03/11/2015

8.690.(3noVEM2015.12.34') Tatiana Lobo

Nasceu a 13noVEM1939
e morreu a
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Tatiana Lobo Wiehoff
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entrevista
https://www.youtube.com/watch?v=WxbJkSAPzLc
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Via JERO.Lusa

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10203934455276347&set=a.1029365188983.3914.1670949754&type=3&theater
"Há que saber resistir quando queremos fazer valer a inteligência, o talento e a liberdade de expressão".
 escritora costa-riquenha de origem chilena.
Tatiana Lobo Wiehoff (Puerto Montt, Chile) é uma autora de Costa Rica, que ganhou três vezes o Prémio 
Nacional de Achilles J. Echeverria e uma vez o Prémio Inés de la Cruz Prêmio SorJuana.
Biografia
Nasceu em Puerto Montt, Chile. Estudou teatro na Universidade do Chile, e cerâmica na Escola Real de

 Cerâmica, em Madrid. Vive em Costa Rica desde 1966, e publicou sua obra literária neste país, por isso 
é considerada uma escritora da Costa Rica. Seu trabalho inclui vários géneros, incluindo romances de
 ficção, ficção histórica, crónicas coloniais, teatro, história e artigos de jornal.
Viveu no Chile, Alemanha, Espanha, Roménia e Costa Rica, onde reside atualmente. Neste país, 

ele trabalhou com as comunidades indígenas, e passou alguns anos no Caribe. A partir dessas experiências,
 e sua pesquisa de arquivos, nasceram as suas obras literárias. Várias de suas obras foram traduzidas para
 o francês, Inglês e Alemão.

9.986.(3noVEM2015.8.33') Histórias ESCANDALOSAS de Reis

Via revista sabado
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D.PedroI O Castrador

http://www.sabado.pt/vida/detalhe/os_escandalos_dos_reis_d_pedro_i_o_castrador_1320_1367.html

A vítima foi Afonso Madeira, descrito como um grande cavalgador, caçador, lutador e ágil acrobata. "Pelas suas qualidades, El-Rei amava-o muito e fazia-lhe generosas mercês", escreveu, num texto citado em As Crónicas de Fernão Lopes – Em Português Moderno por António José Saraiva. Mas o escudeiro apaixonou-se pela mulher do corregedor, que se chamava Catarina Tosse e era elogiada como "briosa, louçã e muito elegante, de graciosas prendas e de boa sociedade".

Afonso Madeira aproximou-se do corregedor, de quem se fez amigo, para assim poder mais facilmente seduzir a sua mulher, afastando suspeitas. Conseguiu de facto consumar a traição, mas D. Pedro descobriu e não lhe perdoou. Fernão Lopes volta a referir o afecto do Monarca pelo escudeiro, usando uma expressão suspeita: "Como quer que o Rei muito amasse o escudeiro (mais do que se deve aqui dizer)..."

Rosto engelhado e sem barba
Apesar deste amor, segundo o mesmo cronista, D. Pedro mandou "cortar-lhe aqueles membros que os homens em maior apreço têm". Afonso Madeira recebeu assistência e sobreviveu, mas "engrossou nas pernas e no corpo e viveu alguns anos com o rosto engelhado e sem barba".

Cristina Pimenta, autora de uma biografia sobre o Rei editada pelo Círculo de Leitores, destaca a forma intensa como D. Pedro punia os adúlteros e relaciona essa postura com o drama que viveu, quando se confrontou com o homicídio de Inês de Castro, a mando do seu pai. (Aliás, em 1360 perseguiu e mandou matar dois dos suspeitos implicados nesse crime e ordenou que o coração fosse arrancado a um pelo peito e a outro pelas costas.) Mas a autora desvaloriza os indícios sobre a orientação sexual do seu biografado.

