26/11/2015

5.228.(26noVEM2015.7.7') 75RC2013.2017...30noVEM2015.14h.30' (era para ser a 23)...Aqui ficará a Ordem de Trabalhos e o registo pessoal da Vereadora Vanda Marques

em construção
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Estava prevista para 23
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Via Cister.fm
Posição do Vereador CDS:
Na sequência da reunião de câmara de 30/11/2015, fiz as seguintes considerações:
1. Saudei a Câmara Municipal sobre a exibição do vídeo mapping “Luz do Amor” integrado na edição deste ano dos “Doces Conventuais”. Afirmei em reunião de câmara que esta iniciativa cumpriu na íntegra os seus objectivos. Um dos riscos que se corria era que os “Doces Conventuais” pudessem vir a estagnar, dado que este evento já tem réplicas em muitos concelhos do país. Contudo, esta inovação permitiu com sentido de oportunidade dar outra visibilidade ao evento. Assim, como sempre afirmamos quem está na oposição deve criticar quando se justifica e elogiar quando há motivos o fazer, como foi este o caso.
2. Na mesma reunião levantei uma questão relativamente ao estacionamento na Rua do Castelo em Alcobaça. Depois de ser alertado por vários moradores que remeteram uma missiva em Fevereiro deste ano ao município e queixam-se da falta de resposta relativamente à dificuldade de estacionar naquela via. O que os moradores apenas pretendem é que se estude a rua e a possibilidade de disciplinar o estacionamento. Em resposta o Presidente da Câmara afirmou que desconhecia a missiva e assumiu o compromisso de rapidamente reunir a respectiva comissão de trânsito e dar uma resposta. Vamos então aguardar…
Carlos Bonifácio
Vereador do Município de Alcobaça

24/11/2015

2.853.(24noVEM2015.7.7') Um desabafo...TÍTULOS DE JORNAIS...

Caros e Caras 
Jornalistas
Um bom dia
e votos de um bom trabalho...
Hoje não foi possível enviar um comunicado da Coordenadora da CDU...
Aproveito para um desabafo...
Façam dele o que entenderem...

Aquel'abRR ação
Rogério Raimundo
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Títulos de jornais
(A propósito dos escândalos da água e do saneamento
Na gestão PSD do município de Alcobaça)

Vi muitos títulos de notícias sobre a CDU depois de ter estado na reunião de câmara de 30 de outubro de 2015, cuja síntese pessoal pode ser lida aqui:

Com base na mesma reunião nunca encontrei um título assim:
CDU está contra o pagamento do tratamento da água da chuva;
CDU está contra o pagamento de água que não se consome;
CDU está contra a não contratação de trabalhadores para realizar mais saneamento e mais abastecimento de água;
PS e CDS deixaram passar, sem abrirem a boca, o escândalo do pagamento de muitos milhões de euros de água que não se consome e do pagar do tratamento da  água da chuva que entra nas nossas ETAR’s…
Interrogo-me porque é que assuntos que são uma vergonha, são gestão danosa, são prejuízo de muitos milhões de euros para o município, nunca tiveram o “tempo de antena” que mereciam nos jornais do nosso concelho. 

Rogério Raimundo
24novembro2015
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Via Benedita.fm
http://www.beneditafm.pt/?p=25949

Alcobaça: As propostas da oposição que entram no orçamento da CMA e as que ficam de fora


