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Eugénio Rosa
http://networkedblogs.com/T5wRU
a batalha d'informAÇÃO...Eugénio Rosa explica mbem...
"Neste momento está em curso no nosso país uma gigantesca operação de propaganda
levada a cabo pelo governo e pelos seus defensores na comunicação social com o objetivo
de convencer a opinião pública que a política de austeridade resultou (“os sacrifícios valeram
a pena” repetem); que se está a verificar uma viragem económica, e que Portugal entrou no
crescimento económico e desenvolvimento. Uns por convicção ideológica, outros por terem
sidos sujeitos a uma captura cognitiva, põem de parte a análise objetiva e os ensinamentos
da ciência económica substituindo-a por afirmações de euforia com base em dados isolados e
seleccionados. E quem não concorde com eles ou é silenciado nos media, ou então se tem a
sorte de ter acesso alguma vez a eles, é impedido de falar como me aconteceu no programa
da SIC “Negócios da semana” de JGF (interrupções continuas impedindo de desenvolver qualquer
raciocino até ao fim, o que não se verificou com o outro participante - Pais Antunes – sendo a justificação depois
dada por JGF que não o interrompia porque ele estava de acordo com JGF). ..."
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a batalha d'informAÇÃO...Eugénio Rosa explica mbem...
"Neste momento está em curso no nosso país uma gigantesca operação de propaganda
levada a cabo pelo governo e pelos seus defensores na comunicação social com o objetivo
de convencer a opinião pública que a política de austeridade resultou (“os sacrifícios valeram
a pena” repetem); que se está a verificar uma viragem económica, e que Portugal entrou no
crescimento económico e desenvolvimento. Uns por convicção ideológica, outros por terem
sidos sujeitos a uma captura cognitiva, põem de parte a análise objetiva e os ensinamentos
da ciência económica substituindo-a por afirmações de euforia com base em dados isolados e
seleccionados. E quem não concorde com eles ou é silenciado nos media, ou então se tem a
sorte de ter acesso alguma vez a eles, é impedido de falar como me aconteceu no programa
da SIC “Negócios da semana” de JGF (interrupções continuas impedindo de desenvolver qualquer
raciocino até ao fim, o que não se verificou com o outro participante - Pais Antunes – sendo a justificação depois
dada por JGF que não o interrompia porque ele estava de acordo com JGF). ..."
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Termina assim o estudo (...)
Em 2010, antes da “troika” chegar e do governo PSD/CDS entrar em funções, a divida pública era
de 162.487 milhões € (94% do PIB). Três anos de “troika” e de governo PSD/CDS fizeram subir a
divida pública para 211.354 milhões € (mais 48.867 milhões €) o que corresponde a 127,8% do
PIB de 2013 (entre o 2ºTrim. 2013 e o 3ºTrim.2013, verificou-se uma redução, mas a tendência,
como se vê, é de aumento). Mesmo este valor não traduz a totalidade da divida das
Administrações Públicas, pois há uma parcela importante desta que não é considerada naquele
total. Segundo o Banco de Portugal, a divida das Administrações Públicas atingia, já em Agosto-
2013, 254.636 milhões € o que correspondia a 155,2% do PIB; quando em Dez.2010 era 107,5%
do PIB. Portugal termina (?) o período de intervenção da “troika” com um pesadíssimo fardo de
divida que impede qualquer crescimento sustentado. E de acordo com o Pacto Orçamental,
aprovado na Assembleia da República pelo PS, PSD e CDS”, Portugal assumiu o compromisso de
a reduzir de 127,8% para 60% num prazo de 20 anos (artº 4º), o que significa uma redução 3,4
pontos percentuais por ano (quase 6.000 milhões € por ano), a que se junta uma outra obrigação
constante do artº 1º do Pacto, que é a redução do défice estrutural para -0,5% (em 2013, era -
3,5%). Se estas condições draconianas não forem alteradas Portugal estará condenado à
estagnação económica, ao definhamento e ao empobrecimento. Falar neste contexto concreto, e
sem que se altere significativamente o quadro atual, de recuperação da economia, e sugerir que
ela possa ser sustentável, é não entender como funciona a economia ou então só pode ser com
intuito claro de enganar a opinião pública e os portugueses. É tomar a árvore pela floresta e não
entender nada da situação atual.
