27/03/2017

7.695.(27mar2017.7.7') Bruno Carreira

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Nasceu em 1988
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Vou saudar em reunião de câmara de 27mar2017
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23mar2017
via Alcoa
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http://www.oalcoa.com/alcobacense-distinguido-como-jovem-cientista-do-ano-2016/
O investigador Bruno Carreira, de Casais de Santa Teresa em Aljubarrota, Alcobaça, que fez todo o percurso escolar em Alcobaça até ir para a universidade em Lisboa venceu o 7.º Prémio Fluviário de Mora – Jovem Cientista do Ano, relativo a 2016 pelo artigo científico “Warm vegetarians? Heat waves and diet shifts in tadpoles”, publicado na revista científica Ecologycom, um trabalho sobre os impactos das ondas de calor em anfíbios. Quando se candidatou a este prémio era aluno do doutoramento em Biologia da Universidade de Lisboa, e agora é aluno de pós-doutoramento e investigador do cE3c — Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais, na mesma instituição.
Contactado pel’O ALCOA, o jovem de 29 anos, que confessou ter esta paixão pela investigação desde pequeno mostrou estar “muito feliz” pela distinção, “para mim é um orgulho ver reconhecido este trabalho que realizei, com outros investigadores, no âmbito do meu doutoramento, faz-nos sentir que os anos de sacrifício valeram a pena”. Sobre o estudo explica que este “avaliou o possível impacto das ondas de calor, causadas pelas alterações climáticas, nas preferências alimentares de animais ectotérmicos, ou seja, de sangue frio”.
O prémio, no valor de 500 euros, instituído pelo Fluviário de Mora, no distrito de Évora, distingue anualmente um aluno (de licenciatura, mestrado ou doutoramento) que publique, como primeiro autor e no ano do concurso, um artigo sobre conservação e biodiversidade de recursos aquáticos continentais (estuários e rios).
A entrega terá lugar na Cerimónia Comemorativa do 10º aniversário do Fluviário de Mora, amanhã 24 de março, pelas 18h00.

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26/03/2017

2.829.(26mar2017.7.7') Tenessee William

Nasceu a 26mar1911
e morreu a 
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20mar2017
sobre uma das peças de sucesso na actualidade
A noite da Iguana
 http://mutante.pt/2017/03/tennessee-williams-no-tmjb/
 
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 http://ornitorrincocinefilo.blogspot.pt/2011/06/biografia-tennessee-williams.html

Dono de um invejável currículo na literatura, no teatro e no cinema, Tennessee Williams pode ser considerado hoje um dos dramaturgos mais aclamados e bem sucedidos do século XX. É um dos poucos a terem realizado a façanha de ter levado para casa dois prêmios Pulitzer, um Tony e duas indicações ao Oscar. Também foi eternizado pela crítica como um dos autores mais influentes de sua geração e o de maior relevância numa época marcada por censuras e barreiras. Seus textos afiados, marcados por diálogos inteligentes e por duplos sentidos, elevaram a dramaturgia americana a um nível de refinamento e força acima do esperado e, graças a eles, que hoje podemos contar com uma liberdade de expressão tão necessária no terreno das artes cênicas.

Nascido Thomas Lanier Williams em 26 de março de 1911 na cidade de Columbus, no Mississippi, ele nunca teve uma relação fácil com seus familiares. Seu pai, Cornelius, era um ex integrante do exército alcoólatra, que descontava na família toda sua raiva com a vida, em especial com Tennessee, além de ser suspeito de tentar abusar sexualmente de sua filha. Sua mãe tinha transtornos sérios de personalidade e sua amada irmã, Rose, com que mais tinha apego, era portadora de esquizofrenia, sofrendo uma lobotomia ainda muito nova, o que acabou deixando-a incapacitada. Depois de crescido, tímido e reprimido, ele acabou se descobrindo homossexual quando foi obrigado a servir no exército, na mesma medida que foi descobrindo uma vontade incontrolável de escrever histórias, que geralmente se focavam em dramas familiares similares aos seus. A partir de então foi seguindo seu próprio caminho até ganhar reconhecimento com suas peças e se tornar quem nós conhecemos hoje.

Casa da família Williams, em Columbus
Apesar de bem resumida, essa pequena introdução sobre a vida de Tennessee é o suficiente para entendermos os fatores que influenciaram todas as suas obras. Temas como alcoolismo, doenças mentais, relações familiares, abusos sexuais, traumas emocionais e homossexualismo estão sempre presentes em seus textos, todos inspirados em sua própria trajetória de vida. Também muito recorrente nas peças do dramaturgo são personagens femininas fortes, que geralmente representam seu alter ego, e personagens masculinos bem moldados num estilo "machão" (fortes, brutos, sensuais e fechados), como um tipo de representação daquilo que o atraía fisicamente (certa vez ele confessou a seu amigo Gore Vidal, um escritor conceituado, que jamais poderia escrever uma peça sem um personagem pelo qual sentisse desejo). Usando esses dois tipos mais básicos como base na hora de criar suas tramas, ele apenas incluía o âmbito familiar para dar um toque teatral para a obra, não sem antes encher seus trabalhos de simbolismos críticos na hora de amenizar o conteúdo escandaloso que geralmente acompanhava as premissas.

Tendo em mente o estilo único do dramaturgo, podemos então entender o impacto de seus textos quando adaptados para o cinema americano ultra moralista das décadas de 1950 e 1960. Analisar brevemente cada uma dessas obras é uma forma que a equipe do blog encontrou de homenagear esse grande nome. Comecemos então na ordem cronológica dos principais filmes lançados com o roteiro baseado em alguma obra de Tennessee Williams. O primeiro deles, e o melhor de todos, é Uma Rua Chamada Pecado (A Streetcar Named Desire, 1951).

Williams (à esquerda) e Kazan
O próprio Williams assinou a adaptação e o roteiro para esse filme de Elia Kazan, que já havia feito sucesso na Broadway nas mãos do diretor. O dramaturgo e o diretor tinham uma grande sintonia artística e conseguiram repetir o sucesso nas telonas, mesmo tendo de ajustar alguns detalhes em função da censura (não que eles tenham alterado drasticamente a trama, apenas "maquiaram" melhor os elementos mais "intensos"). Marlon Brando, inclusive, foi descoberto nessa época ao ganhar o papel de Stanley Kowalski na peça, e foi contratado para repetir a performance no cinema, o que lhe valeu sua primeira indicação ao Oscar. A trama gira em torno de Blanche DuBois (Vivien Leigh), uma mulher de meia idade que vai passar uma temporada na casa de sua irmã Stella (Kim Hunter) e de seu cunhado Stanley. Emocinalmente frágil e repleta de segredos ocultos em sua imagem glamorosa, Blanche é uma representação da decadência da aristocracia sulista, que vai de contra o caráter agressivo e brutal de Stanley, um tipo de personagem que encarna em suas características tudo o que envolve o desejo sexual feminino, incluindo suas contradições. Numa mistura selvagem de tensão sexual com tensão familiar, o embate desses dois personagens se revela um exemplo típico do que agradava Tennessee: uma personagem feminina abalada e traumatizada, que fica à mercê de um homem irracional, mas que ainda assim emite um tipo de atração incontrolável nela. Aproveitando a deixa, Kazan guiou seus atores principais de modo que incluíssem em suas performances um berrante contraste entre o jeito tradicional de atuar em Hollywood (Vivien Leigh abusa dos gestos exagerados, da maneira de se mover teatralizada e do tom melodramático tão comum e artificial nas produções da Velha Hollywood, como forma de mostrar que aquilo estava tão decadente quanto sua personagem) com uma maneira nova de transmitir emoções (Marlon Brando rompe barreiras e dá realismo ao seu personagem, mudando para sempre a tradição cênica do cinema americano e jogando longe aquele estilo mais caricato e forçado dos personagens masculinos da época). O filme foi um sucesso e rendeu à Williams uma indicação ao Oscar de Roteiro, além de inúmeras outras indicações (Vivien Leigh, Kim Hunter e Karl Malden saíram da cerimônia com certa estatueta dourada nas mãos).

