16/01/2020

3.231.(16jan2020.12.12') Susan Sontag

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Nasceu a 16jan1933
e morreu a 28dez2004
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16jan2020
 "A minha biblioteca é um arquivo de anseios."
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„A coragem é uma virtude moralmente neutra.“

Referência: https://citacoes.in/autores/susan-sontag/
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Pensadora norte-americana, autora do romances "O Amante do Vulcão"

Susan Sontag


1933 - Nova York (EUA)
28/12/2005 - Nova York (EUA)

Da Folha de S.Paulo

[creditofoto]

Susan Sontag, escritora, ativista e, como ela mesma dizia, "fanática pela seriedade", cuja mente voraz e prosa provocante a tornaram uma das mais importantes intelectuais dos últimos 50 anos, morreu no dia 28 de dezembro de 2004 aos 71 anos.
A porta-voz do Sloan-Kettering Cancer Center, em Manhattan, não especificou a causa de morte. Sontag sofreu câncer de mama nos anos 70 e vinha enfrentando leucemia há alguns anos.

Sontag se definia como "esteta afeiçoada" e "moralista obsessiva". Escreveu um romance de sucesso, "O Amante do Vulcão", e em 2000 conquistou o National Book Award com seu romance histórico "Na América". Mas o maior impacto literário da escritora foi como ensaísta.

"Notes on Camp", um texto de 1964 que a estabeleceu como importante pensadora, popularizou a atitude "isso é tão ruim que parece até bom", a qual veio a ser aplicada a uma enorme variedade de coisas, de "Swan Lake" a estolas de plumas. Em "Contra a Interpretação", a mais analítica das intelectuais dedicava sua análise à preocupação com a possibilidade de que o escrutínio crítico interferisse com o poder "mágico, encantatório", da arte.

Ela também escreveu obras influentes como "A Doença como Metáfora", na qual examinava a maneira pela qual a doença era romantizada e demonizada, ciclicamente, e "On Photography", na qual argumentava que as imagens muitas vezes distanciam o observador do tema que retratam.
Ela lia escritores de todo o mundo, e a Sontag é atribuído o crédito por apresentar intelectuais europeus como Roland Barthes e Elias Canetti aos leitores norte-americanos. "Não conheço outra intelectual tão lúcida e com tamanha capacidade de ligar, conectar, relacionar", disse certa vez o romancista mexicano Carlos Fuentes. "Ela é única."

Diferente de muitos escritores norte-americanos, ela se envolveu profundamente em questões políticas, mesmo depois dos anos 60. Entre 1987 e 1989, Sontag presidiu à divisão norte-americana do Pen Club, uma aliança mundial de escritores. Quando o aiatolá Ruhollah Khomeini pediu a morte de Salman Rushdie por suposta blasfêmia no romance "Os Versos Satânicos", ela ajudou a liderar os protestos da comunidade literária. Há cerca de um ano e meio, dias após a execução de três dissidentes cubanos, Sontag envolveu-se em uma polêmica com o escritor colombiano Gabriel García Márquez, a quem acusou de ser condescendente à repressão imposta pelo regime de Fidel Castro.

Sontag batalhava incessantemente pelos direitos humanos e, ao longo dos anos 90, visitou muitas vezes a região da Iugoslávia, pedindo ação internacional contra a guerra civil que se espalhava pelos Bálcãs. Em 1993, visitou Sarajevo, onde montou uma produção de "Esperando Godot".
Filha de um negociante de peles, ela nasceu como Susan Rosenblatt, em Nova York, em 1933, e passou a infância no Arizona e em Los Angeles.
A mãe era alcoólatra; o pai morreu quando ela tinha cinco anos. Mais tarde, sua mãe se casou com um oficial do exército, o capitão Nathan Sontag. Susan Sontag lembrava sua infância como "uma grande sentença de prisão".

Ela completou sua educação básica com três anos de antecedência, formando-se no segundo grau aos 15 anos; o diretor da escola disse que ela estava perdendo tempo lá. Sua mãe, enquanto isso, advertiu que, se não parasse de ler, jamais se casaria.

Na Universidade de Chicago, ela assistiu a uma palestra de Philip Rieff, psicólogo social e historiador. Casaram-se dez dias mais tarde. Sontag tinha 17 anos, ele 28. "Era um homem apaixonado erudito e puro", disse ela mais tarde sobre o marido.

Na metade dos anos 60, o casal se divorciara (tiveram um filho, David, nascido em 1952), e Sontag se tornou uma das luzes na cena literária de Nova York. Ela era conhecida por seus ensaios, mas também escrevia ficção, ainda que inicialmente sem grande sucesso. "Death Kit" e "The Benefactor" eram, romances experimentais que pouca gente teve paciência de ler até o fim.

"Infelizmente, a inteligência de Sontag continua a ser maior que o seu talento", escreveu Gore Vidal em 1967, ao resenhar "Death Kit".
"Mas assim que se livrar da literatura, ela terá o poder de realizá-la, e não há muitos escritores norte-americanos sobre quem se possa dizer o mesmo".

A ficção de Sontag se tornou mais acessível. Ela escreveu um elogiado conto sobre a Aids, "The Way We Live Now" (A maneira pela qual vivemos agora), e um romance de sucesso, "O Amante do Vulcão", sobre o almirante Nelson e Lady Hamilton, sua amante.

Em 2000, seu romance "Na América", sobre Helena Modjeska, uma atriz polonesa do século 19, foi um fracasso comercial, e recebeu críticas pelo uso não creditado de fontes, tanto de trabalhos de ficção quanto trabalhos de não-ficção. Ainda assim Sontag conquistou com ele o National Book Award.

Entre outras obras, Sontag também criou os filmes "Duet of Cannibals" e "Brother Carl", e escreveu uma peça, "Alice in Bed", com base na vida de Alice James, a adoentada irmã de Henry e William James. Sontag fez uma ponta, como ela mesma, em "Zelig", o falso documentário dirigido por Woody Allen.

Em 1999, escreveu um ensaio para "Women", compilação de retratos da fotógrafa Annie Leibovitz, sua companheira por muitos anos. Sontag não era adepta da fala ponderada. Escrevendo sobre a Guerra do Vietnã, ela afirmou que "a raça branca é o câncer da história humana".
Poucos dias depois dos ataques terroristas de 11 de Setembro, ela criticou a política externa dos Estados Unidos e fez elogios aos terroristas.

