27/11/2013

7.199.(27nov2013.17h) 1dez.18h.CTAlcobaça Concerto do 28º...Banda Sinfónica de Alcobaça

ontem não deu para estar...mas com esta obra do artista Rodrigo Matos Silva...imAGInei...Band'Alcobaça...Rodrigo, ainda, escreVIVEU, asSIM: "Bom dia, caros amigos (e desconhecidos) que trabalham para que a música aconteça, sempre com mais qualidade, promovendo o encontro, apaziguando os nossos espíritos, enaltecendo os valores da partilha e da amizade e favorecendo o desenvolvimento pessoal e colectivo. Este apontamento da noite de ontem é dedicado a todos quantos fizeram e fazem parte deste belo organismo vivo que nos vai brindando e alegrando com tão nobres momentos. Bem hajam!"
Banda de Alcobaça, celebrando 28 anos após o seu ressurgimento.
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Banda Sinfónica de Alcobaça comemora o 28º Aniversário do Ressurgimento com gravação ao vivo

27 de Novembro de 2013 às 16:03
Concerto decorre a 1 de dezembro no Cine-Teatro de Alcobaça – João d'Oliva Monteiro sob a habitual direção do Maestro Rui Carreira



A Banda Sinfónica de Alcobaça (BSA) prepara-se para celebrar no próximo dia 1 de dezembro, domingo, pelas 18h00, no Cine-Teatro de Alcobaça – João d'Oliva Monteiro, os seus 28 Anos do Ressurgimento, efeméride que assinala o “renascimento” desta instituição em 1985 (30 de novembro) após um interregno de vários anos (refira-se que a data da fundação original recua a 20 de março de 1920) e que contará, mais uma vez, com a Direção do Maestro Rui Carreira.

Este é mais um espetáculo que reflete o atual dinamismo da BSA, já que no passado dia 20 de outubro esta havia viajado até Reguengos de Monsaraz para um Concerto no Auditório Municipal daquela localidade, evento integrado no Mês da Música deste concelho. Também em setembro se apresentou em Alcobaça, no Anfiteatro do Jardim do Tribunal, na zona envolvente dos Paços do Concelho recentemente renovada.

Neste concerto, realizar-se-á a gravação, ao vivo, de duas obras que serão editadas no próximo CD da BSA apenas dedicado a repertório para solistas. Este projeto pretende ampliar o apoio dado pela BSA à formação de jovens músicos, pois cria as condições para tocarem e gravarem a solo, experiência que, normalmente, estaria um pouco mais inacessível. Para além destas duas peças, o programa seguirá o caráter sinfónico habitual, consolidando a opção artística deste agrupamento.

A temporada da BSA que agora se encerra, tem o apoio da Direção-Geral das Artes.

7.198.(27nov2013.13.44') Associação de Pais do Jardim.EB1 Casal dos Ramos.

27jan2017
"É nossa intenção construir um telheiro entre o edifício da escola primária e o refeitório / ji para que as crianças não passem à chuva e também para que tenham um espaço coberto para brincarem nos dias de chuva, já conseguimos dinheiro para começar por fazer metade, pedimos autorização para o fazer em novembro de 2015 e até hoje ainda não tivemos qualquer resposta, apesar dos vários esforços para a conseguir!"
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7 e 8 dez 2013...
Artesanato nas Carrascas...APais de Casal dos Ramos...

7.197.(27nov2013.13.31') 3dez...CEERIA promove iniciativas na Praça João de Deus em Alcobaça: Desporto adaptada...Orientação...37º anivº do CEERIA

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CEERIA
I Encontro Desporto Adaptado do Concelho de Alcobaça
Orientação

No próximo dia 03 Dezembro 2013, pelas 10 horas, nos Jardins Praça João de Deus Ramos, em Alcobaça, o CEERIA irá dinamizar o I Encontro Desporto Adaptado do Concelho de Alcobaça_Orientação, no âmbito do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência e do 37.º Aniversário da instituição, celebrados neste dia.
Esta iniciativa contará, num primeiro momento, com uma atividade de aquecimento, promovida pelo parceiro Dino’s Health Fitness & Centers e, de seguida, é desenvolvida a prova de Orientação, com a participação especial de algumas escolas e IPSS's da cidade, e do Desporto Sénior. Finalizamos a iniciativa com a comemoração do aniversário do CEERIA, no anfiteatro dos Jardins, com o corte de um bolo, gentilmente oferecido pela Padaria Modelo da Benedita.

Desde já, os nossos agradecimentos mais sinceros a todos os parceiros, pela prestimosa colaboração.
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26/11/2013

7.195.(26nov2013.17.37') CGTP contra o OE2014...Intervenção de Arménio Carlos no final de mais uma manif: 26nov2013!!!

Intervenção de Arménio Carlos
Secretário-Geral


Camaradas, amigas e amigos

Saudamos os milhares de trabalhadores da administração central e local, das empresas do sector público e privado, os reformados e os jovens que unidos desenvolvem centenas de acções por todo o país e fazem deste, o dia da rejeição popular do Orçamento e a uma só voz rejeitam a destruição provocada pela política de direita, exigem a demissão deste Governo e a convocação de eleições antecipadas.
Um Governo que, pelo terceiro ano consecutivo, apresenta um Orçamento do Estado que destrói a economia, prolonga a recessão e aumenta a dívida.
Um orçamento que dizima o emprego e generaliza a precariedade.
Um orçamento que provoca o desemprego e a emigração forçada.
Um orçamento que esmaga os salários e as pensões e reduz os apoios sociais
O Orçamento que aprofunda a exploração e o empobrecimento ao mesmo tempo que cria mais milionários.
Este é o orçamento que corta nos trabalhadores da administração pública, para esbanjar nos juros pagos à alta finança, ao BES, BCP, SANTANDER e outros que tais.
Corta nas pensões e rasga o contrato social com os trabalhadores, ao mesmo tempo que o PSD e CDS consideram intocáveis os contratos das PPP’s, com o Estado a assumir, com o povo a pagar, todos os prejuízos, e os Mello, a Motta Engil e o BPI a aumentar os lucros.
Corta na educação, na saúde e na protecção social, ao mesmo tempo que despejam milhões para os cofres da banca, com os contratos SWAPS.
Este é o orçamento que carrega no IRS dos trabalhadores e reformados, vai ao bolso dos que menos têm e menos podem, para depositar o fruto do saque no buraco sem fundo do BPN.
Carrega no IVA e taxa da mesma forma aqueles que consomem electricidade para aquecer as suas habitações e os que compram ferraris e outros bens de luxo para saciarem caprichos.
São dezenas e dezenas de milhares de milhões de euros que PSD e CDS, ao longo destes três anos, desviam do Trabalho para o Capital, da economia para a especulação, do desenvolvimento para o retrocesso.
Uma política de direita que ao longo dos últimos anos alimentou e alimenta os grandes grupos económicos não só em dinheiro, mas também em espécie, com a delapidação do Sector Empresarial do Estado e as privatizações de tudo o que é rentável e rentabilizável. São os CTT, a EDP, a GALP, a PT, o sector financeiro, num processo de reconfiguração económico e social, que nos deixa cada vez mais empobrecidos e dependentes!
É esta a natureza da sua política, que para manter os privilégios de “meia-dúzia”, destrói a vida de milhões, com a negação do emprego e de direitos a bens e serviços essenciais a uma vida digna e de qualidade.
Esta é uma política que afronta a CRP e põe mesmo em causa a Carta Universal dos Direitos do Humanos, quando não assegura o direito a um salário que garanta aos trabalhadores a alimentação, a saúde e o bem-estar e a protecção social.
Esta é a política da exploração e do empobrecimento que põe em causa direitos, liberdades e garantias fundamentais aos trabalhadores e suas famílias!
 Ao contrário do que procuram difundir, a tese de que vivemos numa sociedade onde as classes acabaram e somos todos cidadãos em pé de igualdade e com interesses comuns, é falsa.
A CGTP-IN defende os direitos dos cidadãos. Mas tendo em conta que vivemos numa sociedade na qual há classes sociais que exploram e classes sociais que são exploradas, que a luta de classes é uma realidade objectiva, a CGTP-IN não é defensora dos interesses dos cidadãos Espírito Santo, Belmiro de Azevedo, Soares dos Santos, Américo Amorim e Mellos contra os cidadãos que trabalham na agricultura, na pesca, na indústria e nos serviços, mas a defensora dos cidadãos trabalhadores contra os seus exploradores – os cidadãos Espírito Santo, Belmiro de Azevedo, Soares dos Santos, Américo Amorim e Mellos.
E bem podem repetir até à exaustão a tese de que somos todos responsáveis pela crise, quando aqueles que a criaram, não só acumularam milhares de milhões de euros antes da sua eclosão, como promovem hoje, através dos Governos e Instituições ao seu serviço, uma política que visa garantir e aumentar os seus privilégios, esmagando os assalariados e pensionistas, ao mesmo tempo que nega o direito aos jovens de trabalharem, viverem e serem felizes no seu próprio país.
Podem, ainda, insistir na tese de que os sacrifícios de hoje, serão a base de um futuro próspero num amanhã que nunca chega. Com cada novo pacote de medidas da dita austeridade, fica claro o agravamento da recessão, o aumento do desemprego, a dívida pública que não pára de aumentar, o sistema produtivo que definha e um segundo resgate ou programa cautelar, para dar continuidade a este saque organizado pela troica e o capital, contra o país e os portugueses.
Velhas e estafadas teses que visam camuflar a ofensiva contra a CRP, que tem na actual maioria PSD-CDS o “Conselho de Administração”, sempre serventil dos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros.
Esta é a política que leva a angústia à esmagadora maioria dos lares de Portugal. A angústia dos trabalhadores que têm emprego e medo de o perder; dos desempregados que procuram emprego mas não o encontram; dos jovens que querem trabalhar e produzir no seu país e são forçados a emigrar; dos pensionistas e reformados, chamados a acudir às necessidades dos filhos e netos, ao mesmo tempo que ficam com menos rendimentos!
Esta é uma política que tem de ser travada urgentemente e cabe ao Presidente da República, por dever moral e obrigação politica, em nome da transparência e do superior interesse nacional, solicitar a fiscalização preventiva do Tribunal Constitucional ao OE para 2014.
Por isso a CGTP-IN rejeita o OE, fazendo de todos os dias, dias de luta contra a violência do impacto das medidas que contém para o povo e o país.
Tal como rejeitamos o “Guião para a Reforma do Estado”, apresentado com pompa pelo Governo na pessoa do vice-ministro Paulo Portas, e que aponta para a privatização de tudo com a excepção da segurança, diplomacia, justiça e defesa.
Um Guião que está em clara rota de colisão com a Constituição da República Portuguesa e visa encetar a sua revisão para subverter o regime e pôr em causa o Serviço Nacional de Saúde, a Escola Pública e a Segurança Social;
Um Guião que quer perpetuar os cortes dos salários e pensões, antes apresentados como temporários;
Um Guião que preconiza a criação de um Estado mínimo para as populações e um Estado máximo para o capital e quer transferir para as autarquias mais competências sem as dotar de mais recursos, atingindo de uma penada as funções sociais do Estado e o poder local democrático!
Um Guião que ataca os alicerces da democracia que emergem da CRP, que delapida a soberania e enfraquece o Estado, ao eliminar os instrumentos necessários à implementação de uma política que tenha no seu centro o desenvolvimento Humano e, ao destruir as bases do desenvolvimento, nega o presente e inviabiliza o futuro.
Com este documento fica claro que já não se trata da degradação das funções sociais e dos serviços públicos, mas sim da sua negação, com o Governo PSD/CDS a dar um passo quantitativo e qualitativo na ofensiva contra as conquistas de Abril.
Partindo de uma lógica de “austeridade permanente”, mantêm a sua política da recessão e da desigualdade, para afirmar que não há recursos para “tantos direitos” e assim justificar cortes e mais cortes. E nunca estão saciados, nunca são suficientes os cortes, porque a cada corte que fazem, são mais os recursos que desviam e destroem e maior a necessidade de fazer novos cortes. É esta a lógica da política de chantagem e agiotagem a que nos estão a sujeitar. Com esta política, com o Tratado Orçamental e as medidas que comporta, querem alienar a nossa soberania por tempo indeterminado!
Nesta espiral destrutiva sem fim, o Governo, a União Europeia com as suas instituições, e o FMI, estão sempre do lado do Capital, contra o Trabalho. E foi ver, nesta última semana, o receituário para a acentuação da exploração e o empobrecimento.
A Comissão Europeia e o FMI defendem mais cortes dos salários; defendem novos ataques à Contratação Colectiva, “descentralizando-a” para a destruir, ao mesmo tempo que forçam o embargo do Governo à publicação das portarias de extensão e ditam a criação de comissões para afastar dos tribunais a reposição da legalidade no caso dos trabalhadores injustamente despedidos; 
O que eles querem é perpetuar o carácter periférico da nossa economia e acentuar o modelo assente na produção de baixo valor acrescentado e na desvalorização do trabalho, das profissões e das carreiras profissionais, equiparando, por baixo, o trabalho qualificado ao que não requer quaisquer qualificações!
Esta política tem ser derrotada!
É tempo de dizer basta!
É tempo de dizer a estas instituições e aos Miguel Vasconcelos de agora, que quem manda no nosso país são os que cá vivem e trabalham!
É tempo de afirmar que há alternativa, que temos propostas e que Portugal não está condenado a ser um país economicamente colonizado, socialmente humilhado, politicamente subjugado e culturalmente dizimado!
 O tempo é de acção, reivindicação e luta contra os cortes nos salários e pensões e o roubo de direitos!
A CGTP-IN lançou ontem um Movimento Nacional pela subida dos Salários e do Salário Mínimo Nacional (SMN), uma luta que faremos a partir dos locais de trabalho, que se alicerça na dinamização da contratação colectiva e da acção reivindicativa!
Aumento dos salários e do SMN, porque é um imperativo nacional;
Aumento dos salários e do SMN, para uma melhor repartição dos rendimentos;
Aumento dos salários e do SMN, para combater a pobreza e as desigualdades;
Aumento dos salários e do SMN para dinamizar a economia e fixar no nosso país toda a força de trabalho indispensável a um verdadeiro modelo de desenvolvimento.
Na política alternativa que propomos, temos de renegociar a dívida pública, com o apuramento dos montantes e o alargamento do prazo para o seu pagamento e exigir do BCE, que hoje pratica taxas de juro de 0,25% à banca, tratamento igual para o Estado!
É preciso que o défice seja subordinado ao crescimento económico e que se promova o investimento na actividade produtiva, na produção nacional planeada para responder às necessidades do nosso povo e ao desenvolvimento, para promover emprego com direitos, criar riqueza e assegurar a sua justa distribuição, para reduzir as importações e diminuir a dívida.
É preciso uma verdadeira política fiscal que reduza a carga sobre quem trabalha e trabalhou e vá buscar receitas aos detentores de capital, às transacções financeiras que não pagam impostos, aos dividendos e lucros que estão isentos, à grande fraude e evasão fiscal, concentrada em meia dúzia de grandes empresas!
É preciso reforçar a segurança social para alargar a protecção social a todos os desempregados que não auferem prestações de desemprego e aumentar as pensões de reforma para valorizar quem trabalhou durante décadas. Não aceitamos trabalhar até morrer, e por isso a Petição contra o roubo nas pensões e o aumento da idade da reforma teve a adesão de dezenas de milhares de trabalhadores no espaço de dois meses.
É preciso pôr fim à lei dos despejos, que está a deixar as famílias sem tecto, colocando-as numa situação agonizante!
É preciso prosseguir a luta por uma política de esquerda e soberana, alicerçada numa educação, saúde e segurança social universais e solidárias, bem como no reforço e defesa dos serviços públicos, enquanto motores de desenvolvimento! 
Os interesses das centenas que vivem com milhões de euros, exigem uma luta sem tréguas dos milhões de portugueses que vivem com poucas centenas de euros!
Uma luta que conheceu nos últimos meses um crescendo assinalável, numa demonstração que não desistimos, lutamos e resistimos!
Sabemos o que está em jogo: são as nossas vidas, as vidas dos nossos filhos e dos nossos netos, o nosso futuro colectivo. O que se está a determinar é que tipo de país vamos deixar – o do cada um por si e da lei do mais forte, ou o da solidariedade inter e intra geracional, da liberdade e da democracia iniciada por Abril.
Está nas nossas mãos e na força que sustenta a nossa razão, prosseguir a luta nos locais de trabalho, em defesa da efectivação dos direitos plasmados na contratação colectiva e na elevação das condições de trabalho e de vida dos que trabalham e vivem no nosso país!
O momento que vivemos exige a união de esforços e vontades para defender os nossos interesses de classe nesta luta que não pára, pela defesa dos nossos direitos e garantias, da nossa dignidade e a construção de um Portugal de progresso e justiça social. Um momento em que é fundamental reforçar a unidade na acção a partir do local de trabalho, redobrando a força colectiva dos trabalhadores, através da sua sindicalização e de uma participação ainda mais activa na dinamização das suas reivindicações e da construção de alianças sociais que contribuam para romper com a política de direita e garantam o caminho da demissão do Governo, a realização de eleições antecipadas e a edificação de uma alternativa assente numa política de esquerda e soberana.
Um momento que nos convoca a todos e todas para dar mais força a este grande colectivo de homens, mulheres e jovens, que protesta e propõe, que luta e acredita que é possível tomar nas nossas mãos os destinos das nossas vidas.
Vamos promover um Movimento pelo aumento dos salários e do Salário Mínimo Nacional, em todos os sectores e distritos do Continente e nas Regiões Autónomas, como um imperativo de justiça social, de distribuição da riqueza, de valorização da contratação colectiva e das profissões, de combate às desigualdades e à pobreza, de dinamização da economia e criação de emprego, indissociável de um modelo de desenvolvimento económico e social de alto valor acrescentado;
Vamos realizar, na semana de 16 a 20 de Dezembro, acções públicas com trabalhadores e população, em todas as regiões, pelo aumento dos salários, do Salário Mínimo Nacional e das pensões, contra os cortes nos salários e pensões, pelo emprego com direitos, pela protecção social para todos os desempregados. Esta iniciativa terá expressão pública, em Lisboa, no dia 19 de Dezembro, com uma concentração/vigília, a partir das 18:30 horas, em Belém, junto à Presidência da República.
Este é um tempo que exige a participação de todos; trabalhadores com vínculos efectivos e precários, desempregados, reformados, aposentados e pensionistas, jovens, mulheres e todos os outros sectores e camadas atingidos pela política de direita.
Este é um tempo de endurecer e intensificar a luta pela mudança urgente e inadiável.
Um tempo de luta sempre com os trabalhadores e o Povo, pelos trabalhadores, o povo e o país.
VIVA A CGTP-IN!
VIVA A LUTA DOS TRABALHADORES!
A LUTA CONTINUA!