Já Fernando Bruquetas de Castro, no livro Reis que Amaram como Rainhas, cita um frade beneditino para apontar outro possível parceiro de D. Pedro (o cavaleiro Fernão de Santarém) e não hesita em defini-lo como um bissexual e um amante liberal: "Amou apaixonadamente, apressadamente, todas e todos os que com essa intenção surgiram na sua frente."
TRÊS CRUELDADES
Mandou degolar dois seus criados por roubarem e matarem um judeu que andava a vender especiarias 
• Despiu o bispo do Porto e queria açoitá-lo por andar com uma mulher casada
• Mandou queimar uma mulher adúltera e ordenou a degolação do seu amante. O marido só soube no fim
Fonte: As Crónicas de Fernão Lopes – Em Português Moderno por António José Saraiva, Ed. Portugália
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 D.Sebastião, O Abusado
http://www.sabado.pt/vida/detalhe/os_escandalos_dos_reis_d_sebastiao_o_abusado_1554_1578.html
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D.João VI,O Traído
http://www.sabado.pt/vida/detalhe/os_escandalos_dos_reis_d_joao_vi_o_traido_1767_1826.html
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 D. João V, O Mulherengo
http://www.sabado.pt/vida/detalhe/os_escandalos_dos_reis_d_joao_v_o_mulherengo_1689_1750.html
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D. Afonso VI, O impotente
http://www.sabado.pt/vida/detalhe/os_escandalos_dos_reis_d_afonso_vi_o_impotente_1643_1683.html
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D. JOÃO II, O esfaqueador
http://www.sabado.pt/vida/detalhe/os_escandalos_dos_reis_d_joao_ii_o_esfaqueador_1455_1495.html

9.985.(3noVEM2015.8.8') Sobre o SOL

Via exposição do CESUC
https://www.facebook.com/cesuca?fref=nf
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O nascer e o pôr do Sol têm marcado a vida humana ao longo tempo. A energia do Sol permitiu a evolução da vida e continua a permitir a vida na Terra.
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"O Ano da Ciência está de volta!
No próximo sábado, 31 de Outubro, pelas 15h30, na Galeria da Caixa de Crédito Agrícola de Alcobaça, irá inaugurar a Exposição À Luz do Sol.
Gostaríamos que todos participassem na visita guiada pelo Sr. Prof. Doutor João Fernandes, Diretor do Observatório Astronómico e Geofísico da Universidade de Coimbra e Cara do Futuro - Visão 2013."
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1634999120083724&set=gm.911826842230693&type=3&theater
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O Sol emite por segundo uma quantidade enorme de energia: 4 00000000000000000000000000 watts!
Mas apenas uma pequena parte desta energia chega à Terra (200 000000000000000 watts) isto é, uma energia de 2000 milhões de vezes inferior à que o Sol irradia. Esta quantidade de energia é, ainda, suficientemente grande para que possa ser utilizada como fonte de energia para as mais variadas atividades humanas.
O aproveitamento da energia solar é um método alternativo à utilização dos chamados combustíveis fósseis (como o petróleo ou o carvão)

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4nov2015 - 15 anos de Estação Espacial Internacional

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O aproveitamento da energia solar tem duas enormes vantagens: não polui e é uma alternativa aos combustíveis fósseis que se esgotarão num futuro próximo. Conforme o gráfico abaixo, pode-se antever a exaustão dos combustíveis fósseis em menos de 300 anos, enquanto que as necessidades energéticas continuarão a aumentar. Esta realidade obriga ao desenvolvimento de novas fontes de energia.
Engenhos colocados no Espaço utilizam há vários anos painéis solares, formandos por uma rede de células fotovoltaicas para transformação da energia solar em energia eléctrica. Um bom exemplo é a Estação Espacial Internacional.

