***
2019
III-LXXXVI-AVÔ
Sou bem realista!
Sou pragmático!!
Sou paciente!!!
DesCUBRO raRIdades!!!! HÁ 1 VERDE impressionante único no sítio geológico na fronteira d' Alcobaça com a Mgrande https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10217153783628143&set=pcb.10217153785468189&type=3&theater há 1 abRRaçar d' esperança, do atlântico no sítio geológico https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10217153783548141&set=pcb.10217153785468189&type=3&theater bELO anfiTEATRO para uma futura tARDE DE verÃO https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10217153784788172&set=pcb.10217153785468189&type=3&theater
SÍtios
no sítio https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10217153784548166&set=pcb.10217153785468189&type=3&theater
CADA PEDRA
aRRUMAda
após
milhões de marÉS https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10217153784868174&set=pcb.10217153785468189&type=3&theater
2 JÓIAS
plENAs
de porMAIORES https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10217157155752444&set=pcb.10217153785468189&type=3&theater https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10217157155552439&set=pcb.10217153785468189&type=3&theater
***
2017
UM+86avÔ
oceano misteRIOso
bravíssimo
de calmaria
salpicado
de bRIsas suAVEs
com marÉS
esTUpendaaaaaas
envolventes
abRRaçantes
terNUrentas
exploSIvas
e doces
plenas d' êxtASES
d' agHoras
infinitos
d' abRRaços
esFERAS
***
2016
86.avÔ
MEU QUERIDO NETO
vier poÉTICAmente
faz mbem à saúde
*
HÁ QUEM DIGA que só os homens é que não entendem o que é amor.
Discordo: não é questão de género...há Homens e há Mulheres que nunca entenderam o que é aMAR
*
boas motivAÇÕES
agIR é resolVER
agINDO: resolVENDO
*
soRRir faz mbem à saúde
*
aprende-se muito + com os eRRos
*
o tempo diz-nos tudo:
esclarece
rELEVA
clariFICA
* urge trocar d' estória e vivê-la no agHora
* conseguIR ouVIR o que não se escuta é 1 dom
* aquel'abRReijinho no ÂMAgo é essencial
* DORmir tem dor e IR... aCORdar tem COR e DAR
*
BDiaaaaaaaaaaaaa
com desejar...impelir...nasCER...rodear
só agINDO nós resolVEMOS
tem SOL no miolo (o resolvemos)
sem medo
agIR em ilberdade
com td a genica
11.44.11"
*
Ir ao detalhe
ao porMAIOR
partir para bELOS sonhos
ir acompanhado pelos(as) cAMARadas
e agir/construir/corAGIR em liberdade
*
ser feliz é mui compósito
a felicidade
o ser e sentir-me feliz
exige múltiplas satisfAÇÕES
mas continuo a pensar que o essencial
está no triangular:
do amar/amizades
do trabalhar com direitos/ a importância de um bom salário
e do saber + e +
* aMAR a si, para poder aMAR os próximos e viver o extraordináRIO aMAR do explodir a 2.
*
reCORdei
aquELAS tARDES
NUS
COM A JANELA A POENTE
a inundar de sol
os nossos corpos nus
apalpados com vitamina D
recorDEI
os rios
dos nossos delíquios
(coisa rara para tantos e que para nós é: sempre)
que a estrELA
sem nuvens a filtrar
fez aqueCER
para prazeres top
venceste +1x tu
com 5 delíRIOS (o último duplo)
e eu
esgotei-me n1 bravo
demorado delíquio
ao fim duma hora imensa
de volúpias,
de ondas de pele
empolgante,
da BB com novos
e esTUpendos abRRacinhos
** 86. abRR AÇÃO e + VERBALIZAR para o "Miolo das Palavras" - rog é RIO manuel madeira raimundo
No final de 2011
rELEVEI
o conjugar de 10 verbos
(gosto mesmo de verbalizar)
HARMONIZAR +9 verbos:
AMAR.TRABALHAR.SABER...
SONHAR.ENVOLVER.CONSTRUIR...
RECOMEÇAR.CONTINUAR.ACABAR...
Avancei, ainda, com o 11º verbo:
PUPILAR
(faz muito bem à saúde!)...
Comecei o ano de 2012
renovando a importância do ABRRAÇAR
com abRR ação
e a agirr com o cor AÇÃO.
Depois reVI: AGIrr no PARTilhaRR
No 1º dia do ano,
havia que assinalar o DM da Paz...
daí o 15º: PACIFICAR!
Não posso esquecer um dos mais importantes
a qualidade das qualidades:
o 16º: VIVER com verdade: viVERdade!
O 17º é, com certeza, do Top 3:
SER íntegro e SEReno
O 18º tb está nesse Top3:
SENTIR a 5 e duplicadamente a 10 sentidos...(VER.OUVIR.SABOREAR.CHEIRAR.APALPAR. sentir a 5, CRIAR, INTUIR,amar, saber amar)
e cheguei aos 25!!!
O 26º é fundamental em qualquer relação: CONFIAR
o 27º (CONVÉM) TER, mas pouco,
mas que é imenso: os 3 C's:
ter competência - que verbo?...COMPETENCIAR (28º)
ter coragem - BRAVAR (29º)
ter caráter... o ter no fim: caráTER (30º)
É essencial CONJUGAR(31º) verbos com garra
urge VERBALIZAR (32º) substantivamente!
Terminei, há dias, asSIM com o AGE
no miolo de paisagem:
urge contiNUar a construir paisAGEns
a sentir, bravamente, com 10 sentidos.
Espero que fiquem a SOrrIR: o 33º!!!
Neste início de aNOvo continuo com as mesmas febres:
O Miolo das Palavras, as capicuas, viver no miNUto e...
(17.17' domingão 8jan2012)
***
2017
16h
comemorações de D.PedroI
Sala das convulsões
Mosteiro de Alcobaça
* https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1868321020050935&set=pcb.1868321276717576&type=3&theater
*
21.30
Quiterense
volta a repetir O TEU MARIDO É
***
2016...memórias deste dia:
16h https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1376653819028251&set=a.250799668280344.85528.100000509370330&type=3&theater
**
17, 18, 21 e 22h
encontro de orquestras (Vestiaria, Alpedriz, Bárrio e Cela) no Jardim do Amor
https://www.facebook.com/municipioalcobaca/photos/a.180120852070484.45234.136327826449787/1047494101999817/?type=3&theater
**
18h inauguração da exposição dos Amigos das Letras https://www.facebook.com/amigosdasletrasalcobaca/photos/a.1186824991368073.1073741889.646937888690122/1199627300087842/?type=3&theater
* https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1379580792068295&set=a.463117387047978.125315.100000491626192&type=3&theater
https://www.facebook.com/646937888690122/photos/gm.902755469850094/1197573666959872/?type=3&theater
**
18h
estádio da Mgrande
final da taça de Leiria...Alcobaça/Benedita http://www.beneditafm.pt/?p=28193
*
voleibol
hj, 11 e 12 junho
Martingança e Pataias
https://www.facebook.com/135993166592319/photos/gm.1075171459222109/522309864627312/?type=3&theater
*
Amigos das Letras
BV de Alcobaça
exposição fotografia.poesia
hj, amanhã e 12jun das 18h às 23h
https://www.facebook.com/646937888690122/photos/gm.900429943415980/1195200230530549/?type=3&theater
*
.Acipreste...d' ALCOBAÇA que vos abRRaça...passeio a cavalo, de charrette...tenho que experimentar...
***
2015...memórias deste dia:
termina o BOOKS.MOVIES * 10jun2015 A VIAGEM DO ELEFANTE http://uniralcobaca.blogspot.pt/2015/03/977424mar2015855-agendem-10jun2015.html
*
Vale Furado Vale Furado...praia de Pataias-MARtingança...d'AL
COBAÇA que vos abRRaça... 1 entardeCER extraordináRIO...
https://www.facebook.com/rogerio.raimundo/posts/10206003957449457?theater
***
2014...memórias deste dia:
***
2013...memórias deste dia:
paREDES DA VITÓRIA by no
dia de Portugal...uma das nossas belas praias estava asSIM...Paredes da
Vitória...Pataias...d'Alcobaça que vos abRRaça...QUANDO VIER O SOL: QUE
BELA PISCINA PARA AS CRIANÇAS a norte...ao pé do leão...
https://www.facebook.com/rogerio.raimundo/posts/10200867305556370?theater
***
2014
1 VIVA PORTUGAL da S.Bernardo PP&A
Dia de Portugal, das Comunidades Portuguesas https://www.facebook.com/sbernardo.ppa/photos/a.495904430508757.1073741828.492970514135482/589508721148327/?type=1&theater
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2013...memórias deste dia:
ontem.Vale Furado...Pataias...d' Alcobaça que vos abRRaça...hj
agoHora...Vale a pena...Tanto porMAIOR...rePARAR...mar
artista...incessante...constante...devagar...n1 belo ritmo...pintou de
verde...de branco...de invisível...esculpiu arabescos nele
próprio...inventou reCANTOS...recortou a rocha...criou infinitos
labirintos...avançou suAVEmente...recuou para reflectir...avançou
perdidamente...12.12' https://www.facebook.com/photo.php?fbid=657313050949977&set=gm.521078457941643&type=3&theater
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2004
morre o grande cAMARada Lino Carvalho
1 vivaaaaaaaaaa à sua luta http://uniralcobaca.blogspot.pt/…/986822mai201588-28maio201…
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2004
morre Ray Charles
1 vivaaaaaaaaaaa à sua obra
um grande filme sobre RCharles https://www.youtube.com/watch?v=w28U-Js6g1Q
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1984
Rádio Cister http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/06/823110junho2014653-radio-cisterrui.html
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1982
morre Rainer Werner Fassbinder- escritor e cineasta alemão (nasceu em 1945) https://www.youtube.com/watch?v=gBlm8ys1Pj4
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1982...morre Gala mulher e inspiradora de Salvador Dali... https://uniralcobaca.blogspot.com/2019/01/459023jan20191001-salvador-dali.html https://www.youtube.com/watch?v=Spe6OJ_6Dmg
***
1966?