Depois foi a vez de uma das peças mais fracassadas de Williams ganhar vida no cinema. A Rosa Tatuada (The Rose Tatoo, 1955) é um filme feito com a intenção de reinventar uma história que já não tinha dado certo nos palcos. Williams mais uma vez se responsabilizou com o roteiro e o resultado foi incrível, embora tenha caído totalmente no esquecimento. A história é sobre Serafina (Anna Magnani), uma costureira viúva que, enquanto conserta a camisa do caminhoneiro Álvaro (Burt Lancaster), vai mantendo uma conversa cada vez mais intensa com seu cliente, que alcançará proporções inimagináveis. Mais ameno e longe dos costumeiros dramas profundos do autor, essa história se faz valer por sua sutileza e inteligência, pois vai ganhando uma importância gradual, apenas na base de diálogos. O talento apurado dele em escrever falas nunca foi tão bem exibido quanto nessa obra, ofuscando totalmente a direção iniciente e trôpega de Daniel Mann. Mais uma vez o Oscar reconheceu o valor da história e premiou a atriz principal (que soube muito bem aproveitar sua personagem bem contruída), além de outras categorias secundárias também terem levado a estatueta (inclusive foi indicado a Melhor Filme, embora não tenha vencido).

A segunda parceria nos cinemas entre Tennessee e Kazan se deu logo em seguida com o até hoje inexplicável Boneca de Carne (Baby Doll, 1956). Desta vez guiado por um personagem masculino, o filme não apresenta as características mais marcantes no estilo de Williams, embora haja uma personagem feminina essencial, um tipo de coadjuvante de luxo. Baby Doll Meighan (Carroll Baker) é a tal personagem, que é usada como um objeto num jogo de conflitos de negócios entre seu marido Archie (Karl Malden) e o falido Silva Vacarro (Eli Wallach). Sem conseguir definir ao certo o objetivo dessa história, Kazan se perde no texto denso e difícil de Williams, de modo que a trama parece nunca decolar. Temas distintos como adultério e conflitos empresariais se chocam e nenhum consegue assumir a liderança, de forma que o roteiro bem cosntruído acaba sendo prejudicado. Baby Doll, que era para ser uma personagem folgosa e dúbia, acabou virando um tipo de vadia a ser usada como mero objeto sexual, fugindo da intenção inicial do autor da peça. Isso não foi problema para Tennessee, que recebeu mais uma vez o prestígio de ser indicado ao Oscar por esse trabalho. Mesmo que a obra tenha sido nomeada em outras categorias, não levou nenhuma e não é exatamene do tipo memorável. 
Em 1958 foi lançado então um dos filmes mais famosos baseados em uma peça de Williams, embora seja também aquele que o dramaturgo mais destestou. Ao contrário dos outros filmes já mencionados, neste o dramaturgo não participou na composição do roteiro, que ficou a cargo de James Poe e Richard Brooks, que também é o diretor. Gata em Teto de Zinco Quente (Cat on a Hot Tin Roof, 1958) é hoje uma das obras mais importantes e mais aclamadas pelos críticos de cinema. Talvez isso se dê, mesmo com a desaprovação de Tennessee, pelo fato de ser uma das tramas que mais imprimem o jeito dele em criar situações baseadas em dramas familiares. Depois de um começo exagerado e excessivamente teatral, a obra vai ganhando uma densidade assustadora e os personagens vão sendo desvendados de uma tal maneira que o final se torna um verdadeiro palco para um inesquecível clímax. A trama aborda a vida do casal Maggie (Elizabeth Taylor) e Brick Pollitt (Paul Newman), que passam por uma crise conjugal cujo o motivo é um verdadeiro mistério para o público. O que sabemos é que Brick evita Maggie e sente repulsa por ela, que, por sua vez, sente um enorme desejo sexual pelo marido, mas não é correspondida. Para piorar, tudo isso ocorre durante o dia da comemoração do aniversário do pai de Brick, o patriarca que está prestes a morrer e que deixará sua fortuna para um de seus dois filhos. Aos poucos esse drama vai dando espaço para um verdadeiro suspense em volta do passado de todos ali e temas como homossexualismo ganham um tipo de atenção discreta, porém decisiva. Mais uma vez podemos ver um personagem masculino durão e alcoólatra, uma protagonista sexy e dúbia, a suspeita de um personagem ser gay e um drama familiar pesado: tudo o que Tennessee mais amava escrever. Gata em Teto de Zinco Quente também marca a primeira vez de Elizabeth Taylor numa produção baseada numa peça de Williams, que depois repetiria a dose inúmeras vezes, sendo a atriz que mais protagonizou as personagens centrais escritas por ele no cinema. O filme foi indicado a seis Oscar, inclusive de Melhor Filme e Melhor Atriz.

Um dos menos conhecidos e também mais dispensáveis de todos talvez tenha sido este seguinte, Vidas em Fuga (The Fugitive Kind, 1959). Marlon Brando repete aqui a parceria com Tennessee, que também assina o roteiro, e o grande Sidney Lumet se encarrega da direção. Brando vive Valentine Xavier, um músico itinerante, que pela primeira vez decide se instalar fixamente numa pequena cidade próxima a New Orleans. Neste lugar ele se envolverá com uma mulher casada e tentará esquecer de seu passado nebuloso. Agora guiada por um homem, essa história talvez seja a mais diferente de Williams na composição dos personagens, já que nenhuma mulher da trama tenha força o suficiente para competir com Brando. Por outro lado, é a história que mais representa o estilo do escritor na hora de escolher seus cenários. Tennessee nunca gostou muito de escolher a elite na hora de montar seus textos, e sim lugares mais pobres, como New Orleans, repletos de casebres decadentes e gente humilde vivendo conflitos por detrás dessas construções aparentemente inofensivas. A pobreza, o som de jazz (estilo musical que sofria preconceito na época por ser mais tocado pela população negra), a fumaça, os bares, as ruelas, a típica periferia era um tipo de simbolismo em volta da situação miserável, mas não menos empolgante e pulsante, de seus personagens. Dentro desse tipo de território suas histórias fluiam melhor e seus resultados eram mais satisfatórios.

Hepburn no set de De Repente, No Último Verão
De Repente, No Último Verão (Suddenly, Last Summer, 1959) é, com certeza, o filme mais definitivo a respeito da obra de Tennessee Williams. Se alguém quiser um dia entender tudo o que envolve a obra do dramaturgo, encontrará neste filme/peça todos os elementos mais usados por ele, sem excessões. É também nele que podemos encontrar as maiores referências da vida pessoal de Tennessee, já que cada personagem presente representa um membro da família dele. A trama é forte e pesada, carregando em si elementos difíceis que geralmente nunca dividem espaço numa mesma obra. Elizabeth Taylor, mais linda e talentosa do que nunca, encara o difícil papel de Catherine Holly, uma garota que sofre um trauma enorme depois de uma viagem à África, em que vê seu amigo, por quem era secretamente apaixonada, ser devorado por nativos. O tal amigo, na verdade, era gay e flertou com tais nativos, desencadeando assim a tragédia. Agora de volta para casa ela acaba bloqueando esse episódio de sua memória e praticamente enlouquece. Sua rica tia, Violet Venable (Katharine Hepburn), temerosa de que Catherine conte para alguém o ocorrido, contrata o neurologista Dr. Cukrowicz (Montgomery Clift) para realizar na moça uma lobotomia. No entanto, o médico acaba se interessando verdadeiramente pelo passado de Catherine e decide ajudá-la sem o procedimento cirúrgico que certamente a deixaria incapacitada. Temos aqui um conjunto de tudo que fez da vida de Williams ser como era: ele escreveu essa trama logo após uma desilusão amorosa com uma mulher e, por causa disso, se descobriu homossexual. Depois temos a personagem de Catherine, que representa Rose, a irmã de Tennessee, que também era taxada de louca e sofreu uma lobotomia autorizada pelos próprios pais. Violet é um tipo de representação dos pais duros e insensíveis de Williams, que só se preocupavam com as aparências. E, por último, temos o neurologista, que representa a salvação de Caherine, aquele que acredita que ela não é louca e se apaixona por ela. Ele é aquilo que Tennessee gostaria que tivesse acontecido no seu caminho e no de sua irmã. O filme foi indicado em três categorias do Oscar, inclusive Katahrine Hepburn e Elizabeth Taylor competiram pela estatueta de Melhor Atriz.

