31/12/2017

6.318.(31dez2017.8.8') Clara Zetkin

Nasceu a 5jul1857
e morreu a 20jun1933
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2019
Via Cláudia Cláudio:
 «O camarada Lénine falou-me mais de uma vez sobre a questão feminina. É evidente que atribuía um significado muito grande ao movimento feminino, parte integrante do movimento de massas, tão importante que poderia, em certas condições, tornar-se uma parte decisiva. É claro que para ele a igualdade completa da mulher constituía um princípio base, absolutamente incontestável para todo o comunista.»
Clara Zetkin, recordações sobre Lénine, 1924
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Clara Zetkin e o 8 de Março

Clara Josephine Eißner Zetkin nasceu em Eissner Wiederau, uma aldeia camponesa na região da Saxónia, Alemanha, no dia 5 de Julho de 1857. O seu pai, Gottfried Eissner, mestre e organista da igreja, foi um protestante devoto, enquanto a sua mãe, Josephine Vitale Eissner, veio de uma família burguesa de Leipzig e tinha formação superior.
Tendo estudado para se tornar professora, Zetkin desenvolveu ligações com o movimento das mulheres e com movimento operário na Alemanha de 1874. Em 1878, entrou para o Partido Socialista dos Trabalhadores (Sozialistische Arbeiterpartei, SAP).
Por causa da proibição por Bismarck, em 1878, instituída à actividade socialista na Alemanha, Zetkin partiu para Zurique em 1882, e em seguida partiu para o exílio em Paris. Durante o tempo passado em Paris, ela desempenhou um papel importante na fundação do grupo socialista da Internacional Socialista.
Na altura adoptou o nome do seu companheiro, o revolucionário russo Ossip Zetkin, com quem teve dois filhos, Kostja e Maxim. Ossip Zetkin morreu em 1889. Mais tarde, Zetkin foi casada com o artista Georg Friedrich Zundel, dezoito anos mais novo que ela, de 1899 a 1928.
No SPD, Clara Zetkin, juntamente com Rosa Luxemburgo, sua amiga íntima e confidente, foi uma das principais figuras da esquerda revolucionária do partido. 
Zetkin estava muito interessada na política feminista, incluindo a luta pela igualdade de oportunidades e o direito de voto das mulheres. Ela desenvolveu o movimento social-democrata de mulheres, na Alemanha; entre 1891-1917 editou o jornal de mulheres do SPD “Die Gleichheit” (Igualdade). Em 1907 Zetkin tornou-se líder do recém-fundado "Instituto da Mulher" no SPD.
Clara Zetkin lançou as bases para o primeiro "Dia Internacional da Mulher", a 8 de Março de 1911, tendo proposto a ideia no ano anterior, em Copenhaga, aquando da II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, no sítio que mais tarde se tornou o Ungdomshuset (uma espécie de casa cultural e ponto de encontro para grupos autónomos e de esquerda).
Durante a I Guerra Mundial, Zetkin, juntamente com Karl Liebknecht, Rosa Luxemburgo e outros políticos influentes do SPD, rejeitou a política do partido de Burgfrieden (uma trégua com o governo, prometendo abster-se da marcação de greves durante a guerra).
Entre outras actividades anti-guerra, em 1915 Zetkin organizou uma Conferência Socialista Internacional de Mulheres Anti-Guerra, em Berlim. Por causa da sua postura anti-guerra, foi presa várias vezes durante a guerra.
Em 1916, Zetkin foi uma dos co-fundadores da Liga Espartaquista e do Partido Social-Democrata Independente da Alemanha (USPD), que se separou em 1917 do seu partido mãe, o SPD, em protesto contra a sua posição pró-guerra.
Em Janeiro de 1919, depois da Revolução alemã em Novembro do ano anterior, o KPD (Partido Comunista da Alemanha) foi fundado e Zetkin também se juntou a este e representou o partido entre 1920-1933 no Reichstag.
Em Agosto de 1932, como presidente do Reichstag por antiguidade, Zetkin convocou todos a lutar contra o nacional-socialismo. Quando Adolf Hitler e o seu partido Nacional-Socialista Alemão chegaram ao poder, o Partido Comunista da Alemanha foi banido do Reichstag, após o incêndio do Reichstag, em 1933.
Clara Zetkin exilou-se pela última vez, desta vez na União Soviética. Aí morreu, no Archangelskoye, perto de Moscovo, no dia 20 de Junho de 1933, com quase 76 anos. Foi enterrada junto ao muro do Kremlin, em Moscovo.
wikipedia(imagens)
File:Clara Zetkin.jpg
Clara Zetkin em 1897
File:Zetkin luxemburg1910.jpg
Clara Zetkin e Rosa Luxemburgo em 1910
File:Zetkin Kollontaj Comintern.jpg
Clara Zetkin (quarta a contar da esquerda) no II Congresso da Internacional Comunista
 https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2019/03/clara-zetkin-e-o-8-de-marco.html?spref=fb&fbclid=IwAR388Mqm92xV6gXhepsRPpmLnLGP0qXEG5CMQo4ZJjLcRyxKavjm0VN0BaQ
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Via blogue arte poesia
7mar2014

# CLARA ZETKIN: MULHER DE NOTÁVEIS IDEAIS E ATITUDES E O DIA INTERNACIONAL DA MULHER #

  Recorrendo a história para entender um pouco sobre o dia internacional da mulher,  comecei a compreender toda a luta que muitas mulheres que nos antecederam passaram para conquistar seu espaço de respeito e dignidade em toda sua trajetória histórica, sempre marcada pela opressão, a desvalorização de seu trabalho e o preconceito de uma sociedade machista .Elas nos deixaram um legado de reivindicações sociais, de luta política e de organização sindical,cooperativista, para darmos prosseguimento.

    Em 8 de março de 1857, houve uma grande greve de operárias de uma fábrica de tecidos em Nova Iorque, nos Estados Unidos. As tecelãs ocuparam o local de trabalho e reivindicaram melhores condições de trabalho, como redução na carga diária de trabalho para 10 horas diárias ,ao invés de 16 horas, igualdade de salários entre homens e mulheres, além de tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação trabalhista foi contida com violência: as operárias foram trancadas na fábrica e a construção foi incendiada. Com isso, 130 trabalhadoras  morreram carbonizadas.                              
                                                                                         


        Outro fato de efeitos catastróficos foi o incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist em Nova York em 25 de março de 1911 foi um grande desastre industrial que causou a morte de mais de uma centena de costureiras que morreram no fogo ou se precipitaram do edifício. Este incêndio iria contribuir para a especificação de critérios rigorosos sobre as condições de segurança no trabalho e para o crescimento dos sindicatos.



    A Triangle Company ocupava os três últimos andares do edifício Asch, de dez andares, que fazia esquina entre as ruas Greene Street e Washington Place, e empregava cerca de 600 trabalhadores, a maioria constituída por mulheres jovens  imigrantes  que trabalhavam 14 horas por dia, em semanas de trabalho de 60-72 horas, costurando vestuário por modestos salários entre os 6 e os 10 dólares por semana.Na hora do incêndio , por falta de saídas adequadas , muitos morreram ou se atiraram dos andares.

   Ao final do incêndio o total de mortos foi de 146, sendo que 91 morreram  carbonizados no incêndio e 54 nas queda

  O incêndio da Triangle Shirtwaist é muitas vezes associado à origem do Dia Internacional da Mulher.

   Esta data de 08 de março, ficou determinada para comemoração do dia internacional da mulher, mas há algum tempo vários movimentos feministas vinham fazendo protestos contra a exploração de seus trabalhos, o salário menor do que o do homem e uma carga horária exaustiva, e ambientes insalubres para o trabalho.
 


   A Ativista Clara Josephine Zetkin, (1857-1933), alemã, membro do Partido Comunista Alemão professora, jornalista, deputada em 1920, militava junto ao movimento operário e se dedicava à conscientização feminina. Fundou e dirigiu a revista Igualdade, que durou 16 anos (1891-1907).  A sua proposta de criar o dia internacional da mulher acontece em 1910, um ano ano de acontecer este incêndio na fábrica de tecidos em New York.