Rui Custódio - Homem da Rádio Cister http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/06/823110junho2014653-radio-cisterrui.html
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1931
João Gilberto
o d' aquele abRRaço https://www.youtube.com/watch?v=62lXNYZ57Uw&list=RD62lXNYZ57Uw#t=0
***
1926...morre o extraordinário António Gaudi...1 vivaaaaaaaaaaa à sua obra
- arquitecto de Barcelona - nasceu em 1852...“Não se deve fazer monumentos aos artistas porque eles já o fizeram com suas obras...”
"Nada é inventado, já que está escrito primeiro na natureza. A originalidade consiste em contar à origem." https://uniralcobaca.blogspot.com/2018/06/472125jun20181544-antoni-gaudi.html https://www.youtube.com/watch?v=UwC6RsEtX7U
***
1819...Gustave Courbet...Mestre do Realismo..."Ser capaz de reflectir os costumes, as ideias, o aspecto da minha
época; ser não só um pintor, mas também um homem; numa palavra: fazer
arte viva. Esse é o meu objectivo." " O belo, como a verdade, está ligado ao tempo em que se vive e ao indivíduo que está pronto para compreendê-lo." "Nunca vi anjos. Se me mostrarem um, eu pinto." "Um
artista só é capaz de reproduzir o que puder ver e tocar, e deve tentar
fazê-lo tão simples e objectivamente quanto possível." "Só espero realizar um milagre: viver toda minha vida para minha arte,
sem me afastar de meus princípios, sem ter por um só instante mentido à
minha consciência, e sem ter nunca executado um palmo de pintura para
agradar a alguém ou para vender." https://uniralcobaca.blogspot.com/2019/06/391010jun201988-gustave-courbet.html
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1580
1 vivaaaaaaaaaaa a Vaz de Camões
Dia de cAMÕes (morreu neste dia em 1580)
Dia de Portugal, das Comunidades Portuguesas
"Amor é fogo que arde sem se ver Amor é um fogo qu'arde sem se ver, É ferida que dói, e não se sente, É um contentamento descontente, É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer, É um andar solitário entre a gente, É nunca contentar-se de contente, É um cuidar que ganha em se perder. É querer estar preso por vontade, É servir a quem vence o vencedor É ter com quem nos mata lealdade. Mas como causar pode seu favor Nos corações humanos amizade, Se tão contrário a si é o mesmo Amor?"
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2013/06/668113junh0201388-dia-de-portugal-dia.html
***
hj é dia de porTUgal...portugALCOBAÇA tem de saber valorizar a sua
importância, como centro do mundo de cister e como essencial na fundAÇÃO
de Portugal...+1 10junho em que nada de nada FOI (é) proMOVIDO pelo município...
hj é dia das comUNIdades...alcobaça tem de abRRaçarr a diáspora...somos
+22% de alcobacenses...envolver + e + os nossos emigrantes...criar rede...proMOVER
congresso da emigrAÇÃO...estabelecer laços...ECOA: embaixadores d'
ALCOBAÇA...atrair para criar empresas...
Alcobaça tem de ser, em breve, palco das comemorações do dia de PortugALCOBAÇA. A nossa história e o nosso património é indiscutível...
O município tem de melhorar a sua prática em relação à sua presença e relevância nas questões nacionais. A Câmara DEVIA valorizar os poetas alcobacenses e
também deveria UNIR a nossa comunidade alcobacense que vive pelo mundo fora...
A CDU tem proposto/sugerido e o PSD tem colocado no caixote de lixo...Até quando? https://uniralcobaca.blogspot.com/2014/12/920510dez20141344-mosteiro-de-alcobaca.html https://uniralcobaca.blogspot.com/2012/05/569211maio201288-alcobaca-que-t.html https://uniralcobaca.blogspot.com/2014/07/843515jul20141738-14-17.html https://uniralcobaca.blogspot.com/2014/05/808421maio20141020-arqcarlos-gil.html
***
Começar bem o dia com Joaquim Pessoa: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=689713307730502&set=gm.750474854994627&type=1&theater Poema 38
Chega outra alegria como alegria de um cão. Rigorosa metáfora, essa forma de caminhar com o sorriso nas mãos, luz que de leve excita e vagamente perdura. De um lado, de outro lado, de todos os lados, a tempestade multiplica-se, assina todas as gotas de água. Para lá do sol e das palavras em chamas, há um lugar central, lugar onde converge a luz de todos os pólos, a sombra de todos os eixos, a terra de todos os profetas, a palavra de todos os desertos. Essa alegria que as mãos comem e se distingue das outras, é um vivo fragmento do infinito, de um movimento sem fim. A imagem que aos pés se inquieta é o caule da sombra de uma originalidade que renasce, um outro corpo, uma outra máscara. Para onde quer que fosse a luz original, hoje toda a luz é alegre, tem o fascínio da criação, o momento admirável das primeiras sílabas. Perguntarás: “Entre o silêncio e a luz, permanece que continente, Que Índia, Que palavras?” *
Dia 225.
Necessito de mim mais do que de ninguém. Mas mentiria se não
confessasse o quanto preciso de ti. Tu és o meu vinho e a minha
ressaca. A minha árvore e a minha floresta. O meu cavalo. A mi- nha casa, o meu mar, o meu coral. A minha teimosia e a minha lucidez. O meu pássaro de chuva e o meu pássaro de fogo. A mi- nha distância, o meu abismo, a minha fuga. A minha sombra e o meu túnel. O atalho para o outro lado de mim. Tu és a minha estrela e o meu guia. A minha porta, o meu clarão, a minha injúria. O meu grão, o meu vento, o meu moinho. O meu sortilégio. O fim da festa e o meio-dia. És o meu carnaval, o meu brinquedo, o meu dia santo. O meu pecado e a minha penitência. O ouro, a ofensa, o desvario. És o meu hábito e o meu monge. A minha espiga e o meu pão. A minha irmã branca, a minha irmã negra, a minha irmã de novas latitudes. A minha amante e a mi- nha mãe, o meu abraço e as minhas margens. A minha prostituta, o meu combate, o meu sorriso. Tu és o meu cálice. O meu elixir e o meu veneno. O vinho que dá coragem às medusas. Necessito de ti mais do que de ninguém. Mas mentiria se não te confessasse o quanto preciso de mim.
*
in ANO COMUM, 2.ª ed.
Editora Edições Esgotadas, 2013.
***
Nasceu a 6jun1599
e morreu a 6aGOSTO1660...Madrid
***
Fiz várias postagens no face
antes de abrir esta específica
...Diego Velásquez - pintor de pintores https://www.youtube.com/watch?v=ymApjgCVFH4
* https://www.youtube.com/watch?v=kNiuP7sr2BI as meninas
***
Seus últimos anos foram principalmente tomados com retratos
reais e, antes de morrer, ele foi feito cavaleiro de Santiago, uma honra
que sempre quis. Você pode ver o seu retrato do Rei Filipe IV de
Espanha na sala 31: https://bit.ly/30YML6K
A obra “As Meninas”, é uma tela de grandes proporções (318x276cm),
que se encontra, no Museu do Prado em Madrid. Intitulada originalmente comoA Família, a tela foi salva de umincêndioque atingiu oPalácio Real de Madridem1750, passando ao Museu do Prado em1819e recebendo, posteriormente, o título deLas Meninas. Embora "menina" seja uma palavra dalíngua portuguesa, era usada nacorteespanhola com o sentido de "dama de companhia".
A
obra seria um simples retrato de família real, ou de
como se vivia na Corte de Filipe IV, se não fossem alguns elementos
adicionais
que a tornam uma das mais estudadas obras de arte. Uma novidade
introduzida por
Velázquez foi incluir-se em lugar de relevo, na cena retratada – ele
pinta-se
em serviço, diante de um cavalete, com os seus objectos de trabalho em
punho. Nas vestes da sua capa de veludo, vê-se a cruz da Ordem de
Santiago que foi incluída na tela, somente após a sua morte. Ao seu lado
está,
centralizada, a infanta Margarida, personagem principal do quadro. Em
seu redor estão aquelas que seriam as suas damas de companhia, jovens e
adultas, D. Isabel
de Velasco e D. Agustina Sarmiento (que segura uma pequena jarra de
barro numa
bandeja de prata). Surgem ainda Mari bárbola, uma anã alemã ricamente
vestida e Nicolasito Pertusato, também ele anão, de família nobre
italiana, divertindo-se com o cão deitado. Logo atrás surgem no meio da
obscuridade, uma governanta de serviço ou dama de companhia, Dona
Marcela de
Ulloa com vestes de monja, a conversar com um cavalheiro não
identificado,
possivelmente o guarda-damas, Diego Ruiz de Azcona. Mais ao fundo um
homem
entra em cena e movimenta uma cortina, trazendo mais luminosidade à tela
- o camareiro da rainha, D. José Nieto, fidalgo ao serviço da
câmara-real
que vai espreitando através do vão duma porta, no patamar das escadas.
Os dois
quadros visíveis nas paredes representam cópias de telas mitológicas de Rubens
e Jordaens. Porém, para os mais observadores, o elenco não está acabado. Ao
fundo, numa moldura, está um espelho, onde surgem reflectidos os reis de
Espanha, Filipe IV e a sua segunda esposa e sobrinha, Mariana de Áustria. Essa
visão altera a ideia de que Velázquez se preparava para pintar a Infanta e as outras
companheiras – parece agora que o pintor olhava para os reis e as meninas
apenas assistiam à cena, como testemunhas daquele ritual. O uso do espelho,
embora não exclusivo de Diego Velázquez, aumenta a subjectividade, e as
controvérsias sobre quem seria, de facto, retratado.