7.194.(26nov2013.16.5') PCP contra OE2014

As propostas que foram rejeitadas pelo PSD.CDS


«(...) Estas propostas do PCP [de desagravamento fiscal] representam uma significativa redução da receita fiscal do Estado, que é, contudo, mais do que compensada pelas seguintes propostas que incidem sobre os lucros e as rendas da banca e dos grandes grupos económicos, assim como sobre os rendimentos mais elevados:
9) Limitação do pagamento dos juros da dívida pública a um montante máximo correspondente a 2,5% do valor das exportações de bens e serviços, acompanhado da exigência da renegociação da dívida nos juros, prazos e montantes. Tal limitação, correspondendo em 2014 a 1.660 milhões de euros, assegura que o País paga a dívida pública sem empobrecer, à medida das suas reais possibilidades. Simultaneamente, o PCP propõe que, para fazer face às necessidades de financiamento do Orçamento do Estado, o Governo assegure o acesso direto do Estado Português a financiamento do Banco Central Europeu em condições idênticas àquelas que são concedidas aos bancos.
10) Anulação dos encargos com as parcerias público-privadas, garantindo em 2014 apenas a transferência para as entidades concessionárias das receitas obtidas com a exploração e assegurando, excecionalmente, os recursos adicionais necessários à prestação dos serviços e a manutenção dos postos de trabalho quando aquelas receitas não sejam suficientes para o efeito. Esta medida é acompanhada de um processo de extinção das parcerias público-privadas e consequente reversão para o Estado.
11) Anulação dos contratos swap, celebrados entre empresas públicas e a banca, eliminando as perdas potenciais que lhes estão associadas.
12) Criação de um imposto sobre transações financeiras realizadas em bolsa, inspirado na taxa Tobin.
13) Utilização de parte da verba de 6.400 milhões de euros, que o Governo tem reservado para a recapitalização da banca, para a regularização das dívidas do Estado a empresas fornecedoras de bens e serviços.
14) Alteração do Estatuto dos Benefícios Fiscais, eliminando os benefícios fiscais da Zona Franca da Madeira e tributando à taxa de 28% os rendimentos obtidos em fundos de capital de risco, fundos de investimento mobiliário e fundos de capital de investimento imobiliários em recursos florestais.
15) Alteração do Estatuto dos Benefícios Fiscais, eliminando os benefícios aplicáveis às mais-valias realizadas por empresas e indivíduos não-residentes, entre os quais a isenção total de tributação em IRC e IRS.
16) Alteração do Estatuto dos Benefícios Fiscais, eliminando a isenção do IMI e do IMT de prédios integrados em fundos de investimento imobiliário.
17) Englobamento, em sede de IRS, de dividendos distribuídos a residentes por sociedades sediadas em Portugal ou no estrangeiro, assim como de outros rendimentos de capital.
18) Tributação, à taxa de 35%, das transferências de capital para todos os territórios com regime fiscal mais favorável (como, por exemplo, a Holanda).
O objectivo orçamental fixado pelo Governo de défice de 4% só poderia ser alcançado à custa da ruína do país, do desastre económico e social. Apesar de não aceitarmos o espartilho do défice as propostas apresentadas pelo PCP que significam o aumento dos encargos para o Estado são compensadas em parte com outras propostas de redução de despesa e arrecadação de receita.Estas últimas traduzem-se num efeito orçamental positivo de mais de 10 mil milhões de euros.
As propostas do PCP, no sentido de desagravar a carga tributária sobre os trabalhadores, os reformados e pensionistas, as famílias, e as micro e pequenas empresas representam uma redução de receita fiscal, substancialmente inferior ao acréscimo de receita / redução de despesa que resulta de uma mais adequada tributação do grande capital e da eliminação de rendas garantidas pelo Estado à banca e aos grandes grupos. »

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Intervenção de António Filipe na Assembleia de República

"Este é um Orçamento inaceitável, que tem contra si a esmagadora maioria dos portugueses"


