07/11/2013

7.125.(7nov2013.7.7') PCP comemora ao longo de 2017 centenário da Revolução de outubro

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PCP comemora
ao longo de 2017
centenário da Revolução de outubro
http://www.pcp.pt/videos/programa-das-comemoracoes-do-centenario-da-revolucao-de-outubro
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9dez2017.Porto.encerramento das comemorações do centenário...
http://www.pcp.pt/no-socialismo-que-trabalhadores-povos-encontrarao-resposta-para-suas-aspiracoes




É no socialismo que os trabalhadores e os povos encontrarão resposta para as suas aspirações


Encerramos aqui, na cidade do Porto, as Comemorações do Centenário da Revolução Socialista de Outubro - a primeira revolução vitoriosa que assume o objectivo da construção de uma sociedade nova, liberta da exploração do homem pelo homem - que, por iniciativa do PCP, se têm vindo a realizar em todo este ano de 2017.
Essa Revolução, esse heróico empreendimento que inaugurou uma nova época histórica - a da passagem do capitalismo ao socialismo – e que iria não só alterar profundamente a vida dos trabalhadores e do povo do País dos sovietes, mas promover e influenciar alterações profundas no mundo a favor dos trabalhadores e dos povos.
Essa Revolução que tomou nas mãos a tarefa de rasgar novos caminhos, nunca antes experimentados, materializando o milenar sonho de emancipação e de libertação de gerações de explorados e oprimidos.
Essa Revolução em que, pela primeira vez, a classe operária e os seus aliados conquistaram o poder, e com esse novo poder proletário e camponês conquistado encetaram um extraordinário processo de transformação e realização, onde milhões de seres humanos outrora excluídos e espoliados de qualquer intervenção política e social se tornaram protagonistas e obreiros do seu próprio futuro.
Esse feito notável realizado sob a direcção do Partido Bolchevique e de Lenine, confirmando a perspectiva política e ideológica apontada pela obra teórica de Marx e Engels.
Chegámos ao fim das comemorações concretizando um amplo programa de iniciativas que, com sucesso, desenvolvemos por todo o País. Realizámos centenas de debates, sessões político-culturais, exposições, sessões de cinema, produzimos vídeos, edições de obras significativas.
Promovemos um importante Seminário com aprofundadas reflexões e comunicações, abordando o amplo e variado leque de temas e que são um instrumento de trabalho para aqueles, que como nós, não desistiram de lutar e procuram na experiência passada, própria e alheia, positivas e negativas, os ensinamentos para os combates que temos pela frente.
Assinalámos o dia 7 de Novembro – o dia da Revolução - num ambiente de entusiasmo e grande confiança no futuro, confirmando e reafirmando a validade do socialismo e do comunismo como solução para dar resposta aos grandes problemas dos povos e da humanidade.
Chegámos ao fim das comemorações, mas não do combate pela afirmação dos nobres ideais e valores da Revolução de Outubro e das suas realizações. Um combate que vai inevitavelmente prosseguir, porque este património da luta dos trabalhadores e dos povos, esta primeira experiência de construção de um mundo novo e diferente, liberto da exploração, continua no centro da luta ideológica nas sociedades capitalistas contemporâneas e independentemente das adversidades que enfrentou, dos erros cometidos ou do retrocesso verificado continua a indicar a possibilidade de uma saída alternativa ao capitalismo. Uma saída, percorrendo certamente novos e diferentes caminhos, com novas e diferentes soluções, porque não há um modelo único de construção de socialismo. E é isso que os defensores do sistema de exploração – o grande capital e o imperialismo - temem.
Isso ficou particularmente patente no decorrer deste período comemorativo, também aqui no nosso País com a feroz campanha de mentiras e mistificações que desenvolveram e desenvolvem contra a Revolução de Outubro.
Assim procedem porque sabem quão justa e verdadeira é a consigna da Comemoração do Centenário da Revolução - “Socialismo, exigência da actualidade e do futuro”.
Sim, nós comemorámos a Revolução de Outubro mais do que virados para o passado, mas olhando essencialmente para o presente e para o futuro.
Comemorámos pelo que significou de realizações inéditas a favor dos trabalhadores e dos povos – as mais avançadas no processo de libertação da humanidade de todas as formas de exploração e opressão -, mas também e, particularmente, para afirmar que outro mundo é possível e que o capitalismo não é o sistema terminal da história da humanidade.
E não é porque simplesmente o afirmemos, mas porque o capitalismo não tem soluções para os problemas do mundo contemporâneo. Pelo contrário, a sua acção aprofunda todos os problemas e, por toda a parte, está permanentemente em confronto com as necessidades, os interesses, as aspirações dos trabalhadores e dos povos.
Corroído por uma profunda crise é a sua natureza exploradora, opressora, predadora e agressiva que vem cada vez mais ao de cima, com dramáticas e brutais consequências para a vida dos povos e para o futuro da humanidade.
Após a desintegração da URSS o imperialismo lançou-se numa violenta ofensiva ideológica, apresentando o capitalismo como um sistema superior e inultrapassável, ao mesmo tempo que anunciava uma nova ordem mundial, onde reinaria a democracia, a paz e o desenvolvimento harmonioso em todo o planeta.
Era o reino da abundância para todos os povos que se anunciava e proclamava com o capitalismo globalizado, agora em roda livre e sem condicionantes.
Nessa altura o PCP bem dizia quanto enganadores eram tais anúncios e proclamações, porque o capitalismo não iria mudar a sua natureza, como sistema de exploração. Ele continuaria marcado pelas injustiças, pelas desigualdades e pelos flagelos sociais. E a vida confirma-o.
Na verdade, o primeiro Estado socialista deixou de existir, mas não desapareceu nem a exploração, nem a luta de classes, e muito menos as contradições do capitalismo inerentes à sua natureza de classe, com o mundo exposto mais perigosamente à lógica exploradora e agressiva do grande capital.
E as consequências estão hoje à vista, mais de duas décadas e meia depois desses acontecimentos.
O proclamado reino da democracia e da abundância do capitalismo globalizado, está aí no aprofundamento das desigualdades sociais e entre países, no aumento da concentração da riqueza a favor do capital transnacional, no agravamento da exploração, do desemprego, da precariedade, no aumento das injustiças sociais, com brutais custos para os trabalhadores e para os povos.
O anunciado caminho do desenvolvimento, deu lugar à grande regressão que há muito está em marcha, em permanente agravamento com a ofensiva do grande capital contra os direitos laborais e sociais, os serviços públicos, a soberania dos povos.
O paraíso da abundância, do progresso e da paz foi imediatamente desmentido nos ex-países socialistas onde a restauração capitalista se saldou num enorme desastre económico e social. Mais de 100 milhões de pessoas atiradas para a pobreza em meia dúzia de anos; uma diminuição drástica da esperança média de vida; e uma gigantesca recessão com contracções do PIB e da produção industrial na ordem dos 50%.
No plano mundial os grandes números da situação social falam por si. Entre 1988 e 2011 os rendimentos do 1% da população mais rica do mundo (que detém hoje 99% da riqueza mundial) cresceu a um ritmo 182 vezes superior aos rendimentos dos 10% mais pobres. Sete em cada dez países do Mundo viram nos últimos 30 anos aumentar a sua desigualdade de rendimentos. Esta desigualdade disparou nos últimos cinco anos, conduzindo-nos a esse dado que tanto revela da natureza do capitalismo: 8 pessoas detêm a mesma riqueza que três mil e seiscentos milhões de pessoas, metade da Humanidade.
É essa natureza do sistema capitalista que faz com que, existindo recursos para garantir a alimentação, a saúde, o emprego e rendimentos à totalidade da população mundial, mais de 800 milhões de pessoas passem fome e um em cada três seres humanos viva oficialmente abaixo do limiar da pobreza definido pela ONU.
Mas enquanto assim é, o grande capital multinacional, as grandes corporações, fogem descaradamente aos impostos como o mostram os sucessivos relatórios que se vão conhecendo dos offshores, concentrando cada vez mais riqueza, ao mesmo tempo que impõem vergonhosas políticas fiscais a favor dos mais poderosos e mais ricos , como a que acaba de ser aprovada nos Estados Unidos da América de Trump, com o mesmo falso pretexto de incentivar o investimento que por aqui vimos nestes anos da troika e pela mão do PSD e CDS.
Hoje temos o mundo marcado por uma grande instabilidade e incerteza em consequência da violenta ofensiva exploradora e agressiva do imperialismo, contra todos aqueles que considera serem um obstáculo ao seus intentos.
O grande capital incrementa o ataque aos direitos sociais e económicos, às liberdades e direitos democráticos, à soberania nacional, promove valores retrógrados, reaccionários e anticomunistas, e promove e instrumentaliza forças de extrema-direita e de cariz fascista.
A escalada agressiva do imperialismo assume uma particular gravidade, particularmente do imperialismo norte-americano, que – no quadro dum imenso e contraditório processo de rearrumação de forças à escala mundial – procura contrariar seu declínio relativo e impor o seu domínio hegemónico, promovendo uma escalada de tensão e provocação, operações de ingerência e guerras de agressão por todo o mundo – numa espiral de violência que, se não for travada, conduzirá a Humanidade à catástrofe.
Toda uma evolução que confirma que o capitalismo está por toda a parte em permanente confronto com as necessidades, os interesses, as aspirações dos trabalhadores e dos povos. Que não é reformável, humanizável ou regulável!
São muitos os problemas e as dificuldades a vencer, mas é no socialismo e não no capitalismo que os trabalhadores e os povos encontrarão resposta para as suas aspirações de liberdade, igualdade, justiça, progresso social e paz.
Sim, o mundo precisa do socialismo! Ele é uma necessidade que emerge com redobrada actualidade na solução dos problemas da humanidade. Uma necessidade que exige ter em conta uma grande diversidade de soluções, etapas e fases da luta revolucionária, certos de que não há “modelos” de revoluções, nem “modelos” de socialismo, como sempre o PCP defendeu, mas sim, leis gerais de edificação socialista: poder dos trabalhadores, socialização dos principais meios de produção, planeamento - e, sobretudo, como elemento decisivo, a edificação de um Estado democrático que promova e assegure a participação empenhada e criadora das massas na edificação da nova sociedade.
E não é o facto de o empreendimento da construção da nova sociedade socialista se ter revelado mais difícil, mais complexa e mais acidentada do que nós, comunistas prevíamos, que se podem pôr em causa as suas realizações, a sua justeza e a sua necessidade.
Nas condições de Portugal, a sociedade socialista que o PCP aponta ao nosso povo, passa pela etapa que caracterizámos de uma Democracia Avançada, uma etapa que sendo parte integrante da luta pelo socialismo, a sua realização é igualmente indissociável da luta que hoje travamos pela concretização da ruptura com a política de direita e pela materialização de uma política patriótica e de esquerda que dá corpo a essa construção, num processo que não separa, antes integra de forma coerente o conjunto de objectivos de luta.
Também em Portugal a alteração da correlação de forças na situação mundial resultante do desaparecimento do socialismo como sistema mundial teve impactos profundamente negativos num País que tinha realizado uma Revolução com profundas transformações na vida dos portugueses.
A agenda do capitalismo dominante de liberalização, privatização e financeirização da economia, assumida de forma reforçada e ampliada pela política de direita de sucessivos governos do PS, PSD e CDS, conduziu à destruição das conquistas de Abril e em consequência ao agravamento de todos os problemas nacionais, com a liquidação que promoveu dos sectores estratégicos da economia, dos principais sectores produtivos nacionais e dos direitos laborais e sociais dos trabalhadores e do povo.
Uma política que haveria de acabar por entregar os destinos do País à intervenção estrangeira do FMI, União Europeia e Banco Central Eeuropeu com resultados ruinosos para o País e para a vida dos portugueses.
As consequências estão hoje patentes e perduram na sociedade portuguesa: regressão acentuada da capacidade produtiva do País; uma dívida pública sufocante; regressão drástica das condições de vida dos trabalhadores e do povo e dos seus direitos; agravadas vulnerabilidades estruturais que se expressam no plano produtivo, alimentar, energético, demográfico, de ordenamento de território, de infraestruturas e serviços públicos, que tornam Portugal numa nação extraordinariamente exposta a alterações adversas do quadro internacional.
Vulnerabilidades às quais se junta um conjunto de fortes constrangimentos, resultantes nomeadamente do Euro, que condicionam seriamente o desenvolvimento do País.
Agudos problemas, cuja solução reclama para sua superação uma política patriótica e de esquerda, como a que o PCP defende para o País.
Uma política que não está refém das imposições externas e dos interesses do grande capital como a que assume o actual governo minoritário do PS.
Uma política que tem como elementos decisivos, entre outros: a libertação do País da submissão ao Euro e à União Europeia; a renegociação da dívida pública para libertar recursos; a defesa e promoção da produção nacional e dos sectores produtivos, articulada com a valorização do trabalho e dos trabalhadores, como objecto e condição do desenvolvimento; a recuperação para o sector público dos sectores básicos estratégicos da economia; uma administração e serviços públicos ao serviço do povo e do País.
A Revolução de Outubro foi sempre, desde o seu primeiro momento, objecto das mais insidiosas e odiosas campanhas difamatórias. Cem anos passados e apesar do enorme esforço e empenhamento dos centros ideológicos do capitalismo internacional e da historiografia burguesa para diminuir a sua importância e apresentá-la aos olhos das actuais gerações como uma efeméride sem importância, a verdade é que, desmentindo-se a si próprios, vimo-los, neste tempo de passagem do Centenário, superando-se em meios e recursos, afadigados numa desmesurada cruzada anticomunista e contra a Revolução de Outubro.
Eles bem repetem que Outubro morreu, que nada já representa, mas para quem assim quer fazer que pensa, bem podia dispensar os quilos de papel e prosa que gastam a repisar mentiras e mistificações, o tempo gasto a construir fantasiosas histórias sobre a Revolução de Outubro.
Nós sabemos o que verdadeiramente os inquieta e os move. E o que os inquieta e os move, é saberem que a Revolução de Outubro é um acontecimento maior da história e que mesmo derrotada, tal como o havia sido a Comuna de Paris, permanece como semente de futuro que a luta dos povos há-de fazer germinar.
De facto, este tempo de passagem do Centenário tem sido pretexto para a difusão em grande escala do mais baixo e odioso anticomunismo. Por cá, assistimos, particularmente nos dias em volta da data do aniversário da Revolução de Outubro, ao avolumar do coro dos arautos da militância anticomunista com presença assídua no comentário e no editorial na comunicação social, martelando, à vez, os lugares comuns há muito fabricados nos laboratórios do anti-sovietismo, numa tarefa que contou com o concurso de “afamados” historiadores estrangeiros, escolhidos a dedo, como o senhor Orlando Figes, cuja neutralidade científica da sua obra se pode deduzir na parcialidade das opiniões que emitiram nas entrevistas que deram e nas estapafúrdias relações que estabelecem entre a Revolução e a realidade da vida internacional dos nossos dias.
Vimo-los a uns e a outros, a difundirem as mais torpes e estafadas mentiras não apenas para denegrir e diabolizar a Revolução de Outubro, mas os comunistas e o seu projecto, e até a deturpar deliberadamente o que de viva voz o PCP hoje afirma sobre o significado de tão marcante acontecimento.
Lá vieram as coçadas e estafadas teses do “golpe” de conspiradores, a Revolução produto de “aventureiros”, “um acaso” e não uma necessidade histórica, um acidente e não obra dos próprios trabalhadores e de um povo que com a sua luta abria as portas da sua própria libertação. Lá veio a tese mil vezes repetida do carácter particular e local da Revolução não repetível.
Mas o que assume um particular destaque, na campanha destes últimos dias é a concentração da invectiva contra Lenine e os primeiros anos da Revolução, numa tentativa de matar o ideal comunista no próprio berço.
Falam de uma violência brutal, uns de centenas de milhares mortos, outros de dezenas de milhões, responsabilizando Lenine e a Revolução, incluindo por uma guerra civil (1918-21) desencadeada pelo estrangeiro e pela contra-revolução interna. Falam de violência, condenando o agredido e absolvendo o agressor, omitindo descaradamente a contínua invasão militar estrangeira poucos meses após o nascimento da República dos Sovietes, de apoio e incitamento da contra-revolução interna à luta e liquidando em várias partes do território o poder soviético.
Na verdade, podia o novo poder revolucionário, alcançado praticamente sem que se desse um tiro, tomar como primeira decisão, propor a todos os beligerantes envolvidos na I Guerra Mundial negociações para se obter a paz, de uma forma justa e democrática, mas o que se difundia e difunde é uma vontade indómita de violência desse novo poder.
Podia o poder soviético aspirar e Lenine teorizar sobre a possibilidade do desenvolvimento pacífico da Revolução, mas o que a propaganda imperialista e a reacção internacional difundiam e hoje continuam a difundir, é a ideia de que a Revolução era intrinsecamente portadora do caos e da violência, porque o tinha inscrito no seu ADN.
Sim, houve muitas vítimas e o País dos sovietes atravessou dias difíceis, mas a responsabilidade não foi de Lenine, nem da Revolução, mas dos governos das principais potências capitalistas que organizaram a intervenção militar, em articulação com as forças da reacção interna.
A Rússia foi martirizada não por iniciativa do poder soviético, mas pela invasão de 14 países, pelas ofensivas, pelas revoltas subvencionadas, pelo bloqueio impiedoso do imperialismo.
A dimensão das campanhas contra a Revolução de Outubro tem uma primeira explicação: ela mostrou, pela primeira vez, a possibilidade de arrebatar o poder económico e político ao Capital e reorganizar a sociedade sem ser na base da exploração de classe. E, tão grande audácia não podia passar sem uma violenta resistência da classe dominante. São inúmeros os exemplos na história que mostram que as classes exploradoras nunca recuaram perante nenhum crime para defender o seu poder.
Bastaria apenas pôr os olhos no último balanço dado à estampa, pelo norueguês Jonh Galtung, fundador da disciplina dos Estudos da Paz, sobre a acção do imperialismo americano nos dois últimos séculos: lá estão mais de duas mil intervenções militares, por sua conta e exclusiva iniciativa. Contando apenas desde 1945, os EUA mataram mais de 20 milhões de pessoas em mais de 47 países.
Mas, nesta matéria de invectivar a Revolução e Lenine, o senhor Figes, o “aclamado autor britânico” assim classificado pelo anticomunismo caseiro e por ele erigido em expoente máximo do conhecimento sobre a Revolução de Outubro, é bem o protótipo da investigação preconceituosa e especulativa, assente em juízos fundamentalmente ideológicos e capaz das mais extravagantes extrapolações. Não se trata apenas da enviesada tese que afirma que a Guerra Civil foi um acto deliberado dos bolcheviques e um mecanismo que se tornou crucial nas Revoluções em todo o mundo. É o que dela deliberadamente se projecta como leitura da realidade de hoje.
A sua delirante conclusão de que nos nossos dias também o “ Daesh (o Estado Islâmico) é bolchevique” não é apenas opinião de um “artífice” da manipulação, tem como propósito deliberado promover a criminalização do comunismo e a sua identificação com terrorismo.
Mas a parcialidade deste e de outros refinados manipuladores da memória são as suas afirmações de que não há nada na Revolução que se possa reclamar como positivo.
Só a cegueira ideológica pode justificar não reconhecerem o vasto conjunto de grandes conquistas e realizações políticas, económicas, sociais, culturais, científicas e civilizacionais do socialismo na URSS.
Só uma deliberada opção ideológica pode escamotear o facto indesmentível da Revolução Socialista ter transformado a atrasada Rússia dos czares, um País com atrasos colossais, onde persistiam relações feudais, num País altamente desenvolvido, mais industrializado e socialmente mais avançado provocando efeitos extraordinários à escala planetária.
Só num processo de intenções ideológico se pode omitir o facto da Revolução e o poder soviético terem conseguido num curto período de tempo histórico, ter alcançado um significativo desenvolvimento industrial e agrícola, ter eliminado o desemprego, confirmando a superioridade da propriedade social e da planificação económica. Ter erradicado o analfabetismo e generalizado a escolarização e o desporto, garantiu e promoveu os direitos das mulheres, das crianças, dos jovens e dos idosos.
Tudo feito, apesar da intervenção de potências imperialistas, da guerra civil, do bloqueio económico e da sabotagem, de duas grandes guerras devastadoras.
Tanta abundante e profunda análise e conseguem escamotear que foi a pátria dos «sovietes», o primeiro País do mundo a pôr em prática ou a desenvolver como nenhum outro, direitos sociais fundamentais, como o direito ao trabalho, a jornada máxima de 8 horas de trabalho, as férias pagas, a igualdade de direitos de homens e mulheres na família, na vida e no trabalho, os direitos e protecção da maternidade, o direito à habitação, a assistência médica gratuita, o sistema de segurança social universal e gratuito e a educação gratuita.
A historiografia burguesa e os média dominantes omitem deliberadamente o que a propaganda imperialista a todo o custo esconde: o imenso contributo da URSS e do povo soviético para o avanço da luta emancipadora dos trabalhadores e dos povos, incluindo no apoio à conquista da independência de numerosas nações secularmente submetidas ao jugo colonial e o seu inquestionável papel de força mundial do progresso e da paz.
Victor Sebestyien, outra sumidade empenhada na reescrita da história que recorreu também ao anticomunismo doméstico, veio na mesma linha de criminalização da Revolução, proclamar do alto da sua cátedra que “a existência de Hitler e a II Guerra Mundial se devem à Revolução Russa”.
Nem mais, nem menos! E assim se lava e branqueia o criminoso papel do grande capital alemão e do próprio nazismo, a mais brutal expressão do fascismo e se reconstrói a história à imagem dos interesses dominantes. Assim se apaga a cumplicidade e apoio do grande capital alemão na ascensão do nazismo ao poder e do seu projecto que via no anti-comunismo e nacionalismo xenófobo nazi e no seu programa – de liquidação de liberdades e direitos democráticos, de militarismo e de expansão e domínio mundial –, o instrumento para concretizar a sua agenda de exploração, opressão e agressão.
Esta insultuosa e caluniosa ligação entre a Revolução e o fascismo, entre comunismo e fascismo tem outro objectivo - mostrar também que o projecto comunista é intrinsecamente perverso e anti-democrático.
Desde logo, transformando aquela que foi a mais democrática das formas de poder até então existentes – o poder dos trabalhadores, os sovietes, o voto universal, a participação directa, activa e criadora das massas no processo de construção da própria vida - num “totalitarismo” semelhante ao nazi-fascismo.
Isso, num tempo em que praticamente em nenhum país capitalista europeu ou americano, as grandes massas tinham direito a voto, apenas os proprietários e alguns estratos minoritários da população.
Neste afã de deturpação do projecto comunista que junta e equipara fascismo e comunismo, tentam a todo custo demonstrar uma incompatibilidade entre a Revolução de Outubro e a democracia, entre o socialismo e democracia, utilizando-a como uma arma de arremesso contra os partidos comunistas e revolucionários. Culpam a Revolução de Outubro de ser a portadora e conter em si os germes das desfigurações, erros e desvios por nós assinalados em congressos e não escondidos que conduziram à trágica derrota da URSS.
Mas como temos afirmado não é na Revolução de Outubro – a mais libertadora das revoluções contemporâneas – que se pode encontrar a origem do desaire que representou a destruição do socialismo na URSS, mas num “modelo” de construção do socialismo que, como temos afirmado, acabou por se afastar e contrariar o ideal e o projecto comunistas em questões fundamentais.
Não! O socialismo não é incompatível com a democracia. O socialismo precisa da democracia, da participação consciente dos trabalhadores e do povo para se afirmar e desenvolver. Não há socialismo sem a participação dos trabalhadores e do povo, o seu contributo, o seu empenhamento, a sua decisão, sem uma organização da sociedade com um funcionamento profundamente democrático.
É por isso que no centro do projecto político do PCP e para todas as fases e etapas do processo de desenvolvimento da sociedade portuguesa está a concretização da democracia nas suas vertentes política, económica, social e cultural, no quadro de um sistema político assente num Estado democrático representativo e participado.
Um projecto garantido e alicerçado na história quase centenária deste Partido Comunista Português em defesa da liberdade e da democracia e ao serviço dos trabalhadores e do nosso povo.
A campanha e o ataque sistemático ao ideal e ao projecto comunistas conduzido pelos centros de produção e reprodução da ideologia dominante só se coloca na dimensão que temos visto, por que a sociedade que a Revolução de Outubro projectava e construía é uma necessidade histórica.
E por muito que os defensores do sistema de exploração o apregoem, o século XX, como afirmava Álvaro Cunhal, “ não foi o século do ’fim do comunismo’, mas sim o século do ‘princípio do comunismo’ como concretização e edificação de uma nova sociedade para o bem do ser humano”.
Estamos a chegar ao fim das comemorações do Centenário da Revolução Socialista de Outubro, dessa Revolução que rasgou os caminhos para a construção de uma sociedade nova nunca antes conhecida pela humanidade.
Essa Revolução de memórias de lutas e de sonhos, de emancipação dos explorados e oprimidos, portadora de um vivo desejo de futuro e que hoje nos continua a dizer que outro mundo mais justo é possível!
Essa Revolução que permanece como fonte de inspiração para as lutas que hoje travamos fazendo frente à ofensiva do grande capital, do imperialismo, do lado dos trabalhadores e dos povos pela conquista da sua emancipação social e nacional.
Comemorámos Outubro, honrando e homenageando os seus obreiros e o seu imenso contributo para o avanço da luta emancipadora dos trabalhadores e dos povos, e reafirmando o seu carácter universal.
Comemorámos Outubro apresentando o acervo de realizações, conquistas e transformações progressistas que pela acção dos comunistas marcaram o último século, envolvendo todo o planeta.
Comemorámos Outubro reafirmando não apenas a validade do socialismo como solução para dar resposta aos grandes problemas dos povos e da humanidade, mas demonstrando a necessidade e possibilidade da superação revolucionária do capitalismo pelo socialismo e o comunismo.
Comemorámos Outubro e a sociedade que dela emergiu e se afirmou como uma força mundial da paz e da amizade entre os povos.
Comemorámos Outubro afirmando e valorizando o papel da classe operária, dos trabalhadores e dos povos, da sua unidade, organização e luta no processo de transformação social e, particularmente, o papel histórico da classe operária e dos seus aliados nessa realização pioneira e no porvir da sociedade nova, sem classes sociais antagónicas e liberta da exploração do homem por outro homem.
Comemorámos Outubro tendo presentes os seus êxitos e derrotas, reflectindo, colhendo e utilizando os ensinamentos dos complexos processos de edificação da nova sociedade que se desenvolveram pisando terreno desconhecido e novo.
Comemorámos Outubro reafirmando a determinação inabalável do PCP de lutar para que o socialismo se torne uma realidade do amanhã do povo português.
Saímos destas Comemorações mais fortalecidos, mais conhecedores e mais convictos da justeza da nossa luta.
É municiados com a avaliação que fazemos da Revolução de Outubro e com as experiências de cem anos de luta dos comunistas e revolucionários de todo o mundo que em Portugal continuaremos a luta pela afirmação do ideal e o projecto comunistas.
É munidos com a experiência acumulada pelo movimento comunista ao longo de cem anos de luta que afirmamos com orgulho a independência e a identidade de classe do nosso Partido, a sua ideologia marxista-leninista, a sua natureza patriótica e internacionalista.
Um Partido Comunista que não abdica de o ser, determinado, combativo, consciente do seu papel, firme no seu ideal e na afirmação do seu projecto transformador e revolucionário, e que tem sempre presente no horizonte da sua acção e intervenção a construção da sociedade nova – o socialismo, condição de futuro inseparável da plena libertação e realização humanas.
É com a profunda convicção de que o socialismo e o comunismo são o futuro da humanidade que continuamos a nossa luta, firmemente conscientes que o futuro se constrói e conquista com a luta dos trabalhadores e do povo!
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17noVEMbro2017
18h30': abertura da exposição na Benedita

