28/07/2015

8.641.(28jul2015.8.22') Leonardo Boff

Nasceu a 14dez1938...Concórdia...Brasil
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Teologia de libertação
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Via Pensador:
http://pensador.uol.com.br/autor/leonardo_boff/biografia/
Leonardo Boff (1938) é um teólogo, professor e escritor brasileiro. É um dos maiores 
representantes da teologia da libertação no Brasil.
Leonardo Boff nasceu em Concórdia, Santa Catarina, no dia 14 de dezembro de 1938.
 Em 1958, ingressou na Ordem dos Frades Franciscanos, sendo ordenado sacerdote 
em 1964. Cursou Filosofia e Teologia. Em 1970 doutorou-se em Filosofia e Teologia pela Universidade de Munique na Alemanha.
Foi redator da Revista Eclesiástica Brasileira e da Revista Cultura Vozes. Foi professor 
de Teologia Sistemática e Ecumênica em Petrópolis, no Instituto Teológico Franciscano. 
Foi professor de Teologia e Espiritualidade em vários centros de estudo e universidades 
do Brasil e do exterior.
Sendo adepto da corrente da Teologia da Libertação, que prega o Evangelho como meio
 para a resolução das desigualdades sociais, publicou, em 1981, seus conceitos teológicos
 sobre a doutrina católica com relação á hierarquia da Igreja, no seu livro “Igreja, Carisma
 e Poder”, resultando em um processo impetrado pela Sagrada Congregação para a 
Defesa da Fé.
Em 1985, Leonardo Boff foi condenado a um ano de “silêncio obsequioso” e deposto de
 todas as suas funções editoriais e de magistério no campo religioso. A grande pressão
mundial sobre o Vaticano fez a Igreja recuar. Em 1992, sendo ameaçado de uma nova
 punição, renunciou às suas atividades de padre, mas continuou exercendo todas as
 atividades para propagar a Teologia da Libertação.

*
"Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam. Todo ponto de vista é a vista de um ponto."
"Nada resiste ao bem e ao amor."
"Amor é um deus exilado nos corações humanos."
"Não dá mais para nos iludir, cobrindo as feridas da Terra com esparadrapos. Ou mudamos de curso, preservando as condições de vitalidade da Terra ou o abismo já nos espera."
"Para aqueles com estômago elitista, lugar de peão é na fábrica produzindo, alimentando a bomba do capitalismo!"
"As tarefas que nos propomos, devem conter exigências que pareçam ir além de nossas forças . Caso contrário , não descobrimos nosso poder ,nem conhecemos nossas energias escondidas e assim deixamos de crescer."
"O cuidado entra na natureza e na constituição do ser humano...Sem o cuidado, ele deixa de ser humano. Se não receber cuidado desde o nascimento até a morte, o ser humano desestrutura-se, definha, perde sentido e morre. Se, ao largo da vida, não fizer com cuidado tudo que empreender, acabará por prejudicar a si mesmo e por destruir o que estiver a sua volta...O cuidado deve ser entendido na linha da essência humana".
*
Compreender não consiste em elencar dados. Mas em ver o nexo entre eles e em detectar a estrutura invisível que os suporta. Esta não aparece. Recolhe-se num nível mais profundo. Revela-se através dos fatos. Descer até aí através dos dados e subir novamente para compreender os dados: eis o processo de todo o verdadeiro conhecimento. Em ciência e também em teologia.
*
O que se opõe ao descuido e ao descaso é o cuidado. Cuidar é mais que um ato; é uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de atenção. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro.
*
A ternura: a seiva da amor

Mesmo no coração da atual crise social não podemos esquecer da ternura que subjaz a todos os empreendimentos que envolvem valores e afetam o coração humano. 

São misteriosos os caminhos que vão do coração de um homem na direção do coração da mulher e do coração da mulher na direção do coração homem. Igualmente misteriosas são as travessias do coração de dois homens e respectivamente de duas mulheres que se encontram e declaram seus mútuos afetos. Desse ir e vir nasce o enamoramento, o amor e por fim o casamento ou a união estável. Como temos a ver com liberdades, os parceiros se encontram inevitavelmente expostos a eventos imponderáveis.

A própria existência nunca é fixada uma vez por todas. Vive em permanente dialogação com o meio. Essa troca não deixa ninguém imune. Cada um vive exposto. Fidelidades mútuas são postas à prova. No matrimônio, passada a paixão, inicia a vida cotidiana com sua rotina cinzenta. Ocorrem desencontros na convivência a dois. irrompem paixões vulcânicas pelo fascínio de outra pessoa. Não raro o êxtase é seguido de decepção. Há voltas, perdões, renovação de promessas e reconciliações. Sempre sobram, no entanto, feridas que, mesmo cicatrizadas, lembram que um dia sangraram.

O amor é uma chama viva que arde mas que pode bruxolear e lentamente se cobrir de cinzas e até se apagar. Não é que as pessoas se odeiam. Elas ficaram indiferentes umas às outras. É a morte do amor. O verso 11 do Cântico Espiritual do místico São João da Cruz, que são canções de amor entre a alma a Deus, diz com fina observação: “a doença de amor não se cura sem a presença e a figura”. Não basta o amor platônico, virtual ou à distância. O amor exige presença. Quer a figura concreta que é mais mais que o pele-a-pele mas o cara-a-cara e o coração sentindo o palpitar do coração do outro.

Bem diz o místico poeta: o amor é uma doença que, nas minhas palavras, só se cura com aqulo que eu chamaria de ternura essencial. A ternura é a seiva do amor. “Se quiseres guardar, fortalecer, dar sustentabilidade ao amor seja terno para com o teu companheiro oua tua companheira”. Sem o azeite da ternura não se alimenta a chama sagrada do amor. Ela se apaga.

Que é a ternura? De saida, descartemos as concepções psicologizantes e superficiais que identificam a ternura como mera emoção e excitação do sentimento face ao outro. A concentração só no sentimento gera o sentimentalismo. O sentimentalismo é um produto da subjetividade mal integrada. É o sujeito que se dobra sobre si mesmo e celebra as suas sensações que o outro provocou nele. Não sái de si mesmo.

Ao contrário, a ternura irrompe quando a pessoa se descentra de si mesma, sái na direção do outro, sente o outro como outro, participa de sua existência, se deixa tocar pela sua história de vida. O outro marca o sujeito. Esse demora-se no outro não pelas sensações que lhe produz, mas por amor, pelo apreço de sua pessoa e pela valorização de sua vida e luta. “Eu te amo não porque és bela; és bela porque te amo”.

