11/08/2019

2.222.(10aGOSTO2019.11.11') Carlos de Oliveira

Nasceu a 10aGOSTO1921
e morreu a 1JUL1981
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7aGOSTO2019

A exposição de fotografia de Renato Roque, "Escrito com cal e com luz: ensaio fotográfico sobre a poética de Carlos de Oliveira", fica patente até dia 31 de agosto no átrio da Biblioteca Municipal Almeida Garrett. A entrada é livre.


A mostra parte da obra do escritor Carlos de Oliveira, revisitando os locais da Gândara, em Cantanhede, onde viveu a infância, e que se refletem amiúde nos seus textos. Além disso, é enriquecida por uma seleção bibliográfica e de manuscritos autografados pelo próprio escritor, que integram as coleções das bibliotecas municipais do Porto.

Sobre a exposição de Renato Roque, "Escrito com Cal e com Luz", a investigadora da Universidade do Minho, Isabel Cristina Mateus, assinala que é "antes de mais, um belíssimo roteiro fotográfico do universo poético de Carlos de Oliveira: uma viagem pela sua geografia pessoal e pelos lugares que, como ele próprio afirma em 'Micropaisagem (O Aprendiz de Feiticeiro)', lhe ficaram 'tatuados' na pele e na memória. Lugares de infância que configuram igualmente a sua topografia literária: a Gândara e 'uma aldeia pobríssima, Nossa Senhora de Febres' ".

Autor marcante do neorrealismo português e um dos mais importantes nomes da literatura portuguesa da segunda metade do século passado, Carlos de Oliveira (1921-1981) tem a Gândara como universo referencial da sua ficção e de parte substancial da sua poética, região que, segundo alguns especialistas, surge como a raiz, o cerne e a substância do próprio discurso literário e não apenas como simples contexto geográfico da narrativa.

"Escrito com cal e com luz: ensaio fotográfico sobre a poética de Carlos de Oliveira" está aberta ao público na BMAG (Biblioteca Municipal Almeida Garrett) de terça-feira a sábado, das 10 às 18 horas. Às segundas-feiras, as visitas realizam-se somente à tarde, entre as 14 e as 18 horas. Encerra aos domingos e feriados.
 http://www.porto.pt/noticias/ensaio-fotografico-escrito-com-cal-e-luz-lembra-o-poeta-carlos-de-oliveira?fbclid=IwAR11lDRTYqBF-zFWxzRlh8CyhCfkopSJ1OlbEgM8Y7RIrenIZVnEaKhdMzI
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7.7.2015
postei:
morreu MARIA BARROSO...1 viva à declamadora de poesia
sobre DESCRIÇÃO DA GUERRA EM GUERNICA de Carlos de Oliveira
I
Entra pela janela
o anjo camponês;
com a terceira luz na mão;
minucioso, habituado
aos interiores de cereal,
aos utensílios
que dormem na fuligem;
os seus olhos rurais
não compreendem bem os símbolos
desta colheita: hélices,
motores furiosos;
e estende mais o braço; planta
no ar, como uma árvore,
a chama do candeeiro.

II
As outras duas luzes
são lisas, ofuscantes;
lembram a cal, o zinco branco
nas pedreiras;
ou nos umbrais
de cantaria aparelhada; bruscamente;
a arder; há o mesmo
branco na lâmpada do tecto;
o mesmo zinco
nas máquinas que voam
fabricando o incêndio; e assim,
por toda a parte,
a mesma cal mecânica
vibra os seus cutelos.

III
Ao alto; à esquerda;
onde aparece
a linha da garganta,
a curva distendida como
o gráfico dum grito;
o som é impossível; impede-o pelo menos
o animal fumegante;
com o peso das patas, com os longos
músculos negros; sem esquecer
o sal silencioso
no outro coração:
por cima dele; inútil; a mão desta
mulher de joelhos
entre as pernas do touro.

IV
Em baixo, contra o chão
de tijolo queimado,
os fragmentos duma estátua;
ou o construtor da casa
já sem fio de prumo,
barro, sestas pobres? quem
tentou salvar o dia,
o seu resíduo
de gente e poucos bens? opor
à química da guerra,
aos reagentes dissolvendo
a construção, as traves,
este gládio,
esta palavra arcaica?

V
Mesa, madeira posta
próximo dos homens: pelo corte
da plaina,
a lixa ríspida,
a cera sobre o betume, os nós;
e dedos tacteando
as últimas rugosidades;
morosamente; com o amor
do carpinteiro ao objecto
que nasceu
para viver na casa;
no sítio destinado há muito;
como se fosse, quase,
uma criança da família.

VI
O pássaro; a sua anatomia
rápida; forma cheia de pressa,
que se condensa
apenas o bastante
para ser visível no céu,
sem o ferir;
modelo doutros voos: nuvens;
e vento leve, folhas;
agora, atónito, abre as asas
no deserto da mesa;
tenta gritar às falsas aves
que a morte é diferente:
cruzar o céu com a suavidade
dum rumor e sumir-se.

VII
Cavalo; reprodutor
de luz nos prados; quando
respira, os brônquios;
dois frémitos de soro; exalam
essa névoa
que o primeiro sol transforma
numa crina trémula
sobre pastos e éguas; mas aqui
marcou-o o ferro
dos lavradores que o anjo ignora;
e endureceu-o de tal modo
que se entrega;
como as bestas bíblicas;
ao tétano; ao furor.

VIII
Outra mulher: o susto
a entrar no pesadelo;
oprime-a o ar; e cada passo
é apenas peso: seios
donde os mamilos pendem,
gotas duras
de leite e medo; quase pedras;
memória tropeçando
em árvores, parentes,
num descampado vagaroso;
e amor também:
espécie de peso que produz
por dentro da mulher
os mesmos passos densos.

IX
Casas desidratadas
no alto forno; e olhando-as,
momentos antes de ruírem,
o anjo desolado
pensa: entre detritos
sem nenhum cerne ou água,
como anunciar
outra vez o milagre das salas;
dos quartos; crescendo cisco
a cisco, filho a filho?
as máquinas estranhas,
os motores com sede, nem sequer
beberam o espírito das minhas casas;
evaporaram-no apenas.

X
O incêndio desce;
do canto superior direito;
sobre os sótãos,
os degraus das escadas
a oscilar;
hélices, vibrações, percutem os alicerces;
e o fogo, veloz agora, fende-os, desmorona
toda a arquitectura;
as paredes áridas desabam
mas o seu desenho
sobrevive no ar; sustém-no
a terceira mulher; a última; com os braços
erguidos; com o suor da estrela
tatuada na testa

 
 https://www.youtube.com/watch?v=ZHzXoF5QIFs&fbclid=IwAR0FTr_rl0zznroTvAnbyG_wiLnJUXrM3IXdOgxDKi-RUDQ_Acv02eNcujI
https://www.facebook.com/search/top/?q=carlos%20de%20oliveira&epa=SEARCH_BOX&hc_location=ufi
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É um dos grandes poetas deste século, combinando a preocupação de intervenção social (neo-realismo) com a reflexão sobre a escrita no próprio processo da sua produção, o que cnfere à sua obra grande densidade e agudeza nos efeitos diversificados da sua leitura (Mãe Pobre, 1945, Entre Duas Memórias, 1971).
O mesmo se pode dizer em relação aos seus romances, nos quais se detecta uma evolução da problemática neo-realista mais pura (Casa na Duna, 1943) até à sua elaboração através da sobriedade do sentimento e do protesto (Uma Abelha na Chuva, 1953), culminando na complexidade de Finisterra (1978), composto a partir de mecanismos de repetição ficcional e de decalque temático e descritivo, que emerge na fronteira da oscilação da modernidade na nossa história literária.

Aço na forja dos dicionários
as palavras são feitas de aspereza:
o primeiro vestígio da beleza
é a cólera dos versos necessários.

