20/01/2016

4.605.(20jan2016.17.17') 3RC2016 - 27jan2016.quarta.16h...Aqui está a ordem de trabalhos e aqui ficará o registo pessoal da reunião.

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a preto está a ordem de trabalhos (curioso...não consegui..ficou a azul tb)
a vermelho está a minha intervenção
a azul estão as intervenções dos outros
e a leitura de documentação
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a reunião começou às 16h e acabou às 19h 2'
secretariou o CFJurídica Carlos Freire

e a TSJurídica Helena Barbosa
esteve presente o administrador delegado, Eng.º Rilhó para o .14
e o DDUrbanismo, Arq. Ferro, para os 5 pontos da OT, do 12 ao 16.
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Presidente da Câmara abriu os trabalhos:
1. Convidando-nos. para estarmos presentes no próximo dia 8 de Fevereiro (2ª feira), para acompanhar a visita de Sua Excelência o Senhor Ministro da Cultura, Dr. João Soares, estando previsto o seguinte programa:
- 13h Almoço no Museu do Vinho de Alcobaça, seguido de visita ao espaço;
- 15h Visita ao Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça;
Arq. Souto Moura e representante da Visabeiras
- 16h15m: Visita ao Mosteiro de Coz. Aqui vai tentar reforçar a candidatura a Monumento nacional sem esquecer as ruínas das células monásticas...Falta comprar 2 terrenos... Vai tentar adiantar até lá...
Vai convidar personalidades da cultura...
Saul Gomes...
Intervim sugerindo:
Alcobaça tem de ser centro de mundo de Cister (daí que além de Claraval urge unir os municípios portugueses de Cister e reactivar a Associação que tinha sede aqui em Alcobaça)
5.114.
É de fazer um memorando sobre as nossas reivindicações...
A história da Fundação de Portugal...
Não podemos esquecer no Mosteiro que não há só o Claustro do Rachadouro para o hotel...Há o Claustro do Cardeal, a ex-zona do pomar, o jardim do obelisco, o terreno da ex-serração...Muito Estado para activar e dar vida...
A CDU há muito que entende que o 10 de junho deve ser comemorado em Alcobaça...
2. Vai reunir com DG do Tesouro
Museu do Vinho...renda...
passadiço para o Parque verde na zona da Estação JVNatividade
Casas do guarda em pataias...Bombeiros querem...
Casa dos S.Sociais - Aljubarrota...St Casa quer gerir...
3. Voto de louvor ao prémio Parque dos Monges...Vereadora fez...Propus na reunião anterior
4. Carta à CGDepósitos sobre a penhora
Alguém quer intervir...
Ninguém quis
Eu tenho muitos assuntos,
Intervim:
1. A CDU quer agendar um conjunto de pontos em próximas reuniões:
1.1. Educação.Carta Educativa.Perda de alunos para os concelhos vizinhos.Proposta PEDRO E INÊS...
A CDU há 1 ano fez uma proposta para comemorar Pedro e Inês de 6 a 18 jan de cada ano...
6 é dia de reis, 7 é dia da inês morta, 11 é Dia Municipal da educação e 18 jan é dia da morted e D. Pedro I...
Paulo Inácio lembrou-se de informar que a Associação Pedro e Inês mudou de sede para a Lourinhã...

Mantém-se nos Corpos gerentes...
1.2. Calendário reuniões e visitas descentralizadas, nas freguesias, com o PEDAL.53 projectos estratégicos
Presidente informou que já está a acertar a 1.ª visita reunião descentralizada. Será em Alfeizerão, em fevereiro. Já encarregou o Arq. Matias...
1.3. Apoio a pessoas que têm necessidade de habitação e uma das formas é o apoio na renda!
1.4. Criação de emprego.
1.5. Incentivos à natalidade.
1.6. Hotel Claustro Rachadouro.
2. Questões diversas:
2.1. A obra da arriba na Pedra do Ouro está incompleta a norte das escadas de acesso ao areal. Quando há intervenção nessa parte?
5.940.
2.2. A obra do paredão em Paredes da Vitória resolverá grande parte das marés mas os 3 estabelecimentos de praia, em madeira, continuam com fragilidades visíveis, bem como os passadiços...Não vão ser defendidos atempadamente?
9.653.
2.3. São Martinho tem problemas graves e urgentes de resolver...Tds as terras precisam mas esta é de turismo intenso...Como podemos ter uma 
marginal com drenagem pluvial entupida
várias ruas e largos ficam inundados com pequenas chuvadas...
a zona do farol é uma vergonha...
9.619.
PCâmara aproveitou para informar-me, em resposta a 1 mail que lhe enviei,que a zona do farol de São Martinho é da responsabilidade da Docapesca, que vai haver obra...
que vai reunir com a Ministra do Mar, por causa do assoreamento da baía
vai ser demolido o pontão
2.4. ex-escola primária foi comprada pelo município para fazer 1 posto de turismo em Paredes da Vitória
9.439.
Hermínio Rodrigues diz que foi a Junta que comprou.
Mas a Câmara financiou!
PCâmara diz que existe projecto feito pelo Arq. Ferro e lembra a proposta do Vereador José Canha de a demolir é que ficava bem.
Não concordo com a demolição!