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CAFÉ CENTRAL
20 h
JOÃO FERREIRA: “A UE FALSIFICA A HISTÓRIA PARA EQUIPARAR COMUNISMO E FASCISMO”
O Parlamento Europeu realizou no dia 15 em Estrasburgo um debate sobre o legado da “totalitária” revolução bolchevique de 1917, uma discussão que segundo o eurodeputado João Ferreira, do Partido Comunista Português (PCP), se produz no âmbito de uma operação de “falsificação histórica” promovida pelas instituições comunitárias para equiparar o nazismo com o comunismo.
“Este debate, suscitado pelo Partido Popular Europeu (PPE), deve ser visto no contexto da operação de reescrita da história promovida pela União Europeia”, disse João Ferreira numa entrevista à Sputnik.
O eurodeputado português considera que as instituições comunitárias estão a promover de forma “activa” uma série de narrativas “inaceitáveis” que pretendem “equiparar o socialismo e o comunismo com o nazismo e o fascismo” apesar do facto de serem “sistemas antagónicos”.
Nesse sentido, João Ferreira recorda que, juntamente com outros antifascistas e democratas, o povo da União Soviética teve um “papel determinante” na derrota da “barbárie nazi-fascista em que o mundo mergulhou”, pagando com o seu esforço “mais de 20 milhões de mortos” na Segunda Guerra Mundial.
Além disso, o representante do PCP opina que o auge do fascismo e do nazismo na Europa só foi possível graças à “simpatia” e “cumplicidade” das “classes dirigentes das grandes potências capitalistas”, que no seu modo de ver pretendiam utilizar estes movimentos como arma de arremesso contra a União Soviética.
“O fascismo é uma forma de imposição brutal do poder dos monopólios a que o capitalismo recorre sempre que se sente ameaçado e que tem condições de exercê-la”, afirmou o eurodeputado.
Na opinião de João Ferreira, o objectivo dos actores conservadores que promovem as narrativas que equiparam o comunismo ao nazismo é “ocultar as transformações sociais” propiciadas pela “luta dos trabalhadores e dos povos de todo o mundo”.
“Perante a crescente afirmação da UE como bloco federalista, neoliberal e militarista, como pilar europeu da NATO, as forças dominantes no Parlamento Europeu pretendem a todo o custo suprimir o exemplo da Revolução de Outubro e a sua importância na conquista de direitos, nos avanços civilizadores a que abriu caminho”, acrescentou.
Entre esses avanços, enumerou o eurodeputado, encontram-se questões como a promoção dos direitos das mulheres, a instauração da jornada de trabalho de um máximo de 8 horas, as férias pagas, a educação gratuita ou a criação de sistemas de segurança social.
Também nessa operação de revisão histórica, o eurodeputado português denuncia tentativas de “impedir a liberdade de expressão de outras visões e opiniões” nas instituições comunitárias.
“Por essa razão se tentou impedir a realização da exposição organizada pelos deputados do PCP sobre a Revolução de Outubro, no que só pode ser entendido como um acto de censura”, afirmou.
A abertura da exposição, que se realizou na semana passada, desencadeou uma onda de protestos por parte dos eurodeputados da ala conservadora, ainda que, conta João Ferreira, a exposição continue aberta e a receber visitas.
Estas reacções são, na sua opinião, uma evidência “do anticomunismo” que impera na Europa e do carácter “antidemocrático das forças que o assumem”.
Perante este cenário, João Ferreira avança que a posição do PCP para o debate na quarta-feira foi de "afirmação serena da importância, impacto e alcance da Revolução de Outubro", ao mesmo tempo rebater aqueles que pretendem “enlamear as experiências de construção do socialismo” e “difundir a ideia que o capitalismo é o fim da história”.
Fonte: Sputnik Novosti
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Comício no coliSEU
7noVEMbro2017
FOTGRAFIAS:
http://www.pcp.pt/fotografias/comicio-comemorativo-do-centenario-da-revolucao-de-outubro
«É com a profunda convicção de que o socialismo e o comunismo são o futuro da Humanidade que continuamos a nossa luta»

«É com a profunda convicção de que o socialismo e o comunismo são o futuro da Humanidade que continuamos a nossa luta»