Mãe Pobre
seguindo o fio
da tinta
que desenha
as palavras
e tenta
fugir ao tumulto
em que as raízes
grassam,
engrossam, embaraçam
a escrita
e o escritor:             Micropaisagem, 1969

 http://cvc.instituto-camoes.pt/literatura/carlosoliveira.htm?fbclid=IwAR0dYJ6ffQGk5oMJYUBL9mqtKQfy4eG_hk9KbqFBz6C7utne6XrUdGg4uhU
***
UMA ABELHA NA CHUVA
*

Como todos os neorrealistas, Carlos de Oliveira não queria apenas escrever o mundo; queria mudá-lo. A pobreza dos camponeses, a mortalidade infantil e a imigração, "tatuaram" a sua consciência social. "Uma abelha na chuva" é o retrato de um país oprimido.

O casamento de Álvaro e Maria dos Prazeres é infeliz, como tantos outros que se eternizavam no Portugal medíocre de Salazar. As fidalguias viviam de aparências, a  fingir e a calar para manter o património intacto. Todavia, o romance “Uma abelha na chuva” de 1953, faz  o amor nascer entre uma criada e um motorista, à margem das regras sociais. Carlos de Oliveira, o autor, dava um sinal de esperança para o desfazer a seguir, porque sabia que ainda não era chegado o tempo de mudar. O país iria ser governado pela ditadura mais uns anos.
Nascido na cidade brasileira de Belém do Pará, em 1921, Carlos de Oliveira vem com dois anos viver para Nossa Senhora Das Febres, no norte de Portugal e, mais tarde, vai estudar para Coimbra, onde se destaca “entre aqueles que não aceitam que a literatura viva debaixo de um regime ditatorial de um país oprimido”. Dentro de si tem os camponeses pobres da sua aldeia, as histórias de desigualdades, os números impensáveis da mortalidade infantil e a crescente onda de imigração. São estes anos em Febres que, como diz um dia, tatuaram nele uma consciência social.
Quer na prosa como na poesia, o autor inscreve essa marca que faz dele um dos pioneiros do neorrealismo em Portugal ao lado de Alves Redol, Soeiro Pereira Gomes e Mário Dionísio. Como poeta e ficcionista, Carlos de Oliveira publica dezenas de livros; obras marcantes como “Descida aos infernos”, “Micropaisagem”, “Finisterra: paisagem e povoamento” e este “Uma abelha da Chuva”, de que trata o documentário que aqui trazemos, ilustrado com imagens da sua adaptação cinematográfica por Fernando Lopes.
Perseguido por uma ideia de perfeição materializada na estética do texto despojado, o autor reescreveu quase todos os livros publicados; o que é supérfluo desaparece nas emendas que faz ao longo dos anos. Carlos de Oliveira vai depurando as palavras, até 1981, ano da sua morte.
 http://ensina.rtp.pt/artigo/uma-abelha-na-chuva-de-carlos-de-oliveira/?fbclid=IwAR3q1PIj6iqIBOgZVZ5WBXqcFZIBdYbjidY0RjDyTujojtGjzACsZYPnq7A
*** 
 











**
  in 'Colheita Perdida'

Tempo

O tempo é um velho corvo
de olhos turvos, cinzentos.
Bebe a luz destes dias só dum sorvo
como as corujas o azeite
dos lampadários bentos.

E nós sorrimos,
pássaros mortos
no fundo dum paul
dormimos.

Só lá do alto do poleiro azul
o sol doirado e verde,
o fulvo papagaio
(estou bêbedo de luz,
caio ou não caio?)
nos lembra a dor do tempo que se perde.
**
 in 'Pastoral'

Dentes

Os dentes, porque são dentes,
iniciais. Na espuma,
porque não são saliva
estas ondas
pouco mordentes; este
sal que sobe quase
doce; donde?

Numa espécie
de fogo: amor é fogo
que arde sem se ver;
porque não é
de facto fogo este frio aceso;
da saliva à lava
passa pela espuma.

Só os dentes.
Duros, ácidos, concentram-se
tacteando a pele,
tatuando signos sempre
moventes
de fúria. Mordida
a pele cintila; espelho
dos dentes, do seu esmalte voraz;
suavemente.
*

Montanha

Sons sob a luz. Mosteiros,
torres sobrenaturais,
vibrando fluidamente no ar;
como? se o fluxo de mica,
os altos blocos de água,
cintilam sem rumor.

Toda esta arquitectura,
lenta percussão, perpassa;
sobre cerros sonoros;
com o seu contorno
infixo, fulgurando. Detenham-se
as estrelas quando
for noite; preguem-se
outros pregos de prata
fora do céu visível.
Sons já sem luz. Pastores
poisam as ocarinas, bebem;
entre colinas ocas;
o frio coalhado
pelas tetas das cabras.
*

Leitura

Quando por fim as árvores
se tornam luminosas; e ardem
por dentro pressentindo;
folha a folha; as chamas
ávidas de frio:
nimbos e cúmulos coroam
a tarde, o horizonte,
com a sua auréola incandescente
de gás sobre os rebanhos.

Assim se movem
as nuvens comovidas
no anoitecer
dos grandes textos clássicos.

Perdem mais densidade;
ascendem na pálida aleluia
de que fulgor ainda?
e são agora
cumes de colinas rarefeitas
policopiando à pressa
a demora das outras
feita de peso e sombra.
**
in “Poesias”

Bolor

Os versos
que te digam
a pobreza que somos,
o bolor nas paredes
deste quarto deserto,
o orvalho da amargura
na flor
de cada sonho
e o leito desmanchado
o peito aberto
a que chamaste
amor. *

Carta a Ângela

Para ti, meu amor, é cada sonho
de todas as palavras que escrever,
cada imagem de luz e de futuro,
cada dia dos dias que viver.

Os abismos das coisas, quem os nega,
se em nós abertos inda em nós persistem?
Quantas vezes os versos que te dou
na água dos teus olhos é que existem!

Quantas vezes chorando te alcancei
e em lágrimas de sombra nos perdemos!
As mesmas que contigo regressei
ao ritmo da vida que escolhemos!

Mais humana da terra dos caminhos
e mais certa, dos erros cometidos,
foste de novo, e sempre, a mão da esperança
nos meus versos errantes e perdidos.

Transpondo os versos vieste à minha vida
e um rio abriu-se onde era areia e dor.
Porque chegaste à hora prometida
aqui te deixo tudo, meu amor!
**
  in 'Micropaisagem'

Filtro

O poema
filtra
cada imagem
já destilada
pela distância,
deixa-a
mais límpida
embora
inadequada
às coisas
que tenta
captar
no passado
indiferente.


**
 in 'Cantata'

Lágrima

A cada hora
o frio
que o sangue leva ao coração
nos gela como o rio
do tempo aos derradeiros glaciares
quando a espuma dos mares
se transformar em pedra.

Ah no deserto
do próprio céu gelado
pudesses tu suster ao menos na descida
uma estrela qualquer
e ao seu calor fundir a neve que bastasse
à lágrima pedida
pela nossa morte.  
*

Infância

Sonhos
enormes como cedros
que é preciso
trazer de longe
aos ombros
para achar
no inverno da memória
este rumor
de lume:
o teu perfume,
lenha
da melancolia.
*

Sono

Dormir
mas o sonho
repassa
duma insistente dor
a lembrança
da vida
água outra vez bebida
na pobreza da noite:
e assim perdido
o sono
o olvido
bates, coração, repetes
sem querer
o dia.
*

Sonetos do Regresso

I

Volto contigo à terra da ilusão,
mas o lar de meus pais levou-o o vento
e se levou a pedra dos umbrais
o resto é esquecimento:
procurar o amor neste deserto
onde tudo me ensina a viver só
e a água do teu nome se desfaz
em sílabas de pó
é procurar a morte apenas,
o perfume daquelas
longínquas açucenas
abertas sobre o mundo como estrelas:
despenhar no meu sono de criança
inutilmente a chuva da lembrança.