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Foi então que a Vereadora Eugénia Rodrigues
também quis colocar alguns assuntos:
- parquímetros...Reunião da Comissão de Trânsito
- pinturas nas estradas e nas passadeiras..segurança na estrada
PCâmara diz que vai avançar empreitada de pintura de 40 mil euros que não é nada...
- Campos de golfe na Pedra do Ouro e eventuais investimentos da câmara neste empreendimento
P:Câmara informou: dunas primárias; 12 mil camas; resinagem e hotel
Vereador Bonifácio acha que  a Câmara devia ter-se interessado mais como no tempo del se interessou, indo a várias reuniões, com os promotores
----ATA DA REUNIÃO ORDINÁRIA REALIZADA NO DIA VINTE E NOVE DE DEZEMBRO DE DOIS MIL E QUINZE – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO-
abstive-me por não estar presente...Foi a Vereadora Vanda Marques que participou... (AÇÃO SOCIAL) 2.
 -------ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE DEFICIENTES – PEDIDO DE APOIOAPRECIAÇÃO E VOTAÇÃO (MGD-E Nº. 23959/15) -
1.600€... Atleta João Miguel Pedro...Ataíja de Cima...Aquisição de equipamento..
Há muito que acompanho o trabalho da APD e dos atletas de Alcobaça no basquetebol e no andebol.
Merecido este apoio! Patrícia Traquina!!!Campeões nacionais!
(AUTARQUIAS) 3. 
-------UNIÃO DE FREGUESIAS DE ALCOBAÇA E VESTIARIA – PEDIDO DE APOIO - APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO (MGD-E Nº. 15710/15) -
7.000€... apoio à festa do 2.º anivº...
(CONTRATAÇÃO PÚBLICA) 4.
 ------- PROC. N.º 003-C-BS-2016 – AD ACORDO QUADRO CENTRAL COMPRAS OESTE - ELETRICIDADE IP - ABERTURA DO PROCEDIMENTO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO (MGD-I Nº. 833/16)-
1.150.200€..Eng. Artur Ribeiro...
Como estamos de receita e despesa com a eletricidade?
Vereador Hermínio Rodrigues diz que está a zero. A despesa da iluminação pública equivale ao que recebemos da EDP das rendas.
Paulo Inácio tem dúvidas se é daqui a 2 anos que termina o contrato e como será depois
E como está a aposta da eficiência energética tantas vezes falada na Oeste.Cim?
Presidente da Câmara diz que há uma candidatura de 10M€ que tem como objectivo reduzir em 30% os custos....
 (CULTURA) 5.
 -------ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ILUSIONISMO E BOSQUE DO ALCOA, LIMITADA – EVENTO ‘FESTIVAL INTERNACIONAL BENEDITA TERRA DE MAGIA’ – MINUTA DE PROTOCOLO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO (MGD-E Nº.20654 /15) -
5.000€... em prestações...20 e 21 maio2016...5 espectáculos: infantil,abertura, close up, internacional e encerramento
(CULTURA) 6.
 -------INSTITUTO NOSSA SENHORA DA ENCARNAÇÃO – COOPERATIVA DE ENSINO E CULTURA, SOCIEDADE E COOPERATIVA DE RESPONSABILIDADE LIMITADA – UTILIZAÇÃO REGULAR DO AUDITÓRIO DO CENTRO CULTURAL GONÇALVES SAPINHO - MINUTA DE PROTOCOLO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO (MGD-I Nº.97/16)-
5.000€... entre 8 a 10 espectáculos...
(CULTURA) 7.
 -------ASSOCIAÇÃO BENEDITENSE CULTURA E DESPORTO – PEDIDO DE APOIO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO (MGD-E Nº.312 /16)-
2.000€..Carnaval...Que critérios?...Na tenda de Alcobaça quanto é o patrocínio da empresa fornecedora das bebidas? 
6 mil euros diz a Vereadora Inês Silva.
PCâmara diz que houve um aumento de 350€ e há 1 nível igual nestes 3 e um maior nível no de Pataias
 (CULTURA) 8.
 -------SPORT UNIÃO ALFEIZERENSE – PEDIDO DE APOIO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO (MGD-E Nº. 23992/15) -
2.000€..Carnaval...Que critérios?
 PCâmara diz que houve um aumento de 350€ e há 1 nível igual nestes 3 e um maior nível no de Pataias
(CULTURA) 9. 
-------HÓQUEI CLUBE DE TURQUEL – PEDIDO DE APOIO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO (MGD-E Nº. 24003/15) -
2.000€..Carnaval...Que Critérios?
PCâmara diz que houve um aumento de 350€ e há 1 nível igual nestes 3 e um maior nível no de Pataias
(CULTURA) 10.
 -------COCAPA – COMISSÃO ORGANIZADORA DO CARNAVAL DE PATAIAS – PEDIDO DE APOIO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO (MGD-E Nº. 903/16) -
4.500€..Carnaval...Aqui há documentação explicativa e orçamento de 50 mil euros...Pediram 7.500€
 PCâmara diz que houve um aumento de 350€ e há 1 nível igual nestes 3 e um maior nível no de Pataias
(FINANÇAS LOCAIS) 11.
 -------NORMA DE CONTROLO INTERNO – REVISÃO - APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO (MGD-E Nº. 903/16)-
RETIRADO (GESTÃO URBANÍSTICA) 12.
 -------CASAISTONE, LIMITADA - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO INTERESSE PÚBLICO MUNICIPAL NA REGULARIZAÇÃO DE ESTABELECIMENTO OU INSTALAÇÃO - APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO -Manter o indeferimento por ser exploração ilegal, ter menos de 2 anos de actividade
6 votos a favor
Voto contra, apesar de saber mbem a importância da Ribeira do Môgo, porque:
1. De 2009 a 2013 não houve o debate reclamado pela CDU sobre esta questão das pedreiras e da pedra. A CDU requereu a presença dos técnicos que acompanhavam esta importante frente.
2. Na documentação há 1 estudo da ASSIMAGRA que gostava de ver debatido com os técnicos superiores da câmara, nomeadamente Teresa Clara e Francisco Figueiredo. Qual é a importância do Vidraço da Aatéija, do calcário fossilífero de Aljubarrota, dos Litofácies "azul valverde"...
3. Houve dezenas de Interesses públicos aprovados em que houve compreensão de irregularidades porque ainda  não estávamos a licenciar.
4. A empresa diz que está a funcionar desde 2011 e só houve, pela documentação, 1 auto de notícia em 2014 sem indicação das consequências e actualização de factos desde esse dia.

