19/11/2018

3.519.(19noVEMbro2018.9.9') Franz Shubert

***
Nasceu a 31janEIro1797...Himmelpfortgrund, perto de Viena...Áustria
e morreu a 19noVEMbro1828...Viena
***
Durante anos postei THE BEST
https://www.youtube.com/watch?v=6dcWS1zKJmk
***
Serenade
 https://www.youtube.com/watch?time_continue=8&v=e8EdpurvWCM
***

19 de Novembro de 1828: Morre o compositor austríaco Franz Schubert

Compositor austríaco, nasceu a 31 de janeiro de 1797, em Himmelpfortgrund, perto de Viena, na Áustria, e morreu a 19 de novembro de 1828, em Viena. Foi o responsável pela ligação entre a música clássica e a romântica e ficou célebre pela harmonia e pela melodia das suas canções e música de câmara.Começou a estudar música na capela da Corte de Viena, com Wenzel Ruzicka, e, mais tarde, foi admitido no Conservatório. Nessa altura compôs várias peças, nomeadamente Fantasia For Piano Duet e a célebre Gretchen am Spinnrade (1814), extraída de Fausto de Goethe. Depois, estudou com Salieri, com quem aperfeiçoou a técnica de composição. Passadas algumas desventuras, voltou a dedicar-se à composição e, a partir daí, a sua produção artística foi sempre aumentando. No entanto, poucos contemporâneos se aperceberam da grandeza do seu génio. Enquanto viveu, a sua obra teve uma projeção muito reduzida, até porque uma parte considerável permaneceu inédita. no final do século XIX é que foi publicada uma edição das suas obras, a Gesamtausgabe, em Leipzig, e em 1950 foi publicado o seu catálogo completo, o Thematic Catalogue, em Nova Iorque.Atualmente, Schubert encontra-se colocado entre os maiores compositores de todos os tempos. Juntamente com Mozart, constitui o exemplo da criação musical entendida como essência sonora da poesia. Entre as suas composições mais famosas encontram-se as sinfonias N.º 4 in C Minor, que Schubert intitulou de Tragic (1816), a N.º 5 in B Flat Major (1816), a N.º 7 in E Flat Major (1817), a N.º 11 in B Major (1817) e a Symphony in C Major (Great) (1828); as peças para piano Die Zauberharfe (1820), Rosamunde (1820), Piano Sonata in C Major (Grand Duo) (1824), Variations on an Original Theme in A Flat Major (1824) e Fantasy in F Minor (1827).
Franz Schubert. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. 
wikipedia (imagens)

Ficheiro:Franz Schubert by Wilhelm August Rieder 1875.jpg
Retrato de Franz Schubert -  Wilhelm August Rieder 
File:Moritz von Schwind Schubertiade.jpg
Franz Schubert - Moritz von Schwind
https://www.youtube.com/watch?time_continue=8&v=e8EdpurvWCM
*
https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2018/11/19-de-novembro-de-1828-morre-o.html?fbclid=IwAR245W6QMAT8jZMcHtPOzldzhbiLRZh6ZgIPfm0lrnKadS0fZv0whAvmu3U
***

18/11/2018

8.156.(18noVEMbro2018.10.01') Louis Daguerre

Nasceu a 18noVEMbro1787...Corneilles-en-Parisis
e morreu a 10jul1851...Bry-sur-Marbe
***
Vários anos postei:
 Louis Daguerre - pioneiro da fotografia...aproveito para saudar os(as) amgs que me presenteiam com excelentes fotogravAÇÕES...GrrACIAS
https://www.youtube.com/watch?v=zXecMcbpHQk
***

18 de Novembro de 1787: Nasce Louis Daguerre, pioneiro da Fotografia

Cenógrafo francês, Louis Jaques Mandé Daguerre nasceu a 18 de novembro de 1787, em Corneilles-en-Parisis, e morreu a 10 de julho de 1851, em Bry-sur-Marbe. Nos princípios do século XIX, foi um pintor cujos motivos se centravam, essencialmente, em panoramas e em décors. Foi aprendiz de arquiteto e estudou cenografia. Em 1816 torna-se cenógrafo teatral e cria o diorama, forma de espetáculo que consistia em complicados jogos de luzes conjugados com o movimento de vários cenários. O diorama conheceu tal sucesso que Daguerre abriu uma segunda sala de espetáculos em Londres em 1823.
Daguerre torna-se uma personagem da vida pública parisiense e a sua popularidade chega à província onde vivia Nicéphore Niepce. Juntos encetaram uma série de experiências químicas e óticas - fruto dessas experiências surgiu a primeira imagem fotográfica convencional - que os leva a associarem-se em 1829.
Apesar da morte de Niepce, em 1833, Daguerre partilha com os filhos deste as honras e os lucros da sua grande invenção o daguerreótipo (1838), um processo químico que permitia obter uma imagem fotográfica sobre um suporte metálico.
Houve, nesta época, uma grande disputa entre o processo francês, daguerreótipo, e o processo inglês criado por Fox Talbot, o talbótipo, ou calotipia. Daguerre retira-se para Bry-sur-Marne onde aperfeiçoa o seu processo melhorando a estabilidade da imagem e diminuindo o tempo de exposição, permitindo assim realizar retratos.
Veio a falecer na sua terra natal, Bry-sur-Marne, em 1851.
É considerado juntamente com Fox Talbot, Nicephore Niepce e H. Bayard um dos pais da fotografia.
Daguerre. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia (Imagens)
Louis Daguerre em 1844,fotografado  por Jean-Baptiste Blot
File:Louis Daguerre 1844.JPG
O Atelier do artista, daguerreótipo de 1837
File:Daguerreotype Daguerre Atelier 1837.jpg
https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2018/11/18-de-novembro-de-1787-nasce-louis.html?fbclid=IwAR0I9Fnd5HTGFAe3z9UzOwGuHbKTbMAVHAW1y4kBXGpnqApuuPl2JqH30Hw
***

7.963.(18noVEMbro2018.9.9') Emily Brontë

Nasceu a
e morreu a
***
Via Susana Duarte:"Uma das minhas Escritoras maiores."
 
 Rita Cipriano

Teimosa, com um espírito indomável e antissocial: há 200 anos que Emily Brontë é considerada a mais estranha das "três irmãs estranhas". Uma nova biografia mostra-a como uma mulher à frente do tempo.