"Onde está o reconhecimento de que não se tratava de um ataque "covarde" à "civilização", "liberdade", "humanidade" ou ao "mundo livre", mas de um ataque à única superpotência mundial, empreendido como conseqüência de alianças e ações específicas dos Estados Unidos?", escreveu ela na revista "New Yorker". "Quanto à questão da coragem (uma virtude moralmente neutra), diga-se o que quiser sobre os perpetradores do massacre de terça-feira, eles não eram covardes."
 https://educacao.uol.com.br/biografias/susan-sontag.jhtm
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https://citacoes.in/autores/susan-sontag/
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Via Vida Breve
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"Faz coisas. Sê firme, curioso. Não esperes na testa o impulso da inspiração ou o beijo da sociedade. Presta atenção. Trata-se de prestar atenção. A atenção é vitalidade. Liga-te aos outros. Torna-te ansioso. Mantém-te ansioso.”
~ Susan Sontag (16 de Janeiro de 1933 — 28 de Dezembro de 2004), escritora e activista norte-americana, nascida numa família judia de origem lituana e polaca, em discurso no Vassar College, Poughkeepsie, N.Y., em 2003.
 https://www.facebook.com/avidabrevefans/photos/a.1679887238963087/2572477106370758/?type=3&theater

2.381.(16jan2020.11.11') Roger Scruton

Nasceu a 27fev1944 em Buslingthorpe,Lincolnshire 
e morreu a 12jan2020
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20jan2020
 https://pt.wikipedia.org/wiki/Roger_Scruton
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 https://www.facebook.com/rogerscrutonbrasil/photos/a.793968500716323/1217777968335372/?type=1&theater
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Pensador
"A Cultura Ocidental é uma criação do Cristianismo. Retire o Cristianismo e o que sobra de Dante, Chaucer, Shakespeare, Racine, Victoria, Bach, Titian, Tintoretto...?"
"A tradição da Esquerda é julgar o sucesso humano pelo fracasso de alguns. Isso sempre lhe oferece uma vítima a ser resgatada. No século XIX eram os proletários. Nos anos 60, a juventude. Depois as mulheres e os animais. Agora o planeta"
"O homem que diz que a verdade não existe está pedindo para que você não acredite nele. Então, não acredite"
"Uma pessoa que diz que a verdade é relativa, está pedindo para você não acreditar nela."
"O conservadorismo advém de um sentimento que toda pessoa madura compartilha com facilidade: a consciência de que as coisas admiráveis são facilmente destruídas, mas não são facilmente criadas. Isso é verdade, sobretudo, em relação às boas coisas que nos chegam como bens coletivos: paz, liberdade, lei, civilidade, espírito público, a segurança da propriedade e da vida familiar, tudo o que depende da cooperação com os demais, visto não termos meios de obtê-las isoladamente. Em relação a tais coisas, o trabalho de destruição é rápido, fácil e recreativo; o labor da criação é lento, árduo e maçante. Esta é uma das lições do século XX. Também é uma razão pela qual os conservadores sofrem desvantagem quando se trata da opinião pública. Sua posição é verdadeira, mas enfadonha; a de seus oponentes é excitante, mas falsa."
"Nós, conservadores, somos chatos. Mas também estamos certos."
"Por que a beleza importa?
Em qualquer tempo, entre 1750 e 1930, se se pedisse a qualquer pessoa educada para descrever o objetivo da poesia, da arte e da música, eles teriam respondido: a beleza. E se você perguntasse o motivo disto, aprenderia que a beleza é um valor tão importante quanto a verdade e a bondade.
Então, no século XX, a beleza deixou de ser importante. A arte, gradativamente, se focou em perturbar e quebrar tabus morais. Não era beleza, mas originalidade, atingida por quaisquer meios e a qualquer custo moral, que ganhava os prêmios.
Não somente a arte fez um culto à feiúra, como a arquitetura se tornou desalmada e estéril. E não foi somente o nosso entorno físico que se tornou feio: nossa linguagem, música e maneiras, estão ficando cada vez mais rudes, auto centradas e ofensivas, como se a beleza e o bom gosto não tivessem lugar em nossas vidas.
Uma palavra é escrita em letras garrafais em todas estas coisas feias, e a palavra é: EGOÍSMO. "Meus lucros", "meus desejos", "meus prazeres". E a arte não tem o que dizer em resposta, apenas: "sim, faça isso"!
"Penso que estamos perdendo a beleza e existe o perigo de que, com isso, percamos o sentido da vida."
"O conceito crucial para qualquer tentativa filosófica de fornecer a base para o entendimento humano é o conceito de pessoa. É uma tese bem conhecida da filosofia [...] que os seres humanos podem ser descritos sob duas óticas contrastantes (e, para alguns, conflitantes): como organismos obedientes às leis da natureza, e como pessoas, às vezes, obedientes, às vezes desobedientes, à lei moral. As pessoas são agentes morais; suas ações não têm apenas causas, mas também razões. Elas tomam decisões para o futuro, e por isso têm, além de desejos, intenções. Elas não se permitem ser sempre arrastadas por seus impulsos, mas ocasionalmente resistem e os subjugam. [...] Apenas uma pessoa tem direitos, deveres e obrigações; apenas uma pessoa age por razões além das causas; apenas uma pessoa merece nosso louvor, censura ou raiva. E é como pessoas que percebemos e atuamos um sobre o outro, mediando todas as nossas respostas mútuas com o conceito obscuro, mas indispensável, do agente moral livre."
"A cultura do repúdio marca, de outros modos, a desintegração do iluminismo. Como é frequentemente comentado, o espírito de livre exame está, agora, desaparecendo das escolas e universidades no Ocidente.
Livros são inseridos ou retirados do currículo com base no politicamente correto; códigos de fala e serviços públicos de aconselhamento policiam a linguagem e a conduta de estudantes e professores; muitos cursos são elaborados para transmitir uma conformidade ideológica em vez de estimular a livre investigação, e os alunos muitas vezes são penalizados por chegarem a alguma conclusão considerada herética sobre os principais assuntos do dia."
Em áreas delicadas, como o estudo de raça e sexo, a censura é dirigida de modo patente não só aos estudantes, mas também a qualquer professor, por mais imparcial e escrupuloso, que chegue às conclusões equivocadas".
"Tolerância não significa renunciar a todas as opiniões que outros podem considerar ofensivas. Toleramos justamente aquilo que não apreciamos, que desaprovamos. Tolerância significa estar preparado para aceitar opiniões pelas quais temos forte aversão. Do mesmo modo, democracia significa aceitar ser governado por pessoas por quem nutrimos repugnância profunda. Isso só é possível se mantivermos a confiança na negociação e no desejo sincero, entre os políticos, de compromisso com os adversários."
"Um mercado pode fazer a alocação racional dos bens e serviços somente onde há confiança entre os integrantes, e a confiança só existe onde as pessoas assumem a responsabilidade por seus atos e se tornam responsáveis por aqueles com quem negociam. Em outras palavras, a ordem econômica depende de uma ordem moral."
"Sem uma procura consciente da beleza, arriscamo-nos a cair num mundo de prazeres que causam dependência e na banalização dos atos de dessacralização, um mundo em que já não se percebe bem por que vale a pena a vida humana."
"As pessoas da direita não se identificam como tal, não como parte de um grupo. Nós apenas nos agarramos às coisas que amamos."
