05/02/2019

6.782.(5feVER2019.9.9') Dadaísmo

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Dadaísmo foi um movimento artístico e literário, que começou em 1916 em Zurique, Suíça, e refletiu um protesto niilista contra todos os aspectos da cultura ocidental, especialmente o militarismo existente durante e logo após a Primeira Guerra Mundial.
Influenciado pelas idéias e inovações de diversas vanguardas adiantados – Cubismo, Futurismo, Construtivismo e Expressionismo – sua saída era descontroladamente diversa, que vão desde arte performática à poesia, fotografia, escultura, pintura e colagem.
A estética do Dadaísmo, marcado por sua zombaria de atitudes materialistas e nacionalistas, mostrou-se uma poderosa influência sobre os artistas em muitas cidades, incluindo Berlim, Hanover, Paris, Nova York e Colônia, todos os quais geraram os seus próprios grupos.
O movimento acredita-se ter dissipado com a chegada do surrealista em França.
O termo “dada”, em francês, significa simplesmente “cavalo-de-pau”; diz-se que foi selecionado ao acaso, num dicionário, pelo poeta, ensaísta e editor Tristan Tzara, nascido em Roma.
dadaísmo foi idealizado em 1916 por Tzara, pelo escritor alemão Hugo Ball (1886-1927), pelo artista alsaciano Jean Arp, e outros jovens intelectuais que moravam em Zurique, Suíça. Uma reação semelhante contra a arte convencional aconteceu, simultaneamente, em Nova York e em Paris.
Depois da Primeira Grande Guerra o movimento chegou à Alemanha, e muitos artistas do grupo de Zurique uniram-se aos dadaístas franceses em Paris.
Contudo, o grupo parisiense se desintegrou em 1922.
Para expressar a negação de todas as correntes e valores estéticos e sociais, os dadaístas usaram freqüentemente métodos artísticos e literários que eram deliberadamente incompreensíveis. Suas performances teatrais e seus manifestos eram concebidos para chocar ou desnortear o público, com o objetivo de surpreender o público através de uma reconsideração de valores estéticos aceitos.
Para este fim, os dadaístas utilizaram novos materiais e incluíram objetos achados no lixo das ruas, além de novas técnicas em suas obras, como se permitissem ao acaso a determinação dos elementos que iriam compor seus trabalhos.
O pintor e escritor alemão Kurt Schwitters destacou-se por suas colagens com papel velho e materiais semelhantes, e o pintor francês Marcel Duchamp exibiu como obras de arte produtos comerciais ordinários, que ele mesmo chamou de ready-mades.
Embora os dadaístas tenham empregado técnicas revolucionárias, sua revolta contra os padrões estéticos vigentes estava baseada em uma convicção profunda e originada ainda na tradição romântica, na bondade essencial de humanidade, quando não corrompida através de sociedade.
Dadaísmo, como movimento artístico, declinou nos anos vinte, e alguns de seus participantes tornaram-se proeminentes em outros movimentos da arte moderna, especialmente o surrealismo.
Durante a década de 50 houve um ressurgimento do interesse pelo Dadaísmo em Nova York, onde compositores, escritores, e artistas produziram muitos trabalhos com características dadaístas.
CARACTERÍSTICAS DO DADAÍSMO

Fotomontagens oníricas
Incorporação de materiais diversos
Elementos mecânicos
Inscrições humorísticas
Expressões ridículas e burlescas

Dadaísmo – História

Dadaísmo é a vida sem pantufas nem paralelos: quem é contra e pela unidade e decididamente contra o futuro; nós sabemos ajuizadamente que os nossos cérebros se tornarão macias almofadas, que nosso antidogmatismo é tão exclusivista como o funcionário e que não somos livres e gritamos liberdade; necessidade severa sem disciplina nem moral e escarramos na humanidade.
Assim começa o “Manifesto do Senhor Antipirina”, o manifesto dadaísta, o mais radical de todos os movimentos de vanguarda. De feições anarquistas, o dadaísmo nasceu em meio à 1ª Grande Guerra, em Zurique, onde ainda se podia respirar os ares da paz.
Em 1916, foi fundado o Cabaret Voltarie, por Hugo Ball, e logo tornou-se local de reuniões de intelectuais e foragidos da guerra. Neste cabaret, Tristan Tzara, o próprio Hugo Ball, Hans Harp, Marcel Janco e Huelsembeck lançaram o Dadaísmo, tendo como intenção buscar uma liberdade de se exprimir, de agir; pregando e destruição do passado, o passado cultural e sócio-político da humanidade, assim como dos valores presentes, e não vendo qualquer esperança ao futuro.
Apesar de todo esse radicalismo, o dadaísmo foi na verdade um movimento pacifista, pois este desejo, esta ânsia de destruição, era motivado exatamente pela guerra, que gerou uma forte crise moral e política por toda a Europa.
Dadaísmo representou, portanto, uma reação à sociedade decadente, sobretudo a alemã.