A ternura é o afeto que devotamos às pessoas nelas mesmas. É o cuidado sem obsessão. Ternura não é efeminação e renúncia de rigor. É um afeto que, à sua maneira, nos abre ao conhecimento do outro. O Papa Francisco no Rio falando aos bispos latinoamericanos presentes cobrou-lhes “a revolução da ternura” como condição para um encontro pastoral verdadeiro.

Na verdade só conhecemos bem quando nutrimos afeto e nos sentimos envolvidos com a pessoa com quem queremos estabelecer comunhão. A ternura pode e deve conviver com o extremo empenho por uma causa, como foi exemplarmente demonstrado pelo revolucionário absoluto Che Guevara (1928-1968). Dele guardamos a sentença inspiradora: ”hay que endurecer pero sin perder la ternura jamás”. A ternura inclui a criatividade e a auto-realização da pessoa junto e através da pessoa amada. 

A relação de ternura não envolve angústia porque é livre de busca de vantagens e de dominação. O enternecimento é a força própria do coração, é o desejo profundo de compartir caminhos. A angústia do outro é minha angústica, seu sucesso é meu sucesso e sua salvação ou perdição é minha salvação e minha perdição e, no fundo, não só minha mas de todos.

Blaise Pascal(1623-1662), filósofo e matemático francês do século XVII, introduziu uma distinção importante que nos ajuda a entender a ternura: o esprit de finesse e o esprit de géometrie.

O esprit de finesse é o espírito de finura, de sensibilidade, de cuidado e de ternura. O espírito não só pensa e raciocina. Vai além porque acrescenta ao raciocínio sensibilidade, intuição e capacidade de sentir em profundidade. Do espírito de finura nasce o mundo das excelências, das grandes sonhos, dos valores e dos compromissos para os quais vale dispender energias e tempo.

O esprit de géometrie é o espírito calculatório e obreirista, interessado na eficácia e no poder. Mas onde há concentração de poder aí não há ternura nem amor. Por isso pessoas autoritárias são duras e sem ternura e, às vezes, sem piedade. Mas é o modo-de-ser que imperou na modernidade. Ela colocou num canto, sob muitas suspeitas, tudo o que tem a ver com o afeto e a ternura.

Daí se deriva também o vazio aterrador de nossa cultura “geométrica” com sua pletora de sensações mas sem experiências profundas; com um acúmulo fantástico de saber mas com parca sabedoria, com demasiado vigor da musculação, do sexualismo, dos artefatos de destruição mostrados nos serial killer mas sem ternura e cuidado de uns para com os outros, para com a Terra, para com seus filhos e filhas, para com o futuro comum de todos.

O amor é a vida são frágeis. Sua força invencível vem da ternura com a qual os cercamos e sempre os alimentamos.
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Uma frente avançada das ciências, hoje, é constituída pelo estudo do cérebro e de suas múltiplas inteligências. Alcançaram-se resultados relevantes, também para a religião e a espiritualidade. Enfatizam-se três tipos de inteligência. A primeira é a inteligência intelectual, o famoso QI (Quociente de Inteligência), ao qual se deu tanta importância em todo o século XX. É a inteligência analítica pela qual elaboramos conceitos e fazemos ciência. Com ela organizamos o mundo e solucionamos problemas objetivos.

A segunda é a inteligência emocional, popularizada especialmente pelo psicólogo e neurocientista de Harvard David Goleman, com seu conhecido livro A Inteligência emocional (QE = Quociente Emocional). Empiricamente mostrou o que era convicção de toda uma tradição de pensadores, desde Platão, passando por Santo Agostinho e culminando em Freud: a estrutura de
base do ser humano não é razão (logos) mas é emoção (pathos). Somos, primariamente, seres de paixão, empatia e compaixão, e só em seguida, de razão. Quando combinamos QI com QE conseguimos nos mobilizar a nós e a outros.

A terceira é a inteligência espiritual. A prova empírica de sua existência deriva de pesquisas muito recentes, dos últimos 10 anos, feitas por neurólogos, neuropsicólogos, neurolingüistas e técnicos em magnetoencefalografia (que estudam os campos magnéticos e elétricos do cérebro). Segundo esses cientistas, existe em nós, cientificamente verificável, um outro tipo de inteligência, pela qual não só captamos fatos, idéias e emoções, mas percebemos os contextos maiores de nossa vida, totalidades significativas, e nos faz sentir inseridos no Todo. Ela nos torna sensíveis a valores, a questões ligadas a Deus e à transcendência. É chamada de inteligência espiritual (QEs = Quociente espiritual), porque é próprio da espiritualidade captar totalidades
e se orientar por visões transcendentais.

Sua base empírica reside na biologia dos neurônios. Verificou-se cientificamente que a experiência unificadora se origina de oscilações neurais a 40 herz, especialmente localizada nos lobos temporais. Desencadeia-se, então, uma experiência de exaltação e de intensa alegria como se estivéssemos diante de uma Presença viva.

Ou inversamente, sempre que se abordam temas religiosos, Deus ou valores que concernem o sentido profundo das coisas, não superficialmente mas num envolvimento sincero, produz-se igual excitação de 40 herz.

Por essa razão, neurobiólogos como Persinger, Ramachandran e a física quântica Danah Zohar batizaram essa região dos lobos temporais de ''o ponto Deus''.

Se assim é, podemos dizer em termos do processo evolucionário: o universo evoluiu, em bilhões de anos, até produzir no cérebro o instrumento que capacita o ser humano perceber a Presença de Deus, que sempre esteve lá embora não perceptível conscientemente. A existência desse ''ponto Deus'' representa uma vantagem evolutiva de nossa espécie humana. Ela constitui uma referência de sentido para a nossa vida. A espiritualidade pertence ao humano e não é monopólio
das religiões. Antes, as religiões são uma das expressões desse ''ponto Deus''.
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Ética e Ecologia desafios do século XXI