Eugénio Rosa – Economista – edr2@netcabo.pt – 23-1-2014
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CGTP
A DGO divulgou hoje os dados da execução orçamental de 2013, a qual aponta para um défice público da ordem dos 5% do PIB. Daqui resulta que o défice está a baixar e a vida dos trabalhadores, dos reformados, dos jovens e dos desempregados, a piorar. Entretanto, o Governo persiste na manutenção e mesmo no reforço da exploração e do empobrecimento em 2014.
2. A CGTP-IN considera que o discurso do Governo sobre a melhoria das condições económicas e sobre o “êxito” da execução orçamental é contraditório com as situações concretas em que vive a generalidade dos cidadãos e com as medidas do governo para 2014. Não se pode, de um lado, dizer que a economia está a recuperar e, de outro, agravar as condições em que vive a generalidade dos trabalhadores e dos portugueses: cortes salariais, congelamento do salário mínimo nacional, redução das prestações sociais, aumento da idade da reforma, alargamento da Contribuição Extraordinária de Solidariedade, manutenção de um IRS a um nível confiscatório (enquanto se baixa o IRC), situações dramáticas e desumanas quanto ao acesso a serviços de saúde, os cortes na política de educação, manutenção de um elevado desemprego, cortes significativos no investimento público, etc.
4. A execução orçamental de 2013, conjugada com o Orçamento do Estado para 2014, confirma o processo de transformação do Estado com o esvaziamento das suas funções sociais e a tentativa de aprofundar a degradação do aparelho produtivo português. Para a CGTP-IN, o Governo PSD-CDS e a política que está a ser imposta ao país, corporizam um retrocesso económico e social a que urge pôr termo, apelando a todos os trabalhadores, jovens, desempregados, pensionistas e reformados a participação e mobilização para a Jornada de Luta do dia 1 de Fevereiro.
CGTP
Baixa défice, pioram as condições de vida e de trabalho
- Publicado em 24/01/2014
1. Os resultados do défice do Estado não podem ser desligados das medidas em concreto tomadas e que determinam a deterioração das condições económicas e sociais. Numa primeira apreciação, o que a execução orçamental de 2013 revela é o aumento da carga fiscal sobre os rendimentos do trabalho, a diminuição da despesa social, a quebra do investimento público, a obtenção de receitas extraordinárias e a criação de novos impostos disfarçados, como é exemplo a Contribuição Extraordinária de Solidariedade:
1.1 A carga fiscal que incide sobre os rendimentos do trabalho teve um forte aumento, tendo o IRS um aumento de 35,5%. A execução orçamental de 2013, reflecte, acima de tudo, a redução em termos líquidos dos salários e pensões.
1.2. A execução orçamental da segurança social é apresentada como um êxito quando se indica um saldo positivo próximo de 480 milhões de euros. Mas este “êxito” não tem em conta nem a transferência extraordinária destinada a cobrir o défice do sistema previdencial nem, sobretudo, a redução da despesa com as prestações. Refira-se a diminuição com da despesa com as prestações familiares (-0,6%), com o subsídio de doença (-6,9%), com o Complemento Solidário para Idosos (-2%), com o rendimento social de inserção (-18,8%) e com outras prestações (-12%). A despesa com as prestações de desemprego subiram (5,1%), mas a cobertura social das prestações mantêm-se abaixo de 50% (ou seja menos de 1 em cada 2 desempregados foi coberto).
1.3. Os dados apontam igualmente para uma contracção do investimento público de 933 milhões de euros o que representa uma diminuição de 38,2% face a 2012. Foram afectados, entre outros investimentos na área da educação e das infra-estruturas ferroviárias. É necessário referir que o sucessivo decréscimo do investimento público põe em causa o próprio desenvolvimento económico. É o futuro do país que assim está a ser posto também em causa.