(GESTÃO URBANÍSTICA) 13. 
-------MÁRMORES CODURNEIRO, LIMITADA - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO INTERESSE PÚBLICO MUNICIPAL NA REGULARIZAÇÃO DE ESTABELECIMENTO OU INSTALAÇÃO - APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO -
Manter o indeferimento por ser exploração ilegal, ter menos de 2 anos de actividade
6 votos a favor
Voto contra, apesar de saber mbem a importância da Ribeira do Môgo, porque:
1. De 2009 a 2013 não houve o debate reclamado pela CDU sobre esta questão das pedreiras e da pedra. A CDU requereu a presença dos técnicos que acompanhavam esta importante frente.
2. Na documentação há 1 estudo da ASSIMAGRA que gostava de ver debatido com os técnicos superiores da câmara, nomeadamente Teresa Clara e Francisco Figueiredo. Qual é a importância do Vidraço da Aatéija, do calcário fossilífero de Aljubarrota, dos Litofácies "azul valverde"...
3. Houve dezenas de Interesses públicos aprovados em que houve compreensão de irregularidades porque ainda  não estávamos a licenciar.
4. A empresa diz que está a funcionar desde 2011 e só houve, pela documentação, 1 auto de notícia em 2014 sem indicação das consequências e actualização de factos desde esse dia.
 (GESTÃO URBANÍSTICA) 14.
 -------OVELHEIRO & FILHOS, LIMITADA - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO INTERESSE PÚBLICO MUNICIPAL NA REGULARIZAÇÃO DE ESTABELECIMENTO OU INSTALAÇÃO - APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO -
Manter o indeferimento por ser exploração ilegal, ter menos de 2 anos de actividade
6 votos a favor
Voto contra, apesar de saber mbem a importância da Ribeira do Môgo, porque:
1. De 2009 a 2013 não houve o debate reclamado pela CDU sobre esta questão das pedreiras e da pedra. A CDU requereu a presença dos técnicos que acompanhavam esta importante frente.
2. Na documentação há 1 estudo da ASSIMAGRA que gostava de ver debatido com os técnicos superiores da câmara, nomeadamente Teresa Clara e Francisco Figueiredo. Qual é a importância do Vidraço da Aatéija, do calcário fossilífero de Aljubarrota, dos Litofácies "azul valverde"...
3. Houve dezenas de Interesses públicos aprovados em que houve compreensão de irregularidades porque ainda  não estávamos a licenciar.
4. A empresa diz que está a funcionar desde 2011 e só houve, pela documentação, 1 auto de notícia em 2014 sem indicação das consequências e actualização de factos desde esse dia.
 (GESTÃO URBANÍSTICA) 15.
 -------MANUEL FIALHO PENAS - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO INTERESSE PÚBLICO MUNICIPAL NA REGULARIZAÇÃO DE ESTABELECIMENTO OU INSTALAÇÃO - APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO - suinicultura - Fontainhas-Ribafria-410 porcos...plano de gestão de efluentes Ok.
aprovado (GESTÃO URBANÍSTICA) 16. 
-------EURICO TRINDADE SILVA PINTO - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO INTERESSE PÚBLICO MUNICIPAL NA REGULARIZAÇÃO DE ESTABELECIMENTO OU INSTALAÇÃO - APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO - suinicultura - Poitacas-Castanheira- plano de gestão de efluentes Ok.
aprovado  (OBRAS MUNICIPAIS) 17. -
------EMPREITADA 1513 P – CONSTRUÇÃO DA USF DA BENEDITA – ALTERAÇÃO DO JÚRI DO PROCEDIMENTO – RATIFICAÇÃO - APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO (MGD-I Nº. 1432/15 E MGD-E Nº. 198/16) -
Vereador Hermínio Rodrigues diz que se esqueceram que o protocolo indicava 1 elemento do júri da ARSLVT...Eles vão nomear...
Já está informado que é o Arq. Mário Namora
aprovado
(OBRAS PARTICULARES) 18. ------- DESPACHOS DO SENHOR PRESIDENTE DA CÂMARA EM MATÉRIA DE GESTÃO URBANÍSTICA – INFORMAÇÃO-
165 despachos...7 para ouvir ao abrigo do CPA  (LICENÇAS E TAXAS) 19. 
-------ANDRÉ & BRANCO, SOCIEDADE ANÓNIMA – PEDIDO DE OCUPAÇÃO DA VIA PÚBLICA PARA INSTALAÇÃO DE BALCÃO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO (MGD-E Nº. 924/16)-
taxa de 56,4€ para balcão na rua em frente ao Estremadura  
aprovado
(LICENÇAS E TAXAS) 20.
 -------ANDRÉ & BRANCO, SOCIEDADE ANÓNIMA – PEDIDO DE OCUPAÇÃO DA VIA PÚBLICA PARA INSTALAÇÃO DE TOLDO – APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO (MGD-E Nº. 924/16 E MGD-E Nº. 925/16)- 
32 metros quadrados...na zona perto dos mastros das bandeiras...taxa de 150,4€
Toldos devem ser lavados...Toldos, as cadeiras e mesas devem ser iguais...
Vereadora Eugénia Rodrigues interrompe-me abruptamente, visivilmente irritada: os vereadores do PS já colocaram este assunto...
Mas eu não estava cá e não soube...E não é preciso a Vereadora ficar nervosa...
Disse que estava calma!
aprovado
 (PESSOAL) 21. ------- CENCAL – CENTRO DE FORMAÇÃO PARA A INDÚSTRIA DE CERÂMICA – ACORDO DE FORMAÇÃO EM CONTEXTO DE TRABALHO – RATIFICAÇÃO - APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO -
Nadia Bastos Nicolau...Câmara não tem custos, tem que ter tutor...  
aprovado
(PROTEÇÃO CIVIL) 22.
 ------- ASSOCIAÇÃO HUMANITÁRIA DE BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE SÃO MARTINHO DO PORTO – COMUNICAÇÃO DE INTENÇÃO DE VENDA DE IMÓVEL – INFORMAÇÃO (MGD-E Nº. 1079/16)-
Carta...Presidente da Câmara diz que houve usocampeão quer pela câmara quer pels Bombeiros...
atenção que é o antigo edifício do concelho de S. Martinho do Porto...
Recordo-me que quando apoiámos extraordinariamente a obra do quartel, para além do que estava acertado, este edifício passaria a propriedade do município...Ver acordo 1998?
Ver que a carta diz que é para indicar, não sei com que direito, representante da câmara na A...geral...
 (SERVIÇOS MUNICIPALIZADOS) 23.
 -------PROC. N.º 01/15/AQ – FORNECIMENTO DE ENERGIA AO ABRIGO DO ACORDO QUADRO TRÊS BARRA DOIS MIL E CATORZE – MINUTAS DOS CONTRATOS - APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO (SGD-E Nº. 20448/15) -
181.109,05€
+ 73.885,02€
aprovado  (SERVIÇOS MUNICIPALIZADOS) 24. 
-------ÁGUAS DE LISBOA E VALE DO TEJO – MEMORANDO DE ENTENDIMENTO - APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO-