(Recusando-se a ser qualificado como um homem “de direita”, em debate com o crítico marxista Terry Eagleton).
"O amor não é bom em si mesmo: é bom enquanto virtude e ruim enquanto vício."
"As pessoas da direita não se identificam como tal, não como parte de um grupo. Nós apenas nos agarramos às coisas que amamos."
"Ironicamente, talvez a maior conquista intelectual do partido Comunista tenha sido convencer as pessoas de que a distinção de Platão entre conhecimento e opinião é válida e que a opinião ideológica não é meramente distinta do conhecimento, mas o inimigo do conhecimento, a doença implantada no cérebro humano e que torna impossível distinguir ideias verdadeiras das falsas. Essa foi a doença espalhada pelo Partido. E também foi difundida por Foucault. Pois foi Foucault quem ensinou aos meus colegas a avaliar cada ideia, cada argumento, cada instituição, convenção ou tradição em termos de 'dominação' que ele mascara. A verdade e a falsidade não tinham significado real no mundo de Foucault; tudo o que importava era o poder."
"Obviamente, as circunstâncias dos seminários clandestinos eram incomuns e ninguém gostaria de reproduzi-las. No entanto, durante os dez anos que trabalhei com outros para transformar esses grupos de leitura privados em uma universidade (embora clandestina) estruturada, aprendi duas verdades muito importantes. A primeira, é que uma herança cultural é realmente um corpo de conhecimento e não uma coleção de opiniões – conhecimento do coração humano e da visão de longo prazo de uma comunidade humana. A segunda, é que esse conhecimento pode ser ensinado e que não exige um vasto investimento de dinheiro para fazê-lo, certamente não os $50.000 (dólares) por aluno por ano exigidos por uma universidade da Ivy League. Requer um punhado de livros que passaram pelo teste do tempo e são apreciados por todos os que realmente os estudam. Isso requer professores com conhecimentos e estudantes ansiosos para adquiri-lo. E requer a tentativa contínua de expressar o que já foi aprendido, seja em dissertações ou em encontros face a face com um crítico. Todo o resto – administração, tecnologia da informação, salas de aula, bibliotecas, recursos extracurriculares – é, em comparação, um luxo insignificante."
"Quando algo tem um alto preço moral, apenas pessoas comprometidas irão buscá-lo. Descobri, portanto, nos seminários clandestinos, um corpo estudantil único – pessoas dedicadas ao conhecimento, como entendi, e conscientes da facilidade e do perigo de substituir o conhecimento por mera opinião. Além disso, eles estavam procurando por conhecimentos no lugar onde é mais necessário e também mais difícil de encontrar – em filosofia, história, arte e literatura, nos lugares onde a compreensão crítica, e não o método científico, é nosso único guia. E o que foi mais interessante para mim foi o desejo urgente de todos os meus novos alunos de herdar o que lhes foi transmitido. Eles foram criados em um mundo onde todas as formas de pertencimento, além da submissão ao Partido governante, foram marginalizadas ou denunciadas como crimes. Eles entenderam instintivamente que uma herança cultural é preciosa, precisamente porque oferece um rito de passagem para o que você realmente é, e a comunidade do sentimento que lhe pertence."
"O relativismo moral é o primeiro refúgio dos canalhas."
"Na tradição britânica, os conservadores são herdeiros de uma cultura insular e que o costume prevalece sobre a razão como o último tribunal de apelação. Seu processo
político é governado por uma constituição não escrita, cujos princípios são uma questão de costume, e não de regras explícitas."
"O conservadorismo inglês tem raízes no legado da classe alta inglesa, no comedido bom senso da antiga constituição inglesa e nas modestas práticas do homem comum,
as quais na vida de um conservador inglês, substituem convenientemente a opinião."
"O conservadorismo é a filosofia do vínculo afetivo. Estamos sentimentalmente ligados às coisas que amamos e que desejamos proteger contra a decadência."
"O conservadorismo implica a conservação dos recursos — sociais, materiais, econômicos e espirituais — que compartilhamos e a resistência à entropia social em todas as suas formas."
"Em resumo, o conservadorismo surge diretamente da sensação de pertencimento a alguma ordem social contínua e preexistente e da percepção de que esse fato é importantíssimo para determinar o que fazer."
"[...] o prazer sexual não é uma sensação prazerosa, como você pode obter de um banho quente ou do sabor de açúcar. É um prazer dirigido, como o prazer que você tem de ver uma criança brincando. É prazer em e com outra pessoa. Não é redutível a qualquer sensação no corpo ou nos seus órgãos, mas envolve toda a nossa postura em relação ao outro, que é o verdadeiro objeto do desejo."
Se o sexo é apenas uma questão de prazer físico, então a liberdade de desfrutá-lo se torna a posição moral padrão. [...] Meus prazeres são meus, e se você os proibir, também estará me oprimindo. [...] A autogratificação adquire o glamour e a glória moral de uma luta heróica. Para a geração 'eu', nenhuma maneira de adquirir uma causa moral pode ser mais gratificante. Você se torna totalmente virtuoso sendo totalmente egoísta.
"A moralidade burguesa rejeitada por Reich, Marcuse e Foucault não era um sistema de restrições arbitrárias. Foi a maneira pela qual a grande força do desejo sexual foi canalizada para o amor e o compromisso, não apenas por causa dos parceiros, mas ainda mais em prol da geração não-nascida que seria o resultado a longo prazo de sua união."
"Sexo, como anteriormente concebido, enfaticamente não é sobre 'eu' e meus prazeres, mas sobre você e nosso compromisso. O sexo foi interpretado como uma restrição aos vivos e uma garantia para os não-nascidos."
"Os amigos vêm e vão, passatempos e feriados passam pela sombra da alma como a luz do sol em um vento de verão, e o anseio pelo afeto é cortado em cada ponto pelo medo do julgamento".
"O ser contingente tem a potencialidade tanto de ser quanto de não ser, sem contradição. Você e eu somos seres contingentes nesse sentido, e, ainda que me seja concedida certa intuição da minha própria existência, essa certeza é mera posse pessoal e nem mesmo garante minha sobrevivência, nem refuta a afirmação de que existem mundos possíveis em que eu não existo." ("O Rosto de Deus")
"Existe uma solidão humana que nasce de alguma fonte que não a falta de companhia, e não tenho dúvida de que os místicos que meditaram sobre esse fato tem razão de vê-lo em termos metafísicos. A separação entre o ser autoconsciente e o seu mundo não é superada por nenhum processo natural. Ela é um defeito sobrenatural, que só pode ser remediado pela graça."
O conservadorismo advém de um sentimento que toda pessoa madura compartilha com facilidade: a consciência de que as coisas admiráveis são facilmente destruídas, mas não são facilmente criadas.
"Uma tristeza do mundo moderno é o fato das pessoas viverem numa minúscula lasca de tempo do momento presente, que transportam consigo até que nada reste. Nada na sua experiência reverbera pelos séculos, pois para eles, os séculos são escuridão total, apenas corredores não-iluminados."
“Sorrir é um jeito de estar presente no rosto; outro jeito é beijar. Se um sorriso sincero é involuntário, um beijo sincero não: é deliberado, é por vontade”.
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Observador

