7.450.(30jan2014.8.44') A revolta do 31 janeiro...Há 123 anos a luta tb era pela democracia, pela justiça social e pela soberania nacional...
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31janeiro...
Após o 25 de abril foi/é Dia Nacional do Sargento!...
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31jan2018 Ousada e efémera, a Revolta de 31 de Janeiro, no Porto, continua a inspirar pela coragem e tenacidade dos protagonistas, bem como pelos valores da democracia e da soberania nacional por que lutavam.
O levantamento militar de 31 de Janeiro de 1891 constitui a primeira tentativa revolucionária de implementação da República, em Portugal, representando igualmente uma luta pela afirmação da soberania nacional onde, 127 anos depois, não é difícil encontrarmos similitudes.
Em causa, as cedências do Governo e do rei ao ultimato britânico de 1890 por causa do Mapa Cor-de-Rosa, que pretendia ligar, por terra, Angola e Moçambique. A questão embaraçava os militares e o Partido Republicano Português, dirigido então por Elias Garcia, era favorável à preparação de um plano de luta, animado pela proclamação da República do Brasil, em Novembro de 1889.
Outras razões contribuíram para o eclodir da revolta, a começar pela crise que se manifestou nesse ano, motivada, entre outros aspectos, por uma frágil produção industrial, pela recessão das exportações (essencialmente agrícolas), pelo aumento contínuo das importações.
A estas juntou-se o facto de o Câmbio do Brasil ter baixado repentinamente, desvalorizando as remessas dos emigrantes, tendo Portugal entrado praticamente em bancarrota.
Na revolta, decorrida entre as 3h30 e o início da tarde do dia 31 de Janeiro, morreram 12 pessoas e cerca de 40 ficaram feridas. Apesar de ter fracassado no objectivo, pelo facto de não estarem reunidas as condições para a implantação da República (o que viria a acontecer 19 anos depois), o movimento de 31 de Janeiro venceu por se ter fixado no quadro da luta pela democracia, da justiça social e da soberania nacional.
Cerca de 500 militares e muitos civis foram julgados por Conselhos de Guerra, a bordo de navios da Armada, ao largo de Leixões. Cerca de 250 pessoas foram condenadas a penas, entre 18 meses e 15 anos, de degredo em África.
Efeméride regressa à rua com Revolução dos Cravos
Aquela que ficou conhecida como Rua 31 de Janeiro, após a implantação da República, designava-se primeiro de Rua de Santo António. Foi renomeada com a data da revolta pelo facto de, nessa manhã, a multidão ter subido a rua com o objectivo de tomar a estação dos Correios e Telégrafos, na Praça da Batalha. Barricada na escadaria da Igreja de Santo Ildefonso, ao cimo da rua, a Guarda Municipal abriu fogo sobre a multidão, causando vítimas entre os militares e os civis.
Durante a ditadura, a rua voltou a ter o nome do santo. Foi a partir da Revolução dos Cravos que a efeméride identificou novamente esta rua da Invicta.
https://www.abrilabril.pt/nacional/31-de-janeiro-uma-revolta-que-fica-pela-coragem-e-ousadia
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avante 30jan2014
João Frazão
Actualidade da luta pela democracia, a justiça social e a soberania nacional
A Revolta de 31 de Janeiro
Há 123 anos, o País estava subordinado ao imperialismo e à mercê da especulação financeira, o custo de vida agravava-se constantemente e o regime estava desacreditado na sequência da alternância de dois partidos que seguiam a mesma política de favorecimento a um punhado de capitalistas, enquanto o povo se confrontava com dificuldades crescentes e o País se afundava.
Há 123 anos, um grupo de militares de baixa patente, dirigido por sargentos e apenas com três oficiais, na madrugada de 31 de Janeiro, no Porto, acompanhados por jornalistas e intelectuais, promoveram uma revolta que colheu simpatia e apoio generalizado da população da cidade que, tal como a maioria do povo, mais do que o derrube da monarquia e a instauração da República, aspirava à conquista dos direitos democráticos, à justiça social e à defesa da soberania nacional. Desde então, a Revolta de 31 de Janeiro, apesar de derrotada em poucas horas, passou a ser evocada como um acontecimento que lançou as sementes para a construção de um País mais democrático, justo e soberano.
Na passagem de mais um ano sobre esta revolta, vivemos um situação particularmente grave no plano nacional, com os trabalhadores e o povo confrontados com a mais violenta ofensiva desde o 25 de Abril – inseparável da crise do capitalismo e do processo de integração capitalista da UE – com a exploração e o empobrecimento a acentuarem-se diariamente e o País a ser conduzido para o abismo.
