| Mosteiro mostra mundo da chita de Alcobaça até Setembro | |
As Chitas são um elemento cultural importante para cidade e concelho de Alcobaça. Este património cultural está agora em exposição, até 11 de Setembro, no Mosteiro de Alcobaça, na Galeria de Exposições Temporárias. Esta exposição tem como objectivo "dar a conhecer ao público os padrões das chitas de algodão que levam pelo Mundo o nome de Alcobaça", de acordo com o director do monumento, Jorge Pereira de Sampaio. Esta iniciativa é ainda um sinal da preocupação da actual direcção em promover uma programação transversal sobre produtos característicos que transportam Alcobaça além fronteiras. | |
Na mostra podem ser encontradas cerca de 90 colchas de chita de Alcobaça e um conjunto de vestidos, não só do Grupo Cénico do Rancho do Alcoa, como também alguns dos mais representativos mostrados nos concursos de chita que tiveram lugar em Alcobaça. Além daqueles, ainda estão presentes os vestidos que foram criados pelo costureiro Augustus para a exposição que teve lugar no Brasil, em 2001 e 2002, além de um inédito do mesmo criador. Segundo o director, na exposição "Chitas de Alcobaça" ainda se tentou "reproduzir uma loja de tecidos ao gosto clássico", e apresentam-se também algumas fotografias dos comerciantes ligados aos têxteis em Alcobaça. Para Jorge Pereira de Sampaio, esta exposição é importante para o concelho, uma vez que se podem encontrar no mesmo espaço "um conjunto muito variado de colchas de colecções do Museu Nacional do Traje, de colecções particulares de Alcobaça e de fora e, pela primeira vez, cerca de dois terços da colecção da Casa-Museu Vieira Natividade". A temática das chitas (palavra que vem de chitra em Sânscrito, que significa variado) tem sido muito debatida, mostrada e apreciada ao longo dos tempos. Segundo o livro de Maria Augusta Ferreira, "De Gil Vicente às Colchas de Chita de Alcobaça", a cidade de Alcobaça foi, desde 1774 até meados do século XIX "um dos mais importantes centros de manufactura de fiação e tecelagem de tecidos de algodão do país". Porém, segundo a autora, "a tradição do tecido estampado de Alcobaça tornou-se num dos maiores enigmas da história da arqueologia portuguesa", uma vez que não existem provas documentais que sustentem "a existência de fábricas que produzissem chita dita de Alcobaça e de uma unidade fabril na vila que estampasse". Sobre esta matéria, Maria Augusta Ferreira salienta que no inquérito industrial de 1881 eram excluídas as fábricas com menos de 10 trabalhadores, onde poderia ser produzido o padrão que deu origem às célebres colchas de chita de Alcobaça, "que tanto podem ter sido confeccionadas com tecido fabricado em Portugal, como vindo de outro país da Europa, ou mesmo da Índia". No entanto, na informação institucional do Mosteiro sobre a exposição, é referido "as chitas de Alcobaça surgem nos finais do século XVIII através da existência de uma Fábrica de Lençaria nas imediações da ala sul do Mosteiro de Alcobaça, junto ao então Colégio de Nossa Senhora da Conceição". Este tecido de algodão estampado foi, desde sempre, utilizado para diversos fins. Desde a decoração ao vestuário, a chita serviu, ao longo dos anos, para a confecção de todo o tipo de peças. Embora não entre, actualmente, nos padrões da chamada decoração moderna, é certo que ainda hoje se continuam a produzir várias peças com este tecido de algodão estampado. Além de roupa e acessórios, fazem-se várias peças de decoração, como por exemplo, abajures, colchas, almofadas; têxteis de cozinha, como aventais, pegas, sacas do pão, toalhas de mesa e panos, entre outros elementos. De acordo com a mesma obra, existem vários tipos de chita "fina, grossa, para decoração e vestuário". O tecido caracteriza-se pela conjugação de flores, riscas, animais, frutos, figuras humanas, cestos, ânforas e várias cores. Tânia Roch |
11/08/2011
4.858.(11Ag11h8') Imperdível a exposição das Chitas d'alcobaça
região de cister d'hoje:
