24/06/2018

4.502.(24jun2018.12.12') 5AM2017.2021...29jun.20.30'...Aud. Biblioteca em Alcobaça

***
em construção
***
+1x vem a convocatória
e nada de Ordem de trabalhos
nem documentação...
O PAM foi eleito vice-presidente da Associação dos Eleitos das AM
mas na prática continua a errar...
***

22/06/2018

8.001.(22jun2018.12h) Ricardo Macedo...Limo do Cais...

***
Nasceu a
***
Limo do Cais
 Foto de Limo do Cais.
 https://www.facebook.com/limodocais/photos/a.294901877709194.1073741827.224396384759744/304897556709626/?type=1&theater
*

O projeto Limo do Cais, visa a exploração sustentada dos recursos endógenos de São Martinho do Porto.
Neste enquadramento, o presente projeto visa diversificar a atividade económica ligada a São Martinho do Porto, tencionando obter outras aplicações para as macroalgas vermelhas, procurando criar uma vasta gama de produtos obtidos através desta biomassa algal, mais ecológicos, biodegradáveis e sustentáveis.
O projeto visa, finalmente, conservar e promover a identidade de São Martinho do Porto. Quer-se dar uma nova visibilidade a esta atividade através da criação de novas aplicações, inovadoras, diversificadas, mais modernas, mais atrativas, que tornem a vila conhecida a nível nacional pela sua identidade associada ao LIMO.
 
 https://www.facebook.com/limodocais/photos/a.306458629886852.1073741829.224396384759744/307298323136216/?type=3&theater
*
 
*
 
 https://www.facebook.com/limodocais/photos/a.306458629886852.1073741829.224396384759744/306463849886330/?type=3&theater
*
página no face:
https://www.facebook.com/limodocais/
***
postei a 22jun2018
Bravíssimooo Ricardo Macedo...designer...algas...sMARtinhoo
 Foto de João Moura.
 https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1744295588979549&set=gm.228861287844436&type=3&theater
***

7.858.(22jun2018.10.10') Meryl Streep

***
 Mary Louise Streep
nasceu a 22jun1949...
***
biografia
Meryl Streep é uma atriz norte-americana, consagrada como uma das mais talentosas e premiadas da história do cinema. Já concorreu vinte vezes ao Oscar vencendo três vezes, com Kramer vc. Kramer, A Escolha de Sofia e A Dama de Ferro.
Meryl Streep (1949), nome artístico de Mary Louise Streep, nasceu em Summit, New Jersey, Estados Unidos, no dia 22 de junho de 1949. Filha de Harry William Streep, executivo de uma indústria farmacêutica e de Mary Wolf, comerciante de artes e editora de uma publicação especializada. Cresceu em Bernardsville, em New Jersey. Estudou na Bernards High School. Cursou o Vassar College, graduando-se em teatro em 1971. Fez o mestrado em Artes Dramáticas na Universidade de Yale.
Na década de 70, vivendo em Nova Iorque, Meryl atuou em diversas peças teatrais. Em 1975 fez sua estreia profissional na peça “Trelawny of The Wells”. Em 1977 estreou na Broadway no musical “Happy End”. Sua estreia no cinema se deu com “Julia” (1978).  Nesse mesmo ano, estreou na minissérie “Holocausto”, que a levou a receber o Prêmio Emmy de Melhor Atriz.
Ainda em 1978, Meryl Streep atuou em “The Deer Hunter” (O Franco Atirador, 1978), sua primeira personagem de destaque, recebendo a indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Em seguida, atuou em “Kramer vc. Kramer” (1979), recebendo o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, de 1980. Em 1983, recebeu o Oscar de Melhor Atriz com o filme “A Escolha de Sofia” (1982).
Meryl continuou fazendo sucesso interpretando os mais diferentes personagens e se destacou em “Entre Dois Amores” (1985), “A Difícil Arte de Amar” (1986), “Ironweed” (1987) e “Um Grito na Escuridão” (1988).  Depois que sua segunda menina com o escultor Dom Gummer nasceu (ela tem um filho e três filhas), a atriz passou a buscar projetos menores com os quais ela pudesse lidar. Fez “Ela e o Diabo” (1989), “A Morte lhe Cai Bem” (1992) e “Rio Selvagem” (1994).
Em 1995 voltou a atuar em um papel que exigia mais da atriz e atuou em “As Pontes de Madison”, quando fez uma dona de casa frustrada que vive uma brevíssima paixão com um fotógrafo, quando fez parceria com Clint Eastwood. Em “Adaptação” (2002), fez uma jornalista que embarca numa aventura com um caipira desdentado. Atuou na minissérie “Angels in América” (2003) e “Dúvida” (2008). Com a interpretação em “O Diabo Veste Prada” (2006), a atriz se torna um ícone e entra para a lista das campeãs de bilheteria. Em 2010, com “Julie & Julia”, ela concorreu pela 16ª vez ao Oscar.
Em “A Dama de Ferro” (2011), uma cinebiografia de Margaret Thatcher, Meryl Streep recebeu o Globo de Ouro, um BAFTA e o Oscar de Melhor Atriz de 2012, sua terceira estatueta. Meryl Streep é uma das atrizes mais premiada de todos os tempos, já recebeu 29 indicações ao Globo de Ouro, vencendo oito, já recebeu 20 indicações ao Oscar, vencendo três, já recebeu o Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes, entre outros prêmis. Seu mais recente trabalho é “Florence – Quem é Essa Mulher?” uma comédia dramática, lançada em 2016, que foi indicado ao Prêmio Globo de Ouro de Melhor Filme de Comédia.
 https://www.ebiografia.com/meryl_streep/
Mary Louise Streep é atriz de teatro, televisão e cinema - uma das mais premiadas de todos os tempos. Sua primeira participação no cinema foi em "Julia", de Fred Zinnemann, ao lado de Jane Fonda e Vanessa Redgrave. A fama chego... - Veja mais em https://educacao.uol.com.br/biografias/meryl-streep.htm?cmpid=copiaecola
Mary Louise Streep é atriz de teatro, televisão e cinema - uma das mais premiadas de todos os tempos. Sua primeira participação no cinema foi em "Julia", de Fred Zinnemann, ao lado de Jane Fonda e Vanessa Redgrave. A fama chego... - Veja mais em https://educacao.uol.com.br/biografias/meryl-streep.htm?cmpid=copiaecola
***
...vejam a declaração POLÍTICA EM 2017...NOS GLOBOS DE OURO...
 

Trump: "Meryl Streep é uma das atrizes mais sobrevalorizadas "

https://www.jn.pt/mundo/interior/maryl-streep-critica-donald-trump-nos-globos-de-ouro-5594759.html
*
 “Obrigada, Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood. Só para citar o que o Hugh Laurie disse. Você e todos nós aqui pertencemos aos grupos mais desprezados da sociedade norte-americana atualmente, pensem nisso: Hollywood, estrangeiros e a imprensa. Mas quem somos? O que é Hollywood? Só um monte de gente de outros lugares. Eu nasci e cresci nas escolas públicas de Nova Jersey, Viola veio da Carolina do Sul, Sarah Paulson nasceu na Flórida e foi criada pela mãe solteira no Brooklyn, Sarah Jessica Parker é uma das sete ou oito crianças de Ohio, Amy Adams nasceu em Vicenza, na Itália, e Natalie Portman nasceu em Jerusalém. Onde estão suas certidões de nascimento? Ruth Negga nasceu na Etiópia, foi criada na Irlanda e está aqui indicada pelo papel de uma jovem da Virginia. Ryan Gosling, como todas as pessoas boas, é canadense. E Dev Patel nasceu no Quênia, cresceu em Londres e está aqui indicado pelo papel de um indiano criado na Tasmânia. Então Hollywood está rastejando com os estrangeiros, e se mandarmos eles para fora, só assistiremos futebol e MMA, o que não é arte!”
“O único trabalho de um ator é entrar na vida de pessoas diferentes de nós e fazer com que vocês sintam como isso é. E há várias performances neste ano que fizeram exatamente isso, mas há uma performance que me chocou.”
(Foi, segundo a atriz, a de Donald Trump ao zombar de um jornalista com uma doença congênita. Sobre isso, ela falou:)
“Quando eu vi isso, partiu meu coração, e eu ainda não consigo tirar isso da cabeça porque não aconteceu num filme, e sim na vida real. Esse instinto de humilhar, quando feito por alguém numa plataforma pública, afeta a vida de todo mundo, porque dá permissão para outros fazerem o mesmo. Desrespeito convida desrespeito, violência incita violência. Quando os poderosos usam de suas posições para praticar bullying contra os outros, todos nós perdemos.”
“É por isso que nossos fundadores consagraram a imprensa e suas liberdades na nossa Constituição“.
e citou a amiga Carrie Fisher: “Pegue seu coração partido e o transforme em arte“...