A pintura foi terminada em 1656, data que encaixa com a idade que aparenta ainfanta Margarida(uns
cinco anos). Filipe IV e dona Mariana costumavam entrar com frequência
na oficina do pintor, conversavam com ele e às vezes ficavam bastante
tempo vendo-o trabalhar, sem protocolo algum. Isto era algo muito
repetido na vida normal do palácio eVelázquezestava acostumado a estas visitas. O lugar onde trabalhavaVelázquez era
uma sala ampla do piso térreo do antigo Alcázar de Madrid que fora o
aposento do príncipe Baltasar Carlos, falecido em 1646, dez anos antes
da data de execução de "As Meninas". É precisamente este aposento que aparece retratado no quadro.
Elementos fundamentais na obra
A Infanta Margarida: A
figura central ao ser a infanta Margarida explica-se pelo facto de que,
até aquele momento, a menina seria a herdeira do trono espanhol – a sua
irmã mais velha estava para se casar com o rei de França, o que a
excluía do acesso ao trono, e o seu irmão mais novo, que viria a herdar o
trono, ainda não tinha nascido.
Auto retrato:
À esquerda da composição em “As Meninas” está Diego Velázquez
a pintar. Ele segura a paleta de cores com a mão esquerda e um pincel
com a direita. No peito, leva a insígnia da Ordem de Santiago. Como
Velázquez somente foi nomeado cavaleiro em 1559, é provável que a
insígnia tenha sido pintada após a conclusão da obra.
O espelho:
Na parede de fundo do quarto retratado em “As Meninas”, um espelho
reflecte a imagem do rei Filipe IV e da rainha Mariana, os verdadeiros
protagonistas da obra?
(2) Dona Isabel de Velasco (3) Dona María Agustina Sarmiento de Sotomayor (4) A anã Mari arbola (Maria Barbola) (5) Nicolas Pertusato (6) Dona Marcela de Ulloa (7) guarda-damas, Diego Ruiz de Azcona (?) (8) Dom José Nieto Velázquez (9) Velázquez (10) Rei Filipe IV reflectido no espelho (1) A Infanta Margarida (11) Mariana de Áustria, esposa de Filipe IV, reflectida no espelho
Diego Velásquez pintou-se a si próprio na obra
Detalhe do Espelho com as imagens de Filipe IV e Mariana de Áustria reflectidas no mesmo
06 de Junho de 1599: Nasce o pintor Diego Velázquez
Diego Rodriguez de Silva y
Velázquez nasceu a 6 de Junho de 1599, em Sevilha. Recebeu uma educação esmerada
e estudou arte com Francisco Pacheco. Um dos primeiros trabalhos, Adoração dos
Reis Magos (1619), revela a influência de Caravaggio na utilização da luz e da
sombra como forma de dar volume às figuras mas possuía já uma atmosfera muito
pessoal. Pintou um retrato de Filipe IV que lhe valeu ser contratado em 1623
para o serviço do rei. Estabeleceu-se em Madrid, revelando no seu estilo um
minucioso estudo da natureza e do real. Aperfeiçoou-se executando inúmeros
retratos da corte e quadros históricos. As visitas de Rubens despertaram nele o
desejo de conhecer a Itália e conseguiu ser enviado em missão oficial a todas as
províncias italianas, comprando obras de arte para a coroa espanhola e tomando
conhecimento do trabalho dos melhores artistas. Encontrou-se com Ribera em
Nápoles e estudou particularmente os frescos de Michelangelo Buonarroti e de
Rafael e a cor e a luz em Tintoretto e Paolo Veronese. Ao voltar de viagem,
executou trabalhos religiosos e profanos, assim como retratos equestres do rei e
do infante. Sucederam-se as obras-primas A Rendição de Breda (1634), Vénus ao
Espelho, Cavalo Branco, os retratos de bobos da corte e as efígies de Esopo e de
Menippe. Executou em Roma o retrato do Papa Inocêncio X que irá, séculos mais
tarde, tornar-se uma obsessão na obra de Francis Bacon. Depois desta segunda
viagem a Itália retratou Filipe IV, a rainha Maria Ana, a infanta Margarida e
pintou ainda a célebre obra-prima As Meninas (1656), de que se encontram
referências na obra de Goya, dos impressionistas, de Picasso, e de Dalí, entre
outros. Veio a morrer em Madrid a 6 de Agosto de 1660. Foi considerado o maior
pintor espanhol e um dos precursores da arte moderna.
Diego Velásquez.
In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora,
2003-2010. wikipedia
(Imagens)
05 de Junho de 1723: Nasce o economista Adam Smith, fundador da moderna
teoria económica, autor de "Inquérito à Causa e Natureza da Riqueza das
Nações".
Defendendo
o valor do interesse individual para garantir o interesse público, Adam
Smith criou, na sua "A Riqueza das Nações", o conceito de "mão
invisível do mercado", fundamental para a doutrina do liberalismo.
Filho
de um fiscal da alfândega, Adam Smith fez os seus primeiros estudos em
Kirkcaldy , a sua cidade natal. Aos 14 anos, ingressou na Universidade
de Glasgow, onde se formou em 1740 e conseguiu uma bolsa de estudos para
a Universidade de Oxford, onde estudou filosofia.
Seis anos
depois, retornou à Escócia e tornou-se conferencista público em
Edimburgo. Adquiriu reconhecimento como filósofo, o que lhe proporcionou
ser professor de lógica na Universidade de Glasgow, em 1751. No ano
seguinte, passou a leccionar filosofia moral, cadeira pleiteada alguns
anos antes, sem sucesso, pelo filósofo David Hume.
Nessa época,
travou relações com nobres e altos funcionários, frequentando a
sociedade de Glasgow e, em 1758, foi eleito reitor da Universidade. O
seu primeiro trabalho, "A Teoria dos Sentimentos Morais", foi publicado
no ano seguinte.
Por intermédio do político Charles Townshend,
foi convidado para o cargo de tutor do duque de Buccleuch. Em 1763, Adam
Smith renunciou ao seu posto na Universidade de Glasgow e mudou-se
para França. Passou quase um ano na cidade de Toulouse e depois foi
para Genebra, onde se encontrou com o filósofo Voltaire.
Já em
Paris, Adam Smith pode frequentar os salões literários e travou contacto
com os filósofos iluministas. Um incidente com um irmão do seu pupilo,
no entanto, obrigou Adam Smith a ir para Londres, onde passou a residir.
Em
1767, Smith retornou a Kirkcaldy, onde iniciou a elaboração e revisão
de sua célebre teoria económica. Passou mais três anos em Londres, onde o
seu livro foi concluído. "Uma Investigação sobre a Natureza e as Causas
da Riqueza das Nações" foi publicado em 1776, tornando-se um dos mais
influentes livros de teoria moral e económica do mundo. As teorias
formuladas em "A Riqueza das Nações" lançaram as bases do liberalismo,
como a teoria da livre concorrência e o conceito de livre mercado.
Depois
da publicação do livro, tornou-se comissário da alfândega na Escócia, o
que lhe garantiu bons proventos. Reconhecido e considerado pelos seus
contemporâneos, Adam Smith morreu em 1790, aos 67 anos.
***
1jun2019
Peça de teatro Don Juan
no Cine-Teatro d' Alcobaça
** Rodrigues, Urbano Tavares, 1923- Mito de Don Juan e o donjuanismo em Portugal. Lisboa : Edições Atica, [1960] (OCoLC)551409593 https://www.worldcat.org/title/mito-de-don-juan-e-o-donjuanismo-em-portugal/oclc/17130477
**
Don Juané um poema satírico de Lord Byron, baseado no
mito de Don Juan, que o autor subverte, tratando de descrever Juan não
como um conquistador cruel e insaciável (como foi considerado nas
interpretações anteriores do mito, por exemplo,
em Molina, Molière ou Mozart), mas como um homem facilmente seduzido
pelas mulheres, que é lançado nos braços delas pela força das
circunstâncias e vicissitudes do destino.
O poema é uma variação irônica e satírica sobre a estrutura épica, gênero conhecido em inglês como mock epic,
e está dividido em dezessete cantos de diferentes tamanhos, composto em
oitava rima, em pentâmetros jâmbicos, contando com pouco mais de duas
mil estrofes, isto é, mais de dezesseis mil versos.
O
próprio Byron denominou-o um "épico satírico" (Don Juan, c. xiv, st.
99); completou-lhe dezesseis cantos e deixou o décimo sétimo inacabado,
antes de sua morte, em 1824. O autor dizia não possuir um planejamento
pré-estabelecido do enredo dos cantos subsequentes, embora em várias
cartas admita que "assunto não lhe faltasse".
DonJuan DeMarco – Um homem de 21 anos (Johnny Depp) dizendo ser o famoso amante DonJuan
vai até Nova York para encontrar seu amor perdido, mas, sentindo que
não alcançará seu objetivo, tenta se matar. Porém, um psiquiatra (Marlon
Brando) consegue convencê-lo a mudar de idéia e começa a tratá-lo.
Don Juan DeMarco – assistir filme completo dublado em portugues
https://www.youtube.com/watch?v=WZiLtpVRaJQ
***
Giacomo Casanova
nasceu a 2abr1725...Veneza
e morreu a 4jun1798...
**
Frases
"Seja a chama, não a traça." https://www.pensador.com/autor/giacomo_casanova/
*
Seja feliz ou infeliz, a vida é o único tesouro que cada um possui."
"Economia em prazer, não é comigo." https://www.youtube.com/watch?v=YLtDTZcKGcc
**
Variações de casanova...filmado em Portugal...
Rodagem
Casanova em versão Ópera, Teatro e Cinema.
A digressão do espectáculo de ópera “As Variações de Giacomo”,
encenado por Michael Sturminger, chegou a Lisboa no verão passado e foi
...