Agora na década de 1960, um pouco menos moralista e taxativa, as obras menos ousadas de Tennesssee foram adaptadas para o cinema, já que as mais escandalosas já haviam sido. Por causa disso, podemos dizer que foram poucas as que realmente chamaram a atenção. Doce Pássaro da Juventude (Sweet Bird of Youth, 1962) foi a primeira da década, mas não possui a presença de Williams na adaptação do roteiro, que ficou por conta de Richard Brooks, o mesmo de Gata em Teto de Zinco Quente. Seu enredo se foca na vida de Chance Wayne (Paul Newman), um ator fracassado que volta para sua cidade natal para fazer um teste de elenco. Lá ele reencontra sua ex-namorada, Heavenly Finley (Shirley Knight) e seu passado com ela e coma cidade passa a ser revelado aos poucos. Williams também detestou essa adaptação, talvez por achar que Brooks não era um diretor capaz de adaptar suas histórias para o cinema. De fato, aqui os diálogos afiados do texto original não possuem tanta força, os conflitos são tantos que acabam se misturando numa coisa só e perdem assim sua emoção, e o elenco parece deslocado e pouco à vontade, contribuindo para uma total falta de química e sintonia entre eles. Paul Newman se destaca, mas quem levou a estatueta do Oscar foi Ed Begley, que interpreta um político, pai de Heavenly.

Richard Burton e Sue Lyon
Ninguém menos que John Huston foi o próximo diretor da fila a adaptar uma peça de Williams para o cinema, com o curioso A Noite do Iguana (The Night of the Iguana, 1964). Nele conhecemos o ex-reverendo Lawrence Shannon (Richard Burton), que guia um grupo de mulheres por monumentos religiosos no México. Lá, a adolescente Charlotte (Sue Lyon) insiste em tentar seduzir Shannon, que a repele imediatamente. No entanto, a mulher responsável por Charlotte, Judith (Grayson Hall), acredita que é o reverendo que está tentando seduzir a jovem, ligando imediatamente para que seu irmão juiz venha para o local e tome providências. Ciente disso, Shannon sequestra o ônibus e foge com todas as mulheres ali para uma pousada de sua amiga, Maxine (Ava Gardner). Para complicar ainda mais as tensões entre todos, surge também nessa pousada uma misteriosa mulher que aparenta ser uma vigarista fugitiva, Hanna (Deborah Kerr). A trama é muito complicada, cheia de personagens e parece que muda de objetivo a cada nova situação. O que a princípio parecia um enredo envolvendo um ex-reverendo tentando provar sua inocência diante de uma garota oferecida, acaba se encaminhando para uma sub trama ambientada em uma pousada cheia de gente estranha. Nesse meio tempo temas fortes como lesbianismo e mentira surgem de maneira inesperada. Ou seja, tudo vira um circo de histórias mescladas que não conseguem formar uma trama homogênea, de modo que o filme termina sem mostrar a que veio. Foi indicado em três categorias no Oscar, e levou a de Melhor Figurino em Preto e Branco.

A última participação de Tennessee na adaptação de um roteiro foi em O Homem que Veio de Longe (Boom, 1968), filme estrelado por Elizabeth Taylor e Richard Burton e dirigido por Joseph Losey. Aqui a trama foge bastante do convencional para o dramaturgo. Trata-se da vida de Sissy (Taylor), uma escritora que vive isolada numa ilha do mediterrâneo junto com suas empregadas. Doente e debilitada, ela passa seu tempo entre tomar injeções e montar sua biografia. Mas eis que surge no local o atraente Chris Flanders (Burton), um homem que tem o hábito de visitar mulheres morinbundas. Durante um jantar na casa de Sissy se desencadeará uma louca trama que terá o poder de mudar a vida de todos ali, principalmente com a presença de um vizinho conhecido pelo apelido de A Bruxa de Capri. Temos aqui um exemplar raro de Tennessee flertando com o suspense, numa obra que tem em sua essência a morte como tema principal. Trata-se de um ensaio sobre a forma como homens e mulheres encaram tanto a vida como a morte, e acaba sendo também como um tipo de requiém para Williams, que já não estava mais em forma e começava a rarear seus trabalhos. Interessante notar como ele usa a costumeria enxurrada de diálogos, mas desta vez para ressaltar gêneros diferentes do drama. Infelizmente, a vida de glamour e escândalos entre Elizabeth Taylor e Richard Burton acabou ofuscando o próprio filme, atraindo um público interessado em ver os astros contracenando juntos, mas não necessariamente interessado em compreender a trama.

Depois de O Homem que Veio de Longe, Tennessee Williams nunca mais voltou a aparecer nos créditos dos filmes como roteirista. Algumas obras depois desta, claro, usaram referências dos textos dele, como é o caso do mais recente Tesouro Perdido (The Loss of Teardrop Diamond, 2008), mas o que prevalece até hoje do legado dele são suas peças teatrais sendo reapresentadas constantemente nos mais conceituados palcos do mundo.

Infelizmente são poucos os roteiristas, e até mesmo dramaturgos, que possuem o cacife de Tennessee, principalmente no que diz respeito aos diálogos e a sutileza com que ele abordava seus temas principais, que geralmente eram tão fortes. Com o tempo os filmes foram desvalorizando os diálogos e favorecendo ações, de modo que o que mais podemos ver hoje são filmes de estética perfeita, mas completamente ocos em conteúdo. Uma ficção realmente boa precisa, antes de tudo, de um bom texto sendo proferido por personagens bem construídos (o que é mais ou menos a essência que o teatro procura manter, mas não os filmes). Por isso esse grande dramaturgo faz falta hoje em dia nas telonas, embora não tenha sido necessariamente um cineasta. De fato, são poucos os que participaram tão perifericamente no mundo do cinema e conseguiram marcar tanto como ele. Se no teatro, a grande arte pelo qual ele é lembrado, ele já fez milagres, não é de menos com o cinema, que embora não o tenha mais hoje, agradece sua existência diante de uma tão rica e improtante filmografia. Tennessee Williams morreu no dia 25 de fevereiro de 1983 sob circunstâncias misteriosas, o suficiente para eternizá-lo como lenda.

Por Heitor Romero
27/06/2011
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"Estamos todos condenados à prisão solitária, dentro da nossa própria pele, para toda a vida"
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Via Citador:
 











http://www.citador.pt/frases/citacoes/a/tennessee-williams
 Há uma hora de partida mesmo quando não há lugar certo para onde ir.
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Penso que o ódio é um sentimento que só pode existir na ausência da inteligência. Os bons médicos não odeiam os seus doentes.
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Não olhes para a frente para o dia em que vais parar de sofrer, porque quando esse dia vier saberás que morreste.
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 A vida é toda ela memória, excepto para o momento presente, que estás a viver de forma tão rápida que dificilmente o vais conseguir apanhar.
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 O tempo é a distância mais longo entre dois lugares.
*
 A sorte é acreditar que somos sortudos.
*
 Não podemos confiar um no outro. Esta é a nossa única defesa contra a traição.
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 A única coisa pior que um mentiroso é um mentiroso que também é um hipócrita!
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 É possível ser jovem sem ter dinheiro, mas não se pode ser velho sem ele.
*
 O inferno somos nós próprios e a única redenção é quando nos colocamos a nós próprios à parte e concentramos os nossos sentimentos noutra pessoa.
*
 O sucesso está bloqueado se estivermos concentrado nele e a fazer planos para o atingir. O sucesso é tímido - só virá quando não estivermos a olhar.
*
 O sucesso e o fracasso são igualmente desastrosos.
*
 Todas as pessoas cruéis descrevem-se a si próprias como paradigmas da franqueza.
*
 A vida é em parte aquilo que nós fazemos dela, e em parte aquilo que é feito pelos amigos que escolhemos.
*
 Porque é que eu comecei a escrever? Porque descobri que a vida é insatisfatória.
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https://www.youtube.com/watch?v=FScWlr5qZUY&list=PLvKvfIkdqm3oWHd00NJXat12nYGXHIEod