O Orçamento Municipal para 2016 foi aprovado na passada sexta-feira apesar dos votos contra de PS e CDS, que pela primeira vez este mandato rejeitaram oalcobaca.ALCOBACA_CAMARAgk-is-166documento anual.
Rogério Raimundo, que substituiu Vanda Marques na reunião onde decorreu a votação, absteve-se, permitindo a aprovação do orçamento.
O documento irá agora ser votado em Assembleia Municipal, onde a CDU poderá mudar o sentido de voto, uma vez que, segundo Vanda Marques, a CDU tinha intenção de votar contra o documento, sendo que a decisão do seu substituto surpreendeu a própria vereadora dos comunistas.
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Em declarações à Benedita FM Rogério Raimundo explicou o porque desta alteração no sentido de voto. Segundo o responsável da CDU, a autarquia terá aceite pela primeira vez propostas da oposição, mudando a sua forma de atuar em relação ao passado na votação deste tipo de documento político.
Segundo Rogério Raimundo, as propostas apresentadas pela CDU foram aceites pela autarquia. “Debates estratégicos e reuniões descentralizadas da autarquia, respostas de rendas sociais para famílias carenciadas, criação de postos de trabalho para famílias carenciadas nas instituições através da rede social de freguesias” eram as propostas da CDU, perante as quais e “face ao sinal positivo e compromisso forte” que diz ter sido garantindo pela autarquia, Rogério Raimundo decidiu mudar o sentido do voto abstendo-se.
PS considera “curtas” as garantias deixadas pela autarquia
Do lado do PS Eugénia Rodrigues considera curtas as garantias “verbais” dadas acerca de algumas das propostas socialistas. apesar da autarquia ter aceite implementar o subsidio de natalidade, reduzindo no entanto a proposta dos socialistas para metade do valor, cerca de 500 euros em produtos comprados na região para famílias que tenham filhos e residindo no concelho, os vereadores votaram contra o orçamento.
A medida incluída no orçamento com uma previsão de 240 mil euros. uma verba que não satisfaz os socialistas.
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Segundo a vereadora Eugénia Rodrigues as garantias dadas pela autarquia sobre as três propostas apresentadas na passada segunda-feira pela autarquia são insuficientes, “face aos aumentos de receita por via de impostos diretos” nomeadamente IMI, registados nos últimos dois anos.
Os socialistas proponham ainda medidas de apoio à fixação de empresas e criação de postos de trabalho, remetida para a Assembleia Municipal segundo o executivo em funções. Foi ainda aceite o aumento em cinco das bolsas de estudo atribuídas pela autarquia.
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Respostas que os socialistas consideram insuficientes, recusando ainda votar a favor de um orçamento onde garantem, não compreendem muitos dos valores inscritos, nomeadamente para projetos como o que foi inscrito para o Mercoalcoa, de 1,5 milhões de euros, ou 600 mil euros para o Parque de Campismo de Alcobaça.
CDS votou contra pela primeira vez 
No CDS, Carlos Bonifácio, vereador na Câmara Municipal, justifica o primeiro voto contra dos centristas neste mandato com a falta de abertura demonstrada pela autarquia para ouvir as suas propostas. Carlos Bonifácio queixa-se de que a sua força política não foi ouvida em reunião ao contrário das restantes e que as suas propostas não mereceram resposta no orçamento.
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O CDS defendia que a Loja do Cidadão em Alcobaça deveria ser colocado num outro espaço fora do Mercado Municipal e ainda proponha valores para os documentos previsionais sobre projetos como as zonas industriais em Pataias e Benedita, reposição da feira do Gado na Benedita ou alterações no modelo de funcionamento e gestão do Parque de Negócios de Alcobaça. Questões que garante Carlos Bonifácio, não foram tidas em conta pela autarquia.
Para a Aleb o CDS-PP apontava para um “valor estimativo” de 150 mil euros para 2016.
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Orçamento deverá ser discutido em Assembleia Municipal durante mês de novembro. Os votos dos presidentes de junta podem ser decisivos na aprovação tanto do orçamento como dos documentos previsionais.
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Via região de cister