O trailer e o cartaz do filme "Variações de Casanova", protagonizado
por John Malkocich e filmado integralmente em Portugal, foram divulgados
no dia em que acontece a primeira apresentação mundial na competição
do Festival de San Sebastián (ver trailer anexo).
O filme compete pela Concha de Ouro, o prémio máximo do certame que termina a 27 de Setembro.
Esta é quarta produção de Paulo Branco exibida desde 2010 no Festival de
San Sebastián, na sequência da apresentação de "Mistérios de Lisboa"
(Concha de Prata em 2010), "Linhas de Welington" (2011), "Minha Alma por
Ti Liberta" (2012).
O filme terá a antestreia nacional no Grande Auditório da Fundação
Calouste Gulbenkian no dia 8 de Novembro, integrado na edição deste ano
do Libon & Estoril Film Festival, com a presença de John Malkovich.
O filme foi rodado inteiramente em Portugal e é inspirado na obra
"História da Minha Vida", de Giacomo Casanova, e também em algumas
óperas de Wolfgang Amadeus Mozart (ver artigo recomendado).
Aventureiro e escritor italiano, Giacomo Girolamo Casanova nasceu a 2 de abril de 1725, em Veneza, numa casa nas proximidades do Teatro San Samuele. Filho de Getano Giuseppe Casanova e de Zanetta Farussi, ambos atores, Giacomo Casanova viria mais tarde a afirmar ser filho ilegítimo do nobre veneziano Michele Grimani, proprietário do teatro onde os seus pais trabalhavam.
Teria sido educado sobretudo pela avó materna, Marzia Farussi, já que os pais se haviam deslocado em tournée a Londres, de onde regressariam em 1728. Com a morte do pai, em 1733, a mãe decidiu rejeitar consequentes propostas de casamento e dedicar-se à criação e ao provimento dos seus filhos, resolução que pouco durou, pois cedo deixaria Veneza, acabando em Dresden, trabalhando com o grupo Comici Italiani.
Assim sendo, o jovem Casanova foi enviado, em 1734, para casa de um Doutor Gozzi, em Pádua, onde recebeu uma boa educação, dando sinais de precocidade extraordinária. Ter-se-ia apaixonado pela irmã mais nova do médico.
Em 1738 começou a estudar Direito na Universidade de Pádua, mas como os seus estudos não requeriam presença absoluta, passou a maior parte do seu tempo em Veneza, deslocando-se apenas a Pádua em época de exames. Prestou serviço no exército durante algum tempo, foi violinista de parco sucesso e trabalhou para um advogado, de nome Manzoni
Em 1742 obteve o seu diploma em Direito Canónico e Civil pela Universidade de Pádua. A sua mãe, então em Varsóvia, decidiu entregar ao senhorio a sua casa em Veneza. Casanova foi aceite no Seminário de São Cipriano, acabando por ser expulso por conduta escandalosa, como resultado da sua vida de dissipação, entre álcool e aventuras amorosas.
No ano seguinte, Casanova foi aprisionado no Forte de Sant'Andrea, morreu-lhe a mãe e, posto em liberdade, foi nomeado secretário de Bernardo da Bernardis, bispo de Martirano, na Calábria. Impressionado pela pobreza da região, recusou o posto. Foi então secretário do Cardeal Acquaviva, em Roma, mas um novo escândalo forçou-o a abandonar a cidade, viajando em consequência para Nápoles, Corfu e Constantinopla, acabando por tornar a Veneza, onde teve uma aventura amorosa com uma Signora F.. Em 1746 foi violinista no Teatro de San Samuel, em Veneza.
Os diferentes períodos da vida de Casanova foram marcados pelas aflições provocadas por doenças venéreas. Tendo contraído gonorreia ainda na adolescência, com a experiência aprendeu a tratar as doenças sexualmente transmissíveis, auto-medicando-se e expurgando as purulências.
Em 1749 conheceria o grande amor da sua vida, uma francesa jovem e misteriosa, de nome Henriette, que logo o abandonou para regressar à alçada familiar. Casanova partiu então para Lyon, onde foi aceite na Maçonaria. Suspeito de heresia pela Inquisição, foi forçado a permanecer em movimento. Viajou por Paris, onde, em coautoria com François Prévost d'Exiles escreveu uma peça de teatro, Les Tessaliennes,representada quatro vezes, em 1752, no Comédie Italienne; por Dresden, onde, em 1753 foi estreada a sua paródia à Thébaïde de Racine; e por Praga e Viena, acabando por retornar a Veneza.
Denunciado como mágico em 1755, Casanova viu apreendidos os seus manuscritos, os seus tratados de magia e o livro de posições sexuais de Arentino. Condenado a cinco anos de prisão numa câmara de chumbo no sótão do palácio do Doge, que chegava a atingir temperaturas de um calor extremo, conseguiu escapulir-se ao fim de um ano. Exilando-se em Paris, foi considerado uma celebridade pela notícia da sua fuga.
Jogador inveterado, introduziu, em 1757, a lotaria, invenção que o tornou milionário. Montou também uma fábrica de estampagem de seda, a qual era mantida por vinte jovens operárias. Para além disso, desviou grandes quantias de dinheiro das mãos da Marquesa D'Urfé.
Durante os seus anos no exílio, Casanova conheceu personalidades como Luís XV, Rousseau e a Madame Pompadour. Em 1760 foi obrigado a fugir aos seus credores, deambulando de novo pela Europa, passando por Nápoles, Inglaterra, Alemanha e Espanha. Em 1772 escreveu, na língua italiana, a História do Desassossego na Polónia, e entre 1774 e 1782 trabalhou como espião ao serviço da Inquisição de Veneza. Conheceu, na cidade de Praga, em 1787, Amadeus Mozart, tendo estado presente na estreia da sua ópera Don Giovanni. Mozart teria alegadamente retirado parte da sua inspiração de episódios da vida do aventureiro para a composição da ópera.
A partir de 1785 trabalhou como bibliotecário no Castelo de Dux, na Boémia, ao serviço do Conde de Waldstein, como ele maçon e interessado em magia. Começa a escrever, em 1790, a Histoire de Ma Vie (1960-62) Desdentado, enfermo e há muito impotente, Casanova veio a falecer a 4 de junho de 1798, na companhia e cuidados de Cecile von Roggendorf, uma canonesa de vinte e dois anos, e de Elise von der Recke. Segundo o Principe de Ligne, as suas últimas palavras teriam sido: "Vivi como um filósofo, morro como um cristão".
Casanova.
In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora,
2003-2012.
Nasceu a
e morreu a 1jun2019
*** https://pt.wikipedia.org/wiki/Michel_Serres
***
"Um pouco de ruído, o menor elemento do acaso, transforma um sistema ou ordem em outro." https://www.pensador.com/autor/michel_serres/
***
2014
*Faculdade de Educação, Universidade Estadual de
Campinas – UNICAMP, Campinas, SP, Brasil; Université de Rouen, Rouen, France.
manu_esteves@yahoo.com.br
Foi em clima informal e de amistosa receptividade que o filósofo Michel Serres nos acolheu
para dois dias de entrevista na França em janeiro de 2014. O primeiro deles em Paris, em um
Café na Place de la Sorbonne; e o segundo em sua agradável residência em Vincennes. A
acolhida afetuosa foi muitas vezes reafirmada em razão da simpatia pelo Brasil e pelos
brasileiros, que o filósofo frequentemente evocava. Serres ressaltou, em muitos momentos,
as lembranças carinhosas que tinha do Brasil, do período em que ele deu aulas em São Paulo,
na década de 1970; da cultura brasileira que ele muito apreciava; e dos amigos que ele
cultivou aqui. Nascido em 1930, em Agen, no sul da França, cursou matemática na Escola Naval Francesa e
filosofia na Escola Normal Superior de Paris, tendo sido aluno de Canguilhem. Defendeu em
1968 sua tese de doutorado sobre Leibniz e, nesse mesmo ano, participou da criação da
Universidade de Vincennes com Michel Foucault, onde trabalhou como historiador das
ciências. No mesmo período, foi professor também na Universidade de Clermont-Ferrand. Pela
impossibilidade de trabalhar com filosofia na França, aceitou ser professor nos Estados
Unidos, onde atuou nas universidades de Baltimore, Buffalo, Nova York e, a partir de 1980
até 2013, em Stanford. Autor de mais 60 livros publicados ao longo de 50 anos de trabalho, Serres ocupa, no
entanto, uma posição ambivalente no espaço público e intelectual. Na tentativa de trabalhar
a língua como um poeta, sem, contudo, perder o rigor e a precisão dos saberes, a produção
de Serres ou seus conceitos filosóficos seguem pouco conhecidos, ao menos na França e no
Brasil. Conhecem-se, muitas vezes, seus discursos de orador ou suas exposições claras e
assertivas de professor, mas pouco se conhecem seus conceitos filosóficos. Para
descobri-los não basta ouvi-lo ou acompanhar uma ou outra apresentação sua que circule nas
mídias. É nos seus textos escritos, no estudo das suas muitas obras publicadas que se pode
descobrir o curso do seu pensamento, suas ideias e suas proposições. E isso não deixa de
ser um desafio diante da extensão e diversidade da obra e da peculiaridade no estilo do
autor. Desafio que se confronta, sobretudo, com a presumida impossibilidade de conciliação
entre a magia e a beleza da palavra e o rigor conceitual de um pensamento. Serão mesmo
inconciliáveis? Serres nos ajudou a traçar algumas linhas que podem nos ajudar nesse
percurso, impulsionado pelo tema educação. MARIA EMANUELA – Eu acredito que o senhor pode nos ajudar muito a pensar a educação,
sobretudo hoje, a partir de uma teoria da multiplicidade. Se o senhor me permite, eu
gostaria, portanto, de começar por essa grande questão: para o senhor, o que é educar? MICHEL SERRES – Eu creio que há muitas respostas para essa questão. A primeira resposta
seria a diferença, em língua francesa, entre educar (éduquer) e instruir
(instruire). Instruir é simplesmente dar a informação sobre um
conhecimento. Isso é um problema bem fácil, porque se trata de ciência, de conhecimento,
como a matemática, a gramática, etc. Isso é simplesmente o conhecimento: instruir.