II

Acordar, acender
o rápido lampejo
na água escusa onde rola submersa
como o lodo no Tejo
a vida informe, peso dúbio
desse cardume denso ou leve
que nasce em mim para morrer
no mar da noite breve;
dormir o pobre sono
dos barbitúricos piedosos
e acordar, acender
os tojos caudalosos
nesta areia lunar
ou, charcos, nunca mais voltar. **
 in 'Mãe Pobre'

Cantiga do Ódio

O amor de guardar ódios
agrada ao meu coração,
se o ódio guardar o amor
de servir a servidão.
Há-de sentir o meu ódio
quem o meu ódio mereça:
ó vida, cega-me os olhos
se não cumprir a promessa.
E venha a morte depois
fria como a luz dos astros:
que nos importa morrer
se não morrermos de rastros? *

Acusam-me de Mágoa e Desalento

Acusam-me de mágoa e desalento,
como se toda a pena dos meus versos
não fosse carne vossa, homens dispersos,
e a minha dor a tua, pensamento.

Hei-de cantar-vos a beleza um dia,
quando a luz que não nego abrir o escuro
da noite que nos cerca como um muro,
e chegares a teus reinos, alegria.

Entretanto, deixai que me não cale:
até que o muro fenda, a treva estale,
seja a tristeza o vinho da vingança.

A minha voz de morte é a voz da luta:
se quem confia a própria dor perscruta,
maior glória tem em ter esperança.
**

in 'Terra de Harmonia'

Soneto da Chuva

Quantas vezes chorou no teu regaço
a minha infância, terra que eu pisei:
aqueles versos de água onde os direi,
cansado como vou do teu cansaço?
Virá abril de novo, até a tua
memória se fartar das mesmas flores
numa última órbita em que fores
carregada de cinza como a lua.
Porque bebes as dores que me são dadas,
desfeito é já no vosso próprio frio
meu coração, visões abandonadas.
Deixem chover as lágrimas que eu crio:
menos que chuva e lama nas estradas
és tu, poesia, meu amargo rio.
*

Elegia em Chamas

Arde no lar o fogo antigo
do amor irreparável
e de súbito surge-me o teu rosto
entre chamas e pranto, vulnerável:

Como se os sonhos outra vez morressem
no lume da lembrança
e fosse dos teus olhos sem esperança
que as minhas lágrimas corressem.
**
http://www.citador.pt/poemas/a/carlos-de-oliveira?fbclid=IwAR1gAlpBTAs77LfqKwo8QObO43oZAEaoHLfUN9OCNqaxdDdyLo5STfYFy0Q
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06/08/2019

8.989.(6agosto2019.8.8') Pontes sobre o Tejo

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Belver
 
 https://www.tripadvisor.pt/Attraction_Review-g3226542-d7309091-Reviews-Ponte_sobre_o_Rio_Tejo-Belver_Portalegre_District_Alentejo.html
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 Passadiço do Alamal - Ponte de Belver, situa-se no concelho de Gavião, no distrito de Portalegre.
Cerca de 4 km (ida e volta) de percurso mágico à beira Tejo.
Vídeo: Portugal cool

 https://www.facebook.com/portugalecool/videos/vb.670154183077395/435427103717045/?type=2&theater
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Abrantes
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Santarém
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Vila Franca
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Ponte Vasco da Gama
 Saída de Lisboa A 12 
Com o nome o famoso explorador, esta ponte de 17km sobre o estuário do Tejo abriu em 1998, a tempo da Expo da qual Lisboa foi anfitriã nesse ano. O preço total do investimento neste colossal projecto de engenharia, que foi concluído ligeiramente antes do prazo, foi equivalente a 1 bilhão de Euros, e foi financiado principalmente pelo sector privado e fundos estruturais da EU. Paga-se portagem para atravessá-la. Despesas extra incluíram salvar e proteger um pantanoso santuário de aves que contém raros flamingos assim como, realojar 300 famílias que viviam em barracas à volta da ponte. A ponte tem 6 faixas de rodagem e durante a construção os topógrafos tiveram que tomar em conta a curvatura da terra para posicionar correctamente os pilares, senão, devido ao comprimento da ponte, estariam 80cm desencontrados.
 https://www.youtube.com/watch?v=frX4mF9yTUk
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Ponte 25 de Abril
ex-Salazar
*
6aGOSTO1966
(estava num retiro da JACatólica no seminário de Almada)

06 de Agosto de 1966: Inauguração da Ponte sobre o Tejo, actual Ponte 25 de Abril

Só foi inaugurada a 6 de Agosto de 1966 a ponte que começou a ser idealizada em 1876 pelo engenheiro Miguel Pais. Que,  na altura, sugeriu que esta ligação entre as duas margens do Tejo se fizesse entre Lisboa e o Montijo. A actual Ponte 25 de Abril, baptizada no dia da inauguração como Ponte Salazar, em homenagem ao presidente do Conselho de Ministros que governava o País, ainda foi preterida pela vontade de se fazer uma ligação em Vila Franca de Xira, e foi assim que nasceu a Ponte Marechal Carmona, em 1951.

No ano de 1953 o Ministério das Obras Públicas constituiu uma comissão com o objectivo de estudar a viabilidade técnica e financeira da construção de uma ponte sobre o Rio Tejo em Lisboa.
Em 27 de Abril de 1959 foi aberto um concurso público para a construção de uma ponte entre Alcântara e Almada, provida na parte superior de um tabuleiro para a circulação rodoviária e na parte inferior de um outro para a circulação ferroviária. Mais tarde as autoridades portuguesas decidiram que a Ponte fosse inicialmente construída apenas para a circulação rodoviária sendo no entanto preparada para numa segunda fase ser instalado o tabuleiro ferroviário.

Em 9 de Maio de 1962 foi efectuada a adjudicação definitiva da obra com a empresa líder do Consórcio, a United States Steel International (New York), Inc.

Em 5 de Novembro de 1962, iniciaram-se os trabalhos de construção da Ponte e acessos rodoviários.
O projecto da ponte Suspensa foi da autoria do Gabinete de Engenharia de Nova Iorque, Steinman, Boynton, Gronquist&London com intervenção do Gabinete da Ponte sobre o Tejo e Laboratório Nacional de Engenharia Civil.


A ponte foi inaugurada no dia 6 de Agosto de 1966, do lado de Almada, na presença das mais altas individualidades portuguesas, entre as quais o Presidente da República, Almirante Américo  Tomás, o Presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar e o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, passando a ser chamada Ponte Salazar (ainda que a sua designação legal se mantivesse como sendo Ponte Sobre o Tejo), em honra ao Presidente do Conselho.


O seu custo rondou, preço à época da sua construção, o valor de dois milhões e duzentos mil contos, o que corresponde, sem ajustes à inflação, a perto de 11 milhões de euros. Logo a seguir à Revolução de 25 de Abril de 1974, o seu nome foi mudado para Ponte 25 de Abril.

Fontes: 
wikipedia (Imagens)
Imagem relacionada
Resultado de imagem para inauguração ponte sobre o tejo 1966
Ficheiro:Ponte25Abril1.jpg
 https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2019/08/06-de-agosto-de-1966-inauguracao-da.html?spref=fb&fbclid=IwAR0eqePpUI691WrFDQAzO0E3bus-0xhY6xpvelApVEcWSI2yHgsBNwhb7qg

30/07/2019

3.966.(29jul2019.17.17') Manuel Louzã Henriques

Nasceu a  6seTEMbro1933...Coentral...Castanheira de Pera
e morreu a 9jul2019...
***
29jul2019 postei:
Nenhuma descrição de foto disponível.

