
contra TRUMP
ódio.racismo.
faltou lembrar Hitler
acha que só falei nos perigos militares
O que eu disse na rádio:
EUA são sempre imperialismo independentemente do Presidente ser  1 dos Bush, Clinton, Obama ou Trump!
No meio das trumpalhadas...
O trump é popular quando anuncia redução de custos na NATO para a Europa pagar...
Obama matou e mandou matar e manteve todo o potencial de armas e ampliou bases militares por td o mundo, nomeadamente contra a Rússia em td os países ex-socialistas...
O trump é popular quando diz que vai criar emprego, baixar impostos...
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Via Graça Silva
8fev2017
Filósofos
https://filosofiacritica.wordpress.com/2017/02/04/o-que-pode-um-filosofo-contra-trump/
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Avante
9fev2017
http://avante.pt/pt/2254/internacional/144081/
"Sinclair Lewis disse uma vez que «quando o fascismo chegar à América virá enrolado na bandeira e com um crucifixo na mão». É esse o problema de tratar a política como um universo paralelo à luta de classes: o fascismo não chega necessariamente aos urros a proclamar-se fascista porque é uma solução dos mesmos capitalistas que dias antes andavam aos urros a proclamar-se donos da democracia. E quem andar distraído, convencido de que não há nada sob o sol mais democrático do que uma ditadura burguesa, arrisca-se a nem notar a diferença."
Trump é o capitalismo
LUSA
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Longe vai o tempo em que «democracia» fazia as vezes de «capitalismo» no léxico político dominante. Quando, parafraseando Churchill, se repetia que «a democracia é a pior forma de governo, excepto todas as outras», absolvia-se o capitalismo de todos os crimes porque, ao contrário de «todos os outros», este sistema ao menos é democrático. A confusão, tão deliberada como astuta, foi rentável durante décadas mas na era de Trump não passa de uma anedota.

Enquanto correm rios de tinta sobre o risco do fascismo reerguer a monstruosa cabeça do outro lado do Atlântico, não sabemos ao certo se essa viragem já começou ou sequer como distingui-la quando a virmos. A velha confusão entre eleições pluripartidárias e exploração do trabalho assalariado está a dissolver-se insidiosamente num terceiro elemento, o fascismo, prova de que o capitalismo pode ter começado a abandonar definitivamente o casulo democrático. Afinal, o capitalismo não nasceu democrático e não há nenhuma razão para acreditar que morrerá democrático. À semelhança dos anos vinte e trinta, todas as aproximações ao fascismo no século XXI têm sido recebidas pelos «democratas» de turno ora com benevolência crítica, ora como apoio directo, mas ninguém trata a Hungria, os EUA ou a Ucrânia como «ditaduras».

Sinclair Lewis disse uma vez que «quando o fascismo chegar à América virá enrolado na bandeira e com um crucifixo na mão». É esse o problema de tratar a política como um universo paralelo à luta de classes: o fascismo não chega necessariamente aos urros a proclamar-se fascista porque é uma solução dos mesmos capitalistas que dias antes andavam aos urros a proclamar-se donos da democracia. E quem andar distraído, convencido de que não há nada sob o sol mais democrático do que uma ditadura burguesa, arrisca-se a nem notar a diferença. 

O ai dos vencidos 

As fricções entre diferentes sectores do grande capital estado-unidense são testemunho da profundidade desta crise estrutural do capitalismo que pode desembocar em fascismo, mas seria imprudente atribuir a Soros e aos seus correligionários a liderança da resistência a Trump. Pelo contrário, nas manifestações e vigílias que diariamente têm lugar, é notória a evolução de muitos trabalhadores «liberais» próximos do Partido Democrata para posições anti-capitalistas. Dos taxistas da cidade de Nova Iorque aos professores de Chicago, passando pela greve dos imigrantes iemenitas, emerge espontaneamente uma solidariedade de classe que une sob a mesma bandeira as solidariedades com a luta de todos os trabalhadores, dos negros, dos imigrantes, das mulheres, dos povos nativos ou das pessoas LGBT.

