08/03/2016

5.236.(8mar2016.7.7') Comunicados de Imprensa março 2016 - CDU Alcobaça


COMUNICADOS DA CDU
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28março2016
Com intervenção de Vladimiro Vale

    CDU de Alcobaça assinala 40º aniversário
    da Constituição da República
      
                            Cartaz
    A CDU de Alcobaça vai assinalar, no dia 2 de abril, no Restaurante Caçador, no Casal da Areia, a Constituição da República, precisamente no dia em que foi aprovada há 40 anos. “Estávamos e estamos com os mesmos objetivos de construir uma democracia a sério. A lei fundamental é um guia para a nossa vida política. Podemos melhorar as nossas práticas políticas em todos os sectores e pelouros”, refere a CDU, justificando assim a realização deste jantar-convívio com Conversa Pública, com intervenção de Vladimiro Vale, membro do Comité Central do Partido Comunista Português.
    01-04-201
    *
    21mar2016
    COMUNICADO DA CDU

    A Água
    A Mata do Vimeiro


    À comunicação Social
    Às e Aos Alcobacenses

    1. Quando se comemora do Dia Mundial da Água a CDU não esquece a importância do vector estratégico da Água no nosso município...
    Estudos apontam para que daqui a poucos anos haverá défice de água em muitas zonas do mundo…
    Alcobaça tem de passar a cumprir muito melhor gestão e protecção dos seus recursos hídricos, no elevar da qualidade água fornecida, no tratamento das águas residuais e na prevenção de catástrofes naturais.
    O regadio agrícola tem também de ser cada vez mais eficiente e a utilização de pesticidas tem que ser cuidada.
    A água é uma necessidade básica para a vida e Alcobaça deve preparar-se para exportar este bem, respondendo a necessidades doutras zonas do mundo.
    A CDU vai, de novo, ajudar a encontrar soluções nos Serviços Municipalizados que atenuem um passado ruinoso na gestão da água em alta e no saneamento. Os nossos eleitos vão propor que se aumente a resposta do saneamento e no implementar medidas de maior poupança nas perdas de água tratada.

    2. Também se comemora a importância da Floresta.
    A CDU vai trazer, de novo, para a ordem do dia, o pressionar do Estado, para acabar com o desleixo e avançar, em parceria com o município de Alcobaça, e freguesias confinantes, nas soluções de valorização da Mata do Vimeiro.


    Pel’ A COORDENADORA CONCELHIA DA CDU

    ALCOBAÇA, 21 de março de 2016
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    14mar2016
    1.A extraordinária força dos voluntários na economia social.
    2. É correcto reunir descentralizadamente.
    3. CDU congratula-se pela 1.ª reunião descentralizada e pela 1.ª vez que se avalia, atempadamente, politicamente as contas e gestão

    À comunicação Social
    Aos e às Alcobacenses

    1. Alcobaça tem um exército extraordinário de voluntários (as) no movimento associativo, nas instituições sociais, nas cooperativas e noutras organizações da economia social. Conjuntamente, assumem inúmeras responsabilidades do estado (Central e Local) tornando a vida da comunidade mais inclusiva, mais participativa e mais democrática. Há que valorizar mais o seu trabalho, apoiando-o nas diferentes competências, com melhoria dos critérios de apoio financeiro. É preciso incentivar a sua organização, investir na formação e na qualificação das organizações e dos dirigentes, procurar a eficácia e a eficiência deste Movimento que, legitimamente, devemos considerar um vector estratégico do desenvolvimento do nosso concelho.
    2. A primeira reunião de câmara descentralizada, em dezoito anos, foi em Alfeizerão, e provou que é correcto o que a CDU sempre reclamou: O aproximar do executivo municipal a todos os autarcas da freguesia valorizando não só o Presidente da Junta; Informar do Plano Estratégico que foi aprovado por unanimidade de todas as forças políticas e que tem tanto para explicitar de cada freguesia; Concretizar o Planear com Todos, anunciando os próximos projectos e projectar o que se pensa fazer e deixar para melhor análise e recolha de contributos; Ouvir os munícipes…
    3. A CDU congratula-se também por verificar a concretização de outra prática que reivindica desde 1998: a avaliação política das contas e gestão de cada ano, com tempo, e espera que também se concretize a entrega atempada de toda a documentação de 2015, quer da Câmara quer dos Serviços Municipalizados.

    Pel’ A COORDENADORA CONCELHIA DA CDU


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    cister.fm
    http://cister.fm/cister/noticias/politica/comunicado-da-cdu-20/
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    7mar2016
    COMUNICADO DA CDU
    - A trabalho igual salário igual
    - A Assembleia Municipal de 27fev2016, aprovou, por unanimidade, a proposta de moção da CDU sobre “o dia incontornável no caminho de uma sociedade justa, livre de desigualdades e discriminações.”

    À comunicação Social
    Aos Alcobacenses

    MOÇÃO
    Dia Internacional da Mulher – 8 de Março
    O Dia Internacional da Mulher está historicamente ligado à luta das mulheres trabalhadoras pela sua emancipação política, económica e social.
    Ao longo de mais de um século, desde a aprovação durante a 2.ª Conferência Internacional de Mulheres (Copenhaga) em 1910 de um Dia Internacional da Mulher, são inúmeros os exemplos em que este dia se eleva como manifestação e luta pelas mais justas aspirações das mulheres de todo o mundo, um dia de acção das mulheres pelos seus direitos próprios, contra todas as formas de discriminação.
    Os objectivos que estiveram na origem da instituição do Dia Internacional da Mulher mantêm-se actuais: a sociedade em que vivemos é marcada pelo triunfo de desigualdades, pela gigantesca desproporção entre os poucos detentores da riqueza e os muitos milhões de homens, mulheres e crianças que não têm nada. Milhões de mulheres no mundo não têm garantida a sua sobrevivência e dos seus familiares. São as primeiras vítimas dos conflitos armados.
    O 8 de Março assume-se pelo facto de transportar para o tempo presente um património histórico de luta das mulheres pela sua emancipação, com reivindicações específicas, que constitui um factor de enriquecimento de uma luta comum a homens e mulheres pela transformação social.
    O Poder Local tem tido um papel importante na promoção dos direitos das mulheres, da valorização da sua participação como parte integrante da história das regiões.
    Em Portugal, está a ser feito um caminho de recuperação de direitos de grande significado para as mulheres: o aumento do salário mínimo nacional, a reposição dos quatro feriados suspensos, o direito das mulheres à interrupção voluntária da gravidez sem pressões nem condicionamentos, a eliminação das penhoras e hipotecas da habitação em execuções fiscais.
    É um caminho de avanços que importa consolidar.
    A Assembleia Municipal de Alcobaça, reunida a 26 de Fevereiro de 2016, apela às mulheres para que, com a sua determinação, coragem e confiança no futuro, comemorem o Dia Internacional da Mulher, honrando todas e todos os que lutam por uma sociedade justa, livre de desigualdades e de discriminações.
    Pel’ A COORDENADORA CONCELHIA DA CDU
    ALCOBAÇA, 7 de março de 2016
    Clementina Henriques
    917 287 798