Das três irmãs Brontë, Emily é aquela sobre a qual menos se sabe. É certo que nasceu a 30 de julho de 1818, que morreu a 19 de dezembro de 1848 de tuberculose, a doença que matou o irmão meses antes, e que entre essas duas datas tentou ser professora, viajou até Bruxelas, escreveu algumas dezenas de poemas e um único romance, O Monte dos Vendavais, obra obscura e violenta sobre uma paixão capaz de sobreviver até depois da morte. Uma das melhores da história da literatura inglesa. Mas se a sua vida parece mais ou menos certa, a sua personalidade não o é. Existem muitas dúvidas, muitos mitos, que, 200 anos depois, continuam sem resposta. E é talvez por isso que a mais estranha das “três irmãs estranhas” — como o poeta inglês Ted Hughes chamou a Charlotte, Emily e Anne Brontë, numa evocação das três bruxas de Macbeth –, autora de um estranho romance, permanece até hoje motivo de fascínio e, sobretudo, vítima de lugares comuns.
Isto deve-se sobretudo à falta de material original sobre Emily Brontë. Segundo Claire O’Callaghan, autora da mais recente biografia da autora, “existe literalmente uma mão cheia de notas descuidadas, alguns esboços, quatro ‘Diários’ que escreveu com Anne, [dois anos mais nova do que ela,] uma mão cheia de ensaios que escreveu durante a sua estadia na Bélgica (conhecidos como devoirs) e os objetos da sua secretária para refletirmos sobre eles”. A maioria dos seus manuscritos perdeu-se ou foi destruída, havendo quem sugira que foi Charlotte que, na ânsia de construir a imagem das irmãs que considerava correta, terá queimado os papéis de Emily. Estes “itens preciosos”, “a base sobre a qual assenta o seu legado literário”, constituem “todo o material primário” que existe sobre Emily, e é com eles que “qualquer biógrafo tem trabalhar”.
A informação é tão escassa que ninguém consegue dizer ao certo como ela era. A par de algumas vagas descrições, feitas por quem a conheceu pessoalmente, existem apenas dois retratos “oficiais”, que foram considerados autênticos pela Brontë Society, responsável pela gestão do património das três irmãs: o “Pillar”, a famosa pintura de 1834 que mostra Charlotte, Emily e Anne lado a lado; e o chamado “Gun Group”, obra produzida provavelmente por volta da mesma data. As duas pinturas são da autoria de Patrick Branwell, o único filho de Patrick Brontë, que tinha ambições literárias e que gostava de pintar. Dos dois retratos, o “Gun” é o mais curioso. Apesar de ter sido originalmente uma pintura das três irmãs, conhece-se dela apenas uma parte, que se acredita conter uma representação de Emily (há, porém, quem defenda tratar-se de Anne). O resto do quadro foi destruído por Arthur Bell Nicholls, marido de Charlotte, que achava tratar-se de uma má representação da família.

O famoso retrato “Pillar”, pintado por volta de 1834 por Patrick Branwell Brontë. Este mostra (da esquerda para a direita) as suas irmãs Anne, Emily e Charlotte. A figura obscurecida do meio é o próprio Branwell, cujo significado ainda hoje se discute
Mal conservadas e de fraca qualidade, as duas pinturas pouco dizem sobre Emily. Além destas, as poucas descrições fidedignas dela — nomeadamente a que foi feita pela grande amiga de Charlotte, Ellen Nussey, num artigo publicado na revista ilustrada Scribner’s Monthly, em 1871 — permitem apenas saber que tinha o cabelo castanho, provavelmente ondulado, e que os seus olhos, “gentis”, eram claros, cinzentos ou azuis. Não existem fotografias dela, nem das suas irmãs, ainda que de vez em quando surjam alegadas imagens de Charlotte, Emily e Anne. A última apareceu em 2015. Sobre ela, John Sutherland escreveu no The Guardian: “Se esta é uma imagem verdadeira das Brontë, então eu sou o Heathcliff!”, numa referência à famosa personagem de O Monte dos Vendavais. “Será que esta pode ser uma fotografia das três irmãs Brontë?, perguntou Seamus Molloy, que comprou a fotografia por 15 paus no eBay. Ele devia pedir o dinheiro de volta. Nem vale a pena falar no óbvio. Tecnicamente, a fotografia foi claramente tirada mais tarde do que as morte trágicas das irmãs.”
Foi contra estas e outras suposições que Claire O’Callaghan decidiu escrever um livro sobre a escritora inglesa, que morreu com apenas 30 anos. Emily Brontë Reappraised. A view from the twenty-first century, publicado em junho pela Saraband, é, nas palavras da professora da Loughborough University, em Inglaterra, uma “espécie de biografia com um twist”, porque “revisita algumas das ideias dominantes que se formaram sobre Emily e lê-las de uma nova forma, do ponto de vista do novo milénio”. E estas não são poucos — embora pouco se saiba sobre ela, há muito que sua personalidade foi definida. Era teimosa ao ponto de se prejudicar a si própria, tinha um espírito selvagem, indomável e uma vontade de ferro; era tão antissocial que parecia sofrer de uma fobia e preferia a companhia dos animais — sobretudo do seu cão, Keeper — à dos humanos, o silêncio dos campos ao barulho da grande cidade. Houve quem dissesse que era mística, louca, e até quem a acusasse de ser uma fraude literária, já que a sua obra-prima teria sido escrita pelo irmão Branwell, e não por si. Tudo isto porque era mulher e um enigma para muitos.
Em Emily Brontë Reappraised, O’Callaghan tentou separar o trigo do joio, a verdade das muitas possíveis mentiras. E mais do que isso, tentou perceber se a poetiza e romancista de Yorkshire foi de facto “um mistério no seu próprio tempo”, ou se essa aura misteriosa, que persiste até aos dias de hoje, se deve simplesmente ao facto de ter sido “uma mulher à frente do seu tempo”, que os seus contemporâneos tinham dificuldade em entender. Talvez agora, em pleno século XXI e à luz da “cultura contemporânea”, seja finalmente possível saber quem foi Emily Brontë. É isso que a biografa espera ter ajudado a fazer.

A “filha dos campos”, criadora de monstros

A ideia de Emily como a mais estranha das “três irmãs estranhas” começou com Charlotte, a sua primeira “biógrafa e mitóloga”. Foi ela que, depois da morte das irmãs, decidiu tomar em mãos a tarefa de editar e divulgar as suas obras, publicando em 1850 um volume revisto dos seus romances de estreia, O Monte dos Vendavais e Agnes Grey. Este vinha acompanhado por uma “Biographical Notice of Ellis and Acton Bell”, escrita por si, sobre as duas escritoras. Foi nesta nota à edição da editora londrina Smith, Elder & Co., a primeira de carácter biográfico sobre Emily e Anne, que foi confirmado pela primeira vez e oficialmente género das autoras, que tinham assinado as obras com pseudónimos ambíguos por terem consciência do preconceito que existia em relação às mulheres escritoras. Isso levou a que, depois das primeiras edições de 1847, surgisse um debate entre leitores e críticos sobre se Ellis Bell (Emily) e Acton Bell (Anne) eram homens ou mulheres.
A “Biographical Notice” também foi importante por outro motivo. Neste texto, hoje famoso, Charlotte procurou descrever a personalidade das irmãs, justificando assim os romances que tinham escrito e que tantas críticas tinham recebido. Emily Brontë foi a que saiu mais prejudicada, uma vez que as afirmações da irmã mais velha ajudaram a criar muitos dos mitos sobre ela que persistem até aos dias de hoje. Segundo Charlotte, Emily tinha uma “cultura pouco sofisticada, gostos naturais e um exterior modesto”, mas um “poder e fogo secretos” tão grandes que eram capazes de alimentar as “veias de um herói”; não era flexível, o que fazia com que muitas vezes tomasse decisões erradas, que acabavam por a prejudicar, “o seu temperamento era magnânimo, mas quente e inesperado” e “o seu espírito indomável”. Através de uma crítica velada, suavizada por alguns elogios, Charlotte Brontë acusava assim a irmã de ser demasiado teimosa e querer fazer sempre tudo à sua maneira, sem que tivesse noção ou conhecimento da realidade. O seu espírito indomável fazia com que fosse difícil lidar com ela.
Anne também não escapou às críticas da irmã mais velha: no mesmo texto, afirmou que a escolha do tema para o segundo romance de Acton Bell, The Tenant of Wildfell Hall, publicado um ano antes da sua morte, tinha sido um “erro total”. Segundo O’Callagh, Charlotte chegou inclusivamente a pedir ao seu editor que não reeditasse a obra enquanto fosse viva. Hoje, The Tenant of Wildfell é considerado um dos primeiros romances feministas.