Voltou-se inclusive contra uma possível vitória da Alemanha. E um das maneiras que os artistas encontraram para mostrar seu descontentamento com a sociedade foi criando uma antiarte, uma antiliteratura, carregada de ilogismo, de deboche, de humor sendo antiintelectualista, seguindo com isto parte das idéias cubistas, embora se declarassem anticubistas também.
O cubismo a penúria nas idéias. Os cubistas, os quadros dos primitivos, as esculturas negras, as guitarras, e agora vão cubicar o dinheiro. (Francis Picabia – Manifesto canibal na obscuridade)
Este niilismo, esta negação dadaísta, era tão forte que os artistas procuravam negar-se até a si mesmos. “Os verdadeiros dadaístas são contra dadá.”. Isto pelo fato de, uma vez destruídas a arte acadêmica e a moral burguesa, dadá seria o substituto natural.
Entretanto, o dadaísmo representou uma reação a qualquer sistema institucionalizado.
No referido manifesto, Tzara diz: “eu sou contra os sistemas, o mais aceitável dos sistemas é aquele que tem por princípio não ter princípio nenhum.”
Quanto ao significado da palavra dadá, Tzara explica: “Dada não significa nada.” De qualquer modo, esta palavra foi encontrada no dicionário Petit Larousse pelo próprio Tzara. E um dos significados lá presentes era o de que se tratava de um sinal de ingenuidade, algo ligado à criança. O que ressalta a idéia de espontaneidade, de ilogismo e humor da antiarte dadaísta.
Por outro lado, a intenção maior ao nomear o movimento de dadaísmo foi a de ter uma expressividade e uma força à própria palavra.
Dadaísmo teve como epicentro Zurique, na Suiça; porém houve uma contemporânea internacionalização do movimento, indo de Nova York a Moscou, passando por Paris, Barcelona e Munique. Na Alemanha, procurou-se ressaltar os aspectos críticos em relação à sociedade e ao pós-guerra. Enquanto nos Estados Unidos, Francis Picabia, Marcel Duchamp e o americano Man Ray realizam algo como um protodadaísmo.
Duchamp utilizou-se da técnica do ready-made, consistindo em se aproveitar de produtos industrializados para recriar um novo objeto que desprezasse a arte acadêmico-burguesa. Segundo Georges Hugnet, Duchamp “pretendia exprimir a sua aversão à arte e a admiração pelos objetos fabricados.”
Quanto à literatura, os textos dadaístas mostravam-se agressivos, opondo-se a qualquer técnica tradicional, criando com isto um texto ilógico e antiracional. “abolição da lógica, dança dos impotentes da criação: DADÁ; (…) trajetória de uma palavra lançada como um disco sonoro grito” (Manifesto Dada – 1918).
Veja como exemplo de ilogicidade dadá este poema de Tzara: As borboletas de 5 metros de comprimento se partem como os espelhos, como o vôo dos rios noturnos sobem com o fogo até à via-láctea.
Uma técnica dadaísta, aprofundada pelos surrealistas, é a da escrita automática, que consiste em escrever sem qualquer preocupação lógica, fazendo uma livre associação de idéias (conforme o poema acima).
Dentro deste espírito desconcertante, Tzara dá até mesmo a “técnica” de como se escrever um poema dadaísta:
Pegue um jornal. Pegue a tesoura. Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema. Recorte o artigo. Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-se num saco. Agite suavemente. Tire em seguida cada pedaço um após o outro. Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco. O poema se parecerá com você. E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.
Dadaísmo conheceu seu apogeu em 1920 e, no ano seguinte, seu declínio. No ano de 1920, várias peças teatrais, recitais de música e leitura de poemas dadaístas foram praticadas com até mesmo certa aceitação pública.
Porém, o distanciamento pretendido se acentuou e, em um outro manifesto, lido por Francis Picabia, “Manifesto Canibal na Obscuridade”, há a seguinte passagem:
Dada não quer nada, não pede nada. Move-se e gesticula para que o público diga: nós não compreendemos nada, nada, nada.
Contudo, a Europa, após o término da 1ª Guerra, pedia uma reconstrução, tanto física quanto cultural e moral; e este desejo de se manter distante, este aspecto destrutivo foi causa de discordâncias internas, sendo a principal a entre Tzara e André Breton, dadaísta francês que, em 1924, lançaria o movimento surrealista.
De qualquer modo, apesar de todo radicalismo peculiar, os dadaístas cumpriram seu papel ao se posicionarem contra uma sociedade decadente.

Dadaísmo – Artistas

Durante a I Guerra Mundial, a cidade de Zurique, na Suíça era considerada neutra.
Artistas, escritores e poetas de várias nacionalidades que nos seus países de origem haviam se manifestado publicamente contrários à guerra, foram acusados de impatriotismo e traição, fugiram exilando-se em Zurique e acabaram reunidos, pela primeira vez em fevereiro de 1916, numa cervejaria, a que deram o nome de Cabaret Voltaire. Na ocasião foram lidos manifestos, poesias, encenaram teatro e realizaram exposições de arte. Resolveram fundar um movimento artístico literário que expressasse suas decepções em relação a ineficiência das ciências, da religião e da filosofia que foram incapazes de evitar os horrores da guerra justamente entre as nações mais civilizadas do ocidente e por sua inutilidade já não deveriam merecer confiança e respeito.
Sob influência da psicanálise de Freud, na época em voga entre os suíços, elegeram o automatismo psíquico e as manifestações do subconsciente como fonte da criação artística e o irracionalismo como lei da conduta humana. Não adiantava pensar, raciocinar, conduzir-se conscientemente numa humanidade que havia perdido a razão.
Para designar o movimento, o poeta Tristan Tzara (húngaro)abriu ao acaso um dicionário alemão-francês Larousse acertando na palavra DADA que significa na linguagem infantil “cavalo de pau”. O nome escolhido é sem sentido e o gesto fora irracional, assim como a arte que perdera todo o sentido diante da irracionalidade da guerra. Dez milhões de pessoas foram massacradas ou ficaram inválidas, por isso os dadaístas achassem que não podiam confiar na razão e na ordem estabelecida e sua alternativa foi subverter toda autoridade e cultivar o absurdo.
Não se preocupavam em formular uma teoria que explicasse o pensamento do grupo e somente após quase 3 anos do inicio das atividades, Tristan Tzara escreveu um manifesto sobre o Dadaísmo.
Simultaneamente o movimento foi levado a New York pelos pintores Marcel Duchamp, Picabia e Man Ray , terminado a guerra o negativismo e o irracionalismo dos dadaístas encontraram um ambiente propício na Europa traumatizada. Em Paris, com o apoio dos escritores e artistas Picabia, Max Ernst, Alfred Stieglitz, André Breton, Louis Aragon, Ribemont-Dessaignes, Marcel Duchamp, Albert Biron, Ph.Soupault, Paul Eluard, Benjamin Peret, promoveram famosas reuniões.
Seus seguidores procuravam chocar o público anulando as formas técnicas e os temas da pintura, dando valor ao irracionalismo como fundamento da criação artística; consideravam válida qualquer expressão artística inclusive involuntária, elevando-a a categoria de obra de arte Ex. urinol ou outros objetos banais (ridicularizando a arte eterna ou profunda); poemas sem sentido; máquina sem função (zombando a ciência).
O movimento difere dos futuristas pois não possuía o otimismo e nem a valorização da tecnologia e se aproxima deste no conceito de simultaneidade e provocação (em suas apresentações se misturam desde dançarinas a poetas, a oradores; tudo ao mesmo tempo). Propunham a interdisciplinaridade como única maneira possível de renovar a linguagem criativa.
Em 1922 realizou-se a última grande manifestação em Paris. O movimento durou sete anos e seu declínio é reflexo da recuperação dos países vítimas do conflito e das divergências doutrinárias entre alemães chefiados por Tzara e franceses chefiados por Breton, porém o sinal de alerta do espírito contra a decadência de valores; sua ruptura com a lógica e o raciocínio convencional, foram a base de novas formas de enriquecimento do imaginário como o Surrealismo em 1924.
Característica gerais:
Pregavam “non sense e antiarte” (deliberada irracionalidade)
A colagem era feita com papéis rasgados e não cortados.
Utilizavam materiais diversos como botões, gesso, entre outros.
Usavam as leis do acaso (criação artística não depende de regras estabelecidas e nem da habilidade mental)
Fotomontagem (distorção da fotografia)
Movimento contra o tradicional.