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Senhora Presidente,
Senhores membros do Governo,
Senhores Deputados,
Uma diferença entre este Orçamento do Estado e os dois anteriores, é que o todo-poderoso Ministro das Finanças que os veio defender já cá não está. E não está cá porque, como reconheceu no seu breve testamento político, a política que impôs ao país falhou clamorosamente os seus objetivos.
Na sua carta de demissão, deliberadamente esquecida para fazer esquecer a demissão irrevogável que se lhe seguiu, Vítor Gaspar assumiu o falhanço no cumprimento dos limites originais do programa para o défice e a dívida, que atribuiu à “queda muito substancial da procura interna”, e que, nas palavras do próprio, minou a sua credibilidade como Ministro das Finanças.
A verdade porém é que, se o anterior Ministro das Finanças já cá não está, a sua política permanece intacta e agravada neste Orçamento do Estado. Vítor Gaspar saltou da carruagem, mas os seus ocupantes continuam a todo o galope pelo mesmo caminho, indiferentes ao precipício para onde arrastam Portugal e os portugueses.
Este Orçamento do Estado para 2014, contém tudo o que houve de pior nos dois anteriores.
Dissemos aqui, há um ano, que o Orçamento para 2013, não iria resolver nenhum dos problemas nacionais, agravaria a dívida pública e teria consequências devastadoras no plano económico e social. A realidade aí está para o demonstrar.
No discurso do “novo ciclo” com que tenciona enganar os portugueses, o Governo fala em sinais animadores para a economia e apela a um último esforço até à saída da troica, data em que Portugal recuperaria a soberania económica. Mas entre o discurso do Governo e os factos da vida, os trabalhadores, os jovens, os reformados, todos os que fazem parte da imensa maioria que sofre as consequências da política do Governo, sabem que a realidade não engana. Por muito que a propaganda governamental afirme aos quatro ventos que tudo está a melhorar, os portugueses sabem que, com este Governo, cada ano que passa é pior que o anterior.
O que caracteriza este Orçamento, não é qualquer perspetiva de melhoria na situação de Portugal e dos portugueses. O que caracteriza este Orçamento é o agravamento do saque fiscal às famílias e às micro, pequenas e médias empresas; é a acentuação da exploração do trabalho; é a desumanidade dos cortes de salários e pensões; é a venda ao desbarato do mais valioso património empresarial do Estado; é a redução e a eliminação das prestações sociais; é a degradação insuportável das condições de prestação pelo Estado das suas funções sociais fundamentais, na Saúde, na Educação, na Justiça, na segurança pública.
As medidas de austeridade, sempre apresentadas como transitórias, mas cujo carácter definitivo é cada vez mais mal disfarçado, prosseguem e agravam-se, agudizam a crise, criam milhares e milhares de novos pobres, e recaem sempre sobre os trabalhadores e o povo, vítimas de um saque a distribuir pela banca, pelos especuladores e pelos grandes grupos económicos.
Ao contrário do que o Governo tantas vezes afirma, não há neste Orçamento nenhuma repartição de sacrifícios. Há sacrifícios para os que sempre foram sacrificados e há benefícios para os que sempre foram beneficiados.
Enquanto 82% da consolidação orçamental é obtida à custa dos trabalhadores, reformados e pensionistas, o esforço adicional exigido à banca e ao setor energético representa apenas 4% dessa consolidação e não deixará de ser compensado com as prebendas com que a reforma do IRC se prepara para agraciar os grandes grupos económicos.
Perante a enorme tragédia social que a sua política está a provocar, o Governo e a maioria que aqui o suporta, não têm outra desculpa que não seja o discurso da pesada herança do Governo anterior, que entregou o país nas mãos da troica, tentando fazer esquecer as pesadas responsabilidades que assumiram no passado, com as opções que subscreveram, com os Orçamentos que viabilizaram, com os PEC’s que aprovaram e com o memorando que também apoiaram.
Nenhum dos três partidos que governaram o país nas últimas décadas pode ser isento de responsabilidades pela grave crise em que o mergulharam, mas um Governo que se prepara para fazer aprovar o seu terceiro Orçamento do Estado não pode apresentar-se perante esta Assembleia e perante o país no papel da vítima indefesa, como se fosse inimputável, como se não tivesse nenhuma responsabilidade no trágico agravamento das condições de vida de milhões de portugueses.
Esse verdadeiro pacto de agressão contra o nosso povo, que é o memorando da troika, nunca foi assinado para que o Estado português tivesse dinheiro para pagar salários e pensões. Aliás, desde que o memorando foi assinado, o que o Estado mais fez foi cortar salários, pensões e prestações sociais. O memorando foi assinado para que os bancos portugueses se pudessem recapitalizar à custa dos sacrifícios impostos aos trabalhadores e aos reformados, para que os culpados da crise pudessem beneficiar dela, para que os especuladores com a dívida pública pudessem receber até ao último cêntimo o produto da sua agiotagem. O memorando foi assinado para pôr em prática os planos da direita portuguesa, da União Europeia e do FMI, de reconfigurar o Estado à medida dos interesses do grande capital, à custa do empobrecimento dos trabalhadores e do desmantelamento das funções sociais do Estado.
Ao contrário do que afirma o Governo, não é este Orçamento que nos vai livrar da troica e que nos vai devolver a soberania perdida. O artigo 239.º deste Orçamento consagra sem margem para dúvidas o princípio da austeridade para além da troika. Com ou sem troika, a partir de Junho de 2014, as medidas de austeridade constantes do memorando são para levar por diante até ao final do ano, e no que deste Governo depender, até à eternidade.
Senhora Presidente,
A discussão na especialidade que hoje terminamos não serviu para melhorar a péssima proposta que o Governo apresentou.
As promessas de melhoramento que os partidos da maioria anunciaram na sequência das suas jornadas parlamentares, acabaram por ficar no tinteiro. O tão celebrado imposto sobre as PPP, anunciado pela maioria, fez marcha atrás por imposição do Governo, alegadamente para não prejudicar as brilhantes renegociações em curso, nas quais o Governo conseguiu obter a proeza de só deixar aumentar em 800 milhões de euros os encargos com as PPP em 2014. Decididamente, é mais fácil cortar salários e pensões.
E até o IVA da restauração, cuja reposição nos 13% era uma bandeira dos dirigentes do CDS que não faziam parte do Governo, foi obedientemente enrolada e arrumada no baú das decisões irrevogáveis. Indiferente à devastação que está a causar no sector da restauração, com a falência de milhares de micro e pequenas empresas, o Governo insiste em manter o IVA a 23%. Talvez para ser diferente da Grécia, onde o IVA da restauração é de 13%.
Mas, dirão os Senhores Deputados da maioria, os cortes salariais, que o Governo propunha que fossem feitos a partir dos 600 euros por mês, só serão feitos a partir dos 675. Não é grande motivo de orgulho. O que caracteriza este Orçamento, não é que não haja cortes nos salários entre os 600 e os 675 euros. O que caracteriza este Orçamento, é que os cortes salariais que em 2013 afectavam os salários acima dos 1500 euros passam a incidir sobre salários acima dos 675 euros brutos.
Cortar salários a trabalhadores que nem 600 euros chegam a levar para casa ao fim de um mês de trabalho ficará para a posteridade como uma das marcas mais infamantes deste Orçamento do Estado.
Não digam os Senhores membros do Governo e os Senhores Deputados da maioria que não há alternativa a este Orçamento do Estado. Alternativa há, mas os Senhores rejeitam-na. O Grupo Parlamentar do PCP apresentou, na especialidade, um conjunto de propostas com o objetivo de tornar este Orçamento menos injusto. O PCP propôs um regime de renegociação da dívida pública que, assumindo o pagamento da dívida pública legítima e considerando a necessidade de alargamento dos prazos de pagamento, estabelecesse como limite para o pagamento de juros em 2014 um montante máximo correspondente a 2,5% do valor das exportações de bens e serviços. O PCP propôs que em 2014 fossem transferidas para as entidades concessionárias das PPP apenas as receitas obtidas com a exploração acrescidas dos recursos adicionais necessários para a prestação dos serviços e a manutenção dos postos de trabalho. O PCP propôs a anulação dos contratos swap ainda existentes entre entidades públicas e o Banco Santander eliminado as perdas potenciais que lhes estão associadas.
A maioria rejeitou tudo. Os contratos entre o Estado e o grande capital são sagrados e intocáveis. Os salários dos trabalhadores e as pensões que os aposentados auferem após uma vida inteira de trabalho e de descontos, podem ser cortados sem contemplações.
Senhora Presidente,
Este é o terceiro Orçamento do Estado desta maioria. Os dois primeiros foram declarados inconstitucionais. O terceiro, insiste em manter e agrvar o pior dos anteriores.
Ao insistir em cortes de salários e pensões a título definitivo, incidindo sobre salários exíguos, ao nível dos 600 euros, o Governo afronta claramente os limites fixados pela jurisprudência constitucional para a aplicação dos princípios da igualdade e da proteção da confiança em matéria de cortes salariais.
Indiferente à ordem constitucional democrática em que vivemos, o Governo prefere manter uma atitude de permanente confrontação com princípios basilares do Estado de Direito Democrático e faz letra morta do respeito que é devido ao princípio da igualdade, ao princípio da proteção da confiança, ou ao princípio da proibição do excesso em matéria de restrições a direitos fundamentais constitucionalmente consagrados.
Ao insistir em medidas cuja inconstitucionalidade é evidente, e não podendo ignorar essa evidência, o Governo não pode deixar de assumir todas as responsabilidades pelas consequências de uma eventual declaração de inconstitucionalidade de normas do Orçamento de Estado, o que a ocorrer, ocorrerá – sublinhe-se – pela terceira vez consecutiva.
O mesmo se diga quanto às normas com incidência orçamental como a chamada “convergência das pensões” que, até pelo seu caráter retroativo, se mais não houvesse, constitui uma grosseira afronta ao princípio constitucional da proteção da confiança inerente ao Estado de Direito Democrático.
Senhora Presidente,
Seja qual for o destino imediato deste Orçamento na Assembleia da República, ou mesmo no Tribunal Constitucional, ele está condenado à derrota.
Trata-se de um Orçamento inaceitável, que tem contra si a esmagadora maioria dos portugueses. Tem contra si os trabalhadores, os reformados, os jovens, os pequenos empresários, agricultores, taxistas, a generalidade dos sectores profissionais afetados pela política do Governo, como os profissionais da Saúde, da Educação, da Justiça, da generalidade dos serviços públicos, das Forças e Serviços de Segurança, das Forças Armadas. Este Orçamento e este Governo têm contra si uma ampla frente social de luta, construída por milhares e milhares de portugueses que daqui saudamos, que não se conformam com este rumo de empobrecimento e de desastre nacional, e que hoje mesmo estão na rua, por todo o país, para derrotar este Governo e para construir uma alternativa que, mais cedo que tarde, acabará por se impor, por Portugal e pela democracia.
Disse.

7.193.(26nov2013.12.12') 3 fotógrafos alcobacenses expõem em Leiria no museu da imagem...(perto do Castelo) até 28 dezembro...

via tintafresca.net
De João Daniel, Jorge Ricardo, Miguel Proença e Isabel Garcia
    M|i|mo recebe exposição de fotografia “in ludo"
      

    Imagem de Isabel Garcia 
     A exposição de fotografia “in ludo”, de João Daniel, Jorge Ricardo, Miguel Proença e Isabel Garcia, está patente ao público de 9 de novembro a 28 de dezembro, no m|i|mo - museu da imagem em movimento, em Leiria. A curadoria é de António Guerra. De referir que três dos artistas (João Daniel, Jorge Ricardo e Isabel Garcia) nasceram ou trabalham em Alcobaça.

       Via Mendax

    Inspirada na lenda de tradição oral Hänsel und Gretel, imortalizada pelos irmãos Grimm, a escultora Isabel Garcia desenvolveu e apresenta ao público pela primeira vez, na exposição In Ludo, a sua instalação Via Mendax.
    Neste jogo de opções, uma porta multiplicada num jogo de espelhos permite que cada observador descubra o seu caminho, seguindo as pistas sentidas no modelo de cada qual.
    E nem a protecção dada às pistas, seixos vermelhos ou pedaços de pão aqui enjaulados, mas livres na imaginação de cada qual, nos impede de embrenhar num caminho, tantas vezes repetido, mas nunca igual.
    O nosso caminho, as nossas pistas, a nossa ilusão.

    Isabel Garcia
    Isabel Garcia nasceu na Figueira da Foz, licenciou-se em Pintura na ESBAL, vive e trabalha em Lisboa e Alcobaça.
    Em 1985 foi subsidiada pela F. C. Gulbenkian para investigar a interligação de diversos
    materiais como o ferro, vidro e aço polido.
    Tem vindo a dedicar-se à interpretação do imaginário mitológico clássico e de tradição popular.
    Desde os finais dos 80, a sua linguagem plástica explora o reflexo e multiplicação de imagens através da utilização do aço polido em tubo associado ao espelho.
    A instalação e o vídeo, têm feito parte das suas intervenções em espaços institucionais, como “Mesas Postas” (cozinha, Mosteiro de Alcobaça), “Rosa Rosae” (Museu Alberto Sampaio, Guimarães), “Love Affair” (Convento dos Capuchos) e “Tormenta” (Ala Sul, Mosteiro de Alcobaça).
    Expõe regularmente desde 1981 em Galerias, Feiras de Arte e Espaços Institucionais e é autora de intervenções em diversos espaços públicos (Ponta Delgada, Santa Maria da Feira, Tomar, Penafiel).

    Prémios:

    2008 Menção Honrosa, Instalação, Prémio Vespeira, IX Bienal de Artes Plásticas do Montijo
    2005 Menção Honrosa, Desenho, Prémio Vespeira, VIII Bienal de Artes Plásticas Cidade de Montijo
    1992 Menção Honrosa, Pintura, Prémio João Hogan, Lisboa;
    1985 Prémio de Desenho, II Bienal de Desenho, Árvore, Porto; Prémio de Pintura, exposição Arte e Desporto (Comité Olímpico Português), Lisboa.
    Colecções: Caixa Geral de Depósitos, Chemical Bank, Fundação PLMJ, Hospital de Ponta Delgada, Hospital de Santa Maria da Feira, Hospital de Tomar, Hospital de Penafiel, Hotel D. Luís (Coimbra), Private Bankers (Porto), Grupo MEDINFAR, Museu Alberto Sampaio (Guimarães), Casa da Cerca (Almada), Fundação Armazém das Artes (Alcobaça), Câmaras Municipais de Montemoro- Novo e Alcobaça, Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros, Assembleia da República.

       In Ludo
    fotografia | escultura

    Ilusão, s.f. (do latim iludo, a partir do prefixo in, acrescido do verbo ludo):
    1. engano dos sentidos, do pensamento ou do espírito, que faz tomar a aparência pela realidade;
    2. o que se nos afigura ser, mas não o é;
    3. engano dos sentidos ou do espírito;
    4. quimera.
    5. esperança irrealizável.
    do ludo vem alusão (aludo), brincar (lúdico), intervalo (interlúdio), representação (prelúdio)

    Será a obra de arte o espelho da realidade de cada um, artista e observador, na idiossincrasia que faz de cada construção uma só, mas tantas, na ilusão de cada qual?
    In ludo, imagem ou miragem entre um antes e o depois, alucinação dos momentos apreendidos na alquimia de cada artesão e nas construções, cognitivas e infinitas, de cada observador.
    A obra, na alusão do momento, faz-se na certeza e incerteza dos enganos e desenganos, com sentidos, pensamentos, realidades ou quimeras, afirmação, esperança, burla, abrigo amainado e mais tarde revolto.
    Mero interlúdio entre ser ou não ser?
    Tudo isso, ou mais do que isso, será o prelúdio de um engano percepcionado, porque existe, pois o sentimos, vemos e perpetuamos, no seu instante positivo.