24/03/2017

5.493.(24mar2017.8.8') Wilhelm Reich

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Nasceu a 24mar1897
e morreu a
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Via Pensador:
https://pensador.uol.com.br/autor/wilhelm_reich/
Somente o conhecimento do processo vital pode dissipar o medo.
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Ataques e discussões irracionais não devem ser respondidas, a não ser com o silêncio.
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"Eu não te prometi que você ia ser mais feliz, mas sim que você ia sentir mais".
*
O homem moderno é estranho à sua própria natureza.
*
Só se fantasia o que não se pode ter na realidade
*
Tudo o que representa posição social, título ou prestígio defende as exigências sociológicas em detrimento das exigências naturais.
*
O homem é parte da natureza, e não ao contrário, ele pode somente chegar a conclusões a partir da natureza, e jamais o inverso.
*
A saúde psíquica depende da potência orgástica
*
O homem precisa, primeiro e acima de tudo, matar sua fome e satisfazer seus desejos sexuais. A sociedade moderna torna difícil a primeira e frustra a segunda.
*
Sexualidade e angústia são funções do organismo vivo que operam em direcções opostas; Expansão agradável e contracção angustiante.
*
Há poucas coisas que o mundo necessita mais do que o conhecimento das funções orgone dentro e fora do organismo.
*
A carga organótica dos tecidos celulares do sangue determina o grau de susceptibilidade para infecção ou disposição para doenças.
*
A orgonomia é a ciência das leis funcionais da energia orgone cósmica.
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Na verdade fiz uma única descoberta; A função das convulsões orgásticas do plasma...E foi muito mais difícil que a observação, comparativamente simples, dos bions ou o facto igualmente e simples e evidente de que a biopatia do câncer, baseia-se no encolhimento e na decomposição geral do organismo vivo.
*
A perda da auto-percepção natural divide nitidamente a pessoa em duas entidades opostas e contraditórias; O corpo "aqui" é incompatível com a alma ou o espírito "la"
*
A linguagem expressiva e específica de um orgão pertence ao próprio orgão ,e não à um "centro no sistema nervoso"
*
O sentimento que temos de unidade em relação à nossa mãe, é o mesmo sentimento de unidade que temos em relação à natureza.
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O homem não encouraçado mantém contacto com com a natureza dentro e fora de sí.
*
Não são os maus conselhos os responsáveis pela sua desgraça persistente, mas sua própria pequenez.
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Devemos encontrar o racional no irracional.
*
O organismo pode sentir somente o que ele por sí mesmo expressa.
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Certamente você tem um revólver e eu, o conhecimento. Cada um na sua capacidade.
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'Gênio' é a marca registrada que vocês colam nos produtos quando os expõem à venda.
*
Cada uma das suas iniqüidades mesquinhas lança uma luz sobre a desgraça da vida humana. Cada um dos seus atos mesquinhos diminui a esperança de que se possa melhorar seu quinhão, mesmo que só um pouco.
*
Se lhe for dada a escolha entre uma biblioteca e uma luta, sem dúvida você irá a luta.
*
Não dou festas para divulgar minhas idéias. Se minhas idéias forem válidas, elas próprias se divulgarão.
*
Sem você a vida não poderia prosseguir por uma hora sequer.
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A verdade é perigosa quando diz respeito a você.
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Quem sou eu para ter opinião própria, governar minha vida e achar que o mundo é meu?
*
Somos responsáveis pelo o quê fazemos e recebemos. Mas não somos responsáveis pelo que sentimos.
*
O grande homem é, pois, aquele que
reconhece quando e em que é pequeno. O homem pequeno é aquele
que não reconhece a sua pequenez e teme reconhecê-la; que
procura mascarar a sua tacanhez e estreiteza de vistas com ilusões
de força e grandeza, força e grandeza alheias. Que se orgulha dos
seus grandes generais, mas não de si próprio. Que admira as idéias
que não teve, mas nunca as que teve. Que acredita mais
arraigadamente nas coisas que menos entende, e que não acredita
no que quer que lhe pareça fácil de assimilar.
*
Você conhece Hitler melhor do que Nietzsche, Napoleão melhor do que Pestalozzi. Um rei significa mais para você do que Sigmund Freud.
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Via Citador:
Do irreal resulta a impotência; o que não somos capazes de conceber não podemos dominar.
http://www.citador.pt/frases/citacoes/a/wilhem-reich
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biografias
"A vida brota de milhares de fontes vibrantes, entrega-se a todos que a agarram, recusa-se a ser expressa em frases tediosas, aceita apenas as ações transparentes, as palavras verdadeiras e o prazer do amor.".
Wilhelm Reich foi condenado a dois anos de prisão e morreu no cárcere
https://educacao.uol.com.br/biografias/wilhelm-reich.htm
*
http://www.somaterapia.com.br/soma/biografia-de-wilhelm-reich/
  • 1897-Nasce em Dobrzcynica, na Galízia, no Império Austro-Húngaro, em 24 de março, Wilhelm Reich.
  • 1914 – Morte do pai. Eclosão da 1ª guerra mundial.
  • 1915 - Alista-se no exército Austro-Húngaro, servindo na frente italiana.
  • 1916 – Torna-se oficial de infantaria.
  • 1917- Revolução socialista na Rússia.
  • 1918 – Fim da 1ª guerra mundial. Volta para Viena onde vai estudar medicina. Nos momentos livres se dedica a estudar música (piano). Início da República de Weimar.
  • 1919 – Convidado a participar da Sociedade Psicanalista de Viena. Escreve seu primeiro trabalho baseado na teoria psicanalítica, mas que não é publicado: “Peter Gynt, conflito da libido e alucinações”. (Vide “Primeiros Escritos”)
  • 1920 – Ingressa na Sociedade Psicanalista de Viena.
  • 1921 – Casa-se com Annie Pink, uma colega do curso de medicina.
  • Escreve para a reunião da Sociedade Psicanalista de Viena, em 14 de dezembro: “Sintoma complexo de conversão histérica”. A partir desse momento torna-se assíduo colaborador das reuniões realizadas na Sociedade Psicanalista de Viena e da Revista Internacional de psicanálise.
  • 1922 – Forma-se em medicina. Torna-se o primeiro assistente clínico de Sigmund Freud na Policlínica Psicanalítica de Viena.
  • 1923 – É publicado pela Revista de Sexologia, o seu trabalho “Sobre a energia dos impulsos”. (Vide ” Primeiros Escritos “) Ao estudar os trabalhos de Karl Marx e outros socialistas históricos, é ganho para a causa socialista, decidindo, assim, ingressar no Partido Comunista da Áustria. Procura, deste modo, conciliar as idéias marxistas com a teoria psicanalista. Publica: “Sobre a genitalidade”. (Vide ” Primeiros Escritos “)
  • 1924 – Torna-se diretor do Seminário para Terapia Psicanalítica. Nasce Eva, sua primeira filha. No Congresso Psicanalítico de Salzburgo, a sua exposição sobre a potência orgástica gera as primeiras fissuras com a psicanálise.
  • 1926 – Conferência sobre a análise das resistências (couraças caracterológicas) à qual Sigmund Freud explicita a sua divergência.
  • 1927 – Inicio dos conflitos de Reich com Freud. Várias são as desavenças, mas as principais se estabeleceram na vontade de Reich em realizar uma interpretação marxista da psicanálise; na ênfase dada a idéia que todas as neuroses teriam como base o sexual; e, finalmente, ao clima gerado na recusa de Freud em ser o analista de Reich (No entanto, já havia sido estabelecida, pelo próprio Freud, uma norma na qual não teria como analisandos pessoas de seu círculo próximo). Publica seu livro “A função do orgasmo” (Editado em português como “Psicopatologia e Sociologia da Vida Sexual”). Passa um curto período internado em um sanatório para se recuperar de tuberculose. Ingressa oficialmente no Partido Comunista Austríaco.
  • 1928 – Torna-se vice-diretor da Policlínica Psicanalítica de Viena. Escreve para a Revista de Psicanálise: “Sobre a análise do caráter”. Nasce Lore, sua segunda filha.
  • 1929 – Quebra da Bolsa de New York, início da grande crise econômica mundial.
  • Funda a Sociedade Socialista para Consulta Sexual e Investigação Sexológica.
  • Abertura do primeiro Dispensário de Higiene Sexual para Trabalhadores e Empregados, que proporciona informações livres sobre o controle da natalidade, educação sexual para adolescentes e crianças etc. Publica o livro: “Materialismo dialético e psicanálise” Viagem à Moscou, onde faz duas conferências: uma na Academia Comunista de Moscou sobre “Sociologia e psicologia”, e outra no Instituto Neuro-Psiquiátrico, sobre “Prevenção da neurose”
  • 1930 – Deixa o cargo de vice-diretor da Policlínica Psicanalítica de Viena, e de diretor do Seminário para Terapia Psicanalítica. Publica os livros: “Excitação sexual e satisfação sexual”, “Maturidade sexual, abstinência, moralidade no casamento” e “Dialética e psicologia”. Ida para Berlim para fazer psicanálise com Rado.
  • 1931 – Fundação Sexpol-Verlag em Berlim, que se expande por toda Alemanha, contando com a participação de até 40 mil membros. O sucesso é tão intenso que repercute como uma onda por toda Alemanha, causando alarme no Comitê Central do Partido. Procura unir as idéias dos primeiros escritos de Freud com a práxis revolucionária, em uma tentativa de ampliar a luta do proletariado na sua emancipação econômica, política e sexual. Publica: “A luta sexual da juventude”. Publica: “Irrupção da moral sexual repressiva”. Em 1932 Conhece Else Lindenberg, sua segunda esposa, não oficializando legalmente a união. Publica: “A irrupção da moral sexual”. Publica: “O caráter masoquista”, que se contrapõe a conceituação freudiana do masoquismo. (In: “Análise do caráter”). Em 1933 Publica: “Análise do caráter”. Publica: “Psicologia de massas do fascismo”. Hitler torna-se chanceler da República de Weimar. Expulsão do Partido Comunista, que considerava “pequeno burguesa” sua preocupação com a miséria emocional das massas. Foge para Viena com a ascensão dos nazistas ao poder. Ida para Copenhagen. Expulsão da Associação Psicanalítica Internacional.
  • 1934 – Publica: “O que é consciência de classe?”, em Copenhagen. Muda-se para Oslo. Entrega-se a pesquisa biofísica.
  • 1936- Publica o livro: “A revolução sexual” Funda o Instituto para Bio-investigação Sexo-econômica, que embora na Noruega, tinha como língua oficial o alemão, e, a maioria de seus pesquisadores eram alemães refugiados do nazismo.
  • 1937- Publica: “Reflexo do orgasmo, postura muscular e expressão corporal”.
  • Inicio da campanha dos jornais noruegueses contra Reich.
  • 1939 – Conhece Ilse Ollendorf. Pesquisa os bions. Ida de Reich para New York, USA.
  • Separação de Else. Eclode a 2ª guerra mundial com a invasão da Polônia em 1º de setembro.
  • 1941- Entrevista com Albert Einstein. Ataque Japonês a Pearl Harbor e entrada dos EUA na guerra. O FBI começa a investigar Reich como possível ativista subversivo.
  • 1942 – Adquire terrenos em Forrest Hills, New York, onde instala o seu laboratório do Instituto Orgon. Publica “A descoberta do orgon – I : A função do orgasmo”. Em 1944 Nasce em abril, Peter Reich. Divulga e põe no mercado os acumuladores de orgon.
  • Invasão da Normandia.
  • 1945 – Escreve a “Praga emocional”. Reedita a “Análise do caráter”. Explosão das primeiras bombas atômicas no Japão. Fim da 2ª Guerra Mundial.
  • 1946 – Início da Guerra Fria.
  • 1948- Publica: “A descoberta do orgon II: A biopatia do câncer”. Publica: “Escuta Zé Ninguém”, 1949. Surge a Fundação Wilhelm Reich em Rangeley, Maine.
  • Triunfo da Revolução Socialista na China.
  • 1950 – Guerra da Coréia, acirramento da Guerra Fria e ascensão do senador direitista McCarthy.
  • 1951 – Publica: “Éter, Deus e o Diabo”. Em 1953 Publica: “O assassinato de Cristo”.
  • 1954 – A FDA (Federal Food and Drugs Administration) instaura um processo contra Reich em razão da comercialização dos acumuladores de orgon. Reich se recusa a comparecer ao julgamento, pois se nega ser julgado por realizar pesquisas científicas, e afirma que só responderia por suas atividades à uma comissão de cientistas, e não à juízes. É condenado a cessar suas atividades médicas, além de ter todos os seus livros proibidos. (Vide “When Eagles Fly”, uma peça de Martin Bell sobre o julgamento de Reich na sua íntegra).
  • 1957- Em 11 de março é preso na Penitenciária Federal de Lewisburg, na Pensilvânia. Em 03 de novembro morre na prisão. Por ordem judicial, livros e instrumentos de pesquisa são destruídos.
  • 1960 – Novamente, publicações são queimadas por decisão judicial.
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PDF
http://www.historia.uff.br/nec/sites/default/files/Monografia_rodrigo.pdf
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Documentário
Publicado a 02/03/2013
Documentário na TV Cultura em 17/08/2012 do Dr. Wilhelm Reich pesquisador da Energía Orgônica
https://www.youtube.com/watch?v=FaQQOuQeEEA
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 psicoterapeuta austríaco
Publicado a 11/09/2013
A orgonoterapia, casos clínicos de Reich, terapia breve psicanalítica, teoria polivagal de Porges, o construtivismo de Piaget e nossa experiência clínica.
Saiba sobre Wilhelm Reich: http://bit.ly/1fuZjGw
Programação do Ciclo de Workshops em Terapia Breve Reichiana http://bit.ly/18PXhzL
Informações e inscrições para o Ciclo de Workshops em Terapia Breve Reichiana da NeuroFocus Psicoterapias
https://www.youtube.com/watch?v=6lHyt-0fw9E