Dadaísmo – Movimento artístico e literário

Movimento artístico e literário com um pendor niilista, que surgiu por volta de 1916, em Zurique, acabando por se espalhar por vários países europeus e também pelos Estados Unidos da América. Embora se aponte 1916 como o ano em que o romeno Tristan Tzara, o alsaciano Hans Arp e os alemães Hugo Ball e Richard Huelsenbeck seguiram novas orientações artísticas e 1924 como o final desse caminho, a verdade é que há uma discrepância de datas respeitantes, quer ao início, quer ao final deste movimento, ou como preferem os seus fundadores, desta «forma de espírito» («Manifesto Dada», in Dada-Antologia Bilingue de Textos Teóricos e Poemas, 1983).
O movimento Dada (os seus fundadores recusam o termo Dadaísmo já que o ismo aponta para um movimento organizado que não é o seu) surge durante e como reação à I Guerra Mundial.
Os seus alicerces são os da repugnância por uma civilização que atraiçoou os homens em nome dos símbolos vazios e decadentes. Este desespero faz com que o grande objetivo dos dadaístas seja fazer tábua rasa de toda a cultura já existente, especialmente da burguesa, substituindo-a pela loucura consciente, ignorando o sistema racional que empurrou o homem para a guerra.
Dada reivindica liberdade total e individual, é anti-regras e ideias, não reconhecendo a validade, nem do subjetivismo, nem da própria linguagem.
O seu nome é disso mesmo um exemplo: Dada, que Tzara diz ter encontrado ao acaso num dicionário, ainda segundo o mesmo Tzara, não significa nada, mas ao não significar nada, significa tudo.
Este tipo de posições paradoxais e contraditórias são outra das características deste movimento que reclama não ter história, tradição ou método. A sua única lei é uma espécie de anarquia sentimental e intelectual que pretende atingir os dogmas da razão. Cada um dos seus gestos é um ato de polémica, de ironia mordaz, de inconformismo.
É necessário ofender e subverter a sociedade.
Essa subversão tem dois meios: o primeiro os próprios textos, que embora sejam concebidos como forma de intervenção direta, são publicados nas numerosas revistas do movimento como Der Dada, Die Pleite, Der Gegner ou Der blutige Ernst, entre muitas outras.
O segundo, o famoso Cabaret Voltaire, em Zurique, cujas sessões são consideradas escandalosas pela sociedade da época verificando-se frequentes insultos, agressões e intervenções policiais.
Não é fácil definir Dada.
Os próprios dadaístas para isso contribuem: as afirmações contraditórias não permitem um consenso já que, enquanto consideram que definir Dada era anti-Dada, tentam constantemente fazê-lo. No primeiro manifesto, por ele próprio intitulado dadaísta, Tristan Tzara afirma, que Ser contra este manifesto significa ser dadaísta!» («Manifesto Dada», in Dada-Antologia Bilingue de Textos Teóricos e Poemas, 1983) o que confirma a arbitrariedade e a inexistência de cânones e regras neste movimento.
Tentam mesmo dissuadir os críticos de o definir: Jean Arp, artista plástico francês ligado ao movimento de Zurique, ridiculariza a metodologia crítica escrevendo, que não era, nem nunca seria credível qualquer história deste movimento já que, para ele não eram importantes as datas, mas sim o espírito que já existia antes do próprio nome; além disso Tzara afirma ser «contra sistemas.
O sistema mais aceitável é, por princípio, não ter nenhum.» (Dada and Surrealism,1972).
São conscientemente subversivos: ridicularizam o gosto convencional e tentam deliberadamente desmantelar as artes para descobrir em que momento a criatividade e a vitalidade começam a divergir. Desde o início que é destrutivo e construtivo, frívolo e sério, artístico e anti-artístico.
Embora se tenha espalhado por quase toda a Europa, o movimento Dada tem os núcleos mais importantes em Zurique, Berlim, Colônia e Hanôver. Todos eles defendem a abolição dos critérios estéticos, a destruição da cultura burguesa e da subjetividade expressionista reconhecendo, como caminhos a seguir, a dessacralização da arte e a necessidade do artista ser uma criatura do seu tempo, no entanto, há uma evolução diferenciada nestes quatro núcleos.
O núcleo de Zurique, o mais importante durante a guerra, é muito experimentalista e provocatório, embora mais ou menos restrito ao círculo do Cabaret Voltaire.
É aqui que surgem duas das mais importantes inovações dadaístas: o poema simultâneo e o poema fonético.
O poema simultâneo consiste na recitação simultânea do mesmo poema em várias línguas; o poema fonético, desenvolvido por Ball, é composto unicamente por sons, com predominância de sons vocálicos.
Nesta última composição a semântica é completamente posta de parte: já que o mundo não faz sentido para os dadaístas, a linguagem também não terá de fazer.
Ball considera ser esta uma época onde « Um universo desmorona-se. Uma cultura milenar desmorona-se.» («A Arte dos Nossos Dias», in Dada-Antologia Bilingue de Textos e Poemas, 1983). Estes tipos de composições, juntamente com o poema visual, também assente em princípios simultaneístas, e a colagem, primeiro utilizada nas artes plásticas, são as grandes inovações formais deste movimento.
O grupo de Berlim, mais ativo depois da guerra, está profundamente ligado s condições socio-políticas da época. Ao contrário do anterior realiza intervenções politizantes, próximas da extrema esquerda, do anarquismo e da “Proletkult” (cultura do proletariado). Apesar de tudo, os próprios dadaístas têm consciência que são demasiado anarcas para aderir a um partido político e que a responsabilidade pública que daí advinha era inconciliável com o espírito dadaísta.
Colônia e Hanover são menos significativos, sendo no entanto de salientar o desenvolvimento da técnica da colagem no primeiro e a inovadora utilização de materiais casuais e subalternos, como jornais e bilhetes de autocarro, na pintura do segundo.
Estes autores destacam-se da sociedade em que estão inseridos pela revolta, pelos valores expressos nas suas obras, pelas convicções que defendem e pelas contradições que apresentam, muitas vezes exemplo da vitalidade e humor dos criadores.
Dada tornou-se muito popular em Paris, para onde Tzara vai viver depois da guerra. Na capital francesa, ao contrário de Berlim e Nova Iorque, o movimento Dada desenvolve-se bastante no campo literário.
Esta ligação foi muito importante para a génese do surrealismo que acaba por absorver o movimento no início da década de vinte.
As fronteiras entre os dois movimentos são ténues, embora se oponham: o surrealismo mergulha as suas raízes no simbolismo, enquanto Dada se aproxima mais do romantismo; o primeiro é nitidamente politizado, enquanto o segundo é, na generalidade apolítico (com excepção do grupo de Berlim, como já foi referido).
É também possível encontrar vestígios dadaístas na poesia de Ezra Pound e T. S. Elliot e na arte de Ernst e Magritte.