https://www.youtube.com/watch?v=6YFTh2yEPlk
O livro, Saber Cuidar. Ética do Humano – Compaixão pela Terra, faz um convite à reflexão sobre o cuidado
 e a compaixão. Leva a um despertar do homem para uma reflexão crítica sobre os problemas do mundo,
 onde a falta de atitudes de cuidado são os sintomas dos maiores problemas da humanidade. 
A degradação ambiental do planeta, as relações entre as pessoas e a falta de conhecimento de
 si mesmo, leva a falência da Terra. O autor apresenta através de fábulas e mitos a origem do homem 
e o significado do cuidado. Sendo a essência do ser humano, o saber cuidar, sendo preciso em 
primeiro lugar, voltar ? se e olhar para si mesmo e respiritualizar ? se. A proposta é uma nova ética
 para a conduta humana nas relações com o meio e com o outro, partindo para uma nova ótica. 
Apresenta caminhos para a cura e o resgate da essência humana, quando o homem deve passar 
por uma alfabetização ecológica, revendo os hábitos de consumo, aprendendo a conviver, a tocar, 
a mostrar seu carinho e sua generosidade, alimentar o amor, o contato humano, aumentar a
 capacidade de sentir, viver e conviver, aprendendo a cuidar do planeta, sempre envolto em
 uma ética de cuidado. Saber cuidar, a essência da vida humana está dentro de cada um, 
e todas as respostas estão dentro do ser humano, basta querer achá-las. Neste mundo
 tecnológico, com o avanço cada vez maior das produções e conseqüentemente do consumismo 
desenfreado, é árduo o trabalho de realizar um cuidado específico para que não aumente e até se
 controle o número cada vez maior de excluídos, espoliados, empobrecidos, condenados a uma
 vida cega de conhecimentos, solitária de amor e ternura, e praticamente abandonados. O homem
 está cada vez mais só e, com certeza, se deixando fechar-se em si mesmo, esquecendo-se de cuidar
 de si, das coisas ao seu redor, do outro e do mundo onde vive. O livro ?Saber Cuidar, traz os conceitos
 de cuidado, inerentes ao ser humano, como crítica à civilização que, agonizante, pede para superar 
os desafios e através do ?cuidado?, como suporte real da criatividade, da liberdade e da inteligência,
 precisa urgentemente renascer do fundamental do humano. O cuidado nasce quando se conhece a 
essência de todas as coisas, quando se descobre os propósitos e finalidades da vida, quando o homem 
se compromete e assume a responsabilidade de zelar, atender e preocupar-se com o outro. O livro 
demonstra uma evolução de idéias em um crescente, trazendo a idéia do cuidado em relação às formas 
de cuidar; a falta de cuidado no mundo atual; o que seria necessário para amenizar esse mal, resgatando a respiritualização como um dos remédios da humanidade; os caminhos para se encontrar o local de origem da essência do ser humano. Envolve a filosofia como elemento de aprendizado em busca das origens do cuidado com a Terra, com o homem, com o Universo e com os outros homens, trabalhando a sustentabilidade da sociedade. Ao envolver o homem no cuidado, faz renascer diversos modos de cuidado; as ressonâncias do cuidado em diversas atitudes, como o amor a justa medida, a ternura, a carícia, a cordialidade, a convivialidade e a compaixão, resgatando os modos de ser essenciais ao ser humano. Abordando a importância do cuidado com as pessoas, sobretudo com os diferentes culturalmente, com os penalizados pela natureza, com os espoliados, os pobres, os excluídos, as crianças, os velhos, os moribundos. Ressalta, ainda o cuidado com as plantas, os animais, as paisagens e principalmente com a Terra. Resta ao homem a interiorização da complexidade do pensamento do saber cuidar e frente a esse entendimento tomar a atitude de ?cuidar?, como prioridade de vida.
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Via
http://www.portalmetropole.com/2015/03/crise-e-forjada-mentirosa-e-induzida.html?m=1

uarta-feira, 11 de março de 2015


'Crise é forjada, mentirosa e induzida pela mídia', diz Leonardo Boff

boff


Teólogo afirma que veículos de comunicação são golpistas e contra o povo, 
mas com os movimentos sociais emergiu uma nova consciência política, 
e o outro lado ficou sem condições de dar o golpe

Por Redação, com RBA

A crise econômica e política pela qual o país atravessa neste momento é "em grande
 parte forjada, mentirosa, induzida, ela não corresponde aos fatos", afirma o teólogo
 Leonardo Boff. Segundo ele, a crise é amplificada por uma dramatização da mídia. 
"Essa dramatização que se faz aqui é feita pela mídia conservadora, golpista, que
 nunca respeitou um governo popular. Devemos dizer os nomes: é o jornal O Globo,
 a TV Globo, a Folha de S. Paulo, o Estadão, a perversa e mentirosa revista Veja."
Em entrevista à Rádio Brasil Atual na segunda-feira (9), o teólogo disse que, no entanto, 
o atual nível de acirramento no cenário político não preocupa porque, para ele, 
comparado a outros contextos históricos, a "democracia amadureceu". Ele diz acreditar,
 ainda, na emergência de uma "nova consciência política".
Boff também considera que o cenário brasileiro é bastante diferente da Grécia, Espanha
 e Portugal, onde são registradas centenas de suicídios, por conta do fechamento de 
pequenas empresas e do desemprego, e até mesmo de países centrais, como os 
Estados Unidos, que veem a desigualdade social avançar.
"A situação não é igual a 64, nem igual a 54", compara. "Agora, nós temos uma rede
 imensa de movimentos sociais organizados. A democracia ainda não é totalmente
 plena porque há muita injustiça e falta de representatividade, mas o outro lado 
não tem condições de dar um golpe."
Para Boff, não interessa aos militares uma nova empreitada golpista. Restaria ao
 campo conservador a "judicialização da política": "Tem que passar pelo parlamento
 e os movimentos sociais, seguramente, vão encher as ruas e vão querer manter
 esse governo que foi legitimamente eleito. Eles têm força de dobrar o Parlamento,
 dissuadir os golpistas e botá-los para correr".
Sobre o 'panelaço' ocorrido no domingo (8), durante o discurso da presidenta Dilma 
Rousseff para o Dia Internacional da Mulher, Boff afirma que o protesto é "totalmente
 desmoralizado", pois "é feito por aqueles que têm as panelas cheias e são contra um 
governo que faz políticas para encher as panelas vazias do povo pobre".
O teólogo afirma que a manifestação expressa "indignação e ódio contra os pobres" e 
são símbolo da "falta de solidariedade": "O panelaço veio exatamente dos mais ricos, 
daqueles que são mais beneficiados pelo sistema e que não toleram que haja uma 
diminuição da desigualdade e que gostariam que o povo ficasse lá embaixo".
Sobre o ato programado pela CUT e movimentos sociais para sexta-feira (13), Leonardo 
Boff diz que a importância é reafirmar os valores democráticos e a defesa da soberania 
do país: "Aqueles que perderam, as minorias que foram vencidas, cujo projeto 
neoliberal foi rejeitado pelo povo, até hoje, não aceitam a derrota. Eles que 
tenham a elegância e o respeito de aceitar o jogo democrático".
O teólogo frisa, mais uma vez, não temer o golpe. "É o golpe virtual, que eles fazem
 pelas redes sociais e pela mídia, inventando e fantasiando, projetando cenários 
dramáticos, que são projeções daqueles que estão frustrados e não aceitam a derrota
 do projeto que era antipovo."