    João Paulo Raimundo

    917 217 060
    ***
    Via cister.fm
    http://cister.fm/cister/noticias/politica/comunicado-da-cdu-19/
    ***
    O FUTURO
    José Carlos Ary dos Santos
    Isto vai meus amigos isto vai
    um passo atrás são sempre dois em frente
    e um povo verdadeiro não se trai
    não quer gente mais gente que outra gente

    Isto vai meus amigos isto vai
    o que é preciso é ter sempre presente
    que o presente é um tempo que se vai
    e o futuro é o tempo resistente

    Depois da tempestade há a bonança
    que é verde como a cor que tem a esperança
    quando a água de Abril sobre nós cai.

    O que é preciso é termos confiança
    se fizermos de maio a nossa lança
    isto vai meus amigos isto vai.

    ***

    07/03/2016

    4.003.(7mar2016.7.7') Henry D. Thoureau

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    Via Citador:
    Estados Unidos 
    12 Jul 1817 // 6 Mai 1862 
    Escritor/Autor/Ensaísta/Poeta/Naturalista

    http://www.citador.pt/frases/citacoes/a/henry-david-thoreau
    A bondade é o único investimento que nunca vai à falência.
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    Se um homem marcha com um passo diferente do dos seus companheiros, é porque ouve outro tambor.
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    O talento limita-se a indicar a profundidade do carácter numa certa direcção.
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    Se és escritor, escreve como se tivesses os dias contados, porque, na verdade, eles estão-no quase todos.
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    Nada é tão útil ao homem como a resolução de não ter pressa.
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    Se avanças com fé na direcção dos teus sonhos e procuras viver a vida que imaginas, encontrarás o êxito a qualquer momento.
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    A virtude a que chamamos de boa vontade entre os homens é apenas a virtude dos porcos na pocilga, que dormem juntinhos para se aquecer.
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    A longo prazo os homens acertam apenas para aquilo que apontam. Por isso, embora falhem imediatamente, seria melhor que apontassem para algo mais alto.
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    Sob um governo que prende injustamente, o lugar de um homem justo também é na cadeia.
    Existem 999 professores de virtude para cada pessoa virtuosa.
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    Bendito entre os mortais aquele que não perde um momento da vida a recordar o que passou.
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    Um homem é rico na proporção do número de coisas de que ele é capaz de abrir a mão.
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    É preferível cultivar o respeito do bem que o respeito pela lei.
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    O que todos os empresários desejam mas em vão e que qualquer assalariado consegue: lazer e uma mente em paz.
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    Se queres um escudo impenetrável, permanece dentro de ti mesmo.
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    Qualquer idiota pode fazer uma regra e qualquer idiota a seguirá.
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    Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro.
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    É tão difícil observar-se a si mesmo quanto olhar para trás sem se voltar
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    A massa nunca se eleva ao padrão do seu melhor membro; pelo contrário, degrada-se ao nível do pior.
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    Às vezes faz bem ficar doente.
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    Podemos odiar aqueles que amamos. Os outros são-nos indiferentes.
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    O homem mais rico é aquele cujos prazeres são mais baratos.
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    A experiência localiza-se nos dedos e na cabeça. O coração não tem experiência.
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    in Diário
    Uma grande verdade, mesmo mal sugerida, comove-nos mais do que uma verdade medíocre completamente exprimida.
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    in Journal
    Uma frase perfeitamente sadia é muito rara.
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    in Ensaios e Outros Escritos
    Benditos os que nunca lêem jornais, porque verão a Natureza e, através dela, Deus.
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    in A Escravidão em Massachusetts
    Os homens hão-de aprender que a política não é a moral e que se ocupa apenas do que é oportuno.
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    in Walden
    Nunca é tarde para abrirmos mão dos nossos preconceitos.
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    Como se fosse possível matar o tempo sem ferir a eternidade.
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    Nos dias de hoje existem professores de filosofia, mas não filósofos.
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    A maioria dos homens vive uma existência de tranquilo desespero.
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    Cuidado com todas as actividades que requeiram roupas novas.
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    A Nossa Vida é Estilhaçada pelo Pormenor


    Vivemos mesquinhamente, quais formigas, ainda que a fábula nos relate que há muito tempo atrás fomos transformados em homens; como os pigmeus lutamos com gruas; e é erro sobre erro, remendo sobre remendo, e a nossa melhor virtude decorre de uma miséria supérflua e evitável. A nossa vida é estilhaçada pelo pormenor.
    Um homem honesto dificilmente precisa de contar para além dos seus dez dedos das mãos, acrescentando, em caso extremo, os seus dez dedos dos pés, e o resto que se amontoe. Simplicidade, simplicidade, simplicidade! Digo: ocupai-vos de dois ou três afazeres, e não de cem ou mil; contai meia dúzia em vez de um milhão e tomai nota das receitas e despesas na ponta do polegar. A meio do agitado mar da vida civilizada, tantas são as nuvens, as tempestades, as areias movediças, tantos são os mil e um imprevistos a ser levados em conta, que para não se afundar, para não ir a pique antes de chegar ao porto, um homem tem de ser um grande calculista para lograr êxito.
    Simplificar, simplificar, simplificar. Em vez de três refeições por dia, se preciso for, comer apenas uma; em vez de cem pratos, cinco; e reduzir proporcionalmente as outras coisas. A nossa vida é como uma Confederação Germânica, composta de insignificantes Estados e com as fronteiras sempre a flutuar, de modo que nem uma alemão sabe, em dado momento, dizer quais são. 
    *
    Vida Ilusória
    Ao mesmo tempo que a realidade é uma fábula, simulações e enganos são considerados como as verdades mais sólidas. Se os homens se detivessem a observar apenas as realidades, e não se permitissem ser enganados, a vida, comparada com as coisas que conhecemos, seria como um conto de fadas ou as histórias das Mil e Uma Noites. 
    Se respeitássemos apenas o que é inevitável e tem direito a ser, a música e a poesia ressoariam pelas ruas fora. Quando somos calmos e sábios, percebemos que só as coisas grandes e dignas têm existência permanente e absoluta, que os pequenos medos e os pequenos prazeres não passam de sombra da realidade, o que é sempre estimulante e sublime. Por fecharem os olhos e dormirem, por consentirem ser enganados pelas aparências, os homens em toda a parte estabelecem e confinam as suas vidas diárias de rotina e hábito em cima de fundações puramente ilusórias. 
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    Sabedoria Prática Inexistente