Dadaísmo – Origem

Fundado na neutra Zurique, em 1916, por um grupo de refugiados da Primeira Guerra Mundial, o movimento dadá tomou seu nome de uma palavra nonsense.
Em seus sete anos de vida, o Dadaísmo muitas vezes parecia mesmo sem sentido, mas tinha um objetivo de não-sem-sentido: protestava contra a loucura da guerra.
Nesse primeiro conflito global, anunciado como “a guerra para acabar com todas as guerras”, dezenas de milhares morriam diariamente nas trincheiras para conquistar uns poucos metros de terra calcinada e em seguida eram forçadas a recuar pelos contra-ataques. Dez milhões de pessoas foram massacradas ou ficaram inválidas.
Não admira que os dadaístas achassem que não podiam mais confiar na razão e na ordem estabelecida. Sua alternativa foi subverter toda autoridade e cultivar o absurdo.
Dadaísmo foi uma atitude internacional, que se expandiu de Zurique para França, Alemanha e Estados Unidos.
Sua principal estratégia era denunciar e escandalizar.
Uma noite dadaísta típica contava com diversos poetas declamando versos nonsense simultaneamente em línguas diferentes e outros latindo como cães.
Os oradores lançavam insultos à platéia, dançarinos com trajes absurdos entravam pelo palco, enquanto uma menina de vestido de primeira comunhão recitava poemas obscenos.
Os dadaístas tinham um objetivo mais sério do que causar escândalo: queriam acordar a imaginação.
Dadaísmo – Movimento
O Dadaísmo, movimento artístico e literário anárquico fundado em 1916 por artistas e intelectuais exilados na Suíça durante a I Guerra Mundial teve como fundadores: Hans Richter [1888-1976] e Raul Haussmann [1886-1971].
Por essa altura, publicaram-se numerosos manifestos Dada que proclamavam a espontaneidade, a liberdade e a anarquia absolutas do artista e consideravam a invenção pura, as leis do acaso e a permutação de formas antropomórficas e inanimadas muito importantes para o trabalho artístico. Mais tarde se expande por outros países da Europa e pelos Estados Unidos (EUA). Caracteriza-se pelo desejo de destruir as formas de arte institucionalizadas e de romper o limite entre as várias modalidades artísticas.
Os artistas opõem-se à sociedade materialista, vista como fracassada por promover a guerra, e propõem ignorar o conhecimento até então acumulado pela humanidade.
Acima de tudo, os dadaístas procuravam chocar a sociedade com uma extravagância deliberada.
Devem ainda referir-se como precursores deste movimento: Marcel Duchamps [1887-1964], francês e Francis Picabia [1878-1953], de origem cubana, que inicialmente foram seguidores do Cubismo.
O seu nome deriva de da-da, duas das primeiras sílabas a serem pronunciadas pelas crianças, segundo os seus autores.
É um estilo entre o infantil e o burlesco [Duchamps, por exemplo, pintou a Gioconda com bigodes…]. Com Duchamps, as formas passam a ter um aspecto mais ou menos mecânico mas não são animadas de um movimento natural. Este artista pintou cerca de vinte quadros, a maior parte deles sobre vidro. Foi ele que imaginou os “ready-made”, ou seja, simples objetos manufaturados, como por exemplo um abridor de garrafas ou um urinol, em que ele se limitava apenas a modificar-lhe um pequeno pormenor ou até a não mudar absolutamente nada.
Isto levou a que, em 1962, numa carta que Duchamp escreveu a Richter desabafasse: “Quando descobri os ready-mades pensei que ia desencorajar os estetas… Atirei-lhes o porta-garrafas e o urinol à cara como um desafio e eles agora admiram-nos pela sua beleza estética”.
Picabia, grande humorista, levou mais longe ainda o seu desafio com as suas mistificações absurdas. Esta atitude é muito característica do Dadaísmo e revela o seu espírito de protesto e de provocação.
Aliás, este movimento surge precisamente como uma reação às conseqüências nefastas da 1ª Grande Guerra Mundial. Perante o horror da guerra, viram-se forçados a reconhecer a fragilidade da civilização e dos seus valores. Por isso, os dadaístas entendiam como necessário fazer uma limpeza na arte, fazendo-a reviver, ou seja, começar tudo a partir do zero, defendendo assim a espontaneidade e a anarquia. Utilizavam qualquer tipo de material que encontrassem à mão.
Atualmente os seus quadros são admirados nos museus e reproduzidos em livros e revistas de arte. Entre os seus principais adeptos, contam-se Tristian Tzara, de origem romena, Hugo Ball, alemão, Jean Arp, alsaciano, Max Ernst, alemão, e Man Ray, norte-americano.
No seu início, os dadaístas chamaram a atenção de Picasso e de outros artistas cubistas, mas em breve manifestaram a sua oposição com firmeza.
O movimento acabou por se desintegrar em 1922 e os seus adeptos foram aderindo a outros movimentos. Contudo, verificou-se um certo mérito neste movimento. Através da ironia e do absurdo, acabaram por provocar o desequilíbrio num determinado número de hábitos e idéias pré-concebidas enraizados na sociedade de então, que só dessa forma puderam ser alterados. Alguns dos seus elementos, do grupo dadaísta alemão, George Grosz [1893-1959] e Otto Dix [n.1891] criaram um outro movimento, denominado Nova Objetividade. Os temas tratados tinham um caráter amargo e satírico. Punha-se em causa a vida política e social, o caos e a hipocrisia da vida.
Fonte: www.geocities.com/www.redacional.com.br/www2.fcsh.unl.pt
 https://www.portalsaofrancisco.com.br/arte/dadaismo
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05 de Fevereiro de 1916: Nasce o Dadaísmo

Em 5 de Fevereiro de 1916, foi inaugurado em Zurique o ponto de encontro para artistas "Cabaret Voltaire". Era o início do dadaísmo, uma tendência artística anti burguesa que se baseia no irracional.

"O dadaísmo é o produto da tensão dialética entre os ímpetos redutivo e criativo da actividade artística." Assim o descreve a historiadora de Arte Karin Thomas. Mas é também possível expressar-se de outra forma: "Dada é a vida sem pantufas, é pró e contra a unidade e decididamente contra o futuro", pois "a arte não é séria", proclamava o escritor francês Tristan Tzara.

Tudo começou em 5 de Fevereiro de 1916. Poucos dias antes da Batalha de Verdun, o poeta, anarquista e místico alemão Hugo Ball promoveu a primeira soirée do seu Cabaret Voltaire na parte antiga de Zurique. Ele queria realizar lá o que apelidou de "coisas bonitas".

Ball pediu a artistas plásticos, como Hans Arp, que contribuíssem com objectos de arte, e a poetas, como Tristan Tzara ou Huelsenbeck, que colaborassem com palavras poéticas. Assim, nasceram composições como as três variações sobre um motivo dado, em três línguas. Tratava-se do primeiro poema simultâneo dadaísta com o título: "O almirante tenta alugar uma casa". Humor e nonsense tinham um pano de fundo sério.