    João Daniel assume nesta exposição uma visão antagónica, ser e não ser, projecto em curso que não se esgota no trabalho apresentado. A subtileza da sua obra poderá remeter para os trabalhos do húngaro André Kertész (1894-1985) que, embora possam nem ter sido percepcionadas pelo autor, são tão boa referência para quem faz da fotografia uma tão permanente ilusão.
    Quando a dimensão das coisas ultrapassa o próprio Homem e se afasta do necessário, ou tão simplesmente do utilizável, a opulência mostra-nos o seu próprio vazio, tão frio e estéril, quanto distante. No trabalho de Jorge Ricardo revejo a quimera perdida nos desertos de betão.
    Fio-de-prumo resume o antagonismo sonho/pesadelo, na imagem real e palpável da desilusão.
    Com Skenografia 3D Miguel Proença explora a ilusão no âmbito da fotografia, recorrendo a métodos já utilizados no século XIX para fotografar possibilidades de perfeição (estátuas, no quase-vivo da Grécia Antiga), representando-as de forma ilusória, em pares estereoscópicos.
    A instalação Via Mendax, da escultora Isabel Garcia, transporta-nos com o imaginário de Hänsel und Gretel à ilusão da escolha, construída na (in)segurança da descoberta dos nossos caminhos.
    E se não as virmos assim, que importância tem?
    Se só depois de as vermos na ilusão construída à nossa imagem serão as nossas, no ser de cada qual...
    … in ludo!
    A ilusão é o primeiro de todos os prazeres
    | Oscar Wilde |

    António Guerra, 2013
    Curador

    Ser e não ser

    Vivemos num mundo dual. Essa dualidade está bem expressa no conceito oriental do Yin e Yang que se encontra simbolizado desde as eras mais remotas em muitas tradições tais como o Taoísmo, o Xintoísmo, o Budismo, o Judaísmo e o Cristianismo.
    Todas elas proclamam que a infinidade una se manifesta em tendências complementares
    antagónicas, numa mutação sem fim.
    Significa que todos os antagonismos são complementares e um não existe sem o outro. Um determinado conceito não existe por si só ou não tem significado sem a existência do seu complementar.
    Assim, o conceito de leve não pode ser dissociado do pesado, o frio do quente, o alto do baixo, o maior do mais pequeno, o exterior do interior, a expansão da contracção, o ascendente do descendente, o feminino do masculino e por aí fora…
    Há já bastante tempo que me veio à ideia traduzir essa dualidade em linguagem fotográfica. Os trabalhos aqui apresentados são apenas uma tentativa de começo da concretização dessa ideia, a qual se tem revelado muito mais difícil do que tinha imaginado. Ser e não ser…
    JD

    João Daniel

    Nasci em Alcobaça em 1952. Em 1975 adquiri a minha primeira máquina” reflex” e desde aí nunca mais parei de clicar.
    Apesar dos muitos negativos/positivos acumulados, só a partir de 2005 me passou pela cabeça que fazia algum sentido começar a dá-los a conhecer. Em 2006 surgiu a primeira oportunidade de mostrar algum trabalho e a partir daí tenho tentado fazê-lo sempre que se proporcione, o que aconteceu em 2008, 2009 e 2011. Paralelamente, tenho também fotografias que ilustram algumas publicações relacionadas com o Mosteiro de Stª Maria de Alcobaça, do qual publiquei, em 2012, Santa Maria de Alcobaça – Luz e pedra, ACD Editores (ISBN9789728855659).
    Também há quem aprecie uma outra fotografia minha e a tenha adquirido para pendurar nalguma parede. Tenho pena de ter pouco tempo disponível para dedicar à fotografia pois imagino e a guardo “mil e um” projectos que provavelmente nunca verão a luz do dia!
    JD

       Fio-de-prumo
    A pior das guerras é a que perdemos contra nós mesmos. Erguemos muralhas, levantámos torres de menagem, içámos velas guerreiras, edificámos palácios triunfais e estádios majestáticos para celebrar a vitória, e percebemos que essa guerra nunca ocorreu porque o inimigo fomos nós e não tivemos sequer força para a iniciar.
    Hoje, abatidos, percebemos a desastrosa ilusão que incendiámos e alimentámos, e arcamos o fardo da derrota de uma guerra nunca começada porque o inimigo nunca revelou o seu punhal.
    Ele não passou do nosso medo ao vazio, à ausência de movimento, ou ao silêncio, e sempre apareceu a sorrir em cartazes eleitorais de homens de confiança.
    Agora, de posse dos nossos próprios despejos de guerra, assistimos quietos à destruição dos activos e ao tenebroso espectáculo de uma dívida que não cessa de se exibir, bela, madura, sedenta de tudo o que é nosso, e que nos devora de mansinho, beijando-nos lascivamente os lábios, como uma amante nos suga, deliciosamente, tudo a que não podemos resistir e dizer simplesmente não...
    João Duque

    Jorge Ricardo

    Jorge Humberto Ricardo nasceu em Alcobaça em 1964, onde reside e trabalha.
    Frequentou o 1º Curso de Fotografia Industrial, Publicidade e Moda, na “Oficina da Imagem”, em Lisboa (1989) e executou a produção fotográfica do livro “A Loiça de Alcobaça”, de João da Bernarda (Edições ASA, 2001).
    Expôs pela primeira vez em Alcobaça, com o projecto “infinitos” (2010).
    Ainda em Alcobaça, participa na Rabiscuits 2011 - Mostra de Arte Experimental, com a instalação “A Fábrica”. Deste projecto seleccionou uma série de trabalhos que acabaram por ser apresentados na 12.ª Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira, em 2012. Em 2013 integra o conjunto de artistas que expõem na Galeria de Exposições Temporária do Mosteiro de Alcobaça, “O Futuro da Memória”, no âmbito das Jornadas Europeias do Património.

    Exposições:

    Individuais:
    2010-2011 Infinitos (Alcobaça), Bar Estremadura-Café; S. Pedro de Moel, Centro Azul; S. Martinho do Porto, Hotel Palace do Capitão; Lisboa, Velha Gaiteira, Sabores & Cultura; Nazaré, Livraria “Cenas & Livros”; Batalha, Galeria Mouzinho de Albuquerque; Figueira da Foz, Centro de Artes e Espectáculos.

    Colectivas:
    2013 Alcobaça, “O Futuro da Memória/Jornadas Europeias do Património Cultural”,
    Galeria de Exposições Temporárias do Mosteiro de Alcobaça 2012 12ª Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira (BF12), Celeiro da Patriarcal 2011 A Fábrica (Alcobaça, Rabiscuits – Mostra de Arte Experimental).

       Skenografia 3d

    Da Grécia Antiga chegou-nos a ideia da escultura como possibilidade de representação, representação que no seu estado perfeito ganha vida, torna-se humana. Os Gregos também desenvolveram um sistema de re-apresentação, de tradução, das três dimensões em duas, na pintura de cenografia, designada “Skenografia”. Ao contrário da escultura, que podia aspirar a ser vida, a Skenografia no seu auge poderia ser considerada uma cópia, uma ilusão, uma mimése, sem possibilidade de humanidade.
    Para esta mostra proposta por António Guerra, pensei num trabalho que permitisse explorar a sugestiva e aberta ideia de ilusão no âmbito da fotografia. Recorrendo a métodos da fotografia do século XIX proponho assim fotografar possibilidades de perfeição (estátuas) e reapresentá-las de forma ilusória, em pares estereoscópicos. É, de certa forma, um aprofundamento e uma continuação do trabalho iniciado para a exposição “Emergir - identity specific”, com Maria Tomás, na Casa dos Gessos do Museu Militar de Lisboa. Se nessa situação foi assumida a via da montagem fotográfica [a peça tem o nome “Corta, baralha e dá”], aqui a escolha foi de trilhar território estritamente fotográfico.
    MP

    Miguel Proença

    Fotógrafo, nasceu em Lisboa (1963), onde vive e trabalha.
    Licenciado em Agronomia (1990) pela Universidade da Florida (EUA). Estudou Reportagem com Leonardo Brogioni (John Kaverdash School, 1998-99) e Linguagem Fotográfica com Emíllio de Tullio e Roberto Signorini (Círcolo Filológico Milanese, 2000-01) (Milão, Itália). É Mestre em História de Arte (Contemporânea), pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (2010) e frequenta o doutoramento na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa na área de Multimédia, com especialização em Fotografia.
    É especializado na área da reprodução de obras de arte.

    Expõe desde 1991 e nas suas exposições mais recentes contam-se:
    2013 “Gabinete de Curiosidades”, autor convidado, (cur. Isabel Vaz Lopes, com Andreia Quelhas Lima, António Barreto, Emanuel Berenguel, Gaetan, José Pedro Croft, outros)
    Galeria Corrente D’Arte, Lisboa; “Caldo Primordial”, colectiva “Geografias da água e outros sonhos”, Palácio da Galeria, Tavira; “Luz da Vivência, Luz da Memória”, colectiva “Aldeia Dupla” (com António Carrapato, Benjamin Enes Pereira e Pedro Pacheco) Museu da Luz, Mourão;
    2012 “Terra Cinza”, XII
    Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira, Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa.

    Publicou os livros de fotografia “Alqueva – paisagem que muda povo que espera”, texto de António Oliveira Soares, Ed. Arte Contempo, Lisboa, 2007 e “Artes & Artimanhas da Terra para o Mar”, texto de Raquel Delgado Martins, Ed. Casa das Artes de Tavira, 2000.
    AG/MP

    Mais informações sobre Miguel Proença emhttp://www.miguelproenca.com  (.org, English language)
    26-11-2013

    7.192.(26nov2013.8.8') O TConstitucional aprovou por 7 a 6 que as 40h, na função pública, são contitucionais...PCP na linha certa vai continuar a luta...

    "O PCP vai avançar com uma iniciativa parlamentar para repor as 35 horas semanais na Função Pública, considerando a validação do Tribunal Constitucional às normas do aumento do horário de trabalho como um «retrocesso laboral».

    A posição foi assumida à agência Lusa, pelo deputado Jorge Machado, em representação do grupo parlamentar comunista, assinalando que o partido discorda da decisão conhecida hoje do Tribunal Constitucional, que não declarou a inconstitucionalidade das normas do aumento do horário de trabalho na Função Pública para as 40 horas semanais.

    «Respeitamos a decisão, mas não concordamos com ela porque, na interpretação que nós fazemos da Constituição, não vai no sentido da Justiça. Entendemos que esta medida [aumento do horário de trabalho] é uma iniquidade, uma injustiça e um retrocesso daquilo que é a legislação laboral, que deve caminhar no sentido do progresso», afirmou o deputado.

    Assim, o PCP perspetiva desde já a apresentação de uma iniciativa parlamentar para repor o horário de trabalho dos funcionários públicos nas 35 horas semanais.

    «Não deixaremos de tomar as iniciativas políticas necessárias para retomar aquilo que é um dos direitos dos trabalhadores e que infelizmente foi atacado por este Governo. Nós entendemos que o caminho deve ser outro», sublinhou Jorge Machado."

    7.191.(26nov2013.7.7') Filarmónica de Turquel festeja o seu centenário a 1 dez...Há que louvar!!!

    7.190.(25nov2013.23.32') O outro 25 de novembro...A versão do Coronel Costa Martins... A contra-revolução segundo o Programa do PCP



     Coronel Costa Martins morreu a 6março2010 num estranhíssimo acidente de avioneta 

    Costa Martins: 25 de Novembro e outras mentiras

    “Não sou democrata de 26 de Abril, fui sempre democrata, no antigamente sofri as consequências e curiosamente vim a sofrer consequências ainda mais dolorosas depois do 25 de Abril, mais particularmente a partir do 25 de Novembro.

    Até ao 25 de Novembro não tive razões de queixa, viveram-se momentos importantes de liberdade, houve vários excessos com alguns símbolos negativos com os quais eu não estava de acordo, e parece-me que foram alguns desses excessos que ajudaram a desembocar no 25 de Novembro, onde, estou convencido, que a esmagadora maioria dos próprios intervenientes de Novembro e ganhadores a seguir, entraram nele sem terem consciência daquilo em que estavam a participar. Foram enganados, muitos deles têm lamentado junto de mim, e infelizmente o país foi conduzido à situação em que nos encontramos."

    "Estamos numa situação muito difícil, complicada e de difícil saída… não acredito nessas recuperações maravilhosas da economia do país, anunciadas por alguns… nós cá estaremos para ver”.

    - O que deu origem ao 25 de Novembro de 75 e o que se passou com o anunciado desaparecimento da verba do dia de trabalho oferecido pelos trabalhadores ao país, já que nessa altura o senhor era ministro do Trabalho?

    Costa Martins – A primeira questão é a mais complexa pela sua dimensão; o que teria originado o 25 de Novembro, e o que foi o 25 de Novembro. O 25 de Novembro acabou por ser um golpe de Estado, mas não foi feito não por aqueles que têm sido acusados de o terem praticado.

    Conheço bem as causas do 25 de Novembro porque tive a oportunidades de as viver por dentro. A essência das causas do 25 de Novembro esteve no 25 de Abril, como passo a explicar: No dia 25 de Abril eu tinha tomado a responsabilidade da neutralização da Força Aérea (FA), porque o grupo que dizia representar a FA votou contra o golpe de Estado do 25 de Abril, numa reunião que tivemos em Cascais, em Março desse ano. Ali fiquei isolado e assumi responsabilidade da neutralização da FA. Poderia assumir essa missão a partir do Estado-maior da FA, onde trabalhava, ou a partir do Aeroporto que era melhor devido aos sistemas de controlo e radar, até porque nesse dia estava no aeroporto, por volta da hora de almoço.

    Do Regimento de Paraquedistas, que nunca se tinha definido bem durante a preparação do 25 de Abril, com certos problemas com o Kaúlza de Arriaga, vieram três tenentes-coronéis meus amigos, pois eram os indivíduos que tinham a força operacional dos paraquedistas na mão. Vieram ao aeroporto colocar-se à minha disposição – assumindo eu o comando do Regimento de Paraquedistas, através deles. A segurança do Aeroporto seria reforçada pelos operacionais paraquedistas, sete companhias bem armadas, reforçando a segurança que na altura estava entregue à Escola Prática de Infantaria.

    Quando os “páras” se preparavam e armavam para sair de Tancos com destino a Lisboa, recebi uma comunicação do major Vítor Alves, emanada do general Spínola (presidente da Junta de Salvação Nacional, na altura), onde se manifestava muito preocupado pelo facto dos paraquedistas virem para o aeroporto, já que poderiam alinhar com o Kaúlza depois de estarem em Lisboa. Não concordei mas para não arranjar ali algum problema, lá mandei um recado aos “páras” para não saírem de Tancos, embora já viessem a caminho. Entretanto Spínola manda nova mensagem, dizendo que era preferível para o reforço do aeroporto os Comandos, e lá foi o Jaime Neves com os comandos para o aeroporto.

    Mais tarde os paraquedistas tiveram conhecimento da recusa do presidente Spínola por falta de confiança política e militar nos “páras” - esta foi uma das causas remotas do 25 de Novembro.