6.497.(24mar2017.7.7') Dia do Estudante


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Dia do Estudante
24mar1962
Crise académica
estudantes em luta contra o fascismo
DIA NACIONAL DO ESTUDANTE
Foto de Helena Pato.
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Foto de Helena Pato.
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=863298333716753&set=gm.824462410960807&type=3&theater
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Foto de Helena Pato.
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=863298277050092&set=gm.824462410960807&type=3&theater
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24mar2017

Do «decreto 40 900» ao luto académico – a crise de 62

Há 55 anos, os estudantes de Lisboa eram brutalmente reprimidos pela polícia, dando início ao luto académico e à crise de 62. A greve alcançou 25 mil estudantes, de acordo com relatos da época.
http://www.abrilabril.pt/node/115?from=onesignal
A 24 de Março de 1962, os estudantes de Lisboa começam um desfile da Cidade Universitária em direcção ao Campo Grande, onde, numa manobra para desmobilizar o protesto estudantil, o reitor Marcello Caetano prometera um jantar.
É sobre este desfile que cai uma violenta repressão da polícia que tinha entrado no recinto da Universidade, como conta Albano Nunes, à época secretário-geral da Reunião Inter-Associações (RIA), em artigo no Militante.
No dia seguinte realizam-se grandes reuniões e no dia 26 dá-se início ao luto académico sob a palavra de ordem «Ofenderam-te? Enluta-te!», com enormes plenários, reuniões, desfiles, greves às aulas. O governo fascista responde com mais violência da polícia de choque, resultando na prisão e expulsão de centenas de estudantes. A partir desse ano, o 24 de Março passa a ser o Dia do Estudante, sendo reconhecido pela Assembleia da República em 1987.