A Primeira Guerra Mundial estava às portas. Pintores, poetas, pacifistas, filósofos e músicos de todas as nacionalidades reuniam-se no Cabaret Voltaire, no solo neutro da Suíça. Eles eram contra a sociedade pequeno-burguesa decadente, contra autoridades na política e na Igreja e, de maneira não pouco significativa, contra o aparato da arte estabelecida.


Dada é espatifar aquilo que até então era válido, quer dizer, não mais utilizar a tinta a óleo para pintar, nem empregar a língua do modo como era usada na literatura. A arte deveria ficar ao acaso da natureza.


Por acaso, combinavam-se palavras achadas, letras, sílabas. Como por acidente, produziam-se colagens de cores, materiais, palavras, movimentos e sons. Como que acidentalmente, nasceu o nome Dada, ao folhear um dicionário.


Não havia uma orientação estilística determinada, nem uma escola definida e justamente isso levou ao conflito com os surrealistas. No dia 9 de Abril de 1919, o movimento encontrou o seu apogeu e declínio numa gigantesca exposição de arte total, com poemas simultâneos e danças de máscaras ao som de música.

Em Nova Iorque, Marcel Duchamp declarou objectos utilitários como peças de arte. Em Berlim, Huelsenbeck fundou o Club Dada, de orientação socio critica.
Fontes: DW
wikipedia(imagens)


File:Hugo Ball Cabaret Voltaire.jpg
Actuação de Hugo Ball no Cabaret Voltaire
Número único do Jornal do Cabaret Voltaire

 https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2019/02/05-de-fevereiro-de-1916-nasce-o-dadaismo.html?fbclid=IwAR0cYuRQoFAhcuHLerRbRfa05omPUQq3-VyW-aJ9IuyzP650BIap7fl0xBs
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26 de Julho de 1893: Nasce o pintor alemão George Grosz, fundador do movimento Dada, em Berlim.

George Grosz, pintor alemão,  nasceu em Berlim a  26 de Julho de 1893 e faleceu nessa mesma cidade a  6 de Julho de 1959.

Destacou-se, inicialmente, na qualidade de uma das figuras mais proeminentes do movimento Dada em Berlim. Foi um dos principais membros do grupo expressionista da Nova Objectividade, juntamente com Max Beckmann e Otto Dix, empenhando-se em analisar criticamente a situação política e social da Alemanha, durante a República de Weimar (1919-1933).

Entre 1909 e 1912 estudou na Academia de Dresden e entre 1912 e 1917 na Academia de Artes e Ofícios de Berlim (Kunstgewerbeschule), na qual foi aluno de Emil Orlík.

Em 1913 mudou-se para Paris, cidade na qual  entrou em contacto com as vanguardas, destacando-se o cubismo e o futurismo. Nessa cidade pôde também admirar de perto a obra de Goya, Toulouse Lautrec e Honoré Daumier. Durante o tempo que esteve em Paris desenvolveu uma  importante evolução do seu estilo pictórico, com uma progressiva simplificação das formas, na qual se notava uma grande influência do cubismo e do futurismo, mas também do expressionismo.

Em 1914, com o início da Primeira Guerra Mundial, Grosz  alistou-se na infantaria  do Exército Alemão. Em 1916 abandona o exército por motivos se saúde.

Em 1919 filiou-se no Partido Comunista de Alemanha (KPD). É detido pela sua participação na Liga Espartaquista liderada por  Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht. A partir desse momento, seria processado em diversas ocasiões.

Em 1932 quando na Alemanha o  nazismo está no seu auge, a obra de Grosz passa a ser interpretada como um modelo de arte degenerada, e Grosz recebe o título de "bolchevique cultural número um". Em 1933, com a chegada ao poder de Adolf Hitler, Grosz decide emigrar para os Estados Unidos. Trabalha como professor em Nova Iorque e em 1938 obtém a nacionalidade norte americana.
Fontes: Wikipédia (Imagens)
             Biografias y Vidas

Arquivo: GeorgeGrosz.jpg
George Grosz em 1921





Eclipse of the SunGeorge Grosz
The Lovesick Man -  George Grosz
 
https://www.youtube.com/watch?time_continue=4&v=MLj_DS22hoo
https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2019/07/26-de-julho-de-1893-nasce-o-pintor.html?spref=fb&fbclid=IwAR3bz9a4zVgnXgh0GJgbehPcyePTJ2ownaqUtyzuERihrMXby-urCgwW7YY

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03/02/2019

7.243.(3feVER2019.9.9') Garcia de Resende

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nasceu por volta de 1470...
e morre a 3feVER1536..Évora
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Não Receeis Fazer Bem


Senhoras não hajais medo
não receeis fazer bem
tende o coração mui quedo
e vossas mercês verão cedo
quão grandes bens do bem vem.
Não torvem vosso sentido
as cousas qu'haveis ouvido
porqu'é lei de deos d'amor
bem, vertude nem primor
nunca jamais ser perdido.

Por verdes o galardão
que do amor recebeu
porque por ele morreu
nestas trovas saberão
o que ganhou ou perdeu.
Não perdeu senão a vida
que pudera ser perdida
sem na ninguém conhecer
e ganhou por bem querer
ser sua morte tão sentida.

Ganhou mais que sendo dantes
nom mais que fermosa dama
serem seus filhos ifantes
seus amores abastantes
de deixarem tanta fama.
Outra mor honra direi:
como o príncepe foi rei
sem tardar mas mui asinha
a fez alçar por rainha
sendo morta o fez por lei.

Os principais reis d'Espanha
de Portugal e Castela
e emperador d'Alemanha
olhai que honra tamanha
que todos decendem dela.
Rei de Nápoles também
duque de Bregonha a quem
todo França medo havia
e em campo el rei vencia
todos estes dela vem.

Por verdes como vingou
a morte que lh'ordenaram
como foi rei trabalhou
e fez tanto que tomou
aqueles que a mataram.
A um fez espedaçar
e ò outro fez tirar
por detrás o coração
pois amor dá galardão
não deixe ninguém d'amar.

Cabo
Em todos seus testamentos
a decrarou por molher
e por s'isto melhor crer
fez dous ricos moimentos
em qu'ambos vereis jazer:
rei, rainha coroados
mui juntos não apartados
no cruzeiro d' Alcobaça
quem puder fazer bem faça
pois por bem se dão tais grados.
(Excerto)
Garcia de Resende, in 'Cancioneiro Geral de Garcia de Resende'

 *

Novas da Corte

As damas nunca parecem
os galantes poucos são
cousas de prazer esquecem
os negócios vêm e vão
nunca minguam, sempre crescem.
Não há já nenhum folgar
nem manhas exercitar
é tanto o requerimento
que ninguém não traz o tento
senão em querer medrar.