CDU viabiliza orçamento da Câmara de Alcobaça

 camara-alcobaca.jpg
http://www.regiaodecister.pt/pt/noticias/cdu-viabiliza-orcamento-da-camara-de-alcobaca
A CDU absteve-se, esta sexta-feira, na votação do orçamento da Câmara de Alcobaça para 2016 e viabilizou o documento apresentado pela maioria relativa do PSD.
As socialistas Eugénia Rodrigues e Alexandrina Lourenço (esta em substituição de José Canha) e o vereador do CDS-PP, Carlos Bonifácio, votaram contra o orçamento, no valor de 37 milhões de euros. 
Rogério Raimundo, que participou na reunião em substituição de Vanda Furtado Marques, justificou a abstenção, e a inversão no sentido de voto contra da CDU, devido às promessas que recebeu de Paulo Inácio de mudança "de práticas, desenvolvendo um conjunto de reuniões descentralizadas da Câmara, contratando parcerias para empregos para respostas de emergência e criando respostas de renda apoiada, num trabalho em rede, que já existe nas freguesias",
Na Benedita, à margem da inauguração da Praça Damasceno Campos, o chefe do executivo municipal mostrou-se "surpreendido" com os votos contra de PS e CDS-PP. "A Câmara aceitou todas as propostas da oposição que estavam previstas no orçamento, numa abertura construtiva da minha parte relativamente ao que foi apresentado. Fiquei surpreendido com os votos contra. Diria que mais de 90% das propostas foram aceites, até porque já constavam do nosso projeto", frisou Paulo Inácio, garantindo que a postura do PSD na elaboração do documento "foi de diálogo" e as "preocupações dos vereadores ficaram plasmadas no orçamento".
Em comunicado, o PS/Alcobaça justificou o voto contra, considerando que seria "expectável" que o Orçamento para 2016 e o Plano Plurianual de Investimentos "refletisse finalmente, uma ideia e estratégia para o concelho", o que os socialistas entenderam não se verificar. "Não é com agrado que votamos contra, mas sim na esperança que este voto mostre e demonstre que é possível fazer mais e melhor", defende a estrutura liderada por César Santos.
O PS abstivera-se nas votações do orçamento do município nos últimos dois anos, tal como Carlos Bonifácio (CDS-PP), que considerou ter votado contra aquele que é "globalmente um dos piores planos e orçamentos de sempre, o que evidencia uma total falta de planeamento e um completo vazio estratégico". O antigo vice-presidente da Câmara revelou que o CDS-PP não foi abordado pela maioria para "possíveis entendimentos", contrariamente "ao que aconteceu com outras forças políticas", lamentando que as propostas que apresentou não tenham sido tidas em conta por Paulo Inácio.
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até deu 1.ª página no ALCOA!!!
https://www.facebook.com/oalcoa/photos/a.330641550287640.87229.330628883622240/1075769405774847/?type=3&theater
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uau...tanto tempo de antena
http://www.oalcoa.com/vanda-marques-contra-abstencao-de-rogerio-raimundo/
Em Alcobaça, o orçamento municipal para 2016, de cerca de 37 milhões de euros, foi aprovado com os votos contra do PS e CDS-PP que, pela primeira vez neste mandato rejeitaram o documento, e com a abstenção do antigo vereador Rogério Raimundo, da CDU, que substituía a atual vereadora, Vanda Marques, na reunião da votação.
Rogério Raimundo, cuja abstenção viabilizou o orçamento, justifica a sua decisão com o facto da autarquia ter mudado a sua forma de atuar em relação ao passado, de ter passado a considerar pela primeira vez propostas da oposição, inclusivamente da CDU. Mas esta argumentação não é secundada pela vereadora da CDU em efetividade de funções. Em declarações a’O ALCOA, Vanda Marques referiu que a sua “decisão era votar contra porque o orçamento continua a não ser transparente, porque há falta de estratégia e de incumprimento de algumas promessas e as ideias da CDU continuam a não ser ouvidas”, acrescentando que “deveríamos ter votado contra, mas agora não há grande coisa a fazer”. O documento irá agora ser apreciado em Assembleia Municipal, onde a CDU poderá mudar o sentido de voto, intenção que, segundo Vanda Marques, tem o seu partido, votando contra.
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23/11/2015