Manuel Louzã Henriques saberia dizer ao GEFAC como reagir hoje. Saberia dizer-nos como é que um grupo de etnografia e folclore, para mais académico - responsabilidade que não nos deixava esquecer - deveria reagir com propriedade ao saber da perda de um dos seus. Saberia dizer-nos dos rituais, das razões, das cores do luto e do pranto, de como resistir, de como fazer peito à desventura, persistir e teimar outra vez amanhã.
Se lhe batêssemos à porta - três, quatro ou dez - haveria de pedir, como sempre, à sua sempre tão (nossa) amiga Etelvina que nos deixasse entrar, que nos levasse, entre colecções, à sala onde haveria de estar a ler qualquer coisa sobre o que de momento o interessasse - hoje seria matemática, antropologia ou astrofísica? - e haveria de conversar connosco até todos perdermos noção das horas, guiados pela sua mão de ideia em ideia, de suposição em referência, de inconfidência em confissão, de graça em lenda.
E se, enfim, achasse que não tínhamos feito alguma coisa bem, haveria de nos repreender sem dó, gentil e insistentemente, quem sabe aproveitando para nos explicar de onde vem a expressão "puxar as orelhas" e já agora, de onde viemos nós e outras tantas coisas.
O GEFAC é em grande medida feito do tempo que o Manuel Louzã Henriques sempre encontrou para nós e da verdade que procurou, pacientemente, para nos oferecer. Agradecer não chega, agora que o verbo falta e temos só a honra e a responsabilidade (de que não vamos esquecer-nos) de o levar também no nosso nome.

[imagem das XV Jornadas de Cultura Popular - em Homenagem a Manuel Louzã Henriques]

 https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10217505911631123&set=p.10217505911631123&type=3&theater
*
 20190729 manuel louzã henriques

Foi com profundo pesar que a DORC do PCP tomou conhecimento do falecimento de Manuel Louzã Henriques. A DORC do PCP endereça as mais sentidas condolências à família deste abnegado resistente antifascista e militante comunista.

Manuel Louzã Henriques nasceu a 06 de Setembro de 1933 na aldeia do Coentral, concelho de Castanheira de Pêra, Serra da Lousã. Em meados da década de quarenta vai viver para a Cidade de Coimbra onde frequenta o Liceu D. João III. Entra na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra em 1954. Conclui o curso de Medicina em 1959 e a especialidade de Psiquiatria em 1961.

Foi membro activo do MUD juvenil e em 58 filia-se no PCP.

Activista estudantil, com papel em diversas lutas estudantis, nomeadamente a luta da Academia em torno do "decreto 40.900." Foi vice-presidente do TEUC.Integrou a comissão de apoio da candidatura de Arlindo Vicente e, nessa qualidade integrou o apoio à candidatura de Humberto Delgado.

Preso pela PIDE de 1962 a 1965, esteve no Aljube, em Caxias e Peniche, retomando a ligação ao trabalho do Partido depois de sair da prisão. Desempenhou tarefas na clandestinidade na organização do Partido e no trabalho de construção de unidade na reistência anti-fascista. Foi Candidato da Oposição democrática em 1962, à Assembleia Constituinte após o 25 de Abril e por diversas vezes candidato da APU e CDU em vários actos eleitorais.

Dedicou à cultura popular (rural e urbana) grande parte da sua vida. Ainda estudante integrou a TAUC e formações musicais estudantis na qualidade executante de guitarra de Coimbra. Tocava concertina com especial desenvoltura, cultivando um gosto especial pela música dos concertineiros da Serra da Lousã. Participou em encontros de cultura popular oral, deu apoio ao Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra (GEFAC) e à Brigada Victor Jara, foi palestrante nos primeiros «seminários de fado de Coimbra» (1978 e ss.) cuja evolução acompanhou de perto.

Influenciado pelos trabalhos etnográficos de Ernesto de Veiga de Oliveira, Benjamim Pereira, Jorge Dias e Michel Giacometti, iniciou na década de 1960 a actividade de coleccionador de instrumentos musicais populares e de alfaias agrícolas numa atitude de questionamento do discurso oficial da ditadura fascista acerca da "felicidade do povo".

Os artefactos rurais da colecção foram cedidos à Câmara Municipal da Lousã e incorporados no Museu Etnográfico Dr. Louzã Henriques. Os instrumentos musicais, recolhidos em Portugal e no estrangeiro, estiveram expostos, entre 2004 e 2013, no edifício do antigo posto de turismo, no largo da Portagem e no Pavilhão Central da Festa do Avante! e na edição de 2017 da Festa.

Para além da colecção de instrumentos musicais, Louzã Henriques possuía um importante espólio de máquinas de escrever, instrumentos médicos, máquinas de reprodução sonora (expostas em 2014 no Museu Nacional Machado de Castro), acompanhando a exposição regular dos objectos de palestras de muito relevante valor cultural.
Com profundo pesar a DORC do PCP reafirma a importância do exemplo de Manuel Louzã Henriques, na luta em defesa da Cultura enquanto direito, na luta contra o fascismo, na luta pelas conquistas e valores de Abril no futuro de Portugal, na Luta pela construção de uma sociedade nova, sem exploradores, nem explorados.

Como disse o próprio Manuel Louzã Henriques "Há limites para o conhecimento, mas não há limites para os dedos que apontam as estrelas."

A DORC do PCP
http://www.coimbra.pcp.pt/index.php/34-geral/784-nota-da-dorc-do-pcp-sobre-o-falecimento-de-manuel-louza-henriques?fbclid=IwAR39yW68sxKTdnRlS_VA5zoMEQ9cFIaMKvI8j8TICDrudvAJsvxhHv5HcSM
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MANUEL LOUZÃ HENRIQUES (1933 - 2019)


Figura marcante da Resistência ao fascismo, faleceu Manuel Louzã Henriques, um mestre de humanidade, a quem muitos estão imensamente devedores, pelos mundos do conhecimento que ele abriu e pelo exemplo de civismo que deu ao longo de toda a vida. Louzã Henriques, uma personalidade de rara dimensão ética e cultural, caracterizava-se por uma inexcedível coragem cívica e grandeza humana. Médico psiquiatra, escritor, político, era um homem eclético que foi capaz - como muito poucos homens deste país no último século - de reunir a admiração de amplos sectores de opinião.

Mais do que culto – e foi-o numa dimensão inexcedível –, Louzã Henriques, notável conversador e pedagogo excelso, era sobretudo um homem sábio, um ser humano de afectos insuperáveis e uma personalidade singular. Foi preso quando era estagiário de Medicina, julgado no famigerado Tribunal Plenário e condenado a pena maior e a medidas de segurança que cumpriu no Forte de Peniche, donde saiu três anos e meio depois. Terminou então a licenciatura e iniciou a sua especialidade de Psiquiatria. Até ao 25de Abril, não pôde integrar as Carreiras Médicas.

Médico e etnólogo, viveu na “República Palácio da Loucura”, nos tempos de estudante. Militante do PCP desde a época em que frequentava a Faculdade de Medicina de Coimbra, Manuel Lousã Henriques foi um invulgar comunicador e homem de cultura, uma personalidade marcante de Coimbra, mas também de dimensão nacional. Andou com grande entusiasmo pelos caminhos da etnografia e da antropologia, e nessas navegações organizou preciosas recolhas, que lhe permitiram obter um acervo de material etnográfico e de instrumentos musicais, a partir do qual nasceu o Museu Louzã Henriques, na Lousã. Ofereceu mais de 400 instrumentos musicais, devidamente catalogados, à Câmara Municipal de Coimbra.

