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13abril2015
Em 24 de Março, uma delegação do Partido, que integrou o Secretário-geral, encontrou-se com o Cardeal D. Manuel Clemente. O encontro visou a troca de opiniões sobre a situação do País e resultou de uma convergência de vontades e acerto de agendas.
O encontro foi positivo. Jerónimo de Sousa situou-o nas «… relações normais e institucionais com a Igreja …», lembrou que «… não há um partido de católicos, todos os partidos têm católicos nas suas fileiras …», valorizou «… a convergência de opiniões em relação à necessidade de alterar o rumo desta política, que produz e reproduz tanta injustiça e … pobreza e, com as naturais diferenças que existem entre o Partido … e a hierarquia católica, foi possível encontrar … pontos
de vista comuns, formas de intervenção, a valorização do sentimento de
confiança e esperança numa mudança de rumo, o valor da solidariedade,
particularmente com os que menos têm e menos podem …(e) a identificação
do que … a Igreja e o Partido … procuram … um
País melhor, com mais justiça social, com menos pobreza e desemprego,
não ficando apenas na contemplação dos problemas, mas com intervenção
concreta junto … dos cidadãos ….».
Estes são
elementos importantes, no quadro da orientação geral do Partido para a
construção de uma política e de uma alternativa patriótica e de
esquerda, vinculada aos valores de Abril. Por isso, não se estranha a
sua ocultação pelos media dominantes, nem as mistificações que traduzem o «incómodo» com o eventual crescimento da influência do PCP entre trabalhadores e sectores católicos. Para uns o PCP entrou na «caça ao voto», para outros deixou cair a «denuncia da opção capitalista da hierarquia». Mas a verdade é que essas questões estão discutidas há muito, em posições que são a base da nossa intervenção.
Em 1943, no auge da barbárie nazi-fascista, Álvaro Cunhal escreveu: «… a Igreja… tem apoiado… as atrocidades fascistas… por
isso combatemos… (a sua política) e os sacerdotes fascistas… Mas não os
combatemos pela actividade religiosa… (mas) sim pela actividade contra o
povo e o País…». E «… não esquecemos que muitos … são inimigos
da Alemanha nazi … (e que) centenas de milhares de trabalhadores… são…
influenciados pelo catolicismo, não podemos separar-nos dos nossos
irmãos, operários e camponeses católicos…, ou (os) atraímos… para a luta
contra o fascismo, ou deixamos que… se constituam em (sua) reserva… não
fazemos a «guerra à religião» e não pretendemos atingir a
liberdade de crença e de prática de culto…. Estendemos lealmente a mão
aos católicos… para que participem no movimento nacional contra o
fascismo…».
Em 1946, o IV Congresso do PCP apontou: «…
Lutamos contra o sectarismo e incompreensão de muitos dos nossos
militantes e …antifascistas republicanos. Houve erros de intolerância em
1910 que não devem… repetir-se...». Em «O Partido Comunista, os Católicos e a Igreja», de 1947, Álvaro Cunhal escreveu: «...
As convicções religiosas, por si só, não são susceptíveis de afastar os
homens na realização de um programa social e político,… comunistas e
católicos podem e devem unir-se em defesa dos seus anseios comuns…».
O VI
Congresso, em 1965, consolidou a orientação na relação com os católicos e
outros crentes. A vida comprovou a sua justeza – com o papel de padres e
católicos progressistas na unidade antifascista, na Revolução, no
Portugal de Abril e na sua defesa.
Em 1974, com milhares de católicos militantes do PCP, Álvaro Cunhal afirmou: «…os
comunistas defendem… boas relações do Estado com a Igreja. Esta…
política não se baseia em critérios de oportunidade, mas numa posição de
princípio.… O mundo evolui e a Igreja Católica… mostra também indícios
de… evolução positiva…. Confiamos em que os homens mais esclarecidos da
Igreja… compreendam… a sinceridade (e) as profundas implicações, para o
presente e para o futuro, desta posição do Partido…».
