20/06/2019

4.556.(20jun2019.8.8') Atlas...Globo terrestre...Planisfério...

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Globo Terrestre
 https://pt.wikipedia.org/wiki/Globo_terrestre
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20 de Junho de 1492: Surge o primeiro globo terrestre, apelidado "Maçã do Mundo"

Em Nuremberga, no dia 20 de Junho de 1492, ou seja, algumas semanas antes da descoberta do "Novo Mundo", o cartógrafo e navegador Martin Behaim conclui a construção do primeiro globo terrestre. Em colaboração com o pintor Georg Glockenthon, Behaim  construiu-o entre 1491 e 1493 aquando da sua permanência em Nuremberga, denominando-o  “Erdapfel”, ou seja, “maçã do mundo”. O original está hoje em exibição no Germanisches Nationalmuseum de Nuremberga e é uma das obras de arte mais descritas da Europa.





O Globo de Behaim, também conhecido como Globo de Nuremberga, seguiu a ideia de um globo construído por volta de 1475 para o papa Sisto IV, porém melhorando a representação e incluindo meridianos e a linha do Equador. Este globo, de cerca de 50 centímetros de diâmetro, encontra-se conservado na sua cidade natal.

A rotundidade da Terra, posta em evidência dois mil anos antes, não era já dúvida para ninguém. Entretanto, houve necessidade de mais meio século para compreender, a partir de Copérnico, que a Terra é que gira em torno do Sol e é só um planeta no meio de outros.

É certo que os Sumérios, devotados à astronomia e que viviam na Mesopotâmia 3 mil anos antes de Cristo, representavam a Terra como um disco chato pousado sobre um oceano sem limites.

Foi somente no século V a.C., no tempo de Péricles, que filósofos gregos como Pitágoras e Parménides começaram a representar a Terra sob a forma de uma esfera, cuja representação lhes parecia coerente com a curvatura do horizonte.

Por volta de 230 a.C., o astrónomo e matemático Eratóstenes confirma brilhantemente a rotundidade da Terra e, ademais, mede a sua circunferência com incrível precisão. Num primeiro momento, atenta no solstício de verão o momento em que o Sol está no seu zénite e se reflectia nas águas de um poço muito fundo na cidade de Syene, hoje Assuão, Egipto, que ficava exactamente no limite da zona tropical e no mesmo meridiano de Alexandria. Num segundo tempo, no mesmo dia do ano e no mesmo momento mede em Alexandria, a mil quilómetros a norte, a sombra projectada por uma vara na vertical.

Conhecendo a distância entre as duas cidades e desprezando a diferença de inclinação dos raios solares, deduz que nosso planeta tem uma circunferência de 250 mil estádios, ou seja, praticamente 40 mil quilómetros, medida muito próxima da actualmente admitida.

Geografia de Cláudio Ptolomeu, um grego de Alexandria, retoma as conclusões dos sábios que lhe antecederam. Graças a essa obra bem conhecida dos eruditos da Idade Média, a rotundidade da Terra iria ser ensinada nas universidades ocidentais a partir do século XIII e somente religiosos sectários ou ignorantes a negariam ou ignorariam.

Em 1410, o teólogo francês Pierre d'Ailly publica uma obra de cosmografia de grande difusão: Imago Mundi. Continuamente reeditada e enriquecida durante todo o século XV, sintetiza a visão medieval do mundo.

Segundo a Imago Mundi, as terras emergentes, todas reagrupadas na metade norte do globo terrestre, estão cercadas por um imenso rio, o “Mar Oceano”, salpicado de ilhas cada qual com uma singularidade, com habitantes como pigmeus, ciclopes, cinocéfalos — homens com cabeça de cão — antropófagos, etc. O equador marca o limite que é impossível ao homem ultrapassar.

À época de Cristóvão Colombo, os eruditos, navegantes e geógrafos conheciam tão bem o Imago Mundi quanto a geografia de Ptolomeu. Indagavam-se somente sobre a extensão do “Mar Oceano” que supostamente separava a Europa da Ásia.

Ora, Ptolomeu, na sua célebre Geografia, estabeleceu para a circunferência da Terra um valor claramente inferior ao de Eratóstenes, da ordem de 180 mil estádios ou 33 mil quilómetros.

Com base nisso, o astrónomo florentino Paolo Toscanelli produziu em 1468, para atender o rei de Portugal, uma carta que mostrava a Europa separada do Extremo Oriente por um oceano de somente 10 mil quilómetros de extensão. Esse mapa induziria Colombo a erro, subestimando drasticamente a distância que separava, a oeste, a Europa do Extremo Oriente. De todo modo, o navegador genovês ousaria empreender a viagem que o levaria a descobrir um Novo Mundo.
Fontes:Opera Mundi
wikipedia (imagens)
 
O Globo de Nuremberga
https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2019/06/20-de-junho-de-1492-surge-o-primeiro.html?spref=fb&fbclid=IwAR2APEbTZnhuORrsqC7rQ_MnH_tA-7nLBBNnli-2rGNWBDtlNZznBP2jAtU
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Atlas
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5noVEMbro2014

Atlas do século XV com Descobrimentos portugueses vai ser leiloado em Londres

Atlas do século XV de Grazioso Benincasa
 Atlas do século XV de Grazioso Benincasa
Um raro atlas marítimo do século XV, que mostra os descobrimentos feitos pelos portugueses em África, desenhado 24 anos antes de Colombo descobrir a América, vai ser leiloado pela Christie’s, a 19 de novembro, em Londres.
De acordo com a leiloeira, o atlas ilustrado, mostrando os limites das costas marítimas então conhecidas – assinado pelo cartógrafo e navegador italiano Grazioso Benincasa (1400-1482) – irá a leilão com uma estimativa de venda de dois a três milhões de euros.
Ainda segundo a Christie’s, sobreviveram até hoje apenas 58 atlas do século XV, sendo este, desenhado à mão em Veneza, em 1468, um dos três que ainda permanecem em mãos de privados.
Julian Wilson, especialista da leiloeira em manuscritos antigos, indicou que o atlas de 600 anos “está desenhado numa larga escala invulgar, e representa 3.000 milhas do litoral da Europa ocidental e da costa africana, desde a Escócia, no norte, até à Serra Leoa, no sul”.

“Quatro dos mapas mostram os descobrimentos mais recentes dos portugueses, à época, na África ocidental, na sua tentativa de liderar a via marítima em redor daquele continente, para serem os primeiros a alcançar as Índias orientais e ter acesso à lucrativa rota das especiarias”, acrescenta o especialista, num texto sobre o manuscrito.
O atlas contém sete mapas, que mostram a atual Guiné-Bissau, Guiné e Serra Leoa; a costa ocidental africana, de Cabo Branco a Cabo Roxo, com uma das mais antigas representações conhecidas de Cabo Verde; as Ilhas Canárias e a Mauritânia; Portugal e África ocidental, a norte, pelo estreito de Gibraltar até Agadir, em Marrocos; a Europa ocidental, com Portugal, Espanha e França; e a Grã-Bretanha e a Irlanda.

Christie's
Quatro dos mapas mostram os descobrimentos mais recentes dos portugueses à época.
Quatro dos mapas mostram os descobrimentos mais recentes dos portugueses à época.
/Lusa
https://zap.aeiou.pt/atlas-seculo-xv-com-descobrimentos-portugueses-vai-ser-leiloado-em-londres-47613
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Planisfério
 
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Qual foi o primeiro Mapa-Mundi

Quando e como foi feito o primeiro mapa-múndi? A pergunta enviada por Tais Sintra, por correio eletrônico, é respondida por Amanda Estela Guerra, da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
[Ciência Hoje Online]

Publicado em 24/01/2011
Planisfério de Cantino, considerado o
primeiro mapa-múndi a representar
a superfície terrestre em seu conjunto,
apresentando os dois hemisférios lado
a lado. foto: reprodução

O primeiro mapa-múndi de que se tem notícia foi feito na Babilônia entre os séculos 7 e 6 a.C. Inscrito em argila cozida, esse mapa associava conhecimentos adquiridos por meio da prática cotidiana dos babilônios, representando parte da baixa Babilônia (atual região do Iraque), com concepções filosóficas acerca do mundo, como as apresentadas por Homero.

Nesse período, a Terra era entendida como um disco plano rodeado por um rio de água salgada que ficava em constante movimento, chamado Oceanus. Atualmente, o conceito de mapa-múndi é o de um mapa que representa a superfície terrestre em seu conjunto, apresentando os dois hemisférios (ocidental e oriental) lado a lado. O primeiro mapa-múndi feito de acordo com esse conceito é conhecido como Planisfério de Cantino. Elaborado em 1502 a mando de um espião italiano chamado Alberto Cantino, esse mapa foi o primeiro a representar o mundo conhecido de então, após a descoberta do continente americano.

Foram usadas as informações fornecidas pelos navegadores sobre o contorno dos continentes, coletadas com a ajuda de instrumentos como o astrolábio, que servia para determinar a latitude em alto-mar. Além disso, o cartógrafo incluiu partes da Europa, Ásia e África, que já eram do conhecimento dos europeus na época.
 https://xapurinews.blogspot.com/2011/01/qual-foi-o-primeiro-mapa-mundi.html
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17/06/2019

4.173.(17jun2019.8.8') Castanheira de Pera...Figueiró dos Vinhos...Pedrógão Grande...

Memórias de um triângulo de concelhos especial...
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Castanheira de Pera
(o meu colega de sindicato, Fernando Lopes, foi, pelo PS, PCâmara e vereador vários anos)
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a piscina com ondas
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Figueiró dos Vinhos
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Museu Malhoa
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Pedrógão Grande
foi um triângulo de concelhos que visitei
várias vezes
aquando era dirigente sindical do SPRC.
Numa primeira fase sem a IC8, com carradas de curvas para ultrapassar
antes de lá chegar
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a barragem do Cabril
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o restaurante com vista especial sobre a barragem
 achegã e o prato de buxo recheado
(levei lá uma excursão do CCCela)
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 a vizinha Luísa
que é professora
e actual vereadora pelo PS
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Enquanto vereador da câmara
muitas vezes intervim
alertando
perante tanta experiência doutros concelhos
que nunca esperavam que ardesse tanto
do seu território ou então perante enxurradas
inesperadas
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Em 1999
fui primeiro da lista CDU
e por lá andei
como candidato
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17jun2019
 fez-se alguma coisa...muito milhão...mas as pessoas continuam a não querer estar no interior...Mesmo nós em Alcobaça, estamos a perder juventude, as minhas duas filhas, quadros superiores, operários especializados, para as cidades e para o estrangeiro!
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AbrilAbril
O que resta de dois anos de discussão e de medidas tomadas na sequência dos trágicos incêndios de 2017? Quais dos responsáveis se chegaram à frente dizendo «sim, foram as nossas políticas, a nossa acção que deixou o mundo rural à sua sorte, que degradou os meios necessários à prevenção e ao combate aos incêndios, que permitiu que os interesses privados se sobrepusessem ao interesse público»?
As causas, ainda que concorrentes, são por demais evidentes: as opções da política de direita ao serviço dos interesses dos grupos económicos que povoam a região e o sector agroflorestal, as imposições orçamentais da União Europeia, a obsessão pelo défice, o enfraquecimento das funções sociais do Estado e a desvalorização dos trabalhadores da Administração Pública. Eis o que está na origem da vulnerabilidade tanto da nossa floresta como do nosso sector alimentar e energético.
Mas o que dizer às vítimas que continuam por indemnizar, àqueles cujo trabalho no sector agroflorestal é o de contribuir para o potencial produtivo do país que continua por recuperar? Como explicar que volte a crescer sem qualquer limite o eucalipto a partir da sua regeneração natural, identificada que estava a necessidade de reflorestar com espécies folhosas autóctones?
Seria de esperar que este episódio trágico obrigasse a enfrentar estas questões com a firmeza necessária; que se assumissem as opções políticas e se revertesse o rumo seguido. Porque, enquanto se tenta passar a ideia de que «o Estado falhou», continua-se a alimentar um equívoco: opções políticas não são erradas ou acertadas; servem interesses distintos e muitas vezes contraditórios.
Se consideramos que defender a floresta, a produção nacional e os pequenos produtores é a opção política que melhor serve a nossa ideia de futuro, então temos que tomar outras opções de fundo.
Não se trata de medidas e legislação avulso para acalmar a indignação do momento. Ao longo destes dois anos não foi reaberto qualquer serviço público encerrado antes de 2017. Continuam a ser retirados apoios, ao mesmo tempo que se tenta colocar as culpas nos pequenos proprietários rurais e encher noticiários com aqueles que se comportam à margem da lei no que toca à reconstrução.
Nada é feito de estrutural no sentido de repovoar o Interior. As pessoas vivem onde têm trabalho e, de preferência, trabalho com condições, onde têm infra-estruturas públicas, onde têm condições de mobilidade. Se no Interior não há gente para avistar os fogos, muito menos haverá quem tenha condições para lhes fazer frente ou antes para cuidar da floresta.
Mas ei-los nas televisões: Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa fazem a sua romaria às zonas afectadas em homenagem às vítimas, e Assunção Cristas fala da «dor que não pode ser esquecida». Mas esqueceu-se que foi o seu governo que de 2011 a 2015 decidiu cortes superiores a 28 milhões de euros no orçamento do Instituto para a Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e da Autoridade Nacional da Protecção Civil (ANPC). Sim, isso é mesmo melhor que se esqueça. Esquecermo-nos que foi o governo do PSD/CDS e a então ministra das Florestas, Assunção Cristas, que aprovaram a liberalização do eucalipto, que permitiram a desvalorização do preço da madeira e o favorecimento dos interesses de grupos económicos como a Altri, a Navigator e a Sonae.
Também Costa não quer lembrar que a nacionalização já vem tarde e que a decisão de fazer depender da iniciativa privada as comunicações da rede nacional de emergência usada por bombeiros, INEM, PSP e GNR, entregando a gestão do SIRESP a uma PPP, foi obra de quatro governos — António Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes e José Sócrates, este último com Costa na equipa.
Dois anos passados, devem ser os portugueses a dizer: «sabemos quem são os responsáveis, que estão ao serviço de interesses que são incompatíveis com o futuro que queremos para o nosso País.»

 https://www.abrilabril.pt/nacional/pedrogao-dois-anos-volvidos-como-podemos-defender-floresta?fbclid=IwAR0usCG1oh_IdB-9rm8lHs8B4j6KsqFsBjsvzHXk8ONJZDfAUX6YI2aqG3k
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TVI

Pedrógão Grande: há dois anos, o fogo matou 66 pessoas e fez mais de 200 feridos


A data é lembrada numa altura em que se sabe que o juiz de instrução do Tribunal de Leiria vai decidir no final da próxima semana se há julgamento no processo que analisa as responsabilidades do incêndio

 https://tvi24.iol.pt/sociedade/incendios/pedrogao-grande-ha-dois-anos-o-fogo-matou-66-pessoas-e-fez-mais-de-200-feridos?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=ed-tvi24&fbclid=IwAR2jzY-nFQQsSA2BPwczby5Tgup1tByHESmepoDvTvNItNp1iln5zY2DjoQ
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17jun2018
Duarte Caldeira:
Foi há um ano. Eram 14h43 de 17 de junho de 2017 quando se iniciou um incêndio florestal em Escalos Fundeiros, no município de Pedrógão Grande, do qual resultou uma das maiores catástrofes ocorridas em Portugal.
 Uma casa arde no concelho de Pedrógão Grande (17 de Junho)
Uma casa arde no concelho de Pedrógão Grande (17 de Junho)CréditosPaulo Cunha / Lusa
Potenciado pelo estado fenológico e carga disponível de combustível e por um fenómeno meteorológico extremo, este incêndio teve como consequência a morte de 64 cidadãos, 254 feridos, elevados danos em habitações, empresas, infraestruturas, culturas e floresta.
Foram muitos os relatórios produzidos, enquanto instrumentos de análise e estudo para identificar as causas, debilidades e responsabilidades que pudessem explicar tão dramática circunstância. Estes documentos disponibilizaram um vasto conjunto de indicadores, tanto do ponto de vista da explicação técnica e científica do ocorrido, como da identificação das lacunas de ação politica de sucessivos governos, que conduziram o território rural à situação de risco em que se encontra.
Muitas das medidas identificadas e propostas pelos mencionados relatórios foram adotadas pelo Governo, tanto impulsionadas por este incêndio como pelos que voltaram a flagelar a região norte e centro do país, de 14 a 16 de outubro do mesmo ano. Porém, foram-no de uma forma desgarrada, nuns casos justificadas pela emergência das situações em causa, mas noutros apenas pela necessidade de preencher a agenda mediática e responder à pressão das oposições parlamentares.
Um ano depois, com seriedade e rigor, ninguém pode garantir a impossibilidade de se repetirem incêndios florestais com as características dos verificados em 2017, potenciados por condições pirometeorológicas propicias, num cenário em que, de acordo com o mais recente relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) se prevê um aumento da temperatura global em cerca de 4,8 graus centígrados e uma diminuição da humidade no ar e nos solos.
Para alem disto, acresce a fragilidade de uma população envelhecida em territórios de baixa densidade, abandonados e sem perspetiva de futuro, circunstancia que aumenta o potencial de risco. Assim, o que importa é criar as efetivas condições para reduzir o risco e aprimorar os sistemas de alerta e socorro, para que as populações possam aumentar a sua resiliência para lidar com tais incêndios.
Mal refeita do choque do incêndio de Pedrógão Grande a sociedade despertou para a problemática dos incêndios florestais e deixou de considera-los como um acontecimento recorrente do verão português, como se de uma fatalidade se tratasse.  
Dir-se-á que é preciso renascer das cinzas e não insistir na discussão à volta do que aconteceu há um ano, concentrando esforços e ação para que a tragédia provocada pelos incêndios não se repita, uma vez que temos por adquirido que vamos continuar a enfrentar grandes incêndios. Discordo desta argumentação.
Sim é preciso continuar a analisar, estudar e concluir sobre o que aconteceu em Portugal em 2017. Sim é preciso continuar a debater as vulnerabilidades do território, dos sistemas de proteção e socorro das pessoas, bem como da ação politica –  a nível local e central – visando a melhoria da sua qualidade e adequação.
E isto porque não podemos remeter para o arquivo da memória – tantas vezes utilizado como instrumento de desresponsabilização individual e coletiva – o que deve continuar a ser matéria para reflexão e imperativo para a ação.
As 115 vítimas mortais dos incêndios florestais de junho e outubro de 2017, bem como todos os sobreviventes que viram as suas vidas totalmente devastadas em consequência da referida catástrofe, impõem que continuemos a procurar respostas, não numa perspetiva persecutória para pessoas e instituições, mas apenas para que todos ajudemos todos a agir melhor.


O autor escreve ao abrigo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990
https://www.abrilabril.pt/nacional/evocacao-de-uma-catastrofe
17junho2017
  ...memórias deste dia:
14.43'... quando se iniciou um incêndio florestal em Escalos Fundeiros, no município de Pedrógão Grande, do qual resultou uma das maiores catástrofes ocorridas em Portugal.
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17junho
 Hoje é Dia Mundial de Combate contra a Seca e a Desertificação... É uma ocasião única para lembrar que a desertificação pode ser eficazmente combatida, que existem soluções e que as principais ferramentas para tal assentam no fortalecimento da participação das comunidades e da cooperação a todos os níveis.
 https://www.youtube.com/watch?v=QRaBXIjfsNg&fbclid=IwAR1YfuxmGGHv3UHfTLZAoPjt_1CyawBDdI_akMEMB7DEgcIlnVFO320G3GI

16/06/2019

4.069.(16jun2019.8.8') Yukio Mishima

Nasceu a 14jan1925
e morreu a 25nov1970
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 https://pt.wikipedia.org/wiki/Yukio_Mishima
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 Yukio Mishima
 Biografia: Yukio Mishima é o nome artístico utilizado por Kimitake Hiraoka, novelista e dramaturgo japonês mundialmente conhecido por romances como O Templo do Pavilhão Dourado e Cores Proibidas. Escreveu mais de 40 novelas, poemas, ensaios e peças modernas de teatro Kabuki e Nô.
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"As mulheres: bolas de sabão; o dinheiro: bolas de sabão; o sucesso: bolas de sabão. Os reflexos sobre as bolas de sabão são o mundo em que vivemos."

"Como é possível denominar 'homem de ação' a quem por seu trabalho de presidente em uma empresa faz cento e vinte chamadas telefônicas diárias para se adiantar à concorrência? É talvez homem de ação o que recebe elogios porque aumenta as ganâncias de sua sociedade viajando a países subdesenvolvidos e saqueando seus habitantes? Em geral, são estes vulgares despojos sociais os que recebem o título de homens de ação em nosso tempo. Emaranhados nesse lixo, estamos obrigados a testemunhar a decadência e morte do antigo modelo de herói, que já exala um odor miserável. Os jovens não podem deixar de observar com desgosto o vergonhoso espetáculo desse modelo de herói, o qual aprenderam a conhecer pelas historietas, implacavelmente derrotado e deixado a murxar pela sociedade à qual deverão pertencer algum dia. E gritando seu rechaço a semelhante sociedade em seu conjunto, tentam desesperadamente defender sua pequena divindade."
"É possível para as pessoas utilizarem o corpo como uma metáfora para as ideias"
"Como lidar com uma era que manchou tudo que noutros tempos era sagrado?"
 https://www.pensador.com/autor/yukio_mishima/
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16mar2012
Entrevista:



Mishima, consagrado autor japonês, foi premiado em vida diversas vezes, e sua obra continua sendo publicada em todo o mundo. Foi indicado por três vezes para o prêmio Nobel de literatura. O Mar da Fertilidade é uma tetralogia escrita já no final de sua vida, e é considerada sua obra-prima.
 https://www.youtube.com/watch?v=vevipatBwfQ
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Observador
Rita Cipriano

 Yukio Mishima viveu como escreveu e morreu como sonhou. Um dos nomes mais importantes da literatura japonesa do século XX, transformou-se numa lenda depois de se suicidar através do ritual "seppuku". 

Na manhã de 25 de novembro de 1970, Yukio Mishima saiu para a varanda do comando ocidental do exército japonês em Tóquio para se dirigir às tropas que se tinham reunido em frente ao edifício. Mishima tinha tomado conta do escritório do comandante, o general Kanetoshi Mashita, com a ajuda de um grupo de jovens membros da Tatenokai, um grupo nacionalista dedicado a defender os valores tradicionais japoneses e a venerar o imperador que tinha fundado dois anos antes. Declarando que o Japão estava dominado pelo “vazio espiritual”, o escritor atacou a constituição “sem espinha” do pós-guerra, que impedia o rearmamento do país, e apelou à revolução. “É possível que valorizem a vida num mundo onde o espírito morreu?”, perguntou aos soldados. Ignorado pela multidão, desistiu passados sete minutos. Entrou, sentou-se no chão e cravou uma espada no abdómen.
A sua morte foi noticiada ainda nesse dia. De acordo com Damian Flanagan, o seu nome, repetido na rádio e na televisão, levou a que muitos pensassem que tinha finalmente ganho o Prémio Nobel, para o qual tinha sido nomeado várias vezes. A realidade era outra. O Asahi Shimbun reproduziu, na sua edição da noite, uma fotografia da cabeça de Mishima, que tinha sido separada do seu corpo por um dos seus colaboradores, responsável por completar o ritual de suicídio seppuku
 Naquele dia, o jornal bateu o recorde de vendas (que se mantém até hoje). O seu suicídio tornou-se motivo de todas as discussões, ao mesmo tempo que a sua mensagem caía no esquecimento. Mishima tinha falhado.
A morte ritualista de Yukio Mishima foi o culminar de um caminho de desenvolvimento pessoal e ideológico percorrido pelo escritor na última década de vida. Desde cerca de 1960 que Mishima, um alienado na sociedade moderna, alimentava o desejo de ver o seu país regressar aos valores de antigamente. Essa vontade começou a ser explorada compulsivamente nos seus trabalhos literários — cujo brilhantismo e inovação fizeram com fosse três vezes nomeado para o Prémio Nobel da Literatura —, onde começaram a surgir com frequência temas como a morte e a autodestruição. Na vida de Mishima, onde este cultivava os ideais que defendia nos seus livros, a obsessão pelo antigo Japão parecia andar de mãos dadas com um suicídio à maneira dos samurais. Ao contrário da personagem de um dos seus livros, Vida à Venda (publicado este mês pela primeira vez em Portugal), que conta a história de um homem que coloca a sua vida à disposição dos outros porque queria morrer, talvez Mishima não tivesse como escapar à morte — o fim era inevitável.

Não à Vida saiu originalmente na Playboy japonesa em 1968. Nunca tinha sido publicado em Portugal. A edição da Livros do Brasil chega às livrarias a 19 de junho

O despertar da consciência

Kimitake Hiraoka (o verdadeiro nome de Yukio Mishima, que significa algo como “aquele que narra a razão”) nasceu a 14 de janeiro de 1925, em Tóquio, no seio de uma antiga família japonesa. A sua infância foi dominada pela conservadora avó materna, Natsuko Hiraoka, que, quando ainda era um bebé, o afastou da família, educando-o longe dos irmãos. Natsuko era uma figura violenta, com tendências mórbidas, que alguns acreditam ser a origem da fascinação de Yukio Mishima pela morte e pelo desejo insaciável de atingir a perfeição de corpo e mente.

Enquanto crescia, o futuro escritor foi proibido de praticar qualquer desporto, de brincar com outros rapazes e de sair para a rua e apanhar sol. Por outro lado, aprendeu a venerar o código de conduta dos samurais — bushido —, que defendia a honra, a coragem e a abnegação. Mas bushido era uma faca de dois gumes e, com o passar do tempo, Mishima acabou por ter de reconhecer que o tempo dos antigos guerreiros já tinha passado. Como explicou o académico Alexander Lee num artigo publicado na revista britânica History Today, desde a Revolução Meiji em 1868, que acabou com o xogunato, o antigo regime feudal japonês, e acelerou o processo de industrialização e modernização do país, que os samurais tinham desaparecido.
“O Japão tinha aberto as suas portas; tinha-se modernizado; e as suas forças militares tinham sido reformadas seguindo padrões ocidentais”, afirmou. Isso possibilitou “algumas vitórias impressionantes nas décadas seguintes” — nomeadamente contra a marinha russa, na Batalha de Tsushima, em 1905 —, que deram origem a um “fervor patriótico” ao qual Mishima não foi indiferente. Mas a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial — na qual o autor não participou por ter sido considerado inapto para o serviço militar —, a sua rendição, o abandono do estatuto divino por parte do imperador Hirohito e a ocupação do território pelas forças norte-americanas, que levou à revisão da constituição, à desmilitarização do país e à assimilação de hábitos ocidentais, fizeram com que surgisse um sentimento de perda de identidade entre algumas camadas da sociedade. Esta “alienação cultural”, como lhe chamou Alexander Lee, acompanhou Mishima para o resto da sua vida e serviu de tema a vários dos seus trabalhos literários, nomeadamente ao romance semi-autobiográfico Confissões de uma Máscara.
 “Ele decidiu, desde muito cedo, que ia dar ao leitor o mundo da beleza e da elegância japonesa que mais ninguém tinha conseguido dar”, afirmou John Nathan, biógrafo do escritor. “Acho que ele conseguiu atingir isso.”