Morreu Sir Roger Scruton, grande filósofo e pensador conservador


Tinha 75 anos e morreu vítima de cancro. Entre os seus livros publicados em Portugal estão "Como Ser Um Conservador" e "A Natureza Humana". Foi também professor universitário e conselheiro de Governo.
Texto de Gonçalo Correia:
12 Jan 2020
 

Morreu o filósofo conservador britânico e antigo conselheiro do atual Governo de Boris Johnson, Sir Roger Scruton. Tinha 75 anos e morreu vítima de cancro, noticia o jornal The Guardian.
Numa declaração publicada pela família, Scruton, que em 2016 ganhou o estatuto de Sir pelo contributo que deu ao Reino Unido nas áreas da filosofia, ensino e educação pública, é lembrado como “muito amado marido de Sophie, pai adorado para o Sam e a Lucy e um irmão estimado de Elizabeth e Andrea”.

Morreu pacificamente no domingo de 12 de janeiro. Nasceu a 27 de fevereiro de 1944 e lutava contra o cancro há seis meses. A sua família está profundamente orgulhosa dele e dos seus feitos”, lia-se na declaração.
Além de filósofo, conselheiro de Governo e defensor de uma corrente conservadora e tradicionalista do pensamento, Scruton foi também escritor e professor, tendo lecionado durante 21 anos (entre 1971 e 1992) no Birkbeck College, da Universidade de Londres, refere ainda o The Guardian. Em Portugal, tem publicadas obras como Como Ser Um Conservador, Tolos, Impostores e Incendiários, A Natureza Humana, Guia de Filosofia Para Pessoas Inteligentes e As Vantagens do Pessimismo, por exemplo.
Além de famoso pelas suas obras e ensaios de não-ficção e pelo seu apoio aos dissidentes do Partido Comunista da Checoslováquia nos anos 1980, Sir Roger Scruton tornou-se um nome ainda mais conhecido dos britânicos e europeus no último ano e meio, pela posição de relevo que assumiu junto do Governo do Reino Unido e pelo debate que voltou a levantar sobre o sensacionalismo presente em órgãos de comunicação social, devido a uma alegada “caça às bruxas” de que defendeu ter sido alvo.
Tudo começou quando o pensador foi escolhido para presidente de uma comissão independente chamada Building Better, Building Beautiful, cujas funções são “aconselhar o governo sobre como promover e melhorar a utilização de design de alta qualidade para a construção de novas casas e bairros”, como se lê no site oficial da Comissão.
Escolhido como conselheiro na área da habitação pelo Governo britânico em novembro de 2018, Sir Roger Scruton acabou por ser afastado do cargo poucos meses depois, em abril do passado, por ter alegadamente proferido comentários racistas em entrevista a uma revista política e cultural do Reino Unido chamada New Statesman.
Durante a entrevista que motivou a sua saída do cargo de conselheiro do Executivo britânico, Scruton era citado dizendo que os chineses estavam a “criar robôs a partir do seu próprio povo” e fazendo referência a um “império de Soros” [George Soros, famoso investidor, bilionário e filantropista europeu].
O filósofo queixou-se de ter sido mal citado na entrevista – mais especificamente nas publicações da revista nas redes sociais — e acabou por ver a New Statesman assumir as falhas e citação incompleta, conta o The Guardian. Scruton falara em específico do Partido Comunista Chinês, não da população chinesa em geral, e sobre Soros referira que o seu império “não era necessário um império de judeus, porque isso não faz sentido nenhum”, rejeitando assim algumas teorias da conspiração em voga.
Numa época em que o debate sobre um alegado policiamento da linguagem e num tempo em que a desconfiança quanto aos média aumentou (também, embora não só, a partir das redes sociais), o caso do filósofo veio a ser escolhido como exemplo e campo de batalha pelos conservadores e defensores da liberdade de expressão. Em julho, depois das correções da revista britânica relativas à imprecisão com que citou declarações de Sir Roger Scruton, o pensador e especialista em educação e habitação foi readmitido como conselheiro do Governo, algo que era há muito defendido pelo primeiro-ministro do país, Boris Johnson.
https://observador.pt/2020/01/12/morreu-sir-roger-scruton-grande-filosofo-e-pensador-conservador/
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 Miguel Esteves Cardoso em opinião no Público: "
Cometia também o pecado de ser feliz, de escrever romances e crónicas, de caçar raposas e de não ser o aristocrata que parecia ser, apesar da pena que tinha de não ter sido.
14 de Janeiro de 2020" https://www.publico.pt/2020/01/14/opiniao/opiniao/roger-scruton-rip-1900193
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Via Graça Silva
 filósofo especialista em arte
https://vimeo.com/128428182?fbclid=IwAR15C93yRCYRpvLeBYO57NrkxRD7DoJkD1g7pPbSQFdV_ec63Astf7-6jkA
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27/11/2019

7.513.(27nov2019.9.9') Anders Celsius

27noVEMbro1701 - Nasce o astrónomo sueco, criador da escala de temperatura em graus centígrados (Celsius).
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Anders Celsius
  
Figura 1 Anders Celsius (1701 - 1744)

Anders Celsius (1701 – 1744) foi um astrónomo


sueco que inventou a escala de temperatura que leva

o seu nome. Mas também ficou conhecido por ser

a primeira pessoa a estabelecer uma ligação entre o

fenómeno atmosférico conhecido como aurora boreal

e o campo magnético da Terra, tendo publicado esses

estudos em 1733.