2.834.(23noVEM2015.14.14') José Luandino Vieira

Nasceu a 4mai1935
em Ourém
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http://www.elfikurten.com.br/2015/05/jose-luandino-vieira.html
"Pode mesmo a gente saber, com a certeza, como é um caso começou, aonde começou, por quê, pra quê, quem? Saber mesmo o que estava se passar no coração da pessoa que faz, que procura, desfaz ou estraga as conversas, as macas? Ou tudo que passa na vida não pode-se-lhe agarrar no princípio, quando chega nesse princípio vê afinal esse mesmo princípio era também fim doutro princípio e então, se a gente segue assim, para trás ou para frente, vê que não pode partir o fio da vida, mesmo que está podre nalgum lado, ele sempre se emenda noutro sítio, cresce, desvia, foge, avança, curva, para, esconde, aparece... e digo isto, tenho minha razão. As pessoas falam, as gentes que estão nas conversas, que sofrem os casos e as macas contam, e logo ali, ali mesmo, nessa hora em que passa qualquer confusão, cada qual fala a sua verdade e se continuam falar e discutir, a verdade começa dar fruta, no fim é mesmo uma quinda de mentiras, que a mentira é uma hora da verdade ou o contrário mesmo. [...] O fio da vida que mostra o quê, o como das conversas, mesmo que está podre não parte. Puxando-lhe, emendando-lhe, sempre a gente encontra um princípio num sítio qualquer, mesmo que esse princípio é o fim doutro princípio. Os pensamentos, na cabeça das pessoas, têm ainda de começar em qualquer parte, qualquer dia, qualquer caso. Só o que precisa é procurar saber." 
- Xica Futa, em “Estória do ladrão e do papagaio”. in: "Luuanda" de José Luandino Vieira. São Paulo: Ática, 1982, p.52.
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José Luandino Vieira é pseudónimo literário de José Vieira Mateus da Graça é um escritor angolano.
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lançamento a 24noVEM2014

https://www.facebook.com/fundacaocaloustegulbenkian/photos/a.57085473906.71677.49386033906/10153253820493907/?type=3&theater
Durante os anos em que foi preso político em Angola e Cabo Verde, José Luandino Vieira escreveu um diário, correspondência e vários apontamentos que agora são compilados em livro, para o qual a Fundação Calouste Gulbenkian deu o seu apoio.
 Eduardo Lourenço e Arnaldo Santos apresentam esta obra, na presença do autor.

Saiba mais: http://bit.ly/1lyjWZZ

#Gulbenkian
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http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_africana/angola/luandino_vieira.html
nascido na Lagoa do Furadouro (Portugal)  é cidadão angolano pela sua participação no movimento de libertação nacional e contribuição no nascimento da República Popular de Angola. Passou toda a infância e juventude em Luanda onde frequentou e terminou o ensino secundário. Trabalhou em diversas profissões até ser preso em 1959 (Processo dos 50), é depois libertado e posteriormente (1961) de novo preso e condenado a 14 anos de prisão e medidas de segurança. Transferido, em 1954, para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde passou 8 anos, foi libertado em 1972, em regime de residência vigiada em Lisboa. Iniciou então a publicação da sua obra na grande maioria escrita nas diversas prisões por onde passou.

Depois da Independência foi nomeado para a Televisão Popular de Angola, que organizou e dirigiu de 1975 a 1978; para o D. O. R. (Departamento de Orientação Revolucionária do MPLA) que dirigiu até 1979; para o I. A. C. (Instituto Angolano de Cinema) que organizou e dirigiu de 1979 a 1984.

Membro fundador da União dos Escritores Angolanos exerceu a função de Secretário-Geral desde a sua fundação – 10-12-1975 – até 31-12-1980.

Foi Secretário-Geral Adjunto da Associação dos Escritores Afroasiáticos, de 1979 a 1984; e de novo Secretário-Geral da União dos Escritores Angolanos, de 1985 a 1992.

Após o colapso das 1.ªs eleições em 1992 e do recrudescimento da guerra civil, abandonou a vida pública, dedicando-se unicamente à literatura. 
Fonte da biografia e foto: http://html.editorial-caminho.pt


CANÇÃO PARA LUANDA

A pergunta no ar
no mar
na boca de todos nós:
– Luanda onde está?
Silêncio nas ruas
Silêncio nas bocas
Silêncio nos olhos

– Xê
mana Rosa peixeira

– Mano
Não pode responder
tem de vender
correr a cidade
se quer comer!