    Passados uns tempo, isto já na altura do VI Governo Provisório, com o almirante Pinheiro de Azevedo em primeiro-ministro, tinha havido a ocupação da Rádio Renascença, esse processo passou-me pelas mãos, porque o Patriarcado entendia que se tratava de um problema laboral, eu entendi que não, que eram dois indivíduos que se tinham apoderado indevidamente da RR e iam devolvê-la ao Patriarcado. Portanto se a PSP não tinha força, o COPCON através do Otelo deveria mandar prender os indivíduos e devolver a estação à Igreja, foi essa a minha posição.

    O que se passou na RR foi uma autêntica fraude histórica, como também foi uma fraude histórica o que se passou no jornal A República, que por acaso também me passou pelas mãos, porque entenderam que era um processo laboral e eu como ministro do Trabalho, lá me foi parar o processo às mãos. Eu tenho a fotocópia do cheque de apoio à Comissão dos Trabalhadores, um cheque de mil contos na altura.
    Mas estou a derivar um bocadinho, e não queria perder o fio à meada, como se costuma dizer, falando das causas do 25 de Novembro. Se bem se lembram, na altura, em vez de terem desalojado os indivíduos de lá pela força se fosse necessário – foi essa a minha posição - resolveram mandar dinamitar os emissores da RR na Buraca. Os chefes militares da altura, nem sequer tiveram a dignidade de tirar de lá os indivíduos, ou se queriam isolar os emissores mandavam para lá uma força militar ocupar aquilo.

    O primeiro-ministro era almirante, no activo, tinha um regimento de tropas especiais, os Fuzileiros, pois foi convencer o Chefe do Estado-maior da FA para mandar uma força de “páras” dinamitar os emissores da RR.
    Ora vejamos, os paraquedistas ficaram nos “cornos do touro”, agora pela segunda vez! Quando chega Novembro, a determinada altura, eles foram usados, o Chefe do Estado-maior da FA, Morais da Silva, começou a fazer uma série de provocações entre os paraquedistas, utilizando a alimentação e o salário, entre outras. Enfim, uma série de medidas tendentes de levar até à extinção do Regimento, como viria a suceder a seguir. Os paraquedistas ai reagiram e a população daquela zona de Tancos começou a levar alimentos e apoio aos “páras”.

    A certa altura o Morais da Silva mandou, ou pelos menos deu a cobertura, que 150 oficiais dos paraquedistas fossem para a Base da Nato da Cortegaça, em Ovar. O Regimento de Paraquedistas quis demonstrar, contrariamente ao que diziam, que era uma tropa disciplinada, operacional, combativa, capaz de operar onde fosse necessário, então resolveram no dia 24 à noite, preparar uma demonstração de operacionalidade, foram uns para o Monsanto, outros ocupar o Estado-maior da FA e outros foram ocupar as várias bases operacionais. Porque em principio eles estavam para vir para Lisboa – o Regimento completo!. Eu por acaso assisti a isso e opus-me a que o RP viesse para Lisboa, porquê? Porque provavelmente teríamos guerra civil!

    Isto foi aproveitado a seguir para uma contra reacção que estava toda preparada noutro sitio… e mais, houve provocadores nos “páras” muito bem pagos para fomentar todo aquele estado de agitação. O 25 de Novembro foi isto! Não foi monolítico, não foi uniforme porque houve várias forças e organizações a querem aproveitar-se, cada uma da sua maneira do 25 de Novembro.

    Alguns indivíduos que participaram no 25 de Novembro, ou ainda alguns do Grupo dos Nove, fizeram-no enganados, porque posteriormente vieram reconhecer que estavam contra ao que se estava a passar, não queriam aquilo mas também de maneira nenhuma queriam aquilo que veio depois do 25 de Novembro!
    Foram atropelos tremendos aos mais elementares princípios de justiça – eu estou à vontade de falar porque fui o indivíduo mais perseguido no 25 de Novembro, e como nunca me dobrei acabei por ganhar essas guerras judiciais e não só, durante 16 anos. Durante o 25 de Novembro tive de passar à clandestinidade, porque tinha vivido tudo por dentro no concreto, não foram essas balelas que esses indivíduos apregoam ai no país todos os dias, não me deixam ir à televisão, se escrever algo sobre o 25 de Novembro nos jornais nacionais é complicado.

    - Está a afirmar que a censura regressou aos órgãos de Comunicação Social?

    - Convidaram-me para uma entrevista na TV, para o aniversário dos 25 anos do 25 de Novembro, eu recusei, insistiram 2 ou 3 vezes, mais tarde disseram-me que seria um programa especial de carácter histórico depois de terem ouvido outras figuras tais como: Mário Soares, Ramalho Eanes, Otelo, Melo Antunes, e queriam ouvir-me a mim acerca do 25 de Novembro.

    Decidi aceitar e dei uma entrevista em diferido, com a jornalista Márcia Rodrigues, mas como o tema da entrevista era muito longo decidiu-se fazê-la em duas partes (uma no mesmo dia e a outra no dia seguinte). Fiquei nesse dia à espera que me telefonassem – nada, ninguém me telefonou, como tinha de me deslocar ao Algarve, liguei novamente para a TV mas não consegui falar com ninguém do assunto em causa. No dia seguinte lá consegui falar com alguém que me disse que depois me contactariam. Passados vários dias telefona-me a senhora que me tinha contactado e fazia parte do grupo de trabalho que me convidou para a entrevista e começou por me pedir desculpa, porque também (ela) tinha sido enganada e que não só me iriam acabar a entrevista como haveriam ordens superiores para cancelar todo o programa! Todos sabem que todos os anos há debates sobre o 25 de Abril, já me viram lá!!??

    Fui o principal perseguido do 25 de Novembro, todos os anos existem debates sobre isso, era lógico que lá estivesse, não me deixam lá ir!! Quando quiserem eu vou sozinho – levo a minha pasta… podem pôr do outro lado o número de entrevistadores que quiserem…

    - Sentiram que o Povo estava ao lado do 25 de Novembro?

    - A esmagadora maioria da população não estava de acordo, a realidade tem de ser dita, o 25 de Novembro, que é vendido e apresentado, é uma fraude histórica, muito grave. E com base nesta fraude histórica é que foram destruídos os valores essenciais da sociedade em que se chegou ao ponto de que se chegou, e toda a gente clama que não há justiça, mas se não há valores morais como pode haver justiça? Se não há a possibilidade de conhecer a verdade como se pode fazer a justiça? A verdade é a base essencial para a feitura da justiça, aliás as nossas leis até prevêem que no foro criminal, o arguido pode mentir à vontade.

    Histórias do 25 de Novembro não lhe faltam, mas como começou a questão das verbas que alegadamente terão desaparecido respeitantes ao dia do trabalhador?

    - No dia 25 de Novembro fui chamado a Belém, pelo PR Costa Gomes - que é o individuo a quem este país muito deve nas últimas décadas - conhecia-o muito bem, grande amigo pessoal, e chamou-me porque alguém lhe terá dito que eu era que estaria à frente do 25 de Novembro. Quando cheguei a Belém, naquela sala grande de reunião do Conselho de Estado, estava o Vasco Lourenço que tinha sido graduado em general – um dos que estiveram na montagem da cabala do dia do salário - pode escrever à vontade, publicar na integra – ele foi um dos principais responsáveis do dia do salário… o Sr. Vasco Lourenço tinha sido graduado – como herói do não sei quantos… Eu tinha lido “A República”, dois dias antes do 25 de Novembro, onde tinha sido publicada uma entrevista dele sobre o Ministério do Trabalho, sobre o ex-ministro do Trabalho, que era eu, dizendo que era preciso saber-se do que foi feito dos 300 mil contos da conta dos trabalhadores, para além de outras insinuações.… deixe-lhe um safanão e ele ficou no sofá, fui falar com o PR com a porta entreaberta, que me perguntou se eu estava à frente do 25 de Novembro, deu-me um abraço e disse - ainda bem que é você que está à frente disto. Vamos lá resolver isto. Estava eu com o comandante Pinheiro de Azevedo,. Eu respondi ao PR Costa Gomes - não estou metido nem tenho nada a ver com isto - e ele ficou altamente preocupado, perguntando-me quem é que realmente estava metido na situação pedindo: - então ajude-me com a sua influência na Força Aérea (FA) e com os paraquedistas, ajude-me a resolver esta situação para evitarmos a guerra civil. Então o general Costa Gomes pediu-me para ir a Monsanto falar com os Paraquedistas, e lá levei o recado e a forma de se resolver aquilo.

    - Como foi?

    - Em Monsanto estavam oficiais da FA presos pelo paraquedistas, lá providenciei para que eles fossem soltos – ao contrário do relatório/processo de 25 de Novembro, onde sou acusado de prender os oficiais de Monsanto… fui eu que os mandei soltar, não há nenhum desses tipo que diga à minha frente o contrário.
    Mais tarde fui falar com o general Costa Gomes contando-lhe o que se tinha passado em Monsanto, onde fui informado que quem “mandava” era a Comissão de Luta. Da segunda reunião que tive com o general, já ao fim-da-tarde em Belém, o general Costa Gomes chamou a ele o comando de todas as tropas do país, assim quem comandou militar e politicamente o 25 de Novembro – foi o general Costa Gomes! Eu assisti, foi na minha presença. Há relativamente pouco tempo o antigo comandante da Região Militar do Norte, Pires Veloso, veio dizer precisamente isso. A Região Militar do Sul colocou-se sob o comando dele, a Armada foi colocada sob o comando dele directamente - foi o almirante Rosa Coutinho que lhe entregou o comando da Armada- Nas unidades de Lisboa, o general chamou a ele unidade por unidade, e foi passando o comando por delegação para o Vasco Lourenço que tinha sido nomeado Governador Militar de Lisboa, na véspera. Mas as unidades de Lisboa, algumas das mais fortes nunca aceitaram o comando de Vasco Lourenço, mesmo delegado do PR, assisti a isso, o sr. Vasco Lourenço na minha frente não desmente!

    Novamente o general Costa Gomes pediu-me para ir a Monsanto tentar convencer os Paraquedistas – e que se despachassem …rápidos -, quando não mandava avançar os Comandos para Monsanto. Quando avancei para Monsanto passei primeiro pela COPCON, que era onde estava a bagunçada maior. Quando de lá sai, sozinho e já de noite, embora fosse bem armado, fui perseguido por dois carros de indivíduos trajando civilmente e armados até aos dentes, consegui fugir-lhes, já não cheguei a Monsanto. Passei à clandestinidade, naquela altura em que os despistei e fui para Benfica, para casa de uns amigos meus. Em casa desses amigos vejo na TV um comunicado do Chefe do Estado-maior da Força Aérea, Morais da Silva, que andou fugido durante o dia todo, e só apareceu à noite quando as coisas já estavam a virar, depois de ter abandonado completamente a FA. Nesse comunicado aparecia a minha fotografia acompanhada de uns termos que já não me recordo… mas algum assim - onde o virem agarrem-no vivo ou morto, porque este é que é o responsável.

    Eu não me contive, peguei no telefone e liguei para o gen. Costa Gomes, para lhe dizer que não tinha conseguido chegar a Monsanto perseguido por aqueles gândulos, e insurgi-me contra aquele famigerado comunicado. O Costa Gomes perguntou-me onde estava, eu disse-lhe que estava em casa - não sendo a verdade, estava em casa de amigos e o meu telefone estaria com certeza sob escuta - disse-me ainda que estava prestes a começar uma reunião de emergência do Conselho da Revolução, devido a uma informação de que EU estaria na Lisnave a fazer o levantamento dos trabalhadores da Cintura Industrial de Lisboa, para marchar sobre Lisboa. O homem acreditou em mim que não estava na Lisnave.

    - Então quem elaborou o comunicado?

    Mais tarde vim a saber que esse comunicado/informação foi transmitido para a Presidência da República pelo Conselho da Revolução, a partir do posto do comando que estava na Amadora.
    Em paralelo começo a ser informado que estavam a ser afixados cartazes e distribuídos panfletos, a dizer que eu tinha fugido com 13.000 contos roubados das contas dos trabalhadores! Ali, comecei a montar o puzzle, que não era muito difícil chegar a esta conclusão – os tipos puseram aqueles fulanos a perseguir-me quando ia para Monsanto, não seria para me matar mas sim para me agarrar.

    Por tudo isto eu deduzi e até hoje não me desmentiram que me queriam levar para Monsanto, punham lá uma mala com notas e chamavam os trabalhadores para verem o “ladrão” fugir com um monte de dinheiro e eram os trabalhadores que me lixavam e eles ficavam como Pôncio Pilatos.

    Passei à clandestinidade e sai do país em Janeiro do ano seguinte, tendo assistido a essas porca vergonhas todas com vontade de pegar numa pistola-metralhadora e ir onde estavam a afixar os cartazes…
    Está aqui a história do dia do salário, que em Janeiro o jornal “O DIA” publica, mas que já não eram 13 mil mas tinha era posto 80 mil contos das contas dos trabalhadores numa conta pessoal minha.

    - Foi complicado provar a sua inocência...?