Celsius nasceu a 27 de novembro de 1701, em Uppsala,

na Suécia. O seu pai e o seu avô eram professores

universitários de astronomia e matemática,

respetivamente. Por isso, parecia tão-somente natural

para o jovem Celsius embarcar numa carreira similar.

Ele estudou na Universidade de Uppsala e foi eleito

secretário da Sociedade Científica de Uppsala, em

1725. Cinco anos mais tarde, sucedeu ao seu pai na

cátedra de astronomia da universidade. Tal como

era habitual naquele período, Celsius logo embarcou

numa viagem pela Europa com o objetivo de ganhar

uma ampla formação científica, experiência prática e

familiaridade com outros cientistas proeminentes.

Celsius notou que sempre que a aurora boreal era vista

no céu noturno, ocorriam significativas flutuações

magnéticas. Mais tarde outros investigadores
expandiram as observações de Celsius e hoje verificase

que a aurora boreal está relacionada com a

interação de átomos na atmosfera superior da Terra

com partículas carregadas associadas ao vento solar.

As partículas carregadas seguem as linhas do campo

magnético do planeta e descem em direção aos polos

magnéticos.

Mais tarde na sua viagem pela Europa, Celsius visitou

centros científicos de toda a Itália, bem como em Paris

e Londres. Em Paris, conheceu o astrónomo Pierre

Louis de Maupertuis (1698 – 1759). O astrónomo

francês apoiava a teoria de Isaac Newton (1643 – 1727)

de que o formato da Terra era alargado no equador e

ligeiramente achatado nos polos, numa época em que

grande parte da comunidade científica acreditava na

visão alternativa proposta por René Descartes (1596

– 1650). Maupertuis decidiu liderar uma expedição

que iria resolver definitivamente a questão. Assim,

convidou Celsius para se juntar à expedição, que

começou em 1736, e levou o grupo ao longo da

região norte da Suécia. Quando as medições foram

comparadas com as de um grupo de cientistas numa

expedição à linha do equador, a teoria de Newton foi

comprovada. O envolvimento de Celsius no projeto

rendeu-lhe um reconhecimento significativo e, no seu

regresso a Uppsala, foi-lhe concedida a autoridade

e recursos financeiros para criar naquele local um

observatório astronómico moderno, cuja construção

terminou em 1741.

Além das suas observações da aurora boreal, Celsius

realizou diversos estudos astronómicos. Desenvolveu

um método fotométrico de medir a intensidade da

radiação das estrelas e catalogou os resultados que

obteve para centenas de estrelas. Também manteve

registos meteorológicos, porém, estava descontente

com a imprecisão dos termómetros em uso na

época. Celsius concebeu uma escala de temperatura

centígrada para utilizar em termómetros de mercúrio

que fixava o ponto de ebulição da água (à pressão

atmosférica) como o zero da escala e o ponto de

congelação da água aos 100 graus. Ele descreveu a

nova escala à Academia Sueca de Ciências, em 1742.

Celsius morreu pouco tempo depois, em 1744, e Carl

Linnaeus (1707 – 1778) sugeriu a inversão da escala

centígrada (fazendo com que os zero graus fossem
no ponto de congelação e os 100 graus no ponto de

ebulição da água) e é desta forma que esta continua a

ser utilizada ainda hoje. Desde 1948, essa escala tem

sido mais comumente referida como a escala Celsius,

em honra ao seu autor.
 
(…)
https://www.fc.up.pt/pessoas/jfgomes/pdf/vol_2_num_2_65_art_andersCelsius.pdf
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27 de Novembro de 1701: Nasce Anders Celsius, criador da escala de temperatura em graus centígrados (Celsius)

Astrónomo, matemático e físico sueco, nascido a 27 de novembro de 1701 e falecido a 25 de abril de 1744, notabilizou-se por ter elaborado uma escala de temperatura.
Filho de um matemático, foi professor de Astronomia na Universidade de Upsala, onde criou um observatório em 1740. Entre 1732 e 1735, viajou pela Europa visitando principalmente observatórios na Alemanha, Itália e França.

Em 1733 publicou em Nuremberga uma coleção de 316 observações da Aurora Boreal feitas por ele próprio e outros durante os anos 1716-1732.
Em Paris, defendeu a medida do arco de meridiano na Lapónia, e em 1736 fez parte da expedição organizada com este intuito pela Academia Francesa de Ciências e dirigida por Pierre Louis Maupertuis. Em 1742, Celsius propôs à Academia de Ciências sueca que a temperatura fosse medida com base em duas constantes que derivassem de dois pontos que ocorressem naturalmente. Assim, propôs 100 ºC para a temperatura de solidificação da água e 0 ºC para a de ebulição. Esta escala foi posteriormente invertida por um seu aluno.
Celsius desenvolveu outros trabalhos científicos importantes, tendo, nomeadamente, determinado a forma e tamanho da Terra e estudado as marés no mar Báltico
Anders Celsius. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia(Imagens)
File:Anders Celsius.jpg
Anders Celsius
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O Observatório de Anders Celsius
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3.128.(27nov2019.8.8') Luís de Freitas Branco