DA LEITURA DO MEMORANDO:
"extinta Águas do Oeste, S.A. (AdO)...
*
19.12.2003 Contrato de Fornecimento de Água:
pagamento de mínimos fixados no Anexo I... de acordo com as tarifas...
entre 2003 e 2031
*
Município questionou o quantum várias vezes...sobreavaliado
*
F....ERSAR produziu informação em nov.2010, onde avalia os fundamentos do questionamento da adequabilidade dos volumes de consumo estabelecido no aludido Contrato
*
G. A ERSAR reconhece a existência duma divergência entre a vontade real e a declarada (pelo Município), consistente num erro-obstáculo sobre o conteúdo da declaração de fixação de caudais mínimos, que vieram a ficar firmados no Anexo I, ao Contrato, e no Anexo 4, ao Contrato de Concessão do Sistema Multimunicipal;
H...O erro, apenas afeta a fixação dos mínimos;
I. Em resumo, a questão que permaneceu por resolver após esta análise foi a obtenção de um acordo entre a concessionária e o município relativamente à correcção dos mínimos e posterior aceitação por parte do concedente da referida correcção;
J. Presentemente, o Município de Alcobaça e a LVT...chegaram a acordo relativamente à fixação dos mínimos anuais com base na definição de um "Potencial de fornecimento atual (m3/ano)", fazendo-os corresponder aos quantitativos máximos passíveis de serem fornecidos a este utilizador pela LVT e que se estimam 2,000 482 milhões de metros cúbicos/ano:
...
Cláusula 2.ª
...2,000 482 milhões de metros cúbicos/ano...
Cláusula 3.ª
O valor mencionado na 1.ª cláusula....2010 e 2015...acerto a operar através de um acordo de transação que ponha fim ao litígio existente entre as partes.
Cláusula 5.ª
1. A produção de efeitos do presente Memorando fica condicionada à obtenção da autorização do concedente, ouvida a entidade reguladora do sector.
2.Obtida...no prazo de 30 dias, outorgarem contrato de fornecimento que substitua o que vigora."
**
Presidente elencou as questões principais que estão no memorando
Vamos ter de pagar 0,8 milhões de metros cúbicos de água de 2010 a 2015.
A partir de 2016 consumimos na íntegra o novo caudal mínimo de cerca de 2 milhões de metros cúbicos..
**
Eng.º Rilhó lembrou:
A Águas do Oeste não cumpriu o contratadoque era entregar água em junho de 2006...
só em meados de 2009 é que houve condições de entrega de água em Turquel...
só em 2010 é que houve fornecimento de água...
e as facturas só foram enviadas no final de 2012...
**
Vereador José Canha  do PS
É um bom documento de trabalho.
É bom que o município pague o menos possível.
Estão de acordo.
O bem que é a água é estratégia fundamental.
Sustentabilidade do recurso.
Fica aqui uma folga.
O parecer técnico (3páginas) e o parecer jurídico (11páginas) dão força.
(Foram entregues naquele instante como os leram?)
Processo devidamente instruído.
É uma grande oportunidade.
Sentem-se confortáveis...
*
Vereador Carlos Bonifácio valoriza a qualidade de água fornecida e a fornecer.
Não esquece, quando estava vereador, uma semana da Benedita sem água.
O problema de 1 copo de água em Alcobaça e a qualidade do copo de água na Benedita.
(Eng. º Rilhó reconhece!)
Reconhece que se demorou demasiados anos para resolver este problema, mas que vota a favor. Poderíamos ter poupado muito se fosse há 3 anos.
Somos eleitos para resolver problemas.
Em todos os acordos tem de haver cedências das partes.
Voto contra
Defendemos que deve haver negociação com o novo governo, apoiado por toda a esquerda.
Temos argumentos fortes. Para além do não contratado referido pelo Eng.º Rilhó...
Eles não puderam nem podem, agora,  colocar água em Pataias.Martingança.Cós.Alpedriz.Montes.Maiorga e em S.Martinho.Alfeizerão
É inaceitável pagar 0,8 milhões de metros cúbicos de água, de 2010 a 2015 que equivalem aproximadamente a 3M€ de água NÃO CONSUMIDA.
É um princípio básico: não podemos pagar o que não consumimos e o que não nos foi fornecido!
 Somos a favor, como a ANMP defendeu publicamente, que se volte à Águas do Oeste e acabar com a LVT...Basta que as câmaras se movimentem!
Quase toda a gente dirá que pagar 3M€ em vez de 10 M€ é muito bom. Nós somos dos que achamos que este acordo.memorando é muito pouco!
Presidente da Câmara diz que o Secretário de Estado está envolvido. Até porque conhece o dossier. Foi administrador da àguas do oeste.
Acho que não devemos desistir, temos que fortalecer o nosso argumentário.
Presidente reconhece que lhe custa pagar água que não foi consumida...
Mas não quer correr riscos e ver o futuro hipotecado
*
Vereadora Eugénia Rodrigues (PS)
Mais  vale um mau acordo que uma boa demanda.
- com a análise técnica e jurídica (Teve acesso a ela antes? Foi distribuída ali a tds)
*
Vereador José Canha subscreve a frase da Eugénia:

Mais vale um mau acordo que uma boa demanda
*
Vereador Carlos Bonifácio começa a falar dum anexo com juros a 8%
(desconheço esse anexo...O que estava era apenas o memorando...)
essas consequências serão para, com certeza, se analisarem após negociação ao pormenor e que virá a uma próxima reunião...
Depois ainda falta saber se há aprovação das estruturas superiores..
Presidente da Câmara reconhece que deve haver municípios que não vão concordar com este tratamento favorável a Alcobaça.
O que é favorável?
Pagar água que não foi fornecida?
aprovado por 6 ...Votei contra
(TOPONÍMICA) 25. 
-------VIAS SITAS NA FREGUESIA DE SÃO MARTINHO DO PORTO – PROPOSTAS DE DENOMINAÇÃO - APRECIAÇÃO E VOTAÇÃO (MGD-E Nº. 21028/15)-
Beco José Pequeno
R. Cândido dos santos Ganhão
aprovado
 (TOPONÍMICA) 26.
 -------CISTER – EQUIPAMENTOS EDUCATIVOS, SOCIEDADE ANÓNIMA – PONTO DA SITUAÇÃO - INFORMAÇÃO -
Nada constava...
Presidente da Câmara reuniu extraordinariamente às 9.30' para apresentar 1 esboço duma carta de conforto à CGD para esta resolver a penhora da ATributária...
Defendi: a CDU está neste processo sempre contra...Mas reconhece que se tivesse maioria teria de resolver da melhor maneira este imbróglio....São mais juros, multas e despesas que temos de pagar à CGD por não termos a situação em condições de começar a pagar...
Mas é preciso registar que quem veio oferecer este "magnífico produto" foram funcionários da CGD...
 (TESOURARIA) 27. -------RESUMO DIÁRIO DA TESOURARIA - INFORMAÇÃO --

5.604.(20jan2016.13.31') João de Melo

Nasceu 1949
***
20jan2016
venceu Prémio Vergílio Ferreira (U.Évora)
***
O + premiado
e o que li
Via Nuvem
Gente Feliz com Lágrimas
http://leiturasemclube.blogspot.pt/2014/08/gente-feliz-com-lagrimas-joao-de-melo.html