    - A história da cabala do dia do salário, ao fim e ao cabo, para mim acaba por ser um louvor autêntico, porque os tipos chafurdaram na minha vida toda, particular, familiar, profissional e política de governação. Se tiveram que recorrer a uma coisa de uma baixeza tão porca como isso, é porque não encontraram a menor coisa em que me pudessem agarrar, senão tinham-me esfolado! Ah! demitiram-me por duas vezes da FA sem qualquer reintegração pelo meio, depois só faziam asneiras a meu respeito, tal era o nervosismo, quando viam qualquer documento meu só faziam asneira nos despachos. Lembro-me de um documento para o Lemos Ferreira, na altura Chefe do Estado-maior, em que solicitava a reposição da verdade e na minha situação normal – foi indeferido por falta de cabimento ao solicitado no documento…

    Ao fim dos 16 anos da guerra sempre a nível do Supremo Tribunal Administrativo, em que alguns dos mais altos responsáveis político-militares do país não se coibiram de mentir ao tribunal, oficialmente, em ofícios de alguns generais e de elevados postos da vida militar política do país, foi-me feita justiça.

    Nunca desapareceu um tostão, aliás eu fiz questão, devido a não haver inquérito nem averiguações, não havia nada porque eles sabiam que nunca tinha havido falta de qualquer verba, obriguei-os a fazerem um inquérito depois de muitos requerimentos e de muitas insistências ao longo de muito tempo, foram obrigados a fazerem-no, porque eu requeri certidão do inquérito tenho uma certidão passada pelo Ministério do Trabalho, sempre ao nível do gabinete do ministro, cujo título é este - certidão provisória - não sei se alguém tem memória de uma certidão provisória. Depois da minha insistência, passam-me nova certidão, definitiva, com conclusões provisórias… dá vontade de rir, não dá?

    Voltando ao inquérito, quando ficou concluído – ninguém tinha roubado nada, não tinha desaparecido nada, e é um autêntico louvor para mim e para os serviços desenvolvidos, mas não publicaram nada disto no Diário da República. Seguidamente faço um requerimento para pedir as conclusões públicas do inquérito, vem a resposta do chefe do gabinete com umas aldrabices, porquanto não podiam certificar porque o inquérito não estava ainda concluído por falta de homologação do ministro, e andámos nisto três anos, entretanto a minha paciência ia-se esgotando… entrei em contacto com o coronel Costa Brás - que era a maior autoridade contra a corrupção- estávamos em Janeiro de 1984) – ameacei ir ao gabinete do ministro puxa-lo pelos colarinhos e dar-lhe um par de murros. Ele disse-me que não era um questão de ministro e passados quinze dias estava dado o despacho depois de anos à espera.

    - O que pensa hoje da nossa Democracia?

    - Aquilo que eu penso é que se se um cidadão burlar outro arrisca-se a ir para a prisão, se burlar 10 milhões arrisca-se a ir para o poder e agir impunemente!

    - E das manifestações militares?

    - Sou contra esse género de actuação, acho que é um bocado desprestigiante para os militares, o militar deve ter uma postura diferente da postura de um simples passeio, terá de ter ou tomar uma posição frontal
    Portanto se uma manifestação de militares não é feita em termos de postura militar, não pode ter nada de concreto nem de substrato.

    - Hoje é possível a realização de outro golpe de Estado como em 25 de Abril de 74?

    - Seria absolutamente impossível perante o contexto internacional existente.

    - Que futuro para as Forças Armadas?

    -No 25 de Abril havia um grupo que infelizmente não era muito grande, cujo elemento principal era o general Costa Gomes, e que entendíamos que Portugal não precisa de Forças Armadas. Portugal precisava de uma Guarda Republicana capaz, eficiente, com gente preparada e bem paga, também com uma Polícia bem preparada e com um bom nível de instrução para saber lidar directamente com os problemas e com a população. Precisávamos de umas lanchas rápidas para patrulhamento da zona económica exclusiva, de uns aviões bem equipados para patrulhar essa zona económica exclusiva, mais aviões de combate a incêndios e evacuação de feridos e doentes, e não precisávamos de mais nada!

    Temos cento e tal oficiais generais e se calhar… não temos cento e tal soldados bem preparados… Por mexer com muitos interesses na altura não conseguimos porque há três vectores importantes da vida económica e financeira do Mundo, que são o petróleo, a droga os armamentos, e há quem não queira abdicar. Portugal comprou aviões F-16, Portugal não precisa de aviões de caça para nada! Eu sou piloto, piloto de caça, é das coisas que mais gozo me dá é o bom avião de caça, mas isso custo os olhos da cara ao país. Se a Espanha quisesse invadir Portugal, a FAP nem que tivesse os aviões mais ultra-modernos do mundo e os pilotos mais bem preparados, não havia qualquer possibilidade de reacção a um ataque espanhol. Os aviões de caça portugueses não servem para nada, servem sim para uns indivíduos comprarem os aviões, comprarem sobressalentes… etc., etc..

    - Chegou a temer pela sua vida?

    - Não tenho a menor dúvida que se pudessem ter-me eliminado fisicamente, sem rastos para poderem ser responsabilizados a seguir, e se não tivesse passado à clandestinidade não estaria aqui hoje a falar.

    - Como se define enquanto ministro do Trabalho?

    - Sempre pautei, na vida militar e civil, a minha postura por regras de boa conduta e amor à minha Pátria, no País ou no estrangeiro. Quando falei com outros governos, mesmo os considerados mais importantes, sempre falei como representante do meu País em pé de igualdade.

    O dia do salário foi um marco importantíssimo que eles espoliaram, em termos de diversão dos valores morais da sociedade, caluniando na forma peculiar, onde o Estado português é altamente responsável durante vários anos, constituindo-se num dos marcos que serviu de base à inversão dos valores pela dimensão e projecção que lhe deram, no enquadramento ao mais alto nível político-militar do país.

    - Que pensa da Associação 25 de Abril?

    - O Vasco Lourenço, presidente da Associação, sabe bem que conspirámos juntos, eu arrisquei a minha liberdade para o acompanhar e depois o reconhecimento foi a participação directa na preparação da cabala no dia do salário contra mim.

    Aliás, o Vasco Lourenço não participou no 25 de Abril, na feitura do 25 de Abril, conspirou connosco foi mandado para os Açores antes desse dia, e o 25 de Abril foi tropeçar com ele nos Açores.
    Em Fevereiro de 74 eu fui o primeiro oficial (do três ramos das forças armadas) a ser alvo/objecto de uma medida repressiva do anterior regime por causa do Movimento dos Capitães.

    Em Março seguiram-se medidas repressivas em relação ao Vasco Lourenço, ao Melo Antunes e outro oficial que foram colocados nos Açores. Entretanto o Vasco Lourenço pediu-nos para simular o rapto dele, e tivemos o Vasco Lourenço connosco durante três dias, ao fim desse tempo, depois dessa exploração política decidimos que ele se fosse apresentar no Governo Militar de Lisboa, acabando depois por ir para os Açores.
    Estive exilado em Angola três anos e meio a seguir ao 25 de Novembro, quando regressei a Portugal estava a ser constituída a Associação 25 de Abril, com uma comissão instaladora liderada por Vasco Lourenço. Eu fui convidado, assinei uma ficha condicional porque me pediram muito para assinar, mas não coloco lá os pés enquanto Vasco lourenço estiver à frente da Associação.

    - O PCP teve alguma intervenção no 25 de Novembro?

    - Sobre a intervenção do PCP, vou narrar o que se passou comigo, no dia 24 já ao fim da tarde, eu tinha sido colocado no COPCON por malandrice, pelo Morais da Silva, e encontrei o Jaime Serra, dirigente do PCP, que me cumprimentou e disse “epá é a segunda vez que venho aqui dizer ao Otelo para não mandar assim tropas para a rua, para não se meter em aventuras”. – Isto é um facto histórico, passou-se comigo! Sei também, por informação, que o dia 25 de Novembro foi desencadeado pela saída dos paraquedistas – não que os “páras” tenham saído para algum golpe de Estado, isso é uma pulhice! -, eles sim vieram fazer uma manifestação de operacionalidade, o PCP mobilizou-se para o que desse e viesse – segundo me constou porque não vi nem participei. E depois desmobilizou quando o Costa Gomes chamou Álvaro Cunhal, para se desmobilizar e não haver uma guerra civil, que esteve por um fio.

    - Qual a participação do General Ramalho Eanes?

    -Todos os movimentos de tropas foram feitos com autorização e cobertura institucional do Costa Gomes. Há mensagens escritas do posto de Comando da Amadora, sempre com autorização de Costa Gomes.
    Para terminar e sobre essa grande manifestação do tempo do Pinheiro de Azevedo (o almirante sem medo), quando começou a ser convocada a manifestação para a Praça de Londres, o Tomás Rosa em vez de se manter no gabinete do Trabalho, como lhe competia, foi ter com Pinheiro de Azevedo, que estava em S. Bento. A manifestação teve conhecimento e foi atrás dele, foi assim que a manifestação foi parara a S. Bento. Já naquela multidão à volta da Assembleia da República, começou a exploração politica, deixavam sair uns, não deixavam sair outros… e aquilo começou a complicar-se um bocado.

    Eu estava em casa e telefonaram-me do Conselho da Revolução pedindo-me se eu não me importava de ir resolver a situação, ao que respondi: “eu já não estou no Governo já não estou no poder”, mas sendo um problema Nacional nunca fugia a situações difíceis, portanto se quiserem eu vou lá tentar resolver. O Conselho da Revolução faz um comunicado ao país dizendo que me pediu para ir resolver a situação, passada meia hora telefonam-me outra vez, agora os sindicatos, era a Intersindical dizendo que estavam numa situação complicada, perigosa, então pediram-me se eu não me importava em ir ajudar a situação. Eu fui. Cheguei ao Palácio de S. Bento e encontrei o primeiro-ministro com a barba por fazer na parte habitacional do mesmo, que tinha dormido na noite anterior na casota da PIDE que estava no Jardim do Palácio, e logo que me viu deu-me um grande abraço e disse-me: “epá tire-me daqui. Trouxe a tropa?” Não, respondi-lhe, entrei pela porta principal, ninguém me fez mal.

    Mais tarde houve desmobilização geral e o Pinheiro de Azevedo foi à varanda de S. Bento prometer coisas que depois não cumpriu.