Até porque, apesar da defesa que fazia dos valores tradicionais japoneses, o escritor era “uma figura violentamente ocidentalizada”, sobretudo na sua vida privada, como escreveu Hywell Williams para o The Guardian. Era como se vivesse entre dois mundos. Gostava de usar fatos caros, calças de ganga azul e blusões de cabedal; as suas grandes referências literárias eram europeias e entre elas contavam-se autores como Marcel Proust, Henry de Montherlant ou Raymond Radiguet; e gostava tanto de Nietzsche que, quando morreu, a mãe deixou-lhe uma das obras junto ao seu altar para que o pudesse ler por toda a eternidade. Por altura do seu suicídio, em 1970, estava a preparar uma nova versão da peça Salomé, de Oscar Wilde, que tinha descoberto durante a juventude numa tradução inglesa. A maldade e a beleza de uma obra na qual não era possível encontrar qualquer traço de moralidade marcou-o profundamente, como ele próprio admitiu.
Foi com Confissões que a carreira literária de Yukio Mishima arrancou verdadeiramente, mas não foi com este romance que ela começou. Descrito por muitos como um prodígio, Mishima começou a escrever aos 12 anos, quando frequentava a escola de elite Peers, estabelecida em 1871 pelo imperador Ninko para educar os filhos da aristocracia japonesa. Foi ainda na Peers, para onde entrou aos seis anos, que realizou o seu primeiro grande feito literário — Hanazakari no Mori, um conto de cerca de 200 páginas, escrito em japonês do século XI, no qual o narrador descreve a sensação de os seus antepassados viverem, de algum modo, dentro de si. “Ele decidiu, desde muito cedo, que ia dar ao leitor o mundo da beleza e da elegância japonesa que mais ninguém tinha conseguido dar”, afirmou John Nathan, biógrafo do escritor. “Acho que ele conseguiu atingir isso.” Os professores da escola de Tóquio ficaram tão impressionados que recomendaram a publicação da história na importante revista literária Bungei-Bunka. Para que Mishima não tivesse problemas com os colegas, foi escolhido um pseudónimo, que utilizou até ao fim da sua vida.
Estima-se que cerca de 3,1 milhões de japoneses morreram durante a Segunda Guerra Mundial. Mishima culpava o imperador Hirohito, que abdicou, pela tragédia
Confissões de uma Máscara saiu em 1949, um ano depois da sua estreia na ficção longa com Tozoku (“Ladrões”). Confissões é a história de Kochan, um rapaz fraco da província que tenta encontrar o seu lugar na sociedade japonesa do pós-guerra. Atormentado pelos seus desejos homossexuais e obcecado com os conceitos de masculinidade, honra e morte (muitas das personagens de Mishima têm algum tipo de obsessão), Kochan desenvolve uma falsa personalidade — uma máscara — para esconder o seu verdadeiro eu. O romance foi um sucesso e tornou Mishima, então com 24 anos, numa celebridade dentro e fora do Japão. Por essa altura, já o autor se dedicava exclusivamente à literatura, na qual tinha mergulhado depois de ter tentado, sem sucesso, manter um cargo no Ministério das Finanças para fazer a vontade ao pai.
Nos anos que se seguiram à publicação de Confissões de uma Máscara, Mishima viajou para fora do seu país, aproveitando a fama que tinha ganho para se promover no estrangeiro. Na década de 1960, começou a desenvolver uma aversão mais vincada à sociedade moderna, evidente no romance O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar (1963) — sobre o jovem Noburu Kuroda, que tenta lutar contra os hábitos ocidentais da sua mãe, acabando por assassinar o namorado desta — mas sobretudo na tetralogia O Oceano da Fertilidade, na qual trabalhou nos últimos cinco anos da sua vida. Entre um e outro, Mishima publicou várias coletâneas de contos, dezenas de peças de teatro (quase todas levadas a cena durante a sua vida), e foi escolhido três vezes como candidato ao Prémio Nobel da Literatura.
 O autor tinha consciência que as condições que fizeram surgir esta classe de guerreiros já não existiam. Em vez disso, o que Mishima parecia verdadeiramente desejar era um “redespertar espiritual que ajudasse os japoneses a transcenderam a sua história recente”. 

Na opinião de Alexander Lee, é, no entanto, um erro considerar que Yukio Mishima pretendia “restaurar o passado”. Por muito que admirasse os samurais, o seu tradicionalismo militar e espiritual, o autor tinha consciência que as condições que fizeram surgir esta classe de guerreiros já não existiam (ele próprio defendeu que “aprender com a história nunca deve significar fixar-se num aspeto particular de uma era em particular e usá-lo como modelo para reformular um aspeto do presente). Em vez disso, o que Mishima parecia verdadeiramente desejar era um “redespertar espiritual que ajudasse os japoneses a transcenderam a sua história recente”, explicou o académico. “Mishima reconhecia que bushido se tinha desenvolvido num conjunto intemporal de crenças espirituais. Estas tinham origem no budismo. Depois da sua introdução ‘oficial’ no Japão em 552, o budismo tinha sido combinado com a religião indígena japonesa (shinto). Porém, depois da Revolução Meiji, o budismo foi denegrido como uma importação ‘estrangeira’ e formalmente separado do shinto, que foi transformado num instrumento da política do Estado. Na opinião de Mishima, esta separação estava na base das desgraças do Japão. Por consequência, a redescoberta do budismo era a chave para a salvação.”

A sombra da morte

Em setembro de 1966, a revista norte-americana Life publicou um perfil de Yukio Mishima assinado por John Nathan (que viria a escrever a primeira biografia do escritor, depois da sua morte). Mishima, então com 41 anos, era apontado como um dos favoritos a ganhar o Prémio Nobel da Literatura. Com mais de uma dezena de livros publicados e uma carreira consolidada de cerca de 20 anos (o primeiro romance, Tozoku, isto é, “Ladrões”, saiu em 1948), era já considerado um dos autores mais importantes do período pós-guerra no Japão. Hoje há quem  vá mais longe, e lhe chame o mais relevante de todo o século XX japonês.Para garantir que o Nobel não lhe escapava, Mishima procurou promover-se do outro lado do Pacífico e também em Estocolmo, onde fica a sede da Fundação Nobel, que entrega anualmente o galardão. Os esforços deram frutos — em 1966, como lembrou anos mais tarde John Nathan, Mishima era o segundo japonês mais famoso do mundo, a seguir ao cofundador da Sony, Aki Morita. Mas as capas de revistas não lhe valeram de muito — nomeado três vezes para o Nobel, em 1963, 1964 e 1965, de acordo com a base de dados do prémio, este acabou por lhe escorregar das mãos e ir parar a outro japonês. Em 1968, dois anos depois de ter saído o artigo da Life, Yasunari Kawabata tornou-se no primeiro escritor do Japão a vencer o Nobel da Literatura. Mishima — que via em Kawabata um modelo e um mestre — morreu sem saber como era ser considerado um dos melhores escritores do mundo.

Apesar da defesa que fazia dos antigos valores japoneses, Yukio Mishima também foi influenciado pelo ocidente. Alguns dos seus escritores favoritos eram europeus
A atribuição do Nobel a Kawabata, então com 69 anos, é aparentemente insignificante. Porém, a vontade que Yukio Mishima tinha de ganhar o Nobel era tanta que há quem defenda que a atribuição do prémio a Kawabata, que tinha 69 anos (morreu passado quatro), foi um dos eventos que conduziu ao seu suicídio, ainda que este tenha sido aparentemente motivado só por questões políticas e morais. Na opinião de Hywel Williams, este argumento tem sido usado para diminuir a importância do último grande ato do escritor japonês, o primeiro a rebelar-se contra a chamada Pax Americana, a hegemonia norte-americana estabelecida depois da Segunda Guerra Mundial. De acordo com Williams, outras razões têm sido apontadas com o mesmo objetivo — preocupações com chantagens, dinheiro, família e até a sua homossexualidade, que nunca admitiu abertamente. Mishima também chegou a ser acusado de ser fascista. O nome da milícia privada que fundou em 1968 para defender os valores tradicionais japoneses e o estatuto sagrado do imperador — Tatenokai — traduz-se para inglês como “Shield Society” (“Sociedade do Escudo”). Ou seja, “SS”.

Um dos incidentes que talvez tenha de facto impulsionado o derradeiro ato de Mishima aconteceu um ano depois da fundação da Tatenokai. Em 1969, o primeiro-ministro japonês, Eisaku Sato, e o presidente norte-americano, Richard Nixon, encontraram-se para assinarem um tratado que restituía Okinawa, ocupada desde 1945, ao Japão. O documento previa, porém, a continuação da presença norte-americana na prefeitura do arquipélago Ryukyu, que se tornou num ponto estratégico importante para os Estados Unidos durante a Guerra do Vietname. Foi, aliás, só perto do final do conflito, em 1972, que as ilhas foram devolvidas aos japoneses. A guerra terminou oficialmente em 1975.