**
Cada filme dela é filme de qualidade...rELEVO as pontes do Madison County...

https://www.youtube.com/watch?v=Up-oN4NtvbM
*
 https://www.youtube.com/watch?v=m3LrCXlyIXw
*
 https://www.youtube.com/watch?v=ZpDdCkXISHE
**
discurso nos Globos de Ouro 2017
 https://www.youtube.com/watch?v=gkmHmppTJ-4
***
entrevistas
 https://www.youtube.com/watch?v=TEKDl_mnkps
*
The post
 https://www.youtube.com/watch?time_continue=1&v=pbgcOJ5yaWw
*
júlio e júlia
 https://www.youtube.com/watch?time_continue=6&v=5Yknm_1zZsk

21/06/2018

7.709.(21jun2018.12.12') Maurice Maeterlinck

***
Nasceu a 29aGOSTO1862
e morreu a 5mAIo1949
***
Via Citador
Bélgica
Dramaturgo/Poeta/Ensaísta
 











 "Os pensamentos mais belos e as ideias mais baixas não alteram o aspecto eterno da nossa alma, como os Himalaias ou os precipícios não modificam, no meio das estrelas do céu, o aspecto da nossa terra.
""A palavra é tempo, o silêncio é eternidade."
"O primeiro dos nossos deveres é pôr a descoberto a nossa ideia do dever. " 
"Um pensamento pode ser uma coisa excelente, mas a realidade começa com a acção. "
"A vida é a perda lenta de tudo o que amamos."
 "A felicidade raras vezes está ausente. Nós é que não damos pela sua presença."
"O destino fecha às vezes os olhos, mas bem sabe que para ele voltaremos depois, e que é ele que terá a última palavra."
**
in A Grande Lei
"A inteligência é a faculdade com o auxílio da qual compreendemos por fim que tudo é incompreensível. "
**
in O Duplo Jardim
"Se é incerto que a verdade que vais dizer seja compreendida, cala-a. "
**
in O Tesouro dos Humildes
"O silêncio é o elemento no qual se formam as grandes coisas"
http://www.citador.pt/frases/citacoes/a/maurice-maeterlinck

*
 e Maria Elisa Ribeiro
"Os pensamentos mais belos e as ideias mais baixas não alteram o aspecto eterno da nossa alma, como os Himalaias ou os precipícios não modificam, no meio das estrelas do céu, o aspecto da nossa terra."
 Foto de Maria Elisa Ribeiro.
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2216838624999361&set=a.104671869549391.10003.100000197344912&type=3&theater
***

19/06/2018

7.188.( 19jun2018.15.15') Islândia

***
17junho Dia Nacional da Islândia
*
comemorações de 2012 em  Akureyri
 https://www.youtube.com/watch?v=7ewBzjXM0m8
***
Via Avante:
 Igualdade salarial na Islândia
Edição: 2302, 11-01-2018

A partir deste ano, todas as empresas islandesas com mais de 25 trabalhadores têm de obter um certificado a atestar que não discriminam salarialmente homens e mulheres que ocupam postos de trabalho iguais. Empresas com menos de 25 trabalhadores têm até ao final de 2021 para acabar com a diferenciação.

A lei que entrou em vigor com o novo ano foi aprovada em meados de 2017 por larga maioria no parlamento islandês, isto apesar de o país já figurar no primeiro lugar do ranking de igualdade salarial do Fórum Económico Mundial.
**
Verdes de Esquerda lideram governo na Islândia
Edição: 2297, 07-12-2017

A líder dos Verdes de Esquerda, Katrin Jakobsdottir, foi nomeada primeira-ministra da Islândia, na sequência de um acordo subscrito, dia 30, entre a sua formação, o Partido da Independência e o Partido do Progresso, estes dois últimos situados na ala da direita parlamentar.
Os três partidos detêm uma maioria de 35 deputados num hemiciclo com 63 assentos.
Nas eleições antecipadas de 28 de Outubro, o Partido da Independência foi o mais votado (25% e 16 deputados), seguido pelos Verdes de Esquerda (16,9% e 11 deputados). O Partido do Progresso foi a quinta força (10,7% e sete deputados).
Embora tenham garantido a chefia do governo, os Verdes de Esquerda apenas controlam directamente as pastas da Saúde e do Ambiente. O Partido da Independência fica com a maioria dos ministérios, nomeadamente as Finanças, Negócios Estrangeiros, Justiça, Pescas e Agricultura. O Turismo e a Indústria foram entregues ao Partido do Progresso.
**
Esquerda Verde indigitada para formar governo na Islândia
Edição: 2293, 09-11-2017

**
Conservadores saem enfraquecidos das eleições na Islândia
Edição: 2292, 02-11-2017


Governo cai na Islândia
Edição: 2286, 21-09-2017

**
Islândia vai fiscalizar igualdade salarial
Edição: 2259, 16-03-2017

**
Islândia
Edição: 2250, 12-01-2017

**
Islândia sem governo
Edição: 2249, 05-01-2017

**
Islândia antecipa eleições
Edição: 2229, 18-08-2016

**
Islândia retira candidatura à UE
Edição: 2155, 19-03-2015

O governo islandês anunciou, dia 12, ter retirado a sua candidatura de adesão à União Europeia.

A decisão foi comunicada por carta à Comissão Europeia e num encontro entre o ministro dos Negócios Estrangeiros islandês, Gunnar Bragi Sveinsson, e o seu homólogo da Letónia, Edgars Rinkevics, país que tem a presidência rotativa da UE.

Sveinsson escreveu na página pessoal na Internet que «os interesses da Islândia estão mais protegidos fora da União Europeia».

A Islândia havia solicitado formalmente a adesão à UE em 2009, mas as negociações não avançaram devido a divergências persistentes, em particular nos domínios das pescas e da agricultura.

Já em Fevereiro do ano passado o governo islandês tinha suspendido as negociações, cumprindo as promessas feitas na campanha eleitoral de 2013.
***

Islândia

Geografia

A Islândia é um país insular situado entre a Noruega e a Groenlândia.


Bandeira da Islândia.
Bandeira da Islândia.