   Ao participar do II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, realizado na Casa do Povo (Folkete Hus) em Copenhagen, em 26 de agosto de 1910, Clara Zetkin propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher sem definir uma data precisa. Contudo, há controvérsias históricas se Clara teria proposto o 8 de Março para lembrar operárias mortas no incêndio em Nova Iorque em 1857. 

   É muito provável que o sacrifício das trabalhadoras da fábrica de tecidos tenha se incorporado ao imaginário coletivo da luta das mulheres. Mas o processo de instituição de um Dia Internacional da Mulher já vinha sendo elaborado pelas socialistas americanas e européias há algum tempo e foi ratificado com a proposta de Clara Zetkin.
      A data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1975, por um decreto.

    Felizmente, o Brasil nos últimos anos tem avançado bastante na busca pela igualdade efetiva entre homens e mulheres, principalmente no mercado de trabalho.
       AVANTE  MULHERES !!!!
File:GDR-stamp Clara Zetkin 1957 Mi. 592.JPG    Bjus a todas as mulheres que no anonimato de seu dia faz a diferença  e aquela que se destaca nas lutas políticas, literárias, intelectuais, das artes, do jornalismo, enfim  a estas que acreditam que seu saber vai fazer a diferença, vai dar um sentido a sua vida e a do outro, parabéns!!! Pois entendendo  assim o nosso papel, não só de gênero mais de  humanos,  estamos em busca do sentido da vida e do nosso auto conhecimento. 

JANE
 http://artepoesia-givanoite.blogspot.pt/2014/03/clara-zetkin-mulher-de-notaveis-ideais.html
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avante 21dez2017
Revolução de Outubro – um marco histórico na luta emancipadora das mulheres


IGUALDADE A Revolução de Outubro de 1917 inaugurou a construção de uma sociedade nova que nas suas profundas transformações inscreveu, desde a primeira hora, a consagração da igualdade na lei e na vida constituindo um marco decisivo para a luta emancipadora das mulheres.
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A Revolução de Outubro introduziu uma profunda transformação na situação das mulheres e constituiu um marco decisivo na sua luta emancipadora com repercussões mundiais. O carácter revolucionário destas transformações foi de tal forma profundo que a grande maioria delas se mantém actual na luta das mulheres e dos povos no tempo presente.


A força da participação das mulheres contribuiu para que a velha e atrasada Rússia se transformasse, em poucas décadas, num país altamente desenvolvido, mais industrializado e socialmente mais avançado. Transformação gigantesca que foi possível concretizar vencendo as dificuldades próprias do processo de construção de uma nova sociedade face às brutais adversidades fomentadas pela velha oligarquia, articulada com a intervenção das potências imperialistas, o bloqueio económico e sabotagem externa, com a guerra civil e duas grandes guerras devastadoras.


A Revolução Socialista de Outubro concretizou avanços notáveis na situação das mulheres, desde logo no combate ao analfabetismo, no acesso à educação e ao Ensino Superior, e na sua integração massiva no mercado de trabalho, nas mais diversas funções e em todos os ramos da economia – engenheiras, mineiras, cientistas, maquinistas, professoras, aviadoras ou médicas, na indústria, agricultura e na administração do Estado.


O combate à elevada taxa de mortalidade infantil mereceu um cuidado particular, com a criação de uma ampla rede de cuidados de saúde materno-infantil, de creches para crianças até aos três anos, e a construção de maternidades, a par das consultas de planeamento familiar.


A Rússia dos Sovietes tornou-se no primeiro país do mundo a garantir às mulheres quer o direito ao voto, quer o direito a serem eleitas. Em 1917, Alexandra Kollontai foi a primeira mulher no mundo a ser ministra e também, em 1922, a primeira mulher a ser nomeada embaixadora. A participação social e política das mulheres foi profundamente incentivada, com realce para a promoção de vigorosas campanhas pela emancipação das mulheres nas Repúblicas Soviéticas da Ásia Central, onde o atraso era ainda maior.


Foi notável a participação das mulheres e raparigas na guerra civil e na II Guerra Mundial que assolaram e devastaram o país. Na II Guerra cerca de 800 000 mulheres estiveram nas fileiras das Forças Armadas Soviéticas e são incontáveis os casos de heroísmo das mulheres, voluntárias ou militares.


A emancipação da mulher significa a modificação da sua posição social
No seu primeiro discurso público, em 1898, Clara Zetkin afirmará que a emancipação da mulher «significa a completa modificação da sua posição social, uma revolução do seu papel na vida económica» (1). Se a entrada da mulher na produção a liberta da dependência económica face ao homem, a natureza exploradora do sistema capitalista usa o trabalho das mulheres para diminuir o salário dos homens, o trabalho das crianças para diminuir o salário das mulheres, e as máquinas para desvalorizar o trabalho humano. Esta percepção do carácter histórico da «moderna» questão das mulheres e sua compreensão como parte da questão social tem por base a contradição nuclear entre o Trabalho e o Capital – não é possível transformar a condição das mulheres sem abolir o modo de produção capitalista.


Clara Zetkin evidenciou o carácter distinto dos objectivos finais que norteavam a luta das mulheres pela igualdade em função da sua classe social: «a luta de libertação da mulher proletária não pode ser semelhante à luta que as mulheres burguesas desenvolvem contra os homens da sua classe; pelo contrário, deve ser uma luta conjunta com os homens da sua classe contra a classe inteira de capitalistas.» (2).


Lénine e a emancipação da mulher
Clara Zetkin escreveu, em Recordações sobre Lénine, as suas conversas sobre «a questão feminina», sobre o significado que atribuía ao movimento de mulheres operárias e à sua importância decisiva como parte integrante do movimento de massas – «É claro que para ele a igualdade completa da mulher constituía um princípio de base, absolutamente incontestável para todo o comunista.» (3).


As suas análises centraram-se na opressão, exploração e na miséria das mulheres operárias, no direito ao divórcio, na situação crítica das camponesas, na integração das operárias na luta geral do proletariado, na sua participação na revolução e na construção do socialismo, nos objectivos e tarefas do movimento revolucionário de mulheres, internacional e da Rússia. Lénine participou de forma permanente na preparação dos decretos e leis do poder soviético para efectivar a plena igualdade de direitos entre mulheres e homens.


Em 1902, preparou o projecto de Programa do Partido Operário Social-Democrata da Rússia onde se incluíam diversas reivindicações: o direito ao voto para todos por sufrágio directo; a plena igualdade para todos os cidadãos independentemente do sexo, raça ou religião; educação universal, gratuita e obrigatória até aos 16 anos; proibição do trabalho infantil.


Apenas um ano após a tomada do poder pelos sovietes, teve lugar o 1.º Congresso das Mulheres Proletárias e Camponesas (Novembro, 1918), onde Lénine discursou: «Uma das primeiras tarefas da República Soviética é abolir todas as restrições aos direitos das mulheres (…) Pela primeira vez na história, a nossa lei removeu tudo o que negou os direitos às mulheres. Mas o mais importante não é a lei.» (4).


A igualdade entre mulheres e homens na lei é apenas o primeiro passo para a emancipação das mulheres. Em Sobre as Tarefas do Proletariado na Presente Revolução (Teses de Abril), que Lénine apresentou aquando da sua chegada à Rússia depois do exílio, são reforçadas as orientações – a não ser que as mulheres tomem parte, não apenas na vida política mas em todo o serviço público, não vale a pena falar de democracia plena e estável. É preciso que as trabalhadoras atinjam a igualdade, não apenas na lei mas também na vida, que tomem parte na vida política e em todo o serviço público, um lugar crescente na administração das empresas públicas e do Estado, mais trabalhadoras eleitas para o Partido e para os Sovietes.


Após a tomada do poder pelos Sovietes, e ainda em Novembro, foram decretadas medidas concedidas a todos os cidadãos, sem distinção de sexo: o direito ao uso da terra; salário igual para trabalho igual; o máximo de 8 horas de trabalho diário com interrupções obrigatórias para descanso, o direito a férias remuneradas e a dias de descanso semanal; a interdição do trabalho infantil; o direito à segurança social na doença, invalidez, velhice, parto, viuvez, orfandade e no desemprego.