    A maioria dos luxos e muitos dos chamados confortos da vida não só são dispensáveis como constituem até obstáculos à elevação da humanidade. No que diz respeito a luxos e confortos, os mais sábios sempre viveram de modo mais simples e despojado que os pobres. Os antigos filósofos chineses, indianos, persas e gregos eram uma classe que se notabilizava pela extrama pobreza de bens exteriores, em contraste com a sua riqueza interior. Embora não saibamos muito a seu respeito, é de admirar quesaibamos tanto quanto sabemos. O mesmo acontece com reformadores e benfeitores mais recentes, da nacionalidade deles. Ninguém pode ser um observador imparcial e sábio da raça humana, a não ser da posição vantajosa a que chamaríamos pobreza voluntária.
    O fruto de uma vida de luxo é também luxo, seja em agricultura, comércio, literatura ou arte. Hoje em dia há professores de filosofia, mas não há filósofos. Contudo é admirável ensinar filosofia porque um dia foi admirável vivê-la. Ser um filósofo não é apenas ter pensamentos subtis, nem sequer fundar uma escola, mas amar a sabedoria a ponto de viver, segundo os seus ditames, uma vida de simplicidade, independência, magnanimidade e confiança. É solucionar alguns problemas da vida não só na teoria mas também na prática.
    *

    A Vida em Conformidade com Princípios mais Elevados

    Se a pessoa der ouvidos às subtis mas constantes sugestões do seu espírito, sem dúvida autênticas, não vê a que extremos, e até loucura, ele pode levá-la; contudo, por aí envereda o seu caminho à medida que cresce em resolução e fé. A mais leve objecção segura que um homem sadio fizer, com o tempo prevalecerá sobre os argumentos e costumes da humanidade. Nenhum homem jamais seguiu a sua índole a ponto de esta o extraviar. Embora o resultado fosse fraqueza física, ainda assim talvez ninguém pudesse dizer que as consequências eram lamentáveis, já que representariam a vida em conformidade com princípios mais elevados. Se o dia e a noite são de tal natureza que vós os saudais com alegria, se a vida emite uma fragrância de flores e ervas aromáticas e se torna mais elástica, mais cintilante e mais imortal - aí está o vosso êxito.
    A natureza inteira é a vossa congratulação e tendes motivos terrenos para bendizer-vos. Os maiores lucros e valores estão ainda mais longe de serem apreciados. Chegamos facilmente a duvidar de que existam. Logo os esquecemos. Constituem, entretanto, a realidade mais elevada.
    Talvez os factos mais estarrecedores e verdadeiros nunca sejam comunicados de homem a homem. A verdadeira colheita do meu dia a dia é algo de tão intangível e indescritível como os matizes da aurora e do crepúsculo. O que tenho nas mãos é um pouco de poeira das estrelas e um fragmento do arco-íris. 
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    Virtudes Ociosas e Bolorentas

    Mais que amor, dinheiro e fama, dai-me a verdade. Sentei-me a uma mesa onde a comida era fina, os vinhos abundantes e o serviço impecável, mas onde faltavam sinceridade e verdade, e com fome me fui embora do inóspito recinto. A hospitalidade era fria como os sorvetes. Pensei que nem havia necessidade de gelo para conservá-los. Gabaram-me a idade do vinho e a fama da safra, mas eu pensava num vinho muito mais velho, mais novo e mais puro, de uma safra mais gloriosa, que eles não tinham e nem sequer podiam comprar.
    O estilo, a casa com o terreno em volta e o «entretenimento» não representam nada para mim. Visitei o rei, mas ele deixou-me à espera no vestíbulo, comportando-se como um homem incapaz de hospitalidade. Na minha vizinhança havia um homem que morava no oco de uma árvore e cujas maneiras eram régias. Teria feito bem melhor visitando-o a ele.
    Até quando nos sentaremos nós nos nossos alpendres a praticar virtudes ociosas e bolorentas, que qualquer trabalho tornaria descabidas? É como se alguém começasse o dia com paciência, contratasse alguém para lhe sachar as batatas, e de tarde saísse para praticar a mansidão e a caridade cristãs com bondade premeditada! 
    *

    A Melhor Companhia

    Considero saudável estar só na maior parte do tempo. Estar acompanhado, mesmo pelos melhores, cedo se torna enfadonho e dispersivo. Adoro estar só. Nunca encontrei um companheiro tão sociável como a solidão. Estamos geralmente mais sós quando viajamos com outros homens do que quando permanecemos nos nossos aposentos. Um homem quando pensa ou trabalha está sempre só, deixai-o pois estar onde ele deseja. A solidão não é medida pelas milhas de espaço que separam um homem e os seus congéneres.
    O estudante verdadeiramente diligente de um dos enxames da Universidade de Cambridge está tão solitário como um derviche no deserto. O agricultor pode trabalhar sozinho no campo ou nos bosques durante todo o dia, mondando ou podando, e não se sentir solitário porque está ocupado; mas quando chega a casa, à noite, não consegue sentar-se numa sala sozinho, à mercê dos seus pensamentos. Tem que ir onde possa «estar com as pessoas», distrair-se e ser compensado pela solidão do seu dia; e, assim, interroga-se como pode o estudante estar só em casa durante toda a noite e grande parte do dia sem se aborrecer ou sentir-se deprimido. Mas ele não entende que o estudante, se bem que em casa, ainda está a trabalhar no seu campo, a podar os seus bosques, tal como o agricultor o faz nos seus e que, por seu turno, procura a mesma diversão e companhia que este, embora eventualmente de uma forma mais condensada.
    Ouvi falar de um homem perdido na floresta e a morrer de fome e de exaustão ao pé de uma árvore e cuja solidão era aliviada pelas visões grotescas com que, devido à fraqueza física, a sua imaginação doente o rodeava, e que ele acreditava serem reais. Assim também, graças à saúde e à força física e mental, podemos sentir-nos continuamente animados por uma companhia semelhante, se bem que mais normal e natural, e chegarmos à conclusão de que nunca estamos sós. 
    *