“Esta nota foi escrita porque senti ser um dever sagrado limpar o pó das suas sepulturas [de Emily e Anne], e deixar os seus nomes queridos livres de terra.”
Charlotte Brontë na “Biographical Notice” de 1850
Charlotte Brontë também escreveu, para o mesmo volume, um prefácio ao romance da irmã. Ainda que este tivesse alguns elogios, dando a entender que Charlotte não o considerava mau de todo, acabou por ficar marcado por uma tentativa por parte da autora de Jane Eyre de se distanciar dos elementos mais controversos de O Monte dos Vendavais, nomeadamente da personalidade violenta de Heathcliff, que chocou muitos críticos na altura. Ao fazê-lo, contudo, Charlotte criou uma imagem da irmã que não era a mais simpática. Descreveu-a como uma campónia que, devido à sua personalidade antissocial, tinha um conhecimento realidade do camponeses de Yorkshire que era muito semelhante ao que uma freira tinha das “pessoas que passam à porta do seu convento”.
Esta “filha dos campos” nunca teria escrito uma obra como O Monte dos Vendavais se tivesse tido a coragem de atravessar a porta de casa: “Sem dúvida que se ela tivesse sido colocada numa cidade, os seus escritos, se é que ela teria escrito alguma coisa, possuiriam outro carácter. Se Ellis Bell fosse uma senhora ou um senhor acostumado ao que se costuma chamar ‘o mundo’, a sua visão de uma região remota e sem dono e de quem lá vive seria muito diferente do de uma rapariga nascida e criada no campo”, afirmou Charlotte, que acreditava que o romance da irmã tinha várias falhas, também explicáveis pela sua origem. Afinal, Emily era “uma nativa e uma filha dos campos”, com “uma tendência para a reclusão”. “Raramente saía de casa, a não ser para ir à missa ou para dar uma caminhada. (…) A sua imaginação, que era mais sombria do que solarenga, (…) encontrou nestes traços material para produzir criações como Heathcliff, Earnshaw e Catherine. Ao criar estas criaturas, ela não sabe o que fez”, afirmou a escritora, concluindo: “Se é certo ou aconselhável criar coisas como Heathcliff, eu não sei”.
Como escreveu Claire O’Callagham, estas afirmações por parte de Charlotte parecem sugerir que a irmã era incapaz de controlar a sua imaginação selvagem, produzindo criaturas monstruosas como Heathcliff. Contudo, a especialista em literatura vitoriana não acredita que Charlotte tenha escrito o que escreveu por mal: “As coisas desagradáveis que ela disse não nasceram da antipatia ou da mesquinhez — foram escritas durante o luto e distorcidas para corresponderem a algumas das questões relacionadas com a reputação das irmãs depois das suas mortes e aos críticos que achavam que o trabalho delas era ‘grosseiro'”, disse ao Observador. “No entanto, acho que as pessoas terão a sua opinião em relação ao quão egoísta isso foi ou sobre o quão egoísta isso hoje parece. É definitivamente um assunto difícil e faz com que Charlotte pareça menos santa do que muitas vezes é descrita.”
Depois da morte das irmãs, Charlotte Brontë dedicou-se a divulgar o seu trabalho. Foi assim que se tornou responsável por muitos dos mitos que persistem ainda hoje sobre Emily

A doida e má irmã Brontë (de quem Elizabeth Gaskell não gostava nada)

A escritora foi também a principal fonte da hoje infame biografia de Elizabeth Gaskell, The Life of Charlotte Brontë. O livro, o primeiro sobre a autora de Jane Eyre, foi publicado em 1857, dois anos depois da morte de Charlotte, que tinha conhecido a autora em 1850. Incluía muitas citações diretas da escritora, mas apresentava uma versão algo lúgubre da vida da família — que Gaskell nunca conheceu mas de quem falou como se tivesse conhecido –, chegando ao ponto de acusar o reverendo Patrick de não deixar os filhos comerem carne. Charlotte era descrita como “genuinamente bondosa” e “verdadeiramente grandiosa”, em contraste com a irmã, quase selvagem. Segundo Gaskell, Emily Brontë era “extremamente reservada” e odiava estranhos, mas não era envergonhada como as irmãs. Tinha um “espírito livre e indomável”, e “nunca estava em ou feliz a não ser nos campos que havia em redor de sua casa”. Embora nunca a tivesse visto, Gaskell garantia que o que tinha ouvido era suficiente para chegar à conclusão de que não gostava dela: “Tudo o que eu, uma estranha, consegui apreender sobre ela, não me fez ter ou aos meus leitores uma boa impressão”, afirmou.
Este espírito “indomável” de Emily teria, segundo Gaskell, inspirado a Shirley do segundo romance de Charlotte. Publicado em 1849, Shirley conta a história de uma mulher que, depois de herdar uma quinta na zona de Yorkshire, consegue estabelecer a sua própria independência. Contrastando fortemente com Caroline Helstone, personagem que vive presa às convenções e à atmosfera opressiva da Inglaterra de então, Shirley é uma mulher diferente, com um nome geralmente atribuído a um homem (o seu pai queria um filho) e que até sabe usar uma arma — tal como Emily sabia. “Estes pontos dizem-nos que Emily era claramente uma mulher atípica. Ela rejeitava os traços geralmente associados com o feminino — como a passividade, emotividade, irracionalidade”, escreveu O’Callaghan. Claro que nada disto era visto com bons olhos na época vitoriana, como os comentários depreciativos de Elizabeth Gaskell tão bem indicam. Hoje seria diferente, contudo: os traços descritos por Charlotte em Shirley ou por Gaskell em The Life of Charlotte Brontë não seriam encarados como negativos, mas simplesmente fazendo “parte da personalidade de uma pessoa, que é multifacetada e complexa”, apontou O’Callaghan na sua biografia.