Nos dias de
hoje, o PCP continua a considerar que as convicções religiosas não
mudam a posição de classe de cada um, nem alteram um programa social e
político progressista.
A Igreja
Católica registou mudanças. Cresceu a fusão do Estado do Vaticano com o
capital financeiro, que factos recentes não parecem ainda ter superado,
mas avançou a secularização e emergiram novas realidades e dinâmicas.
Alargou-se o fosso entre o novo diagnóstico do actual Papa, da «economia de exclusão e desigualdade», da «economia que mata» e a indefinição ou ocultação de uma resposta de facto transformadora.
Não existe uma «questão religiosa»
em Portugal e o PCP intervirá para que assim continue. Mas a verdade é
que há estruturas da Igreja cuja actividade serve os interesses do
grande capital. Neste quadro o PCP não pode abdicar do direito de
resposta, se isso for impreterível.
A Igreja
deve ser respeitada na acção religiosa e ouvida com atenção no plano
institucional. Nada move os comunistas contra a Igreja, não acompanhamos
posições anticlericais, de génese anarco-maçónica. A experiência mostra
que é positivo o relacionamento regular entre o PCP e a Igreja, apesar
dos preconceitos.
Hoje, o
relacionamento dos comunistas com amplos sectores sociais e de massas,
sejam ou não crentes, tem de aprofundar-se, na defesa dos trabalhadores,
nas instituições, na CDU, na luta por um Portugal soberano e
desenvolvido.
A
experiência prova que não é difícil a convergência. O humanismo, a
proximidade aos pobres e oprimidos, os valores de paz, justiça e
igualdade do «cristianismo primitivo», que resistiu à
assimilação pelo Império Romano, e o acervo cultural dos trabalhadores e
das massas católicas não estão longe dos ideais comunistas.
No caminho para uma alternativa patriótica e de esquerda há passos a consolidar, com os católicos mais próximos da «Teologia de Libertação» e da «Igreja dos Pobres», com sacerdotes e crentes que não militem na política de direita, que não manipulem a religião como «ópio do povo», que se comprometam com a sua fé por um Portugal com futuro.
Via: O CASTENDO http://ocastendo.blogs.sapo.pt/o-partido-os-catolicos-e-a-igreja-1888390
https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2015/04/13/o-partido-os-catolicos-e-a-igreja-questoes-de-actualidade/
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CuRIOso esta postagem no blogue mafarrico...Com muita informação das posições do PCP sobre os católicos:
O PCP, os católicos e a Igreja- Contributo de Álvaro Cunhal e breves notas da actualidade
PCP, os católicos e a Igreja- Contributo de Álvaro Cunhal e breves notas da actualidade
Carlos Gonçalves
"A Igreja Católica, num processo irregular, registou algumas mudanças. Acentuou-se
a fusão do Estado do Vaticano e das super-estruturas da Igreja com o
capital financeiro supranacional, o que implica a consolidação das
respectivas opções de classe na alta hierarquia. Mas,
simultaneamente, avançou a secularização da vida social, alargou-se o
fosso entre o diagnóstico oficial da «economia de exclusão e
desigualdade» e a ocultação e mistificação de respostas progressistas
efetivas, emergiram novos questionamentos de dogmas e orgânicas e novas
dinâmicas associativas e de Acção Católica.
Em Portugal, neste
final de 2013, e isso é ainda uma conquista de Abril, não existe uma
«questão religiosa», e no que depender do PCP nunca existirá; o
que não significa que não haja matéria a merecer atenção, relativamente à
laicidade do Estado e à sua garantia, à igualdade das confissões
minoritárias e a múltiplos fenómenos sociais conexos. Este é um quadro em que a relação dos comunistas com a Igreja, os católicos e os outros crentes, assume novas complexidades."