9.914.(28jul2015.8.8') Jorge Sampaio

Nasceu a 18set1939
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Via público
Entrevista: "Faz-nos falta a confiança de Mandela na capacidade de os homens se entenderem"
SOFIA LORENA 24/07/2015

http://www.publico.pt/mundo/noticia/faznos-falta-a-confianca-de-mandela-na-capacidade-de-os-homens-se-entenderem-1702977
Este prémio vem, sem dúvida, avivar essa responsabilidade e, por isso, torna-a maior. Continuo firmemente convencido de que, se os cidadãos se interessassem mais pela sua vida colectiva, se fossem mais activos na defesa dos 'bens públicos comuns', não só o sentido da solidariedade aumentaria, como se encontrariam mais e melhores soluções para os problemas que hoje afectam todas as sociedades – desde os desafios do urbanismo e da gestão do território, ao da protecção do ambiente, passando pela questão da educação, da habitação, do desemprego, da saúde pública, da resolução dos conflitos…
*
Tenho uma grande admiração pela personalidade e figura política de Nelson Mandela. O seu nome é um grande marco do século XX e espero que a sua influência continue viva e a inspirar as novas gerações pelo mundo fora. Há dois aspectos que quero sublinhar: por um lado, a sua intransigente defesa dos direitos humanos para todos, a sua determinação política na luta libertadora dos sul-africanos e a sua visão da vida em democracia; por outro, a forma, o processo, a abordagem essencialmente não violenta, focada na via do diálogo e de relações cooperativas bem como no respeito pelo outro que toda a vida preconizou para realizar mudanças duradouras e reconciliar as pessoas.
Esta visão e, ao mesmo tempo, profunda confiança de Nelson Mandela na capacidade de os homens, pelo diálogo e por um melhor conhecimento mútuo, poderem construir pontes e entendimentos que, sem negar necessariamente as diferenças, criam laços entre as pessoas que lhes permitem coexistir, respeitarem-se e cooperarem, é para mim um dos seus aspectos mais inspiradores e carismáticos e o legado que nos cumpre explorar sempre mais. Aliás, quando olhamos à nossa volta e para o estado do mundo nos nossos dias, salta aos olhos o quanto uma abordagem deste género nos faz falta, quer seja na Europa entre parceiros europeus, quer no Médio Oriente, quer no conflito israelo-palestiniano, quer nas relações entre estados e povos do mundo islâmico, por exemplo.
*
É sempre difícil ser juiz em causa própria, mas penso que sim! O advogado e militante fazem um, e em tudo o que tenho feito há sempre uma preocupação de defesa do que é justo aliado a um empenho, a uma determinação que se prende com convicções, com princípios, com valores.
*
Não reivindico nenhum protagonismo especial, mas valho-me da circunstância de ter tido uma presença constante no processo da descolonização e da independência de Timor, que revestiu as mais diversas formas e que foi concomitante a muitos outros actores, ao longo dos anos. Não poderei esquecer nunca o dia 20 de Maio de 2002, que vivi plenamente como Presidente da República e que culminou precisamente nesse acto singular e irrepetível na história das relações entre os portugueses e os timorenses, entre Portugal e Timor-Leste, quando trocámos entre nós os símbolos da nossa soberania. Mais do que utopia, Timor foi uma sem dúvida uma das causas diplomáticas fortes dos últimos 40 anos.
*Quando em Março de 2006 terminei o mandato como Presidente não tinha ainda planos precisos sobre o que iria fazer, na certeza porém de que sabia que não iria ficar de braços cruzados. Depois de um cargo como aquele, há um dever de reserva e, digamos, de resguardo que limita os campos de actuação. Por outro lado, há um imenso potencial em termos de utilidade pública para o país que não deve ser desperdiçado. Aliás, se assim não fosse, não faria sentido apetrechar os ex-presidentes com instrumentos de trabalho, como é o caso.
O que aconteceu é que o convite de Kofi Annan surgiu algumas semanas após ter deixado Belém, a que se encadeou, no ano seguinte, o convite de Ban Ki-moon para a Aliança das Civilizações. Foi, a meu ver, uma feliz oportunidade de simultaneamente continuar a servir Portugal e ao mesmo tempo a contribuir para o bom nome do nosso país no plano externo.
*
Mais do que compensador, foi útil para as causas que me foram confiadas. Nem sempre é fácil avaliar os benefícios da advocacia – por serem muitas vezes difusos, diferidos no tempo e dificilmente mensuráveis. Mas no plano da luta contra a tuberculose, muito foi feito para lhe dar mais visibilidade como desafio de saúde pública global, para mobilizar vontade política, planos de acção e mais recursos nos países mais afectados, para incentivar a investigação na procura de vacinas, medicamentos e novos meios de diagnóstico, para estimular uma abordagem mais coordenada da co-infecção TB-HIV, para sensibilizar as sociedades para lutar contra o estigma e a discriminação e reforçar a sua capacidade reivindicativa.
*O convite que me foi dirigido para encabeçar a Aliança das Civilizações foi totalmente inesperado. De resto, até já contei várias vezes a história do que aconteceu … Um dia, tinha acabado de chegar a Nova Iorque, onde ia ter um encontro com o secretário-geral por causa da Tuberculose, e toca o telefone, ia eu a caminho de Manhattan. Ouvia-se mal, mas era o embaixador de um determinado país que me queria falar da conversa com o secretário-geral, o que achei estranhíssimo, pois não havia qualquer relação especial entre a questão da tuberculose e o dito pais… O embaixador, por seu turno, falava por meias palavras, afiançando-me do total empenho da sua capital… Acabou a conversa, estava mais intrigado no final do que no início. A verdade é que só algumas horas mais tarde, quando me reuni com o secretário-geral e, terminada a audiência, ele me chamou à parte para me transmitir o convite para a Aliança das Civilizações é que se fez luz!
Confesso que a minha surpresa foi total, tive de estudar muito, porque não me sentia especialmente preparado para abordar devidamente todas aquelas matérias, complexas e delicadas, de que a Aliança trata. Logo nessa altura, um bom amigo meu disse-me: 'Você tem uma missão impossível.' E, de facto, a imagem que me vem sempre à cabeça quando penso na Aliança é a do mito de Sísifo … Penosos esforços para fazer avançar um rochedo encosta acima, para logo depois resvalar, algumas vezes muito, outras menos…
*
Não há nenhuma relação de causalidade, mas há, sem dúvida, uma certa continuidade e um enorme sentido de urgência em não deixar morrer de desesperança toda uma geração de sírios, em lhes abrir horizontes de futuro e de esperança. E isto não se aplica só aos estudantes, antes se repercute nas famílias, nos amigos... Cada estudante que recebe uma bolsa de estudo é como uma estrela que se acende no horizonte negro que impende sobre as famílias e as comunidades sírias e lhes traz esperança em dias melhores.
Olhando para a Síria, e para a falta de solidariedade da União Europeia face à crise global de refugiados, parece uma causa quase perdida. Mas a verdade é que faz a diferença para muitas pessoas. É esse o caminho para ir mudando o mundo, lutar independentemente da vontade das lideranças políticas, encontrar parceiros e avançar?
Não tenho disso a menor dúvida, mas também não há que ter ilusões: problemas políticos requerem soluções políticas e quanto mais se adiarem as soluções maior será a tragédia, a destruição e as dificuldades.
Um dos laureados deste ano do Prémio Norte Sul, André Azoulay, dizia-me que, “se tomamos em conta a sociedade civil, percebemos que as pessoas têm uma curiosidade pelo outro e um apetite de partilha que não encontramos nos líderes políticos”. Hoje sente o mesmo?
Sinto hoje, como de resto foi sempre essa a minha percepção no quadro da Aliança das Civilizações – há uma enorme disponibilidade, abertura e 'apetite' por parte da sociedade civil, dos jovens, das comunidades locais de cruzar saberes, experiências e visões do mundo, de construir pontes, de animar diálogos e desenvolver cooperações. No âmbito da Aliança das Civilizações, organizámos três escolas de Verão em Portugal e uma em Malta reunindo cerca de uma centena de jovens de todo o mundo – da América Latina, de África, do Médio Oriente, da Ásia, da Europa –, jovens que vinham de Israel e da Palestina, da Índia e do Paquistão, de Gaza, do Irão, de Caxemira … A forma como, em poucos dias, estes jovens conseguiam construir uma dinâmica de diálogo e de desenvolver um relacionamento cooperativo de descoberta e de afeiçoamento mútuos, apesar de tudo os que os separava e dividia, é absolutamente inesquecível.
As revoltas árabes que inspiraram protestos na Europa e nos EUA foram um momento de esperança, arrasado entretanto pelo autoritarismo e pelo extremismo. A UE, sem uma política externa comum efectiva, parece ter já pouco também a dizer aos seus próprios cidadãos. Consegue manter algum optimismo?
Há momentos na vida em que o optimismo deixa de ser um estado de alma para passar a ser um acto de fé na humanidade e, nesse sentido, não nos deixa ser pessimistas. Mas nos tempos que correm, há muitas razões para se estar inquieto.
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http://www.publico.pt/mundo/noticia/a-luta-continua-e-a-mensagem-da-fundacao-mandela-a-jorge-sampaio-1703341