 O título deste livro é belíssimo. Há muito que alimentava a vontade de o ler devido sobretudo ao título. Foi uma feliz coincidência tê-lo lido depois de uns dias passados nos Açores, com a recordaçao ainda presente da neblina, do mar, das ilhas, das vacas, das hortênsias e das criptomérias. E com a lembrança da igreja, omnipresente. Quando foi pubicado em 1988 foi considerado um romance inovador na estrutura, mas penso que ainda o é. Apresenta-se dividido em cinco livros. 
    O livro primeiro, O tempo de todos nós, tem um capítulo inicial com o título Um qualquer de nós. Os restantes capítulos deste livro são narrados à vez pelo Nuno Miguel, Maria Amélia e Luís Miguel, irmãos mais velhos de nove filhos sobreviventes.  Neles apresentam-se na primeira pessoa do singular, mas como se falassem com alguém, eventualmente um entrevistador ou um biógrafo. Não contam realidades distintas, mas visões pessoais de uma infância partilhada e infinitamente triste a que Nuno Miguel e Maria Amélia tentam escapar através da entrada num seminário e num convento, respetivamente. Mas a falta de vocação e a frieza destas instituições só servem para prolongar a tristeza da infância. A extrema pobreza, a exigência e a agressividade do pai é acompanhada pela mãe e até agravada. Mais tarde, Nuno Miguel falará no único problema das suas vidas. Todos se ressentem ainda duma inexplicável ausência de colo materno (pg. 352).
    O livro segundo, A 3ª pessoa do singular, narra a saída (expulsão?) de Nuno do seminário, a vida em Lisboa, inicialmente partilhada com a irmã mais velha, Maria Amélia, a estudar para ser enfermeira, e a paixão por Marta.
    O livro terceiro, Ùltimo suspiro de mamã, narra a ida de Nuno Miguel a Vancouver e Toronto, onde residem todos os seus irmãos, para se despedir da mãe, agonizante. Neste encontro, Nuno Miguel encontra os irmãos que quase desconhece (Não me lembro de os ter visto nascer, não me lembro como choravam ou sorriam. pg 312). O sucesso dos irmãos e irmãs é patente nas casas e nos carros que ostentam, mas sentem um imenso orgulho naquele irmão que permaneceu em Portugal e onde triunfou como professor, primeiro, e como escritor, depois. A diferenças das vidas é ilustrada na forma distinta como Nuno Miguel e os emigrantes açorianos - que poderiam ser os seus irmãos - são tratados à chegada ao Canadá.
    O livro quarto, A outra versão de Marta, é a história da paixão, casamento e divórcio de Nuno e Marta. De como se vão afastando imperceptivelmente ao longo dos anos, até que a distância entre ambos se torna inultrapassável.
    O livro quinto, Regresso invisível, relata o regresso de Nuno Miguel à casa da família que, por vontade do pai, herdou. Nesta viagem é acompanhado por Rui Zinho, seu pseudónimo, e encontra as últimas mulheres da família: excessivamente velhas, brancas e pelo menos tão nocivas como o luto das suas vestes.
    O livro acaba com o Livro zero, A felicidade sábia, que é um posfácio e uma declaração de amor às ilhas açorianas, a Lisboa e à família.O regresso, a reconciliação possível com as origens.

     Na contracapa o livro é apresentado como uma saga que percorre cinco mundos através da obsessiva busca de felicidade que move os seus protagonistas. Discordo desta ideia. Há uma busca pela sobrevivência com dignidade mas não da felicidade. Como é dito a propósito de Maria Amélia, o hábito de ser triste culpabiliza nela a própria ideia de felicidade. Tal como nós, não sabe ser feliz sem lágrimas, nen rir sem o remorso da alegria, e isso vê-se-lhe nos olhos. (pg. 49). A ideia da felicidade temperada com lágrimas é retomada mais vezes, a propósito dos pobres (pg. 27) mas também do pai quando depois de ter deixado o filho, Nuno Miguel, às portas da morte consegue que ele coma: E os olhos dele, rasando-se de lágrimas, eram afinal olhos felizes com lágrimas (pg. 208). E em todo o livro perspassa uma imensa tristeza, raramente interrompida. Mesmo no final, quando Nuno Miguel encontra os seus livros intactos, não lidos na casa que herdou dos pais e sente a incompreensão daqueles para quem especialmente escrevera, E um escritor que não comece por ser lido por um único que seja dos membros da sua tribo será sempre o pior, o mais inútil de todos os escritores do mundo.(pg. 455)

     Um livro belíssimo, a não perder.
*
  Entrevista com o autor nos 25 anos da primeira edição:
 https://www.youtube.com/watch?v=6e96PlyGjK8