1.4. O valor do défice foi também obtido com o recurso a medidas extraordinárias, nas quais se insere o regime de regularização de dívidas fiscais e da segurança social, que ascenderam a cerca de 1,3 mil milhões de euros (cerca de 0,8% do PIB). A CGTP-IN sempre defendeu a recuperação de dívidas ao Estado e à segurança social, o que é, no entanto, diferente dum perdão fiscal, o qual pode vir a incentivar a continuação de práticas de fraude e de evasão contributivas. É ainda necessário aferir se esta recuperação de dívidas foi feita junto dos pequenos contribuintes ou pelos Devedores Estratégicos (6% do total dos devedores) os quais representavam, em 2012, 60% do total da carteira de dívida ao Estado. No entanto, o resultado obtido confirma que é possível recuperar uma parte importante da divida fiscal e à Segurança Social, que ronda os 17.000 milhões €, através da afectação dos meios necessários e de um combate eficaz à evasão fraude fiscal.
1.5. O Governo criou novos impostos, disfarçados de Contribuição Extraordinária de Solidariedade, cujo valor ascendeu a 536 milhões de euros.
3. Não só este discurso é contraditório com a política de empobrecimento e exploração em curso, como existe da parte do Governo a intenção clara e manifesta de transformar medidas de “austeridade” que foram apresentadas e justificadas com a sua natureza excepcional e transitórias em medidas definitivas. Essa intenção manifesta-se, nomeadamente, na tentativa de tornar definitiva, porventura com outra forma, a Contribuição Extraordinária de Solidariedade, na “reforma do Estado” e num anunciado Documento de Estratégia Orçamental a ser apresentado em Abril em que o Governo disse já que pretende manter esta política, com a redução permanente da despesa.
Lisboa, 23.01.2014
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Contas Nacionais - Um novo milagre das rosas
A mudança de regras da contabilidade nacional não acontece apenas em Portugal. Processa-se a nível global, no âmbito das Nações Unidas e da União Europeia. As alterações metodológicas que o INE irá aplicar decorrem do novo Sistema Europeu de Contas (SEC2010) que entrará em vigor em Setembro deste ano.
Os impactos da alteração das regras estatísticas no PIB, no défice e na dívida pública não são ainda totalmente conhecidos e vão em sentidos que nem sempre coincidem. Assim, se por um lado o PIB aumenta, o mesmo poderá também acontecer com a dívida pública em resultado da reclassificação de algumas entidades no âmbito das Administrações Públicas (são referidas a Parpública, a Sagestamo, a EDIA, os hospitais-empresa e empresas municipais). Por outro lado, as receitas e despesas relacionadas com as transferências de fundos de pensões para a segurança social deixam de contar para o cálculo do défice público.
Um dos impactos mais importantes situa-se ao nível do PIB com um aumento que o INE estima que possa exceder os 2%, segundo informação publicada na comunicação social. Este aumento resulta sobretudo da contabilização como investimento, e não meramente como um custo, das despesas com a investigação e desenvolvimento. Aliás, se o país investisse mais em investigação e desenvolvimento (ID) teria um nível de PIB ainda superior, aplicando estas regras. Existem outras alterações metodológicas de duvidoso mérito que determinam o aumento do PIB, como seja a aquisição de material militar.
Não se pode confundir aumento do PIB com a sua variação, ou seja o seu crescimento (ou decrescimento, isto é, a recessão). Se o PIB aumenta em 2014 devido a esta razão então o mesmo teria também acontecido nos anos anteriores aplicando a mesma metodologia. Ora o INE irá proceder ao recálculo do PIB desde 1995 e, apesar do desinvestimento em ID, não é de esperar alterações significativas na variação do PIB, de acordo com informação divulgada na comunicação oficial. Neste sentido, é de combater a ilusão que visa criar um novo milagre das rosas em que da recessão se passa ao crescimento devido à magia das novas regras contabilísticas.
Lisboa, 23.01.2014