 A vontade que Yukio Mishima tinha de ganhar o Nobel era tanta que há quem defenda que a atribuição do prémio a Kawabata, que tinha 69 anos, foi um dos eventos que conduziu ao seu suicídio.
O que é certo é que há muito que Yukio Mishima estava obcecado pela ideia do suicídio. A prática do seppuku — ou harakiri, como é mais conhecido no ocidente, embora os japoneses raramente usem o termo —, através da qual morreu em 1970, surgiu pela primeira vez numa obra sua, o conto Yukoku (“Patriotismo”), publicado quase dez anos antes, em 1961. “Yukoku” conta a história do tenente Takeyama que, depois de ter participado no incidente de Ni Ni Roku, um golpe de estado falhado levado a cabo por militares japoneses em fevereiro de 1936, recebe ordens para executar os seus companheiros. Incapaz de o fazer, decide acabar com a própria vida. A sua mulher, Reiko, escolhe morrer juntamente com ele.Cinco anos depois da publicação de Yukoku, o conto foi transformado numa curta-metragem realizada por Mishima, que interpretou o papel do tenente Takeyama, que se suicida usando um uniforme estranhamente parecido com o que o escritor vestiu no dia do seu suicídio em 1970. Também é curioso que a razão que leva à morte do militar seja um golpe de estado falhado, tal como o que conduziu Mishima à sua. Seria mais um “presságio” do que viria a acontecer, como defendeu Williams?
[O filme “Yokuku: The Rite of Love and Death”, realizado por Mishima com base no conto com o mesmo nome:]
https://www.youtube.com/watch?time_continue=5&v=eJyzoFWNAy4
 A convicção de Yukio Mishima de que o Japão devia despertar espiritualmente e regressar aos antigos valores defendidos pelos samurais não ficou pela literatura. Na última década da sua vida, o escritor mergulhou a fundo nesta ideologia, procurando atingir a perfeição física e mental. Começou a praticar o culturismo (chegou até a ser fotografado para uma revista especializada) e artes marciais, nomeadamente kendo. Em 1968, um ano depois de se ter alistado no exército japonês e ter recebido treino básico, fundou a Tatenokai. A sociedade privada surgiu a 5 de outubro de 1968 e chegou a ter cerca de 90 membros. Estes eram sobretudo jovens estudantes que escreviam para o Ronso Journal, uma publicação universitária de direita. Mishima, responsável pelo seu treino, era criticado por ambas fações políticas — os de esquerda mostravam-se contra a sua defesa do bushido e os de direita eram sensíveis à condenação da abdicação de Hirohito, que o escritor considerava culpado pelo número de japoneses que tinham perdido a vida durante a guerra.
O escritor terá estudado os antecedentes históricos do "seppuku" meticulosamente. O seu editor japonês, Kojima Chikako, contava que, quando se encontravam uma vez por mês, este lhe relatava histórias cómicas de "seppuku" que tinham corrido mal.

O escritor terá estudado os antecedentes históricos do seppuku meticulosamente. O seu editor japonês, Kojima Chikako, que trabalhou com ele durante a produção da tetralogia iniciada com Neve de Primavera, contava que, quando se encontravam uma vez por mês, este lhe relatava histórias cómicas de seppuku que tinham corrido mal. Uma dessas era sobre um samurai que, ao descobrir que a espada estava romba, se viu obrigado a adiar o seu suicídio por um dia para a afiar. Num outro caso, um homem, que decidiu levar a cabo o ritual sem um kaishaku (a quem cabe executar a segunda parte, o corte da cabeça), ficou deitado no chão durante horas com a barriga aberta até que foi descoberto por um grupo de jovens samurais que, sem se aperceberem que ainda estava vivo, começaram a dizer mal dele. “Não falem de mim dessa forma”, viu-se obrigado a gritar.
Estas histórias eram invariavelmente contadas entre risos, mas o olhar de Mishima permanecia sempre sério. Era como se as gargalhadas que lhe saíam da boca não correspondessem à sua expressão. Ken’ichi Yoshida, um famoso crítico literário que se correspondeu com ele durante longos anos, dizia isso mesmo. Para Damian Flanagan, especialista em literatura japonesa, era como se o escritor tivesse tentado durante toda a vida “personificar os estímulos visuais que alimentaram a sua imaginação em criança”.

Acordar as tropas para terminar com o vazio do espírito

Os sonhos de Yukio Mishima concretizaram-se no dia 25 de novembro de 1970. Nessa manhã, sentou-se à secretária para terminar A Ruína do Anjo, o romance final da tetralogia que tinha iniciado em 1969 com Neve de Primavera. Depois de ter feito as últimas alterações, pôs o manuscrito de lado, tomou banho e arranjou-se. A roupa foi escolhida com cuidado — uniforme castanho, hachimaki (uma fita que se coloca na cabeça) e luvas brancas. De seguida, pegou na espada e saiu de casa. Tinha uma reunião marcada com o general Kanetoshi Mashita, do comando ocidental do exército japonês em Tóquio.Mishima deslocou-se até à zona de Ichigaya na companhia de quatro jovens membros da Tatenokai —Hiroyasu Koga, Masayoshi Koga, Masakatsu Morita e Masahiro Ogawa. Uma vez dentro do escritório, o comandante foi atado a uma cadeira. O grupo barricou-se no interior e, ameaçando que matariam Mashita, exigiram que todos os soldados se reunissem em frente ao edifício do comando. O plano passava por obrigar os militares a ouvir um discurso que Mishima tinha preparado na véspera e que, na opinião dos membros da Tatenokai, deveria ser suficiente para convencê-los de que o país precisava urgentemente de uma reforma constitucional e que a única forma de o fazer era através de uma revolta das forças armadas. O Japão “real”, que preservava o “o verdadeiro espírito dos samurai”, tinha morrido. Era preciso fazê-lo renascer.

Yukio Mishima previu discursar durante meia-hora para as tropas em Tóquio. Abandonou a varanda do comando ao fim de sete minutos
Não foi isso que aconteceu. Enquanto falava da varanda do comando militar, Mishima tornou-se alvo dos insultos dos mil soldados presentes. Chamaram-lhe “maluco”, “idiota”, e garantiram-lhe que o “Japão estava em paz”. Não havia motivos para fazer uma guerra. O discurso, que deveria ter tido uma duração de cerca de meia-hora, terminou ao fim de sete minutos. O tempo foi suficiente para os jornalistas que entretanto se tinham juntado em frente ao comando de Tóquio fotografassem Mishima na varanda com o seu uniforme castanho.
Apercebendo-se de que o seu golpe de Estado não iria acontecer, o escritor voltou para dentro para preparar o seu suicídio. Sentou-se calmamente no chão, pegou na espada e enterrou-a no lado esquerdo do abdómen, movendo-a depois para a direita e para cima. Quando caiu para a frente, com a arma ainda nas mãos, um dos seus companheiros, Masakatsu Morita, aproximou-se para completar o ritual seppuku. Incapaz de lhe cortar a cabeça (acertou várias vezes nos ombros e nenhuma no pescoço), assinou a própria sentença de morte. Hiroyasu Koga, um praticante de kendo experiente, tomou o seu lugar como kaishaku e decapitou o escritor. De seguida, Morita praticou o mesmo ritual, cumprindo a sentença que espera por aqueles que não são capazes de terminar o seppuku. Koga cortou-lhe a cabeça. Quando a polícia entrou dentro do escritório do general Kanetoshi Mashita, os rostos de Mishima e Koga estavam lado a lado. “Um dos acontecimentos mais chocantes da história do período de pós-guerra japonês”, como lhe chamou Damian Flanagan, durou pouco mais de 80 minutos.A morte de Yukio Mishima, um dos eventos mais importantes da história japonesa do século XX, foi a síntese de tudo quanto o autor escreveu, sobretudo nos últimos anos, quando explorou obsessivamente temas como o suicídio, personalidades auto-destrutivas e a rejeição da vida moderna. Com o seu fim, o escritor transformou-se definitivamente e para sempre naquilo que expôs nos seus trabalhos. “Ao longo da sua vida, Yukio Mishima escreveu presságios da sua morte. Os seus romances apresentavam-se insistentemente como cartões de visita para um funeral através de harakiri”, defendeu Hywell Williams no artigo publicado no The Guardian. “A sua vida fez parte da sua arte”, afirmou John Nathan.
Fotografias: AFP/Getty Images, Keystone/Getty Images
https://observador.pt/especiais/yukio-mishima-o-escritor-que-sonhou-com-a-morte/?fbclid=IwAR3Y4KtR-QLS3Z82KqosiUOwtxBClJjRaNApKuozEoCyEidjcpkAHAwKehI

15/06/2019

3.942.(14jun2019.9.9') Max Weber


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Nasceu a 21ab1864...Erfurt...Turingia...
e morreu a 14jun1920...Munique...
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15jan2019
 "Neutro é o que já se decidiu pelo mais forte"
abri esta página porque esta frase, parafraseio-a muitas vezes nos meus debates...
 Depois é "Fundador da sociologia moderna..."
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10 livros em pdf
Karl Emil Maximilian Weber foi um intelectual, jurista e economista alemão considerado um dos fundadores da Sociologia. Weber é considerado um dos fundadores do estudo moderno da sociologia, mas sua influência também pode ser sentida na economia, na filosofia, no direito, na ciência política e na administração. Começou sua carreira acadêmica na Universidade Humboldt de Berlim e, posteriormente, trabalhou na Universidade de Freiburg, na Universidade de Heidelberg, na Universidade de Viena e na Universidade de Munique.
Grande parte de seu trabalho como pensador e estudioso foi reservado para o estudo do capitalismo e do chamado processo de racionalização e desencantamento do mundo. Mas seus estudos também deram contribuição importante para a economia.
 Sua obra mais famosa são os dois artigos que compõem “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, com o qual começou suas reflexões sobre a sociologia da religião.

