03/03/2009

2009 é ano internacional da astronomia AIA

.Reduzir poluição luminosa para poupar energia e ver melhor o céu estrelado
.A redução da poluição luminosa nas cidades, em grande parte causada por iluminação pública mal direccionada e pouco eficiente, implicaria menores custos energéticos e restituiria o brilho perdido ao céu nocturno.
Ano Internacional da Astronomia (AIA), tem o lema "Descobre o teu Universo".
Dedicada a Galileu Galilei e aos 400 anos da sua utilização pioneira do telescópio para observações astronómicas.
.Em Portugal, a abertura oficial do AIA aconteceu a 31 de Janeiro, na Casa da Música, onde a Orquestra Nacional do Porto deu um concerto com obras de temática astronómica, como "Os Planetas", de Gustav Holst, seguido de uma sessão de observação do céu nocturno.

.Pedro Ré, presidente da Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores, responsável pela iniciativa "Noite das Estrelas", marcada para 15 de Julho, durante a qual se desligará parte da iluminação pública de algumas cidades portuguesas e espanholas.
O evento insere-se no projecto internacional "Dark Skies Awareness", que visa sensibilizar o público para o desaparecimento progressivo da beleza do céu nocturno.
"A nossa ideia é coordenar esforços com Espanha para tentar que o evento decorra ao mesmo tempo nos dois países", disse à Lusa aquele astrónomo amador, que é também biólogo marinho na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Na sua perspectiva, "se pudermos e quisermos mudar algumas lâmpadas da iluminação pública e ao mesmo tempo mudar mentalidades, estaremos a poupar milhões de euros dos contribuintes".
É que muitos candeeiros, em vez de iluminarem só para baixo, onde interessa, iluminam também para cima, ou para os lados, e essa luz reflecte-se e difunde-se nas poeiras e fumos em suspensão no ar, tornando mais claro o céu nocturno.
"Não se trata de retirar iluminação, mas de a tornar mais eficaz" - sublinhou.
"Ninguém é contra a iluminação, que é fundamental, somos é contra a má iluminação".

"E agora eu sou Galileu", uma dessas actividades, terá por objectivo organizar sessões de observação temáticas sobre as que foram efectuadas por Galileu, incidindo nomeadamente sobre as fases da Lua e de Vénus, as crateras da Lua, os satélites de Júpiter e os anéis de Saturno, entre outras.
Segundo o seu responsável, José Afonso, do Observatório Astronómico de Lisboa, vai ser elaborado um "Caderno de Observações" que será disponibilizado ao público, explicando cada observação e o seu significado para Galileu e tendo em conta o que sabemos hoje.
"Neste momento estão a organizar-se as datas e locais principais de observação", acrescentou.
Noutro projecto, será lançada em Setembro ou Outubro a versão portuguesa do livro com que Galileu apresentou ao mundo as suas primeiras observações astronómicas, referiu à Lusa o coordenador nacional das iniciativas do Ano Internacional da Astronomia, João Fernandes.
Trata-se de "Sidereus Nuncius" (Mensageiro das Estrelas), editado em 1610, que está a ser traduzido por Henrique Leitão, do Centro da História das Ciências da Universidade de Lisboa, uma iniciativa que conta com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.
Haverá também eventos celestes "a não perder" em 2009, alguns dos quais bem visíveis em Portugal, como uma forte chuva de meteoros em meados de Novembro, com previsões de 200 "estrelas cadentes" por hora, ou, a meio de Outubro, a observação de Júpiter durante o crepúsculo.
As celebrações em Portugal do AIA, acessíveis no site www.astronomia2009.org, contam com o apoio da Agência Nacional Ciência Viva, a Fundação Calouste Gulbenkian e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
Recordo a minha proposta no 1º mandato contra a poluição visual duma discoteca impedindo o meu namoro com as estrelas bem nítidas...