excerto da última reunião de câmara:
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notícia DN 3.1.2013
03-01-2013
> Mosteiro de Alcobaça pode acabar na justiça > DN
A contestação formal à futura Zona Especial de
Proteção do Mosteiro de Alcobaça já foi entregue na Direção-Geral do
Património Cultural (DGPC). A autarquia, assim como um grupo de cidadãos
estão contra o alargamento dos atuais 250 mil m2 (abrangendo a zona
mais próxima deste monumento que integra a lista de Património Mundial
da UNESCO) para 900 mil m2.
Caricato nesta futura área de proteção é que, na zona nascente, o limite passaria a abranger parcialmente os terrenos dos supermercados Iidl e Pingo Doce e noutra parte inviabilizará a construção do Parque Verde da Cidade, previsto para a Cova da Onça.
"Esta proposta é absurda e não tem qualquer racionalidade histórica", afiança ao DN o atual presidente da Câmara Municipal de Alcobaça. Paulo Inácio acredita que, se esta proposta da tutela for por diante, o município vai recorrer aos tribunais para impedir tal alargamento, uma vez que "hipoteca o futuro e o crescimento da cidade".
O edil assevera que "o município de Alcobaça é a primeira entidade a querer proteger o património e tem sentido de responsabilidade e provas dadas no terreno". Análise diferente é a que faz em relação à tutela: "Assistimos até a omissões por quem tem obrigações por parte do Estado de zelar por esse património da humanidade."
A autarquia já apresentou a contestação e aguarda a decisão do organismo estatal. "Se a proposta em cima da mesa imperar, o município prevê encetar todas as instâncias em sede judicial. Todo o processo foi mal conduzido em termos de articulação com o município." Paulo Inácio invoca ainda "erros nos dados de cartografia" que sustentam a proposta de alargamento como mais uma situação incompreensível. "Houve uma celeridade processual incompreensível."
Ora, esta obra-prima da arte gótica cisterciense está ao abandono em mais de dois terços da área edificada do mosteiro. Ali, onde os túmulos de D. Pedro e D. Inês são chamariz para milhares de visitantes, há muitos outros recantos de impressionante escala a merecer restauro e requalificação. "Temos vindo a chamar a atenção para a degradação do património da humanidade e cientes das dificuldades do Estado para fazer investimentos, houve até uma petição da sociedade civil alcobacense para que uma das formas de rentabilização do património fosse através de concessão turística, uma pousada ou hotel de luxo, numa área que antes era um lar residencial, hoje não está lá ninguém e está a degradar-se."
Só dessa forma o mosteiro seria uma força motriz, "há anos que solicitamos uma ação nesse sentido. O Estado só tem de lançar o concurso público, porque há interessados". O autarca admite desconhecer se a UNESCO conhece ou não o estado de degradação do imóvel.
Não é apenas a autarquia a contestar este processo. Também o antigo presidente da câmara Joaquim Rui Coelho encabeça um grupo de cidadãos que fez chegar uma reclamação à atual diretora-geral do Património Cultural por causa da fixação da delimitação da alteração da Zona Especial de Proteção do Mosteiro de Alcobaça.
"É de lamentar que (...) os cidadãos não disponham de um período preliminar de participação preventiva ou de consulta pública", lê-se no documento a que o DN teve acesso, cujo signatário, o ex-autarca, contesta ainda "omissões, erros e desatualizações" da cartografia apresentada na proposta da Direção-Geral do Património Cultural. A seu ver, em vez do alargamento da Zona Especial de Proteção, crucial seria apostar na requalificação do imóvel classificado.
IGREJA
Esculturas de terracota são tesouro pouco divulgado
A igreja do mosteiro foi o primeiro espaço a ser construído dentro do complexo monástico. Estávamos em 1178. Com calcário, pedra da região, uma imponente nave central e naves colaterais deleitam hoje visitantes de todo o mundo. Damos entretanto um salto na história: Foi em 1957, por ocasião da visita da rainha Isabel II de Inglaterra que se colocaram os túmulos de D. Pedro e D. Inês no corpo transversal da Igreja. Mas é depois de entrar na enorme sacristia que se pode aceder a um dos maiores tesouros deste monumento classificado pela UNESCO em 1989: Eis-nos na monumental capela-relicário repleta de talha dourada (construída por D. Afonso VI). É um dos grandes núcleos de terracota do mosteiro.