A evolução da resistência popular a Trump é ela própria encorajada pela ineficácia dos instrumentos institucionais controlados pelo Partido Democrata. Trump governa como um golpista e quando surge um obstáculo institucional, legal ou democrático, trata de removê-lo por decreto. Enquanto nos círculos da alt-right [direita alternativa] mais próximos de Trump a própria Constituição dos EUA surge crescentemente como um estorvo inconveniente, os democratas encenam o ai dos vencidos e pagam o ferro na balança.

Neste estado de coisas, para muitos jovens estado-unidenses o apelo do socialismo é descoberto com a força de guardião de todos os direitos democráticos conquistados ao capital ao longo de dois séculos.

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26jan2017
http://www.avante.pt/pt/2252/internacional/143869/
Trump, a velocidade e a forma
«Posso contratar metade da classe trabalhadora para matar a outra metade». Século e meio depois do magnata nova-iorquino Jay Gould sintetizar assim a sua a fórmula para suprimir as greves dos trabalhadores ferroviários, a velha máxima recobra fôlego em Trump, ainda que abreviada, à guisa de tweet, para «Primeiro a América».
A primeira semana da nova administração, pródiga em desenvolvimentos rápidos como as «semanas em que décadas acontecem», como escreveu Lénine, inaugurou, não uma ruptura com as anteriores administrações, mas o aprofundamento e a aceleração do rumo traçado. É na esteira de Clinton, Bush e Obama que Trump anuncia o desmantelamento das funções sociais dos estados e do governo federal: Obama fez da saúde um negócio mais lucrativo para as seguradoras e mais dispendioso para os trabalhadores; ao retirar a famigerada lei do Afordable Care Act, também conhecida como Obamacare, Trump vem acelerar o processo. Após o peremptório e conveniente falhanço do Obamacare, será mais fácil impor à saúde as leis do mercado e da selva, deixando 20 milhões de estado-unidenses sem acesso à saúde. Se dúvidas sobre esta matéria restarem, recorde-se, por exemplo, os cortes orçamentais decretados por Obama ao Medicare e ao Medicaid, os programas de saúde para idosos e pobres, respectivamente. Trump já avisou que vai desmantelar o que sobra. Continuidade e aceleração presidiram e guiaram igualmente as ordens executivas que, esta segunda-feira, proibiram todas as agências federais de contratar novos funcionários, os cortes no programa de saúde sexual e reprodutiva Planned Parenthood, de que depende a saúde de cinco milhões de pessoas, principalmente mulheres, a deportação de milhões de imigrantes, a construção de muros ou a ameaça de novas guerras…
Há, contudo, neste processo de incremento quantitativo, um potencial de transformação qualitativa que não deve ser subestimado. A sociedade estado-unidense exibe mais e perigosos sintomas de fascização que, não sendo novos, tornam-se rotineiros. Normalizam-se. Esta gangrena começa a afectar algumas centrais sindicais entusiasmadas com as medidas proteccionistas de Trump e alheias às consequências de «reduzir em 75 por cento a regulação económica». Os relatos de violência contra negros, mulheres, imigrantes, e pessoas LGBT multiplicam-se com crescente impunidade. Convenientemente, os únicos sectores públicos que, segundo Trump, não sofrerão cortes são o aparelho de repressão do Estado e as forças armadas.