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Atualmente o Sol é extensivamente investigado usando aparelhos à superfície da Terra e no espaço. Os motivos para este estudo são muitos e variados: desde a compreensão da influência da radiação solar na atmosfera da Terra até à compreensão das outras estrelas. Afinal, o Sol não é mais do que uma estrela entre alguns milhares de milhões de estrelas que povoam a nossa galáxia, a Via Láctea.
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A estrutura interna do Sol é composta pelo núcleo que, ocupa 10% do tamanho do Sol e a sua temperatura é superior a 15 milhões de graus centígrados. E, pela zona radiativa e zona convectiva onde, os fotões que se formam no núcleo percorrem, depois, estas duas zonas antes de atingirem a superfície. Na zona convectiva, para além de fotões, há também movimentos de matéria.
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A estrutura externa do Sol é constituída por: Fotosfera, Cromosfera e Coroa.
A Fotosfera é a zona identificada com a superfície do Sol onde se encontram as manchas solares, esta encontra-se a uma temperatura de 6000 graus C.
A Cromosfera é a zona acima da Fotosfera onde a temperatura atinge 40000 graus C e é onde se formam as erupções e as protuberâncias (manifestações do campo magnético do Sol.
A Coroa é a zona mais quente da estrutura externa do Sol, com uma temperatura de um milhão de graus centígrados é uma densidade muitíssimo baixa. Durante os eclipses totais, a coroa aparece como uma zona esbranquiçada que envolve o Sol.
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Mas afinal, O que é o Sol?
O Sol é uma estrela. É uma enorme esfera de gás e plasma constituída essencialmente por hidrogénio e hélio. O seu diâmetro mede 1400 mil quilómetros.
A massa do Sol é um milhão de vezes superior à massa da Terra e mil vezes superior à massa de Júpiter.
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OBSERVAR O SOL PARA COMPREENDER O UNIVERSO
O estudo das estrelas, em geral, e do Sol em particular, permite compreender o comportamento dos elementos químicos em condições de temperatura, pressão e densidade não reprodutíveis na Terra.
No centro do Sol a temperatura atinge 15 milhões de graus. A fusão do hidrogénio e a sua transformação em hélio produz, para além de fotões, neutrinos.

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https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1637921876458115&set=pcb.917015335045177&type=3&theater

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1637921576458145&set=pcb.917015335045177&type=3&theater
Possivelmente, os neutrinos são das partículas mais abundantes no Universo. O estudo das suas propriedades (como por exemplo, a massa) será determinante para prever se o Universo, após o Big-Bang inicial, vai continuar a expandir-se indefinidamente ou entrar em contração.
Como reconhecimento do estudo dos neutrinos, Raymond Davis Jr. (EUA) e Masatoshi Koshiba (Japão) foram galardoados, em 2002, com o Prémio Nobel da Física.




7.933.(3noVEM2015.7.7') André Malraux

Nasceu a 3noVEM1901
e morreu a 23noVEM1976
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 escritor e político francês, herói da Resistência à ocupação nazi, durante a II Guerra Mundial, ministro da Cultura em 1960.
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Via Graça Silva:
In a Tentação do Ocidente
"Não posso conceber o homem independente da sua intensidade. Basta ler um tratado de psicologia para sentir quanto as nossas ideias gerais mais penetrantes se deturpam quando queremos empregá-las para compreender os nossos actos. O seu valor desaparece à medida que avançamos na nossa procura, e é então fatal o choque com o incompreensível, com o absurdo, quer dizer com o ponto extremo do particular. A chave deste absurdo não será a intensidade sempre diferente que caracteriza a vida?" 
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Via Citador