Tal como ao longo da nossa história várias vezes se provou, o caminho de abdicação da soberania, de entrega do País e das suas riquezas ao grande capital e deste rumo de afundamento nacional não é inevitável.
Está nas mãos do nosso povo – a imensa maioria atingida por esta política – derrotar este Governo e esta política e abrir caminho a uma política alternativa, patriótica e de esquerda. Um caminho possível e cada vez mais necessário que é inseparável do reforço do PCP e do desenvolvimento da luta de massas, associando-lhe a denúncia da política de direita e das responsabilidades dos seus sucessivos executantes (PS, PSD e CDS), afirmando a actualidade e validade dos valores de Abril no futuro de Portugal. Tarefas em que os militantes e as organizações do Partido estão empenhados, integrando-as também noutras duas importantes batalhas imediatas: as comemorações do 25 de Abril e a preparação das eleições ao Parlamento Europeu.
A ruptura inadiável
O desenvolvimento da situação nacional coloca como inadiáveis a ruptura com a política de direita e uma mudança na vida nacional que abra caminho à construção de uma política alternativa, patriótica e de esquerda, condição para assegurar um Portugal com futuro, de justiça social e progresso, um País soberano e independente. Uma política que seja capaz de libertar Portugal da dependência e da submissão, de recuperar para o País o que é do País, de devolver aos trabalhadores e ao povo os seus direitos, salários e rendimentos é possível assegurando a renegociação da dívida nos seus montantes, juros, prazos e condições de pagamento, rejeitando a sua parte ilegítima; a defesa e o aumento da produção nacional; a recuperação para o Estado do sector financeiro e de outras empresas e sectores estratégicos; a valorização dos salários e pensões; a justiça fiscal; a defesa e recuperação dos serviços públicos e das funções sociais do Estado e a assumpção de uma política soberana e a afirmação do primado dos interesses nacionais.
Com a confiança de sempre na força transformadora dos trabalhadores e do povo, preparamos a jornada de luta do próximo sábado, 1 de Fevereiro, conscientes de que será um importante passo para a derrota deste Governo e desta política.
https://www.youtube.com/watch?v=nX0xuCUsrhA *** 2019 O
memorável episódio, precursor da implantação do regime republicano em
Portugal, é lembrado na passagem do 128.º aniversário da sua eclosão.
Após o 25 de Abril, é também o Dia Nacional do Sargento.
Gravura
de Louis Tinayre (1861-1941) representando o ataque, pela Guarda
Municipal, ao edifício da Câmara Municipal do Porto em poder dos
revoltosos, durante a Revolta Republicana do 31 de Janeiro de 1891, no
Porto. Créditos / Wikimedia Commons
A
revolta republicana ocorrida a 31 de Janeiro de 1891 no Porto será
celebrada naquela cidade do Norte com uma sessão-debate organizada pelo
Núcleo do Porto da Associação Conquistas da Revolução (ACR), segundo comunicado emitido por este. A
iniciativa, que assinala a passagem do 128.º aniversário da efeméride
realiza-se amanhã, dia 31, pelas 18h, na Cooperativa Unicepe (Praça
Carlos Alberto, 128). As intervenções principais estarão a cargo do
jornalista Júlio Roldão e de Lima Coelho, director do jornal O Sargento, órgão da Associação Nacional de Sargentos, segundo comunicado do Núcleo do Porto da ACR. A
Associação Conquistas da Revolução tem por objectivo «preservar,
divulgar e promover o apoio dos cidadãos aos valores e ideais da
Revolução, iniciada em 25 de Abril de 1974» e cultivar «o espírito
revolucionário e a consciência social progressista».
O 31 de Janeiro, símbolo da coragem contra a opressão
A
Revolta de 31 de Janeiro de 1891 foi o primeiro movimento
revolucionário que teve por objectivo a implantação do regime
republicano em Portugal – o qual se viria a firmar vitorioso em 5 de
Outubro de 1910.