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nasceu a 12out1890...Lisboa
Luís Maria da Costa de Freitas Branco Pedro foi um compositor e musicólogo português e uma das mais importantes figuras da cultura portuguesa do século XX.
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morreu a 27nov1955...Lisboa
 autor de "Vathek"
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Teórico, musicólogo, pedagogo, conferencista, crítico, compositor, Luís de Freitas Branco deixou um legado de grande riqueza e eclectismo e é referenciado muitas vezes como “o introdutor do modernismo em Portugal”, responsável pela aproximação da música portuguesa à composição europeia sua contemporânea. Estudou inicialmente com Augusto Machado, Tomás Borba, Luigi Mancinelli e com o organista belga Desiré Pâque até que, em 1910, viajou para Berlim para ter aulas com Humperdinck, seguindo em 1911 para Paris onde contactou com Debussy e se familiarizou com o Impressionismo musical, estudando com Gabriel Grovlez. Esteve ligado até meados da década de 1910 ao Integralismo Lusitano, mas, desiludido com o “nacionalismo romanticamente provinciano”, segundo as suas palavras, passa a nutrir simpatia pelas correntes socialistas da Seara Nova, privando com figuras como Bento de Jesus Caraça ou António Sérgio. As repercussões das suas opções ideológicas acabariam por se fazer sentir, mais tarde, com o advento do Estado Novo: seria suspenso do Conservatório, em 1939, já sob a direcção de Ivo Cruz e posteriormente das suas funções na Emissora Nacional. Da produção musical de Freitas Branco fazem parte obras nos domínios da música religiosa; música de câmara; concertística; sinfónica, que, a partir da década de 20, assumem uma vertente mais neoclássica, mais preocupada com a clareza formal e objectividade (ainda que com as marcas do modernismo), exemplificadas pelas suas quatro sinfonias; colaborações cinematográficas de forte inspiração wagneriana que incluem as bandas sonoras de Douro, Faina Fluvial de Manuel de Oliveira (1934), Gado Bravo (1934) e Frei Luís de Sousa (1950) de António Lopes Ribeiro. Entre 1906 e 1908, compôs três poemas sinfónicos inspirados em autores portugueses: Antero de Quental, Depois duma leitura de Júlio Diniz (cuja partitura se encontra desaparecida) e Depois duma leitura de Guerra Junqueiro, obras onde é notória a relação íntima entre a música e a literatura. Mas o interesse do compositor pelo poeta e filósofo revolucionário oitocentista Antero de Quental revelar-se-ia ainda em obras como o poema sinfónico Solemnia Verba (1951), Hino à Razão (1932) ou Três Melodias sobre poemas de Antero (1934-1941). Composto em 1908, Antero de Quental seria revisto nos anos seguintes e apenas estreado a 11 de Abril de 1915, sob a batuta de David de Sousa, no Politeama, nos “Concertos Sinfónicos de Lisboa”. Obra programática de inspiração literária, o poema sinfónico Antero de Quental é uma peça notável e que, apesar de ser uma composição de juventude, revela um conhecimento técnico na linha pós-wagneriana de grande sofisticação.
https://www.casadamusica.com/artistas-e-obras/compositores/b/branco-luis-de-freitas/#tab=0
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https://arquivos.rtp.pt/conteudos/luiz-de-freitas-branco/
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 SUITE ALENTEJANA NRº 2 (1927)
I. Prelude - ( 00:00:00 - 07:00 )
II. Intermezzo - ( 07:03 )
III. Final - ( 09:32 )
András Kórodi, Conductor
Budapest Philharmonic Orchestra