No
quadro das comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal, os seus textos
sobre o Partido, os católicos e a Igreja e a reflexão que têm suscitado,
fez crescer a atenção do colectivo partidário a esta matéria e
contribuiu para o debate entre trabalhadores e democratas de diferentes
convicções e para novas sínteses de intervenção e proposta, no caminho
da ruptura com a política de direita e o Pacto de Agressão e da
construção de uma alternativa e de uma política patrióticas e de
esquerda para Portugal.
«A mão estendida aos católicos»
Há
setenta anos, em Novembro de 1943, o III Congresso do Partido aprovou o
Informe do Secretariado do Comité Central, redigido por Álvaro Cunhal,
sobre «A unidade da nação portuguesa na luta pelo pão, pela liberdade e
pela independência». Desse documento consta um texto, mais tarde
republicado com o título «A mão estendida aos católicos» (1), que
sintetiza os princípios e orientações para a ação dos comunistas com os
católicos e na relação com a Igreja.
Nesse
texto, dizia Álvaro Cunhal: «Não esquecemos que a Igreja Católica [...]
tem apoiado a exploração, a opressão e as atrocidades fascistas […] por
isso, combatemos […] [a sua política] e os sacerdotes fascistas. [...]
Mas não os combatemos pela sua actividade religiosa. [...] [Mas] sim
pela sua actividade contra o povo e o país, […] de traição nacional.» E
«também não esquecemos que muitos sacerdotes [...] são inimigos da
Alemanha nazi. [...] Que muitas centenas de milhar de trabalhadores,
explorados e oprimidos [...], são ainda influenciados pelo catolicismo
[...,] não podemos separar-nos, por razões religiosas, dos [...]
operários e camponeses católicos [...] Ou [os] atraímos […] para a luta
contra o fascismo; ou deixamos que eles constituam uma […] reserva do
fascismo.». E concluía: «Não fazemos a "guerra à religião" e não
pretendemos atingir a liberdade de crença e de prática de culto [...].
Estendemos lealmente a mão aos católicos (bem como aos que professam
qualquer outra religião) para que participem no movimento nacional
contra o fascismo, pelo Pão, pela Liberdade e pela Independência»1.
O
III Congresso do Partido também clarificou, e assim se mantém até hoje,
que um crente pode ser militante do PCP, desde que, como qualquer
outro, intervenha no quadro dos respectivos Programa e Estatutos. Aliás,
a esse respeito Álvaro Cunhal citava Lénine: «devemos não só
admitir como atrair sem falta para o Partido […] todos os operários que
conservam a fé em Deus, somos absolutamente contra a menor afronta às
suas convicções religiosas.»2
Em O Caminho para o Derrubamento do Fascismo, informe do Comité Central ao IV Congresso 3,
em 1946, Álvaro Cunhal escreveu: «Estendemos lealmente a mão aos
trabalhadores católicos; a todos os católicos patriotas e progressistas.
Lutámos contra o sectarismo e incompreensão de muitos dos nossos
militantes e da generalidade dos antifascistas [...]. Houve erros de
intolerância em 1910 que não devem […] repetir-se. Conquistaremos para a
causa da Democracia a massa católica na medida em que saibamos
respeitar as suas crenças [e] [...] mostremos […] [ser] os melhores
defensores da liberdade de consciência.» 4
Álvaro
Cunhal identificava «importantes factores prejudiciais à unidade com os
católicos, à [sua] participação […] no Movimento de Unidade Nacional
Anti-fascista, [...] a política reaccionária do Vaticano 5
[e o] apoio a Salazar […] [e a] política em defesa do fascismo levada a
cabo pela Igreja portuguesa [...,] verdadeiro abuso que a hierarquia
eclesiástica faz das convicções religiosas dos católicos [...]». E
referia também como «factores favoráveis à unidade», «a participação de
milhares de católicos nos movimentos populares [, os] numerosos
católicos que se separam da acção reaccionária e fascista do Vaticano e
da Igreja e anseiam liberdade e democracia no nosso país [e que] «a
grande massa dos trabalhadores católicos não é fascista, acredita em
Deus e vai mesmo à Igreja, mas não está de acordo com […] Salazar». E
sintetizava: «para ganharmos os católicos para a causa antifascista, não
devemos poupar esforços e devemos saber eliminar as deficiências na
nossa actuação», chamar [...] os trabalhadores católicos à luta, [...]