A antiga Thule dos geógrafos gregos passou a denominar-se Islândia ("terra de gelos") após a colonização da ilha pelos viquingues. Conhecido pelas geleiras, fiordes, vulcões e gêiseres que embelezam sua paisagem, o país é economicamente desenvolvido e a população desfruta de elevado padrão de vida.
A Islândia é um país insular situado no Atlântico norte, entre a Noruega e a Groenlândia. Tem superfície de 102.819km2 e limita-se ao norte com o círculo polar ártico.
Geografia física
A Islândia tem cerca de seis mil quilômetros de litoral, com abundância de fiordes (penetrações do mar sobre antigos vales glaciais da costa). O território se constitui de um planalto com altitude média de 500m. Mais de 200 vulcões, utilizados como fontes geotérmicas para calefação doméstica, e cerca de cem geleiras cobrem aproximadamente um oitavo do território. O vulcão mais importante é o Hekla, com 1.491m de altitude. Apesar da elevada latitude da ilha, o clima não é hostil no litoral oeste, devido à influência da corrente marítima quente do golfo do México. No resto do país, o clima é frio. Nos meses de maio e junho, o sol ilumina o país durante o dia e a noite. O maior dos rios da Islândia é o Thjörsá e existe ainda grande número de pequenos lagos.
A vegetação é paupérrima, formada principalmente de musgos e liquens. A fauna, de escassos mamíferos, é rica em pássaros marinhos nos penhascos e apresenta falcões e águias nas montanhas. Nos rios e lagos há salmões e trutas. Entre os peixes e crustáceos de água salgada abundam o arenque, bacalhau, camarão e lagosta.
População
A metade dos islandeses se concentra na capital, Reikjavik. A população se caracteriza pela homogeneidade étnica: aproximadamente oitenta por cento dos habitantes descende de noruegueses. Os restantes descendem de escoceses e irlandeses. O idioma oficial é o islandês, derivado do antigo escandinavo dos séculos IX e X. Ao longo do século XX registrou-se um pronunciado êxodo rural e emigração para o Canadá e os Estados Unidos.
Economia
Predomina a economia de livre mercado, embora seja importante a intervenção do setor estatal. Devido a sua latitude, o território islandês é mais favorável para a pecuária do que para a agricultura. O país é auto-suficiente em carne, leite e lã. No entanto, a principal riqueza da Islândia está na pesca e em sua utilização industrial: cerca de dois terços de todas as exportações do país procedem dessa atividade. Um importante recurso natural da Islândia é seu potencial energético, de origem hidráulica e geotérmica. As principais indústrias, além da pesqueira, são de cimento, alumínio e ferro-silício. A maior parte dos bancos e instituições financeiras, assim como o setor elétrico, pertencem ao governo. O padrão de vida e o nível tecnológico da Islândia assemelham-se aos dos países adiantados da Europa.
História
Os primeiros assentamentos humanos na ilha deram-se com eremitas irlandeses, no princípio do século IX da era cristã. Segundo fontes historiográficas medievais, esses colonos fugiam dos viquingues procedentes da Noruega, os quais, liderados por Ingólfr Arnarson, estabeleceram-se no ano 874 no local onde mais tarde se ergueria Reikjavik. No ano 930, os islandeses constituíram seu primeiro Parlamento nacional, o Althing, que favoreceu a ação missionária dos cristãos. No século X toda a população se havia convertido ao cristianismo.
Em conseqüência de uma guerra civil travada entre 1262 e 1264, os nobres islandeses aceitaram a soberania norueguesa e, posteriormente, em 1380, com a união da Dinamarca com a Noruega, o governo da Islândia passou a ser exercido pelos dinamarqueses. Durante os 400 anos que se seguiram, a ilha viveu uma constante decadência econômica e política, devido tanto ao desgaste das melhores terras de criação de gado, quanto à cobiça dos governantes dinamarqueses. Nesse período, Cristiano III, rei da Dinamarca, impôs a religião luterana. Um férreo controle econômico, com a implantação do monopólio comercial real, foi estabelecido em 1602. Com o fim desse monopólio, em 1787, iniciou-se a recuperação econômica da Islândia.
Durante o século XIX, surgiu um movimento de independência encabeçado por Jón Sigurdhsson. Em 1874, Cristiano IX da Dinamarca permitiu que a Islândia tivesse sua própria constituição, e em 1904 o país conseguiu formar um governo autônomo nacional em Reikjavik. Pouco depois, em 1918, a Islândia se tornava independente, ligada à Dinamarca apenas pela monarquia e a política exterior comuns. Durante a ocupação alemã da Dinamarca, na segunda guerra mundial, as tropas britânicas e americanas se estabeleceram na Islândia, utilizando-a como base estratégica. Em 1944, o Parlamento proclamou a república e rompeu todos os laços formais com a Dinamarca.
O principal problema da Islândia independente originou-se da decisão do governo de estender, para efeito de pesca, suas águas territoriais de três milhas em 1950 para 200 milhas em 1975. Essa ampliação foi motivo de conflito com o Reino Unido e outros países, entre as décadas de 1950 e 1960.

De acordo com a constituição de 1944, o poder executivo cabe ao presidente da república, eleito por voto popular para um período de quatro anos. O poder legislativo é exercido conjuntamente pelo presidente e pelo Parlamento (Althing), que em 1991 deixou de ser bicameral e passou a contar com apenas uma câmara, de 63 membros.
Sociedade e cultura
A previdência social islandesa, financiada pelo governo, é uma das mais avançadas do mundo. As doenças contagiosas, principal causa de mortes no século XIX, foram totalmente erradicadas. Todos os centros de ensino islandeses, da escola primária à universidade, são gratuitos. A maioria da população pertence à Igreja Evangélica Luterana e a outras denominações protestantes.
Os escritores islandeses produziram algumas das mais importantes sagas da Idade Média. O romancista Halldór Laxness recebeu o Prêmio Nobel de literatura de 1955. Entre os principais pintores do século XX figuram Ásgrimur Jónsson, Jón Stefánsson e Jóhannes S. Kjarval.
https://brasilescola.uol.com.br/geografia/islandia.htm
***

16/06/2018

6.790.(16jun2018.12.33') Jordânia

*** 
Via AVANTE
 Monarquias e UE seguram Jordânia
Edição: 2324, 14-06-2018
A Arábia Saudita, o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos anunciaram, segunda-feira, 11, que vão destinar nos próximos cinco anos cerca de 2,1 mil milhões de euros para a Jordânia. No dia anterior foi a UE a prometer um pacote de 20 milhões de euros ao país, imerso numa crise económica e social sem precedente recente, razão pela qual a monarquia negociou com o FMI um programa de assistência financeira.

Contudo, com mais de 18 por cento da população desempregada e cerca de 20 por cento dos a viver baixo do limiar da pobreza, as medidas de contrapartida impostas pelo FMI, designadamente o aumento da tributação dos rendimentos singulares (entre mais 5 e mais 25 por cento) e a redução do limite a partir do qual aqueles são tributados, foram recebidas com revolta. Milhares de jordanos saíram às ruas em protesto nos últimos dias obrigando o rei a demitir o primeiro-ministro e a designar outro chefe de governo, o qual, entretanto, anunciou a suspensão do impopular confisco.
**
Pompeo com aliados no Médio Oriente
Edição: 2318, 03-05-2018

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, concluiu na Jordânia, na segunda-feira, 30, uma viagem pelo Médio Oriente que o levou também à Arábia Saudita e a Israel, os principais aliados dos EUA na região. Em Amã, o ex-chefe da CIA conversou sobre «os esforços de paz na Síria» e «a guerra contra o terrorismo». Em Riad, exigiu alterações ao acordo nuclear com o Irão. Em Telavive, referiu-se a uma alegada «escalada de ameaças do Irão contra Israel» e reiterou ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu todo o apoio dos EUA.
**
Jordânia
Edição: 2247, 22-12-2016

Quatro homens, suspeitos de ligação aos terroristas do denominado «Estado Islâmico», foram abatidos pelas forças de segurança, no domingo, 18, em Karak, no Sul da Jordânia, depois de um bando armado ter atacado sítios turísticos e morto 10 pessoas, incluindo uma canadiana.

Após uma operação de cinco horas, forças especiais libertaram os civis feitos reféns no castelo de Karak, uma fortificação medieval construída por Cruzados cristãos. Mais de 20 civis e militares ficaram feridos.
**
Jordânia
Edição: 2062, 06-06-2013

Manobras militares envolvendo 15 mil efectivos de 18 países vão ser realizadas no país, anunciou o gabinete de Amã. Os exercícios Eager Lion 2013 prevêem a participação dos EUA, Grã-Bretanha, Barein, Canadá, República Checa, Egipto, França, Iraque, Itália, Líbano, Paquistão, Polónia, Catar, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Iémene, revelou a agência Petra, que cita fonte oficial.

Recorde-se que à Jordânia chegou, nas últimas semanas, um contingente de 1500 soldados norte-americanos com o propósito confesso de aumentar o nível de resposta operacional face ao agravamento do conflito na Síria.

**
Jordânia
Edição: 2035, 29-11-2012

Milhares de populares protestaram contra o aumento dos combustíveis e exigiram reformas económicas e políticas no país. As manifestações, particularmente expressivas na capital, Amã, repudiaram com especial contundência as subidas de até 53 por cento no preço da gasolina, gasóleo, gás de botija e querosene.
O governo argumenta com a necessidade de cortar na despesa pública, mas as organizações promotoras das marchas acusam as autoridades de promoverem um desastre social.
As marchas realizadas uma semana antes no país terminaram em violência, isto depois da polícia ter morto uma pessoa e ferido outras 71. A repressão resultou ainda na detenção de 158 indivíduos. De acordo com a AFP, 101 terão sido acusados de incitamento à revolta, distúrbios e participação em concentração ilegal.
**
Jordânia
Edição: 2012, 21-06-2012

Os protestos contra a inflação nos produtos básicos e pela democratização do país prosseguiram, sexta-feira, 16. «Em vez de aumentar os preços, o governo deveria pedir contas aos corruptos e promover uma reforma constitucional», considerou uma das participantes na manifestação realizada na capital, Amã, ouvida pela France Press. Apesar dos 42 graus de temperatura, marchas semelhantes ocorreram noutras cidades do território, como Irbid, Karak e Fafileh.
Em Maio, o recém empossado governo jordano aumentou o preço da gasolina, da electricidade e de outros bens de primeira necessidade, justificando a medida com o combate ao défice das contas públicas.
**
Jordânia
Edição: 1979, 03-11-2011

Milhares de pessoas exigiram reformas democráticas e contra a corrupção numa marcha, realizada sexta-feira, na capital, Amam. Protestos com iguais motivações terão ocorrido noutras cidades.
O rei Abdullah II substituiu, no início da semana passada, o primeiro-ministro do país. Para aplacar a contestação no território, o monarca anunciou também que o parlamento vai passar a designar o chefe do governo em seu lugar, mas a oposição denuncia a medida como uma manobra, já que Abdullah conserva o direito de veto sobre a nomeação.
**
Jordânia
Edição: 1976, 13-10-2011

Cerca de três mil pessoas participaram, sexta-feira, dia 7, na capital da Jordânia, Aman, num protesto contra a corrupção, o desemprego, e por melhores condições de vida.
Os populares contestaram igualmente as emendas constitucionais e as ténues reformas políticas e institucionais propostas pela monarquia, e voltaram a exigir a democratização do país.
Paralelamente, o Comité para a Protecção dos Jornalistas manifestou-se desiludido com a limitação imposta ao exercício da profissão. Em causa está uma lei, recentemente aprovada no «parlamento» da Jordânia, que pune severamente a publicação de notícias sobre corrupção.
**
Jordânia
Edição: 1967, 11-08-2011

Milhares de pessoas pediram reformas no país e acusaram os responsáveis do regime de matarem o povo à fome enquanto roubam milhares de dinares. Corrupção, interferência nos meios de comunicação social e perseguição do povo por parte dos serviços secretos foram igualmente denunciadas como práticas instaladas.
No protesto, realizado sexta-feira, 29 de Julho, na capital jordana, Amã, os participantes sublinharam ainda que, «até agora, nenhuma das nossas exigências foi satisfeita» e reiteraram a urgência de mudanças políticas e económicas profundas.
***
2jun2010
Cartoon de Carlos Latuff
 
***

6.735.(16jun2018.12.12') Líbano

*** 
Via Avante

IRÃO Cresce o perigo de uma nova agressão do imperialismo norte-americano no Médio Oriente, advertiu o PCP na sequência do cancelamento unilateral do acordo nuclear com Irão, iniciativa, aliás, repudiada pelos demais subscritores.

LUSA



Em nota emitida pelo seu gabinete de imprensa horas depois de a administração liderada por Donald Trump ter anunciado o rompimento do acordo multilateral relativo ao desenvolvimento do programa nuclear da República Islâmica do Irão, o Partido considerou que tal iniciativa «representa um grave passo na escalada belicista dos EUA e uma demonstração do seu desprezo pela Carta das Nações Unidas e pelo direito internacional». Constitui «uma séria provocação e traduz o aprofundamento da sua política de confrontação», acrescenta-se.

«O PCP alerta para o perigo da escalada de agressão do imperialismo norte-americano e seus aliados no Médio Oriente, nomeadamente contra o Irão ou o Líbano – na senda das guerras de agressão ao Afeganistão, ao Iraque, à Líbia, à Síria e ao Iémene», e «sublinha o papel belicista e de sistemático desrespeito pelo direito internacional que tem sido desempenhado por Israel – potência nuclear, não signatária do acordo de não proliferação de armas nucleares, e que ocupa ilegalmente territórios palestinianos – e pela Arábia Saudita, ambos países responsáveis por guerras de agressão contra povos do Médio Oriente».

No texto divulgado dia 9, o Partido «realça que as reacções da União Europeia e das suas principais potências à decisão dos EUA, evidenciando contradições, não apagam a sua responsabilidade e conivência com as operações de ingerência e agressão dos EUA e da NATO, como ficou patente na participação anglo-francesa nos recentes ataques militares à Síria, com base em mentiras da propaganda de guerra». Salienta-se, igualmente, que «a defesa da paz no Médio Oriente não passa pela cedência à chantagem da administração norte-americana», e exige-se que o secretário-geral das Nações Unidas use «todos os meios e instrumentos de que dispõe para que a ONU assuma o seu papel na defesa dos princípios da sua Carta, incluindo a condenação desta decisão dos EUA que está claramente em confronto com a legalidade internacional».

Quanto ao governo português, o PCP lembra que, «no respeito pela Constituição da República», deve retirar «deste episódio todas as consequências em matéria de política externa, nomeadamente quanto ao fim do envolvimento de Portugal em operações de ingerência e agressão contra outros povos».

Graves consequências

A denúncia por Washington do acordo subscrito em 2015 entre o Irão, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha e França) e a Alemanha, que previa a limitação da produção e a eliminação do arsenal de urânio susceptível de uso militar, o fim das sanções contra Teerão e a monitorização regular e aleatória pela Agência Internacional de Energia Atómica do programa nuclear iraniano, foi alvo de condenação e, aparentemente, pode provocar uma rearrumação de posições no que a esta matéria diz respeito.

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano realiza desde o início desta semana um périplo por Pequim, Moscovo e Bruxelas com o objectivo de garantir que russos, chineses e europeus mantêm os termos do texto. Nesse caso, assegurou Mohammad Zarif, o Irão continuará a honrar os compromissos assumidos.

A Rússia, por seu lado, defendeu que os parceiros do Irão no acordo devem assumir conjuntamente medidas para superar a iniciativa dos EUA. França e Alemanha manifestaram preocupação para com as relações económicas, financeiras e comerciais restabelecidas após a entrada em vigor do acordo, mas a chanceler alemã Angela Merkel foi mais longe e referiu que o «velho continente» não pode mais confiar a respectiva segurança colectiva a Washington.

A reintrodução de restrições a empresas que negoceiem com o Irão, e, por consequência, o seu sancionamento, foi admitida pelo conselheiro de segurança nacional de Donal Trump, John Bolton, bem como pelo secretário de Estado Mike Pompeo. Um e outro, no entanto, asseguraram disposição para negociar soluções que impeçam a aplicação de punições nos próximos 90 a 180 dias, conforme o sector de actividade em que se realizem as transacções. Em Paris, Berlim e Bruxelas, contudo, o cepticismo impera.

Agressão sionista

Acto contínuo ao cancelamento do acordo nuclear com o Irão por parte dos EUA, Israel bombardeou, faz hoje uma semana, posições iranianas na Síria, onde militares da República Islâmica se encontram, a pedido do governo liderado por Bachar al-Assad, a ajudar a combater grupos terroristas. O governo sionista alega ter respondido a pretensos disparos das forças do Irão e do movimento Hezbollah contra posições israelitas nos Montes Golã, que Israel ocupa há meio século, razão pela qual se mantém em guerra com a Síria.

Damasco e Teerão acusam Israel de mentir. O governo sírio considerou que os bombardeamentos, saudados por EUA e Grã-Bretanha, representam uma nova etapa na agressão, com o sionismo deixar de se «esconder atrás de mercenários» e a passar ao «confronto directo».
**
Sindicatos árabes combatem a exploração, a agressão e a guerra
Edição: 2318, 03-05-2018


PAZ Em entrevista ao Avante!, o Secretário-geral da Confederação Internacional de Sindicatos Árabes (CISA), Ghassan Ghosn, fala das guerras que dilaceram o Médio Oriente e da acção dos sindicatos.


O libanês Ghassan Ghosn é, desde 2016, Secretário-geral da CISA, estrutura que, como o próprio refere, representa cerca de 100 milhões de trabalhadores de todo o mundo árabe, agregando sindicatos dos países do Norte de África e Magrebe, Médio Oriente e Golfo Pérsico, à excepção da Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos. Esteve recentemente em Portugal, a convite da CGTP-IN, para participar em diversas reuniões sindicais e numa sessão de solidariedade com os povos da Síria e do Médio Oriente, realizada em Lisboa no dia 19 de Abril, em parceria com o CPPC.

Avante! – Que avaliação faz a CISA da actual situação que se vive no Médio Oriente, e em particular na Síria?

Ghassan Ghosn – Estamos, nessa região, no centro do vulcão e da batalha pela paz, a justiça social e a libertação, autodeterminação e independência dos povos e países. Enfrentamos os dois lados do terror, o sionista e o fundamentalista, ambos apoiados e financiados pelos EUA, monarquias do Golfo e potências europeias. A chamada «Primavera Árabe», iniciada em 2010, tinha slogans atractivos, como a «liberdade» ou a «justiça social», mas com o tempo a máscara foi caindo e os seus verdadeiros objectivos foram-se revelando, materializando-se no incremento do terrorismo e da guerra em toda a região.

Os casos da Líbia e da Síria particularmente reveladores dessa realidade...