"A ideia de que era uma eremita com quem era difícil de lidar cimentou-se e tornou-se num estereótipo quando na verdade é uma exageração da figura desta mulher sossegada.”
Claire O'Callaghan, autora de "Emily Brontë Reappraised"
Estas primeiras descrições de Emily, feitas por Charlotte, ganharam raízes e, nas décadas seguintes, foram replicadas por inúmeros biógrafos que não tinham mais nada a que se agarrar. “A ideia de que era uma eremita com quem era difícil de lidar cimentou-se e tornou-se num estereótipo quando na verdade é uma exageração”, afirmou Claire O’Callaghan ao Observador, descrevendo a escritora como uma “mulher sossegada”. A par disto, a “caricatura mórbida que se desenvolveu depois da biografia de Gaskell– com Haworth descrito como um lugar sinistro e remoto e a casa como esconderijo soturno de um trio de solteironas mal-humoradas” –, que as suas cartas “inteligentes e por vezes engraçadas” desmentem, como referiu Blake Morrison num artigo publicado no The Guardian em 2011, também alimentou a ideia de que toda a família, e em especial Emily, sofria de problemas psicológicos. A provar os alegados distúrbios da autora de O Monte dos Vendavais estava um episódio descrito por Charlotte Brontë a Elizabeth Gaskell.
Em outubro de 1835, quando tinha 17 anos, Emily foi inscrita como aluna na escola de Roe Head, onde dava aulas. Regressou a casa apenas três meses depois, sendo substituída por Anne. A escritora terá sido incapaz de se adaptar à disciplina e à estrutura, mas a versão de Charlotte, citada por Gaskell, é bem mais dramática: “A liberdade era o ar que alimentava as narinas de Emily; sem ela, ela morreria. A mudança da sua casa para uma escola, e do seu modo de vida, muito silencioso, muito isolado, sem restrições e natural para uma rotina disciplinada foi o que ela não foi capaz de suportar. (…) Nesta luta, a sua saúde foi rapidamente destruída”. O seu rosto empalideceu, emagreceu e perdeu todas as forças. “Senti no meu coração que ela morreria se não voltasse para casa.”
Emily viveu a vida toda na casa da família em Haworth, Yorkshire, que só deixou por breves períodos. É aí que hoje funciona o museu dedicado às três irmãs Brontë
Não há forma de saber se, quando regressou a casa, Emily estava às portas da morte ou não. O que é certo é que foi o relato de Charlotte, citado por Gaskell, que “abriu caminho a muitas das interpretações pseudo-psicológicas que se seguiram”, como escreveu O’Callaghan. Nas décadas seguintes, a escritora foi acusada de sofrer de várias patologias, nomeadamente de agorafobia (medo de espaços públicos, que geralmente leva a que os doentes não queiram sair de casa), anorexia (distúrbio que se manifesta na recusa da alimentação) e Síndrome de Asperger (uma forma de autismo que afeta as capacidades de comunicação e relacionamento), ainda que não existam provas de que sofresse realmente de algumas destas doenças.
Para a autora de Emily Brontë Reappraised, “diagnosticar Emily com autismo, anorexia ou Asperger tendo como base observações casuais e informações duvidosas é quase impossível, sobretudo quando os dados que temos sobre ela são tão poucos”. A escritora de Yorkshire parece ter sido apenas alguém que gostava de passar tempo em casa, ocupada com os seus afazeres e com aquilo que lhe dava mais prazer — a natureza, a literatura e também o desenho.

Mulher estranha? Não, independente

Há uma imagem “muito forte” de Emily Brontë que persiste até hoje: a da mulher solitária, que os habitantes de Haworth costumavam ver a caminhar pelos campos na companhia do seu cão Kepper. De acordo com Charlotte, era durante estes passeios que a irmã encontrava aquilo que lhe era mais caro — a liberdade. Emily era um “corvo que adorava a solidão”, que procurava na natureza todos “queridos encantos” que a faziam feliz, disse certa vez a autora de Jane Eyre, dando a entender que a irmã mais nova sofria de uma espécie de melancolia crónica que a levava aos campos. Para Claire O’Callaghan,  os passeios solitários da escritora têm outro significado: “Emily era um espírito independente num tempo em que a independência feminina não era bem vista culturalmente”, escreveu a investigadora na sua biografia, explicando que “é em parte por essa razão que ela é cruelmente descrita como singular e estranha”.
Emily Brontë sempre foi teimosa e muito independente. Em 1838, viu-se envolvida numa situação muito semelhante à de Roe Head, quando aceitou um emprego como professora na escola de Miss Patchett em Law Hill, em Halifax, que abandonou apenas cinco meses depois. Ao que parece, não terá gostado da “formalidade de aprendizagem e de educação” do estabelecimento de ensino, segundo O’Callaghan. Decidida a fazer as coisas à sua maneira, uma vez regressada a Haworth, começou a planear abrir uma escola com as irmãs. Foi com isso em mente que viajou com Charlotte até Bruxelas, onde ingressou no Pensionnat Héger, um “estabelecimento de ensino para jovens senhoras”, para melhorar o seu francês. Mas, mais uma vez, Emily não se deu bem com a ordem estabelecida — a escritora não gostava dos métodos de ensino do professor, M. Constatin Héger, e fazia questão de lho dizer. Héger, contudo, viu na inglesa algum potencial. Anos mais tarde, elogiou a sua imaginação e sua “vontade imperiosa”.
A estadia das irmãs na Bélgica foi interrompida com a súbita notícia da morte de Elizabeth Branwell, a tia que tinha assumido o papel de matriarca da família depois da morte da mulher de Patrick Brontë, em 1821. Emily recebeu 300 libras de herança e decidiu desistir de vez da carreira de professora, uma das poucas acessíveis no século XIX a uma mulher, e ficar a tomar conta da casa, que até então era responsabilidade da tia. É justo questionar o porquê de alguém tão independente ter escolhido dedicar o resto da sua vida às lides domésticas, mas é muito provável que a decisão de Emily tenha sido ponderada. Como escreveu Claire O’Callaghan:  o seu lugar “pode ter sido firmemente colocado na esfera doméstica, mas a sua decisão deu-lhe controlo sobre o seu próprio tempo. Podia continua a aprofundar conhecimento em várias matérias e escrever até o seu coração estar satisfeito desde que fizesse as suas tarefas, claro”. E foi precisamente isso que fez: começou a estudar alemão e a transcrever os seus poemas para dois cadernos diferentes. Nunca se poderá saber com toda certeza, mas talvez O Monte dos Vendavais nunca teria existido se Emily não se tivesse tornado na senhora da casa.

"Às vezes aceitamos facilmente a informação que nos é transmitida em vez de pensarmos criticamente sobre o material. É isto que acontece com as biografias. São lidas como se fossem factos em vez de uma interpretação do autor."
Claire O'Callaghan, autora de "Emily Brontë Reappraised"
Esta é uma das razões pelas quais Emily, ao contrário de Charlotte e Anne, nunca foi vista como uma feminista. Claire O’Callaghan acredita que isso não corresponde à verdade e tentou mostrá-lo no seu livro.“Charlotte e Anne fizeram aquilo que reconheceríamos como grandes afirmações ‘feministas’ e isso significa que são mais facilmente encaradas como escritoras feministas do que Emily. Isto não significa que Emily não era uma feminista; em vez disso, mostra-nos que precisamos de reconhecer como o feminismo de uma pessoa se manifesta de outras maneiras”, afirmou a investigadora ao Observador, explicando que o feminismo de Emily Brontë se manifestou de diversas formas, em diferentes formados.
“Ela escreveu e criou um mundo imaginário em verso liderado por mulheres durante toda a sua vida [Gondal], ela lutou diariamente contra as ideias antiquadas de feminilidade e que ela, juntamente com as suas irmãs, escreveu sobre a forma como o género, a sexualidade e as normas sociais restringiam a vida das mulheres”, disse O’Callaghan. Por exemplo, “a narrativa de Isabella Heathcliff em O Monte dos Vendavais oferece um comentário importante à violência doméstica no século XX que permanece ainda válido nos dias de hoje”.
A secretária de Emily Brontë é um dos poucos objetos da escritora que se encontram conservados. Hoje está exposta na antiga casa da família, em Haworth, transformada em museu
Tudo isto leva à pergunta óbvia e necessária: se muito do que se pensa, se diz e se escreve sobre Emily Brontë é baseado em preconceitos antigos, por que é que, passados 200 anos, a escritora não é encarada de outra forma? “Acho que quando as ideias se enraízam e se tornam aceites como ‘factos’ em vez de ‘opiniões, ou menor, como ‘opiniões tendenciosas’, isto acontece. Às vezes aceitamos facilmente a informação que nos é transmitida em vez de pensarmos criticamente sobre o material. É isto que acontece com as biografias. São lidas como se fossem factos em vez de uma interpretação do autor”, explicou Claire O’Callaghan. “Foi por isto que não quis escrever uma típica biografia, mas um livro mais vasto que olhasse para Emily tematicamente e que reunisse as ideias e as imagens conflituosas que temos sobre ela.”
Nesse sentido, a professora de literatura inglesa espera que Emily Brontë Reappraised inspire uma nova abordagem da vida da autora de Yorkshire, e que “os leitores se sintam inclinados a pensar em abordar Emily de uma forma mais empática. Ela, como todos os seres humanos, não era perfeita, mas não era a eremita irada em que foi transformada. Não ouvimos o suficiente sobre outros traços seus e qualidades — o seu lado carinhoso, em particular –, por isso espero que comecem a olhar para ela de uma forma mais redonda”. Está na altura de Emily sair a sombra das irmãs, menos “estranhas” do que ela.
A imagem da capa mostra o retrato “Gun Group”, pintado por Branwell Brontë e parcialmente destruído pelo marido de Charlotte Brontë, Arthur Bell Nicholls. A pintura faz hoje parte da coleção da National Portrait Gallery, em Londres
Fotografias de OLI SCARFF/AFP/Getty Images e Christopher Furlong/Getty Images