    ***
    excerto Do Programa do PCP

    O processo contra-revolucionário

    1. A revolução portuguesa apresenta como valiosa experiência o facto de, numa situação revolucionária, mesmo não dispondo do poder político, as massas populares em movimento e em aliança com o MFA terem podido transformar profundamente a sociedade, empreender e realizar profundas reformas das estruturas socioeconómicas, influenciar e condicionar o comportamento do poder político e contribuir para a consagração legal dos avanços revolucionários.
    Os anos ulteriores mostram também a extraordinária capacidade das massas para resistir à contra-revolução mesmo quando desencadeada e desenvolvida pelo poder político.
    Mas a experiência confirma também que a questão do poder acaba por determinar o curso da política nacional.
    2. Divisões, conflitos e confrontos no MFA permitindo a retomada progressiva de posições nas Forças Armadas por elementos conservadores e revanchistas; a colaboração do PS e de sectores democráticos do MFA com os sectores mais conservadores e golpistas no novo quadro do poder; o esquerdismo; o anticomunismo; a ingerência e pressão financeira, económica, política e diplomática do imperialismo – abriram caminho ao desencadear de um processo contra-revolucionário, ao avanço das forças reaccionárias e conservadoras no novo sistema de poder em processo de formação e a alianças políticas que viriam a culminar no golpe do 25 de Novembro de 1975, cujas consequências principais foram a liquidação de facto do MFA e uma radical alteração na correlação de forças.
    A partir de 1976, em manifesto desrespeito pela Constituição da República e pela legalidade democrática, a política de sucessivos governos com composições partidárias diversas (PS, PSD, PS-CDS, PS-PSD, PSD-CDS), assim como alguns dos chamados governos «de iniciativa presidencial», adoptaram, como objectivo estratégico e linha de força de todas as políticas sectoriais, a restauração do capitalismo monopolista, com a sua dinâmica de exploração dos trabalhadores e de centralização e concentração de capital.
    3. O processo contra-revolucionário, na sua obra de destruição das conquistas de Abril, desenvolveu-se e continua a desenvolver-se em cinco direcções fundamentais complementares e inseparáveis: a) a reconstituição,restauração e reconfiguração das estruturas socioeconómicas do capitalismo monopolista de Estado; b) o agravamento da exploração dos trabalhadores, a liquidação de muitos dos seus direitos e liberdades e graves limitações de direitos sociais dos portugueses; c) a perversão do regime democrático tendente à instauração de um regime autoritário; d) a promoção e reposição de valores obscurantistas ou retrógrados no domínio da cultura, das mentalidades e da ideologia; e) a adopção, como opção estratégica, da crescente dominação do capital estrangeiro sobre a economia portuguesa e de limitações à soberania e independência nacionais, especialmente com a integração na CEE/UE.
    A reconstituição, restauração e reconfiguração das estruturas socioeconómicas do capitalismo monopolista de Estado desenvolveu-se numa planeada, coordenada e progressiva ofensiva contra as nacionalizações e outros sectores não capitalistas. Começou com a entrega ao patronato de empresas intervencionadas, cooperativas e empresas em autogestão. Reforçou-se com políticas de crédito, de investimentos, de preços e de comércio externo desfavoráveis às empresas nacionalizadas e com a nomeação para estas de gestores interessados no seu insucesso tendo como missão preparar as privatizações. Avançou com a entrega crescente das empresas públicas ao capital privado. Desenvolveu-se com o desmantelamento e a privatização de serviços públicos e funções sociais do Estado, directamente ou com o recurso a outras formas, nomeadamente às parcerias público-privadas. E traduziu-se num historial de fraudes, subavaliações, leilões, esbulhos, corrupção, especulação bolsista e entrega de vultuosas somas de dinheiros do Estado.
    A mesma política de reconstituição e restauração capitalista e monopolista traduziu-se, no que respeita às estruturas agrárias, na destruição da Reforma Agrária com a restauração da propriedade latifundiária através das acções ilegais e violentas contra os trabalhadores, de roubos às UCPs/Cooperativas, de entrega aos agrários de terras, gados, máquinas, instalações e colheitas, na liquidação de dezenas de milhar de postos de trabalho, no bloqueio legislativo, financeiro e técnico e no afrontamento às decisões judiciais.
    Traduziu-se também no agravamento da situação económica e destruição de muitos milhares de pequenas e médias explorações, em sucessivas tentativas de destruição dos direitos dos povos alcançados com a Lei dos Baldios e na liquidação dos direitos dos rendeiros alcançados com a Lei do Arrendamento Rural, no fomentar da concentração da propriedade agrícola.
    Traduziu-se igualmente no aperto do cerco às micro, pequenas e médias empresas, por via da monopolização dos mercados e ausência de apoios, convergentes com o objectivo de favorecer a concentração e centralização do capital.
    Significou ainda o estrangulamento do sector cooperativo.
    Todas estas ofensivas constituíram uma verdadeira cruzada de espoliações e de acumulação e centralização forçadas do capital, transferindo para as mãos dos grandes capitalistas nacionais e estrangeiros, em crescente associação, a posse de capitais e o domínio sobre os principais meios de produção.
    A política de restauração monopolista com as ofensivas contra as conquistas de Abril teve consequências extraordinariamente gravosas. O aparelho produtivo foi desorganizado. Importantes empresas, que deveriam ter um papel motor no desenvolvimento, foram sacrificadas. Muitas outras foram encerradas. Os grandes projectos nacionais de desenvolvimento foram abandonados. Os recursos financeiros foram desbaratados em indemnizações, créditos a fundo perdido, investimentos de duvidoso interesse e privilégios aos grandes capitalistas. A agricultura ficou estagnada e em crise, a liquidação da reforma agrária deixou um rasto de retrocesso social e desemprego, desenvolveu-se um processo de abandono e subutilização de terras e dependência alimentar. Multiplicaram-se as actividades parasitárias e especulativas, gerando o rápido enriquecimento de alguns à custa dos trabalhadores e do erário público, absorvendo e consumindo grande parte dos recursos nacionais. Acentuaram-se as posições dominantes do imperialismo na economia portuguesa, com a integração na CEE/UE, foi progressivamente limitado o poder de decisão do País em importantes domínios da economia nacional. A política de restauração monopolista assume o carácter de uma política antinacional.
    Corolário da restauração do capitalismo monopolista, o agravamento da exploração dos trabalhadores e a liquidação de muitos dos seus direitos e liberdades, assim como graves limitações de direitos sociais, traduziram-se na contenção e redução dos salários, na fixação de tectos salariais e simultâneo aumento dos preços, na diminuição da parte do trabalho na repartição do rendimento nacional, nos insuficientes aumentos das pensões de reforma, nos despedimentos colectivos, no alargamento dos contratos a prazo e na proliferação de outras formas de trabalho precário, no congelamento da contratação e limitações à negociação colectiva, no agravamento ou introdução de novos pretextos para despedimentos sem justa causa como a inadaptação e os períodos experimentais, nos salários em atraso, nas limitações às liberdades sindicais e aos direitos das Comissões de Trabalhadores, no impedimento do controlo de gestão, na generalização da repressão patronal nas empresas, no agravamento das discriminações para com as mulheres e os jovens, no trabalho infantil, no ataque às funções sociais do Estado, no encarecimento, degradação e risco de destruição dos serviços de saúde, do ensino, da habitação, dos transportes e da justiça, na ampliação da pobreza e da marginalização social e na acentuação do despovoamento e desertificação de vastas zonas do país.
    A perversão do regime democrático tendente à instauração de um regime autoritário traduziu-se em medidas, acções, tentativas e projectos visando a progressiva governamentalização do poder político com a contestação da independência e competências dos outros órgãos de soberania, a submissão e tutela do poder local democrático, a destruição de mecanismos de fiscalização da acção governativa de forma a assegurar a sua impunidade, as restrições aos direitos da oposição, as alterações às leis eleitorais, ferindo gravemente a sua democraticidade e o princípio da proporcionalidade, a restrição da liberdade de organização política com a legislação antidemocrática sobre os partidos políticos e o seu financiamento, a limitação de direitos e liberdades dos cidadãos, nomeadamente do direito à greve e do direito à organização e acção sindical e das Comissões de Trabalhadores nas empresas, a marginalização de organizações sociais representativas, a concentração e o controlo da comunicação social, a depuração política e a ocupação da Administração Pública pelas clientelas dos partidos no poder, o reforço do aparelho especial de repressão, a criação e intervenção ilegal de novos serviços de informações, o recurso a medidas autoritárias, as revisões da Constituição que a mutilam e empobrecem.
    A promoção e a reposição de valores obscurantistas ou retrógrados no domínio da cultura, das mentalidades e da ideologia traduziu-se designadamente numa acção persistente para ocultar e deturpar a verdadeira natureza do regime fascista e os seus crimes e para desvalorizar o significado, realizações e alcance da revolução democrática, em tentativas de transformar o anticomunismo e as discriminações antidemocráticas em política do Estado, na afirmação da inevitabilidade e na promoção da alternância, no governo, entre partidos políticos que representam os interesses do grande capital para prosseguir a política ao serviço dos seus interesses, na limitação e no desincentivo à participação política e social, na apologia da conciliação de classes e da pretensa comunhão de interesses entre o capital e o trabalho, no apoio a concepções conservadoras sobre o papel da mulher na sociedade e na família, na secundarização do papel dos trabalhadores na vida nacional e na atribuição aos capitalistas de um papel determinante na criação de riqueza e no progresso do País, na glorificação acrítica da estabilidade governativa e até do poder pessoal, no fomento de um exacerbado individualismo e egoísmo na vida social, na substituição dos direitos de protecção social por práticas assistencialistas e caritativas atentatórias da dignidade humana.
    A adopção, como opção estratégica, de limitações à soberania e à independência nacionais foi inspirada pelo propósito de acelerar o processo de liquidação das conquistas da revolução de Abril e de restaurar o capitalismo monopolista e de acorrentar Portugal ao sistema capitalista internacional e traduziu-se designadamente em múltiplas orientações e decisões que nos domínios da integração de Portugal na CEE/UE, da participação do País em outras organizações internacionais, da associação à ingerência e guerra imperialistas, e nos planos económico, militar, cultural e de política externa e de segurança, criaram novos e mais agravados laços de dependência e subordinação.
    4. As ofensivas contra as conquistas de Abril e a firme luta do povo português na sua defesa tiveram a caracterizá-las, por um lado, o constante desrespeito e violação por parte de sucessivos governos das leis e da Constituição e, por outro lado, o desenvolvimento da luta popular em observância da legalidade democrática e exigindo o seu respeito pelos órgãos de poder.

    A legalidade democrática afirmou-se assim como um obstáculo real a uma política que subverteu o regime instaurado com a revolução de Abril. A aprovação de leis inconstitucionais e revisões mutiladoras da Constituição inseriram-se num processo de reconstituição, restauração e reconfiguração do domínio dos grupos monopolistas, associados e dependentes do capital estrangeiro.
    ***
    Vitor Dias e o seu blogue:

    28 Janeiro 2013


    Podem passar todas menos esta

    Uma senhora nódoa
    na primeira página do
     Público


    Como, em regra, não sou dado a «ajustes de contas» na hora da morte de ninguém, só mesmo uma chamada de 1ª página como esta do Público de hoje me faria escrever sobre o Coronel Jaime Neves (que o Público me lembra ter sido o único participante do 25 de Abril a ser, já na reforma, promovido por distinção a general). Com efeito, a este respeito só quero dizer que, mesmo dando de barato a ideia do «manter Abril no 25 de de Novembro», então isso se podia aplicar a muitos militares (com destaque para Melo Antunes, Ramalho Eanes [este, muito pelo apreço e respeito que tinha pelo primeiro, como pude testemunhar pessoalmente durante as negociações do 2º Pacto MFA-Partidos] Vasco Lourenço e outros) mas nunca por nunca ser a Jaime Neves.

    Na verdade, nem é necessário mais do que procurar nos arquivos da RTP ou quem sabe mesmo no Youtube e encontrar as imagens e o som da visita aos Regimento Comandos do Presidente da República Costa Gomes e de Eanes na noite de 25.11.75, onde figura um Jaime Neves a manifestar quase insubordinadamente o seu descontentamento com o rumo dos acontecimentos e a reclamar, por estas ou palavras parecidas,  que se fosse «mais além».
    ***
    Samuel no "Cantigueiro"

    SEGUNDA-FEIRA, 28 DE JANEIRO DE 2013



    Jaime Neves – Uma grande injustiça




    Acho normal que os inimigos de Abril, como o pascácio Passos Coelho (e mais alguns que sobre o assunto se abstenham violentamente), teçam rasgados elogios ao ex-comando Jaime Neves na hora da sua morte. A memória do militar que tão activamente participou no vitorioso golpe militar de 25 de Novembro, contra o 25 de Abril, deve ser-lhes muito grata.
    Quanto aos membros da família e amigos chegados, a questão nem se coloca. Estão de luto, como todas as pessoas que estão de luto.
    Seja como for, se era para enaltecerem a memória do militar recorrendo aos feitos de que mais se orgulhava... acho uma enorme injustiça que os vários epitáfios elogiosos não incluam os crimes de guerra, os massacres contra crianças mulheres e homens indefesos... esse tipo de “glórias”.

    Para acabar, uma contribuição literária/musical: a parte final de um texto de uma cantiga do Zeca que, como bem se sabe, sempre "admirou" o boémio comando "ultra".


    Chame-se o Bufallo Bill

    Chegue aqui o Jaime Neves

    Para recordar Wiriamu,

    Mocumbura e Marracuene

    Que a cruz gamada reclama

    de novo o Grão-Capitão

    Só os meninos nazis

    Podem levar o pendão

    Mas não se esqueçam do tacho

    Que o papá vos garantiu

    Ao fazer voto perpétuo

    De ir prá puta que o pariu.
    ***
    Via
    http://apresencadasformigas.blogspot.pt/2009/04/mensagem-recebida-senhores-generais_04.html

    sábado, 4 de Abril de 2009


    Mensagem recebida, senhores generais 
    Jaime Neves, militar de Novembro, promovido a general.











    "Apesar de já me terem garantido que isso é verdade ainda não quero acreditar, não acredito que os responsáveis militares e políticos tenham tanta falta de bom senso e de decoro, não há quaisquer razões políticas ou militares que justifiquem uma decisão dessas, vai contra todas as regras, o seu 'curriculum' militar não o justifica e se isto acontecer estaremos perante um acto que em minha opinião indignificará o Exército e as Forças Armadas", declarações do coronel Vasco Lourenço à Lusa. 

    Depois de tão mal terem tratado os militares de Abril, as chefias das Forças Armadas, promovem a general um militar reformado há 20 anos, o coronel Jaime Neves, de triste 25 de Novembro memória.


    Num gesto simbólico, e um pouco mais subtil do que o acto de vassalagem da “brigada do reumático” em vésperas do 25 de Abril de 1974, os senhores chefes das Forças Armadas informam-nos, para que conste, onde estão as suas simpatias.

    Mensagem entendida, senhores generais.
    ***
    via 
    http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.pt/2013/02/jaime-neves-voto-de-pesar.html
    1.2.2013
    Há uma linha que separa a esquerda (da esquerda) do resto das bandas da AR: PCP, Bloco e Verdes votaram contra voto de pesar a Jaime Neves. Sem surpresa e com o meu aplauso, obviamente, porque a perda de memória e a falta de vergonha têm limites.

    Para além de tudo o resto, talvez seja o momento de recordar que Jaime Neves não nasceu «para a pátria» nem no 25 de Abril nem em 25 de Novembro. O massacre de Wiriyamu não foi uma lenda.
    https://www.youtube.com/watch?v=7BJPh6yDmMo
    ***
    25nov2014
    http://manifesto74.blogspot.pt/2014/11/dos-pactos-de-regime-capitalista.html
    Miguel Tiago

    DOS PACTOS DE REGIME (CAPITALISTA) À LIQUIDAÇÃO DO REGIME (DEMOCRÁTICO)

    TERÇA-FEIRA, 25 DE NOVEMBRO DE 2014


    A 25 de Novembro de 2013, nasceu o Manifesto74, forjado em Outubro, inspirado em Abril. Faz um ano.

    A 25 de Novembro de 1975, tentaram enterrar Outubro e matar Abril. Ganharam a batalha, a luta continua. Enquanto um trabalhador for explorado em Portugal, o socialismo continuará a ser o horizonte desta pátria que, lutando contra os ventos que sopram do passado, tem os olhos postos no futuro.

    A 25 de Novembro de 2014, o Governo liquidatário da República, aprova no Parlamento - com o alinhamento do seu braço parlamentar PSD/CDS - o orçamento do estado para o ano de 2015. Da troika ocupante que parece ter ido mas não foi, à troika doméstica que por cá continua, as opções e imposições contidas no documento, merecem total apoio, pesem as manobras do P"S" para se fingir de fora dos acordos de regime.