atrair à [unidade] católicos, incluindo sacerdotes, e procurar mesmo a
adesão e participação activa de católicos destacados». 4
No texto «O Partido Comunista, os Católicos e a Igreja» 6,
em 1947, Álvaro Cunhal escreveu: «as convicções religiosas, por si só,
não são susceptíveis de afastar os homens na realização de um programa
social e político», «comunistas e católicos podem e devem unir-se em
defesa dos seus anseios comuns [...]». E afirmou: «o Cardeal Cerejeira
[e] altos dignitários [da Igreja] […] têm tomado uma posição política
clara, pregando o ódio aos comunistas e outros democratas e o apoio ao
salazarismo, [mas] isso não altera «a nossa posição», continuamos
desejando sinceramente a unidade com os católicos progressistas na luta
pela realização das nossas comuns aspirações». 6
Nesse
texto, após o estudo aprofundado da política da Igreja portuguesa, às
ordens do Estado do Vaticano e em apoio ao fascismo, Álvaro Cunhal
concluiu: «[...] os dirigentes católicos reaccionários insistem
constantemente no que separa os católicos dos comunistas e outros
democratas […], procurando mostrar que a barreira é tal que torna
impossível qualquer entendimento ou acção comum», mas «a verdade é que
"aquilo que nos separa nada é comparado com o que nos une”.» 6
No Rumo à Vitória – As tarefas do Partido na Revolução Democrática e Nacional 7
notável base teórica do Programa do PCP, aprovado em 1965 no VI
Congresso, escreveu Álvaro Cunhal: «Salazar (e as classes monopolistas
que representa) serve-se da Igreja e do catolicismo. Os católicos têm a
"liberdade" de fazer política fascista: não têm liberdade para fazer
qualquer outra política. [...] Quando [...] nenhuma corrente de
católicos antifascistas tinha ganhado vulto […] insistiam no dever dos
sacerdotes intervirem na vida política. Mas, quando em 1958 tal corrente
se manifestou no documento assinado pelo Bispo do Porto e por dezenas
de sacerdotes, o Cardeal [Cerejeira] apressou-se a ordenar que "não é
missão dos sacerdotes fazer política.» 8
E pouco depois, no relatório ao VI Congresso 9
escreveu Álvaro Cunhal: «vastos círculos católicos têm-se separado do
regime fascista […]. Os fascistas ameaçam tais católicos no plano
político e religioso e chegam a proclamar que, por cooperarem com os
comunistas […], deixam de ser católicos […,] se por hipótese a Igreja,
se o próprio Papa, em tal ou tal momento [...] ou questão, negam o seu
apoio à política fascista, logo passam "ao campo do inimigo"». 10
Foi exactamente o que se veio a verificar em Julho de 1970, quando
Paulo VI recebeu os movimentos de libertação das colónias portuguesas.
Na
crise geral do regime fascista e na Revolução de Abril, na construção
do regime democrático e na sua defesa face à contra-ofensiva monopolista
e imperialista, o acervo de orientações do Partido relativamente aos
católicos e à Igreja confirmou-se na vida como verdadeiramente justo e
adequado. Em Novembro de 1974 Álvaro Cunhal afirmou: «os comunistas
defendem […] boas relações do Estado com a Igreja. Esta [...] política
não se baseia em critérios de oportunidade, mas numa posição de
princípio», «o mundo evolui e a Igreja Católica [...] mostra também
indícios de [...] evolução positiva. [...] Confiamos em que os homens
mais esclarecidos da Igreja […] compreendam […] a sinceridade [e] as
profundas implicações [...], para o presente e para o futuro, desta
posição do Partido Comunista». 11
Numa
fase difícil da Revolução de Abril, quando, para travar e inverter as
mudanças progressistas e tentar impedir a acção do Partido, as forças
reaccionárias, com a cumplicidade do PS, não hesitaram no recurso ao
terrorismo bombista e assassino, confirmou-se a responsabilidade
criminosa de altos dignitários da Igreja Católica, mas o PCP, ao mesmo
tempo que combatia os conspiradores, insistiu que «não existe um
problema religioso em Portugal» e não deixou cair a consigna da «mão
estendida aos católicos» na construção da democracia no nosso país.