Obviamente, isso não é educar. Educar é formar a pessoa em geral. Logo, por que eu sou
interessado nesse problema sobre instrução e educação? É que uma certa cultura estava se
modificando quando eu escrevi Filosofia mestiça (1993) e quando eu escrevi
Polegarzinha (2013). E o que se modificou? Começando do final, da mais
recente possível, a Polegarzinha, o que mudou completamente na educação foi a minha relação
com a geração que eu ensinei. Por quê? Porque, quando eu ensinei há 20 ou 30 anos, meus
estudantes não conheciam a resposta para a questão que eu colocava. Hoje, quando eu entro
em uma sala ou em um anfiteatro, muitos dos meus estudantes já digitaram na internet o tema
do meu curso. Em consequência, há uma diferença entre os meus estudantes de hoje e os meus
estudantes de 20 ou 30 anos atrás, e essa diferença está simplesmente no
acesso à informação. O acesso à informação é hoje imediato, fácil e
disponível a todo mundo pelas novas tecnologias, pela internet, etc. De tal modo que nós
não sabemos hoje que forma terão futuramente a escola, a universidade, os centros de
pesquisas, etc. Tudo isso simplesmente porque há uma movimentação de acesso à informação. E
isso é uma questão realmente muito, muito importante no mundo hoje, porque a diferença no
acesso à informação mudou completamente o jogo do ensino. Essa é a primeira resposta que eu
posso dar a sua questão. M-E – É possível fazer uma educação sem instrução? Ou as duas se necessitam? MS – Não. Eu não acredito. Eu penso que elas são muito diferentes, porque uma concerne ao
saber e a outra à pessoa em geral, mas não se pode fazer essa ruptura, porque não há
educação sem instrução, de nenhuma forma. Observe, por exemplo, a educação física, o
professor de ginástica. Bem, poder-se-ia dizer num primeiro momento que o professor de
ginástica não tem um saber específico. Mas, claro, há um saber, sim. É preciso saber fazer
tal gesto, é preciso saber pegar a raquete e fazer um re-verso ou um movimento à direita,
por exemplo. É preciso saber alterar um salto, etc. Não, não. Em toda educação há a
instrução, de alguma forma. M-E – Muito bem. O senhor disse que há uma diferença entre educação e instrução e que há
hoje uma mudança no acesso à instrução. E na educação, é possível pensar de que forma essa
mudança vai alcançá-la? MS – Isso é um pouco ligado, por uma razão bem simples. Quando você pega uma ferramenta, um
automóvel, etc., há a maneira de se servir dessa ferramenta, mas por outro lado, há o mundo
inteiro que está implicado nela. Por exemplo, eu, que sou velho, me sirvo do computador. Eu
me sirvo do computador como se ele fosse uma ferramenta. Já as minhas crianças, os meus
estudantes, estão no mundo do computador. É, portanto, a pessoa que muda. E, em particular,
eu creio que é possível notar hoje uma diferença de relação com o conhecimento, da relação
corporal, da relação vital e da relação pessoal com o conhecimento. Uma verdadeira
diferença. Isso quer dizer que – você conhece as ciências cognitivas, evidentemente? – as
ciências cognitivas pensam hoje que não são as mesmas zonas do cérebro, os mesmos neurônios
que são tocados, excitados por uma página de papel ou por uma tela interativa, sim?
Portanto, é a pessoa inteira que se reorganiza. Uma disposição afeta o conhecimento, mas
afeta também a pessoa e o mundo inteiro onde ela vive. M-E – Na questão sobre o que é a educação, o senhor disse inicialmente – e eu estou
totalmente de acordo – que há várias respostas, porque essa é uma questão muito abrangente.
Nesse sentido, o senhor disse que a primeira coisa que poderíamos pensar é a diferença que
há na língua francesa – e em português também – entre educação e instrução. Contudo, o
senhor disse que há muitas respostas. Essa seria a primeira. O senhor poderia dizer quais
outras respostas nós poderíamos pensar? Quais são outros elementos para se pensar o que é a
educação? MS – Eu me recordo que, quando eu era criança, o mundo estava em guerra e havia poucos
professores. Todos partiram para as batalhas. Foi necessário então mudar as classes. Eu
estava na classe dos mais novos e me colocaram na dos mais velhos. Me fizeram avançar
algumas classes porque faltavam professores. E, como eu estava no primário, eu sabia apenas
o que era a aritmética: um, dois, três, a adição, a subtração. No entanto, como me fizeram
avançar algumas classes, de repente o professor – que era professor de matemática –
escreveu x no quadro, x... "ele conta com letras e não
com números?", pensei. E em seguida ele escreveu x e y.
Era a família das incógnitas. "O que é que ele estava fazendo?" Então, eu levantei o dedo e
perguntei: "o que quer dizer x?" Ele me disse: "é a incógnita".
"Incógnita? O que é incógnita?". Sim, ele me disse, "é uma letra que contém todos os
números possíveis". E de repente eu fui iluminado. Foi como se o céu se abrisse quando eu
me dei conta que se podem conter todos os números de uma só vez. Um pouco como se você
tivesse não só um cruzeiro, dois cruzeiros, três cruzeiros, etc., mas uma bolsa com todos
os cruzeiros possíveis. E com essa bolsa eu me dei conta, "ah!". Eu tinha encontrado o
abstrato. Você compreende? E eu me recordo disso como uma das maiores alegrias da minha
vida. Era uma situação muito difícil. E de repente, a Maria Emanuela que está diante de
mim, ela entende o que eu digo, os olhos dela brilham, a sua mente está iluminada, ela
compreende, ah! Assim, ensinar é favorecer essa alegria. É isso. Você abre a porta e você
entra em outro mundo. Ensinar é isso. É promover o êxtase. Por um momento não se está no
mundo, se encontra outro mundo. É isso, você compreende? Por exemplo, um dia me pediram
para explicar o infinito para pessoas que não tinham nenhuma instrução. E eu de repente, ao
explicar, vi uma mulher diante de mim e parecia que ela estava no paraíso. Ela havia
compreendido. Assim, o orgasmo. Exatamente. Então, ensinar é promover o êxtase, o
orgasmo. M-E – Compreendo. O senhor continuou a publicar muito nos últimos 20 anos, de tal forma que
Polegarzinha e Filosofia mestiça não só estão longe
uma da outra temporalmente, como há entre elas várias outras obras. Nesse caso,
Filosofia mestiça é ainda o seu livro sobre educação? Ele continua a
ser o seu livro sobre educação depois de 20 anos? MS – Interessante que esse é um livro que eu escrevi não muito longe da minha viagem ao
Brasil. Vejamos bem, em Filosofia mestiça eu abordei a educação como uma
noção de mestiçagem. Eu disse que, quando eu aprendo inglês, eu me torno um pouco americano
ou inglês; quando eu aprendo português, eu me torno um pouco português ou um pouco
brasileiro; quando eu aprendo espanhol, eu me torno um pouco madrileno ou mexicano; e assim
por diante. Mas quando eu aprendo matemática, eu mudo também a pessoa; quando eu aprendo
história, meu corpo, minha personalidade muda, e consequentemente se transforma o processo
da aprendizagem em um processo de mestiçagem. E eu me lembro que, quando eu cheguei ao
Brasil, a noção do mestiço, na qual a sua língua tem uma riqueza extraordinária, estava
totalmente em harmonia com uma discussão que acontecia no país. Um país onde há muita
contribuição de genealogia para testemunhar que uma mestiçagem é, evidentemente, uma forma
de cultura. E então havia uma harmonia curiosa e incompreensível para mim entre minha ideia
de aprendizagem e o que aconteceu culturalmente no Brasil. Eu o disse em Filosofia
mestiça, de maneira mais técnica – por uma questão que me toca particularmente
durante toda a minha carreira –, que dentro da universidade se divide de forma muito
rigorosa: as ciências exatas e as ciências humanas, e essa divisão é catastrófica, na minha
opinião. Isso quer dizer que nós formamos, de um lado, instruídos completamente incultos e,
de outro lado, pessoas cultas completamente ignorantes. Então minha ideia em
Filosofia mestiça era de reunir precisamente; mestiçar precisamente o
que se sabe das ciências exatas e o que se sabe das ciências humanas, porque, sempre quando
praticamos as ciências humanas sem conhecer as ciências exatas, nos expomos a enormes
erros. E, reciprocamente, quando você é um engenheiro, por exemplo, e você impõe um tal
tipo de técnica sobre um terreno, mas você não conhece a etimologia, a psicologia, a
sociologia que envolvem o terreno em questão, você faz barbaridades. Dessa forma, o meu
"terceiro instruído" era por essa mestiçagem entre as ciências exatas e as ciências
humanistas. É isso. M-E – Como podemos pensar a ligação entre a sua concepção sobre educação, que parece ser
uma concepção geral, e talvez intemporal, a partir de Filosofia mestiça e
as condições de um tempo e um espaço específicos? Há algo que persiste nos diferentes
tempos e espaços, por exemplo, a ideia de um certo humanismo, a ideia de paz? Ou, como
fazer a passagem entre a concepção geral e as condições específicas? MS – Mais precisamente, tanto Filosofia mestiça quanto o que eu fiz até
agora consistem exatamente em se adaptar às circunstâncias do tempo. Então, há duas coisas:
as circunstâncias do tempo e as circunstâncias do espaço, como você disse. Eu vou começar
pelo espaço. Há justamente um teorema matemático recente que resolve a questão. Com uma
combinação qualquer de código de telefone, qualquer um que esteja ou que habite São Paulo,
por exemplo, pode entrar em contato por acaso com uma pessoa que mora no Japão ou em Paris.