Em Dezembro, o Comissariado do Povo emitiu o decreto de constituição do Departamento para a Protecção da Mãe e da Criança. Tinham passado apenas seis semanas desde a tomada do poder pelo proletariado.


Não há igualdade entre explorados e exploradores
O governo dos Sovietes foi o primeiro governo do mundo a legitimar a maternidade na lei como função eminentemente social. E também o primeiro a garantir clínicas especializadas de planeamento familiar e métodos contraceptivos gratuitos – o aborto a pedido da mulher foi despenalizado por decreto (Novembro, 1920) se praticado até às 10 semanas, e de forma gratuita nos hospitais públicos. O casamento civil passou a ser o único reconhecido perante a lei, o divórcio foi legalizado com formalidades simplificadas, e acabou a distinção entre filhos legítimos e ilegítimos. Em Julho de 1918, foi aprovada a primeira Constituição da Federação Soviética da República Socialista da Rússia consagrando um conjunto muito alargado de direitos políticos e sociais: o direito ao voto e a ser eleito/a, o direito universal ao ensino e à assistência médica, gratuitos; o direito à habitação, o direito ao desporto e à livre criação e fruição da cultura. Publicado em Dezembro de 1918, o Código do Trabalho decretou o acesso a todas as profissões sem distinção de sexo, a licença de maternidade de doze semanas com remuneração integral, a completa proibição do despedimento de mulheres grávidas, o direito de amamentação de 30 minutos por cada três horas de trabalho, e aos apoios especiais no caso das mães solteiras.


No 2.º aniversário da Revolução, o Pravda publicou o texto de Lénine O Poder Soviético e o Estatuto das Mulheres, a propósito da falsidade da social-democracia: «A democracia burguesa é uma democracia de frases pomposas, palavras solenes, promessas exuberantes e slogans sonantes de liberdade e igualdade. Mas na verdade expõe a falta de liberdade e a inferioridade das mulheres, a falta de liberdade e a inferioridade dos trabalhadores e explorados. Não pode haver, nem nunca haverá “igualdade” entre oprimidos e opressores, entre explorados e exploradores.» (5).


Álvaro Cunhal confirmará esta afirmação, 70 anos após a Revolução de Outubro, no discurso de encerramento da Conferência Nacional do PCP A Emancipação da Mulher no Portugal de Abril (1986): «Ao contrário de numerosas revoluções burguesas em que foram reconhecidos formalmente direitos que nunca foram concretizados na prática, com a participação na luta revolucionária a mulher alcança de facto numerosos direitos antes que estes sejam formalmente reconhecidos pelo poder revolucionário posteriormente instaurado.» (6).


O desaparecimento da URSS e as derrotas do socialismo no Leste da Europa não negam a necessidade de construção de uma nova sociedade sem explorados nem exploradores (7). Pelo contrário, a luta pelo socialismo afirma-se como objectivo de luta dos povos enquanto perspectiva e condição de futuro, inseparável da plena libertação e realização humanas, inseparável da luta das mulheres, pela igualdade na lei e na vida, pela sua verdadeira emancipação social. E, por ela, vale a pena lutar todos os dias.





NOTAS


(1 e 2) Clara Zetkin, 1898. Pela libertação da mulher, Clara Zetkin e a Luta das Mulheres, Edições Avante, 2007.


(3) Lénine, 1918. First All-Russia Congress of Working Women, Lenin’s Collected Works, Progress Publishers, Moscow, 1974.


(4) Lénine, 1917. Materiais para a Revisão do Programa do Partido, Obras Escolhidas de V. I. Lénine, 2.º Tomo, Edições Avante, Lisboa, 1977.


(5) Lénine, 1919. Soviet Power and the Status of Women, Lenin’s Collected Works, Progress Publishers, Moscow, 1965.


(6) Álvaro Cunhal, 1986. Intervenção de encerramento, Conferência Nacional do PCP A Emancipação da Mulher no Portugal de Abril, SIP/PCP (http://www.pcp.pt/esta-conferencia-ficara-assinalada-como-um-marco-na-luta-do-partido-da-mulher-portuguesa-pela-sua).


(7) Resolução Política do XX Congresso do PCP, DEP/PCP, 2016.
 http://www.avante.pt/pt/2299/temas/148034/