http://www.citador.pt/frases/citacoes/a/andre-malraux
Se compreendêssemos, nunca mais poderíamos julgar.
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São precisos 60 anos e não 9 meses para fazer um homem.
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O homem é aquilo que ele próprio faz.
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Só damos pelo envelhecimento dos outros.
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Os grandes artistas não são os copistas do mundo, são os seus rivais.
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A cultura, sob todas as formas de arte, de amor e de pensamento, através dos séculos, capacitou o homem a ser menos escravizado.
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Quem se mata corre atrás de uma imagem que forjou de si próprio: as pessoas matam-se sempre para existir.
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Aprendi que uma vida não vale nada, mas também que nada vale uma vida.
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Há algo maior que o poder que se chama justiça.
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Não há cinquenta maneiras de combater, há apenas uma: a do vencedor.
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A dor que não ajuda ninguém é absurda.
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O museu transforma a obra em objecto.
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A tragédia da morte consiste em que ela transforma a vida em destino.
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A arte é um antidestino.
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Vi as democracias intervirem contra quase tudo, salvo contra os fascismos.
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O comunismo destrói a democracia; mas a democracia também pode destruir o comunismo.
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A coragem pessoal de um chefe é tanto maior quanto tem uma má consciência de chefe.
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A Gioconda sorri porque todos os que lhe puseram bigodes estão mortos.
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Miséria deste século; não há muito eram as más acções que tinham de ser justificadas; hoje são as boas.
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Ele era naturalmente corajoso (...) como tantos tímidos.
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A revolução, as férias da vida.
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Não existe herói sem plateia.
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A coragem é uma coisa que se organiza.
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Há artistas desajeitados, não há estilos desajeitados.
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In O Tempo do Desprezo
Pode-se gostar que o sentido da palavra arte seja tentar dar aos homens a consciência da grandeza que ignoram neles mesmos.
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In Os Conquistadores
A esperança dos homens é a sua razão de viver e de morrer.
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In As Nogueiras de Altemburgo
A cultura não se herda, conquista-se.
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In O Triângulo negro
Se existe uma solidão em que o solitário é um abandonado, existe outra onde ele é solitário porque os homens ainda não se juntaram a ele.
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In Antimemórias
A verdade de um homem é em primeiro lugar aquilo que ele esconde.
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A verdadeira barbárie é Dachau; a verdadeira civilização é, antes de tudo, a parte do homem que os campos de extermínio quiseram destruir.
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Cada civilização é obcecada, visível ou invisivelmente, pelo que pensa sobre a morte.
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O que me importa o que só me importa a mim?
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in A Condição Humana
O pior sofrimento está na solidão que a acompanha.
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Só a música pode falar da morte.
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Conhecer pela inteligência é a tentação vã de deixar passar o tempo.
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In Les Voix du silence
À questão: 'O que é a arte?' somos levados a responder: 'Aquilo por meio do qual as formas se tornam estilo'.
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in A esperança
O difícil não é estar com os amigos quando têm razão, mas quando estão errados.
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Os homens só morrem pelo que não existe.
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Não se faz política com a moral, mas também não se faz mais sem ela.
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E Cristo? É um anarquista que teve êxito. O único.
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Não se ensina a estender a outra face a pessoas que, desde há dois mil anos, só têm recebido bofetões.
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É próprio das questões insolúveis serem gastas pela palavra.
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 in 'A Tentação do Ocidente'