6.822.(28jul2015.7.7') Hostel Rossio Alcobaça

É de saudar quem recupera
com qualidade
edifícios no concelho de Alcobaça...
Aqui está 1 bom exemplo!
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Via face
https://www.facebook.com/pages/Hostel-Rossio-Alcoba%C3%A7a/856329544455115?fref=photo
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25mAIo2018
postei:
bravíssimooooo...Hostel do Rossio, bem no centro da cidade d' ALCOBAÇA que vos abRRaça...Recebe prémio CERTIFICADO DE EXCELÊNCIA 2018...Urge seguir o exemplo...ALCOBAÇA tem de se mobilizar para SABER RECEBER os turistas que nos visitam!!!
 https://www.facebook.com/HostelRossioAlcobaca/posts/1709831185771609
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28jul2015
esTUpendo bom gosto no novo Hostel d'ALCOBAÇA que vos abRRaça...numa esquina da sala de visitas da cidade: Praça 25 de abril,,,
quarto 12

https://www.facebook.com/856329544455115/photos/a.860143504073719.1073741829.856329544455115/861599717261431/?type=1&theater
quarto2

https://www.facebook.com/856329544455115/photos/a.860143504073719.1073741829.856329544455115/860143520740384/?type=1&theater
quarto 3:

https://www.facebook.com/856329544455115/photos/a.860143504073719.1073741829.856329544455115/860143744073695/?type=1&theater

https://www.facebook.com/856329544455115/photos/a.860143504073719.1073741829.856329544455115/860143927407010/?type=1&theater

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quarto 6

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ex-postagem
oito mil seiscentos e trinta e dois
31ag2014
 Boas notícias...Hostel por cima do "Real abadia" (ex-turismo)
Que bom foi ver obras no edifício por cima do Real abadia
e me disseram ser para hostel
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Ouvi dizer que a ex-pensão mosteiro tb vai para hostel
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via alcoa
ATUAL 7 Hostel
http://www.oalcoa.com/predio-do-centro-da-cidade-da-lugar-a-novo-hostel/#.VBq0usU0g68.facebook
ai nascer um hostel no centro da cidade de Alcobaça. A nova unidade de alojamento local vai ganhar vida no primeiro e segundo andar do edifício do antigo posto de turismo, junto aos CTT. A ideia de Clara Libório, arquiteta, surgiu há cerca de dois anos mas só agora começou a ganhar forma. O hostel, estrangeirismo sinónimo de hospedaria, vai ocupar os dois andares de cima do prédio e vai ter capacidade para cerca de 30 dormidas. “Vamos ter dormitórios com quatro camas, quartos simples com duas camas e suites com cama de casal. Depois vamos ter as áreas comuns, como a cozinha, a sala de estar e também um espaço no exterior onde as pessoas poderão até fazer as suas refeições”, explicou Clara, a mentora do projeto, adiantando que “é um tipo de turismo que em Alcobaça faz sentido e tem procura”.
(Saiba mais na edição em papel de 18 de setembro de 2014)
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Via cister.fm

HOSTEL NASCE EM PRÉDIO DO ANTIGO TURISMO DE ALCOBAÇA



Deverá entrar em funcionamento na primavera do próximo ano um Hostel no edifício do antigo posto de turismo de Alcobaça, junto à Praça 25 de Abril, próximo do Mosteiro.

“No primeiro e segundo andar do edifício vai ser criada uma unidade de alojamento local”, explicou Clara Libório, arquiteta do projeto, explicando que o mesmo irá seguir o conceito de “um hostel”.

De acordo com a empresária, a unidade terá 14 quartos duplos que poderá acolher 28 pessoas.