Hoje é um dia com um simbolismo particular, o dia em que assinalamos os 100 anos da Revolução Socialista de Outubro.
Assinalamos e celebramos, neste preciso dia 7 de Novembro, o primeiro dos dias de uma revolução nascente que vai não só abalar o mundo assente na exploração e na opressão, mas transformá-lo e marcá-lo profundamente, pela força do seu exemplo, das suas realizações revolucionárias e progressistas, da acção coerente e de princípios do novo poder proletário e camponês a favor dos trabalhadores e dos povos.
Assinalamos e saudamos nesse inaugural acto libertador o início de uma nova época histórica que permanece aberta no horizonte da luta dos trabalhadores e dos povos – a época da passagem do capitalismo ao socialismo – e nele a materialização de um milenar sonho de emancipação e de libertação de gerações de explorados e oprimidos!
Assinalamos e celebramos, condensando nesse glorioso 7 de Novembro, a gesta heróica dos que, decidida e conscientemente, se lançaram no empolgante empreendimento da construção de uma sociedade nova – o proletariado russo, sob a direcção do Partido Bolchevique e de Lénine - que, confirmando a perspectiva política e ideológica apontada pela obra teórica de Marx e Engels, se lançou na construção de uma sociedade sem exploradores nem explorados. Mas igualmente celebramos os que lhe deram continuidade, desbravando os caminhos inéditos e nunca antes conhecidos na construção da sociedade nova, assim como todos aqueles que, arrostando sacrifícios imensos os precederam e que, com a sua luta, a sua experiência revolucionária, os seus ensinamentos, mantiveram viva a perspectiva da luta libertadora e emancipadora dos povos.
Essas gerações de explorados e oprimidos que viam, quantas vezes, cair por terra, numa luta desigual, as suas bandeiras, como na Comuna de Paris, para adiante as tornarem a erguer na procura e conquista do futuro. Esse futuro pelo qual continuamos a nossa luta, para lá de todas as vicissitudes, levantando bem alto a grande bandeira que sempre nos guiou e que coloca o socialismo e o comunismo no horizonte da nossa luta.
Neste Centenário afirmamos a consigna “Socialismo, exigência da actualidade e do futuro”.
Relembramos, damos a conhecer e afirmamos a Revolução de Outubro como a realização mais avançada no processo de libertação da Humanidade de todas as formas de exploração e opressão.
Mostramos como a Revolução de Outubro não foi uma aventura, nem obra de aventureiros, como propala a propaganda anticomunista, mas obra dos próprios trabalhadores e do povo soviético que, com a sua luta, abriram os caminhos da sua libertação e com as suas próprias mãos começaram a erguer essa realidade nova, essa terra sem amos e da igualdade, anseio e sonho milenar que a Utopia proclamava e que o Manifesto do Partido Comunista consagrou em projecto político com a superação revolucionária do capitalismo pelo socialismo a ser experienciada e vivida por milhões de seres humanos.
Evidenciamos a importância e o valoroso papel da classe operária e dos trabalhadores, a sua unidade e organização no processo de transformação social e em todas as etapas do processo revolucionário e da construção da sociedade socialista.
Damos, muito justamente, um particular relevo às grandes conquistas e realizações políticas, económicas, sociais, culturais, científicas e civilizacionais do socialismo na URSS que a propaganda dos defensores da eternização da exploração capitalista omite e desvaloriza.
Mostramos como a Revolução Socialista transformou a velha e atrasada Rússia dos czares, onde persistiam relações feudais, num país altamente desenvolvido, mais industrializado e socialmente mais avançado, provocando efeitos extraordinários à escala planetária.
Mostrou-se como, num curto período de tempo histórico, se alcançou um significativo desenvolvimento industrial e agrícola e se eliminou o desemprego, confirmando a superioridade da propriedade social e da planificação económica. Se erradicou o analfabetismo e generalizou a escolarização, garantiu e promoveu, pela primeira vez, os direitos das mulheres, das crianças, dos jovens e dos idosos.
Pomos em evidência aquilo que a propaganda imperialista a todo o custo esconde: que foi a pátria dos «sovietes», o primeiro país do mundo a pôr em prática ou a desenvolver como nenhum outro, direitos sociais fundamentais, como o direito ao trabalho, a jornada máxima de 8 horas de trabalho, as férias pagas, a igualdade de direitos de homens e mulheres na família, na vida e no trabalho, os direitos e protecção da maternidade, o direito à habitação, a assistência médica gratuita, o sistema de segurança social universal e gratuito, e a educação gratuita, se assegurou o acesso à cultura e à prática do desporto.
Sendo que tudo isto foi alcançado pela União Soviética, apesar da intervenção de potências imperialistas, da guerra civil, do bloqueio económico e da sabotagem e de duas grandes guerras devastadoras.
Mostramos como as transformações e realizações revolucionárias estimularam a luta dos trabalhadores e dos povos de todo o mundo para que alcançassem importantes conquistas sociais. Mostramos o imenso contributo da URSS e do povo soviético para o avanço da luta emancipadora dos trabalhadores e dos povos, incluindo no apoio à conquista da independência de numerosas nações secularmente submetidas ao jugo colonial e o seu inquestionável papel de força motriz do progresso e da paz a nível mundial.
A Revolução de Outubro está e continua a estar no centro da luta ideológica. Os adversários do socialismo – o grande capital e o imperialismo – continuam a desenvolver uma singular e feroz campanha contra a Revolução de Outubro.
Fazem-no porque sabem que ela foi um acontecimento marcante na história para acabar com a exploração e também com o objectivo de enfraquecer o poder de atracção da nova sociedade, de desmoralizar e desmobilizar a luta pela sua concretização.
Fazem-no utilizando todo o seu arsenal de meios e influência porque o que verdadeiramente temem não são as soluções dos que, falando em socialismo, cortejam as Wall Streets e não ousam beliscar a ordem capitalista vigente, mas aqueles que, como o PCP, assumindo, os ideais e valores de Outubro, não aceitam o capitalismo como sistema final da história e lutam de forma consequente para pôr termo a relações sociais de produção assentes na exploração do trabalho e dos povos.
E muito menos temem, antes incentivam, os que negando a actualidade da clivagem essencial que permanece na sociedade dos nossos dias, a grande e decisiva opção entre socialismo e capitalismo, se empenham na produção e difusão de falsas dicotomias alternativas empolando variantes secundárias do capitalismo dos nossos dias, classificado e adjectivado de neoliberal versus progressista, cosmopolita versus nacionalista, ultramontano à Trump versus humanista, entre outros exemplos, e que visam encerrar a alternativa e solução dos graves problemas do capitalismo no interior do próprio sistema de exploração que os engendra.
Sabemos que a Revolução de Outubro foi sempre, desde o seu nascimento, objecto das mais insidiosas e odiosas campanhas difamatórias.
Este tempo de passagem do Centenário tem sido pretexto para a difusão em grande escala do mais baixo e vil anticomunismo. O ódio e a difamação não têm limites. Temo-los visto rebuscar na arca das velharias as mais torpes e estafadas mentiras não apenas para denegrir e diabolizar a Revolução de Outubro, mas os comunistas e o seu projecto.
Já não as delirantes construções do tipo que o “Diário de Lisboa” difundia ainda em 1921, onde se escrevia: “Na Rússia as mães já podem casar com os filhos”, porque de tão absurdas e abjectas deixaram de ter eficácia, mas todas aquelas que, tomando novas roupagens, os centros ideológicos e doutrinários da grande burguesia internacional incessantemente renovam, para demonstrar, com o selo de uma falsificada cientificidade, que o socialismo é uma experiência falhada e, sobretudo, que a natureza do projecto comunista é intrinsecamente perverso e anti-democrático.
Nesse afã de deturpação do projecto comunista popularizam teorias onde amalgamam regimes, sistemas, personalidades, práticas e objectivos, num vicioso processo de tentar unir e juntar o que é diferente e foi diferente não só na prática da acção política, mas nos objectivos e projecto.
Passaram a juntar no caldeirão da sua fantasiosa propaganda, equiparando fascismo e comunismo, falsificando a história, fabricando factos e arrolando incomensuráveis e inverosímeis crimes para suscitar a indignação das massas e criminalizar o socialismo e o seu percurso na vida dos povos no século XX e o próprio ideal comunista. Neste processo tratam de igual modo carrasco e vítimas, unindo-os no conceito de totalitarismo fabricado à medida das suas pretensões. Fingem ignorar que fascismo e comunismo são sistemas antagónicos. Que o fascismo – a ditadura terrorista dos monopólios e dos latifundiários em que o Estado é colocado ao serviço de uma escassa minoria - olhava a Revolução de Outubro e o seu Estado ao serviço da maioria do povo como o perigo principal e inimigo principal dos monopólios e da grande burguesia a quem o fascismo servia.
O que a verdadeira história regista não é a cumplicidade, mas heroicidade do povo e dos comunistas soviéticos para travar a barbárie e a catástrofe em que o mundo foi lançado pelo nazi-fascismo, tendo pago pelo seu contributo para a Vitória um custo muito alto: 20 milhões de mortos e um país devastado.
E o que na história não se pode apagar, por muitas operações de maquilhagem realizadas, é a simpatia e a cumplicidade das classes dirigentes das grandes potências capitalistas, perante a ascensão de Hitler e as suas acções belicistas, que a coberto da necessidade de salvar a paz e da política de «amansar a fera», com o sacrifício de povos e países, alimentavam a esperança de direccionar a bestialidade nazi para «resolver a questão russa».
No centro da sua ofensiva ideológica tentam a todo custo demonstrar uma incompatibilidade entre a Revolução de Outubro e a democracia, entre o socialismo e democracia, utilizando-a como uma arma de arremesso contra os partidos comunistas e revolucionários. Culpam a Revolução de Outubro de ser a portadora e conter em si os germes de desfigurações, erros e desvios por nós assinalados em congressos, e não escondidos, que conduziram à trágica derrota da URSS.
Mas como temos afirmado não é na Revolução de Outubro – a mais libertadora das revoluções – que se pode encontrar a origem do desaire que representou a destruição do socialismo na URSS, mas num “modelo” de construção do socialismo que, como temos afirmado, acabou por se afastar e contrariar o ideal e o projecto comunistas em questões fundamentais.
Não! O socialismo não é incompatível com a democracia, nem teme a democracia. O socialismo precisa da democracia, da participação consciente dos trabalhadores e do povo para se afirmar e desenvolver. Não há socialismo sem a participação dos trabalhadores e do povo, o seu contributo, o seu empenhamento, a sua decisão, sem uma organização da sociedade com um funcionamento profundamente democrático.
É por isso que no centro do projecto político do PCP e em todas as fases e etapas do processo de desenvolvimento da sociedade portuguesa está a concretização da democracia nas suas vertentes política, económica, social e cultural, no quadro de um sistema político assente na garantia do exercício das liberdades democráticas, incluindo de formação de partidos políticos, o respeito pelas opiniões políticas e crenças religiosas, a realização regular de eleições democráticas. Um sistema político assente num Estado democrático representativo e participado, alicerçado na soberania e independência nacional.
Não! Ao contrário do que afirma a campanha das forças do retrocesso político, económico e social, o que os povos devem ter fundadas razões para temer e de forma cada vez mais preocupante e crescente à medida que se aprofunda a crise estrutural do capitalismo, são as práticas e projectos de empobrecimento, amputação e liquidação da democracia dos defensores do sistema de exploração capitalista e o seu processo de globalização de domínio planetário.
O que os povos têm fundadas razões para repudiar e repelir são as suas práticas de exportação da sua “democracia” à bomba dos que falsamente arvorados em seus defensores querem perpetuar o seu domínio e impor pela violência os seus interesses, como a realidade da Líbia à Síria, do Iraque à Palestina, da Ucrânia à Venezuela aí estão a demonstrar. O que os povos devem temer são as artimanhas dos que se especializaram em engenharias eleitorais, para transformar minorias em maiorias, para confiscar e raptar a democracia.
O que os povos devem recear são os projectos daqueles que passaram a teorizar sobre a menoridade das massas para decidir questões complexas do Estado, visando usurpar a decisão soberana dos povos em matérias essenciais.
Esses mesmos que também impõem o pensamento único e a política única na União Europeia, com base em critérios caídos do céu, como no Euro, condicionando qualquer política alternativa.
Daqueles que a crise e a cada dificuldade encontrada para impor a sua vontade ensaiam em fugas em frente à custa da democracia e do direito dos povos a decidir, usurpando crescentes parcelas da sua soberania, centralizando-as em espaços supra-nacionais, longe do seu controlo e da sua decisão.
Esses que continuam a engenhar novos planos para transferir decisões políticas para especialistas e criar novos condicionamentos à decisão soberana dos povos. Sim, não são processos de intenção, são pretensões reais do FMI e da União Europeia.
Hoje estamos a celebrar a Revolução de Outubro, sem a União Soviética e sem o socialismo como sistema mundial e a evolução do mundo mostra quanto negativamente pesa essa ausência na vida dos trabalhadores e dos povos.
O capitalismo, liberto das condicionantes que a existência do socialismo como sistema mundial impunha e funcionando livremente de acordo com as suas regras, não só passou a pôr cada vez mais em causa as liberdades e direitos políticos, como agravou todos os problemas inerentes à sua natureza de sistema explorador, opressor, agressivo e predador estando a conduzir o mundo para barbárie, empurrando o mundo para os perigosos caminhos da confrontação generalizada e da guerra, o que apela ao reforço da luta pela paz e pelo desarmamento.
Duas décadas e meia depois das proclamações vitoriosas de um capitalismo inultrapassável, é o aprofundamento da sua crise estrutural e as suas consequências que pontuam de forma dramática na vida dos povos dos nossos dias.
Elas são iniludíveis na persistente e agressiva escalada do imperialismo, particularmente dos Estados Unidos da América, que a dança das administrações não altera, para impor o seu domínio hegemónico. Na escalada de tensão e provocação contra Estados soberanos, nomeadamente no Leste Europeu, Ásia Central, América Latina, África e Extremo Oriente. Nas agressões militares directas com destruição de países inteiros, em acções de chantagem e ingerência, numa espiral de confrontação e conflitos que, a não ser travada, conduzirá a Humanidade à catástrofe.Na nova corrida armamentista e o salto militarista nos EUA e na União Europeia, e com o envolvimento da NATO em guerras de agressão, que são, a par com as trágicas consequências sociais da ofensiva imperialista, as principais causas do terrorismo e do crescimento de forças xenófobas e racistas.
O balanço destes tempos é brutal e sinistro. Milhões de pessoas, cerca de 1/5 da população mundial, vivem afectados por conflitos. São milhões os deslocados e os refugiados. Morte, miséria, pobreza e fome espelham a catástrofe social da guerra vista cada vez mais como solução e resposta à própria crise do sistema de exploração.
Consequências que se vêem também na arrastada e cada vez mais profunda crise do processo de integração capitalista europeu e na tentativa de reactivação do eixo franco-alemão e do aprofundamento dos três pilares da União Europeia – o federalismo, o militarismo e o neoliberalismo -, a coberto do chamado “Futuro da Europa”.
Mas igualmente na grande regressão que há muito está em marcha, persiste e se agrava com a ofensiva do grande capital contra os direitos laborais e sociais, os serviços públicos, a soberania dos povos.
O proclamado reino da abundância pelo capitalismo globalizado, com a falaciosa prédica da competitividade, da flexibilidade, da desregulação e das reformas estruturais, traduziu-se em novas operações de concentração da riqueza a favor do capital transnacional, no agravamento da exploração, do desemprego, da precariedade, do aumento das injustiças sociais, com brutais custos para os trabalhadores e para os povos.
Toda uma evolução que confirma que o capitalismo não tem soluções para os problemas do mundo contemporâneo, que está por toda a parte em permanente confronto com as necessidades, os interesses, as aspirações dos trabalhadores e dos povos, e é incapaz de ultrapassar as suas contradições. Que o capitalismo não é reformável, humanizável ou regulável!
Sim, o mundo precisa do socialismo! Ele é uma necessidade que emerge com redobrada actualidade na solução dos problemas da humanidade. Uma necessidade que exige ter em conta uma grande diversidade de soluções, etapas e fases da luta revolucionária, certos de que não há “modelos” de revoluções, nem “modelos” de socialismo, como sempre o PCP defendeu e que assume como um objectivo supremo no seu Programa.
Programa que aponta como objectivos fundamentais da revolução socialista em Portugal: a abolição da exploração do homem pelo homem, a criação de uma sociedade sem classes antagónicas inspirada por valores humanistas, a democracia compreendida na complementaridade de todas as suas vertentes, a intervenção permanente e criadora das massas populares em todos os aspectos da vida nacional, a elevação constante do bem-estar material e espiritual dos trabalhadores e do povo, o desaparecimento das discriminações, desigualdades, injustiças e flagelos sociais, a concretização na vida da igualdade de direitos do homem e da mulher e a inserção da juventude na vida do país, como força social dinâmica e criativa.
Nas condições de Portugal, a sociedade socialista que o PCP aponta ao nosso povo, passa pela etapa que caracterizámos de uma Democracia Avançada, uma etapa que sendo parte integrante da luta pelo socialismo, a sua realização é igualmente indissociável da luta que hoje travamos pela concretização da ruptura com a política de direita e pela materialização de uma política patriótica e de esquerda que dá corpo a essa construção, num processo que não separa, antes integra de forma coerente o conjunto de objectivos de luta imediatos.
Também em Portugal a alteração da correlação de forças na situação mundial resultante do desaparecimento do socialismo como sistema mundial teve impactos profundamente negativos.
A agenda do capitalismo dominante de liberalização, privatização e financeirização da economia, ampliou e agravou os problemas acumulados de anos de política de direita e de recuperação capitalista e monopolista, de destruição das conquistas de Abril, acelerando a ofensiva de liquidação e privatização dos sectores estratégicos da economia nacional, e a destruição dos principais sectores produtivos nacionais e os direitos laborais e sociais dos trabalhadores e do povo.
Uma política que haveria de acabar por entregar os destinos do País à intervenção estrangeira e à concretização de um pacto ilegítimo entre aqueles que governaram o País em todos esses anos – o PS, PSD e CDS-PP - e uma troika estrangeira composta pelo FMI, União Europeia e BCE com resultados ainda mais ruinosos para o País e para a vida dos portugueses.
As consequências estão hoje patentes e perduram na sociedade portuguesa: regressão acentuada da capacidade produtiva do País; acentuação da sua dependência e da sua economia face aos monopólios e ao capital estrangeiro; uma dívida pública sufocante; regressão drástica das condições de vida dos trabalhadores e do povo, e dos seus direitos; aumento das desigualdades; cavados desequilíbrios regionais; agravadas vulnerabilidades estruturais que se expressam no plano produtivo, alimentar, energético, demográfico, de ordenamento de território, de infraestruturas e serviços públicos, que tornam Portugal numa nação extraordinariamente exposta a alterações adversas do quadro internacional.
Vulnerabilidades que ficaram dramaticamente expostas nos trágicos incêndios florestais que assolaram o País este ano, bem como outros problemas e às quais se junta um conjunto de fortes constrangimentos, nomeadamente resultantes do Euro que condicionam seriamente o desenvolvimento do País.
Agudos problemas, cuja solução reclama para a sua superação uma política patriótica e de esquerda, como a que o PCP defende para o País.
Uma política que tem como elementos decisivos, entre outros: a libertação do País da submissão ao Euro e à União Europeia, a renegociação da dívida pública para libertar recursos; a defesa e promoção da produção nacional e dos sectores produtivos, articulada com a valorização do trabalho e dos trabalhadores, como objecto e condição do desenvolvimento; a recuperação para o sector público dos sectores básicos estratégicos da economia; uma administração e serviços públicos ao serviço do povo e do País.
No seguimento do fim do socialismo na URSS e no seio do alarido apologético do capitalismo em marcha triunfal até à eternidade, alguns decretaram a morte do comunismo e aqui, neste País da Revolução de Abril, o declínio irreversível do PCP e a sua inevitável liquidação.
Tomaram os seus desejos pela realidade. A Marcha triunfal há muito está de regresso a casa com os seus estandartes anunciadores da sua perversa democracia universal, do fim das guerras e das crises arreados, e o PCP continua de pé, a viver e a lutar, não apenas resistindo, mas fazendo acontecer, mantendo no horizonte sempre e sempre o objectivo do socialismo!
Fazendo acontecer, com uma iniciativa e contributo decisivo para derrotar e travar a brutal ofensiva protagonizada pelo governo do PSD/CDS e pelas forças da ingerência estrangeira, pondo termo a quatro ruinosos anos de prática de agravamento da política de exploração dos trabalhadores e do povo e de empobrecimento nacional.
Fazendo acontecer, apontando o caminho que abriu a nova fase da vida política nacional em curso, criando novas e melhores condições para o desenvolvimento da luta, encetando um processo de defesa, reposição e conquista de direitos dos trabalhadores e do povo e conter o declínio do País.
Dois anos da nova fase da vida política nacional com a destacada intervenção do PCP se são motivo de apreensão e desorientação para os coveiros frustrados do PCP, patente na sua atitude revanchista contra o nosso Partido, são uma vantagem para a vida dos trabalhadores, dos reformados, dos intelectuais e quadros técnicos, dos pequenos e médios empresários, dos agricultores e pescadores, dos jovens e das mulheres que viram, com a acção e a intervenção do PCP, já garantidas algumas respostas aos seus problemas mais urgentes no domínio dos salários, das reformas, dos impostos, dos direitos, no apoio às actividades produtivas e à cultura.
Dois anos a lutar e fazer acontecer, dinamizando e organizando a luta dos trabalhadores e do povo. Essa luta que foi decisiva para travar a ofensiva das forças do retrocesso económico e social e o seu projecto de exploração e empobrecimento nacional. Que é decisiva e determinante para que continue a avançar a reposição e conquista de direitos e a exigência de uma política de desenvolvimento do País. Luta como a que se trava hoje nos mais variados sectores e que tem na grande manifestação da CGTP-IN do próximo dia 18, aqui em Lisboa, mais um momento alto e um ponto de confluência. Luta necessária e decisiva para afirmar a alternativa patriótica e de esquerda, e construir os caminhos do futuro.
Luta que não esquece a lição que a Revolução de Outubro confirmou: - “a emancipação dos trabalhadores tem que ser obra dos próprios trabalhadores”, obra do povo que aspira a viver numa sociedade mais livre e justa.
Sabemos das contradições resultantes da assumida opção do governo do PS de não se libertar dos seus compromissos com os interesses do grande capital e da sua postura de submissão e dependência externa, designadamente às imposições da União Europeia e do Euro.
Sabemos dos esforços das forças mais retrógradas, reaccionárias e do grande capital vêm fazendo, bem visível a pretexto da tragédia dos incêndios, com vista a limitar avanços na reposição e conquista de direitos e na criação de condições para recuperarem espaço perdido nestes dois últimos anos.
Mas é neste quadro de agudas contradições que continuamos e estamos na luta para levar o mais longe possível a defesa, reposição e conquista de direitos e a exigência para fazer avançar o desenvolvimento do País.
Aos sonhadores da morte, aos profetas do declínio irreversível e das inevitabilidades, nós afirmamos que aqui estamos e estaremos ligados ao pulsar da vida, prontos a prosseguir a nossa luta para resolver os problemas nacionais e a elevação das condições de vida do povo e fazer avançar a construção da alternativa patriótica e de esquerda, indispensável para a solução dos problemas do País.
Sim, estamos a celebrar a Revolução de Outubro sem a existência de grande parte da realidade que dela brotou.
Mas tal facto não apaga a sua importância para a luta dos trabalhadores e dos povos que hoje travam em defesa dos seus direitos e da soberania, face à ofensiva do imperialismo e por transformações progressistas e revolucionárias, pelo socialismo.
Não apaga a enriquecedora experiência dessa primeira Revolução Socialista vitoriosa e a demonstração prática da superioridade da nova sociedade.
Não apaga o que representou como força impulsionadora e propulsora de profundas e positivas transformações na vida dos povos e para a paz no mundo.
Não apaga a sua importância nos passos dados e avanços na afirmação de direitos dos trabalhadores e dos povos em todas as latitudes.
Não apaga o valor dessa experiência no longo e acidentado percurso da luta dos trabalhadores e dos povos na procura de um mundo melhor e mais justo, nem os ensinamentos que dela resultam.
Liquidaram a Comuna de Paris, mas não a semente que a produziu e germinou em Outubro. Fracassou um modelo historicamente configurado de construção do socialismo, mas não o ideal e o projecto comunista que continua válido, vivo e com futuro, transportando a semente que a luta dos trabalhadores fará renascer.
Porque, como afirmava Álvaro Cunhal “o nosso ideal corresponde de tal forma às necessidades e aspirações mais profundas do nosso povo ( e dos outros povos), que um dia dele será o futuro”.
Sim, a Revolução de Outubro está aí como experiência concreta, como fonte de inspiração, com os seus valores e ideais afirmando que outro mundo é possível. E por isso a celebramos!
Celebramos na Revolução de Outubro o combate que continua. O combate que precisa de um Partido Comunista forte e permanentemente reforçado, assumindo o seu papel de vanguarda em estreita ligação à classe operária, aos trabalhadores e ao povo. Um Partido munido dos instrumentos teóricos do marxismo-leninismo. Um Partido que age e luta permanente e quotidianamente em defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País. Um partido patriótico e internacionalista.
Um Partido Comunista que não abdica de o ser, determinado, combativo, consciente do seu papel, firme no seu ideal e na afirmação do seu projecto transformador e revolucionário, e que tem sempre presente no horizonte da sua acção e intervenção a construção da sociedade nova livre da exploração do homem pelo homem.
É com a profunda convicção de que o socialismo e o comunismo são o futuro da Humanidade que continuamos a nossa luta, reafirmando que fomos, somos e seremos comunistas!
http://www.pcp.pt/com-profunda-conviccao-de-que-socialismo-comunismo-sao-futuro-da-humanidade-que-continuamos-nossa
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31ouTUbro2017
cgtp
A Revolução Socialista de Outubro de 1917 inaugurou uma nova época no processo emancipatório dos Trabalhadores e dos Povos.
outubro revolucao
Esta primeira experiência despertou aspirações, inspirou projectos e incentivou coragem revolucionária para os concretizar num processo de alcance histórico de construção de uma sociedade sem exploradores nem explorados na União Soviética e em outros países.
A Inter-Reformados/CGTP-IN, ao juntar-se às organizações que assinalam o Centenário da Revolução de Outubro, fá-lo como um acto de denúncia da natureza do capitalismo e de afirmação da necessidade e possibilidade da sua superação revolucionária.
Foi o poder dos trabalhadores na União Soviética que instituiu pela primeira vez direitos fundamentais, sendo disso exemplo o direito ao trabalho, à jornada máxima de oito horas de trabalho/dia, as férias pagas, a igualdade de direitos entre homens e mulheres, o direito à habitação, à assistência médica gratuita, o sistema de segurança social universal e gratuito, a educação gratuita e a promoção da instrução, da cultura e do desporto à escala de massas, entre muitos outros.
Foram os trabalhadores e o povo soviético, com o seu heróico Exército Vermelho, que contribuíram de forma decisiva para a vitória sobre o nazi-fascismo. Uma vitória épica sobre a ditadura terrorista do grande capital, do imperialismo, um feito de valor inestimável para toda a Humanidade.
A Inter-Reformados/CGTP-IN tem presente a solidariedade, a cooperação e o apoio dado aos trabalhadores e ao povo português na Revolução de Abril e na concretização das profundas transformações democráticas operadas no campo económico, social, cultural e desportivo no nosso país.
A Inter-Reformados não esquece que foi a União Soviética que apoiou a Reforma Agrária, solidariedade que contribui em muito para a concretização do sonho milenar de dar à “Terra a quem a trabalha” e que apoiou o movimento sindical português na luta contra a ditadura fascista, nomeadamente através de campanhas que visavam a libertação de camaradas presos.
Hoje, frente à crescente internacionalização do capital, à proliferação de instrumentos e estruturas supranacionais ao serviço da exploração, do empobrecimento e o retrocesso de direitos, ganha força decisiva a batalha em defesa da soberania e independência nacional e pelo direito de cada povo ao progresso, à justiça social e a decidir o seu próprio destino.
Por isso, a Inter-Reformados, ao comemorar os 100 anos da Revolução de Outubro, afirma que o caminho que foi aberto pelo povo soviético continua presente na luta que os trabalhadores no activo, os reformados e aposentados travam todos os dias por um mundo melhor, onde aqueles que tudo produzem sejam os seus beneficiários.
A Direcção Nacional da Inter-Reformados/CGTP-IN
Lisboa, 31 de Outubro de 2017
http://www.cgtp.pt/cgtp-in/organizacoes-especificas/inter-reformados/11232-100-anos-da-revolucao-que-transformou-o-mundo
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7noVEMbro2017
abrilabril
A Revolução de Outubro demonstrou ser possível construir uma sociedade diferente. Mesmo sem capitalistas, senhores da alta finança e dos «mercados», foi possível erguer uma potência económica para responder aos anseios dos trabalhadores e do povo.
No plano económico, as terras, as fábricas, as minas, os transportes ferroviários e os bancos passaram a pertencer ao Estado de todo o povo, determinando um fulgurante desenvolvimento:
- na agricultura, com a colectivização da terra, na qual unidades do Estado (sovkhozes) e as cooperativas de camponeses (kolkhozes) desempenharam um papel determinante;
- no plano social, foram assegurados os direitos à habitação, à assistência médica e ao ensino, e reconhecida, de facto, a igualdade de direitos às mulheres;
- na ciência e na tecnologia, com a concretização de significativas descobertas e avanços que, a par do desenvolvimento económico e social, permitiram atingir um potencial militar que durante décadas conteve a política agressiva e belicista, nomeadamente dos EUA e da NATO.
A Revolução de Outubro, que criou as bases de uma nova sociedade ao serviço da maioria, teve de enfrentar, desde o seu início, a acção contra-revolucionária de uma minoria russa e dos estados imperialistas (que até então exploravam e geriam a seu belo prazer todos os recursos) e que tudo fizeram e a tudo recorreram – bloqueios, intervenções, agressões militares e invasão, a guerra – para destruir a Revolução e as suas conquistas e recuperar o poder perdido.
Uma minoria que nunca tolerou as significativas e revolucionárias conquistas dos trabalhadores e do povo russo e muito menos o rumo novo traçado: pôr fim a todas as formas de exploração e opressão social e nacional. Significativamente, entre as primeiras decisões tomadas por este novo poder ao serviço da maioria, constam os decretos sobre a paz e a abolição da propriedade latifundiária da terra.
Aliás, foi a profunda identificação das massas populares com o Partido Bolchevique e os objectivos da Revolução que permitiu, por um lado, enfrentar e derrotar a contra-revolução interna e as ingerências, sabotagens e agressões das potências imperialistas e, por outro, empreender em poucos anos, com determinação e criatividade revolucionárias, o processo de transformações económicas e sociais que levaram uma Rússia semi-feudal, devastada pela Grande Guerra (1914-1918) e pela guerra civil, a uma poderosa potência industrial.