O Cortejo Ingénuo dos Nossos Sonhos


Não desenhamos uma imagem ilusória de nós próprios, mas inúmeras imagens, das quais muitas são apenas esboços, e que o espírito repele com embaraço, mesmo quando porventura haja colaborado, ele próprio, na sua formação. Qualquer livro, qualquer conversa podem fazê-las surgir; renovadas por cada paixão nova, mudam com os nossos mais recentes prazeres e os nossos últimos desgostos. São, contudo, bastante fortes para deixarem, em nós, lembranças secretas que crescem até formarem um dos elementos mais importantes da nossa vida: a consciência que temos de nós mesmos tão velada, tão oposta a toda a razão, que o próprio esforço do espírito para a captar a faz anular-se.
Nada de definido, nem que nos permita definir-nos; uma espécie de potência latente... como se houvesse apenas faltado a ocasião para cumprirmos no mundo real os gestos dos nossos sonhos, conservamos a impressão confusa, não de os ter realizado, mas de termos sido capazes de os realizar. Sentimos esta potência em nós como o atleta conhece a sua força sem pensar nela. Actores miseráveis que já não querem deixar os seus papéis gloriosos, somos, para nós mesmos, seres nos quais dorme, amalgamado, o cortejo ingénuo das possibilidades das nossas acções e dos nossos sonhos. 
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biografia
Via Aida Nuno
http://filantropia.blogs.sapo.pt/7167.html
Para a maioria dos escritores a infância é objecto de recordações nostálgicas e maravilhosas.  André Malraux  empregou toda a sua energia para a esquecer : "Presque tous les écrivains que je connais aiment leur enfance, je déteste la mienne" escreve nas suas anti memórias em 1967.
Nasceu em 1903 em Montmartre – Paris. Depois da separação de seus pais Malraux foi criado por três mulheres: sua avó, sua mãe e sua tia. Começou nessa altura a descobrir o mundo através de livros e de museus. Dotado de uma grande curiosidade e de uma memória prodigiosa muito novo começou a frequentar meios literários e artísticos avant-garde. Malraux torna-se num apaixonado pela pintura cubista.
Em 1921 é editado o seu primeiro livro “Luas de Papel”.
Mais tarde conhece Clara Goldschmidt, rica herdeira de uma família alemã emigrada. Clara é imediatamente seduzida por este homem elegante e de uma inteligência brilhante. Depois de casados Malraux joga a fortuna de sua mulher na bolsa e perde. O casal fica arruinado.
Para reconstruir rapidamente o património André Malraux toma a estranha decisão de ir buscar algumas estátuas khmères à selva do Cambodja para as vender no Ocidente. A expedição é um desastre. No Natal de 1923 chegam a Phnom-Penh. André Malraux é condenado a três anos de prisão. Sua mulher e cerca de vinte grandes escritores franceses mobilizam-se e conseguem a sua libertação.
Esta experiência incute-lhe o vírus da aventura e o seu interesse pela acção política. Malraux retorna à Ásia. Torna-se num anti-colonialista o que lhe traz vários problemas com a justiça. Como redactor e chefe de uma publicação clandestina “L’Indochine Enchainée” foca os acontecimentos da revolução chinesa, principalmente de Cantão em 1925.
Regressa a França onde publica os seus primeiros romances: A Tentação do Ocidente (1926); A Estrada Real (1930- Prémio Interallié);  A Condição Humana (Prémio Concourt-1933).
Convicto antifascista participa na Guerra Civil de Espanha ao lado dos republicanos em 1936. Este acontecimento inspira-o para um grande romance “A Esperança” (1937) e um filme “Serra de Terruel” (1939).
Durante a segunda guerra mundial entra tardiamente na resistência (1943) sob o nome de Coronel Berger. Passa por grandes dificuldades junto dos gaulistas e comunistas. Em 1944 cai numa emboscada em Toulouse. Ferido Malraux é preso, interrogado e transferido para a prisão de Saint-Michel de Toulouse. Deve a sua libertação, em Agosto, quando da retirada precipitada dos alemães.
Separa-se de Clara Goldschmidt em 1938 e passa a viver exclusivamente com Josette Clotes com quem se tinha relacionado desde 1933 e de quem tem dois filhos. Em 1944 Josette morre acidentalmente.
Posteriormente casa com Madeleine viúva de seu meio-irmão Roland preso e executado em 1944, como resistente.
Em 1945 ele reencontra o General De Gaulle.   Uma grande admiração recíproca é criada entre os dois. Malraux aceita o convite para seu conselheiro técnico da Cultura e será por um curto espaço de tempo Ministro da Informação (Novembro 1945 – Janeiro 1946).