https://observador.pt/especiais/200-anos-depois-quem-e-emily-bronte/?fbclid=IwAR2ge_yl-j8RrjTH7ZQznQeNxLElaoBNZ4H7_A3q-QyO4BF8Lovlw6ho3Y8

15/11/2018

5.769.(15noVEMbro2018.9.9') Colónias...Colonialismo...

***

Intervenção de Mário Moutinho de Pádua, Médico, Seminário: «África – desafios do desenvolvimento, do progresso social e da soberania»

O PCP e a guerra colonial

O Partido Comunista Português manteve-se ao longo da sua história fiel à concepção expressa lapidarmente por Lenine : o povo de um país que coloniza outros povos não pode ser livre. A independência das colónias portuguesas foi uma das linhas de força do programa de acção do PCP e um dos primeiros objectivos da transformação que definiu como necessária muito antes do 25 de Abril.
Alguns africanos mal informados, e muitos inimigos do PCP, tentaram lançar dúvidas sobre essa posição de princípio, mas Agostinho Neto, Amílcar Cabral, Samora Machel, Vasco Cabral, para citar apenas alguns dos já falecidos entre os maiores dirigentes da luta de libertação nacional, deixaram-nos testemunhos bem claros sobre a ajuda fraternal do PCP à luta dos povos coloniais. As consequências da evasão de Neto e Vasco Cabral de Portugal num barco pilotado por membros do PCP não devem ser subestimadas.
Já o jornal “Avante”, série II, nº 10, Agosto de 1935 definia o caminho que o PCP sempre havia de trilhar: “A nossa posição face a uma nova partilha dos territórios africanos pelo imperialismo europeu é a posição de todo o Leninista : lutar contra o imperialismo capitalista, pela libertação dos povos coloniais e em favor do reconhecimento a estes povos do direito a se governarem a si próprios”.
Por isso quando alguns insinuam que só em 1957, no V Congresso do PCP, se afirma pela voz de Jaime Serra, um dos seus dirigentes, “o direito à independência imediata e sem condições das colónias da África Portuguesa” , estão a cometer uma injustiça.
É verdade que na sua luta contra o fascismo, o PCP lutou infatigavelmente pela unidade das forças antifascistas e que alguns documentos das organizações unitárias em que se incluía sempre em minoria, defenderam o colonialismo, mas isso nunca impediu o PCP de sustentar e reafirmar a sua própria linha de acção.
Outro argumento esgrimido contra o PCP foi o desencadeamento da luta armada em Portugal.
O PCP não considerava criadas as condições para o desencadeamento de uma guerra de guerrilha, o que gerava certa impaciência em alguns dos militantes dos movimentos de libertação das ex-colónias porque desconheciam a realidade portuguesa.
O PCP previu que uma iniciativa desse género poderia levar à destruição da organização do Partido, sem nenhuma vantagem real nem garantias de continuidade. Um golpe militar, para onde certas forças portuguesas nos queriam empurrar, sem um poderoso movimento de massas a apoiá-lo, não redundaria em mais do que numa mudança nos nomes dos senhores que dominavam o país.
A insurreição nacional armada era a meta a atingir e para a preparar o PCC desenvolveu uma acção paciente, à custa de milhares de presos e torturados, de demasiados assassinados e de inúmeros perseguidos. Esse longo e difícil trabalho incluiu a participação de comunistas na luta clandestina dentro das Casas dos Estudantes do Império, ao lado de importante dirigentes africanos.
Quando a situação foi considerada madura, o PCP criou a ARA, a qual desenvolveu acções armadas favoráveis aos povos colonizados – muitos helicópteros destruídos, sabotagens dos navios, etc.
A deserção foi outro tema de aceso debate e estou à vontade para abordar o assunto porque desertei na zona de guerra, em Angola, com um camarada, o Alberto Pinto e mais tarde pude oferecer os meus serviços de médico ao PAIGC como comunista e portanto internacionalista. Nos movimentos de libertação pensou-se inicialmente que deveríamos apoiar a deserção de soldados armados. Essa política não podia frutificar em grande escala.
O PCP apelou sim à deserção colectiva – e ela concretizou-se nas centenas de milhares que se escaparam para o estrangeiro - mas tão pouco deixou de salientar o valor da permanência dos nossos militantes entre os soldados como factores de esclarecimento contra a guerra colonial.
E esse não foi o menor contributo prestado pelo PCP pois teve sem dúvida influência na crescente tomada de consciência dos chamados capitães de Abril, consciência que, em uníssono com a explosão do povo português, permitiu que o 25 de Abril não se tornasse um simples golpe entre militares, mas assumisse os contornos da insurreição nacional armada que pretendíamos.
Deste modo a luta dos povos africanos convergiu com a nossa e o 25 de Abril ganhou a dimensão revolucionária que levou à rápida cessação da guerra e em breve à independência dos colonizados, à supressão da PIDE, à democracia, às nacionalizações, à reforma agrária e a outras conquistas.
Por isso podemos concluir que o PCP e os verdadeiros movimentos de libertação – o MPLA, o PAIGC, a FRELIMO – (excluo os que serviram o colonialismo e o imperialismo, isto é, a UNITA, a FNLA, a FLING, a RENAMO), conjugaram os seus esforços e conseguiram que uma parte do mundo desse passos de gigante, mesmo se hoje os recuos e as desilusões nos entristecem.
 http://www.pcp.pt/o-pcp-e-guerra-colonial
***

O PCP e a questão colonial

por J. M. Costa Feijão [*]


  « (...) essa ( guerra ) não é a de todos.
Cá uns irão por desejo de honra,
outros com esperança de ganho
e os mais, que são peões e gente meúda
(...) irão arrenegando, forçados de vosso medo,
sem a limpeza e liberdade das vontades»

(palavras do Infante D. João ao rei D. Duarte
quanto à projectada passagem à África, na
década de 30 do sec. XV)
Desde a sua fundação, o Partido Comunista Português assumiu uma atitude clara no debate nacional da «questão colonial» , reivindicando um posicionamento de solidariedade fraterna e militante para com as massas trabalhadoras colonizadas. E, nas suas bases orgânicas aprovadas em 1921 consta, entre outras alíneas:

e) preparação e promoção da emancipação completa dos povos indígenas das colónias.
(Base 2.ª, Capítulo I - Partido Comunista Português - Seus fundamentos e fins)

Fazendo desta linha um autêntico pau-de-fileira em matéria de política colonial, a primeira Junta Nacional do PCP reuniu em 6 de Abril de 1921, e analisando a situação em São Tomé e Príncipe, lavrou «um veemente protesto contra a repressão de que estavam a ser vítimas os trabalhadores da colónia» .