O russo Iúri Gagárine foi o homem a ir ao espaço, a 12 de Abril de 1961
A electrificação, o desenvolvimento da indústria pesada, a nacionalização da terra e a colectivização dos campos (a terra passou a ter propriedade e função sociais), o lançamento das bases de uma ciência e tecnologia de ponta, implicaram vontade, dedicação e grandes sacrifícios, mas transformaram radicalmente o país e permitiram-lhe resistir ao isolamento diplomático, ao bloqueio económico, à violenta e multifacetada ofensiva agressiva do imperialismo e prepararam a União Soviética para enfrentar vitoriosamente a bárbara agressão nazi-fascista.
Foi o tempo do primeiro Plano Quinquenal (1928-32), com crescimento médio de mais de 13% ao ano, e da conquista do espaço, com o Sputnik e o primeiro cosmonauta, Iúri Gagárine, a entrarem na História como feitos notáveis e símbolos da superioridade do novo sistema social socialista.
A fundação, em Dezembro de 1922, da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) como união voluntária de nações iguais em direitos foi um exemplo para todo o mundo da forma como a nova sociedade se construía e dos novos princípios em que se baseava, alcançando num curto período de tempo histórico um significativo desenvolvimento também nos planos social e cultural, sendo o primeiro país do mundo a pôr em prática ou a desenvolver como nenhum outro direitos sociais fundamentais, nomeadamente:
• direito e protecção na maternidade, incluindo o direito a: licença de oito semanas antes e oito semanas depois do parto paga com salário normal; gratuitidade da assistência médica e medicamentosa; instalação em todas as fábricas e outras empresas que empregassem mulheres, de creches para lactantes e locais para a sua alimentação, devendo toda a operária que amamentasse o filho dispor de pelo menos meia hora em intervalos não ultrapassando três horas; não trabalhar mais de seis horas por dia;
• educação gratuita, com instrução geral e politécnica gratuita e obrigatória até aos 16 anos; direito das nacionalidades a ministrar o ensino nas línguas maternas; eliminação do analfabetismo – até à Revolução 75% da população não sabia ler nem escrever; democratização do Ensino Superior e a prioridade no acesso aos operários e camponeses;
• direito à livre criação e fruição da cultura com: criação de condições para uma rápida elevação do nível cultural das massas populares e para o desenvolvimento da ciência; a expansão do impacto dos movimentos de vanguarda artística e das formas de criação e fruição da cultura; a publicação de manuais, obras literárias e livros de divulgação científica acessíveis a todos e com tiragens de milhões.


Com a Revolução de Outubro, a fruição da Cultura passou a ser um direito efectivo

Estas e outras conquistas, como as oito horas de trabalho, o direito a férias pagas, a assistência médica gratuita ou um sistema de segurança social universal e gratuito, demoraram largos anos a chegar a outros países, como aconteceu em Portugal, onde chegaram cerca de meio século depois.
 Com a Revolução nasceu uma nova sociedade ao serviço da maioria
Com a Revolução nasceu uma nova sociedade ao serviço da maioriaCréditos
https://www.abrilabril.pt/internacional/com-revolucao-de-outubro-surgem-os-direitos-laborais-e-sociais?from=onesignal
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Com a Revolução de Outubro inaugura-se na história o poder político dos trabalhadores e a construção de uma sociedade sem exploradores nem explorados
A partir do século XIX, com o ascenso do proletariado como nova força social, o sonho e a utopia deram lugar a um projecto político e de transformação social, no sentido da eliminação de todas as formas de exploração e opressão.
Nascia assim a resposta à primeira grande crise gerada pelo imperialismo, materializada nos milhões de mortos e na destruição provocados pela I Guerra Mundial. Por muitos artigos que se escrevam a desmerecer a sua importância e a asfixiá-la num período da história, a actualidade demonstra que nela reside o futuro e a esperança dos homens e mulheres que não aceitam a exploração como sistema. 
Foi na Rússia semi-feudal, dominada pelo poder autocrático e repressivo dos czares e da mais alta nobreza, com mais de cem nacionalidades oprimidas, conhecida como «prisão dos povos», destruída pela I Guerra Mundial, com um povo fustigado pela exploração, a repressão, a pobreza, a fome e o analfabetismo, que surgiu a 7 de Novembro de 1917 (25 de Outubro no antigo calendário russo) a Revolução de Outubro.
O proletariado russo, liderado pelo Partido Bolchevique, tomava nas mãos o seu destino, conquistando o poder e levando por diante o projecto de uma nova sociedade, com o objectivo de pôr fim à exploração do homem pelo homem.
Iniciava-se a construção de uma nova sociedade de seres humanos livres e iguais, que havia de marcar profundamente a vida mundial pelos êxitos, conquistas, realizações, exemplo e experiências deste empreendimento revolucionário.
Os grandes progressos verificados – direitos dos trabalhadores e dos povos em geral, políticas sociais, derrota do nazi-fascismo e libertação de países do jugo colonial – são inseparáveis da Revolução de Outubro, dos seus ideais e valores, da solidariedade política, diplomática, económica e militar da União Soviética para com a luta dos trabalhadores e dos povos de todo o mundo.










O século XX fica marcado pela Revolução de Outubro, pelo poder político dos trabalhadores e pela construção duradoura, pela primeira vez na história, de uma sociedade sem exploradores nem explorados. A Revolução de Outubro é a concretização prática da aspiração secular do homem – a sua libertação social e humana.
Durante mais de meio século, o socialismo ganhou terreno como alternativa ao sistema capitalista. A edificação do novo Estado significou a instauração de um verdadeiro e genuíno poder popular, uma nova forma de democracia participativa – os sovietes, um fulgurante desenvolvimento económico (na indústria e na agricultura), desenvolvimento social e grandes descobertas e avanços na ciência e nas novas e revolucionárias tecnologias.
A construção da nova sociedade defrontou, porém, dificuldades e obstáculos superiores aos que previram os seus pioneiros. Com o desaparecimento da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) e do socialismo como sistema mundial, o capitalismo tornou mais evidente a sua natureza com os brutais retrocessos na vida de milhões de seres humanos e o mundo mais exposto às tentativas de imposição de uma nova ordem ao serviço das potências imperialistas não olhando a meios para atingir os seus objectivos.
Com a Revolução de Outubro inaugura-se na história o poder político dos trabalhadores e a construção de uma sociedade sem exploradores nem explorados
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sem esquecer o SOCIALISMO queremos DEMOCRACIA A SÉRIO...Centenário Álvaro Cunhal...7.12.1996...
sobre o 7nov 2017...O PCP...
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7noVEMbro2017
comício no coliSEU
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Milhazes ataca Cunhal no Observador:

O PCP e a Revolução de Outubro: hoje não é o dia das mentiras

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O líder do PCP deve desconhecer a velha anedota soviética: Qual a diferença entre o capitalismo e o socialismo? O capitalismo é a exploração do homem pelo homem; o socialismo é exactamente o contrário
O enfraquecimento e degeneração intelectuais do Partido Comunista Português são um facto cada vez mais evidente, principalmente quando o seu dirigente Jerónimo de Sousa mente, falsifica a História e tenta passar mais uma certidão de idiota aos portugueses.
Num artigo de opinião publicado no DN, o secretário-geral comunista começa por escrever: “Foi numa Rússia semifeudal, dominada pelo poder autocrático e repressivo dos czares e da mais alta nobreza, com mais de cem nacionalidades oprimidas, destruída pela I Guerra Mundial, com um povo fustigado pela exploração, a repressão, a pobreza, a fome e o analfabetismo que, no dia 7 de Novembro de 1917 (25 de Outubro no antigo calendário russo), o proletariado russo, com o papel de vanguarda do Partido Bolchevique, conquistou o poder e lançou as bases de uma nova sociedade sem a exploração do homem pelo homem”.
Ora qualquer aluno do 12º ano sabe que aqui há uma série de mentiras ou de indícios de analfabetismo histórico. Primeiro, a revolução comunista não foi feita contra o “poder autocrático e repressivo dos czares e da mais alta nobreza”, mas contra um Governo Provisório que mantinha na Rússia um sistema pluripartidário e se preparava para dar uma Constituição democrática ao país”. Segundo, não foi o proletariado russo que tomou o poder, mas um pequeno grupo de bolcheviques que só na cabeça de Jerónimo de Sousa queriam criar um regime sem exploração do homem pelo homem. O dirigente comunista não deve conhecer a velha anedota soviética: “Qual a diferença entre o capitalismo e o socialismo? O capitalismo é a exploração do homem pelo homem, enquanto que o socialismo é exactamente o contrário”.
Claro que ninguém duvida, como escreve o dirigente comunista, que “a Revolução de Outubro é (e continuará a ser) o acontecimento maior da história da humanidade”, mas diz apenas meia-verdade pois mente ao afirmar “que inaugurou uma nova época, a época da passagem do capitalismo ao socialismo”. Pergunta-se: onde está esse socialismo actualmente na Rússia e na maioria dos países que enveredaram ou, melhor, foram obrigados a enveredar por essa via de desenvolvimento? Deu lugar novamente ao capitalismo. Até na China se transforma cada vez mais num regime capitalista oligárquico que explora os trabalhadores até ao tutano.
Jerónimo de Sousa mente também quando afirma que a revolução resultante do golpe de Estado comunista “fica marcada como a primeira e única a empreender com êxito a gigantesca tarefa de construir uma sociedade nova em que os recursos, os meios e os instrumentos do Estado e do país foram postos ao serviço do povo”. Como é sabido, a União Soviética era dirigida por uma oligarquia que, às vezes, nem sequer atirava migalhas ao povo. Será que os milhões de soviéticos que morreram de fome tinham os recursos, os meios e os instrumentos de que fala o líder comunista, mas não sabiam?
É hilariante a afirmação de que “a edificação do novo Estado significou a instauração de um verdadeiro e genuíno poder popular, uma nova forma de democracia participativa – os sovietes”.
Qualquer pessoa minimamente informada sabe que os sovietes não eram mais do que correias de transmissão do único partido existente na URSS: o PCUS. Os sovietes foram completamente burocratizados e não passaram de mais um instrumento de limitação das mais elementares normas democráticas. Senhor Jerónimo de Sousa, a democracia não tem adjectivos: ou é ou não é.
Bem, eu pagaria para ver o dirigente comunista dizer aos chechenos, tártaros da Crimeia, estónios, lituanos, etc., etc., o seguinte: “De facto, a fundação em Dezembro de 1922 da URSS como união voluntária de nações iguais em direitos, significou um exemplo para todo o mundo da forma como a nova sociedade se construía e dos novos princípios em que se baseava e resolveu um gigantesco e complexo problema nacional”. As deportações em massa, a que dezenas de povos foram sujeitos, é mais uma prova de que Jerónimo de Sousa foge à verdade.
Parafraseando António Aleixo, para que as mentiras passem melhor é preciso misturar alguma verdade: “A URSS, num curto período de tempo histórico, alcançou um significativo desenvolvimento industrial e agrícola, erradicou o analfabetismo e generalizou a escolarização e o desporto, eliminou o desemprego, assegurou a saúde pública e a protecção social, garantiu e promoveu os direitos das mulheres, das crianças, dos jovens e dos idosos, expandiu o impacto dos movimentos de vanguarda artística e as formas de criação e de fruição da cultura, conquistou um elevado nível científico e técnico, colocou em prática formas de participação democrática dos trabalhadores e das massas populares, empreendeu a solução da complexa questão de nacionalidades oprimidas, incrementou os valores da amizade, da solidariedade, da paz e cooperação entre os povos”.
Quanto á vanguarda artística e formas de criação, por exemplo, o dirigente comunista faz de conta desconhecer em que se transformou a arte soviética, numa coisa chamada “realismo socialista”, que matou qualquer tipo de criatividade. Os inovadores, fossem escritores, pintores ou músicos, foram perseguidos, presos ou obrigados a fugir da URSS.
Aqui recordo mais uma anedota soviética. “O que é um trio soviético? É o que resta de uma orquestra do Teatro Bolshoi depois de uma digressão pelo Ocidente”.
No que respeita à amizade dos povos, Jerónimo de Sousa certamente não terá em vista o anti-semitismo ou as perseguições de que acima falei.
Estaria de acordo quando o líder comunista escreve sobre os êxitos económicos e sociais que “no final da década de 80 do século XX, a URSS encontrava-se na vanguarda em diversas tecnologias; possuía um terço do total de médicos do mundo e a mais baixa taxa de mortalidade do planeta” ou ainda que “em 1980, a União Soviética tinha 997 médicos para 10 mil habitantes e todos os tipos de assistência médica eram gratuitos”, mas só se ele fosse capaz de explicar o que levou uma superpotência tão próspera a ruir onze anos depois. Será que devemos mandar às malvas o marxismo-leninismo, no que respeita ao papel das massas, e acreditar que foi mesmo a CIA e um grupo de traidores que deram cabo, em tão pouco tempo, de um regime tão sólido como o soviético?
“A Revolução de Outubro projectou-se em todo o mundo determinando grandes conquistas e avanços civilizacionais e libertadores para os trabalhadores e para os povos”: esta é, talvez, a única verdade existente entre a enxurrada de mentiras disparada por Jerónimo de Sousa.
Mas já foge à verdade quando acrescenta que, “no seguimento da Segunda Guerra Mundial, foi ainda com o determinante papel da União Soviética que se alterou profundamente a correlação de forças internacionais, dando origem a uma nova ordem mundial que ficaria consagrada na Carta da ONU”. Como é sabido, Estaline não libertou metade da Europa do fascismo, mas substituiu esse jugo tenebroso por outro que não lhe ficou atrás quanto ao terror e violência.
Depois de enumerar os problemas do capitalismo que todos conhecemos, o dirigente do PCP continua teimosamente a insistir que “o futuro da humanidade não reside na exploração, opressão, pobreza, injustiça e guerra, mas sim na realização do sonho milenar do homem, na sua libertação, na paz, no progresso social e na justiça – no socialismo e no comunismo”.
Não nos venha com receitas velhas e promessas de que “nós não iremos repetir os mesmos erros”. O resultado é sempre o mesmo. Por isso, não nos venda mais mentiras, pois hoje é 7 de Novembro e não 1 de Abril.
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avante
2noVEMbro2017
A luta pelo socialismo prossegue com o exemplo e a força de Outubro

CENTENÁRIO Com a tomada do poder pelo proletariado russo, sob a direcção do Partido Bolchevique e de Lenine, na madrugada de 7 de Novembro de 1917 (25 de Outubro no calendário juliano, que então vigorava na Rússia), iniciou-se um novo período da história da humanidade: a época da passagem do capitalismo ao socialismo, a nossa época. As extraordinárias realizações alcançadas transformaram profunda e indelevelmente não só a vasta Rússia como todo o planeta. Hoje, é a própria realidade a confirmar a justeza do lema do PCP para as suas comemorações deste centenário: «socialismo, exigência da actualidade e do futuro.»





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O programa do PCP de comemorações do Centenário da Revolução de Outubro tem no comício da próxima terça-feira, 7 de Novembro, no Coliseu dos Recreios, de Lisboa, um momento central. A decorrer ao longo deste ano, estas comemorações contaram já com importantes iniciativas de afirmação e debate sobre a experiência de edificação do socialismo, suas realizações e impactos de alcance mundial e a actualidade do ideal e projecto comunistas, que continuam hoje a ser assumidos, em Portugal, pelo PCP.
Se o próprio surgimento do Partido, a 6 de Março de 1921, resultando da experiência e do amadurecimento político e ideológico de importantes sectores do movimento operário português, tem também origem nos impactos da Revolução de Outubro, a relação entre os comunistas portugueses e essa experiência pioneira de edificação socialista foi constante. O mesmo se pode dizer da recíproca solidariedade entre o PCP e os comunistas soviéticos, tanto nos momentos de exaltante avanço como nos de mais dura resistência.
Aquando das dramáticas derrotas verificadas no final do século passado, o PCP não renegou o património de realizações e conquistas da Revolução de Outubro nem renegou os seus objectivos supremos e natureza de classe. Pelo contrário, reconhecendo erros e insuficiências no processo de edificação socialista na União Soviética e demais países do Leste da Europa, e aprendendo com eles, reafirmou a certeza de que não houve «avanço, progresso, esperança que não tenha contado com as ideias, o esforço, o sangue e a luta dos comunistas» e que o socialismo continuava a ser a razão de ser última da luta do PCP: «Fomos, somos e seremos comunistas», garantiu-se também, em Maio de 1990, no XIII Congresso (Extraordinário). 
Socialismo em Portugal
Ao nível do caminho que propõe para a concretização dos seus objectivos supremos – a construção em Portugal do socialismo e do comunismo –, o PCP aprende com a edificação do socialismo noutros países e a experiência de outros partidos e baseia-se na realidade concreta portuguesa. Assim se afirma, na prática, o «partido leninista definido com a experiência própria» de que falava Álvaro Cunhal.
O Programa do Partido, Uma Democracia Avançada – Os Valores de Abril no Futuro de Portugal, aprovado no XIX Congresso, define a etapa actual da luta pelo socialismo: uma democracia simultaneamente política, económica, social e cultural, que afirme a soberania e independência nacionais. De conteúdo de classe antimonopolista e anti-imperialista, esta etapa corresponde aos interesses da esmagadora maioria dos portugueses e assenta em revolucionárias transformações do sistema económico e social, sendo por isso profundamente distinta das democracias burguesas dominadas pelos monopólios. Muitos dos seus objectivos são, aliás, objectivos da revolução socialista.
A luta pela defesa, reposição e conquista de direitos, contra a política de direita e por uma política patriótica e de esquerda é a semente de onde brotará esse Portugal livre e soberano, de volta ao rumo de Abril, apontado ao socialismo.
A Revolução de Outubro fez da Rússia
do atraso crónico a URSS
pioneira da conquista espacial

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Novo futuro começou há cem anos
numa manhã de Outubro
SOCIALISMO A Revolução de Outubro e o processo de construção do socialismo que se lhe seguiu tornaram possíveis extraordinárias realizações políticas, económicas, sociais e culturais, que hoje, cem anos passados, permanecem uma miragem para a generalidade da população mundial. 
Às 10 horas da manhã de 25 de Outubro de 1917 (7 de Novembro no nosso calendário), o Comité Militar Revolucionário anexo ao Soviete de deputados operários e soldados de Petrogrado emitia um comunicado Aos Cidadãos da Rússia!: «O Governo Provisório foi deposto. O poder do Estado passou para as mãos do órgão do Soviete de deputados operários e soldados de Petrogrado – o Comité Militar Revolucionário –, que se encontra à frente do proletariado e da guarnição de Petrogrado. A causa pela qual o povo lutou – a proposta imediata de uma paz democrática, a supressão da propriedade latifundiária da terra, o controlo operário sobre a produção, a criação de um Governo Soviético – esta causa está assegurada. Viva a revolução dos operários, soldados e camponeses!»
Para além de simbolizar a consumação da vitória revolucionária, esta proclamação deixava claro não só o carácter de classe do novo poder como as gigantescas tarefas que daí por diante lhe estavam colocadas. Menos de 24 horas depois, os dois primeiros decretos assumidos pelo II Congresso dos Sovietes de Toda a Rússia (composto por 400 delegados eleitos por mais de 20 milhões de eleitores) – o Decreto sobre a Paz e o Decreto sobre a Terra – concretizavam aquelas que eram as maiores aspirações da classe operária e dos camponeses russos naquele tempo, que Lénine e os bolcheviques tão bem souberam identificar: o primeiro propunha aos países envolvidos na Primeira Guerra Mundial o início imediato de negociações de paz, não uma paz qualquer, mas uma «paz justa e democrática», sem anexações nem indemnizações; o segundo abolia a propriedade latifundiária da terra passando-a, e tudo o que nela se encontrava, para as mãos dos comités agrários e dos sovietes de camponeses.
Nos dias seguintes, novas decisões do Conselho dos Comissários do Povo (como era designado o governo eleito pelo congresso e presidido por Lénine), assumidas enquanto em muitas regiões do vasto país ainda prosseguiam os combates pela consolidação do poder proletário, evidenciavam a natureza socialista do novo Estado. Ao quarto dia da Revolução foi instaurado o direito ao trabalho, a jornada laboral de oito horas, o salário igual para homens e mulheres, os seguros sociais estatais, as férias pagas e as pensões por reforma ou invalidez, o direito à maternidade e à interrupção da gravidez. Nas semanas e meses subsequentes tornaram-se reais garantias como a gratuitidade da assistência médica e da instrução, o direito à habitação e a igualdade entre homens e mulheres em todas as esferas da vida.
A 15 de Novembro é publicada a Declaração dos Direitos dos Povos da Rússia, que acabava com a «grande prisão dos povos» que era o império czarista, característica (mais uma!) que o governo burguês de Kerenski mantivera no essencial: desse dia em diante, era reconhecida a igualdade e soberania dos povos da Rússia, assim como o seu livre direito à auto-determinação. Às minorias nacionais e grupos étnicos era salvaguardado e promovido o direito ao «livre desenvolvimento».
Outro documento fundador da nova Rússia soviética veria a luz do dia no início de Janeiro de 1918: a Declaração dos Direitos do Povo Trabalhador e Explorado consagrava a Rússia como «República dos Sovietes de Deputados Operários, Soldados e Camponeses», organizada em «federação de repúblicas nacionais e soviéticas» baseada no princípio da «união livre de nações livres».
Assumindo os objectivos de suprimir a exploração do homem pelo homem, abolir completamente a divisão da sociedade em classes, implementar a organização socialista da sociedade e fazer triunfar o socialismo em todos os países, a Declaração passava para o controlo do Estado proletário as terras, as florestas, o gado, o subsolo e os bancos. Como primeiro passo para a transferência completa das fábricas, minas e caminhos-de-ferro para o Estado socialista, assegurava a administração operária dos mesmos. 
Epopeia de edificação socialista
Declaração determinava ainda que o poder passava a pertencer «total e exclusivamente» às massas trabalhadoras e à sua representação autorizada, o Soviete dos Deputados Operários, Soldados e Camponeses. A burguesia era afastada de todos os órgãos de administração do Estado. A primeira Constituição soviética, aprovada em meados de 1918, inspirou-se neste documento e consagrou todos os avanços até então alcançados. A nova democracia soviética colocava ao comando dos destinos do país a classe operária, os camponeses, os intelectuais e artistas, a grande maioria do povo, que se dedicaram com entusiasmo revolucionário à exaltante tarefa de construir a nova sociedade. Milhões de operários e camponeses participam na gestão da vida política, económica e social, da fábrica e da aldeia à própria União.
Como é evidente, as extraordinárias conquistas da revolução socialista não se consumaram com a simples aprovação de decretos e declarações. Impuseram-se, sim, graças à tenacidade e combatividade das massas revolucionárias em movimento e à notável capacidade de direcção do Partido Bolchevique e do seu mais destacado dirigente, Lénine. Aliás, nada foi fácil para o poder soviético, confrontado desde o berço com a devastação provocada pela guerra mundial imperialista, o atraso crónico da Rússia, a resistência encarniçada de patrões e latifundiários e, entre 1918 e 1921, com a agressão concertada da reacção interna e da coligação de potências capitalistas, que impuseram à jovem república proletária a guerra civil. O pouco que a guerra mundial poupara era, então, destruído.
Quando, vencida a guerra, os comunistas, a classe operária e o povo soviéticos se lançam decisivamente na tarefa de reconstrução e desenvolvimento da sua pátria – que era já também a de todos os operários e explorados do mundo inteiro! –, o panorama que encontraram perante si era simplesmente desolador. A obra de Nikolai Ostrovski Assim Foi Temperado o Aço (publicada pelas Edições Avante!) é um pungente testemunho do esforço, abnegação, criatividade e heroísmo colectivos que esta epopeia motivou. Seguindo o caminho apontado por Lénine (que acabaria por falecer em 1924), para quem o comunismo significava, na Rússia, o «poder dos sovietes e a electrificação do país», a pátria socialista deu um impressionante salto na criação das condições materiais de edificação do socialismo.
Enquadrado pelos Planos Quinquenais, o desenvolvimento da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), fundada em finais de 1922, processa-se a um ritmo alucinante. São construídas infra-estruturas, centrais, barragens, fábricas, estradas, caminhos-de-ferro, portos, escolas, institutos, universidades, laboratórios e casas de habitação e desbravadas terras, que passam a ser produtivas. No primeiro Plano Quinquenal (1928/32) 1500 novas grandes empresas entram em actividade e o crescimento médio anual registado nesse período foi superior a 13 por cento. Num momento em que o mundo capitalista sofria os dramáticos efeitos da Grande Depressão, nomeadamente o desemprego massivo, ficava cada vez mais evidente a superioridade do sistema económico e social socialista, que em 1930 punha fim precisamente ao flagelo do desemprego. O segundo Plano Quinquenal deu prioridade à colectivização dos campos e à industrialização. Em 1937, a URSS era já, pelo volume de produção, o primeiro país industrial da Europa e o segundo a nível mundial, depois dos Estados Unidos.
Ao contrário das potências capitalistas, que devem o seu desenvolvimento, em grande medida, à brutal exploração dos trabalhadores e dos povos e dos recursos coloniais, a URSS dependeu apenas de si própria, da mobilização das energias revolucionárias do seu povo e do seu sistema socialista para se tornar numa grande potência industrial. Também ao contrário dos países capitalistas, o Estado proletário fez acompanhar o desenvolvimento económico do progresso social: partindo de uma base extremamente baixa – antes da Revolução, 76 por cento da população era analfabeta –, milhões de pessoas foram alfabetizadas nestes anos e muitos filhos de operários e camponeses tornaram-se engenheiros, técnicos, economistas, cientistas, colaborando decisivamente no empreendimento de construção do socialismo. Na mais remota aldeia como no centro das grandes cidades florescem bibliotecas, casas de cultura e instrução, universidades populares, institutos… 
Avanços extraordinários e perenes
A invasão da União Soviética pelas forças hitlerianas, em Junho de 1941, veio interromper não só o Terceiro Plano Quinquenal como o impetuoso processo de construção e edificação socialista. Em 1945, quando a guerra termina, com a União Soviética a assumir o papel determinante no esmagamento do nazi-fascismo, o país estava novamente arrasado, com os níveis de produção a recuarem décadas. Numa nova gesta heroica, recorrendo uma vez mais aos seus próprios recursos e à dedicação revolucionária do seu povo, os soviéticos recuperam o seu país em poucos anos, atingindo em 1950 – apenas cinco anos após o final da guerra – os níveis de dez anos antes, muito embora tivesse de canalizar muitos dos seus esforços para a defesa, questão vital para a sua própria sobrevivência em anos de tenebrosa Guerra Fria.
A URSS colocava-se então nos primeiros lugares em vários indicadores e a conquista espacial era o exemplo mais visível disso mesmo: são soviéticos o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik, lançado em 1957; o primeiro homem no Cosmos, Iuri Gagarine; o primeiro passeio espacial, de Alexei Leonov; e a primeira mulher cosmonauta, Valentina Tereshkova; os primeiros engenhos espaciais que atingiram a Lua; e ainda os foguetões que colocaram em órbita as primeiras estações espaciais.
Mas os alcances históricos do socialismo na União Soviética abarcaram muitos outros domínios, da literatura à música e às artes plásticas, do teatro ao cinema, passando pela dança e o desporto. No final da década de 80 do século XX, a URSS encontrava-se na vanguarda em diversas tecnologias, possuía um terço do total de médicos do mundo e a mais baixa taxa de mortalidade infantil do planeta.
Cem anos após a Revolução de Outubro, nada apaga os seus ideais, valores e conquistas de alcance histórico universal. Os seus efeitos sentem-se ainda hoje nas lutas travadas em todo o mundo pelo progresso, a justiça social e a soberania nacional, tenham ou não disso consciência os seus protagonistas. Da mesma forma, as transformações revolucionárias do futuro terão inequivocamente a sua marca.
Sonho transformado em vida 
A Revolução de Outubro concretizou o sonho milenar dos explorados e oprimidos, após milénios de lutas emancipadoras e libertadoras, dos escravos da Antiguidade aos servos da Idade Média, da Revolução Francesa às insurreições operárias do século XIX e à Comuna de Paris de 1871: a construção de uma sociedade de seres humanos livres e iguais, a Terra sem Amos de que fala A Internacional.