Caricato nesta futura área de proteção é que, na zona nascente, o limite passaria a abranger parcialmente os terrenos dos supermercados Iidl e Pingo Doce e noutra parte inviabilizará a construção do Parque Verde da Cidade, previsto para a Cova da Onça.
"Esta proposta é absurda e não tem qualquer racionalidade histórica", afiança ao DN o atual presidente da Câmara Municipal de Alcobaça. Paulo Inácio acredita que, se esta proposta da tutela for por diante, o município vai recorrer aos tribunais para impedir tal alargamento, uma vez que "hipoteca o futuro e o crescimento da cidade".
O edil assevera que "o município de Alcobaça é a primeira entidade a querer proteger o património e tem sentido de responsabilidade e provas dadas no terreno". Análise diferente é a que faz em relação à tutela: "Assistimos até a omissões por quem tem obrigações por parte do Estado de zelar por esse património da humanidade."
A autarquia já apresentou a contestação e aguarda a decisão do organismo estatal. "Se a proposta em cima da mesa imperar, o município prevê encetar todas as instâncias em sede judicial. Todo o processo foi mal conduzido em termos de articulação com o município." Paulo Inácio invoca ainda "erros nos dados de cartografia" que sustentam a proposta de alargamento como mais uma situação incompreensível. "Houve uma celeridade processual incompreensível."
Ora, esta obra-prima da arte gótica cisterciense está ao abandono em mais de dois terços da área edificada do mosteiro. Ali, onde os túmulos de D. Pedro e D. Inês são chamariz para milhares de visitantes, há muitos outros recantos de impressionante escala a merecer restauro e requalificação. "Temos vindo a chamar a atenção para a degradação do património da humanidade e cientes das dificuldades do Estado para fazer investimentos, houve até uma petição da sociedade civil alcobacense para que uma das formas de rentabilização do património fosse através de concessão turística, uma pousada ou hotel de luxo, numa área que antes era um lar residencial, hoje não está lá ninguém e está a degradar-se."
Só dessa forma o mosteiro seria uma força motriz, "há anos que solicitamos uma ação nesse sentido. O Estado só tem de lançar o concurso público, porque há interessados". O autarca admite desconhecer se a UNESCO conhece ou não o estado de degradação do imóvel.
Não é apenas a autarquia a contestar este processo. Também o antigo presidente da câmara Joaquim Rui Coelho encabeça um grupo de cidadãos que fez chegar uma reclamação à atual diretora-geral do Património Cultural por causa da fixação da delimitação da alteração da Zona Especial de Proteção do Mosteiro de Alcobaça.
"É de lamentar que (...) os cidadãos não disponham de um período preliminar de participação preventiva ou de consulta pública", lê-se no documento a que o DN teve acesso, cujo signatário, o ex-autarca, contesta ainda "omissões, erros e desatualizações" da cartografia apresentada na proposta da Direção-Geral do Património Cultural. A seu ver, em vez do alargamento da Zona Especial de Proteção, crucial seria apostar na requalificação do imóvel classificado.
IGREJA
Esculturas de terracota são tesouro pouco divulgado
A igreja do mosteiro foi o primeiro espaço a ser construído dentro do complexo monástico. Estávamos em 1178. Com calcário, pedra da região, uma imponente nave central e naves colaterais deleitam hoje visitantes de todo o mundo. Damos entretanto um salto na história: Foi em 1957, por ocasião da visita da rainha Isabel II de Inglaterra que se colocaram os túmulos de D. Pedro e D. Inês no corpo transversal da Igreja. Mas é depois de entrar na enorme sacristia que se pode aceder a um dos maiores tesouros deste monumento classificado pela UNESCO em 1989: Eis-nos na monumental capela-relicário repleta de talha dourada (construída por D. Afonso VI). É um dos grandes núcleos de terracota do mosteiro.
> Publicado no Diário de Notícias a 3 de Janeiro de 2013