Este apontamento não regista um acto isolado, mas testemunha o início duma praxis internacionalista de 80 anos. É, a memorização de um facto, o primeiro, que liga de forma indelével, os comunistas portugueses às vitimas da exploração colonialista.

Passado um ano, em 31 de Maio 1922, o PCP difundiu na comunicação, social a seguinte nota oficiosa: «O Comité Executivo do PCP tomou conhecimento, na sua reunião de ontem, de que um movimento de emancipação indígena alastra na província de Angola, em virtude da opressão e exploração violentas ali exercidas pela ditadura imperialista de Norton de Matos tendo-lhe constado que, sob reserva, o governo português se dispõe à repressão, preparando uma expedição militar àquela colónia.
Nestes termos, o Partido Comunista, afirmando os altos princípios de igualdade emancipação das raças e a sua consequente oposição à escravatura negra, ainda hoje praticada pela civilização burguesa, lança o seu mais veemente protesto contra os negregados projectos ministeriais — e atendendo à gravidade do assunto, resolve reunir amanhã, em sessão extraordinária, à qual vão ser convidados a assistir representantes do Partido Nacional Africano ».

E, dando continuidade à defesa dos seus princípios, em Novembro de 1923, no Programa de Acção apresentado ao I Congresso afirmava-se: «O PCP dará todo o apoio às ligas, associações, partidos, etc., que tenham por fim a defesa da população das colónias portuguesas contra todas as extorsões capitalistas e estatistas. Defenderá as reivindicações de ordem política ou económica das colónias, combatendo as formas ainda existentes de escravidão mascarada.»

A denúncia do trabalho escravo em África, estava na ordem do dia. E, enquanto na Sociedade das Nações servia de pretexto a renovadas manobras de partilha do continente africano pelo imperialismo, e a burguesia nacional apelava à «mobilização patriótica» , em defesa dos seus interesses de classe e do património ameaçado, o diário sindicalista “A Batalha” de 27 de Novembro de 1925, publicava : «(...) pegar em armas para defender umas colónias que nunca nos pertenceram não é, nem pode, nem deve ser connosco».

Volvidos cinco séculos, a advertência do infante D. João, quanto à «gente meúda», arregimentada para o assalto à África, emergia, em letra de forma, na imprensa operária portuguesa.

* * *
Na primeira fase de ascenso e afirmação do regime fascista português, Salazar fez aprovar legislação, onde se admitia expressamente o «trabalho obrigatório» dos negros, integrado no seu projecto político alicerçado na Carta Orgânica do Império Colonial Português, e logo contestada pela Federação das Juventudes Comunistas, em Novembro de 1933: «A juventude explorada dos campos e das oficinas opõe ao ideal colonial o ideal anticolonial, oferecendo aos seus irmãos, que a burguesia imperialista explora e esmaga, a sua fraternal aliança como meio da sua libertação da metrópole e da burguesia local (...). Por ideal colonial, portanto, a juventude das fábricas só pode aceitar o que preconiza, e (...) faz parte do seu programa: Total autodeterminação dos povos coloniais e a sua inteira libertação do jugo da metrópole».

Tendo mergulhado na mais dura clandestinidade desde 1927, o PCP continuava a perseverar, contra tudo e contra todos, na luta pela fraternidade entre os povos, baseado no respeito pelas liberdades de cada um. E, a reafirmação dessa atitude seria mais uma vez proclamada na intervenção de Bento Gonçalves no VII Congresso da Internacional Comunista, em 1935, quando no elenco de tarefas dos comunistas portugueses inscreveu a: «luta pela defesa dos interesses dos povos coloniais oprimidos pelo imperialismo português, de ajudá-los a travar a luta até à sua completa libertação».

* * *
No informe político ao III Congresso do PCP, reunido em Novembro de 1943, a aliança com os povos coloniais voltaria a constituir tema de reflexão e debate dos delegados, tendo-se aí colocado, de forma inequívoca, a convergência de interesses das massas trabalhadoras portuguesas e das colónias na derrota do regime fascista : «A frente de luta anti-imperialista do povo português e dos povos das colónias, é somente possível se o proletariado português apoiar efectivamente os movimentos nacionais e de resistência contra a exploração e violência das colónias portuguesas, contra a burguesia imperialista portuguesa. O movimento emancipador dos povos coloniais está ligado à aliança fraternal do povo oprimido de Portugal com os povos escravizados das colónias, a aliança fraternal do proletariado português com as massas camponesas indígenas».

Prosseguindo o combate à mitologia gerada e nutrida com a sistemática ocultação da realidade colonial portuguesa pela classe dominante, o PCP denunciou a «missão civilizadora» do regime fascista e inventariou a perversidade dos processos repressivos e de exploração, no informe político presente ao IV Congresso, em Junho de 1946: «não é mantendo os povos coloniais em regime de escravatura benéfica a negreiros, não é mantendo as levas de escravos de colónia para colónia, condenando-os à morte pela natureza do trabalho, do clima e dos tratos que lhes são impostos, não é saqueando os pequenos agricultores indígenas, não é dando largas aos castigos corporais e desrespeito pela vida dos negros, não é hostilizando costumes e religiões, não é fomentando ideias de ódio racial – não é com uma tal política que se promove o desenvolvimento das colónias».

O início da derrocada dos impérios coloniais pós 1945, veio corroborar a linha e acção política do PCP. E, no espaço colonial português, cedo se manifestaram sinais de mudança, na falsa quietude da «paz salazarista» que o regime fascista procurava inculcar na consciência colectiva. Tornando-se o caso da Índia, uma questão central do colonialismo português na década de 50, desde a violenta rusga ao bairro dos pescadores de Mormugão na noite de Natal de 1950, até à invasão e integração dos territórios de Goa, Damão e Diu na República da Índia, em 18 de Dezembro de 1961.

Em vão, os comunistas portugueses fizeram sucessivos apelos para que o caso de Goa fosse resolvido, pacificamente, por meio da negociação e, cônscios de que a luta armada de libertação nacional dos povos africanos submetidos ao colonialismo português se prefigurava no horizonte, em Setembro de 1957, aprovaram a declaração seguinte:
«O V Congresso do PCP considera que estão hoje criadas as condições necessárias para que os povos das colónias de África dominados por Portugal conquistem a sua liberdade e independência, independentemente das modificações que se possam operar na situação política de Portugal.
O Congresso considera que a ajuda que o Partido e o povo português prestarem ao movimento libertador dos povos coloniais traduzir-se-á objectivamente numa ajuda à luta da classe operária e ao povo de Portugal pela sua própria libertação.»