A vitória do proletariado russo consumada a 7 de Novembro de 1917, arduamente defendida nos meses e anos seguintes, confirmou a perspectiva apontada pelos fundadores do socialismo científico, Marx e Engels, magistralmente aplicada e desenvolvida por Lénine à realidade concreta da Rússia e do imperialismo.


Ao contrário do que insistem em afirmar historiadores burgueses, a insurreição vitoriosa de 7 de Novembro não foi um «acaso». Ela radica nas condições da própria Rússia de 1917: um país predominantemente agrícola, com relações feudais a subsistir nos campos, mas com um capitalismo desenvolvido nos principais centros urbanos. O proletariado aí concentrado era altamente explorado e adquirira já nessa altura uma considerável experiência de luta, consolidada nas revoluções de 1905 e de Fevereiro de 1917.


Factor determinante para a vitória de Outubro foi a existência de um forte e experimentado Partido Comunista, solidamente implantado no seio do proletariado industrial, que se revelou capaz de perceber o sentir das massas, organizá-las e lançar as palavras de ordem adaptadas a cada momento de uma realidade em constante e rápida transformação. A contribuição de Lénine para a concepção, construção, desenvolvimento e consolidação deste Partido é, a todos os níveis, notável.
 
O futuro não pertence ao capitalismo
mas ao socialismo e ao comunismo


Revolução, contra-revolução
e a exigência do socialismo
ACTUALIDADE A Revolução de Outubro teve efeitos emancipadores em todo o mundo, que ainda hoje servem de referência à luta dos trabalhadores e dos povos. A crise do capitalismo dá ainda mais força à exigência do socialismo. 
A Revolução de Outubro não se limitou a transformar por completo a velha Rússia. Ela produziu ondas de choque de alcance planetário, dando ânimo à luta dos trabalhadores e dos povos e obrigando as classes dirigentes de todo o mundo a cedências económicas e sociais.
A vitória dos trabalhadores russos e a instauração do poder proletário despertaram uma poderosa onda de solidariedade entre os operários dos países capitalistas, que tomaram as ruas em defesa da jovem revolução, contra a ingerência e a agressão imperialistas. A confirmação de que era possível à classe operária, aos explorados, governarem os seus próprios destinos animou a luta dos trabalhadores de todo o mundo, que se lançaram à conquista de direitos, em vibrantes jornadas de luta que, não raras vezes, assumiram uma natureza insurrecional. Também para os povos colonizados Outubro constituiu um farol libertador de combates crescentes pela emancipação nacional e social.
Por efeito da vitoriosa experiência soviética as correntes revolucionárias do movimento operário reforçaram-se e constituíram-se em todo o mundo partidos comunistas, inspirados no modelo leninista. Em 1919 forma-se a Internacional Comunista.
Após 1945, o prestígio da URSS e o poder de atracção do socialismo atingem o seu expoente mais elevado, devido ao papel determinante do povo, do exército e do partido comunista soviéticos na vitória sobre o nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial: foram soviéticos metade dos mortos desse conflito e foi face aos soviéticos que as forças hitlerianas e os seus aliados sofreram as mais pesadas derrotas e perderam a grande maioria das suas divisões. A eclosão de diversas revoluções vitoriosas, a criação do campo socialista, a derrocada do sistema colonial, a conquista de direitos inéditos pelos trabalhadores dos países capitalistas e a salvaguarda da paz são feitos intimamente ligados ao crescente prestígio do ideal comunista e às conquistas do socialismo. 
Capitalismo no banco dos réus
Inversamente, o desaparecimento da União Soviética e do campo socialista, no início da última década do século XX, provocou um imenso salto atrás dos direitos e conquistas dos trabalhadores e dos povos. Revelando então, por completo, a sua natureza exploradora, opressora, agressiva e predadora, o capitalismo desencadeia uma violenta ofensiva, com o propósito de recuperar posições perdidas e impor a sua hegemonia no plano global, visando garantias políticas, económicas, sociais, culturais e nacionais alcançadas por décadas de luta.
O mundo tornou-se mais injusto, mais desigual e perigoso. As guerras de agressão contra estados soberanos generalizam-se, a corrida aos armamentos e a tensão militar não cessam de se agudizar e crescem diariamente o ataque a liberdades e direitos fundamentais.
Na segunda década do século XXI, apenas oito grandes capitalistas acumulam tanta riqueza como 3,6 mil milhões de seres humanos; os rendimentos de um por cento da população igualam os auferidos pelos restantes 99 por cento; o desemprego atinge 200 milhões de pessoas, enquanto 56 por cento dos empregos criados entre 1997 e 2013 são precários; 17 por cento da população mundial é analfabeta e 795 milhões sofrem de fome crónica; 67 milhões de crianças não frequentam a escola e 168 milhões são vítimas de trabalho infantil. Comparando estes números com as conquistas do socialismo fica clara a superioridade deste face ao capitalismo.
É neste quadro, em constante agravamento, que o socialismo emerge como a mais sólida perspectiva de evolução social, estando nas mãos dos trabalhadores e dos povos, com a sua luta e os seus partidos, tomarem em mãos a exaltante tarefa de retomar os caminhos emancipadores abertos por Outubro. Porque o presente e o futuro da humanidade residem precisamente na realização desse sonho milenar de uma sociedade sem classes, cuja construção a Revolução de Outubro encetou e mostrou ser possível. 
 
Lições que permanecem 
A Revolução de Outubro e a construção do socialismo na União Soviética – nos seus avanços e vitórias como nos seus recuos, erros e derrotas – são ricos em experiências e ensinamentos, de enorme actualidade para todos os comunistas: a organização e natureza do Partido Comunista, o papel do Partido, da classe operária e das massas populares na revolução; as alianças políticas e sociais; as etapas da revolução; o papel do Estado e a questão do poder; a combinação do geral com o particular; a estratégia e a táctica na luta pelo socialismo; a planificação económica e a democracia socialista são algumas das muitas questões teóricas relevantes que Outubro ainda hoje suscita.
«A questão mais importante de qualquer revolução é sem dúvida a questão do poder de Estado. Nas mãos de que classe está o poder, isto é que decide tudo.»
VI Lénine, Uma das questões fundamentais da Revolução, Setembro de 1917
«O governo [soviético] considera que continuar essa guerra pela questão de como partilhar entre as nações fortes e ricas os povos fracos por elas conquistados é o maior crime contra a humanidade (…).»
Decreto sobre a Paz, 8 de Novembro de 1917
«Camaradas trabalhadores! Lembrai-vos que vós próprios dirigis agora o Estado. Ninguém vos ajudará se vós próprios não vos unirdes e não tomardes nas vossas próprias mãos todos os assuntos do Estado. Os vossos sovietes são a partir de agora órgãos de poder de Estado, órgãos plenipotenciários e decisivos.»
VI Lénine, À população!, 19 de Novembro de 1917
«A Rússia é proclamada república dos sovietes de deputados operários, soldados e camponeses. Todo o poder, no centro e localmente, pertence a estes sovietes.»
Declaração dos Direitos do Povo Trabalhador e Explorado, 3 de Janeiro de 1918
«Em dois anos, o poder soviético, num dos países mais atrasados da Europa, fez pela libertação da mulher, pela sua igualdade com o sexo “forte” tanto como em 130 anos não fizeram no seu conjunto as repúblicas “democráticas” mais avançadas do mundo inteiro.»
VI Lénine, O Poder Soviético e a Situação da Mulher, 6 de Novembro de 1919
«Remando contra ventos e marés, o PCP afirma que, aprendendo com as experiências positivas e negativas, é inteiramente válido e motivo da sua existência e da sua luta o seu projecto de uma sociedade nova, sem exploradores nem explorados, uma sociedade de liberdade, igualdade e justiça social, o seu projecto de uma sociedade socialista, o seu ideal comunista.»
Álvaro Cunhal, Março de 1990
«Enriquecidos com a experiência da primeira revolução socialista vitoriosa e a demonstração prática da superioridade da nova sociedade, é com profunda convicção de que o socialismo e o comunismo são o futuro da humanidade que continuamos a nossa luta (...)»
Jerónimo de Sousa, Seminário «Socialismo, Exigência da Actualidade e do Futuro», Junho de 2017
«Comemorar a Revolução de Outubro é afirmar que o futuro não pertence ao capitalismo, pertence ao socialismo e ao comunismo.»
Resolução do Comité Central do PCP, 2016
«Passos gigantescos no processo de libertação dos trabalhadores e dos povos foram dados pelas revoluções socialistas, pela derrota do nazi-fascismo, pelo ruir do colonialismo, pela conquista da independência por povos secularmente submetidos ao jugo colonial, pela conquista de direitos e liberdades fundamentais pelos trabalhadores dos países capitalistas.»
Programa do PCP
http://www.avante.pt/pt/2292/emfoco/147371/
*
(...) O futuro: o socialismo
A tarefa política central na
situação presente é a luta por uma viragem
democrática. Mas o nosso horizonte e a nossa perspectiva
são mais largos. A luta por soluções a curto
e a médio prazo não contradiz antes é um
elemento constitutivo da luta por uma sociedade libertada da exploração
do homem pelo homem, das grandes desigualdades e injustiças
sociais, dos terríveis flagelos do capitalismo.
Combatemos as concepções,
campanhas, tendências e teorizações que visam
criar a ideia de que o capitalismo é um sistema superior
e final, de que a desagregação da URSS mostra o
fim de uma utopia e o fracasso e a inviabilidade do socialismo.
A realidade é outra.
A realidade mundial e a realidade nos
países capitalistas está mostrando que o capitalismo,
pela sua própria natureza exploradora, opressora e agressiva,
não só se mostra incapaz de resolver os mais graves
problemas da humanidade como os está a agravar, no quadro
das insanáveis contradições que se aprofundam
na crise geral do sistema.
É inevitável um recrudescimento
da luta dos trabalhadores, um novo ascenso de lutas revolucionárias,
novos movimentos de libertação social, política,
cultural e nacional, revigoramento do movimento comunista e revolucionário
mundial, novas revoluções socialistas, tendo como
objectivo fundamental a construção de uma sociedade
melhor, uma sociedade socialista
.
Em todo o mundo, a luta por um tal objectivo
recebeu inspiração, força e confiança
na Revolução de Outubro de 1917 na Rússia,
cujas realizações, conquistas e experiências
e cuja influência no desenvolvimento e vitórias da
luta libertadora é incontestável. Continuamos a
considerar a Revolução de Outubro e a construção
do socialismo na União Soviética como fazendo parte
do património e experiência histórica de valor
universal.
Ao longo do século XX multiplicaram-se
revoluções socialistas e nacional-libertadoras.
As experiências diversificaram-se. Alcançaram-se
grandes vitórias e grandes conquistas para os trabalhadores
e para os povos. Ruíu o sistema colonial.
Mas o processo universal, que parecia
progressivo e imparável, sofreu também grandes derrotas
e foi obrigado a consideráveis recuos. Por um lado porque
o capitalismo mostrou potencialidades que haviam sido menosprezadas.
Por outro lado, porque se verificaram fenómenos e evoluções
em países socialistas, contrariando objectivos fundamentais
sempre proclamados pelos comunistas.
Aprendendo com a experiência o
nosso Partido definiu o seu próprio projecto de uma sociedade
socialista para Portugal
 cujas linhas gerais o nosso Congresso

confirma.
A nossa própria experiência
das conquistas de Abril mostra porém que, num processo
revolucionário, a intervenção determinante
e criativa das massas populares introduz elementos novos e correctores
do projecto inicial.
Seria absurdo pensar que para a superação
do sistema socio-económico do capitalismo existe um «modelo»
de processo revolucionário e um «modelo» de sociedade
socialista de aplicação e validade universal
.
O capitalismo demorou séculos
a tornar-se um sistema mundial e teve pelo mundo as mais variadas
formas de economia mista e as mais variadas formas de regimes
político. É previsível (e as experiências
do século XX reforçam a previsão) que o socialismo
e o comunismo venham a ter um percurso histórico igualmente
irregular e desigual nos caminhos e nas soluções.
Esta visão da história
é a nosso ver necessária para a melhor compreensão
das experiências passadas e para o melhor ajuizar das experiências
presentes e das revoluções socialistas do futuro.
Um dos traços da situação
mundial presente é a violenta e brutal ofensiva do imperialismo
(intervenções militares, guerras declaradas e não
declaradas, bloqueios económicos, pressões diplomáticas,
estrangulamentos financeiros, acções de terrorismo
de Estado) para restabelecer e conseguir estabilizar a sua hegemonia
mundial e impedir o novo surto que consideramos inevitável
da luta revolucionária dos trabalhadores e do povos.
O imperialismo apoia ferozes ditaduras
e regimes autocráticos, tudo faz para sufocar e dividir
o movimento operário, liquidar os movimentos sindicais
de classe, dividir e abafar as forças progressistas, liquidar,
perverter ou reduzir a uma insignificante influência os
partidos comunistas, pondo fim, se pudessem, ao movimento comunista
internacional e a perspectiva do seu novo desenvolvimento com
outras forças revolucionárias.
E também, com carácter
estratégico tentar cercar, abafar, criar condições
para restaurar o capitalismo e impor o seu domínio em países
que (com soluções diversas) insistem em definir
como sua orientação e seu projecto a construção
de uma sociedade socialista.
Atinge um cinismo sem limites das forças
do imperialismo, que, ao mesmo tempo que apoiam os mais sanguinários
governos fascistas e autocráticos e que nos seus países
abafam as liberdades e a democracia e desrespeitam elementares
direitos humanos, invoquem a democracia e os direitos humanos
para desencadearem colossais campanhas e agressões contra
outros países.
O projecto e proposta do nosso Partido
de uma sociedade socialista para Portugal diferencia-se em muitos
aspectos da construção do socialismo proposto ou
em curso noutros países.
O nosso XV Congresso confirma
porém a nossa frontal recusa em participar nas campanhas
do imperialismo e a nossa determinação de aprofundar
e reforçar os laços de cooperação,
solidariedade recíproca e amizade, com os partidos comunistas
e revolucionários, com os trabalhadores e o movimento operário,
com as forças progressistas, com os partidos no poder que
insistem no seu objectivo de construir o socialismo nos seus países
.
Eles aqui estão representados
no nosso Congresso, e aqui os saudamos fraternalmente, assim como
saudamos as 59 delegações de partidos comunistas,
de outros partidos revolucionários e progressistas, e de
organizações e movimentos sociais.
A situação mundial
impõe cada vez mais a compreensão, a solidariedade
recíproca, acções comuns ou convergentes
na luta contra o imperialismo.
O nosso XV Congresso confirma que
o PCP continuará a dar a sua contribuição
com estes tão imperiosos objectivos
.
Renovação comunista
A renovação é um
processo contínuo da história de um Partido que,
como o nosso, tem 75 anos de existência e de luta. Deu passos
mais rápidos nos últimos três Congressos.
Dá novos passos neste nosso XVº.
Renovação é um
conceito muito vasto que envolve diversos aspectos.
Para o nosso Partido na hora presente
é antes de mais o rejuvenescimento. Das fileiras
e dos quadros.
É enriquecer os efectivos com
milhares de jovens que vêm ao Partido e à JCP-«juventude
do PC». É enriquecer o Partido com quadros jovens
que assumem novas responsabilidades em todos os níveis
da organização.
E é indispensável que
o reconhecimento dessas responsabilidades não seja apenas
formal mas seja o seu exercício efectivo, pois os quadros
jovens estão em plenas condições de assumi-las
e desempenhá-las.
É também ultrapassar discriminações
e preconceitos, e conseguir que cada vez mais mulheres venham
ao Partido e atribuir às mulheres maiores responsabilidades,
porque é preciso que se ganhe firme consciência de
que as mulheres são tão capazes como os homens de
assumir quaisquer responsabilidades e funções na
sociedade e no Partido.
Renovar não é substituir
por substituir. Não pode significar a adopção
de critérios rígidos que levem a soluções
não vantajosas para o Partido e injustas para quadros valiosos.
Exige que se precedam as decisões de consultas fraternas
dos próprios e dos camaradas que com eles trabalham. Que
o respeito político seja também respeito humano.
E que se seja mais pronto no reconhecimento de deficiências
e erros colectivos e individuais.
Renovação é também
por parte de quadros dirigentes mais idosos (e os seus nomes são
conhecidos e têm sido citados), após dezenas de anos
de provas exemplares de capacidade, coragem e heroísmo,
a compreensão da necessidade de dar lugar a quadros mais
jovens, com novas experiências e mais largo futuro, ao mesmo
tempo que eles próprios continuam e continuarão,
comunistas que são, a militar activamente. Sempre com o
Partido, sempre com os trabalhadores. Sempre com o povo a que
pertencem, com o qual sempre viveram e sempre lutaram e com o
qual viverão e lutarão até ao fim dos seus
dias.
Renovar
não é apenas rejuvenescer as fileiras e os quadros.
É também dar respostas novas às novas
situações, aos novos acontecimentos, é ter
em conta as mudanças, é proceder constantemente
à análise das realidades, é encontrar os
métodos e formas de organização, de comunicação,
de propaganda, de intervenção e de luta adequadas
às exigências de situações concretas
.
Mas que se desiludam os que gostariam
que a renovação do PCP significasse uma mutação
da sua identidade.
A renovação no PCP
é uma renovação comunista. Dá-se não
para que o PCP deixe de ser o partido comunista que é,
mas para que o possa continuar a ser. Não apenas nos tempos
próximos, mas num mais largo futuro
.
O grande colectivo partidário,
a elevada consciência de classe das organizações
e militantes, é a melhor garantia de que as conclusões,
as orientações, os princípios ideológicos,
as linhas de acção, os traços fundamentais
da identidade do Partido definidos neste XV Congresso serão
assegurados tanto na acção imediata como no futuro.
A identidade do PCP
Todos nos lembramos da peremptória
proclamação de Mário Soares, repetindo uma
consigna mundial dos ideólogos do capitalismo, segundo
a qual o comunismo tinha morrido e o PCP estava também
condenado à morte próxima. Todos nos lembramos das
pressões, das tentativas e ameaças de exclusão
institucional para que o PCP desistisse de ser comunista.
Afinal vê-se que ser comunista,
em vez de morte, dá vida. Que afinal o PCP está
vivo, forte e cheio de saúde. E que está unido em
contraste com outros partidos agitados por conflitos, rivalidades
e bagunças internas
. Que está dinâmico

e ligado às massas. E que, desmentindo os bruxos da nossa
praça, em vez de diminuir está a aumentar a sua
força, a sua influência, o seu prestígio.
A que se deve essa realidade para a
qual não encontram explicação os que anunciavam
a morte próxima do PCP?
Deve-se, em medida decisiva, ao facto
de o PCP reafirmar e afirmar criativamente a sua identidade
comunista.
A definição da identidade
comunista que consta na proposta de Resolução Política
não é apenas um ponto entre dezenas de outros pontos
da Resolução. Não é uma definição
conjuntural. É uma definição essencial, fundamental,
determinante de todas as orientações e decisões
políticas, ideológicas, orgânicas, de quadros,
de distribuição de forças, de dinâmica
de acção, de ligação com o povo, de
alianças sociais e de unidade com outras forças
políticas
.
Somos o partido da classe operária
e de todos os trabalhadores, porque no chamado «capitalismo
civilizado» a luta de classes continua e, apesar das alterações
da composição da classe operária e da própria
composição social da sociedade, a classe operária
e os trabalhadores continuam a ter necessidade de um partido independente
dos interesses, pressões e ideologia do grande capital
.