Continuidade e aceleração

Neste cenário pouco animador, merecem destaque as enormes manifestações em defesa dos direitos das mulheres, da democracia e contra o racismo que fizeram estremecer o país. Mais de três milhões de pessoas em 500 cidades disseram «não» a Trump e a escala do protesto rompeu os moldes em que o Partido Democrata (PD) o queria confinar: os oradores não se ouviam, as celebridades de Hollywood não se distinguiam, as organizações de George Soros foram eclipsadas e até as ordens da polícia se tornaram impraticáveis. O abraço da serpente com que o PD quer cooptar a oposição a Trump enfrenta a mesma dificuldade que Clinton durante a campanha eleitoral: a maioria do povo estado-unidense não acredita que Clinton seja melhor que Trump.
Se é verdade que de pouco servem elucubrações sobre como seria uma eventual administração Clinton, é utilíssimo observar a estranha «oposição» que os democratas fazem a Trump. Foi com os votos dos senadores democratas, entre os quais Bernie Sanders e Elizabeth Warren, que Trump nomeou James Mattis, mais conhecido por «cão raivoso», para chefe do Pentágono. Trata-se do criminoso de guerra que reduziu Faluja, no Iraque, a escombros e que se jactava de não ter ficado a pensar mais do que 30 segundos na decisão de, em 2004, bombardear uma festa de casamento naquele país, matando 42 homens, mulheres e crianças. Foi, do mesmo modo, com os votos favoráveis dos senadores democratas, entre os quais novamente Bernie Sanders, que Trump entregou o Departamento de Segurança Interna a John Kelly, antigo responsável pela prisão de Guantánamo, e apoiante fervoroso do muro de Trump, entre outras façanhas semelhantes. Os democratas aprovaram também o nome de Mike Pompeo para director da CIA. Militante do Tea Party e dirigente da extrema-direita no Kansas, Pompeo é um defensor da legalização da tortura e da espionagem massiva da NSA.
A benevolência do PD para com Trump não demonstra só a ideia de aceleração e continuidade, prova que, mais alto do que quaisquer personalidades, estilos ou partidos falam sempre os interesses de classe. Clinton e Trump pertencem e representam a mesma e neste momento é mais forte o que os une do que aquilo que os separa. E se um dia os trabalhadores estado-unidenses também aprendessem isto? Continuariam a ser contratados para matar a sua outra metade ou apontariam as armas noutra direcção?
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17nov2016
http://www.avante.pt/pt/2242/opiniao/142868/
Eis o Trump
A vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos EUA está a convulsionar os bem pensantes do politicamente correcto.

A origem directa do desnorte está na campanha eleitoral realizada e não apenas pelo desconchavo da prestação de Trump (o homem esbarrondou as conveniências e ultrapassou as barreiras consideradas mais inexpugnáveis), mas também pela condução da campanha de Hilary Clinton, que assentou no apoio maciço da comunicação social e do mundo do espectáculo a partir da premissa triunfal de que o adversário «era mau demais» para ser considerado como tal.

Independentemente do rumo que as políticas de Trump seguirão – e nada de bom dali virá –, há uma evidência destas eleições que não está a ser abordada.

Trata-se de um mal-estar profundo que mina a sociedade norte-americana, desde que Ronald Reagan pôs os «boys de Chicago» a mandar no país e, decorrentemente, no mundo que aos EUA está subordinado.

Desde essa altura – quase toda a década de 80 do século XX – que o neoliberalismo entrou em força nos EUA, impondo o mercado como o «grande regulador», abriu caminho à especulação sem limites, à desregulamentação dos mercados, da Bolsa e dos direitos sociais e laborais dados como adquiridos. Foi o tempo dos fundos de pensões volatizados na especulação bolsista e do desemprego a alastrar a muitos milhões de trabalhadores, que viram as suas fábricas a fechar em busca de mão-de-obra mais barata (e desregulamentada) na China, na Índia – nos chamados «países emergentes».

Esta política foi acompanhada pela arrogância imperial dos EUA a pretenderem-se «polícias do mundo», o que desencadeou as desestabilizações e as guerras que se conhecem: guerra e esfrangalhamento da Jugoslávia, guerra contra o Iraque e a desestabilização generalizada no mundo islâmico, nomeadamente com guerras na Líbia, na Síria e no Afeganistão e etc. etc.

Nestes trinta e tal anos, os EUA continuaram a consumir mais de 50 por cento da produção mundial, os ricos (como Trump) continuaram a aumentar as suas fortunas e os trabalhadores sofreram, nestas três décadas, contínuas degradações do nível de vida e de sobrevivência patrocinadas por sucessivos presidentes que, desde Reagan, têm prosseguido essencialmente a mesma política de esbulho e domínio imperial pela força das armas.

O que estes resultados eleitorais demonstram é que o povo norte-americano, na sua multiculturalidade, está farto de perder qualidade de vida e aberto a quem lhes prometa mudança.

Podia ser Bernie Sanders, o democrata que galvanizou a juventude com propostas concretas de desenvolvimento. Hilary Clinton e o Partido Democrata manobraram para o afastar – e agora levaram todos com o Donald Trump.