“Ola almoço, ola amoçoéé
matona calapau
ji ferrera ji ferrerééé”
 – E você
mana Maria quitandeira
vendendo maboque
os seios-maboque
gritando
saltando
os pés percorrendo
caminhos vermelhos
de todos os dias?
 “maboque m’boquinha boa
dóce dócinha”

– Mano
não pode responder
o tempo é pequeno
para vender!

Zefa mulata
o corpo vendido
batom nos lábios
os brincos de lata
sorri
abrindo seu corpo

– seu corpo-cubata!
Seu corpo vendido
viajado
de noite e de dia.
    – Luanda onde está?

Mana Zefa mulata
o corpo cubata
os brincos de lata
vai-se deitar
com quem lhe pagar
– precisa comer!

– Mano dos jornais
Luanda onde está?
As casas antigas
o barro vermelho
as nossas cantigas
trator derrubou?

Meninos nas ruas
caçambulas
quigosas
brincadeiras minhas e tuas
asfalto matou?
– Manos
Rosa peixeira

quitandeira Maria
você também
Zefa mulata
dos brincos de lata
                       – Luanda onde está?

Sorrindo
as quindas no chão
laranjas e peixe
maboque docinho
a esperança nos olhos
a certeza nas mãos
mana Rosa peixeira

quitandeira Maria
Zefa mulata
– os panos pintados
garridos
caídos
mostraram o coração.
                         – Luanda está aqui!

(1957)


NATAL

Branca roupa ao sol
Pirrulas na mulemba
cantam chuva.

Não há estrela-guia
sol-caju brilhando
pelos caminhos antigos
pés gretados batidos
vem todos.
... vovo Bartolomé enlanguescido
em carcomida cadeira acordado...

... sô Santo
subindo a calçada
a mesma calçada que outrora descia...

... Zito e Dimingas
no maximbombo da linha 4...

... Musunda amigo
         com a firme vitória da sua alegria...

E vê
vêm também
cheirando a suor
as buganvílias
a den den

Pedro monangamba
olhos abertos de amor
na mão e cetro
a pá de trabalhador

Pascoal
(Ué ainda vivo velho Pascoal?!)
a vassoura de mateba
a farda cáqui
da Câmara Municipal.

De Calumbo
o sol do Cuanza

nos seios caju
docinha manga
trouxe Jana.

Vieram também
também vieram
algas verdes na garganta
os três magos da Ilha
– ngoma, reco-reco e violão!  

Branca roupa ao sol
Pirrulas na mulemba
Não havia luar
porque a noite já não era
estrela-guia
e do ventre da mãe negra
o menino nascia.

(1960)


ESTRADA

Luanda Dondo vão,
cento e tal quilômetros
mangas e cajus
marcos brancos
meninos nus

Branco algodão
crescendo
corpos negros
na cacimba

O Lucala corre
confiante
indiferente à ponte que ignora

Verdes matas
Sangram vermelhas acácias
imbondeiros festejam
o minuto da flor anual

Na estrada
o rebanho alinha
pelo verde
verde capim

Adivinhados
caqui lacraus
de capacete giz

Meninos
se embalam
em mães velhas
de varizes:

Rios azuis
da longa estrada

E é fevereiro
sardões ao sol
Cassoalala

Eia Mucoso
tão vazio outrora
tão cheio agora
Adivinhados
permanecem
lacraus caqui
capacetes giz

Não param as colheitas


Que razão seriam
fevereiro
acácias sangrando vermelho
verdes sisais
cantando o parto
da única flor?

Não param as colheitas!

(1963)       


BUGANVÍLIA

Branca a buganvília explode
no odiado muro em frente

à volta a vida berra crente
e o negro sangue estanca

vermelha a buganvília
rompe o muro da frente

(1962])


GIRASSÓIS

Tem girassóis amarelos
o meu quadrado de sol

a vida espancada passa
mas no quadrado de sol
aberto sobre o jardim
os girassóis amarelos
velhos
mostram o fim

(1962])