7.610.(31dez2017.7.7') A teoria de Gaia

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 4jul2017
A Teoria Gaia partiu de ideia pseudocientífica e passou a teoria respeitável.
A teoria Gaia foi proposta na década de 1970 pelo cientista inglês James Lovelock, a partir de estudos realizados no começo da década de 1960 para a NASA, com o objetivo de detectar vida em outros planetas, especialmente Marte. Em parceria com a filósofa Dian Hitchcock, Lovelock buscou elaborar experimentos para a detecção de vida que fossem gerais, independentes do tipo de vida particular que existe na Terra.
Deste modo, poderiam ser aplicados para a busca de qualquer forma de vida, mesmo que fosse significativamente diferente daquela encontrada na Terra. Um dos testes elaborados por Lovelock e Hitchcock consistia em comparar a composição química da atmosfera de outros planetas, como Marte e Vênus, com a da atmosfera terrestre.
A base teórica do teste era simples, se um planeta não apresentasse vida, a composição química da sua atmosfera seria determinada apenas por processos físicos e químicos e deveria estar próxima ao estado de equilíbrio químico.
Em contraste, a atmosfera de um planeta com vida apresentaria uma espécie de “assinatura” química característica, uma combinação especial de gases que indicaria uma atmosfera em estado de constante desequilíbrio químico. Esta assinatura seria o resultado da presença de organismos vivos, que usariam a atmosfera, assim como os oceanos e os solos como fontes de matéria-prima e depósitos para resíduos de seu metabolismo.
Ao analisarem as composições químicas das atmosferas de Marte e Vênus, Lovelock e Hitchcock chegaram à conclusão de que nossos vizinhos no Sistema Solar não possuem vida, uma vez que suas atmosferas se encontram em um estado muito próximo ao equilíbrio químico, sendo dominadas por dióxido de carbono e apresentando pouco oxigênio e nitrogênio e nenhum metano.
Comparando-se as atmosferas de Marte e Vênus com a da Terra, diferenças significativas são encontradas em suas composições químicas. Nitrogênio (78%) e oxigênio (21%) são os gases dominantes na atmosfera terrestre, enquanto o dióxido de carbono contribui com apenas 0,03%, embora a ação antrópica esteja atualmente acarretando um aumento desses níveis.
Além disso, a atmosfera terrestre possui vários outros gases, todos altamente reativos. Esta situação de instabilidade ou desequilíbrio se mantém na atmosfera terrestre há um longo tempo, o que não deve ser esperado, caso a composição química atmosférica resulte somente da ação de mecanismos físicos e químicos.
De fato, essa composição atmosférica reflete a dinâmica de trocas gasosas entre a atmosfera terrestre e os organismos vivos. Ou seja, o que leva a atmosfera terrestre a ter uma composição química diferente daquela de Marte ou Vênus é simplesmente o fato trivial de que a Terra possui vida. Se toda a vida fosse eliminada do planeta repentinamente, as moléculas dos gases atmosféricos reagiriam entre si, o que resultaria numa atmosfera com a composição química muito próxima à de Marte ou Vênus.
A atmosfera da Terra é, portanto, um produto biológico, sendo constantemente construída e consumida pelos seres vivos.
E não se detecta vida apenas por estes fatores. Questões vinculadas a recursos hídricos, energéticos, efluentes, resíduos sólidos, monitoramentos gasosos e outros também são fundamentais no equilíbrio homeostático.
A partir desses resultados e de evidências de que a temperatura do planeta Terra não sofreu alterações significativas nos últimos 3,3 bilhões de anos, Lovelock propôs a teoria Gaia. Esta teoria propõe a existência de um sistema cibernético de controle, que compreenderia a biosfera, a hidrosfera, a atmosfera, os solos e parte da crosta terrestre, e teria a capacidade de manter propriedades do ambiente, como a composição química e a temperatura, em estados adequados para a vida.
Após apresentar sua teoria à comunidade científica, pela primeira vez, na carta, “Gaia as Seen Through the Atmosphere” (1972), publicada no periódico “Atmospheric Environment”, Lovelock a desenvolveu em artigos publicados em colaboração com a microbiologista Lynn Margulis. Nestes artigos, Lovelock e Margulis propuseram a existência de uma rede complexa de alças de retroalimentação que, em sua visão, relacionariam intimamente seres vivos e ambiente físico-químico, resultando numa auto-regulação do sistema planetário.
Aqui tem se insistido que a regulação sistêmica do arranjo social seja premissa para manutenção do equilíbrio homeostático, severamente influenciado por transgênicos, agrotóxicos e a manutenção de outras relações desequilibradas.
Por meio desses mecanismos de controle, os seres vivos seriam capazes de alterar o ambiente de modo a manter as condições físico-químicas adequados para eles próprios.
Uma crítica importante à teoria Gaia tem como alvo a afirmação de que a vida na Terra busca condições adequadas para sobreviver. Esta afirmação não define, de maneira clara, quais seriam essas condições adequadas ou os benefícios para a biosfera como um todo. Afinal, o que é bom para uma espécie pode ser ruim para outra.
Mas os organismos com interesses divergentes, e até conflitantes, podem agem em sinergia para a produção de condições ótimas para o conjunto total de seres vivos sobre a Terra. É o que se denomina relações explícitas ou implícitas.
Não existe uma condição ou um conjunto de condições que sejam adequadas para os seres vivos como um todo. Por exemplo, enquanto os organismos aeróbicos precisam de oxigênio atmosférico para sobreviver, os anaeróbicos estritos têm seu crescimento inibido por esse gás.
Muitas críticas atuais à teoria Gaia estão dirigidas a afirmações controversas de Lovelock, como as de que “A Terra é viva” ou “Gaia é um superorganismo”. Consideramos que essas afirmações devem ser evitadas, uma vez que uma série de problemas importantes surge quando as aceitamos.
Lovelock não fornece uma justificativa teórica apropriada para a afirmação de que a Terra, ou Gaia é viva. Não há menção Tuzo Wilson e à geodinâmica ou “continental drifting”. Os principais argumentos que oferece recorrem a analogias entre algumas propriedades dos organismos e da Terra, como a manutenção da ordem interna ao sistema graças ao aumento da entropia no ambiente circunvizinho.
Entretanto, essa não é uma propriedade exclusiva dos sistemas vivos, caracterizando, antes, uma categoria mais ampla, que inclui os seres vivos, mas não se restringe a eles: a classe dos sistemas dissipativos, que também incluem, por exemplo, vórtices e chamas. É preciso notar que parece haver mais diferenças do que semelhanças entre os organismos vivos e Gaia.
Depois da tectônica de placas existe certeza de que o planeta é vivo em amplas dimensões consideradas. Interage com seus ecossistemas e mantém o delicado equilíbrio necessário para as condições de vida.
Por exemplo, o conhecimento biológico trata os organismos, há mais de um século e meio, como partes de populações que evoluem por seleção natural, ainda que estejam sujeitas também a outros mecanismos evolutivos. Seres vivos, além disso, são capazes de se reproduzir, transmitindo material genético para seus descendentes.
Uma tendência atual tem sido estudar Gaia como um sistema cibernético, estudando suas propriedades emergentes, como a autorregulação do clima. Desta perspectiva, os estudos têm enfocado o uso de modelos matemáticos derivados da vida artificial e da teoria da complexidade, com o objetivo de analisar as alças de retroalimentação que ligam a vida ao ambiente físico-químico e seriam responsáveis pela capacidade de autorregulação de Gaia.
A proposição de que a Terra é viva continua sendo motivo de grandes polêmicas.
Mas isso não torna os estudos atuais acerca de Gaia menos interessantes. Ao contrário, eles parecem altamente promissores, podendo contribuir significativamente para a investigação em campos de grande interesse e relevância social, como os estudos sobre mudanças climáticas globais.
Referências:
CHARLSON, R. J.; LOVELOCK, J. E.; ANDREAE, M. O.; WARREN, S. G. Oceanic phytoplancton, atmospheric sulphur, cloud albedo and climate. Nature. Vol 326, n° 6114, pp. 655-661, abril, 1987.
EL-HANI, C.N. & LIMA-TAVARES, M.. A Terra é Viva? Hipótese Gaia e Definições de Vida. In: Epistemologia Lógica e Ensaio da Linguagem. Universidade estadual de Feira de Santana – Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em Filosofia. 2001.
HAMILTON, W.D. & LENTON, T.M. Spora and Gaia: how microbes fly with their clouds. Ethology, Ecology & Evolution. Vol. 10, nº 1, pp. 1-16. 1998.
KLEIDON, A. Testing the Effect of Life on Earth’s Functioning: How Gaian Is the Earth System? Climatic Change. Vol. 52, no 4, pp. 383-389. 2002.
LIMA-TAVARES, M.& EL-HANI, C.N. Um olhar epistemológico sobre a transposição didática da teoria Gaia. Investigações em ensino de ciências.Vol. 6, n° 3, dezembro, 2001.
LOVELOCK, J.E. Letter to the Editors – Gaia as seen through the Atmosphere. Atmospheric Environment Pergamon Press. Vol. 6. pp. 579-580. 1972.
LOVELOCK, J.E. Gaia a New Look at Life on Earth. Oxford: Oxford University Press. [1979] 2000.
LOVELOCK, J.E. The Ages of Gaia: a Biography of our living Earth. New York: W.W. Norton & Company, Inc. [1988]1995.
Teoria de Gaia

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.
Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/07/2017
"Teoria de Gaia, de ideia pseudocientífica a teoria respeitável, artigo de Roberto Naime," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 4/07/2017, https://www.ecodebate.com.br/2017/07/04/teoria-de-gaia-de-ideia-pseudocientifica-teoria-respeitavel-artigo-de-roberto-naime/.
 https://www.ecodebate.com.br/2017/07/04/teoria-de-gaia-de-ideia-pseudocientifica-teoria-respeitavel-artigo-de-roberto-naime/
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http://www.academia.edu/5595053/Gaia_de_id%C3%A9ia_pseudocient%C3%ADfica_a_teoria_respeit%C3%A1vel
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21dez2017...avante

1979 – A teoria de Gaia
A teoria de Gaia ou a hipótese Gaia, assim chamada por admitir que a Terra se comporta como um organismo vivo, foi elaborada pelo cientista inglês James Lovelock, que se inspirou no termo grego Gaia (Géia), nome dado na mitologia à Deusa da Terra viva nascida do Caos, que personifica a origem do mundo e o ordenamento do Cosmos. A concepção da Terra como um todo havia no entanto sido já enunciada mais de meio século antes pelo mineralogista e geoquímico russo Vladimir Ivanovich Vernadsky (1863-1945), fundador de disciplinas como a geoquímica, a biogeoquímica e a radiogeologia. Este discípulo de Dmitri Mendeleiev (criador da primeira versão da tabela periódica dos elementos químicos) e de Vasily Dokuchaev, fundador da pedologia, a ciência do solo, foi o primeiro a reconhecer a Terra como um sistema auto-regulado, onde a vida é a força geológica que forma o planeta. A teoria ganhou força com o estudo das profundas alterações ocorridas ao longo dos tempos na base físico-química da Terra, período recém designado por Paul Creutzen, prémio Nobel de química, e pelo biólogo Eugene Stoermer por antropoceno, ou seja, a época em que o homem substituiu a natureza como a força ambiental dominante, com todas as suas consequências.

7.649.(30dez2017.7.7') Esfir Shub

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Nasceu  a 16mar1894 em Surazh, actual Federação Russa, perto da Ucrânia...
e morreu a 21seTEMbro1959
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4jul2012..1 postagem no blogue: "Mulheres que honram o rolê"
 
 Esfir Ilyichna Shub, também conhecida como Esther Shub, nasceu em 1894 no Império Russo, e foi cineasta soviética pioneira.
Adolescente, foi estudar em Moscou, tornando-se parte da vanguarda artística e apaixonando-se pelo nascente cinema. Segundo ela, viu no cinema "um método de expressar tudo o que a Grande Revolução de Outubro tinha trazido", e observou que, para seu país, "Uma nova vida estava começando." Depois de algumas tentativas e recusas, conseguiu um emprego na seção de cinema do Comissariado do Iluminismo.