    Uma Nova Etapa na Vida a partir da Leitura de um Livro

    Somos subeducados, atrasados e analfabetos; e neste particular confesso que não faço grande distinção entre a ignorância do meu concidadão que não sabe absolutamente ler nada, e a ignorância do que apenas aprendeu a ler o que se destina a crianças e inteligências medíocres. Deveríamos estar à altura dos grandes da Antiguidade, mas em parte por saber primacialmente quão grandes eles foram. Somos uma raça de homens-passarinhos; nos nossos voos intelectuais mal nos alçamos um pouco acima das colunas do jornal.
    Nem todos os livros são tão insípidos como os seus leitores. É provável que haja palavras endereçadas exactamente à nossa condição, as quais, se de facto pudéssemos ouvi-las e entendê-las, seriam mais salutares às nossas vidas que a própria manhã ou a Primavera, revelando-nos talvez uma face inédita das coisas.
    Quantos homens não inauguraram uma nova etapa na vida a partir da leitura de um livro! Deve existir para nós o livro capaz de explicar os nossos mistérios e de revelar outros insuspeitados. As coisas que ora nos parecem inexprimíveis, podemos encontrá-las expressas algures.
    As mesmas questões que nos inquietam, intrigam e confundem, foram postas por sua vez a todos os homens sábios; nenhuma foi omitida, e cada um deles respondeu de acordo com a sua capacidade, por meio de palavras ou da própria vida. De mais a mais, juntamente com a sabedoria aprendemos a liberalidade. 
    *

    Uma Nova Etapa na Vida a partir da Leitura de um Livro

    Somos subeducados, atrasados e analfabetos; e neste particular confesso que não faço grande distinção entre a ignorância do meu concidadão que não sabe absolutamente ler nada, e a ignorância do que apenas aprendeu a ler o que se destina a crianças e inteligências medíocres. Deveríamos estar à altura dos grandes da Antiguidade, mas em parte por saber primacialmente quão grandes eles foram. Somos uma raça de homens-passarinhos; nos nossos voos intelectuais mal nos alçamos um pouco acima das colunas do jornal.
    Nem todos os livros são tão insípidos como os seus leitores. É provável que haja palavras endereçadas exactamente à nossa condição, as quais, se de facto pudéssemos ouvi-las e entendê-las, seriam mais salutares às nossas vidas que a própria manhã ou a Primavera, revelando-nos talvez uma face inédita das coisas.
    Quantos homens não inauguraram uma nova etapa na vida a partir da leitura de um livro! Deve existir para nós o livro capaz de explicar os nossos mistérios e de revelar outros insuspeitados. As coisas que ora nos parecem inexprimíveis, podemos encontrá-las expressas algures.
    As mesmas questões que nos inquietam, intrigam e confundem, foram postas por sua vez a todos os homens sábios; nenhuma foi omitida, e cada um deles respondeu de acordo com a sua capacidade, por meio de palavras ou da própria vida. De mais a mais, juntamente com a sabedoria aprendemos a liberalidade.
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    Assuntos Mortais e Assuntos Imortais

    Com um pouco mais de deliberação na escolha dos seus objectivos, possivelmente todos os homens se tornariam em essência estudiosos e observadores, porque a natureza e o destino de cada um interessam sem dúvida de igual maneira a todos. Ao acumular bens para nós ou para os nossos descendentes, ao fundar uma família ou um estado, ou ainda ao alcançar a fama, somos mortais; mas ao lidarmos com a verdade somos imortais e não precisamos de temer mudanças ou acidentes.
    O mais antigo filósofo egípcio ou hindu levantou uma ponta do véu que cobria a estátua da divindade; essa trémula túnica ainda permanece levantada, e eu contemplo uma glória tão fresca como a que contemplou o filósofo, já que era eu nele quem se mostrou tão audacioso naquela época, e é ele em mim quem agora volta a observar a visão. Nenhuma poeira se depositou sobre essa túnica; tempo nenhum decorreu desde que tal divindade se viu revelada. O tempo que aproveitamos realmente, ou que é aproveitável, não é passado, nem presente, nem futuro. 
    *

    A Verdadeira Leitura

    As obras dos grandes poetas até hoje não foram lidas pela humanidade, porque só grandes poetas podem lê-las. Só foram lidas como a multidão lê as estrelas, quando muito astrologicamente, e não astronomicamente. A maioria dos homens aprendeu a ler tendo em vista a utilidade mesquinha, do mesmo modo que aprendeu a calcular para tomar nota das receitas e despesas e não ser trapaceado nos negócios; mas da leitura como exercício intelectual nobre, pouco ou nada sabe; contudo isso é que é leitura em accepção elevada, não aquela que nos embala como um luxo e adormenta as nossas mais nobres faculdades, e sim a que nos mantém expectantes e à qual devotamos as nossas horas mais alertas e despertas. 
    ***
    Via Graça Silva:
    12jul2016

    https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1136964553013686&set=a.211013438942140.52240.100001004569506&type=3&theater
    "Se respeitássemos apenas o que é inevitável e tem direito a ser, a música e a poesia ressoariam pelas ruas fora. Quando somos calmos e sábios, percebemos que só as coisas grandes e dignas têm existência permanente e absoluta, que os pequenos medos e os pequenos prazeres não passam de sombra da realidade, o que é sempre estimulante e sublime. Por fecharem os olhos e dormirem, por consentirem ser enganados pelas aparências, os homens em toda a parte estabelecem e confinam as suas vidas diárias de rotina e hábito em cima de fundações puramente ilusórias."
    in 'Walden'
    *
    7mar2016
    Olhar e ver... muitas vezes não percebemos a diferença.
    Henry D. Thoureau, foi um autor americano, poeta, naturalista, ativista, pesquisador, historiador, filósofo...que muito admiro.
    A filosofia de Thoreau da desobediência civil influenciou personalidades como Tolstói, Gandhi, e Martin Luther King, Jr. Foi o percursor dos movimentos ambientalistas e ecologistas contemporâneos.
    As suas obras mais famosas são "Walden ou a vida nos bosques" e o ensaio "Desobediência Civil."