Mil pessoas achareis
menos das que cá leixastes
doutras vos espantareis
porque vê-las não cuidastes
da maneira que vereis.
Uns acabam outros vem
e uns tem outros não tem
e os mais polo geral
folgam muito d'ouvir mal
e pouco de dizer bem.

Se cá sois bem ensinado
cada feira valeis menos
e se mal sois estranhado
dous dias e logo vemos
ficardes mais estimado.
E vai isto de maneira
que na capela cadeira
d'espaldas tem escudeiros
e consentem-lh'os porteiros
estarem na dianteira.

Anda tudo tão danado
que o que menos merece
se mostra mais agravado
e d'homens que não conhece
é el rei emportunado.
E estes que Deos padeça
hão de cobrir a cabeça
perant'ele no serão
e só por isso lá vão
sem haver quem os conheça.

Bons e maus todos já trazem
os rabos alevantados
em lobas frisadas jazem
capuzes apestanados
pola ponta do pé trazem
contas e lenços lavrados
e da sala namorados
e nunca dizem de quem
e pousando em Santarém
são assi afidalgados.

Quem for muito comedido
e quem for josteficado
não será muito valido
quem for desavergonhado
será com todos cabido.
Não há homens de primor
nem quem sirva por amor
senão por ter e mandar
nem há quem queira lembrar
o proveito do senhor.

Quem tem renda quer poupar
e quem gasta bem o seu
não no podem comportar
hão-no logo por sandeu
e qu'é siso entesourar.
Os velhos são namorados
os mancebos acupados
os casados são solteiros
os fracos são mui guerreiros
e os clérigos casados.

Há cá poucas amizades
e grandes competimentos
custumam pouco verdades
servem-se muito de ventos
e cousas de vaidades.
Não lembra a ninguém rezão
senão só encher a mão
e passe por u puder
nem creais que bem fazer
faz ninguém se el rei não.

E se quer ir ter verão
algum cabo ou invernar
e d'alguns toma a tenção
cada um o quer levar
para onde tem seu pão.
Pois nisto não tem respeito
senão só a seu proveito
vede bem qu'aconselhar
farão num bom pelejar
ou em outro grande feito.

Cabo

Porque sei qu'esperareis
que vos dê novas de mim
vos dou estas qu'ouvireis
qu'estou são em Almeirim
da sorte qu'aqui vereis.
Nunca mais saí daqui
üa hora nem parti
de servir e d'aguardar
e acerca do medrar
tal m'estou qual me naci.

(Excerto)
De Garcia de Resende, estando el rei em Almeirim, a Manuel de Goios, que estava por capitão na Mina e lhe mandou pedir que lhe escrevesse novas da corte, as quais lhe manda.

Garcia de Resende, in 'Cancioneiro Geral de Garcia de Resende'
http://www.citador.pt/poemas/nao-receeis-fazer-bem-garcia-de-resende
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 Garcia de Resende
 Vida e Obra
Garcia de Resende (1470-1536) nasceu em Évora. Cedo se revelou dotado para letras, tendo sido autor de composições em verso e em prosa e o compilador do Cancioneiro Geral.
Como era apanágio do seu tempo, desenvolveu diversas facetas, entre as quais o desenho, a poesia e a música e foi um animador apreciado dos serões palacianos.
O seu nome ficou para sempre associado à compilação do Cancioneiro Geral, que constitui uma matriz da memória de mais de 200 poetas.



Leitura Escultórica

Escultura
Peça assumidamente figurativa, na tradição da estatuária, mas com uma linguagem formal de marcada contemporaneidade.
Construída por dois elementos procura-se uma composição identificadora d a personalidade do poeta, equilibrada com o espaço em que se integra, procurando a fusão da área limitada da “folha” com a zona que a envolve.
O elemento principal é a figura de Garcia Resende com um tratamento de grande síntese mas suficientemente definidor do que se conhece da personagem e da indumentária da época.
O segundo elemento, a “escrivaninha” é a mesa de trabalho onde simbolicamente se cruzam todos os seus “talentos”.
O conjunto será instalado perto do extremo de uma plataforma que, nascendo no espaço “folha” que lhe é destinado, se dirige para a zona verde envolvente e nela mergulha.
Esta plataforma contém uma “passadeira” de relva todo os seu comprimento a qual simboliza o percurso de uma vida vivida na corte.
A escultura é executada em granito rosa e na plataforma terá a todo o seu comprimento uma caixa que permitirá a sementeira de relva.

Leitura Poética
Um homem da Renascença com um percurso que atravessa três reinados, mantendo-se sempre ao serviço e na proximidade dos reis. Alegre, de trato cordial, certamente competente consegue, com estas qualidades, permanecer longo tempo em funções importantes na Corte. Percebe-se pelas referências encontradas, ser de figura volumosa. Gil Vicente refere a sua rotundidade e a “cara de tamboril”.

Escultor
António Vidigal

Consulte a sua obra no catálogo das Bibliotecas Municipais de Oeiras. Clique aqui.
 http://parquedospoetas.cm-oeiras.pt/?page_id=1284
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03 de Fevereiro de 1536: Morre, em Évora, o poeta e cronista português Garcia de Resende, compilador do Cancioneiro Geral

Escritor português, nasceu em Évora por volta de 1470, de uma família nobre, a que pertencem dois humanistas ilustres: André de Resende e André Falcão de Resende. Contemporâneo de Gil Vicente e de Sá de Miranda, Garcia de Resende desenvolveu na corte o seu talento de escritor e de artista, como poeta, músico, desenhador e cronista, granjeando ainda em vida uma aura de homem culto e ilustre. Morreu em 1536, sendo sepultado na capela de Nossa Senhora que mandara edificar. Personalidade complexa, homem de gosto e cultura, Garcia de Resende impôs-se sobretudo como escritor e compilador.


Ainda jovem, é acolhido no paço sob a proteção de um tio materno, desembargador, e nomeado moço de câmara e de escrivaninha por D. João II, merecendo a amizade do monarca. Sob o reinado de D. Manuel, recebe novos privilégios: integra, em 1498, o séquito que acompanha o monarca na viagem à corte dos Reis Católicos; participa, em 1514, na embaixada ao Papa Leão X; é nomeado Cavaleiro da Ordem de Cristo, em 1515; e, no ano seguinte, escrivão da Fazenda do príncipe D. João. 

A partir de 1530, fixou residência em Évora para ultimar os seus escritos, leal ao princípio enunciado no prólogo ao Cancioneiro Geral de não continuar a incúria com que os portugueses registam as coisas "dinas de grande memoria", votando-as, assim, ao esquecimento. Nascido do propósito de perpetuar a poesia cultivada nos serões palacianos, as "cousas de folgar e gentylezas", oCancioneiro Geral, coligido por Garcia de Resende, publicado em Lisboa, em 1516, entroncando na tradição peninsular dos cancioneiros coletivos, oferece um repositório poético muito vasto e literariamente diversificado.


