01/09/2015

9.980.(1set2015.11.11') Nara Rúbia Ribeiro

Nasceu a
***
Administradora da página do MIA COUTO
***
Calma
bfeb285361e7ce0db5fb5d3e4ffc9ad8
http://www.contioutra.com/namorar-me-nara-rubia-ribeiro/
Se quiser namorar-me,
Tenha calma.
Traga na alma a lembrança de que sou sonho
E não posso ser tocada do nada
Ou beijada como se mortal eu fosse.
Faça de mim algo doce,
Enfeitado de estrelas,
Enfeitiçado de ausências
E para sempre presente nos intervalos de sua respiração.
Ouça o coração
Mas o faça pulsar baixinho
Para não ofuscar o brilho do meu silêncio.
Saiba que o meu coração é cristal de crepúsculo
Poeira de astros longínquos e puros;
Não é barro que se possa moldar,
Por mais perfeito que seja o artífice.
Se quiser namorar-me,
Que seja sem pressa e sem dores,
Já verti sangue e suor
E vi desfalecerem mil flores.
Quero apenas o beijo insano,
A proposta instantânea e a mais errônea vontade
De ser sempre sua,
Mas não hoje,
De ser sempre sua mais tarde
***
Mente o tempo: A idade que tenho Só se mede por infinitos. Pois eu não vivo por extenso. Apenas fui Vida em relampejo de incenso. E quando me acendi foi nas abreviaturas do imenso.
***
Da página dela do face:

Nasceu em São Luis de Montes Belos, onde residiu até os 21 anos de idade. Mudou-se para Goiânia, tendo cursado Direito e se especializado em Direito Penal. Escreve desde a adolescência em especial poesia, dedicando-se, ainda, ao conto e à crônica.
https://www.facebook.com/pages/Escritos-de-Nara-R%C3%BAbia-Ribeiro/249971401727398?fref=photo
**

https://www.facebook.com/249971401727398/photos/pb.249971401727398.-2207520000.1441103823./962181457173052/?type=1&theater
A HORA
A porta do tempo é opaca,
mas menino a viu entreaberta.
Foi espiar.
“- Mãe, cada minuto é feito de sessenta borboletas coloridas
Que voam depressa pra todo lugar.”
A mãe sorriu.
“- E qual a estrutura da hora, filho?”
“- A hora, mãe, é quando a matemática das borboletas se junta
E elas seguram as asas umas das outras,
cirandadas,
Como se fosse a humanidade inteira... “
A humanidade inteira,
Essa é a hora.

*

https://www.facebook.com/249971401727398/photos/pb.249971401727398.-2207520000.1441103823./961759183881946/?type=1&theater
SEM PELE
A alma de toda a gente tem cercanias.
A minha, não tem. 
É um descampado. 
Não tem telhado, não tem paredes. 
Muitas vezes, nem chão.
E sinto no peito as encostas 
de tudo o que sangra e corrói.
Também toda a beleza me visita sem licença
e a poesia de tudo me acontece. 
Mas a beleza, não raro, ela fere.
As garras de um beija-flor podem ser mortais 
a uma alma sem pele.
Então, por isso, às vezes me exaspero e grito
para que o meu peito, 
em desabrigo, 
não seja tão violado.
Mas quando me sai o protesto, 
as minhas palavras também me sangram
e morro mais um tanto por dentro.
Já não quero a palavra que afugenta a dor.
Quero o silêncio que cicatriza a ferida 
e que me prepara para a dor mais forte: 
a própria Vida.

Fotografia de Petros Petropoulos

**
https://www.facebook.com/249971401727398/photos/a.442649199126283.97518.249971401727398/963087147082483/?type=1&theater
AUTO-ENGANO
Eu sou um mosaico de medos,
Mas isso é segredo.
É preciso amoldar-me ao mundo.
Aqui, na ânsia de ser aceito,
Releva-se a poesia emoldurada do que se é
E sublima-se a aparência do que se quer.
Preciso esconder a arte rebuscada dos medos
E exibir a máscara medíocre
De minhas falsas certezas.
Quantos incautos crerão
Em minha fortaleza interior?
E assim também eu perco a arte do humano.
Finjo perene coragem
E, em alto estilo,
Dissimulo o meu auto-engano.
**
Do livro "Pazes", no prelo
https://www.facebook.com/249971401727398/photos/a.442649199126283.97518.249971401727398/963292977061900/?type=1&theater
DESAVESSO
Se precisares, poenta-te,
Mas espreita a palavra.
O poema é o desavesso do tempo.
Nele, nada reside
Que não esteja a serviço da Luz.
E se um dia o teu sol quedar-se
Desinventado e vencido
Na superfície sulcada de um sonho bom,
Espreita o teu próprio peito:
A tua poesia tem os dedos de abrir
O olho morto de qualquer estrela.

*

https://www.facebook.com/249971401727398/photos/pb.249971401727398.-2207520000.1441103823./960418887349309/?type=1&theater
CANSAÇO Deveria haver na vida um tempo de férias do existir. Assim, quando o caos das horas nos visitasse o relógio da alma, uma calma inexistência nos levaria a paragens onde todo sonho é possível, pois tudo o que existe ainda está por nascer.
**