O que aconteceu na Líbia não foi, como se disse, para «libertar o país do ditador», mas para garantir o controlo das suas reservas de petróleo. Tal como antes, no Iraque, a história que nos foi contada, relativa às armas de destruição massiva, mais não foi do que uma forma de esconder os interesses que aí têm os EUA e seus aliados, nomeadamente o controlo do petróleo e a continuidade da sua presença na região. Aliás, os aliados regionais dos Estados Unidos estão a pagar pela «protecção» norte-americana. Quando o presidente Donald Trump admitiu a possibilidade de as tropas norte-americanas deixarem a Síria, a Arábia Saudita insistiu – e pagou! – para que ficassem. Os últimos ataques da troika EUA, França e Reino Unido contra a Síria foram pré-pagos.

Que consequências estão a ter estas guerras na vida dos trabalhadores?

Quando falamos de guerra, são os trabalhadores que pagam o mais elevado preço. O que estas guerras provocaram, ao nível económico e social (na Síria, na Líbia, no Iraque e no Iémen), é impressionante, no que respeita à perda de vidas e ao aumento dos níveis de desemprego e pobreza: 14 milhões de refugiados e deslocados, 1,4 milhões de mortos e feridos, 30 milhões de desempregados e, em todo o mundo árabe, 70 milhões de abaixo do limiar de pobreza.

Quaisquer um desses países tinha, antes das guerras, níveis de desenvolvimento razoáveis...

Estamos a falar de países ricos. Na Síria, nos últimos anos antes da agressão, a produtividade estava a aumentar, assim como o produto, e não havia dívidas às instituições financeiras como o Fundo Monetário Internacional ou o Banco Mundial. Esta, como outras guerras, visa proteger Israel, virar árabes contra árabes e assegurar o domínio das imensas reservas petrolíferas. O petróleo, que pode até ser uma riqueza para alguns, é uma maldição para a generalidade dos povos. O fim da ocupação da Palestina, a autodeterminação dos povos e o controlo, por estes, dos recursos naturais são condições sem as quais a região continuará em guerra aberta e enfrentará a constante desestabilização.

Nesta grave situação como se posicionam os sindicatos?

Os sindicatos filiados na CISA partilham os objectivos centrais da generalidade dos sindicatos, batendo-se por questões como a liberdade de associação, condições de vida, salários e direitos laborais e sociais. Mas combatem também a troika de forças agressoras dos trabalhadores e dos povos árabes: o regime sionista, o imperialismo e o capitalismo neoliberal. Estamos todos unidos nestes objectivos.

Na Síria de hoje, qual o papel do movimento sindical?

Vive-se na Síria uma situação muito crítica, na qual os sindicatos procuram defender o povo da agressão do terrorismo e dos seus aliados e, ao mesmo tempo, apoiar os trabalhadores. Estão a exigir do governo medidas que garantam a distribuição mais célere e eficaz de bens e serviços de primeira necessidade e o apoio social. Não é fácil aumentar o nível de vida da população e o investimento nesta situação de guerra aberta, mas está-se a procurar soluções que sirvam o povo. Recentemente, o movimento sindical conseguiu que o governo aumentasse os salários, principalmente no sector público, que é muito forte no país. Os sindicatos assumem ainda um importante papel no combate à agressividade do mercado, contra a especulação, exigindo das autoridades soluções para controlar os preços dos bens essenciais.

Noutros países, claro, será diferente...

Sim, as situações variam muito de país para país. No Líbano, por exemplo, há um movimento sindical muito activo, que recentemente organizou fortes movimentações em torno da protecção social, saúde, salários, impostos, contra a escalada dos preços. Há muitas manifestações e protestos, sobretudo no sector dos transportes e na administração pública.

Na Palestina a situação é diferente, muito dramática, fruto da ocupação. As taxas de desemprego ultrapassam os 70 por cento, os trabalhadores vêem ser-lhes retirada uma parte do seu salário e há ainda tudo o que se relaciona com o trabalho forçado ou o trabalho infantil. O quotidiano de quem trabalha é também muito duro. Um trabalhador palestiniano disse-me há dias que para estar no seu local de trabalho às nove da manhã passa metade da noite à espera no checkpoint. E de regresso é igual. É uma constante humilhação.

No que respeita à liberdade de associação, como estão as coisas no mundo árabe?

A questão da liberdade não pode ser colocada sem se atender ao contexto. É uma questão cultural e política e conquista-se pela luta. Além disso, não é igual de país para país. Não é igual na Argélia e em Marrocos, no Egipto e no Sudão, no Golfo ou no Líbano e na Síria. Relaciona-se com o regime concreto, se é progressista ou não, e com as tradições e cultura de cada um dos povos e países.

O agravamento recente da intolerância religiosa afectou a acção sindical?

Antes do imperialismo chegar aos nossos países não havia diferença entre cristãos, sunitas ou xiitas. Éramos todos trabalhadores e todos partilhávamos as mesmas injustiças, preocupações e aspirações. No movimento sindical, e na CISA em particular, nunca sentimos essas diferenças. Aliás, eu sou de origem cristã e lidero uma estrutura de sindicatos árabes, em que a maioria de filiados são muçulmanos. Estamos a insistir muito nesta questão.

Quando se cria diferenças entre sindicatos divide-se e enfraquece-se o movimento. A nossa acção continua a nortear-se pelo lema «proletários de todos os países, uni-vos!», pois a unidade é que nos dá força. Não se pode combater o capitalismo isolados, de mãos vazias; não se consegue direitos suplicando, mas conquistando-os através da luta.
**
Primeiro-ministro do Líbano promete voltar em breve ao país
Edição: 2294, 16-11-2017

Na primeira declaração pública após ter anunciado a demissão, o primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, assegurou na segunda-feira, 13, que regressará ao seu país «dentro de dois ou três dias», noticiaram diversos órgãos de informação em Beirute.


Hariri fez estas afirmações a partir de Riade, capital da Arábia Saudita, onde se encontra desde o dia 3 e donde, um dia depois, surpreendeu a opinião pública com a renúncia ao cargo. Justificou então a decisão pelo receio de um atentado contra si e pela alegada influência crescente do movimento político e militar libanês Hezbollah, de maioria xiita.


Em declarações à cadeia televisiva TV Future, propriedade sua, Hariri, sunita, sugeriu que poderia voltar atrás com a demissão caso o Hezbollah deixasse de fazer parte do governo libanês. Outra das razões da renúncia, disse, é que o Líbano não seguiu uma política de distanciamento dos conflitos regionais e adoptou uma linha de apoio ao Irão. Explicou que a Arábia Saudita «quer» um Líbano neutro nos conflitos regionais e não ao lado do Irão, adversário do reino saudita.


Para o líder do Hezbollah, Hasan Nasrallah, a Arábia Saudita «declarou guerra» ao Líbano e retém no país o primeiro-ministro libanês contra a sua vontade.


Observadores em Beirute consideram que esta ameaça à paz no Líbano tem a ver com a derrota militar na Síria e no Iraque dos mercenários terroristas («Estado Islâmico», Al-Qaeda e outros) apoiados pelos Estados Unidos e os seus principais aliados no Médio Oriente – Arábia Saudita e Israel. Esses grupos poderiam agora ser «empurrados» para o Líbano com o objectivo de destabilizar o país e combater o Hezbollah. 
**
Delegação do PE no Líbano em crise
Edição: 2293, 09-11-2017

O primeiro-ministro libanês, Saad al-Hariri, em visita à Arábia Saudita, anunciou, no sábado, 4, a demissão do cargo. Justificou a decisão com questões relacionadas com a sua segurança.


O presidente Michel Aoun apelou à «unidade nacional» e o secretário-geral do Hezbollah, Sayyed Nasrallah, cujas forças militares combatem na Síria o terrorismo apoiado pelos sauditas, pediu «calma a todas as partes» e sugeriu que al-Hariri é pressionado por Riade.


A crise política no Líbano decorre dos frágeis equilíbrios entre cristãos maronitas, xiitas e sunitas, uma divisão artificial com consequências negativas para a unidade nacional do povo libanês.


Há um ano tinha sido alcançado um acordo que esteve na base da eleição de Michel Aoun (cristão maronita) como presidente da República do Líbano, de Nabih Berri (xiita) como presidente do parlamento e da formação de um governo de unidade nacional cujo primeiro-ministro, Saad al-Hariri (sunita) se demitiu agora.