Necessidade tanto maior quanto é certo que, partidos e
organizações corporativas, ideólogos e propagandistas
do grande capital, pressionam para que os trabalhadores desistam
de ter o seu partido e os seus sindicatos de classe e aceitem
transformar as suas organizações políticas
e profissionais (são os ideólogos do grande capital
que o dizem) em organizações de «cidadãos».
Nós, comunistas, defendemos os
direitos dos cidadãos. Mas, tendo em conta que vivemos
numa sociedade na qual há classes sociais que exploram
e classes sociais exploradas, que a luta de classes é uma
realidade objectiva e a política de classe do Governo outra
realidade objectiva, o PCP não é, por exemplo, o
defensor dos interesses dos cidadãos Espírito Santo,
Champalimaud e Mellos contra os cidadãos operários
e outros trabalhadores, mas o defensor dos cidadãos operários
e outros trabalhadores contra os seus exploradores - os cidadãos
Espírito Santo, Champalimaud, Mellos e outros que tais.
Somos um partido que, aprendendo com
a vida, com a experiência, com as vitórias e derrotas,
insiste no objectivo, que o caracteriza e distingue, de construção
em Portugal de uma sociedade socialista, o que exige combatermos
a ofensiva ideológica do capitalismo que pretende demonstrar
que o capitalismo se tornou um sistema civilizado superior e final.
Somos um partido portador de uma teoria
revolucionária que inspirou os comunistas e outras forças
revolucionárias ao longo do século XX, o marxismo-leninismo,
teoria que compreendemos como aquilo que é - dialéctica
e anti-dogmática - teoria que não só explica
o mundo como indica como transformá-lo, ao contrário
do chamado «pensamento único» e o chamado «fim
das ideologias» com que as forças do capital pretendem
impor a sua visão de classe e a sua ideologia.
Somos um partido com ímpar democracia
na vida interna, com os grandes valores do trabalho colectivo,
da direcção colectiva, da participação
efectiva dos militantes nas decisões e não a falsa
democracia de outros partidos em que, depois de uma luta de galos
pelo poder, o chefe é quem pensa, o chefe é quem
decide, o chefe é quem manda, e aos militantes resta o
papel passivo de apoiar ou não apoiar, de votar por ou
contra.
Democracia interna que significa serem
características da vida partidária os direitos dos
militantes de defender livremente as suas opiniões, de
criticarem, de serem consultados quando a consulta é obrigatória,
de serem respeitados, de não sofrerem injustiças
e imposições autoritárias.
Somos um partido simultaneamente patriótico,
defensor desde sempre dos interesses nacionais e da soberania
e independência nacionais, e um partido internacionalista,
que tem, como princípio e prática, a activa solidariedade
para com os trabalhadores, os povos em luta pelos seus justos
direitos, para com as forças políticas e sociais
em luta contra o imperialismo.
O PCP é um grande colectivo militante,
com vontade própria e poder de decisão. Tal como
este grande colectivo combateu no passado e combate hoje todas
as pressões, campanhas, para deixar de ser o que é
e quer ser, assim combaterá com a firmeza comunista, com
a convicção comunista, com a coragem comunista,
quaisquer novas pressões, ameaças e campanhas que
as forças do capital e seus partidos, propagandistas e
agentes continuarão certamente a desenvolver
.
Aqui no nosso XV Congresso, brilha a
bandeira vermelha
 que, segundo a canção, já

na Idade Média era símbolo dos explorados em luta
contra os opressores. Brilham a foice e o martelo símbolo
histórico da aliança do proletariado com o campesinato.
Ouvimos a Internacional, símbolo da solidariedade
internacionalista dos comunistas e dos trabalhadores em geral.
Aqui no nosso XV Congresso está
presente, nos conceitos, nas orientações, nas decisões,
o património de luta e dos objectivos pelos quais os comunistas
lutaram ao longo dos 75 anos de luta do seu Partido.
Dando respostas novas com espírito
criativo antidogmático, às novas situações,
fenómenos, mudanças, exigências da vida, o
XV Congresso está confirmando e afirmando o PCP como
o partido revolucionário que sempre foi, como um grande,
fraterno e unido colectivo de homens, mulheres e jovens, livres
e participantes, empenhados na luta com os objectivos e ideais
comunistas pelos quais, como a vida confirma, vale a pena lutar.
Viva o XV Congresso do PCP!
Viva a Juventude Comunista Portuguesa!
Viva o Partido Comunista Português!
Porto, 7 de Dezembro de 1996
**
Hj no avante
http://www.avante.pt/pt/2084/opiniao/127620/
***

16 de Novembro de 1920: Guerra Civil Russa, tomada de Sebastopol pelos Bolcheviques

O general russo Pyotr Wrangel, líder do Exército Branco, sucumbe em Sebastopol, em 16 de Novembro de 1920, frente aos bolcheviques do Exército Vermelho, que tinham cercado o istmo de Perekop e tomado a cidade, obrigando Wrangel e os seus aliados a bater em retirada.
A guerra civil russa foi um conflito armado que eclodiu em 1917 e terminou  em 1922. Durante este período, tropas de ocupação de 13 países estrangeiros mais exércitos e milícias de diversas matizes políticas, ex-generais czaristas, republicanos liberais, milícias anarquistas do exército insurgente makhnovista, reunidos no que se convencionou chamar de Exército Branco, tentaram derrotar a Revolução bolchevique com o objectivo de voltar o status quo anterior. O Exército Vermelho foi o único vencedor da guerra, após a qual foi constituído o Estado soviético sob liderança dos bolcheviques.

As divisões na sociedade russa já eram evidentes em 1905, quando eclodiu uma revolução popular que atingiu o seu ponto crítico depois do país ter sido derrotado na guerra contra o Japão. A revolução seguinte, em Fevereiro de 1917 foi a que levou à abdicação do czar Nicolau II, mas dividiu o país uma vez que havia uma grande disparidade entre a classe dominante e a população pobre. Os bolcheviques, liderados por Lenine, receberam forte apoio popular e estavam unidos quando tomaram o poder em Outubro, enquanto os opositores se dividiam num amplo espectro de tendências.

O principal instrumento armado na defesa da Revolução bolchevique foi o Exército Vermelho, que teve origem no operariado das fábricas e entre soldados e marinheiros que voltavam da Primeira Guerra Mundial. Esses militantes operários e soldados  organizaram-se em destacamentos conhecidos como Guardas Vermelhos e ajudaram os bolcheviques a conquistar o poder. As forças derrotadas reuniram-se em torno de militares depostos e constituíram o que se chamou de Exército Branco que contou com tropas e apoio logístico de forças de 13 países estrangeiros no sentido de promover a contra-revolução.

Aproveitando-se do caos em que o país se encontrava, as nações aliadas da primeira guerra mundial resolveram intervir a favor dos brancos. Tropas inglesas, francesas, americanas e japonesas e outras desembarcaram tanto nas regiões ocidentais - Crimeia e Geórgia -  como nas orientais - Vladivostok e Sibéria Oriental. O objectivo declarado era derrocar o governo bolchevique e instaurar um regime favorável à continuação da Rússia na guerra. Contudo o objectivo principal, não declarado, era evitar a “contaminação” da Europa pelos ideais socialistas. O primeiro-ministro da França Clemenceau deixou claro essa hipótese ao enunciar que as potências ocidentais deveriam estabelecer um “cordão sanitário” em torno da Rússia.

Nos dias finais da guerra civil, o Exército Branco efectuou desembarques nos rios Kuban e Don, aproximando-se da bacia do Donetz e ameaçando os centros carboníferos do país. A situação do poder soviético complicava-se porque o Exército Vermelho estava já bastante cansado. As tropas vermelhas foram obrigadas a avançar em condições extremamente difíceis, atacando as tropas de Wrangel e lutando, ao mesmo tempo, com os grupos anarquistas de Majno, que ajudavam o general branco.

Porém, apesar de Wrangel ter em seu favor a superioridade da técnica, apesar de carecerem as tropas soviéticas de tanques, o Exército Vermelho expulsou Wrangel para a península da Crimeia. Em meados de Novembro de 1920, o Exército Vermelho tomou as posições fortificadas de Perekop, irrompeu na Crimeia, esmagou as tropas de Wrangel e libertou essa península das mãos dos guardas brancos e dos intervencionistas. A Crimeia passou a formar parte do território soviético.

Não havia porém terminado completamente a intervenção estrangeira. A intervenção armada dos japoneses no Extremo Oriente continuou até 1922. Houve, além disso, várias tentativas destinadas a organizar novas intervenções, como a de Seminov e do barão Ungern, no Oriente, e a branco-finlandesa na Carélia, em 1921. Contudo, as forças fundamentais da intervenção haviam sido destruídas em fins de 1920.

Fontes: Opera Mundi

wikipedia (imagens)

Cartaz do exército branco contra os bolcheviques

Tanques franceses em Odessa durante a intervenção aliada de 1918-1919
 https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2018/11/16-de-novembro-de-1920-guerra-civil.html?fbclid=IwAR2axdAxNqNgqr524WdOSvOBPRXn1MA82Kogcz9izVCJmnk1Hzbz-gk7aBw
***

03 de Março de 1918: A Rússia firma o Tratado de Brest-Litovsk com as Potências Centrais

Um dia após os bolcheviques assumirem o controlo dos quartéis-generais militares russos em Mogilev, um cessar-fogo formal é proclamado em 2 de Dezembro de 1917 em toda a zona de batalha entre a Rússia e as Potências Centrais (Império Alemão, Império Austro-Húngaro, Bulgária e Império Otomano).

Imediatamente após tomarem o poder na Rússia, em Novembro de 1917, os bolcheviques, liderados por Lenine, buscaram contactos com as Potências Centrais para estabelecer um armistício e o fim de uma guerra que eles sabiam ser o maior obstáculo para prover de alimento e terra a população camponesa russa empobrecida e esfaimada.
Leon Trotsky, no exercício das relações exteriores, pressionou o Reino Unido e a França para abrir negociações de paz, ameaçando estabelecer paz em separado caso as suas demandas não fossem aceites. Não tendo recebido resposta dos Aliados, os bolcheviques seguiram adiante com os seus planos, definindo um apelo de paz que foi bem recebido tanto pela Alemanha quanto pelo Império Austro-húngaro.

Como resultado das subsequentes negociações de Brest-Litovsk, concluídas em Março de 1918, após três meses de intensos debates e até de renovados combates militares em algumas áreas, a Rússia perdeu quase dois milhões de quilómetros quadrados do seu território, um terço da sua população, a maior parte do seu carvão, petróleo e jazidas de ferro e muito da sua indústria.

Lenine insistiu que o Congresso dos Sovietes aceitasse a “paz vergonhosa” como ele mesmo a chamou, “a fim de salvar a revolução mundial” e a sua “única base de sustentação – a república soviética.”

A retirada da Rússia da guerra foi um dos principais objectivos da Revolução de Outubro de 1917 e uma das prioridades do recém-criado governo bolchevique. A guerra tornara-se impopular entre o povo russo, devido às imensas perdas humanas (cerca de quatro milhões de mortos).

Entretanto, os termos do Tratado de Brest-Litovsk, assinado no dia 3 de Março de 1918,  eram humilhantes. Por meio do acordo, a Rússia perdia o controlo sobre a Finlândia, Países Bálticos (Estónia, Lituânia e Letónia), Polónia, Bielorrúsia e Ucrânia, assim como das regiões turcas de Ardaham e Kars e do distrito georgiano de Batumi, antes sob seu domínio. Estes territórios continham um terço da população da Rússia, metade da sua indústria e nove décimos de suas minas de carvão.

A maior parte desses passariam,  na prática, a pertencer ao Império Alemão, sob a tutela de reis e duques. Contudo, a derrota da Alemanha na guerra, concluída com o armistício com os países Aliados em Compiègne em 11 de Novembro de 1918, permitiu que Finândia, Estónia, Letónia, Lituânia e Polónia se tornassem Estados soberanos.

Os monarcas indicados tiveram que renunciar aos seus tronos. Por outro lado, a Bielorrússia e a Ucrânia envolveram-se na Guerra Civil russa e terminaram por ser novamente anexadas ao território russo, então sob o nome de União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)



Delegação bolchevique em Brest-Litovsk. Sentados, desde a esquerda: Lev V. Kamenev, Adolff.A.Ioffe, Anastasia A.Bitzenko. De pé: V. V. Lipskiy, P. Stučka, Lev D. Trotsky, Lev M.Karakhan




As primeiras duas páginas do Tratado de Brest-Litovsk, escrito em alemão, húngaro, búlgaro, turco otomano e russo.
https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2019/03/03-de-marco-de-1918-russia-firma-o.html?fbclid=IwAR28PUEQLKhvlPGaKwpduCnK17usk-n_j8XSqlkekAfBdtWhbdMBDJe3nP4 
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27 de Junho de 1905: Revolta da tripulação do couraçado Potemkin em Odessa.

Depois da sua  derrota em Tsushima, um mês antes, diante da armada japonesa, a marinha do czar Nicolau II foi agitada por movimentos diversos de contestação e os oficiais tiveram dificuldade em ser respeitados pelos marinheiros. Em terra, por todo o país,  multiplicavam-se greves e rebeliões após o “Domingo Sangrento” de 22 de Janeiro de 1905 em São Petersburgo.

Sobre o couraçado Potemkin, que levava o nome de um favorito da czarina Catarina II, o comandante capitão Golikov, conseguia preservar a disciplina através da forma como lidava com os seus homens.

Enquanto realizava exercícios no Mar Negro, ao largo de Odessa, o couraçado era reabastecido como de costume com provisões. Ao início da manhã do dia 27 de Junho de 1905, os marinheiros aproximaram-se das carcaças que pendiam sobre a ponte esperando servir-se, quando descobrem a carne em putrefação, fétida e infestada de vermes. O médico de bordo, doutor Smirnov, sentencia que a carne seria comestível depois de lavada com vinagre.

Chega a hora do almoço. No refeitório, os cozinheiros apresentam a referida carne cozida. Os marinheiros recusam-se a comer e vaiam os cozinheiros. Alertado, o capitão tem a má ideia de mandar rufar tambores e reunir a tripulação sobre a ponte. Depois de breves palavras, pede àqueles que aceitam comer que avancem dois passos. Por hábito e resignação, somente alguns veteranos obedecem. Sentindo-se afrontado, o capitão anuncia que não teriam outra coisa para comer.

Entre a tripulação figuravam alguns militantes revolucionários do partido social democrata como o seu líder, Afatasy Matiuchenko. Eles haviam recebido do seu partido a indicação de preparar os marinheiros para uma insurreição geral da frota do Mar Negro.

Um marinheiro, de nome Vakulinchuk, teria protestado junto do capitão contra as condições de vida da tripulação. O capitão saca do seu revólver e fere mortalmente o marinheiro.

Arrastada por Matiuchenko, a tripulação amotina-se. Oito oficiais resolvem juntar-se aos amotinados, contudo, o médico e outros oficiais são mortos e atirados ao mar. O comandante não foi deixado de lado. Um oficial, Alexeiev, prende-o sob vigilância de Matiuchenko.

Os amotinados içam a bandeira vermelha da revolução e dirigem o couraçado até ao porto de Odessa. Ao entrar no porto, ao final da tarde, os marinheiros do Potemkin não sabiam que a lei marcial havia sido decretada pelo general Kokhanov como resultado das greves operárias.