    Que há quem os reclame, os pactos de regime, os mesmos que escondem os que, mais à luz ou na sombra, foram e vão sendo feitos.

    Sérios fossem os que os reclamam, e diriam que já temos pacto de regime, que se chama Constituição da República Portuguesa. E quisessem falar verdade, diriam também que um outro pacto de regime a essa se substitui pela força dos acordos obscuros entre o poder económico e o poder político - se à trela que prende um cão se pode chamar acordo - e esse pacto é o programa de reconstituição monopolista e latifundista que, agora como no passado, entrega directamente a soberania económica às mãos das decisões tomadas nos conselhos de administração.

    Sérios fossem. E é coisa que jamais serão. Porque a verdade é revolucionária.

    Os que hoje, a cavalo da corrupção, das traições de governos, do incumprimento de promessas, das mentiras de PS, PSD e CDS, que é como quem diz montados no próprio capitalismo, querem pactos de regime, mais não querem que salvá-lo. Esses não trazem nada de novo e apenas mostram que a natureza golpista está nos genes dos comissários do capital, da direita política. A democracia não é coisa que se compatibilize com o nervoso miudinho dos mercados - nome de guerra dos caprichos dos capitalistas.

    Esses mesmo reclamam alterações ao sistema fiscal, mudanças na atribuição de prestações sociais, racionalização da gestão das escolas e hospitais, diminuir a verba do estado para a cultura, flexibilização das relações laborais, um jeitinho da política judicial e de administração interna, que é como quem diz que exigem pagar menos impostos, enquanto quem trabalha paga a diferença; que exigem baixar salários e ter mão-de-obra disponível a preço de saldo ou, quem sabe, gratuita que é coisa que já não dá pelo nome de "escravatura" porque hoje temos o "estágio" e o "voluntariado para fazer currículo"; que exigem que os impostos que os os trabalhadores pagam não financiem a escola nem o SNS da república, mas as suas escolas e os seus hospitais; que exigem um orçamento de miséria na cultura para a cultura ser o seu luxo privado, a sua jóia imaterial; que exigem poder despedir como que já, mais do que das empresas, se apoderou do controlo de toda a organização social, de todo o processo produtivo; que exigem que a polícia paga com os impostos dos trabalhadores lhes faça guarda privada e carregue sempre que necessário sobre os tais que pagam impostos quando ousam questionar as ordens e exigências dos que já nada pagam e tudo recebem; e que exigem, já agora, que os tribunais julguem lestamente os filhos dos trabalhadores que não encontram lugar ao sol brilhante do capitalismo e os encarcere para castigo de terem sido empreendedores além do razoável e que esses mesmos tribunais levem os anos de uma vida inteira para conseguir sequer reunir os elementos de um processo sobre quem rouba milhões, até que prescreva a própria vida do lesado.

    Esses que ignoram o maior pacto de regime, feito às claras, na constituinte pelo povo constituída, exigem novos pactos, escondendo os pactos que, sucessivamente pela calada vão fazendo. São Pactos com troikas, pactos orçamentais, estratégias de lisboa, tratados internacionais, são parcerias pública-privadas, são orçamentos do Estado, são leis-quadro, leis de bases, são favores comerciais e outras encomendas políticas que entregam com prontidão ao patrão. Todos esses são pactos que contam com a assinatura de ora uns, ora outros, por vezes até de todos ao mesmo tempo, sempre em nome da carne que sobrevoam em círculos.

    Hoje é 25 de Novembro. Fazem 39 anos sobre o dia que guinou a história para o passado.
    Hoje é 25 de Novembro e eles dizem no parlamento que o PCP esteve ao serviço de interesses estrangeiros - tal como dizia Salazar e a sua camarilha - e dizem as mentiras que não ousavam dizer há 30 anos. Não porque estejam mais fortes, não porque estejamos mais fracos, mas porque é assim que se comportam as bestas encurraladas: as garras não retraem, anseiam cravar-se na tua pele. O regime está em causa no que dependa deles: não o capitalista, mas o que do democrático resta. O regime está em causa no que depender de nós: não o democrático, mas o capitalista.

    O capitalismo de podre não cai porque já nasceu assim. O Governo de podre não cai porque já nasceu assim. Não é isso que está a mudar. O que está a mudar é medo que lhes vêm de dentro, por continuarem - incontornável e inexoravelmente - a alimentar e a formar no seu bojo a classe mais revolucionária e poderosa que a história já viu: os trabalhadores.

    Hoje é 25 de Novembro de 2014. 39 anos de contra-revolução, 39 anos de resistência. A besta acossada rosna com mais vigor. Mas não é a coragem, é o medo que lhes tira o pudor.
    ***
    2015
    40 anos depois
    1.ª nota
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    25 de Novembro – Três notas

    1ª. NOTA - ASSALTO À EMBAIXADA DE ESPANHA

    Das várias provocações montadas neste período, com o objectivo de responsabilizar os comunistas e o movimento operário e contra eles atear a ira popular, o assalto à Embaixada de Espanha é profundamente ilustrativo:

    «Em fins de Setembro de 1975, a CIA, desencadeia um golpe magistralmente planeado e quase rigorosamente executado.

    Cinco agentes da CIA, latino-americanos serão os executantes detonadores do assalto à Embaixada de Espanha em Lisboa. O assassínio previsto de cinco presos pelo garrote, facultaria o ambiente emocional para o efeito e a inconsciência habitual dos grupos esquerdistas completada pelo intencional voluntariado dos outros reaccionários camuflados de pseudo-esquerdistas, completarão o elenco necessário para o golpe que previa o assassinato do próprio embaixador de Espanha. Acidentalmente, ou talvez não, Edward Astwick Proctor, Conselheiro da Embaixada Americana, desconhecedor deste maquiavélico plano da CIA que incluía o assassínio daquele diplomata de quem é amigo pessoal, telefonar-lhe-á para não estar presente nesse dia na Embaixada, traduzindo, de qualquer forma, suspeitas que evitarão tão ignominioso acto – que seria imputado, como é hábito nestas ocasiões, à Esquerda em geral. Prudente, o Embaixador acatar-lhe-ia a sugestão, o que muito provavelmente lhe terá salvo a vida.

    A UDP cairá nesta armadilha e emprestar-lhe-á a sua cor política.»

    Diniz de Almeida, «Ascensão, Apogeu e Queda do MFA – II Volume

    António José Rodrigues, «O Militante»

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    5 de Novembro – Três notas
    2ª. NOTA – TERRORISMO A CRUZ DOS COMUNISTAS

    A violência e o terrorismo foram uma arma importante das forças reaccionárias para dar combate aos democratas e às forças mais consequentes na defesa do 25 de Abril e das suas conquistas, com particular destaque para o PCP, os seus centros de trabalho e militantes, como podemos também constatar através de excertos do insuspeito livro O Segredo do 25 de Novembro, de José Freire Antunes (antigo deputado do PSD e adjunto político de Cavaco Silva entre 1988 e 1993).

    «O incêndio e a perseguição tornaram-se pão nosso de cada dia. Multidões em fúria tomavam de assalto as sedes do Partido Comunista e de outros partidos de esquerda. O comunismo é a oitava praga.

    A violência assenta arraiais no Minho. Nos primeiros dias de Agosto, só num raio de 20 quilómetros, e em três dias, foram destruídas sete sedes partidárias, incendiados e pilhados quatro escritórios, mortas duas pessoas e feridas dezenas.

    Na Póvoa do Lanhoso, em S. João da Madeira, em Santo Tirso, em Fafe, em Cantanhede, em Vila Nova de Famalicão, a cruzada tem o mesmo nome do fogo posto.

    Em certas localidades, em dias de assalto, ouve-se falar espanhol e brasileiro. Vêem-se também camionetas com forasteiros de ar profissional. São mercenários do ódio, pagos pelos ricos.

    Os sinos tocam a rebate em muitas aldeias. Nos dias de feira, ou depois da missa, activistas calcorreiam as ruas.

    “Morte aos comunistas que nos querem roubar os filhos.”

    As bandeiras do PCP são queimadas e hasteadas em seu lugar as nacionais.

    Na povoação de Amor, um centro cultural é assaltado por camponeses munidos de “forquilhas, enxadas, ferros e paus”. Um soldado da GNR está ali para manter a “ordem”: acaba por ser o capitão do assalto.

    Os padres deixam correr o que julgam ser a execução de divinos propósitos. Nuns casos são cúmplices, noutros meros observadores.

    Há mãos clandestinas a atear esta fogueira.

    Nas águas turvas do descontentamento pescam o MDLP e o ELP. Frotas de exilados, com estímulos da direita europeia, fazem a sua “cruzada branca” contra a “opressão vermelha”.

    Ensinam a fabricar coktails molotov nos seus panfletos. Querem transformar Lisboa numa “cidade-mártir”. Ateiam incêndios, põem bombas, matam comunistas, conspiram nos seminários e nas sacristias. Pagam a marginais e antigos quadros do Exército.

    O CDS e o PPD são a capa legal desses núcleos. Mais eficazmente, porém, o catolicismo é o cimento ideológico dessa voragem.

    A Igreja é a grande triunfadora deste ardente Verão. É certamente para brindar a essa vitória que Frank Carlucci, o dinâmico embaixador dos Estados Unidos, vai fazer a volta dos bispos. De 3 a 6 de Novembro, encontra-se com os bispos de Viseu, Vila Real, Braga.

    A obra estava a sair asseada.

    Mas não estava completa.»

    António José Rodrigues, «O Militante»
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    25 de Novembro – Três notas
    3ª. NOTA – A TESE DO “CONTRA-GOLPE”

    Os autores e os cúmplices das várias tentativas e golpes contra-revolucionários pós-25 de Abril (golpe Palma Carlos, 28 de Setembro e 11 de Março) procuraram sempre justificar as suas acções como sendo respostas a tentativas ou golpes do PCP. O 25 de Novembro não foi excepção. Para uns foi um golpe do PCP, e para outros um golpe animado pela Esquerda militar, ou pela «ala gonçalvista» do MFA, mas em ambas as situações com o apoio do PCP.

    Em A Verdade e a Mentira na Revolução de Abril (A contra-revolução confessa-se), Álvaro Cunhal explica: «Como a orientação e acção do PCP e os acontecimentos provassem que não tinha havido nem golpe nem tentativa de golpe do PCP, inventou-se a tese do "recuo" – a história de que o PCP, vendo que o seu golpe militar, já desencadeado, iria falhar, recuou e desistiu do golpe. Essa tese do "recuo do PCP" é condimentada com uma insultuosa afirmação de Mário Soares: que o PCP teria lançado o golpe, mas, vendo que ia ser derrotado, deixou no terreno os esquerdistas "abandonados pelo PC" à sua sorte e à repressão (Maria João Avillez, Soares. Ditadura e Revolução). Falsidade e calúnia retomada por Freitas do Amaral (O Antigo Regime e a Revolução).

    Explique-se. Esta invencionice, como argumento, deturpa dois factos reais: Um, as orientações dadas pela Direcção do PCP na noite de 24 para 25 a algumas das suas organizações para não se deixarem arrastar em atitudes ou na participação em aventuras esquerdistas de confronto militar (casos do Forte de Almada e do RAL1). Outro, uma conversa telefónica na mesma noite de 24 para 25 entre o Presidente da República Costa Gomes e o secretário-geral do PCP, Álvaro Cunhal, em que este, tendo tomado a iniciativa do contacto, nos termos habituais da ligação institucional com a Presidência da República, comunicou ao Presidente, desmentindo especulações em curso, que o PCP não estava envolvido em qualquer iniciativa de confronto militar e insistia em apontar a necessidade de uma solução política. Soares diz contudo que Costa Gomes conseguiu “convencer o Partido Comunista a desistir” do 25 de Novembro (entrevista ao Público-Magazine, 24-4-1994).»

    A verdade dos factos e os testemunhos mais válidos (de Costa Gomes, de Melo Antunes, de Vasco Lourenço, de Ramalho Eanes) mostram que «indefensável» é a «tese» de Soares e seus amigos quando insistem no golpe do PCP e no contra-golpe de 25 de Novembro.»

    António José Rodrigues, «O Militante»

    ***
    3maio2009
    25 novembro.PREC.
    Para não esquecer. Tenho que trabalhar o que foi o 25 de Novembro...
    Quer Valdemar Rodrigues no lançamento do livro "a noite de insónia" quer ontem Gonçalves Sapinho no lançamento do livro do José Eduardo Oliveira referiram o 25 de Novembro.

    O Valdemar até achou que se devia comemorar o 25 de Novembro...
    Mas porque não se comemora? Não será porque não teve POVO!!! ???
    Provavelmente até podiam fazer comemorações como a UGT fez neste 1º de maio, mobilizando meia dúzia de convictos, mas para encher uma praça, tiveram que mobilizar toda a gente, de todo o país, que quisesse ir de borla ao almoço e a Lisboa.

    Sapinho voltou a enaltecer, ontem, o 25 de Novembro como fim do PREC.

    E no entanto foi aí que começou tudo ao contrário do que os ideais de Abril, tinham apontado, no que respeita aos trabalhadores, pequenos e médios empresários.
    ***
    14mar2010
    Costa Martins, militar de Abril que sempre considerei 
    morreu estupidamente há dias..
    uma entrevista a ler com atenção
    um outro 25 abril e outro 25 Novembro...dia de salário...
    http://caparicaredneck.blogspot.com/2010/03/costa-martins.html