    https://www.facebook.com/revistapazes/photos/a.939028202842101.1073741828.937461749665413/992891040789150/?type=3&theater
    "A questão não é o que você olha, mas o que você vê."
    ***
    Via Citador:
    Clarice Lispector sobre THoureau
     pensamento de Clarice Lispector (1920-1977), in O Citador:
    "Aprendendo a Viver
    Thoreau era um filósofo americano que, entre coisas mais difíceis de se assimilar assim de repente, numa leitura de jornal, escreveu muitas coisas que talvez possam nos ajudar a viver de um modo mais inteligente, mais eficaz, mais bonito, menos angustiado.
    Thoreau, por exemplo, desolava-se vendo seus vizinhos só pouparem e economizarem para um futuro longínquo. Que se pensasse um pouco no futuro, estava certo. Mas «melhore o momento presente», exclamava. E acrescentava: «Estamos vivos agora.» E comentava com desgosto: «Eles ficam juntando tesouros que as traças e a ferrugem irão roer e os ladrões roubar.»
    A mensagem é clara: não sacrifique o dia de hoje pelo de amanhã. Se você se sente infeliz agora, tome alguma providência agora, pois só na sequência dos agoras é que você existe.
    Cada um de nós, aliás, fazendo um exame de consciência, lembra-se pelo menos de vários agoras que foram perdidos e que não voltarão mais. Há momentos na vida que o arrependimento de não ter tido ou não ter sido ou não ter resolvido ou não ter aceito, há momentos na vida em que o arrependimento é profundo como uma dor profunda.
    Ele queria que fizéssemos agora o que queremos fazer. A vida inteira Thoreau pregou e praticou a necessidade de fazer agora o que é mais importante para cada um de nós.
    Por exemplo: para os jovens que queriam tornar-se escritores mas que contemporizavam — ou esperando uma inspiração ou se dizendo que não tinham tempo por causa de estudos ou trabalhos — ele mandava ir agora para o quarto e começar a escrever.
    Impacientava-se também com os que gastam tanto tempo estudando a vida que nunca chegam a viver. «É só quando esquecemos todos os nossos conhecimentos que começamos a saber.»
    E dizia esta coisa forte que nos enche de coragem: «Por que não deixamos penetrar a torrente, abrimos os portões e pomos em movimento toda a nossa engrenagem?» Só em pensar em seguir o seu conselho, sinto uma corrente de vitalidade percorrer-me o sangue. Agora, meus amigos, está sendo neste próprio instante.
    Thoreau achava que o medo era a causa da ruína dos nossos momentos presentes. E também as assustadoras opiniões que nós temos de nós mesmos. Dizia ele: «A opinião pública é uma tirana débil, se comparada à opinião que temos de nós mesmos.» É verdade: mesmo as pessoas cheias de segurança aparente julgam-se tão mal que no fundo estão alarmadas. E isso, na opinião de Thoreau, é grave, pois «o que um homem pensa a respeito de si mesmo determina, ou melhor, revela seu destino».
    E, por mais inesperado que isso seja, ele dizia: tenha pena de si mesmo. Isso quando se levava uma vida de desespero passivo. Ele então aconselhava um pouco menos de dureza para com eles próprios. O medo faz, segundo ele, ter-se uma covardia desnecessária. Nesse caso devia-se abrandar o julgamento de si próprio. «Creio», escreveu, «que podemos confiar em nós mesmos muito mais do que confiamos. A natureza adapta-se tão bem à nossa fraqueza quanto à nossa força.» E repetia mil vezes aos que complicavam inutilmente as coisas — e quem de nós não faz isso? —, como eu ia dizendo, ele quase gritava com quem complicava as coisas: simplifique! simplifique!
    Clarice Lispector, in Crónicas no 'Jornal do Brasil (1968)'
    ***
    2noVEMbro 2016
    Via Graça Silva:
    Se respeitássemos apenas o que é inevitável e tem direito a ser, a música e a poesia ressoariam pelas ruas fora. 
    in Walden
    foto da Serra dos candeeiros, vista da Vila da Benedita
    https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1229708217072652&set=a.211013438942140.52240.100001004569506&type=3&theater

    04/03/2016

    3.259.(4mar2016.8.8') Fialho de Almeida

    Nasceu a 7maio1857
    e morreu a 4mar1911
    ***
    Inês Rodrigues:
    https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/17579/1/Tese%20Ines%20Rodrigues_Fialho.pdf
    ***
    "Os Gatos", ele terá mesmo demonstrado, no seu prefácio, a sua forma de estar na vida e literatura: "miando pouco, arranhando sempre e não temendo nunca".

    http://omensageirodavidigueira.blogspot.pt/2013/07/fialho-de-almeida-um-erudito-de-vila-de.html
    ***

    http://bdalentejo.net/BDAObra/BDADigital/Obra.aspx?ID=294
    ***
    https://lusografias.wordpress.com/2008/08/31/fialho-de-almeida-o-critico-e-o-gato/
    excerto:
    ” MEUS SENHORES,
    AQUI ESTÃO OS GATOS!
    Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, e fez o crítico à semelhança do gato.
    Ao crítico deu ele, como ao gato, a graça ondulosa e o assopro, o ronrom e a garra, a língua espinhosa e a câlinerie. Fê-lo nervoso e ágil, reflectido e preguiçoso; artista até ao requinte, sarcasta até à tortura, e para os amigos bom rapaz, desconfiado para os indiferentes, e terrível com agressores e adversários. Um pouco lambeiro talvez perante as coisas belas, e um quase nada céptico perante as coisas consagradas; achando a quase todos os deuses pés de barro, ventre de jibóia a quase todos os homens, e a quase todos os tribunais, portas travessas. Amigo de fazer jongleries com a primeirra bola de papel que alguém lhe atire, ou seja um poema, ou seja um tratado, ou seja um código. Paciente em aguardar, manso e pagado, com um ar de mistério, horas e horas, a surtida de um rato pelos interstícios de um tapume, e pelando-se, uma vez caçada a presa, por fazer da agonia dela uma distracção; ora enrolando-a como um cigarro, entre as patinhas de veludo; ora fingindo que lhe concede a liberdade, atirando-a ao ar, recebendo-a entre os dentes, roçando-se por ela e moendo-a, até a deixar num picado ou num frangalho.
    Desde que o nosso tempo englobou os homens em três categorias de brutos, o burro, o cão e o gato – isto é, o animal de trabalho, o animal de ataque, e o animal de humor e fantasia – porque não escolheremos nós o travesti do último? É o que se quadra mais no nosso tipo, e aquele que melhor nos livrará da escravidão do asno, e das dentadas famintas do cachorro.
    Razão porque nos acharás aqui, leitor, miando pouco, arranhando sempre, e não temendo nunca.”
    Prefácio de Os Gatos
    ***
    Via Citador