1. A Ciência como Vocação

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2. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo

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3. Economia e Sociedade, Vol. II

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4. Ensaios de Sociologia

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5. Metodologia das Ciências Sociais, Parte 1

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6. O que é Burocracia

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7. Ciência e Política, Duas Vocações

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8. Conceitos Básicos de Sociologia

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9. Conceitos Sociológicos Fundamentais

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10. Psicologia do Trabalho Industrial

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 https://onlinecursosgratuitos.com/10-livros-de-max-weber-para-baixar-em-pdf/
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 Maximillion Weber, economista, sociólogo e filósofo alemão, nasceu em 1864 em Erfurt, Turíngia, e morreu em 1920 em Munique. Filho de um grande industrial textil na Alemanha Ocidental.
Foi um dos principais nomes da sociologia moderna. Realizou extensos estudos sobre história comparativa e foi um dos autores mais influentes no estudo do surgimento do capitalismo e da burocracia, bem como da sociologia da religião. Um dos seus objetivos principais foi refutar a tese de Karl Marx, segundo a qual o capitalismo nascera somente da exploração do homem pelo homem.
Para Weber, o capitalismo teria sido impulsionado por uma mudança comportamental provocada pela Reforma Luterana do século 16. Ocasião quando dela emergiu a seita dos calvinistas com seu forte senso de predestinação e vocação para o trabalho.
Entre suas obras principais estão A ética protestante e o espírito do capitalismo, Economia e sociedade e A metodologia das ciências sociais.
"Poder é toda a chance, seja ela qual for, de impor a própria vontade numa relação social, mesmo contra a relutância dos outros."
"A idade não é decisiva; o que é decisivo é a inflexibilidade em ver as realidades da vida, e a capacidade de enfrentar essas realidades e corresponder a elas interiormente."
 "Especialistas sem espírito, sensualistas sem coração; esta nulidade imagina haver atingindo um nível de civilização nunca dantes alcançado."

"Não é verdade que o bem pode seguir apenas o bem e o mal só o mal, mas muitas vezes o oposto é verdadeiro. Quem não vê isto, é de fato, um bebé de política."
"Regra é, em primeiro lugar, gestão da vida quotidiana."

"A palavra política significa elevação para a participação no poder ou para a influência na sua repartição, seja entre os Estados, seja no interior de um Estado ou entre os grupos humanos que nele existem."
"Somente quem tem a vocação da política terá certeza de não desmoronar quando o mundo, do seu ponto de vista, for demasiado estúpido ou demasiado mesquinho para o que ele deseja oferecer. Somente quem, frente a todas as dificuldades, pode dizer "Apesar de tudo!" tem a vocação para a política."
"Por mais que a vida tenha um sentido, só conhece o combate eterno que os deuses travam entre si, ou, evitando a metáfora, só conhece a incompatibilidade dos pontos de vista últimos possíveis, a impossibilidade de regular os seus conflitos e portanto a necessidade de se decidir a favor de um ou de outro."
"Poder é fazer com que o outro faça o que você quer e sem o uso
da violência real."
"Faço ciência para saber até onde posso suportar..."
"O homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu."
"Em uma democracia as pessoas escolhem um líder em quem confiar. Então, o líder escolhido diz: 'Agora calem a boca e me obedeçam." Pessoas e partidos não são, então, livres de interferir em seus negócios."
"A Sociologia é compreensiva."
"Há duas maneiras de fazer política. Ou se vive 'para' a política ou se vive 'da' política. Nessa oposição não há nada de exclusivo. Muito ao contrário, em geral se fazem uma e outra coisa ao mesmo tempo, tanto idealmente quanto na prática."
 https://www.pensador.com/frases_max_weber/
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 https://pt.wikipedia.org/wiki/Max_Weber
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"Por mais que a vida tenha um sentido, só conhece o combate eterno que os deuses travam entre si, ou, evitando a metáfora, só conhece a incompatibilidade dos pontos de vista últimos possíveis, a impossibilidade de regular os seus conflitos e portanto a necessidade de se decidir a favor de um ou de outro."

A Objectividade do Conhecimento
http://www.citador.pt/frases/citacoes/a/max-weber
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 "Neutro é o que já se decidiu pelo mais forte"
"As pessoas raramente reconhecem as oportunidades da vida, porque elas estão disfarçadas de trabalho."
"O homem não teria alcançado o possível se, repetidas vezes, não tivesse tentado o impossível."
"Às vezes, nossa vida é colocada de cabeça para baixo, para que possamos aprender a viver de cabeça para cima."
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9jan2018
  By Carolina Fiel
O sociólogo alemão max weber define ação social como dotada de sentido e orientada por outro individuo. Para Max Weber ação social é qualquer ação realizada por um sujeito em um meio social que, no entanto, possui um sentido determinado por seu autor.

Weber acredita na sociologia como uma ciência capaz de compreender e interpretar a ação social. Weber (1864-1920) foi um sociólogo alemão que acreditava que a função do sociólogo é compreender o sentido das ações sociais. Ações sociais são ações em que o sentido indicado de um sujeito se refere a conduta de outro.
Nesse período, houve uma grande ruptura do pensamento sociológico, principalmente entre Max Weber e Durkheim. Durkheim afirmava que o olhar do cientista social deve ser imparcial, não deve ser influenciado pelo mundo a sua volta, enquanto Weber afirma que é impossível observar a sociedade do ponto de vista da objetividade.

Teorias de Weber


Uma das principais características da teoria de Weber é a objetividade possível. Dentro desse conceito, a objetividade no campo das pesquisas é tentada, porém não há garantias de que os resultados sejam sempre imparciais.

A análise sociológica para ele é uma análise que não alcança a neutralidade. O sociólogo deve se perceber como uma pessoa que vive em uma sociedade, é um sujeito histórico e é influenciado por ela, por esse motivo não há imparcialidade.

Ele critica o positivismo, a ideia do progresso irrefreável e o evolucionismo, ou seja, ele tem o discurso oposto a Durkheim e Comte.

Weber trouxe o termo sociologia compreensiva, que tenta entender como as relações, as inter-relações e como a vivência em sociedade acontece.

É uma forma de identificar como a sociedade funciona. Para Weber a sociedade é um feixe inesgotável de fatos sociais. Enquanto Durkheim tentava delimitar, Weber ampliou as possibilidades de estudo sociológico.

Ação Social


Para Weber a ação social parte de um indivíduo para outro indivíduo. A partir daí ele desenvolve o conceito de relações sociais. Essas são práticas que são mutuamente aceitas em determinado grupo.

A sociedade é formada por seres sociais que partem da prerrogativa que são aceitas, não existe como analisar fielmente o que acontece na sociedade. Para Weber era necessário criar conceitos ideais para analisar o que acontece objetivamente na sociedade.

A ação social é uma ação pautada na perspectiva do outro, onde existe a predominância do caráter subjetivo. Uma pesquisa guiada por esse conceito, leva em consideração que as pessoas são atuantes e que as inter-relações e a psiquê devem estar envolvidas. 

Weber defende que a sociedade não é reificadora, ele criticou a rigidez da análise, sempre acreditando na fluidez e na consideração de vários aspectos. Weber dizia que a significação cultural diz respeito a análise da sociedade com as suas particularidades e a cultura deve ser avaliada sobre seus aspectos materiais e imateriais.

Weber apresenta quatro tipos puros de ação: ações racionais com relação a valores, ações racionais com relação a fins, ações afetivas e ações tradicionais.

Ações Racionais com Relação a Valores: é quando as ações são tomadas de acordo com valores individuais, porém sem ponderar sobre as consequências ou os meios escolhidos para chegar a eles.

Ações Racionais com Relação a Fins: é quando as ações são tomadas após a avaliação do fim em relação a outros fins, entre outras consequências e formas de atingi-lo.

Ações afetivas: são aquelas ações relacionadas ao afeto, que expressam um sentimento.

Ações Tradicionais: são ações relacionadas às tradições e modos de vida de cada um.

Para Weber a racionalidade da ação está intimamente ligada aos interesses pessoais e valores. Weber foi importante para essa nova fase da sociologia, onde o homem passa a ser objeto de estudo, levando em consideração aspectos subjetivos que fazem parte da sua natureza.

O pesquisador, inserido no mesmo contexto que seu objeto de estudo, tem uma missão difícil ao tentar manter a objetividade na sua análise.