Viajou pelo tempo, lembrou cantares do povo, tocou acordeão e guitarra para marcar sonoridades imemoriais, e a sua fala foi, como sempre é, uma lição de humanidade. Aquilo que enriquece os dias é quando acrescentamos aos instantes a sabedoria dos que levaram uma vida inteira a investigar e a saber coisas, a ler e a ouvir gente, e depois gastam boa parte do seu tempo a partilhar essa sabedoria com os outros. O Manuel Louzã Henriques foi uma dessas personalidades singulares para quem o ato cultural se concretiza plenamente na comunicação democratizante com os outros, numa navegação à vista em que a amizade é sempre porto seguro. Poucas pessoas haverá com tanta capacidade para a pedagogia do falar, fazendo das palavras um pão a repartir, como Neruda dizia da poesia. Este médico psiquiatra que gostava da conversa longa, do prosear suave à roda de uma mesa de amigos, que escreveu versos e belas prosas, que cultiva a palavra com o rigor de Vieira, embora a fluência das palavras e a simplicidade do verbo sejam nele um rio que corre mansamente, sem tumulto, apenas fio de água limpa e transparente onde podemos beber conhecimentos. Quem conheceu Manuel Louzã Henriques, quem o ouviu e conviveu com ele – não apenas as sucessivas gerações que passam por Coimbra, mas um público mais vasto – sabe que é assim. O privilégio do seu convívio foi sempre surpreendente. Bem haja Manel!

Figura marcante da Resistência ao fascismo, faleceu Manuel Louzã Henriques, um mestre de humanidade, a quem muitos estão imensamente devedores, pelos mundos do conhecimento que ele abriu e pelo exemplo de civismo que deu ao longo de toda a vida. Louzã Henriques, uma personalidade de rara dimensão ética e cultural, caracterizava-se por uma inexcedível coragem cívica e grandeza humana. Médico psiquiatra, escritor, político, era um homem eclético que foi capaz - como muito poucos homens deste país no último século - de reunir a admiração de amplos sectores de opinião.

Mais do que culto – e foi-o numa dimensão inexcedível –, Louzã Henriques, notável conversador e pedagogo excelso, era sobretudo um homem sábio, um ser humano de afectos insuperáveis e uma personalidade singular. Foi preso quando era estagiário de Medicina, julgado no famigerado Tribunal Plenário e condenado a pena maior e a medidas de segurança que cumpriu no Forte de Peniche, donde saiu três anos e meio depois. Terminou então a licenciatura e iniciou a sua especialidade de Psiquiatria. Até ao 25de Abril, não pôde integrar as Carreiras Médicas.

Médico e etnólogo, viveu na “República Palácio da Loucura”, nos tempos de estudante. Militante do PCP desde a época em que frequentava a Faculdade de Medicina de Coimbra, Manuel Lousã Henriques foi um invulgar comunicador e homem de cultura, uma personalidade marcante de Coimbra, mas também de dimensão nacional. Andou com grande entusiasmo pelos caminhos da etnografia e da antropologia, e nessas navegações organizou preciosas recolhas, que lhe permitiram obter um acervo de material etnográfico e de instrumentos musicais, a partir do qual nasceu o Museu Louzã Henriques, na Lousã. Ofereceu mais de 400 instrumentos musicais, devidamente catalogados, à Câmara Municipal de Coimbra.

Viajou pelo tempo, lembrou cantares do povo, tocou acordeão e guitarra para marcar sonoridades imemoriais, e a sua fala foi, como sempre é, uma lição de humanidade. Aquilo que enriquece os dias é quando acrescentamos aos instantes a sabedoria dos que levaram uma vida inteira a investigar e a saber coisas, a ler e a ouvir gente, e depois gastam boa parte do seu tempo a partilhar essa sabedoria com os outros. O Manuel Louzã Henriques foi uma dessas personalidades singulares para quem o ato cultural se concretiza plenamente na comunicação democratizante com os outros, numa navegação à vista em que a amizade é sempre porto seguro. Poucas pessoas haverá com tanta capacidade para a pedagogia do falar, fazendo das palavras um pão a repartir, como Neruda dizia da poesia. Este médico psiquiatra que gostava da conversa longa, do prosear suave à roda de uma mesa de amigos, que escreveu versos e belas prosas, que cultiva a palavra com o rigor de Vieira, embora a fluência das palavras e a simplicidade do verbo sejam nele um rio que corre mansamente, sem tumulto, apenas fio de água limpa e transparente onde podemos beber conhecimentos. Quem conheceu Manuel Louzã Henriques, quem o ouviu e conviveu com ele – não apenas as sucessivas gerações que passam por Coimbra, mas um público mais vasto – sabe que é assim. O privilégio do seu convívio foi sempre surpreendente. Bem haja, Manuel!
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Faleceu Louzã Henriques

Desempenhou papel activo em diversas lutas estudantis, participou na comissão de apoio da candidatura de Arlindo Vicente e, nessa qualidade, integrou o apoio à candidatura de Humberto Delgado.Manuel Louzã Henriques
  



Manuel Louzã Henriques Créditos / Youtube

Manuel Louzã Henriques nasceu a 6 de Setembro de 1933 no Coentral, concelho de Castanheira de Pêra. A partir de meados da década de 1940, viveu na cidade de Coimbra, onde, em 1959, concluiu o curso de Medicina e, em 1961, a especialidade de Psiquiatria.
Foi membro activo do MUD Juvenil, tendo-se filiado-se no PCP em 1958.
Além do papel activo que desempenhou em diversas lutas estudantis, participou na comissão de apoio da candidatura de Arlindo Vicente e, nessa qualidade integrou o apoio à candidatura de Humberto Delgado.
Foi candidato da Oposição Democrática em 1962. Após o 25 de Abril, foi candidato à Assembleia Constituinte e integrou as listas da APU e da CDU em vários actos eleitorais.
Preso pela PIDE entre 1962 e 1965, esteve nas prisões do Aljube, de Caxias e Peniche, de onde saiu para retomar a sua actividade na organização clandestina do PCP e no trabalho de construção de unidade na reistência antifascista.
Dedicou à cultura popular grande parte da sua vida. Ainda estudante, integrou o TEUC (Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra), de que foi vice-presidente, a TAUC (Tuna Académica da Universidade de Coimbra) e formações musicais estudantis na qualidade executante de guitarra de Coimbra.
Participou em encontros de cultura popular oral, deu apoio ao Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra (GEFAC) e à Brigada Victor Jara, foi palestrante nos primeiros «seminários de fado de Coimbra» (1978), cuja evolução acompanhou de perto.
Na década de 1960, iniciou a actividade de coleccionador de instrumentos musicais populares e de alfaias agrícolas, cujos artefactos rurais foram cedidos à Câmara Municipal da Lousã e incorporados no Museu Etnográfico Dr. Louzã Henriques.
Além da colecção de instrumentos musicais, Louzã Henriques possuía um importante espólio de máquinas de escrever, instrumentos médicos, máquinas de reprodução sonora (expostas em 2014 no Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra), fazendo acompanhar a exposição regular dos objectos de palestras.
https://www.abrilabril.pt/nacional/faleceu-louza-henriques?fbclid=IwAR2btTGgWh7QWphRobJzLIDfsmgZs9uCC6qweShe2PWiycZHYqPqkmkdWsU
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Morreu Manuel Lousã Henriques...1 Vivaaaaaa à sua luta de resistente antifascista... “MANUEL LOUZÃ HENRIQUES (1933 - 2019)
Figura marcante da Resistência ao fascismo, Manuel Louzã Henriques era um mestre de humanidade, a quem muitos estão imensamente devedores, pelos mundos do conhecimento que ele abriu e pelo exemplo de civismo que deu ao longo de toda a vida.
Louzã Henriques, uma personalidade de rara dimensão ética e cultural, caracterizava-se por uma inexcedível coragem cívica e grandeza humana. Médico psiquiatra, escritor, político, era um homem eclético que foi capaz - como muito poucos homens deste país no último século - de reunir a admiração de amplos sectores de opinião. Mais do que culto – e foi-o numa dimensão inexcedível –, Louzã Henriques, notável conversador e pedagogo excelso, era sobretudo um homem sábio, um ser humano de afectos insuperáveis e uma personalidade singular.
Foi preso quando era estagiário de Medicina, julgado no famigerado Tribunal Plenário e condenado a pena maior e a medidas de segurança que cumpriu no Forte de Peniche, donde saiu três anos e meio depois. Terminou então a licenciatura e iniciou a sua especialidade de Psiquiatria. Até ao 25de Abril, não pôde integrar as Carreiras Médicas. (1)

1. Nasceu no Coentral, concelho de Castanheira de Pera, mas tem fortes ligações à Lousã, de onde era natural seu pai. Médico e etnólogo, viveu na “República Palácio da Loucura”, nos tempos de estudante.
Militante do PCP desde a época em que frequentava a Faculdade de Medicina de Coimbra, Manuel Lousã Henriques foi um invulgar comunicador e homem de cultura, uma personalidade marcante de Coimbra, mas também de dimensão nacional.