“Fornecer um preço acessível, num espaço com qualidade e conforto, dirigido ao turista cultural” é o objetivo deste projeto em curso, que também quer pertencer ao quadro de experiencias que os frequentadores destes espaços procuram nas suas visitas.
“O primeiro turista de hostel na Europa era o turista de mochila às costas e hoje em dia o turista urbano vem ao local em busca de experiências. Este tipo de alojamento fornece um pouco dessas experiências. Além de visitar o património local, o visitante tem um pouco de troca de experiências, nomeadamente nos espaços comuns, que serão aqui criados, destinados ao convívio entre os próprios visitantes”.
A privacidade é outra das características deste novo projeto em preparação.
“Vamos ter quartos duplos, algumas suites com casa de banho privativa, mas sem dormitórios, o que é uma garantia de privacidade e qualidade do alojamento”, adiantou a empresária.
O edifício vai passar, agora, por algumas obras, que a arquiteta do projeto classifica como “recuperação”.
Hostel nasce em prédio do antigo turismo de Alcobaça
Deverá entrar em funcionamento na primavera do próximo ano um Hostel no edifício do antigo posto de turismo de Alcobaça, junto à Praça 25 de Abril, próximo do Mosteiro.
“No primeiro e segundo andar do edifício vai ser criada uma unidade de alojamento local”, explicou Clara Libório, arquiteta do projeto, explicando que o mesmo irá seguir o conceito de “um hostel”.
De acordo com a empresária, a unidade terá 14 quartos duplos que poderá acolher 28 pessoas.
“Fornecer um preço acessível, num espaço com qualidade e conforto, dirigido ao turista cultural” é o objetivo deste projeto em curso, que também quer pertencer ao quadro de experiencias que os frequentadores destes espaços procuram nas suas visitas.
“O primeiro turista de hostel na Europa era o turista de mochila às costas e hoje em dia o turista urbano vem ao local em busca de experiências. Este tipo de alojamento fornece um pouco dessas experiências. Além de visitar o património local, o visitante tem um pouco de troca de experiências, nomeadamente nos espaços comuns, que serão aqui criados, destinados ao convívio entre os próprios visitantes”.
A privacidade é outra das características deste novo projeto em preparação.
“Vamos ter quartos duplos, algumas suites com casa de banho privativa, mas sem dormitórios, o que é uma garantia de privacidade e qualidade do alojamento”, adiantou a empresária.
O edifício vai passar, agora, por algumas obras, que a arquiteta do projeto classifica como “recuperação”.

27/07/2015

9.912.(27jul2015.14.41') Pina Bausch

Nasceu a 27jul1940
e morreu a 30jun2009
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Via Pensador:
“Então você pode vir me buscar, homem que eu amo, seja você quem for. Porque eu estou pronta. Você vai chegar de repente e vai ser grande e forte e ter um cheiro bom ao qual eu não vou resistir. Você vai olhar pra mim e eu vou entender e eu quero te tocar em um pequeno sorriso e embora pareça absurdo eu sei que a gente não vai precisar dizer nada um para o outro. E você vai me fazer ser valente e não ter medo de curvas arriscadas e quedas livres. Vai só me fazer desaparecer, ao seu lado.”
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Um campo florido guardado por cães pastores simboliza as dualidades humanas: de um lado o desejo, o sonho e a esperança. De outro, a realidade.” 
Frases - http://kdfrases.com

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Via
http://www.snpcultura.org/vol_dancar_forma_de_amar.html
Dançar é uma forma de amar
Foto
1. 
Entre mesas e cadeiras desertas, um corpo vestido de branco. Atravessa o espaço de olhos cerrados e lança-se contra a parede cinzenta. Uma e outra vez. Corpo cansado, indefeso. Encosta-se, enrola-se, abraça-a como se fosse sua a pele do muro. Não é. É a dor, consciente de si. Abandono. Cegueira. Outro olhar não será possível sobre o terrível esplendor da perda, num palco tão cheio de ausência. O corpo esguio e desaparecente percorre o lugar lentamente, ou numa súbita urgência, e desenha a vertigem: um círculo em redor do vazio. É a embriaguez sonâmbula da insone. Tão frágil o seu corpo. Fantasma. Só, no seu lamento. Mesmo estando lá o seu duplo, ergue-se à nossa frente o desencontro e a impossibilidade do abraço. Como na ária que escutamos: o violino toca desencontrado da voz da soprano.
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Iijima Atsushi/Getty Images
2. 
Será o mais íntimo de cada um este confronto matricial com os fantasmas? Um delírio sonâmbulo. De olhos fechados. Tacteando. Esbracejando por alguém – o eu, o outro – que não pode ser seu, regressando novamente à obscuridade, de onde o queríamos resgatar ou ser resgatados. Incapazes de agarrar o vazio - a parede contra a qual nos atiramos à espera. Num pedido repetido de braços esticados, a que a resposta tarda. E recomeça tudo outra vez. Um corpo cai, levanta-se, cai e levanta-se, cai… (e ouvimos Titânia repetir insistentemente a mesma frase: o let me weep, forever).
Foto
Duisburger Philharmoniker
3.
A repetição é da ordem do tempo sagrado. Uma forma de entrada no tempo inumano da eternidade: sem princípio nem fim, eterno retorno circular, sem disrupção nem desatenção. Mas a repetição obsessiva e compulsiva é também sinal de um mal-estar humano, de uma angústia que se procura exorcizar pelo ritual repetitivo, e que se torna perturbação incontrolável e ainda mais angustiante3. Perante a repetição dos gestos dos bailarinos, essa esteriotipia encenada, na sua desmesura, o público sente desconforto, deixa a sua zona de segurança. Já não vê apenas um desequilíbrio na ordem temporal, experimenta-o no excesso.
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Fabian Cevallos/Corbis Sygma
4.
Os gestos repetidos dos seus bailarinos são à imagem do paciente tecer e desfazer de Penélope, que ainda espera o que vem. E que se distingue da repetida tarefa absurda de Sísifo pela possibilidade de um fim. O inferno – o de Sísifo e o nosso - é a impossibilidade do fim: querer morrer e não poder. Mas aqui há ainda e sempre uma saída. No palco, como na rua, o pano cai. E o fim, sabe o corpo, é horizonte que liberta. O limite é condição de começo, de possibilidade. Para aquela que dança, a obediência aos limites do seu corpo não é escravatura, mas o principio de libertação. Nesse corpo-limite vulnerável cria desenhos que são nascimento de outro modo de habitar e se orientar no mundo, que provocam um deslocamento de ponto de vista. Uma saída.
Foto
Foto
5.
Quem escuta ainda o corpo febril da Pitonisa, quem se vê naquela que nada vê? Ela era Tirésias dançando aquilo que mais ninguém sabe. A cegueira era nela excedência do olhar e não falta – como o rosto de Moisés, que tinha de ser coberto por um véu depois de falar com Deus porque ninguém aguentava o seu brilho. O corpo de Pina estava um passo à frente, sabia primeiro e antes de qualquer pensamento chegar. Sabia antes de saber que sabia. E sobre o palco, como sobre o célebre pórtico de Delfos, um repto é lançado: só uma vida reflectida merece ser vivida. É preciso coloca-la em palco. E não será uma contradição querer ver a obscuridade com os holofotes ligados?