    José Valentim Fialho de Almeida

    http://www.citador.pt/frases/citacoes/a/jose-valentim-fialho-de-almeida
    Instruir, salubrizar, enriquecer... Nenhuma obra de governo forte pode assentar sobre aquisições que não sejam as derivadas próximas destes postulados máximos e extremos.
    *
    A liberdade só é dom precioso quando estejam os povos feitos para ela. Dar a um semibárbaro instintivo as regalias de um ser culto e consciente, é pôr a civilização na contingência de um regresso brutal à barbárie.
    *
    Um cínico disse: só os imbecis se portam bem. E eis aí uma verdade universal.
    *
    Em países cultos e com uma noção definida de liberdade, república e monarquia constitucionais são tabuletas anunciando uma só mercadoria.
    *
    Civilizado ou embrutecido, todo o homem é presa de duas forças rivais que constantemente se investem e disputam primazias. Uma, que o reporta ao passado e lhe transmite por hereditariedade as ideias, hábitos e modos de ser e de ver dos antecessores. Outra, evolutiva, que adapta o indivíduo aos meios novos, e não cuida senão de o renovar e transformar rapidamente. A vida humana não é mais que o duelo entre duas forças antagónicas.
    ***
    100 anos depois
    https://dspace.uevora.pt/rdpc/bitstream/10174/4904/3/livro_FAlmeida%5B2%5D.pdf
    ***
    http://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=185
    ***
    Fialho de Almeida, um Escritor de Transição
    http://www.apagina.pt/?aba=7&cat=1&doc=7226&mid=2
    ***
    fialho_almeida
    http://www.bnportugal.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=687:mostra-a-biblioteca-de-um-escritor-finissecular-fialho-de-almeida-1857-1911-16-jan-2012&catid=162:2012&Itemid=723

    A biblioteca de um escritor finissecular: Fialho de Almeida (1857-1911)

    MOSTRA | 16 Janeiro – 29 Março 2012 | Sala de Referência | Entrada livre

    José Valentim Fialho de Almeida, nascido no seio de uma modesta família de Vila de Frades, de onde cedo partiu para a boémia lisboeta repartida com uma extensa actividade jornalística, retornou abastado ao Alentejo natal para morrer na vila de Cuba.

    De permeio, o jovem José Valentim estudou num colégio da capital, passando depois «sete anos de emplastros e de pílulas» numa botica farmacêutica, enquanto não concluía, com mediocridade, os «cursos científicos» em Medicina que nunca veio a exercer. Na vida adulta, Fialho de Almeida penetrou o mundo das letras e da sociedade culta na capital de um Reino que fustigou, como de uma República que veio a rejeitar, usando «uma pena donde continuamente espirravam revoltas».

    Personalidade complexa, se não contraditória, o escritor deixou uma obra desigual ou fragmentária, mas de importância literária incontornável no século XIX português, mercê de uma prosa finalmente reconhecida pelos seus pares no século XX. Escreveu, conforme autobiografou, com «a necessidade que há de escrever como se pensa e como se fala, límpido, claro, brutal, simples e certo, veemente ou plácido segundo o veio d’água do assunto, precipitado ou espraiado, consoante o temperamento emotivo de quem escreve, e sincero sempre, arrancado d’alma».

    Mundano, com um olhar sociológico abundante nos textos de crítica e crónica que dispersou em jornais, numa época de viragem na história portuguesa, foi um exemplar típico do intelectual finissecular, cuja biblioteca particular, objecto de doação à Biblioteca Nacional, é uma fonte de estudo desafiante na ocasião do centenário da morte.

    fialho_b-3840-vNa sequência do legado da livraria particular do escritor à Biblioteca Nacional, cujo Catálogo Geral a instituição concluiu e publicou em 1914, foi criada uma Sala Fialho de Almeida com as estantes do escritor, conforme política então seguida por Júlio Dantas, na qualidade de Inspetor das Bibliotecas Eruditas e dos Arquivos.

    O estudo desse acervo bibliográfico pode constituir uma análise de caso, não apenas no sentido de aferir as múltiplas influências literárias sobre a sua obra numa época em que, aos romantismos tardios ou requentados, se sobrepusera um naturalismo rapidamente em crise, os decadentismos de fim-de-século ou ainda prenúncios de vanguarda no mesmo pé que os primeiros sintomas da literatura massificada, mas também avaliar a diversidade como a particularidade de interesses de um escritor como o autor d’Os Gatos, e ainda dar fé do pensamento intelectual português e europeu na transição do século XIX para o século XX, incluindo os domínios da ciência e das técnicas, da organização social e económica, das correntes políticas como artísticas.

    A presente mostra bibliográfica procura potenciar esse objeto de análise, sugerindo modos de leitura do bibliófilo e relevando algumas das parcelas dessa biblioteca como instrumento do seu utilizador, exemplo de uma cultura de elite.

    2.512.(4mar2016.7.7') Eugénio de Castro

    ***
    nasceu a 4mar1869
    e morreu a 17ag1944
    ***
    "é considerado o INTRODUTOR DO SIMBOLISMO EM PORTUGAL"
    http://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=231
    ***
    Bibliografia activa:

    Cristalizações da Morte (1884), Canções de Abril (1884), Jesus de Nazareth (1885), Per Umbram (1887), Horas Tristes (1888), Oaristos (1890), Horas (1891), Sylva (1894), Interlúnio (1894), Belkiss (1894), Tirésias (1895), Sagramor (1895), Salomé e Outros Poemas (1896), A Nereide de Harlém (1896), O Rei Galaor (1897), Saudades do Céu (1899), Constança (1900), Depois da Ceifa (1901), A Sombra do Quadrante (1906), O Anel de Polícrates (1907), A Fonte do Sátiro (1908), O Cavaleiro das Mãos Irresistíveis (1916), Camafeus Romanos (1921), tentação de São Macário (1922), Canções desta Negra Vida (1922), Cravos de Papel (1922), A mantilha de Medronhos (1923), A Caixinha das Cem Conchas (1923), Descendo a Encosta (1924), Chamas duma Candeia Velha (1925), Éclogas (1929), Últimos Versos (1938).

    Em 1987 foi publicada uma Antologia, organizada por Albano Martins.

    Eugénio de Castro foi, ainda, tradutor de obras de Goethe e da “Arte de Ler”, de Émile Faguet.
    *

    http://tertuliabibliofila.blogspot.pt/2010/04/eugenio-de-castro-oaristos-e-o.html

