07/07/2011

4.720.(7Jul12h34') Censos 2011

região de cister 7.7.2011
Alcobaça é o segundo maior concelho do distrito em habitantes


Crescemos, mas pouco. Ainda assim, foi o suficiente para que Alcobaça se tornasse no segundo maior concelho do distrito de Leiria em número de habitantes, ultrapassando Pombal. Um feito histórico, que significa maior peso e protagonismo no panorama regional.

O cenário nos concelhos de Alcobaça e Nazaré não é nada desolador, se tivermos em conta o panorama do distrito, onde apenas metade dos concelhos viram as suas populações aumentar. É o que revelam os dados preliminares divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) referentes aos Censos 2011, que decorreram entre Março e Abril.

Há mais 1.201 pessoas no concelho de Alcobaça do que aquelas que existiam em 2001, ao passo que no concelho da Nazaré, o crescimento demográfico cifrou-se em apenas 8 habitantes. Isto apesar de o número de famílias ter crescido em 446, passando de 5.515 para 5.961.

"Há tendência para as populações se radicarem onde há emprego", analisa a socióloga Isabel Rufino, que fala sobre os dados com cautela, uma vez que se trata de resultados preliminares e falta ainda apurar se se trata de um crescimento por migração ou por imigração. "Não sabemos se se trata de estrangeiros ou de portugueses, por exemplo", exemplifica Isabel Rufino.

A questão do emprego é fundamental para perceber a fixação das pessoas num determinado território. Essa é uma explicação avançada para o pouco crescimento da região, apesar de estar entre os que aumentou o número de pessoas. "Regista-se uma melhoria da empregabilidade no litoral, onde há turismo e melhores infra-estruturas. Isso faz a atractibilidade dos territórios", defende a investigadora da Benedita.

Apesar de registar resultados positivos, o grupo dos concelhos no distrito que apresentaram crescimento de população, a par de Peniche e da Nazaré, o município de Alcobaça foi, no distrito, dos que registou menor crescimento (ver quadro).

O aumento de 8 habitantes na Nazaré é explicado, uma vez mais, pela falta de emprego, a que se pode juntar o preço das habitações naquele concelho. "Se as pessoas não têm emprego no seu concelho, não vão optar por ali viver quando, ainda por cima, as casas são mais caras. Os casais naturais da Nazaré optam por comprar casa no sítio onde vão trabalhar", refere Isabel Rufino.

A população aumentou pouco, mas o número de famílias cresceu de forma significativa. Em Alcobaça, passou-se de 19.735 para 21.947 famílias, o que significa que há mais 2212 famílias que em 2001. Já na Nazaré, onde agora existem 5961 famílias, registou-se um crescimento de 446 agregados. "É uma consequência do aumento das famílias monoparentais", resume Isabel Rufino, referindo-se à quantidade de crianças que vivem e crescem com apenas um dos progenitores.
O número de habitações também aumentou nos dois municípios. Em Alcobaça, passou-se de 28.786, em 2001, para 35.050 alojamentos este ano, enquanto o número de edifícios aumentou de 23.352 para 26.981. Neste concelho, há 1.3 alojamentos em cada edifício (em 2001, a média era de 1.2).
Já na Nazaré, havia 6.042 edifícios e 10.055 alojamentos em 2001. Dez anos depois, há 7.657 edifícios e 12.212 alojamentos. A média de alojamentos por edifício é de 1.7 alojamentos por cada edifício, fazendo da Nazaré o município com mais alojamentos por imóvel, um número só igualado pelo concelho de Peniche.
À semelhança do País, onde há uma média de 92 homens para cada 100 mulheres, nos municípios de Alcobaça e Nazaré há diferença de género, com o feminino em vantagem numérica. Em Alcobaça, 51,5% da população é composta por mulheres, enquanto na Nazaré essa percentagem é ainda maior e se situa nos 52,1%. A diferença, no município nazareno era menor há dez anos, quando as mulheres representavam 51,4% da população. O mesmo se passou em Alcobaça, que em 2001 tinha 50,9% de mulheres no universo dos seus habitantes.
Ana Ferraz Pereira