*
http://queroumlivro.blogspot.pt/2011/04/gente-feliz-com-lagrimas-joao-de-melo.html
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excerto:
http://criarlacos-ex-dominicanos.blogspot.pt/2009/01/excerto-de-gente-feliz-com-lgrimas-de.html
“Nuno Miguel sentiu-se levado ao contrário: o seu espírito saiu das horas diurnas de Lisboa para a noite pesada da província. Atravessou o país na diagonal, em companhia de dois homens sorridentes que durante três horas se esforçaram em vão por entender o seu discurso açoriano. No decorrer dessa noite infinita, ou de todas as que se lhe seguiram, fizeram-lhe dezenas de perguntas inúteis, e ele esforçou-se sempre por a elas responder dum modo claro, martelando bem as sílabas e escolhendo, por simples intuição, o seu melhor vocabulário. Ao mesmo tempo, preocupou-se em evitar o emprego dos sons ossudos, decidindo-se por imitar a pronúncia redonda e as frases proferidas pelos seus interlocutores.
Quando chegaram à aldeia e ele avistou ao longe um casarão iluminado na noite sem estrelas desse tempo, percorreu-o um indefinido terror. A casa era afinal um túmulo em ponto grande. A noite que a rodeava dificilmente deixava de parecer-se com a seda de que são feitos os véus dos defuntos. Apeou-se da furgoneta e teve de ser amparado pelos ombros, porque cambaleava nas trevas. Sono, fadiga e desânimo vinham juntar-se à sua timidez e apô-lo ao ridículo e ao riso dos outros. Daí a pouco, vieram recebê-lo dois padres acinzentados no sorriso que trajavam túnicas cor de pérola. As cabecinhas de pássaro, rapadas à navalha na altura da nuca, tornaram-se irrequietas, lá ao cimo do escapulário e do capuz descaído sobre os ombros. O mundo estava todo do avesso, porque Nuno sempre vira os padres vestidos de negro. Pensava que só essa cor aplicava a importância e a mortalha mundana de todos os padres, o seu tristonho olhar de corvos e até a pequena santidade dos seus ritos.
Também eles se inclinaram para ele e apuraram o ouvido, pedindo-lhe que repetisse e falasse mais alto, a fim de o perceberem. Compreendeu que começavam a acusá-lo de ter chegado com dois meses de atraso. A acusá-lo da sua linguagem, do malote de ripas que o pai fizera e cuja pega de alumínio se partira, e a acusá-lo da primeira e única solidão que os meninos herdaram de mamã. Já com a bagagem arrumada debaixo da cama que lhe havia sido reservada ao canto do dormitório, disseram-lhe para descer. O reitor esperava-o cá em baixo, ao fundo de dois lanços de escadas. Viu-o de pé, entre os bustos dos santos perfilados nas suas peanhas, e receou estar sendo levado à presença dum colosso. Disseram-lhe que devia beijar-lhe a mão, flectir simbolicamente os joelhos, baixar a cabeça e dizer-lhe boa noite. Além da lisura dos tecidos e das polpas de carne que a almofadavam por dentro, impressionou-o logo o tamanho excessivo daquela mão. Ao olhar lá muito para cima, na esperança de lhe ver o rosto, avistou apenas as narinas dum homem ainda jovem, mas da altura do tecto. Os braços findavam nuns ombros grossos e tão salientes como asas de anjo. Mais tarde, quando se tomou vítima daquela força, Nuno havia de pensar que existia uma harmonia perfeita entre a estatura do homem e o poder quase divino da voz, dos passos pesados e da justiça canónica do reitor. Os mesmos braços que fortemente o estreitavam contra si e quase o tomaram em peso seriam afinal os que vezes sem conta, ao longo de anos, o educariam ao bofetão. Despedidas de surpresa e no meio do silêncio, as bofetadas abriam clareiras de corpos derrubados que se espalhavam pelo chão das salas de estudo como corolas de animais abatidos. Força, violência e exaustão, além do castigo de ir rezar durante as horas do recreio, educaram-no para o respeito e para o ódio. Contudo, sempre que dera por si a voar e a cair das cadeiras sob o impulso daquelas mãos, limitara-se a invocar o santo nome de Deus, sabendo que o fazia repetidamente em vão.
No refeitório, uma onda de entusiasmo recebeu-o de mesa em mesa, ao ser apresentado a todos como «o açoriano». Assim que o reitor bateu as palmas, e o prefeito, secundando-o com ar servil, exigiu silêncio, sua reverência deu as boas-vindas ao candidato, deplorou os seus dois meses de atraso nos estudos e pediu a todos a caridade de o ajudarem na Matemática e no Latim. Estava finalmente entre os muitos que Deus chamara e os poucos por Ele escolhidos – com um prato de carne assada e esparguete na frente, os ossos moídos pela fadiga e um sino de pranto na alma. Sem olhar os rostos que o rodeavam e começavam a inclinar-se para si, viu os rostos. Recebeu nos seus o peso de todos aqueles olhos. Aos primeiros interrogatórios respondeu que se chamava Nuno Botelho, ia fazer onze anos e tinha seis irmãos nos Açores. Educadamente, pediram-lhe que fizesse o favor de repetir. E como ficassem a olhar uns para os outros e a franzir os lábios e a encolher os ombros, sempre educadamente, teve a lucidez triste de pensar que talvez fossem cidadãos dum país em tudo diferente do seu. O mesmo no nome e na religião, sem dúvida. Porém, quanto ao nome, ao verbo e à origem dos seus santos, um país sem mar nem barcos e já muito distante da sua infância.
Após o recreio nocturno, seguiu a multidão dos seminaristas até à capela. Embrulhado no tropel dos passos que martelavam os sobrados e depois fizeram ranger as bancadas do templo, não pudera ainda aperceber-se de que ali as horas haviam sido subtraídas aos relógios. O tempo era a sineta de bronze, as filas intermináveis, o culto do silêncio, a proibição religiosa da alegria. Serviu-se dum manual de orações para seguir as rezas que a maioria aprendera já a reproduzir de cor. Compreendeu apenas que o Sono dos Justos, ao qual o salmo aludia, estava já clamando no deserto, dentro de si. A fadiga do corpo turvava-lhe o espírito, esvaziando-o de todas as emoções. Depois, já com as luzes do dormitório apagadas, desejou poder dissolver-se nas trevas e extinguir-se na noite enigmática do futuro. O som de esporas dos colchões, o sussurro dos vizinhos de cama e o chiar de murganho dos sapatos do prefeito perturbavam definitivamente o silêncio interior e esse desejo de sono e dissolução. Sabia que ia precisar de dormir muitas horas seguidas para conseguir superar o tumulto do mar e dos barcos, o qual perdurava dentro de si como uma surdez que lhe envolvia não um mas todos os sentidos. Não lhe fora dito ainda que, no outro dia e em quantos deviam seguir-se-lhe, viria sempre um prefeito às seis da manhã acordá-lo. Ele bateria as palmas ao longo daquele corredor de camas, os seminaristas pôr-se-iam religiosamente de pé, benzendo-se estremunhadamente, e a sua voz fria e madrugadora diria dum modo imperativo, difícil de reproduzir:
– Benedicamus domino!
– Deo gratias!
Quando estava quase a dissolver-se nesse sono sem princípio nem fim, do qual vieram a turvar-se todos os anos, recomeçaram a girar-lhe dentro da cabeça as turbinas dos barcos, o zumbido do motor da furgoneta atravessando a noite provinciana e também as vozes daqueles que, perto de si, continuavam a chamá-lo baixinho. Atormentava-os uma curiosidade minuciosa, feita de segredo e clausura, por mais esse naufrágio. Só que aquele náufrago, assim inquirido e misterioso, viera mesmo do mar e só ele trazia consigo a notícia dum passado açoriano.
Aterrorizou-o um pouco a ideia de ficar ali, abandonado à presença de tantos estranhos. De dormir entre gente vinda de todas as terras do seu país, falando a mesma língua, mas gente que não entendera ainda uma única das suas frases e jamais entenderia uma ideia, uma palavra que fosse de cada uma das suas frases...
Para não ter de continuar a responder-lhes e a não ser compreendido, decidiu agarrar na almofada e comprimi-la à volta dos ouvidos. A sua vida ia assim mergulhar num subterrâneo sem fundo nem altura. Nunca mais ele voltaria a ser igual a si mesmo. Então, abriu muito os olhos. Queria conhecer e ao mesmo tempo despedir-se, decifrar e compreender as formas que se modelavam no escuro do dormitório. Amá-las com ódio e odiá-las com amor, talvez. Vendo-as, não estranhou o arrepio e por isso voltou a cerrar os olhos com força. Surpreendeu-o então o facto de o rosto da mãe se ter iluminado, como numa aparição. Havia uma auréola de santa, ou tão-só uma estrela que parecia palpitar no coração da noite. Levado por tal ilusão, tentou sorrir-lhe. Contudo o sorriso dela era também feito de sombra. Não pôde resistir às sombras. Um sorriso assim doía mais do que a dor de estar vivo. Valia talvez um pranto ou um riso convulso. Ao sentir a boca torcer-se e fazer apelo a esse pranto, Nuno procurou suster toda a emoção dentro de si. Prometeu que não ia nunca chorar sobre as lágrimas e sobre a terra da infância. E que ia ser feliz.”
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excerto:
http://queroumlivro.blogspot.pt/2011/04/gente-feliz-com-lagrimas-joao-de-melo.html
"Não compreendera ainda como o tinha eu salvo da crucificação. Mas quando os seus braços musculados se abriram para o meu corpo delgado, senti que o peito se lhe tornara discretamente ofegante, ao reconciliar-se com o meu. E, estando eu morto, ressuscitei. E, pedindo-me ele de novo que comesse, agarrei na tigela com as mãos muito trémulas e pus-me a sorver, em apressados e sôfregos tragos, aquele delicioso caldinho de farinha, com cujo sabor se cruzou para sempre a memória doce da minha infância. E os olhos dele, rasando-se de lágrimas, eram afinal olhos felizes com lágrimas - assim você me perdoe o facto de a minha história comportar também episódios felizes..."
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Autópsia De Um Mar De Ruínas
https://www.leyaonline.com/pt/livros/literatura/literatura-classica/autopsia-de-um-mar-de-ruinas/