 
Seu trabalho começou em 1922. Como naquela época a União Soviética não tinha acesso a grande parte dos equipamentos necessários para se fazer um filme, era preciso exibir os estrangeiros. Mas a mensagem dos filmes deveria se adequar a postura ideológica do partido comunista. Esfir Shub então começou trabalhando na parte da montagem, remontando filmes estrangeiros de forma com que eles se tornassem ideologicamente comunistas. Desde os filmes do Chaplin, até Intolerância do Griffith, passando por Dr Mabuse de Fritz Lang até inocentes comédias mudas.

Ela se inspirava no trabalho de Dziga Vertov e sua esposa e colaboradora, Elizaveta Svilova. Eles haviam desenvolvido o estilo de montagem, edição de diversas peças e muitas vezes aparentemente não relacionados de filme para expressar uma idéia consistente ou tema. Shub levou este estilo e expandiu, criando o "filme de compilação", que é feito completamente por preexistente filmagens.


Além disso, Shub finalmente começou a trabalhar na criação de novos filmes, trabalhando com o famoso diretor Sergei Eisenstein no roteiro de Stachka ("A Greve", 1925), Bronenosets Potemkin e ("O Encouraçado Potemkin", 1925). Ela e Eisenstein desfrutou de uma amizade de colaboração, e Eisenstein foi inspirado pelo trabalho de Shub e técnicas de edição, eles influenciaram um ao outro e compartilhavam um interesse em técnicas de documentário.

Em 1927 lançou A Queda da Dinastia Romanov, trabalho que lhe consumiu 3 anos de pesquisas em arquivos de cinegrafistas de guerras e particulares. Conta a história da revolução Russa - da qual não havia imagens - misturando antigas imagens e cenas filmadas na ocasião. O trabalho era sofisticado demais para ter aceitação plena, e o estúdio acabou negando a autoria do filme para Esfir.

https://www.youtube.com/watch?v=J8ckC_iUZJc
Em 1928, Shub também visitou o set de Outubro, de Eisenstein, onde muitas vezes discutia técnicas de edição, que Eisenstein usava ​​no filme. Shub também manteve contato com Dziga Vertov, embora discordassem sobre se um filme deve ou não ser baseado em um script. Apesar de ambos enfatizaram autenticidade, Shub acreditava que um documentário pode incluir tanto eventos autênticos quanto encenados. Vertov, ao contrário, acreditava que não havia espaço para eventos encenados em um documentário

Apesar de sua habilidade, em meados dos anos 1930 Shub caiu em desgraça com o governo, quando a  ideologia soviética mudou. Em suas memórias, ela descreveu inúmeros filmes que nunca foram realizados, ou que o governo entregou a cineastas menos conhecidos. Em 1939 fez A Terra Espanhola, uma montagem que contava a luta contra os fascistas na Guerra Civil Espanhola.

https://www.youtube.com/watch?v=vjimIyNIhnE
Em 1940, trabalhou em Vinte Anos de Cinema Soviética, e durante a Segunda Guerra Mundial, ela trabalhou em mais noticiários convencionais que caracterizam os eventos atuais da guerra. Ao longo de sua carreira, Shub passou mais de duas décadas na indústria do cinema soviético. No final dos anos 1940 e início dos anos 1950, ela trabalhava exclusivamente como editora e escreveu suas memórias sobre técnicas de filmagem. Além disso, ela escreveu um roteiro intitulado Mulheres (1933-1934), onde examinava os papéis das mulheres ao longo da história. Embora este projeto nunca tenha sido filmado, o roteiro revela interesse Shub no feminismo. Shub morreu em 21 de setembro de 1959, em Moscou. 
http://mulheresquehonramorole.blogspot.pt/2012/07/esfir-shub.html
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14dez2017.avante
Sérgio Dias Franco escreveu:
Esfir Shub: Mulher, Cineasta, Revolucionária
Image 24127
Para o Tiago, pela inspiração

A Revolução de Outubro desenrolou-se também no campo da arte. No caso do cinema, gerou um movimento vanguardista que marcou a história do mudo tardio até à transição para o sonoro. É estreita a relação entre esta vanguarda artística e a vanguarda política que foi nascendo nos congressos dos sovietes. Outubro fez explodir o movimento de vanguarda artística que havia emergido na Rússia nos últimos anos do séc. XIX, desenvolvendo-o até meados da década de 1930. O contexto social revolucionário fez brotar e foi alimentando a revolução no cinema.

O centenário da Revolução de Outubro é uma ocasião para celebrar, mas também é uma oportunidade para descobrir. Se o letão Sergei Eisenstein e o ucraniano Dziga Vertov talvez sejam os cineastas mais conhecidos das primeiras décadas, de ouro, do cinema soviético, Esfir Shub terá que ser considerada uma ilustre desconhecida. Trata-se da mais importante cineasta feminina desse período em conjunto com Olga Preobrazhenskaia. Analisando a sua obra pioneira, torna-se mais claro que só conseguimos fazer sentido da vanguarda cinematográfica que ela integrou se percebermos a sua profunda ligação com a consciência histórica. Por essa razão, a obra de Shub, que foi professora de montagem nas aulas de Eisenstein no Instituto Estatal de Cinematografia fundado em 1919, é fundamental.

Shub nasceu em 1894, no seio de uma família judia de pequenos latifundiários, na cidade de Surazh, mais tarde parte da República Socialista Soviética da Ucrânia e hoje parte da Federação Russa. O seu pai era farmacêutico. As posses da família permitiram-lhe viajar para Moscovo, onde estudou literatura no Instituto de Educação Superior para Mulheres. Foi nessa instituição que se envolveu no movimento revolucionário que ganhava aderentes entre as jovens estudantes antes de 1917. A partir de 1918, Shub teve tarefas no Departamento de Teatro do Comissariado do Povo para a Educação. Colaborou depois com o encenador Vsevolod Meiergold e o poeta Vladimir Maiakovski e apoiou o manifesto para a renovação do teatro russo escrito por Evgenii Vakhtangov. Na década de 1920, esteve associada à revista Vestnik Teatr e ao conhecido Grupo LEF – Frente de Esquerda das Artes. Maiakovski, um dos fundadores do grupo, não escondia a sua admiração pelo trabalho dela. O primeiro filme que Shub montou foi Abrek Zaur (1926), realizado por Boris Mikhin, dedicando-se a partir dessa data ao cinema. Entre 1928 e 1931, a montadora-realizadora participou no grupo construtivista Outubro. Morreu em 1959, deixando vários projectos por finalizar, entre eles um documentário sobre as mulheres soviéticas no qual tinha começado a trabalhar em 1933. Segundo ela, seria um filme que mostraria o papel decisivo da revolução proletária na história da emancipação das mulheres.

Cinema como escrita da história

Tal como os seus colegas, Shub considerava a montagem, a sucessão das imagens e a sua articulação, como o elemento nuclear do cinema. Absorvendo as teorias de outros cineastas (como Lev Kulechov, Vertov, e Eisenstein) e reflectindo sobre elas nos seus escritos, Shub desenvolveu uma prática radical e criativa de montagem cinematográfica como composição da visão histórica e do efeito emocional de um filme. Essencialmente, ela queria dar a ver a dialéctica concreta, humana, da história através de um paciente trabalho de montagem. Podemos vê-la como a precursora do cinema construído a partir de imagens de arquivo, no qual os registos visuais do passado são revisitados e remontados — um cinema como escrita da história, como demonstra a sua obra Ispaniia (Espanha, 1939) sobre a Guerra Civil Espanhola e a luta contra o fascismo.