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6.
Ela não recusou o palco. É a ele que a rua sobe, onde a sua linguagem é transfigurada em poema-imagem: espelho que deforma para nos vermos melhor. Ternura e crueldade, baile e luto, o desejo e o conflito dos corpos, o sexo e os sexos. Ela conhecia profundamente a arte dodesiquilibrismo, da arritmia. E tanto podia dançar a sua íntima respiração atenta, como reordenar o caos de um mercado ou praia. Tornava a angústia tangível e celebrava a alegria mais incontida. E mesmo na mais lacrimosa violência, na terra devastada, nas feridas mais abertas, desprendia-se a beleza desarmante. A beleza. De quem, estando no mundo, inaugura nele um reino que não é deste mundo - e por isso ameaça-o de destruição, porque pode renová-lo, recriá-lo a partir dos destroços. Como só o amor pode.

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7. 
Dançar é uma forma de amar. Desse amor que expulsa os amantes do mundo, dizia Hannah Arendt. Amor que é, por isso, força antipolítica e, ao mesmo tempo, a raiz de todas as revoltas que querem justiça, mostraram-no Antígona e Prometeu. Da mesma maneira que o amor, a obra de arte expulsa do mundo, para a ele fazer regressar. Já outro. Uma passagem, uma porta-giratória: Pina oferece sempre uma saída, que é uma entrada num mundo mais largo. Mesmo que para lá chegar seja preciso abrir a porta para a noite mais cruel, aquela que proibiram de abrir.

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8.
A poesia tem a sua origem mítica no confronto com a morte – o absoluto fora do mundo, porque a morte não é experiência possível. Como o amor, como a obra-de-arte, também a morte nos expulsa, mas de forma absoluta. É a im-possível. E dela só pode dar testemunho aquele que desceu à sombra e se tornou vestígio dessa descida impensável e intestemunhável ao reino dos mortos. E uma testemunha só o é porque transporta algo deintestemunhável que fica necessariamente oculto, obscuridade essen­cial, experiência pessoal incomunicável de um conhecimento que queima e cega. Reduto do indizível. E quando ela dançava, ou fazia dançar,testemunhava o intestemunhável do testemunho. O seu corpo apontava: Vê, a Noite, ela mesma, está aqui.

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9. 
Disse: “Por vezes, queremos falar de qualquer coisa e chegamos lá muito perto. Mas compreendemos, também, que é tão importante que parece estúpido só o facto de o mostrar. Então é como se o “vestíssemos” com outra coisa, porque mostrá-lo parece-nos arriscado, temos medo. É algo demasiado grande”. E esclareceu: “Há algo de muito mais sério do que aquilo que o público, em geral, pode ver. E existe, está ali, mas não vai ser exibido, porque eu quis escondê-lo. É como se houvesse sempre um grande conflito entre aquilo que queremos tornar claro e aquilo que nos serve para nos escondermos” . Ela lutava contra si própria, de olhos bem fechados, para resgatar Eurídice, mas sem a poder deixar sair do reino subterrâneo. Orfeu volta-se, Pina esconde-se. A obra não ressuscita o morto, aproxima-o do mundo mas já não é deste mundo: os braços fantasmagóricos de Eurídice tornam-se inalcançáveis e ela regressa à escuridão. E nós continuamos, regidos pelo tempo do sol e da lua.

Foto
10.
Ao olhá-la, ao ver o seu ser-corpo que dança, compreendo a verdade da enigmática interrogação de Simone Weil: “Descer num movimento onde a gravidade não tem lugar... A gravidade faz descer, a asa faz subir: que asa à segunda potencia pode fazer descer sem gravidade?”. A resposta encontra-a Simone Weil na lei divina da graça: “A criação é feita do movimento descendente da gravidade, do movimento ascendente da graça e do movimento descendente da graça à segunda potência”. Pina Bausch era também a cheia de graça. A que se atirava ao pó e à cinza, ao chão nosso quotidiano, como ao céu mais puro.

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Remingtong
11.
“O céu dos santos é debaixo dos seus passos a própria terra” – escreveu Philippe Lacoue-Labarthe, pensando em Pasolini. Também por Pina Bausch agora o afirmo, e re-escrevo: na prática, ela foi justa. A sua forma de ascensão é resultado da graça mais elevada, a de segunda potência, a graça que é já movimento descendente. Em direcção à terra, à rua. E só os que não receiam sujar os pés e tocar o putrefacto a conhecem e podem transfigurar. E retomo o suspiro de um outro santo, para repetir envergonhado: tarde te amei.

Título original: Jogos de Luto

Paulo Pires do Vale
Texto escrito para a exposição "Laboratório #4 WAY OUT"
13.10.09 
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Documentário Pina Bausch.flv

https://www.youtube.com/watch?v=UMROFWSVs94
Documentário narrado pela atriz Liz Dias contendo breve biografia de Pina Bausch,
 coreógrafa alemã, falecida em 2009. Fotos de espetáculos, citações de nomes 
e breves sinopses das peças criadas por Pina. A coreógrafa e 
bailarina Pina Bausch (Philippine Bausch), nasceu em 27 de julho de 1940 
na cidade de Solingen, Alemanha. Em 1958, ela se formou na escola Folkwang,
 em Essen, também na Alemanha. Depois ela continuou aprendendo dança nos EUA, 
onde passou três anos e estudou na Juilliard School of Music, em Nova York, 
de 1959 a 1962. O trabalho da bailarina, que estreou como coreógrafa em 1968,
 caracteriza-se por uma junção de teatro e dança moderna, que refletia 
sentimentos humanos como a tristeza e o amor. Entre as suas produções
 mais conhecidas estão "Komm tanz mit mir" ("Vem, Dança Comigo", 1977), 
"Café Müller" (1978), "Keuschheitlegende" ("Lenda de Castidade", 1979) e "Viktor" (1986). 
Parte dos trabalhos da companhia Tanztheather Wuppertal de Bausch tomou por referência
 países por onde passou desde a década de 1980. A coreografia "Rough Cut" é 
dedicada à Coreia do Sul, por exemplo, e "Água", de 2001, é fruto da passagem 
da coreógrafa pelo Brasil. Em 2007 ela ganhou o Prêmio Kyoto, importante prémio de dança, 
em homenagem ao seu trabalho, rompendo a fronteira entre dança e teatro e estabelecendo
 um novo parâmetro da arte teatral. No mesmo ano, o Festival de Dança da Bienal de Veneza
 premiou a bailarina com o Leão de Ouro pelo conjunto de sua obra. O trabalho de Bausch pode 
ser visto também no filme "Fale com Ela" (2002), de Pedro Almodóvar, que apresenta as coreografias
 "Masurca Fogo" e "Café Müller". Pina Bausch morreu aos 68 anos no dia 30/6/2009 em Wuppertal, Alemanha, vítima de câncer.Era diretora artística do Teatro de Dança de Wuppertal desde 1973.
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Orfeu e Eurídice
https://www.youtube.com/watch?v=lDJFMvU2ZqY
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Café Muller
https://www.youtube.com/watch?v=36s1UxPM9LA
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Fall Dance
https://www.youtube.com/watch?v=yfoheZr5gbc
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Pina Bausch Documentary 1991 - Espanol