Nunca mais deixará o General De Gaulle. Em 1958 é nomeado Ministro do Estado encarregado de Assuntos Culturais. O militante revolucionário torna-se em militante Gaulista.
Posteriormente Malraux publicou várias obras entre elas  A Voz do Silêncio em 1951.
Em 1961 perde os seus dois filhos. “A morte é a prova irrefutável do absurdo da vida” cita Malraux.
A Metamorfose dos Deuses (1957-1976), e Anti memórias (1967) são obras notáveis deste homem de grande intelecto.
Em 1970, publica “Chênes que l'on Abat”, a última homenagem ao General De Gaulle.
Morre em 1976 no Hospital Henri-Mondor de Créteil com uma congestão pulmonar.
Jean d'Ormesson escreve sobre Malraux: ...”É dentro do coração e na memória que sobrevivem os escritores. - Malraux amou a Arte, a Revolução e o General De Gaulle.”
Estrada Real é o relato quase iniciático da revelação do destino do homem, obtida através da sua luta contra a natureza e os outros homens. André Malraux finaliza esta narrativa com a terrível descoberta de que a morte é uma experiência individual e infinitamente solitária.
A ESTRADA REAL de André Malraux (excertos)
Este maravilhoso livro é iniciado por uma troca de palavras entre Perken e Claude a respeito de alguns aspectos mais sombrios do erotismo:
“...Os homens mais novos não entendem o...como é que vocês dizem?...o erotismo.
Até aos quarenta, caímos sempre no mesmo erro, não sabemos libertar-nos do amor; um homem que, em vez de pensar numa mulher como complemento de um sexo, pensa no sexo como complemento de uma mulher, está pronto para o amor: tanto pior para ele. Mas há pior; a época em que a obsessão do sexo, a obsessão da adolescência, regressa, mais forte ainda alimentando-se de toda a espécie de recordações...”
Claude, ao sentir o cheiro do pó, a cânhamo e a cotão entranhado na sua roupa, tornou a ver a cortina de sacas ligeiramente repuxada atrás da qual um braço estendido lhe tinha mostrado, havia pouco, uma adolescente negra, nua (depilada), com uma ofuscante mancha de sol no seio direito espetado; e a prega das pálpebras grossas que tão bem exprimia o erotismo, o desejo maníaco, “o desejo de trazer os nervos à flor da pele”, dizia Perken... E este continuava:
- Vão-se transformando as recordações...A imaginação é uma coisa extraordinária! Em si mesma,  estranha a si mesma...A imaginação...compensa sempre...
“...- O que quer dizer com isso, ao certo?
- Você há-de compreender por si, mais tarde ou mais cedo...os bordéis somalis estão cheios de surpresas...
Claude conhecia bem aquela ironia rancorosa que um homem raramente emprega a não ser contra si ou contra o seu destino.”
Claude é um jovem de 26 anos que decide aventurar-se à busca, nas florestas da Indochina, de templos perdidos que se dispersavam ao longo da Antiga Estrada Real Khmer, que liga Angkor e os lagos à bacia de Menão.
Perken é uma espécie de alto funcionário siamês que vai explorar os mesmos caminhos em busca de Grabot, um presumível desertor. Tendo um passado estranho sente-se prisioneiro da sua própria vida.
É nesta expedição que entre eles se gera uma amizade e profunda fraternidade nascida do próprio sentido de aventura e da consciência do perigo.
“...Nunca se faz nada da vida, diz Perken.
- Mas ela faz alguma coisa por nós, responde Claude.
- Nem sempre... O que espera você da sua?
Claude não respondeu logo. O passado daquele homem transformara-se em experiência, em pensamento apenas sugerido, em olhar, que a sua biografia perdia toda a importância. Só restava entre eles – para os ligar – aquilo que os entes têm de mais profundo.
- Penso que sei sobretudo o que não espero dela...
- De cada vez que você teve de optar, não se...
- Não sou eu que opto: é aquilo que resiste.
- Mas o quê?
Tantas vezes fizera a si próprio essa pergunta que pôde responder imediatamente:
- A consciência da morte.
- A verdadeira morte é a decadência.
Perken olhava agora no espelho o seu próprio rosto.
- É tão mais grave, envelhecer! – Aceitarmos o nosso destino, a nossa função, a casota de cão erguida na nossa vida única... Não se sabe o que é a morte quando se é novo...
E de repente, Claude descobriu o que o ligava àquele homem que o aceitara sem que ele percebesse bem porquê: “a obsessão da morte.”
Percorremos com o escritor as florestas da Indochina, sentimos a esperança, a inquietação e o cansaço dos personagens. A vontade de vencerem, o instinto de viver para além das dificuldades, o espírito de gratidão ao descobrir a primeira figura esculpida...A consciência, a procura, o desalento passam pelos nossos olhos de uma maneira tão absoluta que não distinguimos o bem do mal. Só sentimos o homem e a sua condição humana.