Encontram-se refugiados no Líbano milhões de palestinianos e sírios, em consequência da política colonialista de Israel, que há décadas ocupa ilegalmente territórios da Palestina, e da agressão dos EUA e seus aliados, que se desenvolveu abertamente desde 2012, contra a República Árabe da Síria e o seu povo.


Considerando o passado de guerra, incluindo as agressões de Israel, que destruíram a economia do Líbano, o desfecho da actual situação passa por uma política de paz e pelo fim da ingerência e das agressões do imperialismo, pela reconstrução em bases sólidas deste país ancestral cujo povo clama por paz, soberania, desenvolvimento e progresso social.


Coincidindo com a crise, uma delegação do Parlamento Europeu (PE), de que fez parte Miguel Viegas, deputado do PCP, visitou o Líbano de 30 de Outubro a 2 deste mês.


A União Europeia, com responsabilidades claras nos conflitos que assolam o Médio Oriente, tem um acordo de associação com o Líbano que implica as habituais «reformas estruturais», que significam pressão sobre o papel do Estado no desenvolvimento sócio-económico e na garantia dos direitos sociais, abrindo espaço à liberalização dos mercados, às privatizações, às parcerias público-privadas e à flexibilização das leis laborais.
**
Irão e Líbano contra o terrorismo
Edição: 2280, 10-08-2017

Os presidentes do parlamento iraniano, Ali Lariyani, e libanês, Nabih Berri, estão convencidos de que só a unidade regional erradicará o terrorismo no Médio Oriente.

Os dois líderes parlamentares reuniram-se em Teerão, por ocasião da tomada de posse do presidente Hassan Rohani, que iniciou o segundo mandato de quatro anos à frente da nação persa.

Lariyani sublinhou o êxito do Movimento de Resistência Islâmica do Líbano (Hizbulah), juntamente com os exércitos libanês e sírio, na luta para desalojar grupos extremistas de áreas da fronteira sírio-libanesa.

Berri agradeceu o papel iraniano na solução de crises regionais e disse que a República Islâmica do Irão «é a esperança do mundo muçulmano».
**
«Há comunistas armados a defender as fronteiras do país»
Edição: 2181, 17-09-2015

Jamil Safieh, do PC do Líbano

Image 19025

A situação actual no Líbano, como em todo o Médio Oriente, é «complexa, sensível e difícil». Quem assim a caracteriza é Jamil Safieh, membro do Comité Central e da Secção Internacional do Partido Comunista Libanês, para quem a «tradicional» ingerência do imperialismo é a grande responsável pelo caos que, garante, está instalado.
Para além da corrupção que grassa no aparelho de Estado e do apoio por parte de alguns governantes ao chamado «Estado Islâmico» (que se tem vindo a introduzir no Líbano), a grande vaga de refugiados sírios que chegou ao país – um milhão e meio numa população de três milhões, a que acrescem os 700 mil refugiados palestinianos – deixou clara a incapacidade do governo em atender a importantes necessidades sociais do povo. Em muitas regiões do Líbano não há abastecimento de energia eléctrica e de água, o lixo não é recolhido e os cuidados de saúde não são prestados.
Em torno da exigência de satisfação destas necessidades, desenvolveu-se nas últimas semanas um «poderoso movimento de massas», traduzido em «manifestações diárias» contra o governo; o Partido Comunista Libanês e a sua organização de juventude estão ao lado do povo nestes protestos, valoriza Jamil Safieh.
Nos dias que antecederam a conversa com o Avante!, conta, a situação evoluiu. O governo, que não dá sinais de pretender dar resposta às reivindicações populares, subiu a parada, ao infiltrar provocadores nas manifestações para deturpar o seu sentido e legitimar a repressão policial. Mas a luta vai continuar, garante.
Ingerência e agressão
A ingerência do imperialismo no Líbano é antiga, mas atingiu um ponto particularmente extremo em 2006, aquando da tentativa de invasão israelita do país, travada então pela resistência patriótica libanesa (que o PCL integra) e pelo Hezbolá. Israel continua a ser a principal ameaça à soberania nacional, garante Jamil Safieh.
Mais recentemente, a guerra contra a Síria veio desestabilizar ainda mais a região. Para os comunistas libaneses, o derrube do governo da Síria é um objectivo central da estratégia do imperialismo no Médio Oriente. Por um lado, porque a República Árabe Síria é aliada do Irão e do Hezbolá, dois dos principais obstáculos ao predomínio dos EUA e de Israel na região.
Mas a ofensiva contra a Síria representa também um «ataque indirecto» à Rússia, que não só tem bases na Síria como tem com esse país sólidas relações comerciais, políticas e militares. Forçar a Rússia a recuar é outro dos objectivos do imperialismo norte-americano.
Para a escalada da ingerência na Síria, no Líbano e um pouco por todo o Médio Oriente concorre ainda outro factor, revela Safieh: a intenção do imperialismo de controlar as importantes jazidas de gás recentemente descobertas na região. Os EUA estabeleceram já com o Qatar um plano para transporte deste gás para a Europa, através da Turquia, do Líbano e da Síria.
Concluindo, o dirigente do PCL afirma que os EUA pretendem «aumentar a sua influência na região», através da salvaguarda dos seus actuais aliados (Israel, Arábia Saudita e restantes monarquias do Golfo) e do alargamento dos seus apoios, através da substituição de governos que lhe são hostis por outros que lhe sejam favoráveis.
Questionado sobre o papel do designado «Estado Islâmico», Jamil Safieh não tem dúvidas em incluí-lo no lote dos aliados do imperialismo. E garante que, ao contrário do que é apregoado, os EUA não bombardeiam posições deste grupo, pelo contrário, favorecem o seu avanço no terreno.
Resistência e luta
Perante uma situação tão complexa, os comunistas têm bem definidos os seus objectivos: um primeiro e mais imediato é, desde logo, o apoio à luta das massas populares pela satisfação das suas necessidades mais elementares.
Um outro propósito, mais de fundo, é a alteração da lei eleitoral no país, que faz com que o PCL, que se estima que tenha um apoio entre os nove e os 12 por cento, não tenha qualquer deputado eleito. No Líbano, a população é dividida segundo os seus credos religiosos – e há dezenas – e cada comunidade vota em partidos próprios e tem à partida um número de lugares para ocupar (no parlamento como na administração pública). O Partido Comunista Libanês defende um sistema laico de representação proporcional.
Outro objectivo essencial para os comunistas é a salvaguarda da soberania nacional contra a agressão externa, particularmente por parte do chamado «Estado Islâmico» e de Israel. Neste momento, revela, «existem membros do Partido Comunista armados a lutar na fronteira com a Síria para travar a invasão do país».
**
PCP no Líbano
Edição: 2034, 22-11-2012

 

14.º EIPCO
Partiu anteontem para a capital do Líbano, Beirute, uma delegação do PCP para participar no 14.º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários (EIPCO), que tem lugar entre os dias 23 e 25 deste mês. Composta por Ângelo Alves, da Comissão Política do CC, e Inês Zuber, deputada do PCP no Parlamento Europeu, a delegação do Partido participa, no dia 22, na reunião do grupo de trabalho do EIPCO, que o PCP integra juntamente com outros 10 partidos de vários continentes.
Contando com a participação de dezenas de partidos comunistas e operários, o encontro deste ano tem como lema Fortalecer a luta contra a escalada agressiva imperialista, pela satisfação dos direitos e aspirações sócio-económicas e democráticas dos povos, pelo socialismo e constitui uma oportunidade para o contacto directo com vários partidos comunistas de todo o Mundo e em especial da região do Médio Oriente.
Num momento em que o povo palestino é sujeito, mais uma vez, à «violenta e criminosa agressão israelita», a visita ao Líbano «assume também a expressão da solidariedade dos comunistas portugueses para com este povo e os demais povos do Médio Oriente vítimas das pressões, ingerências e agressões das principais potências imperialistas mundiais», destaca o PCP numa nota de imprensa emitida dia 22. A delegação do PCP regressa a Portugal no domingo.
***
2jun2010
Cartoon de Carlos Latuff
 
***

14/06/2018

8.249.(14jun2018.11.11') Ofélia Queirós e as cartas de Fernando Pessoa

***
nasce a 14jun1900
***

Opinião sobre Pessoa de Ofélia Queirós- A namorada

O Fernando, em geral, era muito alegre. Ria como uma criança, e achava muita graça às coisas. Dizia, por exemplo «ouvistaste?» em vez de «ouviste». Quando saía para engraxar os sapatos, dizia-me: «-Eu já venho, vou lavar os pés por fora». Um dia mandou-me um bilhetinho assim: « O meu amor é pequenino, tem calcinhas cor-de-rosa» Eu li aquilo e fiquei indignada. Quando saímos, disse-lhe zangada: « Ó Fernando, como é que você sabe que eu tenho calcinhas cor-de-rosa ou não, você nunca viu...» (tanto nos tratávamos por tu como por você). E ele respondeu-me assim a rir: « Não te zangues, Bebé, é que todas as bebés pequeninas têm calcinhas cor-de-rosa...»

