Nasceu 1904
e morreu a 8ag1993
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José Saramago organizou
O POETA PERGUNTADOR

http://www.josesaramago.org/o-poeta-perguntador-antologia-de-armindo-rodrigues-organizada-por-jose-saramago/
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LIBERDADE
Ser livre é querer ir e ter um rumo
e ir sem medo,
mesmo que sejam vãos os passos.
É pensar e logo
transformar o fumo
do pensamento em braços.
É não ter pão nem vinho,
só ver portas fechadas e pessoas hostis
e arrancar teimosamente do caminho
sonhos de sol
com fúrias de raiz.
É estar atado, amordaçado, em sangue, exausto
e, mesmo assim,
só de pensar gritar
gritar
e só de pensar ir
ir e chegar ao fim.
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PORTUGAL, CRAVO VERMELHO
Em vinte e cinco de Abril,
em Portugal, de repente,
no ermo da madrugada,
floriram cravos vermelhos.
Já quarenta e oito anos
a treva nos tinha cegos,
quando da treva rasgada
floriram cravos vermelhos.
Veio a manhã que tardava.
Estava a longa noite finda.
Num rumor de asas de pombas,
floriram cravos vermelhos.
Desde os peitos dos soldados
aos peitos dos marinheiros,
nas próprias metralhadoras,
floriram cravos vermelhos.
Mal rompeu o dia novo,
logo por ruas e praças,
das cidades às aldeias,
floriram cravos vermelhos.
Quer nas mãos dos operários,
quer nas mãos dos camponeses,
no tempo de um pensamento,
floriram cravos vermelhos.
Nos olhos baços dos velhos,
na gralhada das crianças,
no enlevo das mulheres,
floriram cravos vermelhos.
Nas páginas dos escritores,
na atenção dos estudantes,
nas comoções da razão,
floriram cravos vermelhos.
Era um povo renascido
da morte em que estava morto,
em cujos gestos e gritos
floriram cravos vermelhos.
No sol, na lua, no vento,
nas searas, nos montados,
nos olivais, nas charnecas,
floriram cravos vermelhos.
Na voz das fontes e rios,
nas ondas do mar amigo,
nas penedias dos montes,
floriram cravos vermelhos.
No pão, no vinho, nos frutos,
de sangue e suor nutridos,
mais na fome e sede deles,
floriram cravos vermelhos.
No azul do céu profundo,
no branco leve das nuvens,
no canto alegre das aves,
floriram cravos vermelhos.
Na sombra vil das prisões
abertas de par em par,
dos irmãos delas libertos,
floriram cravos vermelhos.
Mas no Primeiro de Maio,
foi que, em todo Portugal,
Portugal todo floriu
num mesmo cravo vermelho.
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Homem,
abre os olhos e verás
em cada outro homem um irmão.
Homem,
...as paixões que te consomem
não são boas nem más
São a tua condição.
A paz,
porém, só a terás
quando o pão que os outros comem,
homem,
for igual ao teu pão.
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Elegia por antecipação à minha morte tranquila
Vem, morte, quando vieres.
Onde as leis são vis, ou tontas,
não és tu que me amedrontas.
...Troquei por penas prazeres.
Troquei por confiança afrontas.
Tenho sempre as contas prontas.
Vem, morte, quando quiseres.
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