Hoje, com alguns códigos de telefone, qualquer um no planeta pode chamar qualquer outro no
planeta. E os que descobriram esse teorema estatístico o chamam "teorema do mundo pequeno".
Então, do ponto de vista espacial, nós somos, doravante, todos vizinhos. Veja, isso quer
dizer que, quando eu tenho um telefone, eu posso falar com uma pessoa que eu nem sequer
conheço. Portanto, você é minha vizinha, mesmo se você habitar Minas Gerais, percebe? Há
hoje uma nova concepção de vizinhança – virtual, é claro –, mas uma nova concepção de
vizinhança que dá ao mundo atual um novo perfil. E, consequentemente, a sua questão sobre o
geral e o particular está se modificando. Porque, precisamente, essa vizinhança tor-na-se –
mesmo que virtual – também real. É por isso que as tecnologias e o uso delas me interessam.
Eu posso chamar não importa quem, não importa onde. Ele é meu vizinho. E então velhos avós
não estão contentes porque dentro do metrô há alguém que telefona. E eu digo a ele: "você
que está ao lado dela, você não é seu vizinho, você nem ao menos fala com ela". Isso quer
dizer que aquele com quem ela fala daqui de Paris pode estar agora, por exemplo, em São
Paulo, mas é seu vizinho. Assim, o vizinho real não é mais vizinho e o vizinho virtual
tornou-se vizinho. Seria uma nova passagem de proximidade. Então, isso não acontece
obviamente em relação à cultura local. Você continua a falar a sua língua, a ter tais
hábitos, tais usos, eu também, etc. Há uma nova vizinhança e não podemos educar as pessoas,
esquecendo essa novidade. Ela é uma verdadeira novidade. M-E – Falamos sobre o espaço. E sobre o tempo? Há também condições que são específicas de
um tempo. A educação no século V a.C., por exemplo, e a educação hoje. Nós podemos pensar
que o conceito que temos de educação como mestiçagem se aplica tanto ao
século V a.C. quanto a hoje? Trata-se do mesmo conceito nesses dois momentos? MS – Sim e não. A palavra "pedagogia" veio da palavra grega paideia, e
esta foi inventada justamente no mesmo momento em que se inventou a escrita. Na educação,
em outros momentos, se tinha apenas a palavra – alguém que cantava ou falava, e era preciso
repetir o que ele dizia. Desde o momento que se inventou a escrita, cada estudante podia
ter diante dos olhos algum registro do que era ensinado. Logo, a pedagogia mudou, a escola
mudou, a partir do instante que houve a escrita. Obviamente, a escola mudou completamente
quando surgiu o livro. Por exemplo, se diz que, no momento da Reforma, Lutero afirmava
"todo o homem se torna um papa com uma bíblia na mão". Após o livro, não era mais
necessário o papa, se estava diretamente ligado a Deus. Portanto, observe, tudo se modifica
com a invenção técnica da escrita, da leitura, etc. e do digital da Polegarzinha. Por outro
lado, a ideia que compõe uma relação pedagógica entre o mestre e o aluno é constante na
história. O mestre pode ser um aedo, um cantor, um professor, etc. O
suporte modificou-se de forma definitiva, o suporte escrito, o suporte livro ou o suporte
digital. E eu acredito que é por isso que se trabalha em filosofia da educação, porque há
uma nova condição. É preciso inventar. Não há dúvidas. M-E – Como o senhor disse, há uma relação entre educação e instrução. Com a passagem do
tempo, os instrumentos, as técnicas de acesso à informação se modificam. Consequentemente,
há uma mudança também na educação, uma vez que a forma de obter a informação se modifica.
Nós podemos pensar, então, que a educação como mestiçagem é uma educação específica do
nosso tempo? MS – Ela sempre esteve mais ou menos lá, porque a cultura transmitida pela educação sempre
permite um certo tipo de compreensão do outro. Mas hoje, no entanto, com o fato de você ter
uma relação com o seu celular, com não importa quem no mundo, isso vai de toda forma nos
adaptar bem mais uns aos outros. Isso quer dizer, é possível, hoje, que a educação tal qual
nós a praticamos, tal qual nós a inventamos, seja talvez uma possibilidade de paz bem mais
importante que em outros tempos. Uma possibilidade de paz. Ou seja, meus filhos têm hoje
tantas relações com alemães, com italianos, com ingleses, etc. Eu não sei como uma guerra
seria possível assim. Você compreende? É, de qualquer maneira, alguma coisa que avançou na
educação possível. Então, não mais no sentido da instrução, mas no sentido do
humanismo. M-E– A grande contribuição da sua filosofia consiste em ser um pensamento sobre a
multiplicidade. Como compreender esse pensamento no qual você se engaja? MS – Então, para compreender a multiplicidade, eu vou te propor uma imagem. Você veio a
Paris e o símbolo de Paris conhecido por todos é a Torre Eiffel. Todo mundo conhece a Torre
Eiffel. Então, permita que eu a desenhe. Ela tem um ponto muito agudo no alto e depois ela
se alarga na base como uma pirâmide, uma pirâmide do Egito. Portanto, há um no ponto agudo
no alto e múltiplos no ponto mais largo. A civilização de hoje é a Torre Eiffel. Isto é,
você escuta a rádio, há um que fala e muitos que escutam. Você assiste à televisão, há um
apresentador que fala e muitos que escutam. Você tem um presidente do Brasil e muitos
sujeitos. Assim, tudo é constituído sobre o modelo um/múltiplos. E a questão é que lá no
ponto agudo há poder, riqueza, informação. Todo mundo que escuta a televisão observa aquele
que fala como se ele fosse o bom Deus, é isso que eu quero dizer. Então, a civilização da
multiplicidade é esquecer a Torre Eiffel. Eu pedirei que, por um breve momento, esqueçamos
a Torre Eiffel. O essencial é observar o que se passa na base da Torre Eiffel. Esqueça
completamente o ponto agudo. E assim, de certa maneira, se dá uma nova ideia de educação,
de política, de mídia, etc. Então, por que eu digo multiplicidade? Eu volto agora à
Polegarzinha. A Polegarzinha pega o celular. Você conhece em francês o adjetivo de tempo ou
o advérbio que se denomina maintenant? Como se diz em português? "Agora",
correto. E agora quer dizer, agora eu estou falando com você, eu posso te tocar, você está
diante de mim..., mas em francês não se diz isso. Se quer dizer mão (main)
tendo (tenant). Maintenant, ela tem em suas mãos. E
então, o que ela tem em suas mãos? Ela tem em suas mãos, eu te digo, todas as informações
que ela gostaria. Eu gostaria de saber a população do Brasil, pesquiso no celular, pronto:
eu sei. Eu gostaria de saber qual a riqueza de uma tal mina em Minas Gerais, eu sei. Eu
gostaria de saber a sua idade, eu sei. Tudo. Primeiramente, informação. Em segundo, ela
pode conhecer todos os lugares. Onde você mora? Qual o endereço? Eu procuro no Google e eu
posso ver até mesmo a fotografia da sua casa, atrás, a frente, a porta, e mesmo,
possivelmente, a sua sala de jantar. Portanto, eu tenho todas as informações, todos os
lugares, mesmo se eu jamais tenha lhe falado. Por outro lado, eu posso chamar com alguns
códigos de telefone não importa quem no planeta. Consequentemente,
maintenant, eu tenho nas mãos o mundo. E eu vou agora te fazer uma
pergunta: quem na história podia dizer "agora eu tenho nas mãos o mundo"? Quem? Sempre,
quem estava na ponta da Torre Eiffel: Luiz XIV, Napoleão, a rainha da Inglaterra, um
milionário americano... E agora todo mundo que está na base da Torre Eiffel pode dizer.
Todo mundo. Todo mundo tem nas mãos o mundo, e isso é uma novidade extraordinária. Isso
quer dizer: a teoria da multiplicidade é o fim da Torre Eiffel. A utopia democrática, por
excelência, é a utopia democrática. Todo mundo – você, ela, ele – tem nas mãos o mundo.
Todo mundo é Napoleão. Você é Napoleão. Todo mundo é Napoleão. Isso é a novidade, a
novidade real. M-E - A referência à "Passagem do Noroeste", como alusão à relação difícil, mas necessária,
entre a ciência e a cultura, é um elemento muito importante na sua filosofia, em particular
em Filosofia mestiça. Como o senhor pensa essa passagem hoje? Podemos
pensar que as condições de nosso tempo, que engendra a geração Polegarzinha, pode facilitar
essa passagem, assim como a fonte de gelo do polo se torna hoje mais fluida. A geração
Polegarzinha pode dissolver as fronteiras e fazer dessa passagem um caminho menos tortuoso?
Qual a relação de Polegarzinha com o saber? MS – Então, na sua pergunta há duas questões. A primeira é a "Passagem do Noroeste", e a
segunda é Polegarzinha. Primeiramente, em relação à passagem em questão, desde que eu
escrevi a Passagem do Noroeste (1980), eu propus uma nova ideia, que eu
chamo A grande narrativa. E A grande narrativa tornou-se possível desde
que as ciências começaram a datar os objetos. Desde que aquele que se ocupa da cosmologia
me disse que o Big Bang aconteceu há quinze bilhões de anos; que aquele
que se ocupa da geofísica me disse que o planeta começou há quatro bilhões de anos; que os
biologistas me disseram que a vida começou no planeta Terra há três bilhões e oitocentos
milhões de anos; que o historiador, ou naturalista, me disse em qual data diferentes
espécies surgiram ou desapareceram, eu pude religar todas essas ciências em conjunto e
fazer uma grande narrativa que começa no início do universo, o resfriamento do planeta, o
início da vida, o desenvolvimento dos seres vivos, a evolução, o surgimento do homem e
assim por diante. Eu tenho uma grande narrativa. E essa grande narrativa é uma verdadeira
Passagem do Noroeste. Ela nos permite passar de uma ciência à outra: de uma ciência do
mundo para uma ciência da vida e de uma ciência da vida para uma ciência do homem.
Consequentemente, a grande narrativa sobre a qual eu falo no meu último livro (Les
temps nouveaux, 2013) é uma nova Passagem do Noroeste. E, consequentemente, à
medida que eu trabalhava, eu podia pontuar coisas bem precisas. Dessa forma foi possível
fazer um programa de educação a partir da grande narrativa. Há até mesmo um livro que eu
escrevi que se chama O incandescente (2005); no final do livro eu
apresento um programa de educação a partir da grande narrativa. Aí está. Essa é a primeira
questão. A segunda questão é evidentemente sobre a Polegarzinha. Sobre a Polegarzinha há um
elemento novo que chegou recentemente sobre toda essa questão e do qual eu falei agora há
pouco. É que com um telefone celular acessa-se direto a informação. E esse acesso direto à
informação é totalmente novo. Eu, quando tinha sua idade e eu não morava em Paris, se eu
quisesse uma informação científica, era necessário que eu pegasse o trem, que eu passasse a
noite no trem, que reservasse um hotel em Paris, que eu conseguisse um registro na
Biblioteca Nacional, que eu passasse ali oito dias – e enfim, eu teria a informação. Isso
me demandava oito dias e muito dinheiro. Hoje, em alguns segundos, eu tenho a informação.
Isso muda completamente a relação com o saber. Mas, atenção! Há uma diferença entre
informação e saber. Eu posso clicar e ter uma informação, por exemplo, sobre física
quântica, mas eu não vou compreender nada. Nesse caso, eu tenho a informação, mas não tenho
o saber. Logo, eu preciso de alguém que me ensine. Consequentemente, essa questão sobre a
Polegarzinha, sim, ela dissolve as fronteiras, não pela grande narrativa que eu mencionei
há pouco, mas pelo acesso direto à informação. Ela pode acessar qualquer informação. É essa
a diferença. M-E - O senhor dedica a sua filosofia a pensar diversos assuntos que são cada vez mais
importantes para a nossa sociedade. No entanto, me parece que o senhor faz esse trabalho ao
preço de uma certa incompreensão de uma parte de seus pares – acadêmicos, entre outros.
Como o senhor vê esse tipo de incompreensão? Ela se poderia explicar pela busca por uma
maior coerência com sua filosofia? Ou ainda, por uma postura de escritor na sociedade –
caso o senhor se considere um escritor que não escreve segundo as normas universitárias
habituais? MS – Eu sou um acadêmico, eu me formei na universidade, na École Normale. Eu passei no
concurso, eu ensinei filosofia na universidade, e a norma universitária me parece
excelente. Isto é, ela se consagra ao saber, à honestidade, à clareza e à referência aos
autores. É uma norma muito, muito boa. Toda a questão que eu me coloquei quando eu deixei o
modelo universitário é que esse modelo estava, na minha opinião, muito orientado em direção
ao comentário, sobretudo em filosofia. Reconhece-se como filósofo somente aquele que citou
Nietzsche, Marx, Descartes, Platão, etc. Então, havia uma chuva intensamente importante de
citações. E eu tentei sair desse modelo, por quê? Porque minha preocupação, num certo
momento, foi de compreender a novidade que acontecia em nosso tempo. E a novidade que
acontecia em nosso tempo afetou duas coisas: primeiramente as ciências e, posteriormente, o
efeito das ciências na sociedade. Ora, na minha vida eu assisti a três, quatro, cinco
grandes revoluções. As matemáticas mudaram, a física mudou, a química mudou, a biologia
mudou. Todas as ciências se transformaram. Havia a matemática moderna, a física da
informação, a bioquímica, a biologia com todo o problema ético que ela colocava. Havia
todos os problemas morais que se colocavam as ciências. Ora, eu me encontrava diante de um
problema que era verdadeiramente muito decisivo para mim, visto que a norma universitária
me impedia de ver essas mudanças. E eram essas mudanças que me interessavam, compreende?
Então, eu tentei, evidentemente, dar lugar na minha filosofia para as revoluções
científicas, revoluções biológicas, revoluções, etc. E então, por último, sobretudo, as
revoluções informáticas e digitais. E não há citação de filósofo na história que me permita
compreender o digital. Portanto, é necessário que eu invente ferramentas intelectuais novas
para compreender a era contemporânea. M-E - A formação curricular ou a formação disciplinar é frequentemente sujeito de debates e
de proposições no pensamento educacional. Falamos muito hoje de uma formação
interdisciplinar e nos esforçamos aqui e ali por oferecer uma formação menos especializada
e mais completa. No entanto, me parece que, se partirmos do conceito
multiplicidade, é possível pensar a relação entre os diferentes
saberes, bem como uma educação para essas relações, resguardando, de certa forma, a noção
de rigor disciplinar. Nesse caso, trata-se de criticar as noções de rigor e de disciplina,
que parecem interligadas, ou trata-se de pensar de uma outra forma esse rigor? Se sim, de
que forma? Como, dizendo de outra maneira, as perspectivas de Filosofia
mestiça podem ser relacionadas às noções de currículo e de formação
disciplinar? MS – Essa é uma questão sobre a qual eu já refleti muito e eu não estou certo de ter uma
boa resposta. Isso é muito difícil. É muito difícil porque, de fato, devemos ser rigorosos
e precisos quando temos uma especialidade bem definida. Chamamos isso de honestidade da
formação universitária e disciplinar. Quando você é especialista em uma questão, você a
pensa de uma forma precisa, rigorosa, etc. Então, evidentemente, toda a questão é de
relação. A invenção é sempre uma questão de relação. Eu te dou um exemplo. Havia a
astronomia no começo do século XX e havia a física. E de repente houve astrônomos e físicos
que entraram em relação e inventaram a astrofísica. Isso representou uma novidade
extraordinária e uma nova disciplina. Da mesma forma, havia químicos e biologistas, eles
inventaram a bioquímica. Era uma nova disciplina. Assim, efetivamente, no começo da relação
perdemos um pouco da precisão, ou do rigor, mas a chance é de inventar uma nova disciplina
que terá, por ela mesma, um novo rigor. Todavia, eu não sei muito bem como se escapa do
antigo rigor e se inventa o novo. Sim, é essa a questão. Portanto, eu acredito que é
preciso, de fato, se dedicar a estudos interdisciplinares, mas como gerir a questão do
rigor e da precisão? Eu me esforço para responder à questão. É muito difícil. M-E - É uma questão para se pensar. Uma questão muito interessante. MS – Sim. É talvez a diferença que há entre a educação e a invenção. É essa, eu acredito, a
verdadeira resposta. Isto é, eu posso estar, por exemplo, na biologia, é necessário que eu
pense realmente o que é uma espécie viva, o que é um indivíduo, o que é uma planta. E aí há
precisão, descrição, etc. E se eu me jogo, de repente, numa relação com outra disciplina,
eu perco essa precisão. Portanto, há, de um lado, a formação e a educação; e, de outro
lado, a invenção, a inovação. Isso é um pouco a questão que você me fez: por que o senhor
deixou o modelo universitário? Eu te disse que ele era bom, honesto, preciso, rigoroso, que
eu gostava muito dele, mas que eu o deixei, pois eu precisava ver o novo. M-E – É necessário, portanto, partir. MS – É isso. Forme-se bem, seja rigoroso, seja preciso, seja honesto, mas, em um certo
momento, ops!, é necessário que você saia, se você quiser inventar. É isso. M-E – Especificamente sobre o Brasil, há um mito ou um clichê no qual se pensa ter havido
uma harmonia na relação entre as diferentes culturas que o constituíram. Há, sim, uma
mestiçagem, mas há também muitos conflitos. Esse mito veio acompanhado, durante um tempo,
de uma falsa convicção de que no Brasil não há preconceitos raciais. Hoje, essa falsa
convicção é questionada, e nós falamos de um preconceito velado que marca a nossa
sociedade. A consciência desse fato foi benéfica para nos ajudar a enfrentar o problema.
Falamos sobre preconceito e pensamos sobre essa questão. Em nossa sociedade nós começamos a
ver o outro e as relações que temos com ele. Então, essa situação nos faz refletir: a
mestiçagem só é possível quando eu sou capaz de reconhecer no outro uma alteridade? É
preciso que eu veja o outro e o reconheça em sua alteridade. Mas, ao mesmo tempo, não seria
essa relação também uma violência, como propõe, por exemplo, a ideia de antropofagia? Ou
seja, é possível fazer uma relação entre mestiçagem e antropofagia? MS – A resposta que eu posso dar a essa questão é uma resposta que muito me afeta, porque,
quando eu fui ao Brasil para ensinar, há 20 anos ou mais – foi nos anos 70, 40 anos,
portanto –, essa questão começava a se intensificar nesse momento, e eu estava entre os que
colaboraram para a discussão, porque eu fa-lava muito de mestiçagem, etc. Então,
forçosamente, quando se fala de mestiçagem, a questão é ambígua. Ela tem um lado bom e um
lado ruim. Sim, eu creio que o Brasil – e eu o admiro por isso – colocou esse problema e o
estuda como tal. E isso é magnífico! A América do Norte, por exemplo, não enfrenta essa
questão assim. Não mesmo, não mesmo. Há ainda o apartheid nos Estados
Unidos. A solução para mim – e eu não poderia dizer de outra forma – ela está na educação,
mas não somente na educação que consiste em dizer "você é um outro, você é um pouco outro
como eu". Não. É a educação como tal. Ou seja, se você aprende chinês, você se torna um
pouco chinês, se você aprende espanhol, você se torna um pouco espanhol, ou o português,
etc. E, consequentemente, a aprendizagem é, ela mesma, uma mestiçagem – é isso que eu digo.