A Suite Alentejana nrº 2 teve estreita absoluta em Outubro de 1929, na Exposição de Sevilha, num concerto dirigido pelo maestro Pedro de Freitas Branco, irmão do compositor.
O mesmo maestro estreou a obra em Lisboa, a 30 de Janeiro de 1932, num dos concertos sinfónicos do Tivoli.
A região portuguesa do Alentejo teve um impacto fundamental da obra de Luís de Freitas Branco; se as duas Suites Alentejanas apresentam um cunho descritivo, também outras obras, mesmo não tendo relação com o Alentejo, foram pensadas e compostas no Monte dos Perdigões, propriedade rural da família Freitas Branco, situada em Reguengos de Monsaraz.
Refira-se que a herdade dos Perdigões reuniu , sob a influência de Luís de Freitas Branco, vultos importantes da música e cultura portuguesas, como por exemplo: Joly Braga Santos, José Atalaya, Nuno Barreiros e João de Freitas Branco.
https://www.youtube.com/watch?v=GjmvAR7JM1g
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Paraísos Artificiais
https://www.youtube.com/watch?v=lH06sjMPgEA
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18jun2007
Público
Luís de Freitas Branco Um compositor tão grande que assusta
A música em Portugal não seria a mesma sem este homem. E, contudo, só agora surge um livro que traça detalhadamente o percurso do genial compositor português da primeira metade do século XX. O seu nome? Luís de Freitas Branco
a O título, simplesmente Luís de Freitas Branco, é de uma simplicidade reveladora: à falta de uma obra de referência deste género, é toda a vida e toda a obra do maior compositor português da primeira metade do século XX que se procura desenhar, pela primeira vez, neste livro.Alexandre Delgado não esconde o seu contentamento por ver editado este livro: "Não havia uma grande obra de referência de consulta sobre ele. A falta de informação era perfeitamente calamitosa", diz o músico, compositor, musicólogo e apaixonado divulgador da música. Ele foi o principal impulsionador da obra e não esconde o orgulho ao falar desta edição pioneira.
Um livro deste género tinha sido imaginado há muito. Mas desde 2005, ano em que Alexandre Delgado conseguiu realizar com algumas instituições (Teatro de São Carlos e Orquestra Nacional do Porto) um festival dedicado ao compositor, o projecto deixou de ser uma miragem.
Uma listagem muito completa das obras foi feita nessa altura, novas obras foram reveladas e tocadas pela primeira vez e arrancou o tratamento de muito do material disponível.
Mas novas obras foram detectadas entretanto, entre 2005 e 2006, mostrando facetas ainda escondidas do compositor.
O livro (editado pela Caminho e o Teatro Nacional de São Carlos) foi, na verdade, uma obra feita a três. É assinado por Alexandre Delgado, Ana Telles e Nuno Bettencourt Mendes. "Eu já tinha tomado a decisão que tinha de fazer", diz Alexadre Delgado, "e julguei que não havia ninguém a estudá-lo". Entretanto foi descobrindo que até tem havido alguns trabalhos académicos sobre um ou outro aspecto de Freitas Branco, e que havia publicadas "coisas gerais ou coisas dispersas e muito pequeninas". "Mas o grande alento foi quando soube que a Ana em Évora e o Nuno em Inglaterra estavam a fazer doutoramentos sobre ele. Deu-me coragem", diz Delgado, sem esconder emoção.
Luís de Freitas Branco diz-lhe muito. Não se cansa de o exaltar como "uma figura máxima da cultura portuguesa de todos os tempos". Mas para Delgado é mais do que isso: ele envolveu-se de corpo e alma neste livro e fala de Freitas Branco como se fosse alguém muito próximo: "É como se fosse meu avô. É um pouco avô de qualquer compositor que se preze. Se não fosse ele não podíamos falar de composição tal como ela existe em Portugal. No meu caso pessoal foi mestre do meu grande mestre, o Joly Braga Santos."
Uma vida de muitas obras
Mas quem foi afinal Luís de Freitas Branco? Que vida tão rica e tão cheia de sobressaltos foi essa? E que obra é essa, ainda em parte desconhecida, que entusiasma músicos, forma compositores e desafia estudiosos?
Compositor, antes de mais. Luís de Freitas Branco tem obra, e não é pouca. Escreveu sinfonias e poemas sinfónicos, oratórias e cantatas, baladas, canções, concertos, sonatas, trios, quartetos, tudo o que um compositor na sua época devia experimentar, para a orquestra ou para conjuntos mais pequenos de música de câmara. Mas escreveu também obras surpreendentes nos temas, nos instrumentos utilizados ou nas formas de compor. Um exemplo, inevitável: a sua obra Paraísos Artificiais, escrita aos 20 anos e inspirada nas Confissões dum fumador de ópio de Thomas de Quincey (e traduzida por Baudelaire), que não serviu apenas para revelar a sua vasta cultura literária - provocou mesmo um verdadeiro escândalo na sua estreia em 1913. Não era só o tema evocado que era escandaloso. Era a sua música declaradamente moderna que era difícil de aceitar por um público português que estava ainda, no início do século XX, alheado de algumas das mais importantes correntes musicais europeias.
Com aquela obra, Luís de Freitas Branco veio agitar as águas e lembrar que o mundo musical era mais do que este cantinho à beira-mar plantado. "Uma pedrada no charco", é como Alexandre Delgado descreve este momento: "Estávamos ainda a começar a digerir o grande romantismo. As primeiras orquestras sinfónicas, tirando o São Carlos onde havia ópera, só nasceram em 1911. E só então é que se criaram as grandes obras do repertório sinfónico. É preciso ver que a nona sinfonia de Beethoven só foi estreada cá nos anos 20!..." (ou seja, 100 anos depois). E prossegue, explicando o importante salto estético inicial de Luís de Freitas Branco, que o aproxima de um compositor como Debussy: "O nosso atraso era colossal. Ele escreve Manfredo [uma sinfonia dramática para solos, coro e orquestra] aos 15 anos, num estilo romântico. E depois dá logo um salto para a revolução debussista."
Luís de Freitas Branco revelou muito cedo talentos para a música. De famílias aristocráticas (descendente do Marquês de Pombal, diz-se), teve aulas de música ainda na juventude com Augusto Machado e Tomás Borba, e uma formação cultural, científica e artística muito rica, influenciado pela formação germânica do seu tio, João de Freitas Branco.
"O extraordinário João", é assim que Alexandre Delgado se refere ao tio de Freitas Branco, um homem "que tinha uma biblioteca infinita" e que teve na sua educação um papel decisivo.
O aristocrata compositor
Antes de partir aos 20 anos para Berlim, em 1910, com o seu tio, Freitas Branco estuda musicologia, escreve as suas primeiras críticas musicais, e tem aulas de harmonia e contraponto com Désiré Pâque, com quem estuda a música moderna (as novas técnicas de Debussy, entre outros). Em Berlim tem aulas com o compositor Humperdinck, e quando volta a Lisboa é já um compositor que conhece muito bem as ferramentas da música e da composição. Irá depois a Paris alargar ainda mais a sua vasta cultura musical.
Alexandre Delgado fala com exaltação de Paraísos Artificiais, uma obra "que todos os portugueses deviam conhecer". Depois dos Paraísos, em 1913, Freitas Branco escreve Vathek, uma nova sinfónica "pedrada no charco".
Alexandre Delgado diz que não vai descansar enquanto não vir pelo menos essas duas obras tocadas por uma grande orquestra mundial: "Fico estarrecido quando encontro alguém do meio musical que não conhece os Paraísos Artificiais, não sabe o que é. É uma lacuna cultural. Não só em Portugal, no mundo inteiro - é uma das obras essenciais da sua época. Estou à espera que um grande maestro inclua os Paraísos e o Vathek numa grande etiqueta, numa Deutsche Grammophon." E não perde a esperança - "acho que vai acontecer; é inevitável, porque é uma música deslumbrante e fascinante em qualquer parte do mundo".
O italiano Paolo Pinamonti, musicólogo, é o autor do prefácio do livro agora publicado. Era também director do Teatro de São Carlos na altura em que se realizou o Festival Freitas Branco de 2005. Para Pinamonti, Luís de Freitas Branco é "uma das grandes figuras da música portuguesa". A obra do compositor, diz, "obriga a rever a história da música do século XX e a reflectir de uma forma diferente", porque "não pode ser vista apenas na dupla óptica progresso/reacção".