A convergência com os católicos nos dias de hoje
Hoje,
a situação do país é de uma enorme gravidade e complexidade. Vivemos as
consequências de mais de 37 anos de política de direita e
contra-ofensiva monopolista, da integração e da moeda única da União
Europeia, do capitalismo e da sua crise estrutural e sistémica e do
pacto de agressão e saque nacional – o que resulta é mais exploração,
pobreza, destruição da economia, regressão social e dependência externa.
Prossegue
a subversão da Constituição e dos avanços civilizacionais que consagra.
Degrada-se o regime democrático, «politicamente empobrecido e
desfigurado, amputado da dimensão social e económica original,
crescentemente asfixiado pelos interesses do grande capital». 12
Verifica-se
uma arrumação de forças sociais complexa, cuja polarização se vai
acentuando. E regista-se uma correlação de forças no plano político que
tem vindo a melhorar, mas que não atingiu o patamar de ruptura com a
política de direita, por responsabilidade do PS.
Por outro lado, a
democracia formal tornou possível algum avanço na laicização do Estado e
contribuiu para que mais católicos e crentes assumam a pluralidade dos
seus interesses de classe e das suas opções político-ideológicas, em
todas as organizações sociais e partidos políticos.
A Igreja
Católica, num processo irregular, registou algumas mudanças. Acentuou-se
a fusão do Estado do Vaticano e das super-estruturas da Igreja com o
capital financeiro supranacional, o que implica a consolidação das
respectivas opções de classe na alta hierarquia. Mas, simultaneamente,
avançou a secularização da vida social, alargou-se o fosso entre o
diagnóstico oficial da «economia de exclusão e desigualdade» e a
ocultação e mistificação de respostas progressistas efectivas, emergiram
novos questionamentos de dogmas e orgânicas e novas dinâmicas
associativas e de Acção Católica.
Em Portugal, neste final de
2013, e isso é ainda uma conquista de Abril, não existe uma «questão
religiosa», e no que depender do PCP nunca existirá; o que não significa
que não haja matéria a merecer atenção, relativamente à laicidade do
Estado e à sua garantia, à igualdade das confissões minoritárias e a
múltiplos fenómenos sociais conexos. Este é um quadro em que a relação
dos comunistas com a Igreja, os católicos e os outros crentes, assume
novas complexidades.
A Igreja Católica e todas as outras, devem
ser respeitadas na sua acção religiosa e ouvidas com atenção no plano
institucional. Nada move os comunistas contra a Igreja e não
acompanhamos posições anticlericais, de génese maçónica ou anarquista.
Aliás, a experiência mostra que é positivo o relacionamento regular
entre o Partido e a Igreja Católica, apesar dos preconceitos de certos
dignitários. E como no passado, o PCP não abdicará do direito de
resposta a posições de natureza política, algumas bem alinhadas à
direita, de certos responsáveis religiosos, se e quando isso for
impreterível.
Mas o relacionamento dos comunistas com as massas
católicas tem de prosseguir sobretudo nos caminhos que trilham em comum,
na defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo, no movimento
sindical unitário, nas organizações de classe, nos movimentos
associativo e de defesa das populações, na luta contra a exploração, o
empobrecimento e o declínio nacional, no quadro da CDU e na construção
de uma nova política patriótica e de esquerda.