Dessa forma, não somente a educação moral e humana que consiste em respeitar o outro, mas
também a educação como tal, ela mesma, leva ao feito de ter a experiência de se mestiçar
quando se aprende. É isso. É essa a questão. Então, quanto à antropofagia, não é de fato
uma questão de devorar. Mas eu creio que há alguma coisa bastante profunda nessa analogia,
porque, quando eu aprendo alguma coisa, se diz em francês – eu não sei se diz em português
– "eu levei muito tempo para digerir essa informação". Se diz também em português, não é? E
isso não é ruim. Por quê? E é essa a relação com a antropofagia – é que, definitivamente,
aprendemos com o corpo. Não aprendemos apenas com a cabeça, aprendemos com todo o corpo. E
é o corpo que digere, compreende? Eu acredito que há uma filosofia do corpo como uma
possibilidade de metamorfose. Você sabe, quando você vê um esportista, um dançarino, um
trabalhador – seja um ferreiro, um joalheiro, um pedreiro, etc. –, nunca há o mesmo gesto,
sim? O corpo humano é capaz de uma infinidade de gestos. E essa infinidade de gestos mostra
a que ponto ele pode aprender. Ele pode se metamorfosear. Ele pode tornar-se mestiço.
Portanto, a sua questão da antropofagia eu a coloco ao lado da aprendizagem pelo corpo. E
isso dá bastante importância ao corpo. Eu sempre digo, em muitos dos meus livros, que o
professor principal deveria ser sempre o professor de ginástica. Porque é o professor que
melhor conhece seus alunos. A diferença que há entre você, Maria Emanuela, e sua colega.
Compreende o que eu digo? Não é somente devorar, é mudar o corpo inteiro. É o corpo que
pode tornar-se mestiço. Eu sou ao mesmo tempo dançarino, esportista e pedreiro. Eu posso
ser os três. Então, eu sou um mestiço. M-E - No debate sobre a educação de nosso tempo se fala muito sobre a influência da cultura
digital na escola. Sobretudo na França, eu tenho a impressão que essa questão é
frequentemente abordada. Eu estou aqui há quatro meses e tive a oportunidade de encontrar
esse debate em diferentes ambientes. Contudo, há uma cultura do livro impresso muito forte
na França, bem mais que no Brasil. Eu gostaria de saber o que o senhor pensa sobre essa
influência da cultura do livro digital na nossa sociedade e se há diferença entre a
presença do livro digital num país com uma forte cultura do livro impresso e essa presença
em um outro, no qual essa cultura do livro impresso é menos forte. O que o livro digital
pode representar nessas duas diferentes realidades? MS – É simples compreender isso, é muito simples. É que a França é um país em que o livro
impresso exerce influência há qua-se 1600 anos, e essa influência no Brasil é bem mais
recente. É simplesmente uma questão de história. Todavia, obviamente, a cultura digital tem
uma chance bem maior de entrar num país ou numa cultura na qual a influência do livro
impresso é menos forte. Provavelmente haverá diferença de equilíbrio entre as duas
culturas. Ou melhor, permita que eu reformule a resposta. Eu acredito que a revolução
digital é a terceira revolução que nós conhecemos. A primeira revolução é a invenção da
escrita. A segunda revolução é a invenção da imprensa e a terceira é o digital. A primeira
invenção, da escrita, deu lugar a completas transformações. Transformações no que se refere
à política, à sociedade, ao comércio, às finanças, à religião e, por fim, transformações
filosóficas e pedagógicas. A Paideia grega, a pedagogia, nasceu da
escritura. E a filosofia nasceu com isso. Isto é, Sócrates de-testa a escrita, ele prefere
falar, e Platão não fala, ele escreve. O jogo entre os dois é a filosofia de Platão e a
invenção da escrita. No momento da invenção da imprensa, têm-se as mesmas transformações
profundas, tanto na sociedade – a nova democracia, a nova maneira de trocas, o banco surge
nesse momento, o cheque surgiu nesse momento – quanto na filosofia, com Montaigne. A
filosofia dos livros de Montaigne, sim? E agora o digital chega e modifica em torno dos
mesmos segmentos. Há uma crise financeira, é o digital; há uma crise política, é
provavelmente o digital também, etc. E todas as crises que nós vivemos hoje podem talvez
ser consideradas ligadas à revolução digital. Então, que se tem uma crise do livro é
evidente, que se tem uma crise na cultura é evidente, e é por isso que a Polegarzinha é
verdadeiramente a heroína de nosso tempo. E, evidentemente, os mais velhos não a
compreendem. Ou seja, a Polegarzinha é uma nova pessoa, que vive em um mundo implicado pelo
digital. Um velho senhor, ele utiliza o digital como uma ferramenta exterior, ele não está
no mundo digital. Há um mundo novo que está surgindo. Nesse caso, será que o livro impresso
vai morrer? Eu não acredito. Não, porque, se eu observo as três revoluções, não é porque se
tem a escrita que se parou de falar; não é porque se teve a impressão que se parou de
escrever e não é porque se tem o digital que se vai parar de imprimir. Você tem uma
impressora na sua casa, eu também. Você vê, logo, continuamos a imprimir. Eu acredito que
há uma transformação completa. E uma das verdadeiras transformações é na pedagogia.
Frequentemente perguntam a minha opinião sobre isso. Por exemplo, se o ensino
on-line vai mudar completamente as universidades? É possível. É
provável. Há já alguns anos que meus alunos em Stanford me dizem: "por que eu preciso pagar
tão caro para ter uma coisa que eu já tenho comigo sempre?", afirmam, se referindo ao que
se tem no smartphone ou no computador. É uma verdadeira questão. E,
consequentemente, vemos que há uma transformação completa, até mesmo dos locais, das
construções das universidades. Mas prever isso é uma coisa muito difícil. Eu não sei como
prever essas mudanças. Todavia, sim. Há transformações, isso é certo. E isso vai afetar a
pedagogia e talvez até mesmo a política. Eu gostaria de congelar o tempo aqui nesse momento
e, então, voltar a ter sua idade para poder participar da reconstrução desse novo
mundo.
1Pesquisa financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo -
FAPESP.
El filósofo Michel Serres e historiador de la filosofía y la ciencia en una imagen de 1980.Cordonpress
El filósofo Michel Serres, una figura intelectual bien conocida del
gran público en Francia, ha muerto este sábado a los 88 años. "Ha muerto
de manera apacible a las siete de la tarde y rodeado de su familia", ha
dicho su editora, Sophie Bancquart, de la casa Le Pommier. Apasionado
de las cuestiones que conciernen a la ecología y a la educación, el
académico abordó todas las formas del saber y en su obra anticipó las
transformaciones que provocan las nuevas tecnologías de la comunicación.
"Estamos en el año cero de una nueva manera de compartir el
conocimiento", adelantó en 1996. No rehuyó las matemáticas, la
sociología o la historia en una labor de expansión de los límites de la
filosofía para explorar sus contornos sin renunciar al uso de un
lenguaje inteligible por el gran público. "Llamamos utópico a aquello
que no entendemos", sentenció.
El filósofo Michel Serres, una figura intelectual bien conocida del
gran público en Francia, ha muerto este sábado a los 88 años. "Ha muerto
de manera apacible a las siete de la tarde y rodeado de su familia", ha
dicho su editora, Sophie Bancquart, de la casa Le Pommier. Apasionado
de las cuestiones que conciernen a la ecología y a la educación, el
académico abordó todas las formas del saber y en su obra anticipó las
transformaciones que provocan las nuevas tecnologías de la comunicación.
"Estamos en el año cero de una nueva manera de compartir el
conocimiento", adelantó en 1996. No rehuyó las matemáticas, la
sociología o la historia en una labor de expansión de los límites de la
filosofía para explorar sus contornos sin renunciar al uso de un
lenguaje inteligible por el gran público. "Llamamos utópico a aquello
que no entendemos", sentenció. Serres
(Agen, Francia, 1930) era hijo de un marinero. Entró en la Escuela Naval
en 1949 y en la Escuela Normal Superior en 1952. Comentaba que había
escogido primero las ciencias exactas y la física. "Mi generación quedó
marcada por el fin de la guerra y por Hiroshima", comentó en una entrevista en 2016,
un impacto al que atribuye que dejara la carrera científica y
emprendiera la literaria y la filosófica. "Siempre he lamentado que los
filósofos de mi generación no conocieran la ciencia y, por tanto, no
pudieran ser lúcidos por completos al respecto del mundo contemporáneo". Militar de la marina hasta 1958, a partir de esa fecha se encontró en
la enseñanza. Se especializó en Leibniz, a quien dedicó su primer
libro, en el revuelto 1968. Frecuentó a Foucault. Fue profesor en la
Universidad de Stanford, conferenciante en La Sorbona y miembro de la
Academia de Francia desde 1990. Sin olvidar nunca su interés científico original, firmó multitud de
ensayos sobre la historia de la filosofía y de la ciencia, como El hermafrodita, La leyenda de los ángeles, Génesis, Los cinco sentidos (un superventas), El contrato natural o el ciclo de Hermés. Amigo de Hergé, el autor de Tintin, le dedicó un libro en homenaje en 2000: Hergé, mi amigo. En 2016 publicó en España Figuras del pensamiento, una suerte de autobiografía intelectual, en la que sostiene que pensar significa inventar. Ya el pasado febrero, con 88 años a cuestas, recogió de imprenta su última obra, Morales espiègles ("Morales juguetonas"),
publicada en la editorial a la que ha sido fiel durante los últimos 20
años, la pequeña Le Pommier, con una ilustración de Sancho Panza y Don
Quijote en la portada. "Es un libro de circunstancias, por ser el 20
aniversario de mi editor; y por eso lo acepté y me dije: ¿de qué podría
escribir? Me di cuenta de que jamás había escrito de la moral", declaró
en un programa de televisión. "Entro en la moral como en un territorio
exótico", dejó escrito en el libro.