Mas, o regime mantinha-se indiferente às profundas transformações que se operavam no Mundo. Apenas, numa mera operação de cosmética (1951), introduziu uma emenda à Constituição de 1933, onde a denominação «províncias ultramarinas» substituiu a de «colónias», e prosseguiu: silenciando com a chibata e valas comuns os protestos da população de São Tomé e Princípe (1953); ignorando o significado da Conferência de Bandung (1955); persistindo na repressão colonial, prendendo e deportando 49 timorenses para Angola; massacrando a tiro 26 estivadores grevistas do porto do Pidjiguiti, em Bissau; encarcerando 50 patriotas angolanos (1959); e metralhando o protesto das massas populares do Icolo e Bengo, em Angola, ou de Mueda, em Moçambique (1960).

Contra este quadro de bestialidade repressiva do colonialismo, o PCP foi a única voz que se fez ouvir, num comunicado da Comissão Política, em Novembro de 1960, que salientava a inevitabilidade histórica da abolição a curto prazo do regime colonial, e denunciava a tragédia iminente: «O Partido Comunista Português alerta o povo português contra os perigos duma guerra colonial, que o governo de Salazar prepara febrilmente, no único interesse dos grandes colonialistas e chama o povo português, em especial a juventude e as forças democráticas à luta contra a mobilização encapotada, pelo regresso das tropas que se encontram nas colónias e contra todos os preparativos de guerras coloniais» .

Quando, em 1961, a guerra de libertação nacional eclodiu, foi de novo a «gente meúda» arrebanhada pela mobilização militar que, em sucessivas vagas expedicionárias rumou à África, para defender os interesses do imperialismo monopolista, e sufocar pelas armas o grito de independência dos povos colonizados.

Nos anos que se seguiram, o PCP liderou de forma inquestionável, o protesto do movimento popular de massas contra a guerra colonial. A sua imprensa clandestina denunciou as atrocidades de que eram alvo os povos de Angola, da Guiné e Moçambique; contrariou as campanhas de desinformação e a manipulação das consciências orquestradas pelo regime fascista; assegurou a fuga da cadeia e o regresso à África de Agostinho Neto; possibilitou aos dirigentes dos movimentos de libertação a difusão de mensagens ao povo português, em entrevistas realizadas e transmitidas pela Rádio Portugal Livre e, já nos anos 70, as sabotagens da ARA desferiram rudes golpes na logística e no equipamento militar.

A solidariedade internacionalista do PCP objectivava-se na prática, e o Programa para a «revolução democrática e nacional» , aprovado no VI Congresso (1965), já integrara entre os oito objectivos fundamentais: «Reconhecer e assegurar aos povos das colónias portuguesas o direito à imediata independência».

Quando a descolonização foi anunciada como um dos objectivos do Programa do MFA, no 25 de Abril de 1974, Portugal assumiu a lógica da História. A derrocada do regime fascista consumara-se e com ele extinguia-se o colonialismo português.

Não foi o acaso que determinou a presença oficial do PCP como única formação política portuguesa presente em todas as cerimónias de reconhecimento ou proclamação da independência e soberania dos novos Estados africanos.

Contudo, o ciclo do colonialismo português não fora encerrado. A trama imperialista iria retardar durante longos anos a libertação do povo de Timor-Leste e, enquanto algumas destacadas figuras políticas nacionais afirmavam em 1974: “Timor é uma ilha indonésia que tem muito pouco a ver com Portugal” ou “a independência total é de um irrealismo atroz” , em 11 de Dezembro de 1975 o “Avante!” denunciava a agressão e ingerência da Indonésia: «O nosso Partido, a classe operária e todos os trabalhadores portugueses exigem que sejam respeitados os princípios de autodeterminação e independência que devem presidir à descolonização» .

Passaram-se vinte e quatro anos de apoio activo e solidário dos comunistas portugueses à luta de resistência do povo timorense, até este ser ouvido na escolha do seu caminho, a Independência!

Firme nos princípios e coerente nas acções, o PCP cumpriu o objectivo enunciado há 81 anos:

«emancipação completa dos povos indígenas das colónias»
[*] Historiador.
 https://resistir.info/palops/pcp_colonias.html
***
agHora a exploração dos poderosos
é feita de outro modo...Bem pior...Impera a guerra, as atrocidades, a miséria, a fome...
*

15 de Novembro de 1884: Tem início a Conferência de Berlim, cujo objectivo era a partilha das colónias africanas.

Convocada para 15 de Novembro de 1884, por iniciativa do chanceler prussiano Otto Von Bismarck, a Conferência de Berlim termina os seus trabalhos em 26 de Fevereiro de 1885. Os 14 países europeus presentes e os Estados Unidos põem fim aos conflitos coloniais que assolaram o continente africano. O rei dos belgas, Leopoldo II, obtém o Congo a título pessoal. A Grã Bretanha renuncia às suas pretensões sobre todo o território e assume a sua hegemonia sobre uma faixa que ia do Cabo da Boa Esperança até  ao Cairo e  Alexandria. A França vê-se contemplada com todas as terras ao sul do Saara e a Alemanha, a África do oeste. A Conferência de Berlim decide também sobre a livre navegação de navios cargueiros pelos rios Congo e Níger.

A Conferência de Berlim constituiu-se na ruína da África de muitas maneiras e não só apenas uma. As potências coloniais impuseram os seus domínios sobre o continente africano. À época da independência dos países africanos na década de 1950, os reinos e domínios receberam um legado de fragmentação política que poderia nem ser eliminada nem ser operada satisfatoriamente.
Em 1884, a pedido de Portugal, o chanceler alemão Bismark convocou uma reunião das maiores potências ocidentais para negociar questões controversas e dar fim à confusão sobre o controlo da África. Bismark aproveitou a oportunidade para expandir a esfera de influência da Alemanha, com um desejo mal dissimulado de forçar as potências rivais de lutarem entre si por territórios.

Por ocasião da conferência, 80% da África permaneciam sob controlo tradicional das metrópoles e de tribos locais, resultando, finalmente, do encontro uma miscelânea de fronteiras estabelecidas geometricamente que dividiu o continente em 50 países irregulares. Este novo mapa da África foi imposto sobre mais de mil culturas e regiões autóctones. A nova delimitação de países, porém, dividia grupos coerentes de pessoas e mesclava grupos dispares que na verdade não poderiam coexistir.
Catorze países estavam representados por vários  embaixadores quando a conferência se abriu: Austria-Hungria, Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Grã Bretanha, Itália, Holanda, Portugal, Rússia, Espanha, Suécia-Noruega (unificadas de 1814 a 1905), Turquia e Estados Unidos. Dessas 14 nações, França, Alemanha, Grã Bretanha e Portugal eram as protagonistas, controlando a maior parte da África colonial à época.

A tarefa inicial da reunião era estabelecer um acordo sobre as bacias e a foz dos rios Congo e Níger para que fossem considerados neutros e abertos à navegação comercial. A despeito da sua neutralidade, parte da bacia do Congo tornou-se domínio pessoal do rei Leopoldo II da Bélgica. Sob o seu governo, mais da metade da população local morreu.

À época da conferência apenas as áreas litorais eram colonizadas pelas potências europeias. Em Berlim deram-se "cotoveladas" para ganhar o controlo das regiões do interior. A conferência estendeu-se até 26 de Fevereiro, período de três meses em que os países europeus se degladiaram em torno de fronteiras geométricas, fazendo pouco das fronteiras linguísticas e culturais já estabelecidas pela população africana autóctone.