A colaboração de Garcia de Resende no Cancioneiro Geral é quantitativa e qualitativamente das mais salientes. Um dos "ajudantes" mais requisitados em composições coletivas, participa no concurso lançado por Fernão da Silveira ao melhor louvor de Dona Filipa de Vilhena, no refrão lançado pelo conde de Vimioso a "ûa Senhora", no de D. Diogo de Meneses, a Dona Filipa de Abreu, no de D. Diogo a Dona Beatriz de Vilhena, no de Aires Teles a Joana de Mendonça, no de João da Silveira a Dona Margarida Freire, entre muitos outros, não só de teor amoroso e jocoso/amoroso, mas também de maldizer, empenhando-se ainda no fabrico de entretenimentos de corte onde o artifício poético tem uma função exclusivamente lúdica, como é o caso das quarenta e oito trovas compostas por ordem do rei para um jogo de cartas, vinte e quatro femininas e vinte e quatro masculinas, doze de louvor e doze de deslouvor, para serem sorteadas, num serão, pelos cortesãos. Mas é sobretudo nas composições individuais que o talento de Garcia de Resende se destaca. Recriando o molde dos Infernos dos Namorados, as "Trovas que Garcia de Resende / Fez à Morte de Dona Ines de Cas-/tro", uma longa prosopopeia onde Dona Inês narra a história do seu amor e as circunstâncias da sua morte, endereçada por Resende às damas como exemplo máximo de "gualardam de amor", legarão à tradição literária uma imagem do par amoroso como símbolo sublime do amor trágico. Ainda de temática amorosa, as composições mais breves, cantigas, vilancetes, glosas, desenvolvendo frequentemente motes alheios, revelam a capacidade de exprimir num apuramento formal lapidar os paradoxos da vassalagem amorosa.


corpus poético de Resende no Cancioneiro inclui ainda composições de temática social que revelam uma postura crítica relativamente às transformações históricas e políticas que revolucionaram a sociedade, os seus costumes e a sua moral, na viragem do século XV para o século XVI. Na ajuda às trovas de Luis da Silveira a Dom Nuno Manuel, opondo um tempo passado a um tempo presente, onde o conceito de honra já não faz sentido, subscreve uma acusação direta à dissimulação e hipocrisia usadas por certos amigos para sobreviver na corte: "Esperança de proveito / faz fingir mil amizades, / mui cheas de seu respeito, / mui vazias de verdades. / (...) Todos tiram aa barreira / d'haver fazenda e dinheiro, / ser honrado e cavaleiro / nam há ninguem que o queira...". 

A mesma denúncia dos desmandos da sociedade é, de forma irónica, mais amplamente desenvolvida na carta enviada a Manuel de Góis sobre novas da corte. Aí, as notícias sobre as damas, sobre as atividades do rei e dos galantes, sobre os últimos feitos da tentativa de conquista no Norte de África deixam subtilmente passar uma sátira aos desmandos da vida cortesã - a ambição, os descontentamentos, a futilidade e, sobretudo, o desconhecimento de princípios como a lealdade, a retidão, a sinceridade: 

"Nam há homem de primor / nem quem sirva por amor / senam por ter e mandar, / nem há quem queira lembrar / o proveito do senhor. / (...) Há cá poucas amizades / e grandes competimentos, / custumam pouco verdades, / servem-se muito de / ventos e cousas de vaidades / (...) nem creais que bem fazer / faz ninguem, / se El-Rei nam." 

As glosas de crítica à vida de corte acabam por dar corpo à afirmação individual de um eu oposto aos outros, colocado na charneira da mudança dos tempos, mas fiel a um Portugal já passado, pois, indiferente a todas as novas que relata, Resende permanece o mesmo: "Nunca mais sahi daqui / ûa hora nem parti / de servir e d' aguardar / e acerca de medrar / tal m' estou qual me naci."

Prepara-se, assim, o terreno para a composição de uma obra de espiritualidade que conheceu ainda em vida do autor três edições sucessivas, o Breve memorial dos pecados e cousas que pertençem há confissam hordenado por Garcia de Resende fidalguo da casa del Rei nosso senhor. Trata-se de um guia penitencial redigido provavelmente em coautoria com D. Jorge de Almeida, bispo de Coimbra, e que apresenta várias particularidades de especial importância para a história do sentimento religioso em Portugal no início do século XVI. Destinado a leigos, este primeiro "memorial dos pecados" em língua vulgar assume, no questionário, a enunciação do próprio penitente que, ao realizar o seu exame de consciência, percorre com minúcia todas as circunstâncias pelas quais poderia ter incorrido em pecado, oferecendo-nos, em simultâneo, um testemunho do estado da disciplina penitencial em Portugal, no momento da Reforma protestante, e um eco dos problemas e inquietações da mentalidade quinhentista. 


Com efeito, o editor do Lyvro das Obras de Garcia de Resende, impresso postumamente, em 1545, apresenta-nos um autor polígrafo, coligindo nesse volume a Chronica / que trata da vida, e grandissimas / virtudes, e bondades, magnanimo esforço, excellentes / costumes, e manhas, e claros feytos do Christianissimo / Dom Joam o Segundo deste nome, e dos Reys de Portu- / gal o decimo tercio de gloriosa memorea, os pequenos relatos históricos da Entrada Del Rey Dom Manoel em Castella e a Hida da Infanta Dona Beatriz Pera Saboya, e textos de teor religioso, a Paixão Segundo os Quatro Evãgelistas e Sermãosobre os três Reis Magos. A reedição do Lyvro em 1554, conservando os registos históricos e suprimindo os textos espirituais, oferece-nos ainda o longo poema Miscellanea de Garcia de Resende, e variedade de historias, costumes, casos, e cousas / que em seu tempo aconteceram.

Redigida em Évora entre 1530 e 1533, apropriando de forma original a fonte manuscrita de Rui de Pina, e movida pelo desejo de retribuir com esta vida e narração de virtudes, os "bons ensinos" e apreço com que o monarca paternalmente o distinguira (cf. cap. CCI), a Crónica de D. João II esboça um retrato psicológico do monarca, resultado de notas e lembranças cumuladas ao longo de uma convivência íntima. Precedida de uma pequena súmula sobre as "Virtudes/, Feições, Costumes, e Manhas..." do monarca e cruzando o registo biográfico, com os registos histórico, novelístico, encomiástico e elegíaco, a leitura da Crónica de D. João II nutre-se de um interesse histórico, mas também literário, dando provas, em capítulos como o da morte do Príncipe Afonso, do seu talento como prosador.