MLH andou com grande entusiasmo pelos caminhos da etnografia e da antropologia, e nessas navegações organizou preciosas recolhas, que lhe permitiram obter um acervo de material etnográfico e de instrumentos musicais, a partir do qual nasceu o Museu Louzã Henriques, na Lousã. Ofereceu mais de 400 instrumentos musicais, devidamente catalogados, à Câmara Municipal de Coimbra.
2. A Lápis de Memórias editou um livro - que é uma conversa, entre Manuel Louzã Henriques, Manuela Cruzeiro e Teresa Carreiro, acrescida de testemunhos de um pequeno grupo de amigos seus - são 460 páginas. O livro «Manuel Louzã Henriques – Algures Com Meu(s) Irmão(s)» foi o pretexto para uma grandiosa homenagem ao mais avesso dos cidadãos a homenagens. De todo o país, foram centenas de amigos abraçar o velho comunista, o preso político a quem a ditadura impediu uma carreira universitária.
Na apresentação do livro, José João Cardoso fez um retrato de MLH, de que respigámos alguns traços biográficos: «Está ali uma geração, a dos comunistas e outros, das poucas esquerdas, que nos anos de 1950, ainda jovens, se arriscavam afrontando a ditadura em toda a sua mesquinhez quotidiana que se revelaria pouco mais tarde na Carta a uma Jovem Portuguesa, desalinhados numas ortodoxias, por exemplo as literárias, gente que entre muito café e mais tabaco fez a minha geração, livre para desalinhar até à morte estúpida dos que já perdemos. Está ali um homem, um dos nossos maiores, aquele que viu os seus versos roubados pela Pide e pouco se importa, tem os seus 400 instrumentos tocando num museu único, a História da Música Popular Portuguesa, ora desalojada por falta de espaço na ignorância municipal, entre tantas coisas, que também se explicam numa vontade de ser e fazer muito próprias: tal como o Herberto Helder se guardou poeta nos seus versos, entendam o Manuel fazendo o mesmo, sem versos publicados, mas oferecendo poesia, cultura, inteligência e militância no seu falar. A relação com a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, sua casa académica, só por si é um epigrama ao saber e ao desprezo pelas catedralidades.» (2)
3. Fernando Paulouro das Neves recorda-o, a propósito dessa memorável sessão: «Amigos de perto e de longe vieram dar um abraço a Manuel Louzã Henriques. E o excelente auditório do Conservatório de Música de Coimbra foi pequeno para acolher tão largo universo de amizade e gratidão. Foi uma tarde de música e poesia (poemas dele, MLH, colhidos aqui e ali, que era bom reunir em livro), tudo à volta da figura verdadeiramente singular do dr. Manuel Louzã Henriques, de quem todos somos imensamente devedores pelos mundos do conhecimento que ele nos abriu. Essa faceta de improvável Mestre, pois ele recusa sempre, frontalmente, todo o tipo de cátedras, assumindo-se apenas como o comum dos mortais que gosta de partilhar com os outros saberes preciosos, cavados fundo no percurso de uma vida cujo desafio foi sempre, em todas as circunstâncias, construir um mundo melhor. Relapso a homenagens, teve desta vez que ouvir a sonoridade fraterna de palavras que não eram outra coisa senão o tributo do reconhecimento colectivo, pequena paga para quem tanto deu. À volta desse sentimento, havia o lançamento de um livro, “Manuel Louzã Henriques”. Viajou pelo tempo, lembrou cantares do povo, tocou acordeão e guitarra para marcar sonoridades imemoriais, e a sua fala foi, como sempre é, uma lição de humanidade. Aquilo que enriquece os dias é quando acrescentamos aos instantes a sabedoria dos que levaram uma vida inteira a investigar e a saber coisas, a ler e a ouvir gente, e depois gastam boa parte do seu tempo a partilhar essa sabedoria com os outros. O Manuel Louzã Henriques é uma dessas personalidades singulares para quem o acto cultural se concretiza plenamente na comunicação democratizante com os outros, numa navegação à vista em que a amizade é sempre porto seguro. Poucas pessoas haverá com tanta capacidade para a pedagogia do falar, fazendo das palavras um pão a repartir, como Neruda dizia da poesia. Este médico psiquiatra que gosta da conversa longa, do prosear suave à roda de uma mesa de amigos, que escreveu versos e belas prosas, que cultiva a palavra com o rigor de Vieira, embora a fluência das palavras e a simplicidade do verbo sejam nele um rio que corre mansamente, sem tumulto, apenas fio de água limpa e transparente onde podemos beber conhecimentos. Quem conhece Manuel Louzã Henriques, quem já o ouviu e conviveu com ele – não apenas as sucessivas gerações que passam por Coimbra, mas um público mais vasto – sabe que é assim. O privilégio do seu convívio é sempre surpreendente. Fecho aqui o parênteses, mas a memória pontua inesquecíveis momentos de cultura viva quando, uma e outra vez, por aqui andou, por terras do Fundão e da Gardunha, ou pelos campos de longa solidão da Idanha, em busca de histórias perdidas, falando dos Santos Populares, da antropologia da festa e da memória social, das grandezas e misérias da sanfona, desde os tempos gloriosos dos salões, até à sua morte ao sol e à chuva, nas feiras, dos arados e da civilização rural, do Zeca e da evolução da canção de Coimbra, dos velhos cantares dos adufes e da voz soberba de Catarina Chitas, do Pad’ Zé, que ele retirou da margem redutora da boémia coimbrã, a que muitos gostam de reduzi-lo, para o estudar como crítico social, autor da mais violenta diatribe até hoje escrita sobre a universidade (“O Livro do Doutor Assis”), foi o Louzã Henriques o primeiro a dar-nos o Pad’ Zé na expressão da sua real importância histórica e cultural.
Um dia, à boa paz, falei-lhe que o seu mundo de palavras, expresso amiúde no labirinto das suas falas informais, sustentado por uma riquíssima visão cultural, era a expressão de preciosos ensaios, sendo por isso bom passá-los à escrita. Ele olhou para mim com algum enfado e eu percebi que não estava virado para aí.
– Se quiseres, grava! – disse, e passou adiante.
Passaram alguns anos, mas continuo a pensar sinceramente que teria sido um alto serviço cultural, um inestimável contributo à democratização da memória, ter-se feito registo dessas conferências, palestras ou tertúlias de amigos. Mundos que nós perdemos, por terem sido únicos e irrepetíveis, que voaram na efemeridade das palavras, que são como o vento que passa. Resta-nos, a nós, que somos seus amigos, o “milagre” do seu convívio – e podermos tê-lo connosco, à conversa, no desafio que é sempre o seu pensamento de inquietação fecunda sobre os dias cinzentos que vivemos”. (3)

Dada a inexistência na internet de dados biográficos de MLH, esta biografia só foi possível recorrendo a excertos de textos publicados em blogues, por três amigos seus a quem agradecemos: Carlos Esperança, José João Cardoso e Fernando Paulouro das Neves.
Biografia (informal) da autoria de Helena Pato
Fontes:
(1) Carlos Esperança, em http://ponteeuropa.blogspot.pt/…/manuel-louza-henriques-uma…
(2) José João Cardoso, em: http://aventar.eu/2013/07/09/manuel-louza-henriques/
(3) Fernando Paulouro Neves, em http://www.fernandopaulouro.com/…/louza-henriques-licao-de-…

28/07/2019

2.169.(28jul2019.8,8') Cyrano de Bergerac

Nasceu a 6mar1619...Paris
e morreu a 28jul1655...Sannois
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28 de Julho de 1655: Morre o escritor e pensador francês Cyrano de Bergerac

Hercule-Savinien de Cyrano de Bergerac, conhecido como Cyrano de Bergerac, poeta, dramaturgo e pensador francês, contemporâneo de Molière e Boileau, morre em Sannois em 28 de Julho de 1655, aos 36 anos, em consequência dos ferimentos causados por uma viga que caiu sobre a sua cabeça.