[...]
Vivia muito isolado, como se sabe. Muitas vezes não tinha quem o tratasse, e queixava-se-me. Estava realmente muito apaixonado por mim, posso dizê-lo, e tinha uma necessidade enorme da minha companhia, da minha presença. Dizia-me numa carta: «...não imaginas as saudades que de ti sinto nestas ocasiões de doença, de abatimento e de tristeza...» E mostra-o bem, nesta quadra que me fez:

Quando passo um dia inteiro
Sem ver o meu amorzinho
Cobre-me um frio de Janeiro
No junho do meu carinho

Em Maio de 1920, a Carris entrou em greve por uns dias, e passámos a fazer o percurso de comboio.
Para que o meu pai não soubesse que eu saía com o Fernando, ele apanhava o comboio do Cais do Sodré e eu em Santos. Assim conversávamos até Belém. Não digo «namorávamos», porque o Fernando não gostava, conforme já contei.
Quando acabou a greve, ia buscar-me, à tarde, como de costume e vínhamos de eléctrico para casa, mas como ele achava que o trajecto não era suficientemente longo, dizia a brincar: « E se fingissemos que nos enganávamos e nos metêssemos num carro para o Poço do Bispo?»
[...]
O Fernando era uma pessoa muito especial. Toda a sua maneira de ser, de sentir, de se vestir até, era especial. Mas eu talvez não desse por isso, nessa altura, talvez porque estava apaixonada. A sua sensibilidade, a sua ternura, a sua timidez, as suas excentricidades, no fundo, encantavam-me.
Por exemplo, o Fernando era um pouco confuso, principalmente quando se apresentava como Álvaro de Campos. Dizia-me então: «Hoje não fui eu que vim, foi o meu amigo Álvaro de Campos »...Portava-se, nestas alturas, de uma maneira totalmente diferente. Destrambelhado, dizendo coisas sem nexo. Um dia, quando chegou ao pé de mim, disse-me: «Trago uma incumbência, minha senhora, é a de deitar a fisionomia abjecta desse Fernando Pessoa, de cabeça para baixo, num balde cheio de água. » E eu respondia-lhe: "Detesto esse Álvaro de Campos. Só gosto de Fernando Pessoa.» « Não sei porquê», respondeu-me, «olha que ele gosta muito de ti.»
Raramente falava no Caeiro, no Reis ou no Soares.

O Fernando, principalmente quando se encontrava abatido, não acreditava que eu pudesse gostar nele:« Se não podes gostar de mim a valer, finge, mas finge tão bem que eu não perceba.» Ou, então como nesta quadra:

Omeu amor já não me quer
Já me esquece e me desama
Tão pouco tempo a mulher
Leva a prova que não ama

Um dia, ao passarmos na calçada da Estrela, disse-me :«O teu amor por mim é tão grande, como aquela árvore.» Eu fingi que não percebi. «Mas não está ali árvore nenhuma...»«Por isso mesmo» respondeu-me ele. Outra vez disse-me : «Chega a ser uma caridade cristã tu gostares de mim. És tão nova e engraçadinha, e eu tão velho e tão feio.»
[...]
O Fernando era extremamente reservado. Falava muito pouco da sua vida íntima; não tinha sequer o que se chama um amigo íntimo (nesta altura já tinha morrido o Sá-Carneiro, e há até uma carta em que me diz:«Não há quem saiba se eu gosto de ti ou não, porque eu não fiz de ninguém confidente sobre o assunto.»

Com quem ele se dava muito na altura, e a casa de quem ia até jantar uma vez por semana, era o Lobo d´Ávila, que vivia na Praça do Rio de Janeiro, hoje Príncipe Real. De resto, eram só amigos do café.

Há uma frase de Fernando, há várias até, que monstram bem como ele era reservado. «Sinto preciso ocultar o meu íntimo aos olhares.»«Não quero que ninguém saiba o que sinto.» E ainda esta outra : «O Fernando Pessoa sente as coisas mas não se mexe, nem mesmo por dentro.»

O «namoro» durou assim até Novembro de 1920. A sua última carta data de 29 desse mês. Aos poucos, ele foi-se afastando, até que deixámos completamente de nos ver. E isto sem qualquer razão concreta. Ele [...]
[...]
Passaram-se nove anos.
Um dia, o meu sobrinho Carlos Queirós trouxe para casa aquele famoso retrato do Fernando a beber vinho no Abel Pereira da Fonseca (tirado pelo Manuel Martins da Hora) [foto publicada em Dezembro dia 21, poema Guardador de rebanhos]. Trazia uma dedicatória: «Carlos: isto sou eu no Abel, isto é, próximo já do Paraíso Terrestre, aliás perdido. Fernando. Dia 2/9/29» Achei muita graça, como é natural, e disse ao meu sobrinho que gostava de ter uma para mim. O Carlos disse-lhe, e passado pouco tempo ele enviou-me uma fotografia igual com esta dedicatória: « Fernando Pessoa em flagrante delitro.»
Escrevi-lhe a agradecer e ele respondeu-me. Recomeçámos então o «namoro». Isto em 1929. Eu já não trabalhava nessa altura e continuava a viver em casa de minha irmã no Rossio.
O Fernando estava diferente. Não só fisicamente, pois tinha engordado bastante, mas, e principalmente, na sua maneira de ser. Sempre nervoso, vivia obcecado com a sua obra. Muitas vezes dizia que tinha medo de não me fazer feliz, devido ao tempo que tinha de dedicar a essa obra. Disse-me um dia : «Durmo pouco e com um papel e uma caneta à cabeceira. Acordo durante a noite e escrevo, tenho que escrever, e é uma maçada porque depois o Bebé não pode dormir descansado.» Ao mesmo tempo receava não poder dar-me o mesmo nível de vida a que eu estava habituada. Ele não queria ir trabalhar todos os dias, porque queria dias só para si, para a sua vida, que era a sua obra. Vivia com o essencial. Todo o resto lhe era indiferente. Não era um ambicioso nem vaidoso. Era simples e leal.
Dizia-me: «Nunca digas a ninguém que sou poeta. Quanto muito, faço versos.»
 https://poemariopessoa.blogs.sapo.pt/18339.html
***
Ofélia Queiroz
 Ophélia Queiroz nasceu em Lisboa, na Rua das Trinas, no dia 14 de junho de 1900. Filha de pais algarvios, de Lagos, é a mais nova de oito irmãos. Concluiu o primeiro grau da instrução, embora desejasse ser professora de matemática, mas procurou estar sempre atualizada estudando Francês e Inglês. Gostava de ler, de ir ao teatro e de conviver. Passava muitas horas em casa do sobrinho, o poeta Carlos Queirós, a conviver com grandes artistas como Carlos Botelho, Vitorino Nemésio, Almada Negreiros, Olavo d'Eça Leal, Teixeira de Pascoaes, José Régio e outros.
Ophélia foi a namorada de Fernando Pessoa durante duas fases: de 1 de maio a 29 de novembro de 1920 e de 11 de setembro de 1929 a 11 de janeiro de 1930, embora o contacto entre os dois se mantenha cordial, mas esporádico, até à morte do Poeta.
A primeira fase, marcada por uma paixão sincera, termina com uma carta em que Pessoa afirma que o seu destino pertence a outra lei. O reencontro, motivado por uma fotografia do Poeta a beber no Abel Ferreira da Fonseca, oferecida a Carlos Queirós, inicia-se quando esta mostra vontade de possuir uma igual e ele lhe envia uma com a dedicatória: Fernando Pessoa em flagrante delitro. Nesta segunda fase, nota-se uma enorme confusão de sentimentos e perturbação psíquica.
A partir de 1936 até 1955 trabalhou no SNI (Secretariado Nacional da Informação). Nesse ano, na Tobis, conhece Augusto Soares, um homem de Teatro, com quem casa em 1938.

 https://www.goodreads.com/author/show/2887673.Of_lia_Queiroz
***
 
 Gostava de ler, de ir ao teatro e de conviver. Passava muitas horas em casa do sobrinho, o poeta Carlos Queirós, a conviver com grandes artistas como Carlos Botelho, Vitorino Nemésio, Almada Negreiros, Olavo d'Eça Leal, Teixeira de Pascoaes, José Régio etc.
 