    ***

    04 de Março de 1869: Nasce o poeta e autor dramático, Eugénio de Castro

    Poeta e autor dramático, nascido a 4 de março de 1869, em Coimbra, e falecido a 17 de agosto de 1944, na mesma cidade. Formado pela Faculdade de Letras de Coimbra, aí viria a desempenhar funções docentes e diretivas. É ainda durante os estudos académicos que funda, em 1889, com João Menezes e Francisco Bastos, a revista Os Insubmissos, criada com um intuito deliberado de rivalizar com a revista académica Boémia Nova, recém-lançada por Alberto de Oliveira e António Nobre. Na polémica entre as duas publicações serão colocadas questões de versificação (o problema da cesura do alexandrino) que, se não têm a ver diretamente com o Simbolismo, contribuirão para uma nova consciência da linguagem poética, afim das premissas daquele movimento, cuja emergência é usual datar-se de 1890, data da publicação do volume poéticoOaristos de Eugénio de Castro. Deixando para trás quatro volumes de poesia (Canções de abril, 1884; Jesus de Nazaré, 1885; Per Umbram, 1887; Horas Tristes, 1888) pouco significativos na bibliografia do autor, se considerados à luz da estética de que viria a ser porta-voz, na introdução a Oaristos, o poeta acusaria os lugares-comuns sobre que assentava a poesia sua contemporânea, quer ao nível de imagens, de rimas e de léxico, defendendo uma nova expressão poética, que, reclamando a "liberdade do ritmo", o processo estilístico daaliteração, as "rimas raras", os "raros vocábulos", e um estilo "decadente", se traduziria, neste, como em volumes posteriores, como Horas, numa poética atenta ao valor sugestivo e musical do significante, alheia a qualquer compromisso com a realidade social e defensora de uma poética de "arte pela arte". Em 1895, Eugénio de Castro fundou a revista internacional A Arte, que, anunciando a colaboração de autores como Paul Adam, Gabriele d'Anunzio, Maurice Barrès, Gustave Khan, Maeterlinck, Stéphane Mallarmé, Jean Moréas, Jules Renard, J. H. Rosny, ou Verlaine, pretendia constituir, ligando alguma poesia portuguesa (sobretudo a do autor) à poesia europeia, um elo no movimento simbolista internacional, com cujos representantes Eugénio de Castro mantinha, aliás, correspondência. A sua poesia, seja nesta primeira fase, onde a influência do simbolismo de matriz verlainiana é muito nítida, seja em fases posteriores, de refluxo neoclassicista (A Fonte do Sátiro e Outros Poemas, Camafeus Romanos, A Mantilha de Medronhos, Descendo a Encosta), nunca se libertou do epíteto de esteticista e escolar, sendo, no entanto, uma referência incontornável na análise do processo de libertação da linguagem poética que viria a culminar com o modernismo. No domínio da expressão dramática, peças como Belkiss inscrevem-se numa compreensão do fenómeno teatral próxima do teatro simbolista de Maeterlinck, a que se seguiriam outras tentativas, de pendor classicista, como Constança.
    Fontes: Infopédia
    wikipédia (imagens)

    Imagem relacionada

    Três Rosas

    Sempre, mas sobretudo nas brumosas 
    Horas da tarde, quando acaba o dia, 
    Quando se estrela o céu, tenho a mania 
    De descobrir, de ver almas nas cousas. 

    Pendem deste gomil três lindas rosas; 
    Uma é rosada, a outra branca e fria, 
    Rubra a terceira; e a minha fantasia 
    Torna-as humanas, vivas, amorosas. 

    Sei que são rosas, rosas só! mas nada 
    Impede, enquanto cai lá fora a chuva, 
    Que a minha mente a fantasiar se ponha: 

    Por ser noiva a primeira, é que é rosada; 
    Branca a segunda está, por ser viúva; 
    A vermelha pecou ... e tem vergonha! 

    Eugénio de Castro, in 'Antologia Poética'
     https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2019/03/04-de-marco-de-1869-nasce-o-poeta-e.html?fbclid=IwAR3KvBFsCVjqY75PZNh549suWo9ynZWy5C0gWFcAeOWNOaAEGW_ecrq-6X0
    ***

    http://www.citador.pt/poemas/a/eugenio-de-castro
    **
     in 'Silva' 

    Engrinalda-me com os Teus Braços


    Teu corpo de âmbar, gótico, afilado,
    Sempre velado de cheirosos linhos,
    Teu corpo, aprilino prado,
    Por onde o meu desejo, pastor brando,
    Risonho há-de viver, pastoreando
    Meus beiços, desinquietos cordeirinhos,
    Teu corpo é esbelto, ó zagaia esguia,
    Como as harpas que o pai de Salomão tangia!

    Teu corpo eléctrico, ogival,
    Núbil, sequinho, perturbante,
    É uma dispensa real:
    Os teus olhos são duas cabacinhas
    Cheias dum vinho estonteante
    Os teus dentes são alvas camarinhas,
    Os teus dedos, suavíssimos espargos,
    E os teus seios, pêssegos verdes mas não amargos.

    Lira de nervos, glória das trigueiras,
    Como tu és graciosa! As laranjeiras,
    Desde que viste o sol com esses sóis amados,
    Só vinte vezes perfumaram noivados!
    Nobre e graciosa és, morena das morenas,
    Como as senhoras de olhos belos,
    Que passeavam nos jardins de Atenas
    Com uma cigarra de ouro nos cabelos!

    Como tu, eu sou moço! e atrevido
    Com Anceu, rei de Samos,
    E jamais caçador me fez vencido,
    Quando, caçando o javali, ando entre os ramos.
    O meu peito é de jaspe, a minha voz macia,
    Meus olhos ágeis e dourados como abelhas,
    E, para que as colhas, minha boca sadia
    E um orvalhado cabazinho de groselhas.

    Novos e alegres somos! Ah! que em breve
    Nossas bocas se colem voluptuosas;
    Vamos sonhar e toucar-nos de rosas,
    Enquanto há sol, enquanto não cai neve!
    Não te demores,
    Ó cheia de graça,
    Que os dias correm voadores,
    E a mocidade passa...
    A mocidade passa... e, um dia, ó meus pecados,
    A tua boca vermelha Será uma rosa velha,
    E minhas mãos uns lírios fanados...

    E então, velhinhos combalidos,
    Como dois galhos ressequidos
    Sem folhas e sem pomos,
    Lembrar-nos-emos do que hoje somos,
    Ó maravilha
    De graciosidade!
    Como dum filho e duma filha
    Que nos morressem na flor da idade! 
    **
     in 'Camafeus Romanos' 

    O Anel de Corina


    Enquanto espera a hora combinada
    De o remeter com flores a Corina,
    Ovídio oscúla o anel que lhe destina
    E em que uma gema fulge bem gravada.

    — « Como eu te invejo, ó prenda afortunada !
    « Com ela vais dormir, mimosa e fina,
    « Com ela has-de banhar-te na piscina
    « Donde sairá, qual Venus, orvalhada,

    « O dorso e o seio lhe verás de rosas,
    « E selarás as cartas deliciosas
    « Com que em minh'alma alento e esp'rança verte...

    « E temendo (suprema f'licidade!)
    « Que a cera adira á pedra, ai! então ha-de
    « Com a ponta da língua humedecer-te! » 
    **
    in 'Antologia Poética' 

    Amor Verdadeiro

    Tua frieza aumenta o meu desejo:
    fecho os meus olhos para te esquecer,
    mas quanto mais procuro não te ver,
    quanto mais fecho os olhos mais te vejo.