https://www.youtube.com/watch?v=snGwb6D-BHE&index=5&list=RD36s1UxPM9LA
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Tribute
https://www.youtube.com/watch?v=yfoheZr5gbc
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Via Cláudia Cláudio

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10207889568863492&set=a.3401894092500.2170502.1424263286&type=1&theater
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viktor.1986
Viktor. 1986
http://5dias.net/2009/07/01/pina-bausch-1940-2009-o-metodo-e-o-amor/
Em 1982, algum tempo antes de Dezembro, no estúdio de Wuppertal onde concebia as suas obras, é certo que Pina Bausch se sentou com os seus colaboradores e bailarinos e lhes perguntou: digam ou façam “qualquer coisa sobre o primeiro amor”; “como imaginavam o amor quando eram crianças?”; “duas frases sobre o amor”; “como imaginam o amor?”; “se alguém vos quer obrigar a fazer amor, como reagem?”; destas questões saíram os gestos, movimentos, cenas, situações, narrativas ou micronarrativas de Nelken, como de muitas outras questões nasceram muitas outras obras. Trata-se, ou tratava-se, como se sabe, do método de trabalho criativo coreográfico de Pina Bausch. Para cada obra, tinha a autora um sortido de palavras, palavras soltas, que depois se combinavam em expressões, questões, frases – por exemplo, se se partia da palavra “ternura”, podia-se ir parar à necessidade de “seres terno contigo mesmo”, e daí para uma sucessão de ocorrências que geravam uma obra de teatro ou de dança ou de teatro-dança. Todas as obras de Pina Bausch assim começavam: na relação entre questões e improvisação, das questões e a partir das questões, era necessário fazer dezenas, centenas, milhares (como a autora referia) de perguntas aos bailarinos, era, consequentemente, necessário em absoluto ficar suspenso naquele impressivo fio da navalha e naquela angústia de estar “dependente” dos outros para fazer nascer a obra própria, os movimentos despegados da coesão clássica do próprio movimento (e da sua narratividade), chegar à história para aportar ao fragmento. Ora, a angústia resultava do facto de, “por vezes, não sair nada”. Inevitavelmente. Nunca é pois demais sublinhar que em Bausch a palavra antecedia o movimento, a conversa, o diálogo, aquela estranha comunhão autoral colectiva (sim, porque não?), antecedia a decisão autoral individual que aproximava, quando aproximava, a obra daqueilo que ainda, apesar de tudo se chamava “Dança” (e note-se que todos os seus bailarinos tinham – têm – rigorosa formação clássica). Este método é interessantíssimo no actual contexto da produção e da valorização, digamos, capitalista, pois daqui não só poderia sair “nada” (uma “improdução” absoluta e estética), como, a sair, saía muito lentamente, Bausch falava sempre do tempo largo que necessitava para criar (juntamente com os “seus”). Temos, portanto, primeiro o nada, depois o fragmento, depois a pergunta, a resposta, a frase e a arte de uma cerzideira de restos ou “totalidades” que embatiam noutras “totalidades” sem formar UMA “totalidade”. É aqui extremamente interessante também ler relatos de alguns bailarinos(as) de formação clássica que precisavam de trabalhar o corpo em exercícios regulares técnicos e, em vez disso, tinham de se sujeitar a estes jogos de perguntas/respostas ou, acima de tudo, creio-o bem, sessões de contenção corporal, de, como diria Alain Badiou noutro contexto, gestos de “negação da obediência imediata a impulsos”. A dança era uma espécie de negação de si mesma, isto se entendêssemos a dança como a arte de “obedecer ao impulso”, que aqui era banida, pois tratava-se antes de “guardar”, “esperar”, habitar o tempo sem limite de tempo (se fosse caso disso). Maurice Nadeau, em 1958, falava do surrealismo como de um cruzamento entre o maravilhoso, o inconsciente, o sonho e a loucura, e os estados alucinatórios. Será este o contexto da obra de Pina Bausch? Muitos ligam-na ao surrealismo, outros ao dadaísmo, outros a ambos (o Routledge Companion to Theatre and Performance), recordando não apenas o contexto da dança expressionista, mas também autores como Alfred Jarry ou Artaud. Por mim, recordo-me de me ter “zangado” com este universo ao ver, pela primeira vez (depois de ter visto várias peças), a obra Viktor, realizada a partir de uma estadia em Roma (que inauguraria uma série de obras que resultavam das famosas relações entre a companhia de Bausch e cidades em particular, por onde passaria também Lisboa, na obra Mazurca Fogo). Porque vi ali um registo de pessimismo e de incomunicabilidade que se me afigurava demasiado insistente. Mas, pouco depois, li correctamente tudo ao contrário, e, em Café Müller, de 1978, tornara-se claro que um dos temas da autora era o amor. Neste lúgubre café há um inesquecível “encontro” entre o bailarino eleito de Bausch, Dominique Mercy, e uma mulher: ela sobe para o colo de Mercy, abraça-o, ele aparentemente nada faz (apesar de ser “ensinado” por um terceiro) e ela cai ao chão – tudo se repete infinitas vezes. Pode não parecer, mas Mercy é o paradigma ou símbolo do amor, nesta situação aflitiva. Porque o amor não é um contrato fechado, completo e pelo menos desde S. Paulo sabemos que só o ser incompleto pode amar. Mercy, assim, nunca se “completa” com a mulher que se lança infindas vezes aos seus braços – por isso, o infinito pode repetir-se até ao infinito. É este o retrato da infinitude e da imperfeição do amor. - See more at: http://5dias.net/2009/07/01/pina-bausch-1940-2009-o-metodo-e-o-amor/#sthash.pw9to5yz.dpuf