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Via Citador:
O Meu Mundo não É deste Reino
http://www.citador.pt/biblio.php?op=21&book_id=1824
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biografia
portal da literatura
http://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=51
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http://www.wook.pt/authors/detail/id/11951
João de Melo nasceu nos Açores, em 1949. Aos 11 anos, deixa a sua ilha natal para prosseguir os estudos no continente, como aluno interno do Seminário dos Dominicanos, onde permanece entre 1960 e 1967. Abandonado o seminário, passa a viver em Lisboa, prosseguindo os estudos enquanto trabalha e iniciando colaborações na imprensa escrita. É, aliás, num jornal, o Diário Popular, que publica o seu primeiro conto, aos 18 anos. A partir de então publicará contos, crítica literária e poemas em diversos periódicos de Lisboa e dos Açores, integrando-se na geração literária que, sediada em Angra do Heroísmo - e ligada ao suplemento literário do jornal A União - renovou a literatura açoriana contemporânea. 
A incorporação no exército, com o posto de furriel e a especialidade de enfermeiro, em 1970, e a posterior ida para Angola, onde permaneceu 27 meses numa zona de guerra, marcá-lo-ão em termos pessoais e literários, sendo tema de vários livros seus, de que se destaca, na ficção, Autópsia de Um Mar de Ruínas, romance que é uma referência na literatura portuguesa sobre a guerra colonial. 
Já após a revolução de Abril de 1974, João de Melo licencia-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa, mantendo sempre colaboração em diversas revistas literárias (Colóquio-Letras, Vértice e, mais tarde, Sílex, Ler, etc.). No início da década de 80, torna-se professor do ensino secundário, actividade em que reparte até hoje o seu tempo com a escrita literária.
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20jan2016
venceu Prémio Vergílio Ferreira (U.Évora)

http://www.dn.pt/artes/interior/joao-de-melo-vence-premio-literario-vergilio-ferreira-2016-4989824.html
O escritor açoriano João de Melo foi hoje escolhido cmo o 20.º vencedor
 do galardão atribuído pela Universidade de Évora (UÉ), revelou à agência 
Lusa fonte da academia alentejana
João de Melo foi eleito vencedor da 20.ª edição do galardão ao final da manhã
 de hoje, durante uma reunião do júri do prémio, presidido por António 
Sáez Delgado e que, este ano, integra Elisa Esteves, Gustavo Rubim, Carlos Reis 
e a escritora Lídia Jorge.
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19jun2010
http://www.dn.pt/portugal/interior/joao-de-melo-uma-figura-do-imaginario-espanhol-1597492.html
Entre mim e Saramago houve um encontro de natureza humana e afectiva que começou nos anos 70, mas que se intensificou a partir de 2001, quando também eu passei a viver em Madrid, onde fui conselheiro cultural da embaixada portuguesa em Espanha. Saramago ia apresentar-me muitas vezes propostas e estratégias para afirmar a cultura portuguesa em Espanha, porque embora tenha partido e muitas vezes falasse contra Portugal ele fazia-o por amor, tal como Eça de Queirós.
Apesar do "caso Sousa Lara", apesar de tudo, Saramago nunca deixou de se afirmar como português, tal como os espanhóis nunca o consideraram espanhol, muito embora fosse muito mais consensual em Espanha, onde era lido e admirado da direita à esquerda.
Nem a igreja espanhola, muito mais radical que a portuguesa, vinha responder às suas provocações.
É ainda com espanto que evoco a forma como as pessoas vinham cumprimentá-lo e tocá-lo quando ele andava nas ruas. De uma forma quase religiosa, porque ele, quer pelos livros quer pela sua participação cívica, se tornou uma figura do imaginário espanhol, como nunca aconteceu cá.
Depoimento recolhido por telefone

19/01/2016

5.250.(19jan2016.8.33') Almeida Santos

Nasceu a 15fev1926
e morreu a 18jan2016
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 antifascista em Maputo, ministro, deputado, Presidente da Assembleia da República...
apesar de estar contra muita legislação e práticas do PS...
1 vivaaaaaaaaaa à sua obra: «Longa como as estradas da Galileia foi esta digressão pelo estertor do colonialismo e pelo dossier da descolonização. A partir de agora, este livro deixa de ser meu. Não faço a menor ideia de como possa ser acolhido pela opinião pública portuguesa. Talvez agrade a alguns. Desagradará necessariamente a muitos, tão amargas são algumas das recordações que evoca. Mas, quem se põe a remexer na história, não pode satisfazer-se só com uma parte dela. Não pode deixar de tentar ser exaustivo, objectivo e verdadeiro.
Esta é a minha verdade sobre o estertor do colonialismo e sobre o dossier da descolonização; sobre os mais salientes acidentes do processo revolucionário posterior a Abril que lhe determinaram o tempo, o modo e o resultado final.
Deixo ligados a tudo isso inolvidáveis momentos da minha vida. Nem todos agradáveis. Apesar disso, foi reconfortante recordá-los.»