O movimento estudantil e a democratização do ensino

As lutas estudantis dos anos 60, nomeadamente a crise de 62, beneficiaram da experiência acumulada e da luta durante a ditadura fascista, desde os anos 30: com oComités de Defesa Académica, a eleição de Álvaro Cunhalpara o Senado da Universidade de Lisboa, o relançamento das Associações de Estudantes nos anos 50 e a criação das Comissões Pró-Associação ondeestas eram proíbidas e encerradas.
A luta contra o «decreto 40 900» em 1957, que pretendia esvaziar e governamentalizar todo o movimento associativo estudantil, permitiu que, pela primeira vez, a Assembleia Nacional fascista revogasse um decreto governamental após a intervenção do movimento estudantil.
A par da experiência acumulada, surgiam ecos da luta anti-imperialista em Cuba, na Argélia ou no Vietname, enquanto em Angola eram dados os primeiros passos na luta contra o colonialismo português. As eleições presidenciais de 1958, com a candidatura de Humberto Delgado, e as lutas dos trabalhadores contra o fascismo (que culminaram no 1.º de Maio de 1962) criaram condições favoráveis ao protesto estudantil.
Mas as reivindicações estavam intimamente ligadas com a vida da Universidade, como hoje acontece. Naquele ano de 1962, os estudantes lutavam pela democratização do acesso ao ensino - em 1959 apenas 2,9% dos estudantes universitários eram filhos de trabalhadores - e igualmente pela liberdade de organização dos estudantes nas suas Associações.

1962: iníco da onda de lutas estudantis que atravessaram a Europa nos anos 60

As lutas estudantis de 62 são inseparáveis do clima de ascenso da luta popular e democrática contra o fascismo: das manifestações contra a farsa eleitoral de 1961 em Almada, na Covilhã e em Alpiarça; das lutas dos assalariados agrícolas do Sul pelas 8 horas; das manifestações do 31 de Janeiro e do 8 de Março no Porto; da manifestação do 1.º de Maio em Lisboa.
O ano de 1962 é ainda marcado pela ocupação das instalações da Associação Académica de Coimbra (decidida em reunião magna, em Maio) e da Cantina da Universidade de Lisboa, em solidariedade com 80 estudantes que faziam greve da fome.
A repressão com que as forças fascistas responderam a todas as formas de luta e reinvidicações dos estudantes tiveram como efeito o seu contacto, em muitos dos casos pela primeira vez, com a verdadeira face do regime. Esta tomada de consciência levou a uma crescente politização dos estudantes e a uma identificação da sua luta e dos seus objectivos com a luta dos trabalhadores e do povo português pela liberdade e a democracia.
Ao contrário do que o regime tentou através dos seus instrumentos (nomeadamente dos órgãos de comunicação que tinha na mão), os estudantes sempre contaram com a simpatia e mesmo solidariedade da população, de diversos sectores, e mesmo de vários professores.
A crise de 62 inaugurou a onde de lutas estudantis que atravessaram a Europa nos anos 60. Cinquenta e cinco anos depois, o Dia do Estudante em Portugal permanece como dia de luta, das reivindicações dos estudantes do Ensino Superior.
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O DIA DO ESTUDANTE – por ANSEMO ANÍBAL (*)
https://www.facebook.com/groups/helenapato/permalink/1400616550012054/