O toma-lá-dá-cá continuou. Em 1914, os cinco participantes de uma nova conferência dividiram entre si a África. A Grã Bretanha ficou com o Egipto, Sudão Anglo-egípcio, Uganda, Quênia, África do Sul, Zâmbia, Zimbábue (ex-Rodésia), Botsuana, Nigéria e Gana; À França coube muito da África ocidental, da Mauritânia ao Chade, mais Gabão e a hoje República do Congo.

A Bélgica e o rei Leopoldo controlaram a hoje República Democrática do Congo (Congo Belga). Portugal, por sua vez tomou Moçambique a leste e Angola a oeste. A Itália passou a dominar a Somália e uma porção da Etiópia, enquanto a Alemanha ficou com a Namíbia e a Tanzânia. À Espanha coube o menor território, a Guiné Equatorial, modificando toda a geografia da África, que a partir da década de 1950 teve grande maioria dos países livre do jugo colonial.
Fontes:Opera Mundi
wikipedia (imagens)
A Conferência de Berlim em gravura da época
O Congresso de Berlim, em gravura da época
Mapa de África Colonial em 1913.
  Bélgica
  França
  Alemanha
  Grã-Bretanha
  Itália
  Portugal
  Espanha
  Estados independentes
 https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2018/11/15-de-novembro-de-1884-tem-inicio.html?fbclid=IwAR1L5jX2EaVJ-2Kitz2vIvhYJN67PE91X5kf91bFr743hiDEJLgbHn8KdaM
***

14/11/2018

5.981.(14noVEMbro2018.9.9') Claude Monet

Nasceu  a 14noVEMbro1840...Paris
e morreu a 5DEZ1926...Giverny
***
Ir a Giverny...a propriedade onde ele morreu é monumento nacional...
***
Postei várias vezes:
 https://www.youtube.com/watch?v=1SQXw42wqBI
***
 "Eu quero pintar como um pássaro canta."
 "Todo mundo discute minha arte e finge entender, como se fosse necessário entender, quando é simplesmente necessário amar."
 "Todos os dias eu descubro coisas cada vez mais bonitas. É o suficiente para enlouquecer qualquer um. Eu tenho tal desejo de fazer tudo, minha cabeça está explodindo com isso."
 "Eu fico mais bravo e mais louco por devolver o que sinto."
 https://citacoes.in/autores/claude-monet/
***
14 de Novembro de 1840: Nasce o pintor francês Claude Monet
Pintor impressionista francês, nascido a 14 de novembro de 1840, em Paris, Claude Monet veio a tornar-se o líder do movimento impressionista. Em 1859 iniciava os seus estudos de arte, embora passando a maior parte do tempo no café juntamente com outros artistas e intelectuais. As novas descobertas no domínio da ótica apaixonaram Monet e os seus amigos e conduziram-nos para o ar livre, onde procuravam captar a luz e a atmosfera nos seus aspetos mais fugidios: o tremeluzir da água, um movimento das folhas, a passagem de uma nuvem.

Uma estadia em Londres na companhia de Pissarro e Sisley pode ter determinado definitivamente o percurso do Impressionismo. A luz difusa londrina exerceu uma grande fascinação sobre os três. Na primavera de 1874 fizeram uma exposição coletiva. Entre os participantes contavam-se Paul Cézanne, Auguste Renoir, Edgar Degas, Sisley e Pissarro. Nesta época, o grupo passou a ser conhecido pelo termo "impressionista", utilizado com uma conotação depreciativa numa crítica a uma paisagem de Monet, Impressão: Sol Nascente.

Depois de inúmeras dificuldades, em 1886 Monet pôde ver o seu trabalho recompensado financeiramente. Na década de 90, a Catedral de Ruão foi o modelo para uma série de quadros em que a mesma imagem era reconstituída, variando a atmosfera, a luz, a sombra, a estação do ano. Em 1892 instalou-se em Giverny, criando um jardim que serviu de inspiração a muitas das suas telas e aos famosos Nenúfares. Das viagens a Inglaterra e a Itália nos princípios do século resultaram as séries sobre o Tamisa e os canais e as catedrais de Veneza.Monet morreu a 5 de dezembro de 1926 em Giverny, na propriedade mais tarde considerada monumento nacional. De uma certa maneira, foi o mais fiel à estética impressionista, procurando captar em toda a sua obra o perpétuo movimento da luz na natureza. Isto correspondia à utilização de pequenas manchas separadas, que no conjunto restituíam toda a luminosidade do instante. Justapunha as cores tal como saiam do tubo, e o seu gesto tornou-se cada vez mais livre e fluido, de tal modo que as últimas telas foram consideradas por muitos críticos como meros esboços.

Claude Monet. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. 

Wikipedia (Imagens)

File:Claude Monet 1899 Nadar crop.jpg
Claude Monet em 1899 por Felix Nadar
File:Pierre August Renoir, Claude Monet Reading.jpg
Monet a Ler - Pierre Auguste Renoir
File:Sargent MonetPainting.jpg
Monet  a pintar  no bosque - John Singer Sargent
File:Claude Monet, Impression, soleil levant, 1872.jpg
Impressão, Nascer do Sol - análise da obra
Análise da obra:" Impressão, nascer do sol", de Claude Monet.
Impression, soleil levant, em português, Impressão, nascer do sol, é a mais célebre e importante obra de Claude Monet. É um óleo sobre tela, datado de 1872 (mas provavelmente realizado em 1873), que representa o nascer da manhã no porto de Havre, com uma névoa cerrada sobre o estaleiro e os barcos e as chaminés ao fundo da composição. O título da obra acaba por denominar o grupo dos pintores impressionistas.O termo impressionismo surgiu quando foi feita uma crítica a esta tela pelo pintor e escritor Louis Leroy: "Impressão, nascer do Sol” – eu bem o sabia! Pensava eu, justamente, se estou impressionado é porque há lá uma impressão. E que liberdade, que suavidade de pincel! Um papel de parede é mais elaborado que esta cena marinha." A expressão foi usada originalmente de forma pejorativa, mas Monet e os seus colegas adoptaram a designação de Impressionistas.
Em Impressão, nascer do sol, Monet interessa-se pela luz e os seus efeitos na natureza, pinta as coisas como as vê, e não como as imagina ou pressente, e privilegia a rapidez e espontaneidade do traço, em detrimento da precisão do contorno. As cores complementares – tonalidades de azul e laranja, são privilegiadas por Monet. Para os impressionistas, as cores influenciam-se mutuamente, e tons complementares dispostos lado a lado têm um maior realce. As pinceladas não apresentam contornos definidos, as formas são mais sugeridas do que representadas. Em “Impressão – Nascer do Sol”, as pinceladas são rápidas, pois a luz muda depressa e a referência visual perde-se. Os impressionistas, como Monet, evitam pintar de memória. Apesar da névoa encontramos representados, elementos do porto, como guindastes e navios. Os reflexos mostram o movimento das águas, que estão crispadas. A composição de “Impressão – Nascer do Sol”, plana e bidimensional, é influenciada pela arte japonesa. A obra encontra-se no Museu Marmottan-Monet em Paris ,depois de ter sido roubada em 1985 e recuperada em 1990.
Fontes: http://www.marmottan.fr/
abstracaocoletiva.com.br
wikipedia (Imagens)

 https://www.youtube.com/watch?time_continue=47&v=FPlW1H9m4dc
*
https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2018/11/14-de-novembro-de-1840-nasce-o-pintor.html?fbclid=IwAR1HF3zo8WcMtdKVWolgYvP3KYPwfbrTOFINWl-bb7NhbSZ32X1XdMm8wXE
***