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as condições mínimas para haver consenso à esquerda!!!
ver discurso do Jerónimo de Sousa a 12.7.2013
(...) Rejeitamos em absoluto a ameaça com que a direita, o Presidente da República e o grande capital pretendem enganar os portugueses. A mentira de que com as eleições viria o caos; a patranha de que a chamada crise política levou o país a perder mais de mil milhões de euros, como se as variações da bolsa fossem pagas pelo Orçamento do Estado; a chantagem de que viria o segundo resgate, há muito em preparação e à espera do pretexto adequado; a falsa ideia de que realizar eleições desperdiçaria os sacrifícios feitos pelo povo.
Trata-se apenas de manipular o receio com que muitos portugueses olham para o seu futuro, o dos seus filhos, o do seu País, para os convencer a aceitar uma vida cada vez pior.
Mas a vida não tem de ser cada vez pior e o País não está condenado ao empobrecimento. É preciso resgatar o País desta política, das mãos deste Governo, da troica e do Presidente da República. Com este Governo não há esperança; com esta política não há futuro!
Mas a vida não tem de ser cada vez pior e o País não está condenado ao empobrecimento. É preciso resgatar o País desta política, das mãos deste Governo, da troica e do Presidente da República. Com este Governo não há esperança; com esta política não há futuro!
Portugal precisa de uma política patriótica e de esquerda que dê resposta aos problemas do País. Sabemos que este Governo e os anteriores deixaram o País numa grave situação. Mas também sabemos que Portugal não é um País pobre e que com outra política poderemos devolver ao povo os direitos que lhe foram roubados e começar a inverter o declínio nacional.
Uma política patriótica e de esquerda que tem de partir da rutura com o Pacto de Agressão. Que ninguém queira enganar outra vez os portugueses; não há mudança efetiva de política, sem rejeição do memorando da troica.
Uma política que exige a imediata renegociação da dívida nos seus montantes, juros, prazos e condições de pagamento e com redução do serviço da dívida para um nível compatível com o crescimento económico e a melhoria das condições de vida;
Uma política que aposte decisivamente na produção nacional, que defenda e desenvolva o aparelho produtivo, aproveitando os recursos do país e tenha como objetivo o pleno emprego.
Uma política que melhore as condições de vida dos portugueses, aumentando os seus rendimentos, contribuindo também para a dinamização da nossa economia.
Uma política que aposte decisivamente na produção nacional, que defenda e desenvolva o aparelho produtivo, aproveitando os recursos do país e tenha como objetivo o pleno emprego.
Uma política que melhore as condições de vida dos portugueses, aumentando os seus rendimentos, contribuindo também para a dinamização da nossa economia.
Uma política que garanta o direito à educação, à saúde, à segurança social, à justiça, salvaguardando o carácter público dos seus serviços e eliminando as restrições de acesso por razões económicas e que contribuam para combater as desigualdades.
Uma política que defenda a soberania nacional e os interesses do País, designadamente face à União Europeia.
Uma política alternativa que exige um governo que a concretize. Um governo capaz de romper com a lógica e o círculo vicioso que se instalou no país do sistema de alternância sem alternativa. Podem contar com o PCP para assumir todas as responsabilidades que o povo lhe queira atribuir e para fazer a diferença no futuro de Portugal.
Não se iludam os que julgam poder a continuar a enganar para todo o sempre o nosso povo. Nós temos confiança de que o povo português será capaz de abrir o caminho novo de esperança de que Portugal precisa!
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via blogue de Vitor Dias
17 Julho 2013
A propósito de uma crónica de Rui Tavares
Esclarecendo que, ao contrário do que ele pensará, não há da minha parte nenhuma embirração mas apenas a consequência natural de ele escrever na última página do Público, registo que na sua crónica de hoje, explicitamente motivada pela iniciativa do BE de propor encontros ao PS e PCP para a elaboração de um«programa para um governo de esquerda» ( a mim pareceu-me uma coisa quase tão instantânea como o pudim flan), Rui Tavares reporta-se na sua crónica de hoje a uma sua anterior crónica de Setembro de 2012 em que havia recomendado aos partidos da oposição, entre outras medidas, a de concordarem«em encontrar-se e falar, sem precondições».
Rui Tavares assinala depois (sublinhados meu) que «Ontem, aconteceu. Pela primeira vez, ouvi um líder de um partido da oposição - João Semedo, do Bloco de Esquerda apelar à realização de reuniões urgentes e «sem condições prévias» entre os partidos de esquerda. Poucas horas depois, o PS aceitou». E mais à frente, Rui Tavares sublinha que «o ineditismo do passo pode fazer escola, e isso é importante. Ainda assim a pergunta que se impõe é a seguinte: custava muito ?.
Ora, face a isto, entendo observar sobriamente:
1. O «ineditismo» da coisa é tão grande que, para não ir mais atrás, ainda ontem aqui lembrei que que em 5 e 6 de Junho, ou seja há 40 dias, o PS teve encontros com todos os partidos, incluindo com o PCP e com o BE.
2. Não só desconheço em quase 40 anos de democracia que o termo «condições prévias» alguma vez tenha entrado no léxico de partidos a respeito de encontros entre si, como juro, com especial conhecimento de causa, que ele é completamente estranho às formulações do PCP. E, como Rui Tavares é muito novo para o saber, até informo que, nos longuíssimos anos em que o PS esteve de relações cortadas com o PCP, este com Álvaro Cunhal como Secretário-geral insistia sempre sem êxito (até à chegada de Jorge Sampaio à liderança do PS) na realização de encontros com o PS sem agenda nem condições prévias.
3. Embora saiba que isso não abala um milímetro as sentenças de alguns, insisto em que o «diálogo» entre os partidos não é coisa que se possa limitar aos seus encontros (que até podem ser meras coreografias ou operações de imagem), antes também se trava na AR e na praça pública pela exposição e confronto das suas diferentes propostas e pela forma como cada um se posiciona ou vota as propostas de outros.
4. Lamento dizê-lo mas confundir a legítima consideração de um partido que, numa determinada situação ou conjuntura, um encontro com outro não é oportuno ou não acrescenta nada com o estabelecimento de condições prévias ou precondições é, na mais benévola das hipóteses, o puro território da ligeireza e da superficialidade.
5. Por fim, de forma propositadamente elíptica, quero lembrar que em 12 de Setembro de 2012 escrevi isto neste blogue :
P.S.: É sempre uma coisa tristíssima e quase de fazer chorar as pedras da calçada ver Daniel Oliveira a dar corda à milonga de que há alguém que empurra o PS para os braços da direita como se mais de três décadas não mostrassem que sempre para lá caminhou pelo seu próprio pé e consciente vontade.
5. Por fim, de forma propositadamente elíptica, quero lembrar que em 12 de Setembro de 2012 escrevi isto neste blogue :
P.S.: É sempre uma coisa tristíssima e quase de fazer chorar as pedras da calçada ver Daniel Oliveira a dar corda à milonga de que há alguém que empurra o PS para os braços da direita como se mais de três décadas não mostrassem que sempre para lá caminhou pelo seu próprio pé e consciente vontade.