Realizada por soldados e populares cuja maioria ficou no anonimato – veja-se, no jornal republicano Vanguarda, de 24 de Março de 1891, uma lista de presos em que, de muitos, a condenação refere apenas o nome próprio
– aos quais se reuniram algumas figuras gradas da oposição republicana,
a acção revolucionária ficou também conhecida como «revolta dos
sargentos», devido ao importante papel desempenhado por estes na
sublevação dos quartéis. Ao fracasso seguiu-se uma forte
repressão, com centenas de militares e civis condenados à prisão e ao
degredo em África, em penas que atingiram os quinze anos. Numerosos
foram os fugitivos obrigados a exilar-se. Os detidos tiveram um comportamento exemplar perante o tribunal de guerra que os julgou. Hélder Pacheco, escritor e investigador das tradições e da cultura popular portuense, lembrou, em artigo publicado no JN de 1 de Fevereiro de 2001,
as desassombradas palavras de alguns réus e o «notável discurso de
defesa apresentado perante o 2.º Conselho de Guerra pelo advogado José
Alberto de Sousa Couto». Vale a pena recordar, para memória dos nossos
dias, essas palavras. O actor Miguel Verdial, que intentara
revolucionar o Regimento de Infantaria 18 e que, de uma das janelas dos
Paços do Concelho, anunciara a composição do governo provisório
republicano, declarou aos seus juízes: «o primeiro dos tribunais, para o
homem que se estima, é o da própria consciência». Este valente,
influenciado pelas ideias de Antero de Quental e simpatizante da I
Internacional, que viria a evadir-se do degredo angolano a que a
monarquia o condenara, deixou semente humana dos seus feitos: foi pai de
Mem Verdial,
figura de relevo da oposição democrática ao salazarismo, e Sérgio
Godinho, que tão bem tem cantado a vida, o amor e a liberdade, é seu
bisneto. De Manuel Pereira da Costa ouviu-se: «Sou português e
hei-de morrer português. Sou republicano e hei-de morrer republicano.
Fui preso por perfilhar estas ideias; honro-me disso». E termine-se aqui
com o desafio de João Nunes (seria o primeiro-sargento João Nunes
Folgado, de Infantaria 10, reintegrado no Exército Português, com outros
companheiros, na sessão do Parlamento republicano de 20 de Junho de 1913?)
aos seus juízes: «Mais vale o cárcere com a consciência tranquila, do
que a liberdade com remorsos. Mais felizes são os vencidos de 31 de
Janeiro do que os membros do Conselho de Guerra de Leixões». Quem sabe
se não esteve esta frase na origem da proclamação orgulhosa inscrita no
monumento que, em 1897, foi erguido no Cemitério Prado do Repouso, em homenagem aos revolucionários do 31 de Janeiro: «aos vencidos»! Do
discurso do advogado José Alberto de Sousa Couto disse Hélder Pacheco
tratar-se «de um texto brilhante, que o futuro veio confirmar».
Respigue-se, do mesmo, três parágrafos, um no qual defende das calúnias
do acusador militar aqueles que «ousaram sair de uma apatia que
agrilhoava à mísera obscuridade e infortúnio a nossa existência de
povo», outro em que dá conta da adesão entusiástica dos portuenses, e um
terceiro em que remete para a história o julgamento justo dos
intervenientes: — Havemos de horrorizar-nos perante a abnegação de
tantos homens que se inspiraram nos males da pátria e aos quais movia
um esforço digno dela? — E que vos direi do aplauso do povo? Não o
sabeis, por ventura? Não chegaram aos vossos ouvidos os ecos desse
entusiasmo? Não é certo que no Campo da Regeneração o povo fraternizou
com o exército, cooperando com ele junto ao quartel de Infantaria 18?
Não é certo que na Rua do Almada se encheram as janelas de gente,
aplaudindo o desfilar das forças? Não é certo que a Praça de D. Pedro
parecia uma manhã de festival, de jubileu, onde reinava a maior alegria
no rosto de todos? — Por tão acumuladas razões vós haveis de ser
clementíssimos para tantos infelizes. E que razão há para o não serdes?
Vós julgais, mas a História vos julgará...
Panfleto da Oposição Democrática apelando à comemoração do 31 de Janeiro (n.a., s.d.).CréditosO
deflagrar do movimento no Porto não foi um acaso: as tradições
democráticas e liberais da cidade facilitaram um temporão
desenvolvimento do movimento republicano na cidade. Vitoriosa enfim a
República, em 1910, nesse mesmo ano os portuenses renomearam a Rua de
Santo António – que a multidão subira em festa antes de ser detida e
fuzilada pelas espingardas da Guarda Municipal – como Rua 31 de Janeiro,
em memória dos insurrectos. Após o golpe militar de 1926, o
fascismo não pôde suportar um nome que lembrava uma autêntica revolta
popular. Em 1940 a rua voltou ao nome de Santo António, mas não
conseguiu fazer esquecer aos democratas, republicanos e antifascistas, a
corajosa luta de populares e soldados em 1891. A comemoração do 31 de
Janeiro, apesar das fortes medidas repressivas com que o regime cercou a
data, foi sempre um momento de luta da oposição a Salazar e Caetano. Com
o 25 de Abril de 1974, o regime democrático saído da Revolução de
Abril, reverteu a medida salazarista e os portuenses voltaram a ter a
sua Rua 31 de Janeiro.