Padenie Dinastii Romanovikh (A Queda da Dinastia Romanov, 1927) é um desses filmes de compilação, um sub-género do cinema documental soviético que Shub ajudou a criar e que sucedeu à poética do quotidiano dos documentários de Vertov. A produção desta obra envolveu a combinação de imagens de filmes de actualidades antigos, de fitas amadoras, de registos de cinematógrafos oficiais da família imperial, além de material recuperado fortuitamente de adegas, cofres, e armários, nomeadamente de operadores de câmara durante a Primeira Guerra Mundial. A cineasta analisou cerca de 555 horas de material para produzir 90 minutos, encadeando imagens para dar forma visual à história social da Rússia entre 1913 e 1917. As imagens escolhidas pedem atenção e evidenciam o cuidado com que Shub as seleccionou e sequenciou. Há um momento em que podemos ler num intertítulo: «As mãos dos trabalhadores preparavam a morte para os seus irmãos.» Na imagem que se segue, o operário que fecha munições, trazendo-as para junto de si num movimento mecânico e irreflectido, faz uma pequena pausa quando vai buscar a última peça. O trabalhador lança o seu olhar sobre o que tem entre os dedos, assim manifestando a sua consciência sobre o que está a fazer, mesmo que apenas por um instante. É por exemplos como este que a obra reflexiva de Shub contribuiu de modo singular para a vanguarda cinematográfica soviética. Os registos do passado permitiram-lhe escavar e desvendar fragmentos de outra história a partir de um presente em revolução. Como ela escreveu, tudo se decidia na prática: «É espantoso quantas soluções inesperadas surgem quando seguramos película nas mãos. Tal como as letras: nascem no topo da caneta.»

7.373.(29dez2017.8.8') Andrei Tarkovski

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nasceu a 4abril1932
e morreu a 29dez1986...
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Pequeno trecho da cinebiografia "Elegia de Moscou" de Aleksandr Sokúrov sobre o cineasta russo Andrei Tarkovski (1932-1986): uma aproximação humana em relação à memória e à personalidade deste grande cineasta e um dos mais importantes criadores da história do cinema.
https://www.youtube.com/watch?v=0L52BwtYdPg
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Andrei Tarkovsky fala sobre “Solaris”, Stanislaw Lem, Cannes e Fellini

Zbigniew Podgórzec: Por que, em um filme [Solaris] que poderia ser incluído na categoria de ficção científica, você está mais concentrado no drama de consciência do herói do que na situação dramática na estação espacial?
Andrei Tarkovsky: Quando eu li o romance de Lem [1], o que sobretudo me tocou foram os problemas morais evidentes no relacionamento entre Kelvin e sua consciência, como manifestado na forma de Hari. De fato, se eu compreendi, e admiro profundamente, a segunda metade do romance – a tecnologia, a atmosfera da estação espacial, as perguntas científicas – era inteiramente por causa dessa situação, que me parece ser fundamental na obra. Os problemas internos, escondidos, humanos, morais, fundem-se sempre distantes, mais do que todas as perguntas da tecnologia. E toda a tecnologia do caso, e como é trabalhada, relaciona-se ao fim invariavelmente às questões morais.Estes problemas me interessam mais. Minhas fontes principais são sempre o estado real da alma humana e os conflitos que são expressos em problemas espirituais. Assim, eu dei mais atenção a esse lado das coisas em meu filme, mesmo que inconscientemente. Fazia parte do processo orgânico da seleção. Eu não apaguei o resto, mas tornou-se, de algum modo, mais apagado do que as coisas que me interessaram mais.
ZP: Qual a ideia central de seu filme?
AT: O central são os problemas interiores, que me preocuparam e que preponderaram a produção inteira de uma maneira muito específica. Ou seja, o fato de que, no curso da humanidade, do seu desenvolvimento, esta, por um lado, está lutando constantemente entre a entropia espiritual, moral, e a dissipação de princípios éticos; e, por outro, aspirando um ideal moral. O esforço interno e infinito do homem que quer se ver livre de toda restrição moral, mas procura ao mesmo tempo um significado para seu próprio movimento, na forma de um ideal, que é a dicotomia que produz constantemente o conflito interno intenso na vida do indivíduo e da sociedade. Parece-me que o conflito e a busca fértil e urgente por um ideal espiritual continuarão até que a humanidade se liberte suficientemente para se dedicar somente ao espiritual. Assim que isso acontecer, um estágio novo começará no desenvolvimento da alma humana, quando o homem será então dirigido internamente por uma intensa e profunda paixão ilimitada, como dirigiu seus esforços até agora na busca para a liberdade. E o romance de Lem, de acordo com minha compreensão, expressa precisamente a incapacidade do homem se concentrar em seu interior e os pontos de conflito entre a vida espiritual do homem e a aquisição objetiva do conhecimento. É um conflito que nunca proporciona ao homem a paz integral, enquanto a liberdade externa não for conquistada de forma plena. Nós podemos chamar esta liberdade de liberdade social, a liberdade do indivíduo social, que não é necessariamente o pão, o alimento, um teto, ou suas crianças futuras. A humanidade não se move para frente sincronicamente. Ela para e recomeça, continua em sentidos diferentes. E somente quando as descobertas científicas ocorrem no curso do desenvolvimento tecnológico há um pulo correspondente no desenvolvimento moral do homem. Há uma coesão extraordinária entre os dois. Este era o problema que me perseguiu a todo momento quando eu trabalhava no filme. Simplificando, a história do relacionamento de Hari com Kelvin é a história do relacionamento entre o homem e a sua própria consciência. É sobre o interesse do homem por seu próprio espírito, quando não tem nenhuma possibilidade de fazer qualquer coisa sobre ele, quando está perdido na exploração e no desenvolvimento da tecnologia.
ZP: E qual é o resultado do conflito entre Kelvin e sua consciência?
AT: Em Kelvin está simbolizado o “perdedor”, porque tenta reviver sua vida sem repetir o erro que fez na terra. Tenta reavivar a mesma situação, porque tem uma consciência pesada, porque se sente culpado por um crime, e tenta mudar interiormente em relação a Hari. Mas não se esforça. Seu relacionamento termina como aconteceu na terra, a segunda Hari também comete o suicídio. Porém, se Kelvin pudesse reviver diferentemente este estágio de sua vida, não seria culpado na primeira vez. E usa a razão para que sua inabilidade se efetive nesta segunda vida com Hari. Realiza o que não é possível. Se fosse, então seria possível apertar o botão deste microfone que está gravando nossa conversa, voltar a fita e apagar tudo o que foi gravado, começando novamente como se nada tivesse ocorrido. E então os conceitos, assim como a vida espiritual, a consciência e a moralidade, não teriam nenhum significado.
ZP: Isso tudo não deixa um ar pessimista ao final do filme?
AT: A película termina com o que é o mais precioso para uma pessoa, e ao mesmo tempo a coisa mais simples de tudo, disponível a todos: relacionamentos humanos ordinários, que são o ponto inicial da viagem infinita do homem. Apesar de tudo, essa viagem começou para preservar intacta, protegendo os sentimentos que cada pessoa experimenta: o amor de sua própria terra, o amor daqueles que o rodeiam, daqueles que o trouxeram ao mundo, o amor de seu passado, do que sempre foi e é ainda caro a você. O fato que o oceano trouxe para fora de suas profundidades a coisa verdadeira, e que era a mais importante para ele – seu sonho de retorno à terra – que é, a ideia do contato. Contatar no sentido de “humano”, no sentido de “fazer bem”. Para mim, o final é o retorno de Kelvin ao berço, a sua origem, que não pode nunca ser esquecida. E é mais importante porque tinha viajado assim, distante, ao longo da estrada do progresso tecnológico, no processo de adquirir o conhecimento.
ZP: Você acha que Lem ficou satisfeito com seu filme?
AT: Eu não quis causar grandes expectativas em Lem. É uma pessoa cuja opinião eu respeito muito, eu admiro seu talento e seu intelecto. Eu sou muito afeiçoado ao filme, e extremamente grato a Lem por permitir que eu o faça. Porém, a respeito do que Lem acha sobre o filme, eu não penso que se ofenderá ou se irritará com a película, ou achará que foi mal feita, ou com falta de sinceridade, ou com falta de profissionalismo. Até agora, eu não sinto que o decepcionei. Eu estou certo que gostará de Hari.
ZP: Você exibiu sua película em Cannes. O que você achou dos outros filmes que foram apresentados lá? [2]
AT: Eu estou pasmo com o baixo padrão. Eu não compreendo. Por um lado, eu achei tudo altamente profissional, por outro lado, tudo era totalmente comercial. Por exemplo, trataram de um assunto que era limitado para ser do interesse de todos: o problema do movimento da classe operária, ou o relacionamento entre a classe operária e outros segmentos da população. E toda ela foi feita com tal olho às audiências, com tal desejo de agradar… tive realmente a impressão que todas as películas tinham sido editadas por uma e para a mesma pessoa. Mas na película, a coisa mais importante é estar ciente do ritmo interno. Assim, o que poderia ser individual teve o lugar comum tornado vulgar. É extraordinário. Mesmo a película de Fellini sobre Roma, a película mais interessante de todas, mostrou-se fora do festival apropriado. É uma regra do jogo, dar-se combinado com a audiência; o ritmo editorial é assim, que com lisura faz-se sentir ofendido em nome de Fellini. Eu recordo planos seus, onde os tiros, o comprimento dos tiros e seu ritmo foram amarrados ao estado interno do caráter e do autor. Mas este retrato foi feito com um olho para o que está agradando a audiência. Eu acho aquilo repugnante. De qualquer modo, a película não nos diz nada de novo sobre Fellini ou sobre sua vida.
ZP: O que você achou sobre o Macbeth de Polanski? [3]
AT: Eu não gostei. É muito raso, muito superficial. Ignora completamente o problema moral da consciência do homem que está pagando pelo mal que cometeu. Eu sou desconcertado com o fato de que qualquer um pode falar sobre Shakespeare e contornar completamente as questões espirituais envolvidas. É uma falha crucial na obra de Polanski. Suas intenções sérias se mostram somente em seu impulso em ser naturalista. A película é assim tão detalhada que cessa de ser realista. O alvo do diretor torna-se óbvio, e com isto, temos meramente meios de conseguir um efeito. E uma vez que as audiências podem ler aquilo assim, claramente, a obra cessa de ser única, como uma moda, um filme que se transforma apenas em um alvo patentemente óbvio.
ZP: Quais são os seus planos agora?
AT: Não é fácil falar sobre eles, para mim é sempre muito amedrontador fazer isso. Se você falar demasiado então nada acontece. Mas, de qualquer modo, eu tenho um roteiro todo pronto. Eu quero começar a rodar no outono. Será uma película autobiográfica, sobre minha infância. [4] Olhará os mesmos eventos de dois lados: o ponto de vista da geração mais velha e minhas próprias percepções. Eu penso que o uso desse paralelo é que poderia criar uma maneira interessante de ver as coisas, um ângulo interessante, e a interseção emprestará uma coloração curiosa aos eventos que são familiares a todos no curso de suas vidas. Eu estou muito excitado em relação ao roteiro. Estou muito ansioso para fazer o filme, porque eu estou receoso que se qualquer coisa der errado, eu nunca retornarei ao mesmo tema. Pensei muito sobre o roteiro, e eu tenho muitas coisas para a produção. Tenho a convicção de que se minhas ideias estiverem corretas, o filme ganhará vida própria.