 O crítico David Mourão-Ferreira, que estudou as duas fases da correspondência amorosa, sugere que o fracasso desta aventura se deve à presença constante de Álvaro de Campos e que a relação de 1929-1930 era, na verdade, um "ménage à trois virtual".
 http://lumeear.blogspot.com/2016/02/ofelia-namorada-de-pessoa.html
***

Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz
"encontramos uma série de objectos que ficaram com a família de Ofélia
Queiroz: as prendas que Pessoa lhe ofereceu e que dão uma materialidade ainda maior a essas cartas. Neste inventário, ou catálogo crítico, revelam-se esses objectos, que complementam a publicação de
Os
Objectos de Fernando Pessoa
(2013), e alguns textos de
temática amorosa.
 https://www.brown.edu/Departments/Portuguese_Brazilian_Studies/ejph/pessoaplural/Issue4/PDF/I4A07.pdf
***

  Ofélia Queirós, a namorada de Fernando Pessoa

Ofélia Queirós  nasceu em Lisboa no dia 14 de Junho de 1900. Filha de Francisco dos Santos Queirós e de Maria de Jesus Queirós, naturais de Lagos, era a mais nova de oito irmãos. Concluiu o primeiro grau da instrução, embora desejasse ser professora de matemática. No entanto, procurou estar sempre actualizada, estudando Francês e Inglês. Gostava de ler, de ir ao teatro e de conviver. Passava muitas horas em casa do sobrinho, o poeta Carlos Queirós, a conviver com grandes artistas como Carlos Botelho, Vitorino Nemésio, Almada Negreiros, Olavo d'Eça Leal, Teixeira de Pascoaes, José Régio e outros.

Ofélia, no entanto, ficou célebre por ter sido a única namorada conhecida do poeta Fernando Pessoa. Este namoro é caracterizado por duas fases distintas. De 1 de Maio a 29 de Novembro de 1920 e de 11 de Setembro de 1929 a 11 de Janeiro de 1930, embora o contacto entre os dois se mantenha cordial, mas esporádico, até à morte do Poeta.

Esta relação é conhecida pelas cartas que ele lhe escreveu, 48 cartas publicadas em 1978 e precedidas de um texto explicativo da própria Ofélia (testemunho sóbrio e modesto mas muito precioso, dado que é tudo aquilo que tornou público) e das cartas dela para ele, publicadas pela sua sobrinha em 1996, e que só foram publicadas anos depois da morte de Ofélia (1991).
Além desta correspondência, apenas existem testemunhos isolados, demasiado vagos e escassos que recriem ou relembrem este amor. Nem mesmo dos familiares ou amigos mais próximos, porque foi uma relação levada com a máxima discrição e nunca se oficializou. De qualquer maneira, foi o único amor conhecido do poeta, o único nos seus 47 anos de vida; e a publicação em 1996 das cartas de Ofélia para Fernando (um total de 110 cartas, mas certamente foram, no mínimo, mais de uma dúzia, entre extraviadas, ilegíveis e as que a família censurou) lança luz em tantos lados de sombra e destrói o ponto de vista unidireccional (cartas dele para ela) que até então os seus biógrafos contemplavam, principalmente no que respeita à chamada "segunda fase", o período compreendido entre 1929 até quase à morte do poeta. 
A primeira fase durou poucos meses e foi marcada por uma paixão sincera. Começa quando Pessoa conhece a jovem, na altura com 19 anos, nos escritórios da Baixa lisboeta, onde ela entra para trabalhar como dactilógrafa e ele já exercia os seus serviços como tradutor de correspondência comercial. A relação é pura e doce. Pessoa trata-a como a uma criancinha. Todos os críticos e estudiosos estão de acordo na não inocência deste tom infantil. A mudança de Ofélia para o outro lado da Cidade, a morte do padrasto e a volta da mãe para Lisboa, somadas ao estado dos nervos do poeta, que se reconhece muito doente, arrefecem o entusiasmo que impulsionava a relação e, em 29 de Novembro de 1920, uma lúcida e cruel mensagem encerra o namoro: "O amor passou... O meu destino pertence a outra Lei, cuja existência a Ophelinha ignora, e está subordinado cada vez mais à obediência a Mestres que não permitem nem perdoam..."
Dez anos depois acontece a retomada do namoro, agora usando igualmente o recurso da voz: já existem telefones em Portugal. O reencontro é motivado por uma fotografia do Poeta a beber no Abel Ferreira da Fonseca, que tinha sido oferecida a Carlos Queirós, sobrinho de Ofélia e amigo de Pessoa. A jovem mostra vontade de possuir uma igual e ele lhe envia uma com a dedicatória: "Fernando Pessoa em flagrante delitro". A 11 de Setembro inicia-se a primeira da segunda série de cartas de amor. Nesta segunda fase, nota-se uma enorme confusão de sentimentos e perturbação psíquica.
Ofélia acabou por seguir a sua vida. A partir de 1936 e até 1955 trabalhou no Secretariado Nacional de Informação – onde, na Tobis, conhece o teatrólogo Augusto Soares (m. 1955), um homem de Teatro, com quem se casa em 1938, três anos após a morte de Pessoa.
Fontes:Librópatas
wikipédia
Resultado de imagem para ofélia queiróz

Ficheiro:Pessoacopo.jpg
"Fernando Pessoa em flagrante delitro": dedicatória na fotografia que ofereceu à namorada Ophélia Queiroz em 1929
 https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2018/06/14-de-junho-de-1900-nasce-ofelia.html
***
 Foto de Estóriasdahistória.
[Carta a Ophélia Queiroz - 5 Abr. 1920]
Meu Bebé pequeno e rabino:
Cá estou em casa, sozinho, salvo o intelectual que está pondo o papel nas paredes (pudera! havia de ser no tecto ou no chão!); e esse não conta. E, conforme prometi, vou escrever ao meu Bebezinho para lhe dizer, pelo menos, que ela é muito má, excepto numa coisa, que é na arte de fingir, em que vejo que é mestra.
Sabes? Estou-te escrevendo mas não estou pensando em ti . Estou pensando nas saudades que tenho do meu tempo da caça aos pombos ; e isto é uma coisa, como tu sabes, com que tu não tens nada...
Foi agradável hoje o nosso passeio — não foi? Tu estavas bem disposta, e eu estava bem disposto, e o dia estava bem disposto também (O meu amigo, não. A. A. Crosse: está de saúde — uma libra de saúde por enquanto, o bastante para não estar constipado).
Não te admires de a minha letra ser um pouco esquisita. Há para isso duas razões. A primeira é a de este papel (o único acessível agora) ser muito corredio, e a pena passar por ele muito depressa; a segunda é a de eu ter descoberto aqui em casa um vinho do Porto esplêndido, de que abri uma garrafa, de que já bebi metade. A terceira razão é haver só duas razões, e portanto não haver terceira razão nenhuma. (Álvaro de Campos, engenheiro).
Quando nos poderemos nós encontrar a sós em qualquer parte, meu amor? Sinto a boca estranha, sabes, por não ter beijinhos há tanto tempo... Meu Bebé para sentar ao colo! Meu Bebé para dar dentadas! Meu Bebé para...
(e depois o Bebé é mau e bate-me...) «Corpinho de tentação» te chamei eu; e assim continuarás sendo, mas longe de mim.
Bebé, vem cá; vem para o pé do Nininho; vem para os braços do Nininho; põe a tua boquinha contra a boca do Nininho... Vem... Estou tão só, tão só de beijinhos ...
Quem me dera ter a certeza de tu teres saudades de mim a valer . Ao menos isso era uma consolação... Mas tu, se calhar, pensas menos em mim que no rapaz do gargarejo, e no D. A. F. e no guarda-livros da C. D. & C.! Má, má, má, má, má...!!!!!
Açoites é que tu precisas.
Adeus; vou-me deitar dentro de um balde de cabeça para baixo para descansar o espírito. Assim fazem todos os grandes homens — pelo menos quando têm — 1º espírito, 2º cabeça, 3º balde onde meter a cabeça.
Um beijo só durando todo o tempo que ainda o mundo tem que durar, do teu, sempre e muito teu

Fernando (Nininho).
Fonte: http://arquivopessoa.net/

 https://www.facebook.com/107358489335605/photos/a.107488435989277.12708.107358489335605/1984422718295830/?type=3&theater
***