Pela sua atitude desrespeitosa ante as instituições religiosas e seculares foi considerado um libertino. É tido também como um dos precursores da ficção científica.

Nasceu em París em 6 de Março de 1619, como quarto filho de Abel de Cyrano, advogado do Parlamento. Passou a maior parte da sua infância em Saint-Forget, para logo mudar-se para Paris, onde transcorreu quase toda a sua vida.
Em 1638, adoptou o sobrenome de Bergerac, correspondente às terras que o seu avô, Savinien I de Cyrano, havia comprado ao enriquecer com negócios relacionados com o sector da pesca, aquisição que permitiu à familia de Hercule-Savinien ingressar no círculo da pequena nobreza.

Escolheu a carreira militar e fez-se célebre pela sua audácia e os seus numerosos duelos. Deixou a carreira militar em 1641 depois de um ferimento na garganta por ocasião do cerco de Arras. Foi então que começou a estudar filosofia com Pierre Gassendi.

Cyrano foi um dos mais importantes escritores do século XVII em França e uma personalidade verdadeiramente eclética: romancista, dramaturgo, autor satírico. Antes de falecer deixou escrito um Tratado de Física, como igualmente pretendia liderar uma vanguarda cultural, uma nova filosofia de vida.

Alvo de discussão e controvérsia, foi considerado sucessivamente "um mártir livre-pensador" (Paul Lacroix), um "cientista incompreendido" (Pierre Jupont, em A Obra Científica de Savinien de Cyrano "Cyrano de Bergerac", 1907), "um libertino sem arte nem parte (Lechèvre), um "racionalista militante" (Weber) e "pretenso alquimista" (Eugéne Conseliet).

As suas obras foram editadas muitas vezes, especialmente em 1851 por Leblanc Duvernet, e em 1858 por Paul Lacroix, conhecido como "O Bibliófilo Jacob".

Em "Historia Cómica dos Estados", considerada como uma das primeiras novelas de ficção científica, Cyrano dividiu-a em duas partes: "História Cómica dos Estados e Impérios da Lua", publicada em 1657 pelo seu amigo Lebret,  e "História Cómica dos Estados e Impérios do Sol", publicada em 1662. Cyrano escreve na primeira pessoa a viagem que realiza à Lua e ao Sol e as observações que faz das pessoas que encontra, cujo modo de vida é, às vezes, chocante e totalmente distinto do nosso. Esta viagem imaginária é, antes de mais nada, um pretexto para expressar a sua filosofia materialista e fazer uma crítica à sociedade e às ideias e crenças da época. Os dois relatos foram publicados a título póstumo.

Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)


Savinien de Cyrano de Bergerac.JPG

https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2019/07/28-de-julho-de-1655-morre-o-escritor-e.html?spref=fb&fbclid=IwAR2GrjLoyh45pl6meGqyOMvpJjjUBXihk0MVF7ZqvE34MBAJWwAGSjCySEY

22/07/2019

7.720.(22jul2019.8.8') Edward Hopper

Nasceu a 22jul1882...Nova Iorque
e morreu em 1967...Nova Iorque
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 Biografia: 
Edward Hopper foi um pintor, artista gráfico e ilustrador norte-americano conhecido por suas misteriosas pinturas de representações realistas da solidão na contemporaneidade. Em ambos os cenários urbanos e rurais, as suas representações de reposição fielmente recriadas reflecte a sua visão pessoal da vida moderna americana.
Edward Hopper
 "A pintura é uma gravação da emoção."
 https://kdfrases.com/autor/edward-hopper
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 "Mais de mim sai quando eu improviso."
 "Se você pudesse dizer em palavras, não haveria razão para pintar."
"É difícil para mim saber o que pintar. Isso vem devagar."
 “É provavelmente um reflexo da minha própria solidão, se é que posso dizer. Eu não sei. Pode ser toda a condição humana. ”
 "Nenhuma quantidade de invenção hábil pode substituir o elemento essencial da imaginação."
 "Não sei por que escolhi um assunto em vez de outro, a menos que acredite que seja a melhor síntese de minha experiência interior."
 "A resposta inteira está lá na tela."
 "Reconhecimento não significa muito, você nunca consegue quando você precisa."
"Apenas para pintar uma representação ou design não é difícil, mas para expressar um pensamento na pintura é. O pensamento é fluido. O que você coloca na tela é concreto e tende a direccionar o pensamento. Quanto mais você bate na tela, mais você perde o controle do pensamento. Eu nunca consegui pintar o que preparei para pintar."
 [Sobre sua pintura" Aproximando-se de um CityWell "Hopper pintado em 1946:] "Eu sempre estive interessado em me aproximar de uma cidade grande num trem, e não posso descrever exactamente as sensações, mas elas são inteiramente humanas e talvez não tenham nada a ver com estética. Há um certo medo e ansiedade e um grande interesse visual nas coisas que se vê chegando a uma grande cidade. Eu acho que é tudo o que posso dizer sobre isso."
"Acredito que os grandes pintores, com seu intelecto como mestre, tentaram forçar esse meio involuntário de tinta e tela em um registo de suas emoções. Acho que qualquer digressão desse grande objectivo me leva ao tédio."
"É preciso, talvez, qualificar essa afirmação e dizer que tendências aparentemente opostas contêm, cada uma, um pouco do outro. Eu tentei apresentar minhas sensações na forma mais agradável e impressionante possível para mim."
„Os obstáculos técnicos da pintura talvez ditem essa forma. Deriva também das limitações da personalidade, e essas podem ser as simplificações que tentei ”
 "Eu gostaria de poder pintar mais ... Eu faço dezenas de esboços para óleos ... se eu fizer um que me interesse eu vou fazer uma pintura, mas isso acontece apenas duas ou três vezes por ano."
 “Tudo o que eu sempre quis fazer é pintar a luz solar no lado de uma parede.”
"Depois de pegar gravuras [c. 1915], minhas pinturas pareciam cristalizar-se."
 "Eu acho, ao trabalhar sempre, a perturbadora intrusão de elementos que não fazem parte da minha visão mais interessada, e a inevitável obliteração e substituição desta visão pelo próprio trabalho enquanto ele prossegue."
 "A grande arte é a expressão externa de uma vida interior no artista, e essa vida interior resultará em sua visão pessoal do mundo ... A vida interior de um ser humano é um reino vasto e variado."
 "Tanto de toda a arte é uma expressão do subconsciente que me parece que, acima de tudo, as qualidades importantes são colocadas lá inconscientemente, e pouco importantes pelo intelecto consciente. Mas essas são coisas para o psicólogo desvendar ."
 https://citacoes.in/autores/edward-hopper/

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22 de Julho de 1882: Nasce Edward Hopper, o pintor da solidão