É um facto indesmentivel que esse Dia do Estudante (de 1962) é sequência de uma luta organizada e de anos de trabalho conjunto dos universitários portugueses e das suas associações de estudantes na procura da adopção de um modelo de organização da Universidade, diverso do ditado pelas autoridades da ditadura.
1. No período posterior à publicação do dec-lei 40.900 (decreto de 12 de Dezembro de 1956, que “tentava” actualizar a legislação circum-escolar de 1932), lutou-se claramente contra tal diploma que consignava um conjunto de atentados a elementares princípios de tradição associativa: aboliam-se as assembleias gerais, exigia-se a autorização do director de escola para quaisquer realizações, determinava-se a presença de uma delegação permanente do director da escola junto de cada associação. Essa luta assumiu formas não previstas pelas autoridades: foram estabelecidos contactos com Ordens e Sindicatos, com os Conselhos Escolares das diversas escolas, com a Imprensa, distribuindo-se o texto do diploma e promovendo-se a sua discussão em assembleias gerais. Na chamada Assembleia Nacional a presença dos estudantes quando da discussão do decreto e as manifestações públicas em Lisboa e Coimbra, exemplificam bem o clima vivido e os problemas que trouxe às autoridades de então.
O próprio 40.900 e a luta a que conduziu as associações e o conjunto dos estudantes, originou um passo decisivo para “a real identificação do pensamento de todos os dirigentes associativos de Lisboa, fortalecendo substancialmente as estruturas de cúpula e foi o primeiro passo importante para a unidade da base estudantil de toda a Universidade”.
De 1958 a 1960 sublinhe-se uma actividade organizativa, na continuidade ao processo criado pelo 40.900. A luta consciencializara camadas mais latas de estudantes. Lembre-se aliás, o que não foi publicamente invocado em alguns Seminários de Estudos Associativos dos anos 60, mas que estava, como é evidente, na mente de todos: a campanha de massas de 1958 quando da “eleição” presidencial. Os textos “a Universidade e o momento político actual” é o nome dum texto da responsabilidade da Comissão Cívica Eleitoral dos Estudantes Universitários publicado nessa altura: nele se salientavam, com dados e números em apoio, que “o fim cultural da Universidade não se realiza actualmente” que “os órgãos universitários são ineficientes” que “a universidade é tecnicamente ineficaz” alheando-se “da integração na Nação”: que “o acesso à Universidade não é livre, por os estudantes serem apenas representantes de uma pequena parte das forças vivas da Nação”. Sublinha-se, então, que não “existe extensão universitária”, por os “interesses militares de sobreporem aos da formação universitária” e por o orçamento da Educação ser mínimo (8,8% do total do OGE em 1957 e 8.4% em 1958).
Este texto que tem muitos outros aspectos reveladores e ricos assume, como é evidente, a dimensão claramente política que, entretanto, os textos subscritos pelas A.E. não podiam ter, embora expressassem também um conteúdo claramente assumido contra a política educativa e universitária da ditadura. Aliás, em 1958, no V Dia do Estudante (19 de Março de 1958), entre outras manifestações, destacou-se a do plenário para discussão dos temas relativos às organizações circum-escolares universitárias.
Foram presentes 6 teses sob o tema geral “Para um melhor enquadramento das organizações de estudantes”.
Sublinhe-se, ainda, que em 1960 o Dia do Estudante é repartido por três dias de trabalho e comemoração, mostrando já uma nova movimentação do trabalho na área da Universidade: a eleição de uma “diferente” Direcção-Geral da A.A.C. em Coimbra e o sinal de um movimento cada vez mais generalizado aos estudantes portugueses.
2. Em 1961 já o Dia do Estudante é composto por 4 dias (16 a 19 de Março). Há colóquios, festival desportivo, sarau cultural, jantar (no ginásio da associação do Técnico), há uma participação crescente de todas as academias e de um número maciço de estudantes. Como se sublinha na tese já citada, tal movimentação é resultante, também, de um conjunto de iniciativas: da “tomada da Bastilha” (25 de Novembro em Coimbra, com delegados de Lisboa e Porto), à reunião nacional de Organismos Associativos Estudantis Portugueses (16 e 17 de Dezembro de 1961), à realização do 1.º Encontro Nacional de Imprensa Universitária (11 e 12 de Março de 1961).
Tudo isto tem lugar num clima político de grande tensão. A guerra colonial eclodira em Angola (4 de Fevereiro). Em Abril de 61 teve lugar, aliás, uma tentativa de golpe de Estado. Movimentos populares tinham variadas expressões. A “campanha” de Out. 61 é, mais uma vez, momento de luta contra o regime e denúncia alargada do que o caracteriza.
3. Conhecem-se as razões imediatas da “crise” estudantil de 1962. Acentuara-se, desde o inicio de 62, uma situação de luta nas Escolas: os estudantes não aceitam cooperar nas comemorações dos cinquenta anos da Universidade Clássica pelas restrições feitas à participação estudantil, manifestando-se perante o então chamado Presidente da República. A Cantina Universitária de Lisboa que fora entregue a particulares (sendo a sua administração ridicularizada, visando-se os administradores e as autoridades académicas), acaba por ser gerida por uma comissão mista de estudantes e professores.
A 24.3.62, data do Dia do Estudante, a Cidade Universitária, ao Campo Grande, em Lisboa, apareceu bloqueada pela Policia. O ministro da Educação fora avisado (desde meses antes) da realização do “Dia do Estudante”. Esse bloqueamento e as provocações que se lhe seguem estão na razão directa da concentração de milhares de estudantes e do luto académico que se vai seguir nos meses seguintes. Quem viveu esses momentos e a sequência dos acontecimentos, recorda-se, sem dificuldade, do trajecto de muitos estudantes para o restaurante do Lumiar onde se iriam discutir os problemas e as agressões que foram vitimas.
As adesões, dos primeiros momentos, de Conselhos Escolares, a demissão do Reitor da Universidade Clássica – em conflito com a orientação do ministro do Interior e em busca de certa imagem de “liberdade” que lhe terá servido em 68-69 para a chamada “primavera marcelista” – o próprio recuo – aparente – do Governo, são bem significativas da amplitude e da força do movimento estudantil. As Assembleias Plenárias tinham – em regularidade e em convocação sumária – milhares de presenças, a decisão democrática impôs-se como metodológica de acção e a criação, na luta de muitos quadros, era elemento fundamental que decorria da acção dos estudantes que se colocavam, assim “numa das primeiras filas do movimento antifascista”. Refiram-se os movimentos de Maio de 62 contra as 1500 prisões em Lisboa e Coimbra e ligue-se isto às lutas de operários agrícolas e industriais, designadamente aquelas que, embora vindas de longe, tiveram uma importante expressão de massas, exactamente em Maio de 62: a luta pelas 8 horas e, em vários locais, pelos 40$00 de jorna. Refiram-se as prisões de dirigentes e as expulsões e ligue-se isto à política descarada de mentira que as autoridades fascistas prosseguiam na comunicação social e à política de repressão que prosseguiam em Portugal e em Angola, designadamente.
Não se pode deixar de concluir daqui, que houve uma direcção de luta estudantil que não só coexistiu com a luta geral contra o fascismo e o colonialismo, como se inseriu nela e lhe deu a força da sua expressão própria: para mais salienta-se (e reitera-se) que a ligação entre dirigentes e estudantes assumiu formas de auscultação muito capazes, dando uma expressão de reforço democrático ao movimento estudantil. A condução da luta, nas circunstâncias difíceis que se conheceram então, teve em conta amplas camadas estudantis e a sua disposição à defesa dos interesses globais dos estudantes portugueses, procurando-se também o apoio da grande maioria do corpo docente – mas denunciando- -se, sem hesitações, os docentes que hostilizavam e caluniavam os estudantes – e da população – tanto em Coimbra (visível no apoio do comércio de Coimbra) como em Lisboa (a nível de petições e comunicados de intelectuais, médicos, etc.).
A análise demorada – e devidamente documentada – da crise de 1962 continua a fazer-se. Os documentos da época e os depoimentos necessários são ainda um ponto de reflexão para fazer uma aproximação mais sistematizada ao assunto, de tantos reflexos, na sequência do processo político português.
4. Lembro-me que, numa das RIAS de 64-65 – em conversa de corredor – se lembrava o facto de a greve da Universidade de Coimbra de 1907, ter procedido, em 3 anos, a queda da monarquia e o advento do regime republicano...Não partíamos daí – naturalmente – para o esquematismo primário de que as coisas “aconteceriam em determinado momento: mas não duvida que a crise de 62 e os seus prolongamentos até 65 – e, posteriormente, os movimentos de 69-72 até à queda do fascismo – contribuíram largamente para a compreensão – por parte de muitos e muitos – de que lado estavam em relação ao problema político. Os movimentos estudantis – assumindo uma importante expressão de massas, criando e estruturando uma consciência antifascista que muitos assumiram, forjando quadros e técnicos que, para além da dimensão profissional e cientifica, ganharam no ano do seu percurso pelas Universidades, uma largueza de horizontes que a ditadura, que se abatera sobre o Pais não queria, manifestamente, que existisse – foram importantíssima escola de formação de quadros que ajudaram ao amplíssimo movimento de resistência que fez eclodir variados tipos de lutas, com o consequente alargamento da consciência a novas camadas e grupos sociais.
5. Os anos seguintes, com vitórias e inêxitos, continuam 1962.
O Decreto-Lei 44632 (de 15 Outubro de 1962) vem estabelecer um novo regime das actividades circum-escolares procurando ainda, aparentemente, ter conta a situação das organizações circum-escolares cujos “corpos gerentes foram privados de funções em consequência de despacho ministerial de 13 de Abril de 1962”. A luta contra tal decreto-lei esteve na primeira linha da preocupação dos estudantes de 63, 64, 65. Numa carta aberta colectivamente assinada por presidentes das Associações e Pró-Associações da Universidade de Lisboa nos inícios de 1965 situava-se bem o problema, face ao destinatário da carta o então ministro da Educação Nacional, Galvão Teles. Dizia-se nessa carta – e referindo-se a um discurso desse ministro de finais de 1964 – que as tentativas de recuperar a Mocidade Portuguesa eram vás. Aliás, sublinhava-se também que “vários são os agrupamentos de minorias activistas que a Universidade tem conhecido, extinguindo-se todos eles em curto prazo de tempo, não por falta de encorajamento do exterior, mas por falta de audição no interior. Assim é que, por cá, têm desfilado o Movimento Jovem Portugal, o Movimento dos Estudantes Universitários de Portugal (conhecido por Meu Portugal), a Acção Académica e a Frente dos Estudantes Nacionalistas – os quais são apenas sucessivas e precárias tentativas de salvar as ideias do desprestigio das organizações. A sua eficácia é diminuta e a sua vida é efémera – mas a da Mocidade Portuguesa nem isso: na Universidade, a MP não tem vida é uma mera tabuleta”.
Ligado directamente ao problema da legislação situa-se o problema da legalização das Pró-Associações. Mas para além destes problemas claramente estudantis abordam-se nesses anos – continuam a ser abordados – problemas como os das estruturas institucionais nas Universidades: é assim que, na carta aberta já referida, são apresentados como pontos 1 e 2 de pontos a resolver o “da eleição dos reitores e directores pelos órgãos universitários representativos” e o da “representação dos estudantes nos Conselhos Escolares e Senado Universitário”.
A repressão, entretanto, alargara-se e dezenas de estudantes foram presos. As reacções foram vigorosas – designadamente as do inicio de 1965, que respondem à actuação policial – tendo, entretanto, menor capacidade de mobilização de massas. O recrutamento para as Forças Armadas era uma das armas utilizadas para desviar quadros associativos; a intimidação e a hostilidade, de professores para com estudantes com cargos associativos – mesmo quando excelentes estudantes – eram outras armas de tentativa de desmobilização e descrença.
6. Relendo, hoje, 40 anos depois, boletins, jornais, comunicados das
associações é inegável a importância de tudo quanto se fez nesses anos difíceis. O fascismo sofreu aí variados percalços, que tiveram variadíssimos ecos e um dos que não foi menor foi aquele que atingiu as Forças Armadas e que veio a permitir o 25 de Abril de 1974. Na efeméride do 24 de Março de 1962, entende-se bastante do que foi e é a história do Pais, antes e depois da viragem histórica de 1974 – 1975.
(*) O texto é da autoria de Anselmo Aníbal, falecido em 2009 aos 66 anos e foi escrito em 2002, a pedido da comissão organizadora das comemorações naquele ano, mas nunca chegou a ser publicado. Porque a sua actualidade se mantém, agora se publica. É também uma homenagem ao corajoso dirigente académico e ao cidadão com uma lúcida e permanente intervenção cívica.
In http://anselmoanibal.blogspot.pt/
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https://www.facebook.com/groups/helenapato/permalink/1400519796688396/
Dez anos de lutas estudantis, 1951/1961 (continuação)
A propósito do Dia do Estudante de 1962
Uma interpretação pessoal dos acontecimentos da altura, por quem os viveu
(Hoje, 55 anos após estes acontecimentos, cerca de 150 participantes desta luta, reúnem-se num jantar comemorativo na Cantina da Cidade Universitária.)
E eis-nos chegados a 24 de Março de 1962. Os acontecimentos são, de uma forma geral, conhecidos de todos: proibição governamental do Dia do Estudante, invasão policial da Cidade Universitária e encerramento da Cantina Universitária. Os autocarros que transportavam estudantes de Coimbra são impedidos de entrar em Lisboa. Os estudantes que vinham de comboio, são interceptados na estação da Amadora e transportados de regresso a Coimbra, em carrinhas da Polícia. Reunidos em plenário no Estado Universitário, os estudantes sofrem a primeira carga policial. No dia seguinte é decretado o Luto Académico com greve ás aulas, a que os estudantes aderem massivamente a partir de 26 de Março. Tinha início a Crise Académica de 1962 que ia durar 100 dias e que seria a mais longa luta de contestação ao regime, durante a sua vigência. Pelo caminho ficaram diversas manifestações e reuniões plenárias, muitas delas sujeitas a violentas cargas policiais, a suspensão das direcções das Associações de Estudantes de Lisboa e da AAC e a proíbição das actividades das Comissões Pró-Associação de Letras, Medicina e Belas-Artes. Até um jogo de futebol, o Académica-Beira Mar, foi suspenso por causa do Luto Académico. A 9 de Maio dá-se o que será, talvez, o momento mais alto desta luta e que perdura na memória de todos: é decretado o Luto Académico total, com greve às aulas, às frequências e aos exames e um grupo de 80 alunos inicia uma greve de fome na cantina. Em solidariedade com estes, cerca de 1.200 estudantes ocupam as instalações. À noite, a polícia invade a cantina e prende todos os que se encontravam no interior. Transportados em autocarro da Carris fretados para o efeito, são conduzidos ao quartel da Polícia de Choque, na Parede, uns, enquanto outros vão par o Forte de Caxias. As raparigas vão para os calabouços do Governo Civil, onde são encerradas nas mesmas celas onde se encontravam, prostitutas, carteiristas, alcoólicas e outras.
Há dois aspectos desta luta que são muito relevantes, mas pouco falados. O primeiro é que todas as decisões eram democraticamente tomadas em reuniões abertas a todos os estudantes, quer em plenários de toda a Universidade, quer em reuniões por faculdade. O outro é que, apesar de toda a repressão, a ditadura nunca conseguiu abafar a voz dos estudantes: a PIDE nunca descobriu onde eram impressos os comunicados que as associações distribuíam aos estudantes e à população dando conta dos diversos acontecimentos, assim como nunca conseguiu destruir a sua rede de distribuição. O movimento estudantil venceu a batalha da informação, o que foi de uma importância vital para o prosseguimento da luta. Por esta razão, a luta estudantil recebe o apoio de vários sectores da população, das classes mais baixas aos intelectuais. Os estudantes, por sua vez, têm uma participação muito activa nas grandes manifestações populares de 1 e de 8 de Maio, em Lisboa.
O governo não podia ficar-se só pela repressão policial bruta, tinha de ir mais além para tentar quebrar a espinha ao movimento. Assim, em 29 de Junho, um despacho do Ministro da Educação, Lopes de Almeida, determina as penas de expulsão aplicadas a estudantes de Coimbra e de Lisboa. Vinte dos estudantes protagonistas da greve de fome são expulsos da Universidade de Lisboa por 30 meses. Em Coimbra, 39 estudantes sofrem penas diversas, alguns com expulsão de todas as Universidades por dois anos. Era o fim da Crise Académica de 1962.
E, no entanto, a ditadura nunca conseguiu abafar a voz dos estudantes ou destruir as suas associações. Como se veria nos anos seguintes. A luta estudantil teve um papel essencial na formação de uma consciência cívica e democrática em muitos jovens e amplificou a luta contra o regime. Abalou fortemente o regime, desestabilizou a estrutura da sociedade portuguesa, despertou muitas consciências para a realidade social e política do país e deixou uma marca indelével em todos os estudantes e professores das três universidades. A Universidade nunca mais foi a mesma, as Associações de Estudantes tornaram-se centros de contestação ao regime, onde se forjaram muitos combatentes anti-fascistas e de onde saíram muitos dos quadros políticos que haveriam de emergir após o 25 de Abril.
“Temos de tomar estas medidas ou daqui a dez anos são eles que estão aqui sentados” Afirmação de Salazar ao Ministro da Educação de então, quando da proibição. Enganou-se por pouco.