Composta nos mesmos anos, a Miscelânea dá conta, numa longa retrospetiva em verso, anaforicamente sugerida pelo vocábulo "Vimos...", dos grandes acontecimentos da história europeia e portuguesa ocorridos entre meados do século XV e primeiros decénios do século XVI. Designada por Veríssimo Serrão (1973), como o "testamento" do autor, a Miscelânea testemunha uma consciência profunda das mudanças que acompanharam o nascimento da época moderna: as viagens de descoberta, a constituição de impérios, a emergência do capitalismo, o desmoronar do sistema feudal, o desenvolvimento da cultura palaciana, a ascensão de novas classes dominantes e novos valores, o aparecimento da imprensa, etc. Confluindo de certo modo na temática do desconcerto do mundo, resolvida na crença de que só a fé em Deus dá sentido à sucessão de "novidades", a Miscelânea nasce, acima de tudo, do desejo humanista, já enunciado no prólogo ao Cancioneiro, de registar em vulgar todos os feitos que, mau grado a sua "mundana gloria", não devem ser esquecidos, abrindo inconscientemente caminho para uma glorificação da epopeia portuguesa, ainda por fazer: 

"Se fallara dos passados / dinos de grandes memorias / capitães tam esmerados, / de fectos tam signalados / fezera grandes historias; / has quais deixo de fazer; / pois ninguem non quer dizer / louvor
Fontes: Infopédia
wikipedia (imagens)



Primeira edição do Cancioneiro Geral (1516)
https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2019/02/03-de-fevereiro-de-1536-morre-em-evora.html?fbclid=IwAR1z71PwVQ0qPj4Z9C7rEcmKeXx3XXys7dcY4dXWlPbHYTNiwnga7_b_SBc
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01/02/2019

4.273.(1feVER.9.9') Japão

Japão tem um Partido Comunista que actualmente está em 2.º lugar nas votações
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2019
Ir visitar esta exposição até 27mar
Palácio Nacional da Ajuda
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Vasco Rosa escreveu:
 
 A exposição "Uma História de Assombro" é um marco importante no trabalho feito sobre o património que ilustra as relações luso-nipónicas. Para ver até 27 de março.
Etimologicamente, assombro não é sinónimo de descobrimento mas a palavra que as curadoras Alexandra Curvelo e Ana Fernandes Pinto escolheram para título desta exposição no Palácio Nacional da Ajuda — “Uma História de Assombro”, na Galeria de Pintura do Rei D. Luís até 27 de Março — sobre as relações luso-nipónicas de c. 1543 a 1952 é, sem dúvida, ela própria, um perfeito achado, pois concentra todas as diferentes e contraditórias expressões que vimos estampadas nos rostos dos nossos viajantes a bordo da grande Nau do Trato, nos magníficos biombos nanban.
O pequeno país de intrépidos marinheiros, mercadores e missionários que rodou o globo por mar e alcançou o arquipélago do Japão antes de quaisquer outros europeus não teve como manter, ao longo dos séculos, presença, diálogo e influência económica e política junto daquele país, mas as marcas culturais (religiosas incluídas) que lá deixou perpetuaram-se até hoje e são ali estimadas com típico e inigualável zelo, ainda que a nossa representação diplomática contemporânea — por erro estratégico, mas “é o que há” — não consinta comissões longas e por isso consistentes e empáticas ou esteja a cargo de alguém com a curiosidade e o entendimento cultural, senão o talento literário e o impulso fazedor, de Wenceslau de Moraes (1854-1929) e de Armando Martins Janeira (1914-88), dois portugueses profundamente marcados pelas suas vivências japonesas, como, de outra forma, muito mais discreta, é certo, o foi o cineasta e adido cultural Paulo Rocha (1935-2012). José de Mello Gouveia, embaixador em Tóquio de 1988 a 1993, apoiou uma exposição na Torre do Tombo em 1998, promovida pela Associação de Amizade Portugal-Japão, e José de Freitas Ferraz, nosso embaixador naquele país de 2011 a 2014, foi o primeiríssimo instigador da actual exposição, mas — com o devido respeito —  global e comparativamente tudo isso me parece pouco, diante do muito do que podia e pode ou deve ser feito.
Num pequeníssimo livro, Quinze Dias no Japão (que tive a alegria e a sorte de propor e editar em 2001, resgatando cinco crónicas de 1979 e depois disso nunca impresso), João Bénard da Costa (1935-2009), admirador de Yasujro Ozu, reconhecia a sua perplexidade sobre a ausência de bibliografia portuguesa que o guiasse no país do sol nascente, socorrendo-se por isso de um livro de Roland Barthes dedicado a Tóquio — admitindo que, à época, aquela era a «grande viagem» a fazer. E provavelmente ainda é.
Como entender que a mais surpreendente peça desta exposição — o conjunto de sela, arreios e armadura de Samurai, oferecido ao jovem rei D. Luís em 1862 — tenha saído das reservas do Palácio Nacional da Ajuda para cuidados de conservação e restauro pelo Laboratório José de Figueiredo e seja agora exibida pela primeiríssima vez, e provavelmente apenas por alguns meses
 Alguns anos depois disso, o panorama mudou com as comemorações dos Descobrimentos Portugueses, que empurraram uma nova atenção historiográfica à arte nanban e à literatura jesuítica, com edição e comentário de fontes de época. A Fundação Oriente e o Instituto Português do Oriente (ainda que mais focados na China) também fizeram coisas de relevo, como a há muito esgotada, e sem reimpressão Fotobiografia de Wenceslau de Moraes e o álbum dos seus postais ilustrados (Daniel Pires, 1993 e 2004), a cuidada edição por Rui Manuel Loureiro do Tratado das Contradições e Diferenças de Costumes entre a Europa e o Japão de Luís Fróis em 2001 e o prolongado laboratório científico, internacional e multidisciplinar, de que em 2010 resultou a poderosa edição crítica em quatro volumes da Peregrinaçam de Fernão Mendes Pinto (pesem embora a reduzida tiragem desta (apenas 300 exemplares!) — e, por isso, o seu preço exorbitante, nada menos do que 150 € — e o facto de dela ainda não ter sido destilada uma edição de tipo popular, sua consequência óbvia e desejável).
https://observador.pt/especiais/no-palacio-da-ajuda-o-japao-e-enfim-revisitado/?fbclid=IwAR0qKfZ1IMR5GHhVhKeHfxSQxzscOtzmC9BufJ9qxNreQiPUHZoOc_KfhvM
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Vasco Rosa escreveu:

https://observador.pt/2016/01/29/japao-dos-biombos/
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Japão sofredor de 2 bombas nucleares:
 https://uniralcobaca.blogspot.com/2010/08/3149-o-pcp-nao-esqueceu-hiroshima-e.html
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