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Canção com lágrimas 

Faixa de abertura de um CD de António de Almeida Santos, com canções de Coimbra (e outras), gravado em ambiente de amizade, simplicidade de processos... e vários jantares.
Voz: António de Almeida Santos
Versos: Manuel Alegre
Música: Adriano Correia de Oliveira
Guitarra nylon 1: Samuel
Guitarra nylon 2: José Niza
Edição: Paco Bandeira (Profisom)
Ano: 2004
https://www.youtube.com/watch?v=pC76SJSGR5A&feature=youtu.be
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membro do Oriente Lusitano?
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o NETO Manuel Magalhães sobre o avô:

http://expresso.sapo.pt/sociedade/2016-01-20-Nunca-e-tarde-demais-para-escrever-sobre-quem-se-ama-meu-Avo-Antonio-de-Almeida-Santos
Nasceu num momento dramático, quatro meses apenas depois de Almeida Santos ter perdido uma filha. Ficou uma relação especial entre avô e neto. Cantavam juntos, partilhavam experiências. Em 2009, Manuel Magalhães prestou uma homenagem ao avô, nas páginas do Expresso. Volta agora, já médico cardiologista, para contar em exclusivo o que ficou por dizer. Quando recebeu a notícia da morte do avô, Manuel estava em Angola e escreveu este depoimento durante a viagem de avião para poder estar presente no funeral. A correr, mas sempre a tempo
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biografia
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http://www.ps.pt/partido/orgaos-nacionais/presidente-honorario.html?layout=biografia
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Canta fado de Coimbra
Lá longe
Ao cair da tarde
Vejo as nuvens de oiro
Que são os teus cabelos.

Fico mudo ao vê-los
São o meu tesoiro
Lá longe
Ao cair da tarde.

Lá longe
Ao cair da tarde
Quando a saudade
Se esvai ao sol poente.

Como canção dolente
Duma mocidade
Lá longe
Ao cair da tarde.
https://www.youtube.com/watch?v=msY5uo4p0I0
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para 1 debate sobre o que ele defendia
entrevista
https://www.youtube.com/watch?v=Bq5lK7HUWs0
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Wook.pt - Quase Memórias - 2º Volume
http://www.wook.pt/ficha/quase-memorias-2-volume/a/id/186287
«Longa como as estradas da Galileia foi esta digressão pelo estertor do colonialismo e pelo dossier da descolonização. A partir de agora, este livro deixa de ser meu. Não faço a menor ideia de como possa ser acolhido pela opinião pública portuguesa. Talvez agrade a alguns. Desagradará necessariamente a muitos, tão amargas são algumas das recordações que evoca. Mas, quem se põe a remexer na história, não pode satisfazer-se só com uma parte dela. Não pode deixar de tentar ser exaustivo, objectivo e verdadeiro. 
Esta é a minha verdade sobre o estertor do colonialismo e sobre o dossier da descolonização; sobre os mais salientes acidentes do processo revolucionário posterior a Abril que lhe determinaram o tempo, o modo e o resultado final. 
Deixo ligados a tudo isso inolvidáveis momentos da minha vida. Nem todos agradáveis. Apesar disso, foi reconfortante recordá-los.»
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Wook.pt - Vivos Ou Dinossauros?
http://www.wook.pt/ficha/vivos-ou-dinossauros-/a/id/65249
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Wook.pt - Civismo e Rebelião
http://www.wook.pt/ficha/civismo-e-rebeliao/a/id/65403
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Wook.pt - Até que a Pena Me Doa
http://www.wook.pt/ficha/ate-que-a-pena-me-doa/a/id/65402
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Via DN:
Domingos Abrantes: "Almeida Santos deu um contributo quer à resistência antifascista, quer à
 construção da democracia"
http://www.dn.pt/portugal/interior/domingos-abrantes-destaca-contributo-para-resistencia-antifascista-de-almeida-santos-4987100.html
O dirigente comunista considerou depois que a democracia portuguesa "perdeu
 um dos seus construtores"
O dirigente histórico comunista Domingos Abrantes lamentou hoje a morte do
 presidente honorário do PS, Almeida Santos, classificando-o como "um resistente
 antifascista" que deu um contributo para a institucionalização da democracia 
em Portugal.
Domingos Abrantes, membro do Conselho de Estado, falava aos jornalistas à 
chegada à cidade da Praia, onde na quarta-feira, a convite do Governo de Cabo 
Verde, participará na inauguração do Museu do Campo de Concentração do 
Tarrafal - um ato solene em que também estará presente o primeiro-ministro 
português, António Costa.
"Almeida Santos deu um contributo quer à resistência antifascista, quer à
 construção da democracia", declarou Domingos Abrantes. Para o dirigente histórico comunista, António de Almeida Santos "foi um oposicionista ao Estado Novo e um democrata".
"Naturalmente, lamentamos a perda de um resistente. Com as suas características próprias deu uma contribuição para a institucionalização da democracia portuguesa", referiu.
Domingos Abrantes considerou depois que a democracia portuguesa "perdeu um dos seus construtores".
"Endereço as minhas condolências ao PS, algo que o PCP não deixará de fazer. Como conheci pessoalmente Almeida Santos, aproveito para endereçar as minhas condolências à sua família pela sua morte", acrescentou.
O presidente honorário do PS, António Almeida Santos, morreu na segunda-feira, com 89 anos, disse à agência Lusa fonte da família.
Almeida Santos, que completaria 90 anos a 15 de fevereiro, foi submetido por duas vezes a cirurgias cardiovasculares.
O corpo do fundador do PS deverá estar em câmara ardente na Basílica da Estrela, em Lisboa, mas não haverá cerimónia religiosa, a pedido do próprio, adiantou a mesma fonte
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Via Observador:

http://observador.pt/2016/01/19/7-frases-almeida-santos-ficam-historia/
Adorado dentro do PS e profundamente respeitado pelos adversários, António Almeida Santos deixa também na memória de todos algumas frases polémicas.
  • “Sócrates é como Deus nosso Senhor, está em toda a parte”,disse em 2010, quando Sócrates era primeiro-ministro, em entrevista ao Diário Económico.
  • “Não tenho vergonha, tenho orgulho. Não há descolonização má sem colonização má”, afirmou em 2006, em visita a Maputo.
  • ​“Não há condições para mudar o poder político dominante em Angola”declarou em novembro, em entrevista à Rádio Renascença.
  • “O acordo de Alvor foi apenas um pedaço de papel. Sempre soube que aquilo não resultaria”, considerou, em entrevista à Lusa, em 2014.
  • «O sul tem um defeito que é o facto de precisar de pontes para passar para o lado norte. Suponha que é dinamitada uma ponte. Hoje, o terrorismo está na ordem do dia. Quem quiser criar um grande problema em Portugal em, termos de aviação internacional dinamitando uma ponte desliga o norte do sul»,defendeu Almeida Santos, em 2007, quando se discutia a nova localização do novo aeroporto de Lisboa.
  • “Há bons deputados, estão é mal pagos. Se fossem bem pagos, eram mais qualificados. O deputado recebe líquidos 450 contos e arrisca ser devassado”, afirmou em 2002.
  • Fiz dezenas de leis no próprio Conselho de Ministros, eram aprovadas logo ali e publicadas. Posso ter a vaidade de ter sido eu um dos principais artífices. Trazia de Moçambique uma linguagem jurídica e pediram-me para fazer as leis. Dificilmente terá havido um legislador que tenha feito tantas leis e tão rapidamente”, afirmou ao Público em 2014.