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2014
hj é dia do ESTUDANTE e tb dia mundial da Juventude!!!Dia de luta pelas causas específicas mas tb pela ESCOLA PÚBLICA, PELO EMPREGO contra a precariedade, contra a fuga de jovens para a emigração...A exploração desenfreada capitalista está a afectar tds os escalões etários...O mísero salário que os capitalistas portugueses "concedem" aos jovens é uma vergonhaaaaaaaa...A jovem deputada Rita Rato (PCP) dá 1 exemplo de luta institucional!!!

https://www.youtube.com/watch?v=PrB0aXnOFgc
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2012

Dia do Estudante - 50 anos depois


O 24 de Março de 1962 assinala um marco histórico da luta dos estudantes portugueses contra o fascismo e pela liberdade, pelo direito de reunião e de associação, pela autonomia da Universidade e a democratização do ensino. Durante meses, através de grandes plenários, concentrações, manifestações e greves, os estudantes enfrentaram corajosamente proibições, encerramento de associações e instalações académicas, cargas policiais, prisões em massa, processos disciplinares, expulsões, todo o arsenal da violência e repressão fascista, em jornadas memoráveis que contribuíram fortemente para desmascarar, isolar e enfraquecer o fascismo.
Não pode ignorar-se o contexto de afluxo da luta popular em que se desenvolveram as massivas e combativas jornadas estudantis que, tendo como motivação imediata a proibição do Dia do Estudante em Lisboa, se estenderam a Coimbra e também ao Porto conferindo ao movimento uma dimensão nacional. Aquele é também o tempo das históricas manifestações do 1º de Maio de 1962 que em Lisboa mobilizou mais de cem mil pessoas e das heróicas greves do proletariado dos campos do Sul que impuseram ao fascismo e aos latifundiários as 8 horas.
Simultaneamente é importante sublinhar que a “crise académica de 62” se inscreve numa longa tradição de luta estudantil que impôs a existência legal das Associações de Estudantes e derrotou as tentativas da ditadura para fascizar a Universidade. Numa ligação dialéctica com o movimento operário e a oposição democrática, o movimento estudantil afirmou-se como uma importante componente do movimento popular de massas que conduziu à revolução de Abril.
As lutas académicas de 1962 constituíram uma extraordinária afirmação de unidade na luta por liberdades fundamentais e outras reivindicações imediatas, de estudantes de diferentes opções políticas e ideológicas em que os dirigentes e activistas associativos membros do PCP tiveram reconhecidamente um papel fundamental, papel que muitos pretendem apagar e que, no interesse da verdade histórica, é necessário não deixar esquecer.
Esse é também um dos objectivos desta iniciativa com que assinalamos o 50º aniversário do 24 de Março de 1962 que, pelo seu significado e importância, passou a ser assinalado e comemorado em Portugal como o Dia do Estudante.