    Humildemente atrás de ti rastejo,
    humildemente, sem te convencer,
    enquanto sinto para mim crescer
    dos teus desdéns o frígido cortejo.

    Sei que jamais hei de possuir-te, sei
    que outro feliz, ditoso como um rei
    enlaçará teu virgem corpo em flor.

    Meu coração no entanto não se cansa:
    amam metade os que amam com espr'ança,
    amar sem espr'ança é o verdadeiro amor.
    *

    Três Rosas

    Sempre, mas sobretudo nas brumosas
    Horas da tarde, quando acaba o dia,
    Quando se estrela o céu, tenho a mania
    De descobrir, de ver almas nas cousas.

    Pendem deste gomil três lindas rosas;
    Uma é rosada, a outra branca e fria,
    Rubra a terceira; e a minha fantasia
    Torna-as humanas, vivas, amorosas.

    Sei que são rosas, rosas só! mas nada
    Impede, enquanto cai lá fora a chuva,
    Que a minha mente a fantasiar se ponha:

    Por ser noiva a primeira, é que é rosada;
    Branca a segunda está, por ser viúva;
    A vermelha pecou ... e tem vergonha!
    *

    A Laís

    À ciprina Laís, de quem sou tributário.
    A Laís que possui compridas tranças pretas,
    P'lo meu escravo mandei, no seu aniversário,
    Um cacho moscatel num cabaz de violetas.

    Os amantes, que dão às suas namoradas
    Fulgurantes anéis de riqueza estupenda,
    Luminosos rocais e redes consteladas,
    Hão-de sorrir, bem sei da minha humilde of'renda.

    Pensei em dar-lhe, é certo, um precioso colar
    E um anel com mais luz do que o incêndio de Tróia,
    Mas reconsiderei de pronto, ao atentar
    Que ainda ninguém viu dar jóias a uma jóia...
    *

    Amores

              a Jean Moréas

    Judite, a loura e magra que ora vive
    Entre palmas e mirra, nas novenas;
    Dulce, a de peitos de hidromel e penas,
    Com quem libidinosas noites tive;
    Maria a ingénua, a plácida e macia,
    Ingénua como um pintassilgo e pura
    Como um mês de Maria;
    Lídia, a trigueira hostil, severa e dura,
    E Fábia, a de olhos perturbantes, lassos,
    E de morenas, aprilinas pomas,
    Fábia, cujos abraços
    Me vestiam de aromas
    Todas adorei,
    Todas me adoraram
    Quando as desprezei.

    Antes de as possuir, antes de as subjugar
    Co’a força do meu verbo e a luz do meu olhar,
    Em cada uma eu via o céu aberto;
    Mas apenas ao peito as comprimia,
    O meu entusiasmo arrefecia
    E o céu sonhado transformava-se em deserto…

    Ante a posse, os desejos esmorecem;
    Do amor na amarga pugna,
    Fui como os doentes que tudo apetecem
    E a quem tudo repugna 
    **
    in 'Depois da Ceifa'

    Em que Emprego o Meu Tempo?

    Em que emprego o meu tempo? Vou e venho,
    Sem dar conta de mim nem dos pastores,
    Que deixam de cantar os seus amores,
    Quando passo e lhes mostro a dor que tenho.

    É de tristezas o torrão que amanho,
    Amasso o negro pão com dissabores,
    Em ribeiros de pranto pesco dores,
    E guardo de saudades um rebanho.

    Meu coração à doce paz resiste,
    E, embora fiqueis crendo que motejo,
    Alegre vivo por viver tão triste!

    Amor se mostra nesta dor que abrigo:
    Quero triste viver, pois vos não vejo,
    Nem sequer muito ao longe vos lobrigo. 
    **
    in 'Saudades do Céu' 

    O Dilúvio

    Há muitos dias já, há já bem longas noites
    que o estalar dos vulcões e o atroar das torrentes
    ribombam com furor, quais rábidos açoites,
    ao crebro rutilar dos coriscos ardentes.

    Pradarias, vergéis, hortos, vinhedos, matos,
    tudo desapar'ceu ao rude desabar
    das constantes, hostis, raivosas cataratas,
    que fizeram da Terra um grande e torvo mar.

    À flor do torvo mar, verde como as gangrenas,
    onde homens e leões bóiam agonizantes,
    imprecando com fúria e angústia, erguem-se apenas,
    quais monstros colossais, as montanhas gigantes.

    É aí que, ululando, os homens como as feras
    refugiar-se vão em trágicos cardumes,
    O mar sobe, o mar cresce. e os homens e as panteras,
    crianças e reptis caminham para os cumes.

    Os fortes, sem haver piedade que os sujeite,
    arremessam ao chão pobres velhos cansados.
    e as mães largam. cruéis, os filhinhos de leite,
    que os que seguem depois pisam, alucinados.

    Um sinistro pavor; crescente e sufocante,
    desnorteia, asfixia a turba pertinaz:
    ouvem-se urros de dor, e os que vão adiante
    lançam pedras brutais aos que ficam pra trás.

    Raivoso, o touro estripa os míseros humanos
    que o estorvam, ao correr em fuga desnorteada,
    e pelo ar tenebroso as águias e os milhanos
    fogem, com vivo horror, daquela estropeada.

    Cresce a treva infernal nos cavos horizontes;
    o oceano sobe e muge em raivas cavernosas,
    e as ondas, a trepar pelos visos dos montes,
    fazem de cada vez cem vítimas chorosas!

    Os negros vagalhões, nos bosques mais cimeiros.
    silvam e marram já, em golpes iracundos;
    resplendem raios mil em rútilos chuveiros,
    e os corvos, a grasnar, desolham moribundos.

    Blasfémias, maldições elevam-se à porfia;
    fustigado plo raio, aumenta o furacão;
    cada ruga do mar acusa uma agonia,
    cada bolha, ao estalar, solta uma imprecação.

    Cresce no mar, sobe o mar... e traga, rudemente.
    da mais alta montanha o píncaro nevado.
    e um tremendo trovão aplaude a vaga arlente,
    que envolve, ao despenhar-se, o último condenado.

    Cresce o mar, sobe o mar, que já topeta os céus:
    e, levada plo fero e desabrido norte,
    sua espuma, a ferver, molha o rosto de Deus,
    que lhe encontra um sabor nauseabundo de morte...

    Cresce o mar, sobe o mar... Cada vaga é uma torre!
    No céu, o próprio Deus melancólico pasma...
    E, pelos vagalhões acastelados, corre
    a Arca de Noé, qual navio-fantasma...