* Reprodução de trechos da entrevista realizada em 1973. Tradução da versão em inglês publicada em: Andrei Tarkovsky, Time with time: the diaries 1970-1986 (trad. Kitty Hunter-Blair, Calcutta, Seagull Books Private, 1991), pp. 362-6. A tradução para o português foi retirada do blog ; a entrevista original pode ser encontrada em .
[1]. Stanislaw Lem, escritor polonês, nasceu em Lwów, em 12 de setembro de 1921, e faleceu na Cracóvia, em 27 de março de 2006.
[2]. Vale citar que o grande vencedor do prêmio de melhor filme desse festival (1972), Palma de Ouro, foi A classe operária vai ao Paraíso, de Elio Petri. O filme Solaris ganhou o Prêmio Especial do Júri. Federico Fellini, por sua vez, conquistou o Grande Prêmio da Comissão Técnica com Roma.
[3]. Quanto a Polanski, não descobri a relevância do filme colocado em questão por Tarkovsky em relação ao festival desse ano.
[4]. Tudo indica que Tarkovsky esteja falando de O espelho, filme que se concretizou, tornando-se extremamente polêmico.
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Juntamente com 2001: Uma Odisséia no Espaço de Stanley Kubrick, Solyaris do diretor soviético Andrei Tarkovsky, baseado na obra do escritor polonês Stanislaw Lem, é considerado um clássico de ficção científica.
https://www.youtube.com/watch?v=jNsXg86gFSg
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http://sibila.com.br/cultura/andrei-tarkovsky-fala-sobre-qsolarisq-stanislaw-lem-cannes-e-fellini/2970
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 "O artista nunca trabalha em condições ideais, pelo contrário, o artista existe porque o mundo não é perfeito. A arte seria desnecessária se o mundo fosse perfeito, assim como o homem não procuraria por harmonia, apenas viveria nela."
 "O assunto que abordo neste filme é, na minha opinião, o mais crucial: a ausência de espaço para a existência espiritual em nossa cultura. Nós ampliamos a meta das nossas realizações materiais e conduzimos experiências materialistas sem levar em conta a ameaça que é privar o homem de sua dimensão espiritual. O homem está sofrendo, mas não sabe porque. Ele sente uma ausência de harmonia e procura a sua causa."
"A questão da vanguarda é peculiar ao século XX, à época em que a arte vem progressivamente perdendo a sua espiritualidade. A situação é ainda pior nas artes visuais, que hoje estão quase inteiramente privadas de espiritualidade. A opinião corrente é a de que esta situação reflecte a “desespiritualização” da sociedade moderna, um diagnóstico com o qual, a nível de simples constatação da tragédia, concordo plenamente: trata-se mesmo de um reflexo da actual situação. A arte, porém, não deve apenas reflectir, mas também transcender; seu papel é fazer com que a visão espiritual influencie a realidade, como fez Dostoiesvski, o primeiro a expressar de forma inspirada o mal da época."
"Se tentarmos agradar o público, aceitando acriticamente suas preferências, isso significará apenas que não temos respeito algum por ele, que só queremos o seu dinheiro. Em vez de educarmos o espectador através de obras de arte inspiradoras, estaremos apenas ensinando o artista a garantir seu lucro. De sua parte, o público – satisfeito com aquilo que lhe dá prazer – continuará firme na convicção de estar certo, uma convicção no mais das vezes sem fundamento. Deixar de desenvolver a capacidade crítica do público equivale a tratá-los com total indiferença."

 http://frasesparaguardar.blogspot.com/2009/08/andrei-tarkovsky.html
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o sacrifício
 Família burguesa sueca celebra o aniversário do patriarca Alexander, escritor e ator aposentado. Porém, tudo muda com a notícia do início da III Guerra Mundial.
 https://www.youtube.com/watch?v=6WpA4WhPUqY
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livro: "esculpir o tempo"
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Os Melhores Filmes de Andrei Tarkóvski








Em seu livro Esculpir o Tempo, Tarkóvski discorre a respeito da arte cinematográfica, seu status de “registrar uma impressão de tempo” e muito do ofício de fazer cinema e pensar imagens para um filme. Por ter tido formação em pintura e música, ainda quando criança, não é de se espantar a apuração desses elementos – som e imagem – em suas obras, cada uma dotada de um deslumbramento e significados poéticos capazes de deixar o espectador pensando muito tempo depois de terminado o filme.

Tarkóvski cursou cinema na VGIK, a Escola de Cinema de Moscou, e teve como tutor o cineasta Mikhail Romm. Ainda na Universidade, produziu três filmes, dois deles em companhia de colegas de classe (Os Assassinos e Hoje Não Haverá Saída Livre). Sua fase universitária terminou em 1961, com O Rolo Compressor e o Violinista, seu trabalho de conclusão de curso. A partir de então, o diretor se entregaria a exercícios cada vez mais poéticos no cinema, a começar de seu primeiro longa-metragem, A Infância de Ivan.