“A unidade da floresta, agora, impunha-se; havia seis dias que Claude renunciara a separar os seres das formas, a vida que se move da vida que ressuma; uma potência desconhecida ligava os fungos às árvores, fazia formigar todas estas coisas provisórias sobre um solo semelhante à espuma dos pântanos, nestas florestas fumegantes do começo do Mundo. Que acto humano tinha aqui sentido? Que vontade conservava a sua força? Tudo se ramificava, amolecia, procurava adaptar-se a este mundo ao mesmo tempo ignóbil e cativante, como o olhar dos idiotas, e que minava os nervos com a mesma força abjecta que essas aranhas suspensas entre os ramos, de que Claude a princípio tanta dificuldade tivera em desviar os olhos.”
A luta em desbravar, levar o que lhes não pertence, a passagem pelas aldeias em troca de missangas, de álcool, e do medo que, por vezes inspiram, toca-nos e transportam-nos para um mundo desconhecido.
 “...A noite, agora fechada, mergulhava até às mais longínquas terras da Ásia, restabelecida, a par do silêncio, sobre os ermos. Acima do fraco ruído das fogueiras, elevavam-se as vozes de dois indígenas, claras e monótonas, mas sem alcance, prisioneiras: mesmo ao lado deles, um robusto despertador media com precisão o silêncio sem fim da selva.
Mais do que as fogueiras, mais do que as vozes, era esse tiquetaque que ligava Claude à vida dos homens, pela sua constância, pela sua clareza, pelo que há de invencível em todo o objecto mecânico. O seu pensamento vinha à superfície, mas alimentado de abismos de onde brotava, dominado ainda pela força do sobrenatural que se elevava da noite e da terra queimada, como se tudo, até mesmo a terra, se tivesse encarregado de o convencer da miséria humana.
- E a outra morte, aquela que está em nós?
-Existir contra tudo isto (Perken indicava com o olhar a maçadora majestade da noite), você compreende o que isso significa? Existir contra a morte é a mesma coisa. Ás vezes parece que represento o meu próprio papel nessa hora. E talvez tudo se resolva muito em breve, com uma flecha mais ou menos repugnante...
...Eu estive quase a morrer: você Claude não conhece a exaltação que vem do absurdo da vida, quando estamos diante dela como diante de uma mulher des... Fez o gesto de arrancar.
- Despida. Nua, de repente...
Claude já não conseguia desviar os olhos das estrelas:
- Falhamos quase todos a nossa morte...
-Eu passo a minha vida a vê-la. E aquilo que você quer dizer - porque também você tem medo - é verdade: é possível que eu seja mais fraco do que a minha. Tanto pior! Também há qualquer coisa de...satisfatório na destruição da vida...
- Você nunca pensou seriamente em matar-se? Pergunta Claude
- Não é para morrer que eu penso na minha morte, é para viver.
Aquela tensão da voz era a desta paixão e de nenhuma outra: uma alegria lancinante, sem esperança, como o destroço de um navio içado de profundezas tão longínquas como a das trevas.”
Perken recupera Grabot martirizado e doente. Há os interesses do caminho de ferro, a ocupação militar... A aventura transforma-se em pânico... Perken é ferido de morte... sente-se um condenado sem esperança. O seu pior adversário é a sua decadência.
“Já não tinha mão, já não tinha por corpo mais do que senão a sua dor; o que significava a palavra “decadência”?...
...Claude viu o sangue surgir entre os lábios de Perken, mas o sofrimento protegia o amigo contra a morte: enquanto sofresse estava vivo. De repente, a imaginação colocou-o no lugar de Perken: nunca se sentira tão preso à vida que não amava.
...Claude lembrou-se, com ódio, da frase da sua infância:
“Senhor, valei-nos na nossa agonia...” Exprimir com as mãos e os olhos, senão com palavras, essa fraternidade desesperada que o projectava para fora de si próprio! Estreitou-lhe os ombros.
Perken olhava aquela testemunha, estranho a ela, como a um ser de outro mundo.”
Nota pessoal
Génio entre os génios André Malraux é uma das mais vivas forças intelectuais do século XX. Foi um fervoroso defensor da dignidade humana.
Principalmente este livro foca a amizade profunda entre dois homens que se encontram, se ajudam e se interrogam.
A morte enterra-se em nós e faz-nos meditar sobre as culpas, sobre os direitos, sobre a alma humana e as suas fragilidades.
Somos seres derrotados perante o abismo de uma morte lúcida. É como uma espera para nascer, uma dor profunda perante a visão do que ainda não se vislumbra, como o parto natural de um ser...
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Via JERO.Lusa
 