A experiência
prova que não é difícil a convergência nestes caminhos. O humanismo, a
proximidade aos pobres e oprimidos, os valores de paz, justiça e
igualdade do «cristianismo primitivo» e do acervo cultural das massas
católicas, não estão longe de ideais e propostas dos comunistas.
Escreveu Álvaro Cunhal: «Quem são aqueles que estão mais perto dos
pobres, [...] que sempre […] defendem os humilhados e ofendidos, as
vítimas da exploração, da tirania e do mal? Quem […] é animado pelo amor
do próximo e capaz de sacrificar [...] a própria vida? [...] qualquer
pessoa de sentimentos honrados encontra resposta fácil […]» e «se a
anima o ideal cristão, sentir-se-á mais próxima dos comunistas, que não
são católicos, do que daqueles que se dizem cristãos, sem alguma vez o
terem sido.» 13
Hoje,
o problema político mais complexo da situação nacional reside na fase
mais adiantada do caminho comum dos trabalhadores e outros sectores
sociais não monopolistas, dos católicos progressistas, dos comunistas,
de todos os democratas e patriotas; a dificuldade é a construção da
verdadeira alternativa e de um governo patrióticos e de esquerda, que
não se confundam com um governo PS de alternância ao PSD, para fazer no
essencial a mesma política.
O desenvolvimento vigoroso da luta de
massas, o reforço do PCP e a alteração da correlação de forças no plano
político são determinantes para uma verdadeira alternativa, cuja
construção pode «constituir um processo complexo e eventualmente
prolongado» 14,
um caminho muito exigente, que impõe a cooperação de forças, sectores e
personalidades democráticas e obriga os democratas e patriotas a um
grande esforço de convergências e soluções.
Neste caminho
difícil, há muitos passos a dar, muitas posições e acção a construir e
consolidar, com as organizações católicas mais avançadas, a JOC, a LOC e
vários movimentos de leigos, porventura próximos do Vaticano II e da
Teologia de Libertação, com sacerdotes e personalidades da hierarquia da
Igreja, de outras organizações cristãs e de outras religiões, que não
militem pela política de direita e pelo Pacto de Agressão, que não
manipulem a religião como «ópio do povo», que se comprometam com a sua
fé no caminho da mudança, para um mundo e um Portugal mais humano e mais
justo.
O legado de Álvaro Cunhal, a história e a luta do PCP e a
realidade do mundo de hoje não deixam espaço a hesitações. É preciso,
imperioso e urgente estar do lado das massas católicas, dos
trabalhadores e do povo e «estender a mão» aos cristãos e aos crentes,
porque é impreterível juntar ainda mais forças, inteligências e
vontades, na luta contra a exploração e o roubo, contra o capital
financeiro, o «bezerro de ouro», o obscurantismo e a destruição do país,
no caminho em comum para firmar os valores de Abril no futuro de
Portugal.
Notas
(1) Álvaro Cunhal, Obras Escolhidas, Edições «Avante!», Lisboa, t. I, 2007, pp. 204-208.↵
(2)
V. I. Lénine, Obras Escolhidas em 6 tomos, Edições «Avante!», Lisboa,
Tomo I, 1984, «Sobre a atitude do Partido Operário em relação à
Religião», p. 375.↵
(3) Álvaro Cunhal, Obras Escolhidas, t. I, ed. cit., pp. 369-536.↵
(4) Álvaro Cunhal, Obras Escolhidas, t. I, ed. cit., «A unidade com os católicos», pp. 479-483.↵
(5)
O Caminho para o Derrubamento do Fascismo inclui um texto sobre «A
política reaccionária do Vaticano» – Álvaro Cunhal, Obras Escolhidas, t.