31 de Janeiro de 1891:Revolta republicana no Porto. É proclamada a República, na varanda da Câmara Municipal.
No dia 31 de Janeiro de 1891, há 124 anos,
eclodiu no Porto um levantamento militar, motivado e contrário à cedência do
Governo e da Coroa ao Ultimatum de 1890 imposto pela Inglaterra, este
levantamento pretendeu instaurar um governo provisório e foi a primeira
tentativa de instauração do regime republicano em
Portugal.
As
figuras cimeiras da "Revolta do Porto", foram o capitão António Amaral Leitão,
o alferes Rodolfo Malheiro, o tenente Coelho, além dos civis, o dr. Alves da
Veiga, o actor Miguel Verdial e Santos Cardoso, além de figuras destacadas da
cultura como João Chagas, Aurélio da Paz dos Reis, Sampaio Bruno, Basílio Teles,
entre outros.
O
acontecimento teve início na madrugada do dia 31 de Janeiro, quando o Batalhão
de Caçadores nº9, liderado por sargentos, se dirigiu para o Campo de Santo
Ovídio, hoje Praça da República, onde se encontra o Regimento de Infantaria 18
(R.I.18). Ainda antes de chegarem, junta-se ao grupo, o alferes Malheiro, perto
da Cadeia da Relação; o Regimento de Infantaria 10, liderado pelo tenente
Coelho; e uma companhia da Guarda Fiscal. Embora revoltado, o R.I.18, fica
retido pelo coronel Meneses de Lencastre, que assim, quis demonstrar a sua
neutralidade no movimento revolucionário. Depois juntou-se ali o regimento de
infantaria n.º 10, comandado pelo capitão Leitão que assume o combate das tropas
sublevadas, convencido que o movimento não seria hostilizado por outras forças
militares.
Os
revoltosos desceram a Rua do Almada, até à Praça de D. Pedro, (hoje Praça da
Liberdade), onde, em frente ao antigo edifício da Câmara Municipal do Porto,
ouviram Alves da Veiga proclamar da varanda a Implantação
da República.
Foi
hasteada uma bandeira vermelha e verde e foi também anunciada a constituição de
um governo provisório. A multidão decidiu subir a Rua de Santo António, em
direcção à Praça da Batalha, com o objectivo de tomar a estação de Correios e
Telégrafos.
Este
cortejo foi no entanto barrado por um destacamento da Guarda Municipal, que
estava disposto ao combate. A Guarda estava posicionada ao alto da Rua de Santo
António e entretanto principiou o tiroteio entrando a multidão em
debandada.
A
derrota consumou-se em poucas horas e a prisão ou o exílio esperavam os
implicados. Alguns deles conseguiram fugir para o estrangeiro: Alves da Veiga
iludiu a vigilância e foi viver para Paris: o jornalista Sampaio Bruno e o
Advogado António Claro partiram para Espanha, assim como o Alferes Augusto
Malheiro, que daí emigrou para o Brasil.
Em
memória desta revolta, logo que a República foi implantada em Portugal, a então
designada Rua de Santo António foi rebaptizada para Rua de 31 de
Janeiro.
Do
ponto de vista político, a revolta assumiu, fundamentalmente, o carácter de
explosão de ódio contra as instituições monárquicas: pretendia-se sobretudo,
destronar a dinastia reinante dos Braganças e desse modo, resgatar a afronta
nacional que a sua política tinha infligido à Nação.
Fontes: Dicionário
de História de Portugal,dir. Joel Serrão, vol. III
Trinta
e Um de Janeiro de 1891. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora,
2003-2013.
wikipedia(Imagens)
A proclamação da República das janelas
da Câmara Municipal
A
guarda municipal atacando os revoltosos entrincheirados na casa da Câmara
Teatro de rua evocando a Reconstituição Histórica do 31 de Janeiro de
1891, organizado pelo Ateneu Comercial do Porto no âmbito das
Comemorações do Centenário da República. https://www.youtube.com/watch?v=7rzoFmP7xWw https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2019/01/31-de-janeiro-de-1891revolta.html?m=1&fbclid=IwAR0oeQO5ftN8GpTjC0EbVpimRppriumpPP3sm9GV1ef32r_syZkB-f7m9UI ***