O modernismo de Freitas Branco é para Alexandre Delgado um dado "inelutável". E, embora concorde "sem dúvida" com a expressão de "introdutor do modernismo em Portugal" que lhe ficou associada (graças a Lopes-Graça e repetida depois por muitos outros), ele pensa também que é um compositor "paradoxal e multifacetado". Pinamonti prefere destacar o lado "sensível, curioso e aberto" de Freitas Branco. E explica que "mesmo nas obras em que não há novidade linguística isso acontece." Por isso acha particularmente interessante a perspectiva que foi adoptada no festival em 2005, "pondo-o lado a lado com compositores europeus da mesma época". E pensa que o seu modernismo pode ser comparado com o de compositores como Manuel de Falla, Casella ou Malipiero.
Mais do que um compositor
Mas para além de compositor, Freitas Branco tem uma acção cultural muito vasta.
"Ele multiplicou-se em tantas vertentes que não é possível resumir. Espero que este livro ajude a mostrar à comunidade científica as infinitas zonas de estudo que a figura permite." Porque, além da música, "há a parte pedagógica, a relação com emissora nacional, o papel como conferencista e musicólogo..."
Alexandre Delgado detém-se por momentos. Parece rever mentalmente o livro em que se empenhou e todos os materiais de investigação em que pegou durante anos: cartas, partituras, textos em jornais e revistas, críticas, ensaios, diários, documentos oficiais, recortes, fotografias. Mas é ainda a música aquilo que o mais toca: "Sobretudo a música. Em cada obra em que volto a pegar, escuto sempre qualquer coisa que não tinha ouvido. Não se pode pôr uma etiqueta - ele não é comparável com nada."
Luís de Freitas Branco foi professor e musicólogo, num tempo em que a musicologia ainda não existia. Delgado dá um exemplo: "Ele foi o grande descobridor da polifonia dos séculos XVI e XVII. Foi o primeiro a mexer nesses manuscritos na biblioteca de Évora." Foi também Freitas Branco que criou (em 1919) o curso de "Ciências Musicais", que incluía as disciplinas de Acústica, História da Música e Estética Musical, quando impulsionou, com Viana da Mota, uma importante reforma do Conservatório, mais tarde em grande medida desfeita pela acção do Estado Novo.
As suas convicções políticas e o seu percurso intelectual também têm merecido alguma discussão. Uns preferem dizer que foi "paradoxal", outros elogiam a sua coerência e rectidão ao longo da vida. Monárquico e aristocrata, Luís de Freitas Branco foi activo no movimento do Integralismo Lusitano (de extrema-direita), antes da instauração do Estado Novo. Alexandre Delgado explica que ele "esteve de corpo e alma com o Integralismo Lusitano, queria recuperar as tradições, o espírito nacionalista e monárquico." Mas nos anos 30 parece haver um afastamento progressivo em relação ao regime e aos ideais de direita: "Em 1930 o seu diário faz uma imagem bastante nítida da evolução mental dele. Como ele tinha visto o integralismo como modo de combater um certo idealismo romântico no modo de encarar a criação artística. Mas depois afastou-se e começa também a opor-se à mesquinhez do regime", diz Delgado.
Este afastamento tem certamente a ver com contacto com figuras como António Sérgio e Bento Jesus Caraça. Em 1940 compõe ainda a Abertura Solene 1640, uma obra de circunstância composta para as comemorações do regime no ano da Exposição do Mundo Português.
Mas em 1941 Freitas Branco escreve no diário: "Não posso servir as direitas, a religião católica e a moral burguesa em que não creio. Só tenho uma coisa a fazer: romper, viver a vida em que creio, a vida da verdade." Não parece referir-se apenas à política, mas sobretudo à sua vida pessoal e moral, coisas para ele inseparáveis. Por isso defendeu também os seus colegas e amigos das perseguições políticas a que foram sujeitos. Sai em defesa de Lopes-Graça quando este é perseguido pela PIDE, por exemplo.
Alexandre Delgado recorre às palavras de um outro intelectual importante da oposição para clarificar a atitude intelectual de Freitas Branco: "Mário Dionísio chamava-lhe monárquico e socialista. Ele de facto era isso. Até ao fim da vida dizia que era monárquico, embora achasse que era inviável. Mas era uma aristocracia do espírito que ele defendia. Uma elevação espiritual. E queria também elevar o nível cultural de toda a população. Por isso passou tantas décadas de trabalho como musicólogo, compositor, professor."
Ataques mesquinhos
Alexandre Delgado conta vários episódios em que ele foi alvo de ataques por motivos mesquinhos: "Ele foi obrigado a demitir-se do Conservatório em 1934 por razões da sua vida privada, porque teve um filho com uma senhora que era funcionária do Conservatório."
Antes disso, o compositor Rui Coelho orquestrou uma campanha que acusou Freitas Branco de plágio: "Disse que a Sonata para Violino era um somatório de plágios e que ele era um tolo mascarado de compositor. Isso criou um terramoto na imprensa que durou meses. Num país muito inculto viam isso como um roubo. Mas acabou por ser bom. Deu publicidade ao Freitas Branco. Gerou ondas de apoio e de repúdio envolvendo figuras como o Viana da Mota. Só as pessoas conhecidas pelas piores razões estavam contra ele", conta Alexandre Delgado.
Mas não ficaram por aí os ataques a Freitas Branco: "Durante toda a vida lhe quiseram atirar lama para cima. Houve perseguições. Por exemplo uma sindicância ignominiosa em 1940 invocando o moralismo mais hipócrita. Porque se referia de forma indecorosa ao menino Jesus ou porque recomendava às alunas que escolhessem um marido que fosse mais móvel do que o São José." Segundo Delgado, "é o retrato do Portugal daquela época". E conta ainda um outro episódio: "Em 1951 foi demitido da Emissora Nacional por ter aparecido com uma gravata avermelhada no dia a seguir à morte do Marechal Carmona."
A todos os ataques Freitas Branco respondia com uma rectidão intelectual que os seus amigos e colegas lhe reconheciam (mesmo os que discordavam das suas ideias) e que para ele eram características intelectuais essenciais.
Uma herança complicada
A sua vida privada foi cheia de peripécias. Teve várias mulheres, coisa que grande parte da sua família católica e conservadora teve dificuldade em aceitar. E segundo João Maria de Freitas Branco, filósofo, neto do compositor (e autor de O músico-filósofo, um livro sobre a modernidade filosófica e científica do seu avô) e um dos seus herdeiros, a sua atribulada vida sentimental é, indirectamente, a causa de um dos problemas com que se debatem hoje os estudiosos: "A dispersão dos materiais tem a ver com a sua vida sentimental", diz. "Tem sido difícil juntar as coisas, por várias razões. Ele teve apenas um filho [João de Freitas Branco], mas o único filho não é o único herdeiro."
De qualquer forma, neste aspecto da reunião do espólio do compositor e do acesso aos documentos, para João Maria de Freitas Branco "as coisas já estiveram piores".
Alexandre Delgado diz que é desejável que se consigam juntar todos os materiais e partituras na Biblioteca Nacional, em Lisboa, e compreende que "a complicação do espólio pode ter desanimado muita gente. Há os problemas de juntar as coisas e a questão dos herdeiros". No entanto, "o material que se conhece já permite fazer doutoramentos...", diz.
Alexandre Delgado guarda provisoriamente uma grande parte dos materiais. E resume o que pensa que tem de se fazer no futuro: "É importante que apareça rapidamente tudo o que ainda não apareceu; que pelo menos todas as obras importantes sejam editadas. É de bradar aos céus o facto de o Vathek não estar editado. É como não estar editada a Mensagem do Fernando Pessoa. É igualmente escandaloso."
Delgado gosta da comparação com Fernando Pessoa porque, com todas as diferenças, pensa que Freitas Branco "é uma figura da mesma craveira": "Eles fizeram em áreas diferentes uma revolução equivalente. Responderam no novo século à necessidade vertiginosa de actualização."
Para Alexandre Delgado é importante "que este livro se torne obsoleto rapidamente, porque ele não é um ponto de chegada mas um ponto de partida". E espera que seja um estímulo para estudiosos e musicólogos fazerem coisas equivalentes com outros compositores portugueses.
A figura de Freitas Branco, diz, "é capaz de ter assustado muita gente, por ser tão grande". Mas Alexandre Delgado promete não deixar o trabalho por aqui: "Ao fim de 20 anos de estudar o Freitas Branco eu não estou farto, nunca vou estar farto - porque ele é inesgotável."

https://www.publico.pt/2007/06/18/jornal/luis-de-freitas-branco-um-compositor-tao-grande-que-assusta-219108
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