I, ed. cit., pp. 429-431.↵
(6) Álvaro Cunhal, Obras Escolhidas, t. I, ed. cit., pp. 789-814.↵
(7) Álvaro Cunhal, Obras Escolhidas, Edições «Avante!», Lisboa, t. III, 2010, pp. 1-246.↵
(8)
Álvaro Cunhal, Obras Escolhidas, t. III, ed. cit., pp. 128 e 129,
citação do texto «A Igreja e os católicos» do Capítulo IX do Rumo à
Vitória – «Unidade das forças democráticas e patrióticas imperativo da
situação nacional».↵
(9) Álvaro Cunhal, Obras Escolhidas, t. III, ed. cit., pp. 279-415.↵
(10)
O Relatório do Comité Central ao VI Congresso inclui um texto com o
título: «Estreitar a cooperação com os católicos antifascistas» – Álvaro
Cunhal, Obras Escolhidas, t. III, ed. cit., pp. 364-368.↵
(11)
Cadernos do PCP, Comunistas e Católicos, Edições «Avante!», Lisboa,
1975, pp. 81-85, excertos do texto «Ser católico ou não católico não é
motivo de separação ou divisão entre portugueses», que integra o
discurso de Álvaro Cunhal num comício em Braga em 30 de Novembro de
1974.↵
(12)
Avaliação do XVIII Congresso, reiterada no XIX Congresso do PCP,
Edições «Avante!», Lisboa, 2013, Resolução Política, p. 367.↵
(13) Álvaro Cunhal, Obras Escolhidas, t. III, ed. cit., p. 368.↵
(14) XIX Congresso do PCP, ed. cit., Resolução Política, p. 394.↵
Postado por
O Mafarrico
às
quinta-feira, janeiro 16, 2014
http://mafarricovermelho.blogspot.com/2014/01/o-pcp-os-catolicos-e-igreja-contributo.html
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2jan2019
Postei novamente:
PCP diverge do PS (que tem ministro das finanças premiado por servir
os agiotas europeus) em relação à dívida... atingiu um novo máximo: 251
mil milhões!!! E o PCP já não está sozinho nesta luta...Por exemplo o
Frei Bento Domingues:
"A DÍVIDA É ILEGÍTIMA!"
"Esta carga não pode cair assim sobre as pessoas!"
"As pessoas não vêem não olham
mas temos uma palavra a dizer!"
"TODAS AS COISAS QUE FORAM NEGOCIADAS PODEM SER RENEGOCIADAS!!"
"A TROIKA são os bancos alemães a 1% e nós a pagarmos a 5%..."
"O inevitável quando não há alternativa
é uma ditadura"
"o ser indignado não é um movimento
é uma reacção moral"
"A riqueza está muito concentrada
e isso não é discutível?"
"Como é que os mais fracos é que vão pagar uma dívida que não produziram?"
"O Aristóteles disse que o dinheiro não tem filhos"
"A EDP foi vendida e afinal dava lucro ao país
querem privatizar tudo aos estrangeiros
depois ficam cá alguns a mandar..."
"quem manda são os mercados
é o capitalismo mais liberal mais rasca"
"a economia de mercado não pode ser tão bárbara"
"Os ricos dão uma esmolinhas aos pobres..."
"A Igreja católica tem que fazer esse ato de solidariedade"
"mas tem também que fazer o mais importante: devem todos mobilizar-se para ajudar a exigir ao renegociar da dívida
que é uma violência sobre o povo português.."
"Os católicos deviam exigir a renegociação da dívida!"
"Na minha opinião os padres deviam dizer isso na missa!"
"O Arcebispo Ortiga também disse que os cristãos têm de começar a levantar a voz..."
"É um problema religioso o PRIMADO DA PESSOA HUMANA
E também O DESTINO UNIVERSAL DOS BENS!"
"Jesus olhava para os que estavam na valeta
e para as causas que os lançam para a valeta e ele denunciou..."
"Tantos universitários e sábios e não resolvem!"
*
Sobre o 1º ministro dizer que emigrem:
"NÃO É CONSELHO QUE SE POSSA DAR. NÃO SE PODE DIZER O QUE LHE APETECE."
"Vão emigrar para o Luxemburgo e ficam no desemprego...
A Europa toda tem de rever as suas bases!"
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