O interessante é que no decorrer de sua carreira, Tarkóvski passou por uma contradição entre financiamento e distribuição de seus filmes. Primeiro, recebia amplos recursos e inusitada liberdade para trabalhar, depois, seus filmes recebiam censura e eram escanteados pela distribuição estatal o máximo possível – a exemplo de Andrei Rublev, acusado de “pouca veracidade histórica” e deixado de molho durante alguns anos até o lanamento oficial. Essa relação complicada com o Estado durou até Stalker, depois do qual Tarkóvski foi para a Itália realizar Nostalgia, e então não voltou mais para a União Soviética, fazendo o seu último filme, O Sacrifício, na Suécia.

Como parte do Especial Andrei Tarkóvski e mediante uma enquete realizada nas redes sociais do Plano Crítico, chegamos a um resultado final para os que seriam os 5 melhores filmes do diretor. O resultado você confere abaixo.
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#5. Nostalgia


Jornada mística do poeta russo Andrei Gorchakov à Itália em busca de um novo modo de vida. Depois de 3 meses, viajando em companhia de Eugenia, uma atriz italiana, chegam a um pequeno vilarejo ao norte da Itália. Frustrado e deprimido por ainda não ter encontrado seu caminho, Gorchakov mergulha em seu passado, isolando-se em impenetrável silêncio. Mas ao encontrar Domenico (Erland Josephson), um velho lunático, assim chamado por seu estranho e solitário modo de viver, ele consegue compreender sua angústia e o segredo de sua própria nostalgia. Primeiro filme feito fora da Rússia pelo cineasta e poeta Andrei Tarkóvski.
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#4. O Espelho


Num contexto mais amplo, O Espelho retrata os pensamentos e as emoções de Alexei (Ignat Daniltsev) e o mundo que o rodeia. A estrutura do filme é descontínua e não cronológica, sem um enredo convencional, e combina as memórias da infância com as da atualidade. O filme alterna três diferentes momentos, o tempo de pré-guerra, o de guerra e do pós-guerra, constituindo quase uma autobiografia, pois Alexei passa pelos mesmos problemas, alegrias e tristezas que o realizador Andrei Tarkóvski passou na sua infância.
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#3. Solaris


No filme, Solaris é um planeta formado por um imenso oceano, que ensejou a formação de um novo ramo científico – a solarística. A solarística tem por objetivo estudar a possibilidade de existência de inteligência extraterrestre oriunda deste planeta, tendo em vista os insólitos acontecimentos lá ocorridos. Um famoso psiquiatra, Dr. Chris Kelvin (Donatas Banionis), é enviado para a estação espacial que orbita Solaris para investigar acontecimentos bizarros ocorridos na estação. Antes, na residência de seu pai à beira de um lago, recebe a visita de um antigo amigo, Burton, atormentado cientista especializado em solarística, que visitou Solaris e procura alertá-lo sobre fatos intrigantes.
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#2. Stalker


Após a suposta queda de meteoritos numa região do planeta, essa região adquire propriedades estranhas e é chamada de “Zona”. Dentro da “Zona”, diz a lenda ter o “Quarto”, que seria um lugar onde todos os seus desejos são realizados. Temendo que a população invada a “Zona” à procura do “Quarto”, o exército a isola, mas eles próprios não têm coragem de entrar nela. Apenas alguns poucos, chamados stalkers, têm habilidade suficiente para entrar e sobreviver lá dentro. Um dia, um escritor famoso e um físico contratam um stalker para os guiarem ao misterioso local dos desejos, sem exatamente saber o que procuram. Tarkóvski, os três atores principais, além de outras pessoas que se envolveram na produção, morreram poucos anos depois, em razão de tumores presumivelmente originados da exposição às instalações industriais (radioativas) da Estônia, onde várias cenas do filme foram gravadas.

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#1. O Sacrifício

Intelectual aposentado e ateu, Alexander vive confinado em sua casa de campo com a mulher, o filho pequeno e seus dilemas existenciais. Durante seu aniversário, na companhia de amigos, a televisão anuncia uma tragédia nuclear que poderá causar a extinção da humanidade. O medo do fim leva todos ao desespero e provoca reações inesperadas nos convidados. Movido pela irracionalidade da fé que sempre desdenhou, o anfitrião busca uma saída que ele jamais havia pensado em buscar. Último filme do diretor Andrei Tarkóvski.
 http://www.planocritico.com/lista-os-melhores-filmes-de-andrei-tarkovski/

7.405.(29dez2017.7.7') Guatemala

*** 24DEZ2017 Guatemala apoia TrumpALHÃO https://www.publico.pt/2017/12/24/mundo/noticia/guatemala-tambem-muda-embaixada-para-jerusalem-1797134 *** 29dez1996...Guatemala...assinado acordo que termina 36 anos de conflito civil... *** GUATEMALA - A CIDADE MAIS COLORIDA DO MUNDO A Guatemala é um país da América Central, limitado a oeste e a norte pelo México, a leste pelo Belize, pelo Golfo das Honduras e pelas Honduras e a sul por El Salvador e pelo Oceano Pacífico. A capital é a Cidade da Guatemala. A Cidade da Guatemala é a capital e maior cidade da República da Guatemala. O seu nome oficial é La Nueva Guatemala de la Asunción localmente é conhecida simplesmente como Guatemala ou, mais informalmente, como Guate. Tem cerca de 2,51 milhões de habitantes. Foi fundada pelos colonizadores espanhóis em 1620, nas proximidades das ruínas da velha cidade maia de Kaminaljuyu. Em 1775 um terremoto destrui a velha capital guatemalteca, Antígua, tendo então a Guatemala tornado-se sua capital em 1776. Quando da independência, em 1821, o país foi chamado Guatemala em honra da sua capital. http://curiosidadeseculturas.blogspot.pt/2010/12/guatemala-cidade-mais-colorida-do-mundo.html

29/12/2017

6.652.(29dez2017.8.22') Edison

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nasceu a 11fev1847
e morreu a 18out1931
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11 Fev 1847 // 18 Out 1931 
"Génio: 1% de inspiração e 99% de transpiração."
"Mostra-me um homem cem por cento satisfeito e eu mostrar-te-ei um fracassado."
"Se tomássemos consciência de tudo o que somos capazes de fazer, ficaríamos atónitos."
"Maldição, aqui não há regras - estamos a tentar realizar alguma coisa."


http://www.citador.pt/frases/citacoes/a/thomas-alva-edison
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"Eu aprendi muito mais com os meus erros do que com meus acertos."
"Uma experiência nunca é um fracasso, pois sempre vem demonstrar algo."
"Se quiser ter uma boa ideia, tenha uma porção de ideias."
"Nossa maior fraqueza está em desistir. O caminho mais certo de vencer é tentar mais uma vez."
"Muitas das falhas da vida acontecem quando as pessoas não percebem o quão perto estão quando desistem."
"O génio é aquele que tem uma grande paciência."
"Um génio é uma pessoa de talento que faz toda a lição de casa."
"Tudo alcança aquele que trabalha duro enquanto espera."
"5% das pessoas pensam. 10% das pessoas pensam que pensam. Os outros 85% preferem morrer a pensar."
"A surdez foi de grande valia para mim. Poupou-me o trabalho de ficar ouvindo grande quantidade de conversas inúteis e me ensinou a ouvir a voz interior."
https://www.pensador.com/thomas_edison_frases/
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5 frases
https://www.youtube.com/watch?v=N40nEGRIVGM
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biografia
https://www.youtube.com/watch?v=grfK4NYEb8c
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Quando criança, Thomas Edison (1847-1931) recebeu uma carta da escola para ser entregue à mãe dele. A carta dizia que Thomas estava expulso e que era um péssimo aluno. Educado pela mãe em casa, esse "péssimo aluno" transformou a vida da humanidade com invenções como a roda de borracha, o gravador de voto eletrográfico, a embalagem à vácuo, a bateria de carro elétrico, a câmera cinematográfica, a caneta de tatuagem e, a mais importante de todas, a lâmpada.
https://www.youtube.com/watch?v=j-WyU6BonTI
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Thomas Alva Edison, considerado um dos maiores inventores e dos mais importantes da história, patenteou mais de 1000 invenções, sabias?! Mostramos-te hoje as 10 invenções que mudaram a nossa vida. Qual é que achas mais surpreendente?
https://www.youtube.com/watch?v=0bQbvv_iIsw
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29dez1891...Thomas Edison regista a patente do RÁDIO...