Edward Hopper nasceu a 22 de Julho de 1882 em Nova Iorque, cidade onde também estudou desenho gráfico, ilustração e pintura. O artista Robert Henri (1865 – 1929) terá sido o professor que mais o influenciou, uma vez que encorajava os seus alunos a usar a arte para “fazer um movimento no mundo”, motivando-os a pintarem descrições realistas da vida urbana. Depois de completar a sua educação formal, Hopper fez três viagens pela Europa com o objectivo de estudar a cena emergente.
Hopper começou por trabalhar como designer gráfico apesar de ter continuado a pintar. Em 1925 produz “House by the Railroad”, uma obra que marca a sua maturidade artística. Trata-se do primeira de um conjunto de propostas que combinam o urbano e o rural, marcadas por linhas finas e formas largas, pintadas com uma iluminação incomum que procura captar a ideia de solidão que marca toda a sua obra. Hopper trouxe para as suas telas temas característicos da vida quotidiana norte-americana tais como as estações de serviço, bombas de gasolina, os hotéis, estações e linhas de comboio ou, simplesmente, as ruas vazias.
Hopper notabilizou-se pelas suas misteriosas representações realistas da solidão na contemporaneidade e, tanto nos cenários rurais como nos urbanos, as suas recriações fiéis do quotidiano reflectem a sua vida pessoal da vida moderna norte-americana. Neo - realista imaginativo, este artista retratou com subjectividade a solidão cosmopolita e a estagnação do homem, procurando, com os seus trabalhos, causar impacto psicológico no espectador. Alguns autores dizem que terá sido influenciado pelos estudos psicológicos de Freud e pelas teorias de Bergson que procuravam compreender subjectivamente o homem e os seus problemas.
As paisagens urbanas de Hopper são desertas, melancólicas e iluminadas por uma luz incomum .Os edifícios, geralmente enormes e vazios, assumem um aspecto inquietante e a cena parece dominada por um silêncio perturbador. Nas pinturas de Hopper reina a expressão da solidão, o vazio, a desolação, a estagnação da vida humana em personagens anónimas que jamais comunicam entre si. São obras que evocam o silêncio.
Edward Hopper morreu em 1967 no seu estúdio, espaço que ficava perto do Washington Square Park, em Nova Iorque.
wikipedia (imagens)

Nighthawks (1942)
 https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2019/07/22-de-julho-de-1882-nasce-edward-hopper.html?spref=fb&fbclid=IwAR3nJWLKTCJCixx-aMMSnf3Wp8Haw2MXwZqejqDteqQKI00SFzJHKlaAB98
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12/07/2019

9.123.(12jul2019.8.8') Amedeo Modigliani

Nasceu a 12jul1884...Livorno...Itália
e morreu a 24jan1920...Paris
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 "Quando conhecer sua alma, pintarei seus olhos."
 https://www.pensador.com/autor/amedeo_modigliani/
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 "A felicidade é um anjo com uma cara séria."
  "A função da arte é lutar contra a obrigação."
  "Com um olho, procure o mundo exterior, enquanto com o outro, olhe dentro de si."
  "Agora eu sou rico em ideias frutíferas e tenho que produzir meu trabalho."
  "O que eu estou procurando não é o real ou o irreal, mas sim o inconsciente, o mistério do instintivo na raça humana."
  "Eu gostaria que minha vida fosse uma torrente fértil que viaja a terra com alegria. Sou rico, sou cheio de ideias e preciso trabalhar. [...] Um burguês me disse, hoje - com a intenção de me insultar - que meu cérebro estava sendo desperdiçado. Isso me fez muito bem. Todos nós devemos receber um lembrete como esse todos os dias."

 “La felicidad es un ángel con rostro serio.
 “La función del arte es luchar contra la obligación.
 “Con un ojo busca en el mundo exterior, mientras con el otro busca en tu interior.
 “Ahora soy rico en ideas fructíferas y tengo que producir mi trabajo.
 “Lo que busco no es lo real ni irreal, sino más bien el inconsciente, el misterio de lo instintivo en la raza humana.
 “Quisiera que mi vida sea un torrente fértil que recorra la tierra con alegría. Soy rico, estoy lleno de ideas, y sólo necesito trabajar. [...] Un burgués me dijo, hoy -con la intención de insultarme- que mi cerebro estaba siendo desperdiciado. Me hizo mucho bien. Todos deberíamos recibir un recordatorio como ese cada día.
 https://akifrases.com/autor/amedeo-modigliani
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vários anos partilhei:
12jul1884... pintor italiano Amedeo Modigliani...
 https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2018/07/12-de-julho-de-1884-nasce-o-pintor.html
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 https://www.youtube.com/watch?v=pNik9gJeQAg
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 https://www.youtube.com/watch?v=kfBo7AYfTIE
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12 de Julho de 1884: Nasce o pintor italiano Amedeo Modigliani

Amedeo Clemente Modigliani, o mais novo dos quatro filhos de Flaminio e de Eugenia Modigliani, nasceu a 12 de julho de 1884, em Livorno. A família pertencia à burguesia judaica e na época do nascimento de Modigliani, ela passava por dificuldades financeiras. Devido a uma crise económica na Itália, a empresa da família abre falência e para ajudar às despesas da casa, a mãe de Modigliani começa a dar lições particulares e a fazer traduções. Modigliani cresce num ambiente com interesses literários e filosóficos.

Em 1898, Modigliani contrai febre tifóide e o seu destino de artista lhe é revelado num mítico sonho delirante. Depois de restabelecido, abandona a escola e recebe lições do pintor Guglielmo Micheli na Academia de Arte de Livorno. 

Modigliani contrai tuberculose e passa o inverno de 1900/1901 em Nápoles, em Capri e em Roma. No início de 1906, o pintor vai para Paris. Instala-se num pequeno estúdio em Montmartre e frequenta aulas de modelo-vivo na Académie Colarossi. Conhece Maurice Utrillo, de quem ficará amigo por toda a vida. No outono, troca conhecimentos com o pintor alemão Ludwig Meidner, que o descreve como "o último boémio autêntico".

Na primavera de 1909, executa o retrato 'A Amazona'. É a sua primeira encomenda de um retrato, paga. Um recibo de renda mostra que Modigliani tinha um estúdio na Cité Falguière em Montparnasse, pelo menos a partir de Abril. Por intermédio de Paul Alexandre, troca conhecimentos com o escultor romeno Constantin Brancusi. Modigliani passa o Verão na Itália com a família, onde "recupera a saúde e a roupa", como escreve numa carta a Paul Alexandre. É provavelmente neste ano que Modigliani inicia a escultura em pedra, que durante algum tempo terá prioridade em relação à pintura.

Em abril de 1917, Modigliani conhece Jeanne Hébuterne, que estuda na Académie Colarossi. Mudam-se para um apartamento na Rue de la Grande Chaumière. Em 3 de dezembro, é inaugurada a sua primeira exposição individual na Galeria de Berthe Weill. A exposição é forçada a encerrar durante a inauguração porque os seus nus são considerados escandalosos.

Em 24 de janeiro de 1920, Modigliani morre no Hospital Charité de Paris. No dia seguinte, Jeanne Hébuterne suicida-se. Uma grande multidão assiste ao funeral de ambos no cemitério de Père Lachaise. A filha Jeanne é adotada pela irmã de Modigliani, residente em Florença, e escreve mais tarde uma importante biografia de seu pai.
Fontes: Doris Krystof, Modigliani
wikipedia (Imagens)
Amedeo Modigliani em 1906
Arquivo: Modigliani-autoretrato-macusp1.jpg
Auto retrato
Ficheiro:Modigliani, Picasso and André Salmon.jpg
Modigliani, Pablo Picasso e André Salmon em Montparnasse (1916)
 https://www.youtube.com/watch?v=pNik9gJeQAg
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 https://www.youtube.com/watch?v=kfBo7AYfTIE
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