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10203942082507023&set=a.1029365188983.3914.1670949754&type=3&theater
 "A cultura capacitou o homem a ser menos escravizado"
era um escritor, teórico de arte francês e ministro de Assuntos Culturais. O romance de Malraux La Condition Humaine (O destino do homem) (1933), ganhou o Prix Goncourt. Ele foi nomeado pelo presidente Charles de Gaulle como Ministro da Informação (1945-1946) e, posteriormente, como o primeiro ministro de Assuntos Culturais da França durante a presidência de de Gaulle (1.959-1.969).

02/11/2015

9.021.(1noVEM2015.20.20') José Fonseca e Costa

Nasceu a 27jun1933
e morreu a 1noVEM2015
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Via PCP

https://www.facebook.com/cineavante.festadoavante/photos/a.221198017931221.71886.193809724003384/1016516015066080/?type=3&theater
José Fonseca e Costa figura incontornável da cultura portuguesa
O Secretariado do Comité Central do PCP endereçou uma mensagem de condolências à família de José Fonseca e Costa, manifestando o “seu sentido pesar pelo falecimento do amigo José Fonseca e Costa, figura incontornável da cultura portuguesa e um dos nomes mais marcantes do cinema português”.
Na mensagem endereçada, o PCP assinala “O cineasta, o intelectual que ao longo de 50 anos construiu uma impressionante filmografia onde pontificou uma visão da produção e da fruição cinematográfica como direitos e não como nichos de elite. Uma visão do cinema para as massas, na medida da elevação da sua consciência e não da diminuição da qualidade da sua produção, como se pode verificar no seu filme “cinco dias e cinco noites”, realizado em 1995 a partir da obra de Álvaro Cunhal, com o mesmo nome”, destacando ainda “não apenas o cineasta e o intelectual, mas também o Homem, que desde a sua juventude assumiu a sua condição de antifascista e anticolonialista, mantendo sempre uma ligação estreita às suas origens e uma luta persistente pela liberdade e a democracia”.
Nota do Gabinete de Imprensa do PCP
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Kilas o mau da fita
https://www.youtube.com/watch?v=y3bSkOuRGzw
Três excertos do filme realizado por José Fonseca e Costa em 1980.
http://www.cinept.ubi.pt/pt/filme/2435
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Via expresso

http://expresso.sapo.pt/sociedade/2015-11-01-Morreu-o-cineasta-Jose-Fonseca-e-Costa
 faleceu na manhã deste domingo no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. O Expresso soube que o cineasta português morreu vítima de uma pneumonia, na sequência de uma pré-leucemia.
Nascido em Angola a 27 de junho de 1933, Fonseca e Costa mudou-se para Lisboa em 1945. Em 1951 entraria no curso de Direito da Universidade de Lisboa, mas acabaria por trocá-lo para se dedicar à sétima arte.
O seu percurso profissional tem início Itália, nos anos 60, num estágio com Michelangelo Antonioni no filme “L' Eclisse” (“O Eclipse”). Inicialmente, ficaria conhecido pelo seu trabalho como documentarista e realizador de filmes publicitários.
Sócio-fundador do Centro Portugês de Cinema, é um dos pioneiros do movimento do Novo Cinema em Portugal. A sua carreira ficou marcada por filmes como “O Recado” (1972), “A Mulher do Próximo” (1988) e “Cinco Dias, Cinco Noites (1996). Mas seria “Kilas, o Mau da Fita” (1981) o seu filme mais famoso - e um dos maiores êxitos de bilheteira da história do cinema português.
Fonseca e Costa foi ainda dirigente da Associação de Realizadores de Cinema e Audiovisuais e presidente do Conselho de Administração da Tobis Portuguesa.
O produtor Paulo Branco - que estava a produzir o último filme do realizador, “Axilas”, baseado num conto de Ruben da Fonseca - afirmou, em declarações à Lusa, que o realizador tinha decidido avançar com este projeto recente “que era muito importante para ele”.
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5 dias 5 noites
https://www.youtube.com/watch?v=9Kh4v8N7ZZY
Portugal, final dos anos 40. André, 19 anos, vê-se forçado a abandonar o país depois de fugir da prisão. No Porto, uns amigos arranjam-lhe um passador (Lambaça), contrabandista dado ao vinho e brigão, que conhece bem a fronteira de Trás-os-Montes. A sua antipatia e desconfiança mútua nascem logo no primeiro encontro. Mas, ao longo de cinco dias e cinco noites, atravessando montes e vales, escondendo-se da guarda e da polícia política, e com a ajuda de muito conhecidos de Lambaça (entre os quais a bela Zulmira), os dois homens vão ter tempo para se conhecer melhor um ao outro. E desse antipatia e desconfiança iniciais, do encontro desses dois mundos que de outra forma nunca se cruzariam, irá talvez ficar, quando finalmente se despedem, uma amizade e admiração que nenhum deles esquecerá.

INTÉRPRETES: Paulo Pires; Sinde Filipe; Vítor Norte; Laura Soveral; Miguel Guilherme; Joaquim Nicolau; Rita Durão; Canto e Castro; Ana Padrão.
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Via Vitor Dias

Com um vídeo de «Cinco Dias, Cinco Noites» aqui em
http://otempodascerejas2.blogspot.pt/2015/11/faleceu-hoje.html