Referências


  1. Brasil Escola. A definição de ação social de Max weber. Disponível em: brasilescola.uol.com.br. Acesso em: 06 jan. 2018.
  2. Brasil Escola. Introdução à teoria de max weber. Disponível em: brasilescola.uol.com.br. Acesso em: 06 jan. 2018.
  3. Toda Matéria. Ação social. Disponível em: todamateria.com.br. Acesso em: 06 jan. 2018.
  4. Wikipédia. Ação social. Disponível em: pt.wikipedia.org. Acesso em: 06 jan. 2018.
  5. Wikipédia. Max weber. Disponível em: pt.wikipedia.org. Acesso em: 06 jan. 2018
 https://pt.lifeder.com/sociologo-alemao-max-weber-define-acao-social/
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14/06/2019

3.938.(14jun2019.8.8') Isaura Silva Borges Coelho

Nasceu a 20jun1926...Portimão
e morreu a 11jun2019
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12jun2019

Morreu Isaura Borges Coelho, antifascista que lutou pelos direitos das enfermeiras

Figura da resistência ao fascismo, lutou pelos direitos das mulheres, nomeadamente, pelas enfermeiras, profissão que exerceu. Foi presa e torturada pela PIDE. Casou-se no Forte de Peniche com António Borges Coelho
 (...)
Encabeçou um abaixo-assinado dirigido ao presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar, ao Cardeal Cerejeira e ao enfermeiro-mor dos hospitais quando teve conhecimento que 12 colegas enfermeiras do Hospital Júlio de Matos "foram despedidas, por terem casado sem autorização".
"Recolheu centenas de assinaturas para exigir a liberdade de casamento para as enfermeiras". Pedia a revogação do artigo 60 do decreto-lei nº 28794, de 1 de Julho de 1938, que exigia que para os lugares de enfermeiras e também para os de empregadas domésticas só poderiam "ser admitidas mulheres solteiras e viúvas, sem filhos".
(...)
https://www.dn.pt/pais/interior/morreu-isabel-borges-coelho-antifascista-que-lutou-pelos-direitos-das-enfermeiras--11004915.html
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25jun2017

Isaura Borges Coelho

(1926-2019)
by Helena Pato:
Mulher corajosa e de uma grande doçura, desde sempre admirada pela determinação com que, ainda jovem, enfrentou e desafiou o regime, Isaura é uma figura emblemática da luta das enfermeiras e na Resistência contra o fascismo.
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Isaura Assunção da Silva (Borges Coelho) foi condenada pelo Tribunal Plenário de Lisboa, no dia 16 de Julho de 1954, a dois anos de prisão maior, à perda de direitos políticos por quinze anos e a «medidas de segurança» prorrogáveis _ por «pertencer ao MUD Juvenil e fazer a sua apologia; por ter acusado a PIDE de infligir torturas morais e físicas aos presos; por ter exigido condições mínimas para o trabalho nos hospitais; por ter protestado contra o facto de as enfermeiras não poderem casar». Esteve presa durante quatro anos, a sua
vida esteve por um fio e, quando pesava cerca de 30 quilos, a PIDE viu-se obrigada a interná-la. Após a libertação, a sua acção na resistência contra a ditadura fascista não abrandou. A vida de Isaura Borges Coelho foi um longo caminho de luta entusiástica e de sofrimento com a repressão, que a atingiu, também, com a prisão do seu companheiro, António Borges Coelho, com quem iria casar no Forte de Peniche.

Biografia

Isaura Assunção da Silva Borges Coelho nasceu em Portimão em 20 de Junho de 1926. Em 1949 matriculou-se na Escola de Enfermagem Artur Ravara e em 1952 iniciou funções nos Hospitais Civis de Lisboa, no Hospital dos Capuchos. O trabalho nos hospitais era extremamente penoso, com turnos de doze horas que, muito frequentemente, se prolongavam pelas 24 horas. As enfermeiras estavam ainda sujeitas a trinta velas de doze horas consecutivas, apenas intervaladas por uma folga semanal.
Estas condições de trabalho inspiraram a luta de Isauraem defesa da melhoria das condições de trabalho das enfermeiras e dos cuidados de saúde nos hospitais. Um ano depois, ao tomar conhecimento do despedimento de doze enfermeiras do Hospital Júlio de Matos, por terem casado, tomou a iniciativa de encabeçar um abaixo-assinado, dirigido a Salazar, ao Cardeal Cerejeira e ao Enfermeiro-mor dos hospitais.
Foram centenas de assinaturas, na exigência da liberdade de casamento das enfermeiras[1] . Isaura Silva aderiu então ao MUD.
Isaura Borges Coelho e a irmã Hortênsia, com duas outras enfermeiras não identificadas, todas activistas da luta das enfermeiras pela liberdade de casamento na profissão

A luta juvenil e a PIDE

Em 13 de Novembro de 1953, na farsa eleitoral para a Assembleia Nacional, quando se dirigiu à sede do MUD Juvenil (aos Anjos), foi presa com outros jovens. Libertados estes, Isaura foi mantida em prisão, por ser identificada pela PIDE como a impulsionadora do «movimento das enfermeiras» – «a casamenteira», no dizer daquela polícia. Sujeita ao regime de isolamento, foi brutalmente espancada e arrastada pelos cabelos, na presença do seu advogado, Dr. Lopes Correia, também ele barbaramente espancado. A marcação do julgamento de Isaura Silva desencadeou um amplo movimento de protesto com distribuição de panfletos e tarjetas.
Surgiram inscrições nas paredes: «Liberdade para Isaura Silva». Num dos comunicados do MUD Juvenil, publicado em Junho de 1954 e intitulado «Com Isaura Silva, no banco dos réus, estão as enfermeiras e a juventude de Portugal», dizia-se:
Isaura Silva estava à frente da luta pela revogação da lei que proíbe as enfermeiras de casar. Estava na linha da frente das lutas de protesto contra o horário de 12 horas com velas consecutivas, e pela folga semanal e feriados, contra a alimentação miserável e as instalações de caserna”
Foi então julgada em Tribunal Plenário e, durante o julgamento, a PIDE ocupou os lugares destinados ao público, mas não conseguiu impedir que a ré fosse «muito cumprimentada pela assistência», enquanto recebia um ramo de cravos brancos das mãos de uma enfermeira. Entre as testemunhas de Isaura Silva contavam-se duas enfermeiras
e um oficial de escrita dos Hospitais CL, o poeta Alexandre O´Neill, o engenheiro Veiga de Oliveira, Maria Lamas e Maria Isabel Aboim Inglês. Esta antifascista protestou por se encontrarem agentes da PIDE na sala de audiências e na sala das testemunhas, o que levou o juiz Abreu de Mesquita a condená-la a três dias de prisão, por falta de respeito ao tribunal[2].

Prisão

Isaura Borges Coelho ficou em prisão durante quatro anos. A sua vida esteve por um fio quando o seu peso, pelos 30 quilos, obrigou a um internamento no Hospital de Santa Marta, em Setembro de 1955 e, um mês depois em Santa Maria. Até Janeiro de 1956 decorreu uma impressionante vaga de solidariedade com Isaura, por parte de médicos e enfermeiras. Em 1957 foi libertada, sendo-lhe fixada residência em Portimão, na casa de seus pais. Ali, ela, familiares e amigos eram permanentemente vigiada pela PIDE. Após um ano de residência fixa pôde voltar para Lisboa com o objectivo de fazer formação no IPO, junto
do Professor Gentil Martins. Depois, concorreu à Liga dos Hospitais, onde desenvolvia um trabalho muito elogiado, até que o patrão, o almirante Henrique Tenreiro, pediu informações à PIDE e a despediu imediatamente. Foi com a ajuda do Professor Pulido Valente e do Dr. Pedro Monjardino que conseguiu arranjar emprego numa clínica. Quis especializar-se e concorreu ao Curso de Puericultura e Partos da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), mas só depois de muito protestar, por ser sistematicamente impedida na admissão por razões políticas, pôde concluir o curso e entrar na MAC como enfermeira eventual.

Enfermeira-chefe, só após o 25 de Abril

Após o 25 de Abril, quando lhe ofereceram o lugar de enfermeira-chefe nos HCL, recusou, optando pelo seu lugar de enfermeira de 2ª classe na MAC. Subiu, depois, a enfermeira de 1ª e a enfermeira- chefe. Tirou o Curso de Enfermagem Pediátrica e Saúde Infantil e, durante anos, exerceu o cargo de enfermeira-chefe no Serviço de Prematuros. Até à reforma manteve-se como delegada sindical das enfermeiras da Maternidade Alfredo da Costa. Em 2002, o Presidente da República Jorge Sampaio atribuiu-lhe a Ordem da Liberdade.
António Borges Coelho, seu companheiro, foi preso em 1957, como funcionário do Partido Comunista Português na clandestinidade e só saiu em liberdade em 1962. Casaram no Forte de Peniche. Recorda-a na sua juventude assim:
Antes de a conhecer, já ela, com 11 anos, tinha salvo do mar do Vau uma menina de 12 anos. Aos 16, tirou a blusa vermelha para mandar parar o comboio. Estava uma mula e uma carroça na linha. Moveram-lhe um processo por ter atrasado o comboio”
Ao lado de António Borges Coelho, o grande companheiro da sua vida, com quem casou na prisão. Homenagem a A. Borges Coelho em Murça, 2014
Fotografia do arquivo da família. 2016

Poema

Até logo

à Isaura
Há oito meses dissemos:
– Até logo!
Era uma tarde fria de Novembro
uma tarde como qualquer outra
gente regressando a casa do trabalho
lancheiras malas rugas profundas no rosto.

Se houvesse malas de mão
para a saudade a desventura
não havia malas no mundo que

[chegassem…
Era uma tarde fria de Novembro.
Não sei se alguém sorriu
do beijo que trocámos.
– Até logo – disseste.

Depois passaram oito meses
os meses mais compridos que tenho

[encontrado.
Que pensamentos levava comigo?
Sei que disseste «até logo»
E era como se levasse as tuas mãos
Abertas sobre o meu peito.

Pensava
que só nas despedidas breves
por horas
se dizia «até logo»
como a alguém que parte
«boa viagem»
ou ao nosso companheiro
«bom trabalho».

.
Mas já passaram oito meses
duzentos e quarenta dias
cinco mil e setecentas horas.
Porque disseste
«Até logo»?[

Se eu não soubesse
aprenderia que na minha pátria
os namorados dizem «até logo»
e estão meses anos
por vezes não voltam mais.

Fecham-nos
atrás de grades de ferro
espancam-nos
matam-nos devagar
e não permitem que apareçam
«logo».

.
Amiga
o ódio que trago armazenado
destas noite de insónia e abandono
dou-o à luta.
Mas temos que sofrer
sofrer deveras.
Até que um dia
Os homens cantarão livres como

[os pássaros
os namorados beijarão sem pressa
e as palavras «até logo»
quererão dizer simplesmente
«até logo»[*]


[*] Os oito meses transformaram-se em dez anos. Noutros casos, quinze, vinte anos e mais.
Em António Borges Coelho. Fortaleza, Seara Nova, 1974
[António Borges Coelho entra para funcionário do MUD Juvenil e, depois, do PCP. Em 1955 é preso, condenado em Tribunal Plenário e fica 6 anos na cadeia, dos quais 6 meses no isolamento. Escreve então este poema à namorada, que é decorado e recitado nas festas de jovens antifascistas. A meio da pena, casou-se no Forte de Peniche com a namorada Isaura (até hoje sua companheira), uma enfermeira que havia sido presa em 1953, e porque tinha ficado vários anos na prisão de Caxias não tinha autorização para o visitar ou escrever. [Um casamento em que esteve separado por um vidro de todos os amigos presentes na “festa” que durou uma hora]. Libertado em 1962 não volta à clandestinidade, decidindo terminar a licenciatura, sem nunca se afastar da luta].

Notas

[1]  O decreto-lei nº 28794, de 1 de Julho de 1938, estabelecia no artigo 60 que «Nos lugares dos serviços de enfermagem e domésticos (serviço interno) a preencher por pessoal feminino, só poderão de futuro ser admitidas mulheres solteiras e viúvas, sem filhos, as quais serão substituídas logo que deixem de verificar-se estas condições». A proibição do casamento das enfermeiras só terminaria, depois de longa luta, com o decreto nº 44923, de Março de 1963.
Na verdade, a proibição do casamento das enfermeiras e a luta pela sua revogação marcam 25 anos da história da enfermagem e dos movimentos feministas durante o Estado Novo.
«Assente numa imagem de mulher limitada ao trabalho doméstico, para quem a família representa o centro exclusivo da sua vida, não é possível dissociar tal imposição legislativa da definição dos papéis sexuais veiculado pelo Estado, bem como do postulado tradicional da função cuidadora e maternal feminina. Além do impedimento do trabalho feminino em certos sectores ou o acesso das mulheres a determinadas profissões, foram ainda impostas restrições de índole vária a algumas profissionais. Por exemplo, para contraírem matrimónio as professoras primárias tinham de solicitar especial autorização ao Ministério da Educação Nacional, ao passo que a proibição do casamento ficou designada às telefonistas da Anglo-Portuguese Telephone Company, às profissionais do Ministério dos Negócios Estrangeiras, às hospedeiras de ar da TAP e às enfermeiras dos Hospitais Civis»
Excerto de um artigo de Ana Sartóris, in O celibato das enfermeiras dos hospitais civis
[2] Ligada ao movimento das enfermeiras, foi também presa Hortênsia da Silva Campos Lima, sua irmã.

Dados biográficos:
  • Autoria de Helena Pato, com a colaboração de António Borges Coelho, que tornou possível a rigorosa enumeração dos factos citados.
  • Fotografia de Isaura Borges Coelho facultada pela própria.
 https://www.jornaltornado.pt/isaura-borges-coelho/
***
 URAP - União de Resistentes Antifascistas Portugueses
Na morte de Isaura Silva Borges Coelho
Isaura Borges Coelho, combatente antifascista e pelos direitos das enfermeiras, sócia da URAP, morreu dia 11 de Junho, aos 92 anos. O seu corpo estará em câmara ardente amanhã às 17:00 no centro da Servilusa de Cascais e o funeral realiza-se sexta-feira às 13:30.
Isaura Assunção da Silva Borges Coelho nasceu em Portimão em 20 de Junho de 1926. Cursou enfermagem na Escola de Enfermagem Artur Ravara e destacou-se na luta a favor dos direitos das enfermeiras e de contestação à política do regime salazarista.
Começou a exercer a profissão no Hospital dos Capuchos, onde as enfermeiras eram obrigadas a turnos de 12 horas, que iam muitas vezes até às 24 horas, e a 30 velas de 12 horas, com apenas uma folga semanal.
Quando 12 colegas, enfermeiras do Hospital Júlio de Matos, foram despedidas, por terem casado sem autorização, encabeçou um abaixo-assinado a Salazar, ao Cardeal Cerejeira e ao Enfermeiro-mor dos hospitais.
Recolheu centenas de assinaturas para exigir a liberdade de casamento para as enfermeiras. O decreto-lei nº 28794, de 1 de Julho de 1938, estabelecia no artigo 60 que “Nos lugares dos serviços de enfermagem e domésticos (serviço interno) a preencher por pessoal feminino, só poderão de futuro ser admitidas mulheres solteiras e viúvas, sem filhos, as quais serão substituídas logo que deixem de verificar-se estas condições”. A proibição do casamento das enfermeiras só terminaria, depois de longa luta, com a publicação do decreto nº 44923, de Março de 1963.
Aderiu ao Movimento de Unidade Democrática (MUD) em 1953. Durante a campanha para as eleições para a Assembleia Nacional, quando se dirigia para a sede do MUD Juvenil (aos Anjos, Lisboa) é presa juntamente com outros jovens, posteriormente libertados. Ficou em prisão preventiva por dinamizar do “movimento das enfermeiras”.
A “casamenteira”, como jocosamente a PIDE a apelidava, foi sujeita ao regime de isolamento, brutalmente espancada e arrastada pelos cabelos, na presença do seu advogado, Dr. Lopes Correia, também violentamente agredido pela PIDE.
Durante o julgamento no Tribunal Plenário de Lisboa, em 1954, a PIDE ocupou a quase totalidade dos lugares do público, não conseguindo impedir que fosse saudada por muitos populares e recebido um cravo branco de uma enfermeira. Entre as testemunhas de defesa, estava o poeta Alexandre O’Neil, a escritora Maria Lamas, o engenheiro Veiga de Oliveira e Maria Isabel Aboim Inglês.

Condenada a dois anos de prisão maior, à perda de direitos políticos por 15 anos e a medidas de segurança prorrogáveis, passou quatro anos em Caxias. Chegou a pesar 30 quilos, esteve às portas da morte, sendo internada nos hospitais de Santa Marta e de Santa Maria, onde colheu a solidariedade de médicos e enfermeiros. A PIDE viu-se obrigada a interná-la.
Casou no Forte de Peniche com o historiador e resistente António Borges Coelho, em 1959, que esteve preso seis anos em Peniche por ser membro do MUD Juvenil e do Partido Comunista Português.
Após o 25 de Abril, quando lhe ofereceram o lugar de enfermeira-chefe nos HCL, recusou, optando pelo seu lugar de enfermeira de 2ª classe na MAC. Subiu, depois, a enfermeira de 1ª e a enfermeira- chefe. Tirou o curso de Enfermagem Pediátrica e Saúde Infantil e, durante anos, exerceu o cargo de enfermeira-chefe no Serviço de Prematuros. Até à reforma manteve-se como delegada sindical das enfermeiras da Maternidade Alfredo da Costa.
Aos 11 anos, Isaura salvou do mar do Vau uma menina de 12 anos. Aos 16, tirou a blusa vermelha para mandar parar um comboio, dado que estava uma mula e uma carroça na linha. Moveram-lhe um processo por ter atrasado o comboio.
Foi condecorada, em 2002, com a Ordem da Liberdade, concedida pelo Presidente Jorge Sampaio.
Em Dezembro passado, foi galardoada pelo Município de Portimão com o título de cidadã benemérita e com a Medalha de Honra.
A história da sua vida e de sua irmã Hortênsia da Silva Campos Lima, que também esteve presa, foi contada em 2000 num filme de Susana de Sousa Dias, “Enfermeiras do Estado Novo”, com memórias, imagens e documentos da época.
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