Na véspera, 26 de Junho, uma manifestação havia sido reprimida pela polícia e a cavalaria cossaca. O confronto sangrento entre os manifestantes e as forças da ordem, com centenas de mortos, prosseguiu no dia seguinte. E eis que surge o Potemkin. A chegada do navio arrebata os líderes da greve que sobem a bordo e aliam-se aos chefes dos amotinados. No dia seguinte, o cadáver do marinheiro Vakulinchuk é trazido a terra. Recebe homenagem emocionada de uma imensa multidão de operários e revolucionários.



A multidão excitada sobe a escadaria de 240 degraus que liga o porto ao centro da cidade. O general Kokhanov acciona dois destacamentos de cossacos a cavalo. Do alto da escadaria, os cavaleiros massacram a multidão desarmada, fazendo centenas de vítimas, homens, mulheres e crianças.

Matiuchenko, respondendo a uma proposta de Kokhanov, assegura que os funerais dos mártires decorreriam sem sobressaltos se não ocorresse repressão. Todavia, após os funerais, soldados investem contra a multidão matando indistintamente homens e mulheres. Três marinheiros estavam entre as vítimas. A bordo do Potemkin, os marinheiros decidem bombardear o quartel-genenal instalado no teatro da cidade. Matiuchenko comanda a operação que só atinge casas habitadas por inocentes, resolve então suspender o bombardeio.

O navio solta as amarras. Barcos de guerra vindos de Sebastopol pedem que os amotinados se tranquilizem. Os oficiais mostravam-se temerosos do risco de “contágio” revolucionário.

Prudentes, os oficiais resolvem recuar, porém o couraçado Jorge o Vitorioso encontra um modo de se aproximar do Potemkin. Matiuchenko vê-se frente e frente com três navios de guerra. Resolve voltar a Odessa com o objectivo de conseguir o apoio da população, mas é impedido por um dos navios. 

Matiuchenko ordena abrir fogo. Atingido,  Jorge, o Vitorioso acaba por encalhar num banco de areia antes de voltar ao combate.

Após errar pelas águas do Mar Negro, o Potemkin dirige-se ao porto romeno de Constança onde os amotinados conseguem asilo político. 

Dois anos mais tarde, o czar Nicolau II promete uma amnistia aos revolucionários de 1905. Os amotinados, desconfiados, preferem permanecer na Roménia. Com excepção de cinco deles que preferiram regressar à Rússia, entre eles Matiuchenko. Reconhecido na fronteira, é preso e depois enforcado. Os seus quatro companheiros foram enviados para a Sibéria.
Fontes: Opera Mundi
wiipedia(imagens)

O couraçado em 1905
Matiuchenko, o líder da revolta
 https://www.youtube.com/watch?v=4_UbYdMMsCg
 https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2019/06/27-de-junho-de-1905-revolta-da.html?spref=fb&fbclid=IwAR31IPJBGjjdf3IGRHMLsee0XgUhDjpb6klsO6O-UkS-Wtn6tLTBkLCt-qw
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30dez1922...Proclamação da criação da URSS
avante28dez2017...Manuel Rodrigues escreveu:
A fundação da URSS
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Na antiga Rússia czarista viviam mais de 100 povos e nacionalidades, que se diferenciavam não só pela nacionalidade mas também pelo nível de desenvolvimento político, económico, social e cultural. Nalguns imperavam relações patriarcais, feudais e até mesmo de clã.

Numerosos ramos da indústria estavam nas mãos do capital estrangeiro, sobretudo francês, belga, inglês, alemão e norte-americano, e na maior parte das regiões periféricas encontravam-se num estádio embrionário. Os operários trabalhavam, regra geral, 17 a 18 horas por dia, em troca de um salário miserável. A esta situação juntava-se a ausência de direitos políticos e um grande atraso cultural. No Tadjiquestão, por exemplo, antes da Revolução apenas um em cada 2000 habitantes sabia ler e escrever. Em todo Uzbequistão, apenas duas pessoas possuíam um diploma do Ensino Superior. Mais de 40 nacionalidades não possuíam escrita própria.

Os povos das regiões periféricas nacionais da Rússia viviam em condições muito difíceis. Além da fome, do frio, do trabalho esgotante eram constantemente dizimados por doenças infecciosas como a peste, a cólera, a varíola, o tifo e outras. A situação de exploração e opressão dos povos era tal que a Rússia czarista ficou conhecida como «prisão dos povos».

Desde os primeiros dias da formação do partido bolchevique, os comunistas russos concederam uma importância primordial à teoria revolucionária e elaboraram um programa marxista sobre a questão nacional. Lénine elaborou o programa do «partido proletário de novo tipo» colocando em primeiro plano a necessidade de uma completa igualdade de direitos entre todas as nações, independentemente do número dos seus habitantes, do seu nível de desenvolvimento, da sua etnia, religião, etc.

Além dos Decretos sobre a Paz e sobre a Terra, um dos primeiros e mais importantes documentos do poder soviético foi a «Declaração dos Direitos dos Povos da Rússia» que proclamou a liquidação da antiga política de feroz exploração e de incitamento dos povos uns contra os outros e a sua substituição por uma política de «união voluntária e honesta dos povos da Rússia». A Declaração proclamava:

«1. A igualdade e a soberania dos povos da Rússia.

2. O direito dos povos da Rússia à autodeterminação, incluindo o direito à separação e formação de um Estado independente.

3. A abolição de todos os privilégios e restrições nacionais e religiosas.

4. O livre desenvolvimento das minorias nacionais e dos grupos étnicos que habitam o território da Rússia.»

Em Janeiro de 1918, o III Congresso dos Sovietes de toda a Rússia adoptava a «Declaração dos Direitos do Povo Trabalhador e Explorado»: «A República Soviética da Rússia é fundada na base da livre união das nações livres, como Federação de Repúblicas Soviéticas Nacionais». O mesmo Congresso proclamou a criação da República Socialista Federativa Soviética da Rússia (RSFSR) que a 10 de Julho de 1918 veria aprovada pelo V Congresso de Sovietes de toda a Rússia a sua Constituição.

Pela primeira vez na história da humanidade uma Revolução proclamava e aplicava a autodeterminação dos povos, a igualdade de direitos e a liberdade das nações.

Em Dezembro de 1922, era criada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Em Janeiro de 1924, o II Congresso de Sovietes da URSS adoptou a sua Constituição.

A formação da URSS foi um acontecimento histórico de importância e impacto mundial. Abriu perspectivas de desenvolvimento harmonioso de todos os povos unidos no seio de um Estado Federal e à formação e desenvolvimento multilateral de nações socialistas e determinou avanços extraordinários – nos planos político, económico, social e cultural.

O desaparecimento da URSS em 1991 não desvaloriza a primeira experiência de uma sociedade livre da exploração e da opressão, não apaga a realidade das grandes realizações e conquistas do povo soviético e a decisiva influência da URSS no desenvolvimento mundial, nem altera a natureza exploradora, opressora, agressiva e predadora do capitalismo. O socialismo afirma-se como exigência da actualidade e do futuro.
 http://www.avante.pt/pt/2300/argumentos/148087/
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30 de Dezembro de 1922: Vladimir Ilitch Ulianov, Lenine, proclama a fundação da URSS

No dia 30 de Dezembro de 1922, é fundada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), incluindo a Rússia, a Ucrânia, a Bielorússia, repúblicas da Ásia Central e a Transcaucásia (subdividida em 1936 nas repúblicas da Geórgia, Arménia e Azerbaijão). O poder central estabelecido em Moscovo passa a comandar todos os órgãos da imensa nação soviética. O governo socialista instaura a “ditadura do proletariado” e  atribui a si a missão de destruir as antigas classes dominantes, a burguesia e a aristocracia.

Politicamente, a URSS esteve formada, de 1940 a 1991, por 15 repúblicas constituídas ou autónomas - Arménia, Azerbaijão, Bielorússia, Estónia, Geórgia, Cazaquistão, Quirguízia, Letónia, Lituânia, Moldávia, Rússia, Tadjiquistão, Turcoménia, Ucrânia e Uzbequistão – aparentemente agrupadas numa união federativa. Entretanto, até ao final da União Soviética, as repúblicas tinham realmente pouco poder. A Rússia - oficialmente, República Socialista Federal Soviética Russa (RSFSR) - era apenas uma das repúblicas constituintes, apesar de os termos “Rússia”, “URSS” e “União Soviética” serem utilizados nos noticiários indistintamente.

A União Soviética foi o primeiro Estado erigido com base no socialismo científico marxista e o primeiro Estado proletário da História. Até 1989, o Partido Comunista controlou indirectamente todos os níveis de governo; o Politburo efectivamente governava o país e o seu secretário-geral era o líder mais poderoso da nação. A economia soviética, propriedade do Estado, era dirigida centralizadamente pelos membros da máquina estatal que elaborava os planos de desenvolvimento. A agricultura era dividida em três tipos de propriedade: propriedades  estatais (sovkhozes), propriedades colectivas (kolkhozes) e pequenos lotes de propriedade privada.

A URSS foi o Estado que sucedeu ao império czarista russo e ao governo provisório de curta duração chefiado por Aleksandr Kerensky. Durante o período que se seguiu ao triunfo da revolução bolchevique em 1917, o novo regime teve de adoptar drásticas medidas para enfrentar a invasão de 13 países e do exército branco da burguesia interna para defender a sua revolução. Uma das providências mais duras foi a submissão forçada dos camponeses aos objectivos militares e em favor dos operários urbanos. Milhões de camponeses da região do rio Don, na Ucrânia, morreram de inanição entre 1918 e 1920, quando o exército confiscou os grãos necessários à manutenção dos trabalhadores nas cidades. Esta política que seria levada ao extremo num período posterior, o da colectivização forçada e da implementação dos planos quinquenais.

A URSS havia começado com a conquista do poder pelo Congresso dos Sovietes, dirigido pelo partido bolchevique. Toda a terra seria nacionalizada e seria constituido o Conselho dos Comissários do Povo , que actuaria como primeiro governo dos trabalhadores e dos camponeses presidido por Lenine. Os sovietes garantiram o direito à igualdade e à autodeterminação das inúmeras nacionalidades.

Mas as potências mundiais estrangeiras não viam com bons olhos o triunfo da revolução bolchevique e decidiram sufocá-la. Apesar dos reveses iniciais, os bolcheviques conseguiram repelir os ataques dos invasores e do exército branco no início de 1920, quando o incipiente Exército Vermelho iniciou a contra-ofensiva. A guerra com a Polónia terminou com a assinatura, em 1921, do Tratado de Riga, e a Guerra Civil, após a expulsão das tropas de ocupação japonesas da Sibéria Oriental, no final de 1922.

 Entre 1918 e 1921, num período denominado de “comunismo de guerra”, o Estado assumiu o controlo de toda a economia. Este processo e a inexperiência dos dirigentes provocaram ineficiência e confusão na economia. Em 1921, houve um retorno parcial à economia de mercado com a adopção da NEP (Nova Política Económica), que produziu um período de relativa estabilidade e prosperidade.

No plano político, o tratado de paz com a Polónia, as declarações de independência da Finlândia, Estónia, Letónia e Lituânia e a anexação da Bessarábia pela Roménia reduziram significativamente as dimensões do antigo Império Russo, estabelecendo o que os governos dos países da Europa Ocidental chamaram de "cordão sanitário", separando a Rússia comunista do restante da Europa. Lenine aceitou temporariamente essa quarentena e tratou de reparar os danos causados pela guerra civil.

Em 1922, a Alemanha reconheceu a União Soviética (Tratado de Rapallo), sendo seguida pela maioria dos Estados ocidentais - com excepção dos Estados Unidos, que só fizeram o mesmo passados dois anos. A constituição adoptada em 1924 baseava-se teoricamente na ditadura do proletariado e era economicamente fundada na propriedade pública da terra e dos meios de produção de acordo com a proclamação revolucionária de Outubro de 1917.

Só em 1928 teve início um período de economia planificada dirigido pelo Comité de Planificação Estatal (GosPlan, criado em 1921), colocando em prática o primeiro dos planos quinquenais aplicados por Estaline. Os objetcivos básicos eram transformar a URSS de um país agrícola numa potência industrializada, completar a colectivização da agricultura, transformar profundamente a natureza da sociedade e preparar-se militarmente contra agressões externas que se avizinhavam.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

A Bandeira da URSS

 https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2018/12/30-de-dezembro-de-1922-vladimir-ilitch.html?fbclid=IwAR09ZbyCjeJtWbEvJOiXX73TmB5EA4l9-stfC-rd8GFG3RpJHRsFLBHHz2A
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 é fundada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), incluindo a Rússia, a Ucrânia, a Bielorússia, repúblicas da Ásia Central e a Transcaucásia (subdividida em 1936 nas repúblicas da Geórgia, Arménia e Azerbaijão). O poder central estabelecido em Moscovo passa a comandar todos os órgãos da imensa nação soviética. O governo socialista instaura a “ditadura do proletariado” e  atribui a si a missão de destruir as antigas classes dominantes, a burguesia e a aristocracia.

Politicamente, a URSS esteve formada, de 1940 a 1991, por 15 repúblicas constituídas ou autónomas - Arménia, Azerbaijão, Bielorússia, Estónia, Geórgia, Cazaquistão, Quirguízia, Letónia, Lituânia, Moldávia, Rússia, Tadjiquistão, Turcoménia, Ucrânia e Uzbequistão – aparentemente agrupadas numa união federativa. Entretanto, até ao final da União Soviética, as repúblicas tinham realmente pouco poder. A Rússia - oficialmente, República Socialista Federal Soviética Russa (RSFSR) - era apenas uma das repúblicas constituintes, apesar de os termos “Rússia”, “URSS” e “União Soviética” serem utilizados nos noticiários indistintamente.


A União Soviética foi o primeiro Estado erigido com base no socialismo científico marxista e o primeiro Estado proletário da História. Até 1989, o Partido Comunista controlou indirectamente todos os níveis de governo; o Politburo efectivamente governava o país e o seu secretário-geral era o líder mais poderoso da nação. A economia soviética, propriedade do Estado, era dirigida centralizadamente pelos membros da máquina estatal que elaborava os planos de desenvolvimento. A agricultura era dividida em três tipos de propriedade: propriedades  estatais (sovkhozes), propriedades colectivas (kolkhozes) e pequenos lotes de propriedade privada.


A URSS foi o Estado que sucedeu ao império czarista russo e ao governo provisório de curta duração chefiado por Aleksandr Kerensky. Durante o período que se seguiu ao triunfo da revolução bolchevique em 1917, o novo regime teve de adoptar drásticas medidas para enfrentar a invasão de 13 países e do exército branco da burguesia interna para defender a sua revolução. Uma das providências mais duras foi a submissão forçada dos camponeses aos objectivos militares e em favor dos operários urbanos. Milhões de camponeses da região do rio Don, na Ucrânia, morreram de inanição entre 1918 e 1920, quando o exército confiscou os grãos necessários à manutenção dos trabalhadores nas cidades. Esta política que seria levada ao extremo num período posterior, o da colectivização forçada e da implementação dos planos quinquenais.


A URSS havia começado com a conquista do poder pelo Congresso dos Sovietes, dirigido pelo partido bolchevique. Toda a terra seria nacionalizada e seria constituido o Conselho dos Comissários do Povo , que actuaria como primeiro governo dos trabalhadores e dos camponeses presidido por Lenine. Os sovietes garantiram o direito à igualdade e à autodeterminação das inúmeras nacionalidades.


Mas as potências mundiais estrangeiras não viam com bons olhos o triunfo da revolução bolchevique e decidiram sufocá-la. Apesar dos reveses iniciais, os bolcheviques conseguiram repelir os ataques dos invasores e do exército branco no início de 1920, quando o incipiente Exército Vermelho iniciou a contra-ofensiva. A guerra com a Polónia terminou com a assinatura, em 1921, do Tratado de Riga, e a Guerra Civil, após a expulsão das tropas de ocupação japonesas da Sibéria Oriental, no final de 1922.


 Entre 1918 e 1921, num período denominado de “comunismo de guerra”, o Estado assumiu o controlo de toda a economia. Este processo e a inexperiência dos dirigentes provocaram ineficiência e confusão na economia. Em 1921, houve um retorno parcial à economia de mercado com a adopção da NEP (Nova Política Económica), que produziu um período de relativa estabilidade e prosperidade.

No plano político, o tratado de paz com a Polónia, as declarações de independência da Finlândia, Estónia, Letónia e Lituânia e a anexação da Bessarábia pela Roménia reduziram significativamente as dimensões do antigo Império Russo, estabelecendo o que os governos dos países da Europa Ocidental chamaram de "cordão sanitário", separando a Rússia comunista do restante da Europa. Lenine aceitou temporariamente essa quarentena e tratou de reparar os danos causados pela guerra civil.


Em 1922, a Alemanha reconheceu a União Soviética (Tratado de Rapallo), sendo seguida pela maioria dos Estados ocidentais - com excepção dos Estados Unidos, que só fizeram o mesmo passados dois anos. A constituição adoptada em 1924 baseava-se teoricamente na ditadura do proletariado e era economicamente fundada na propriedade pública da terra e dos meios de produção de acordo com a proclamação revolucionária de Outubro de 1917.


Só em 1928 teve início um período de economia planificada dirigido pelo Comité de Planificação Estatal (GosPlan, criado em 1921), colocando em prática o primeiro dos planos quinquenais aplicados por Estaline. Os objetcivos básicos eram transformar a URSS de um país agrícola numa potência industrializada, completar a colectivização da agricultura, transformar profundamente a natureza da sociedade e preparar-se militarmente contra agressões externas que se avizinhavam.

Fontes: Opera Mundi
 http://estoriasdahistoria12.blogspot.pt/2014/12/30-de-dezembro-de-1922-vladimir-ilitch.html
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08 de Março de 1917: Manifestações em Petrogrado dão início à Revolução de Fevereiro, na Rússia

Famintos e esgotados pela guerra, os russos organizam greves gerais e manifestações em todas as grandes cidades do país. Em Petrogrado, a capital, os operários reclamam em 8 de Março de 1917 a formação de um novo governo. O seu slogan: "Abaixo a autocracia". O movimento desembocaria na abdicação do czar Nicolau II. A Rússia vivia sua primeira revolução, chamada “Revolução de Fevereiro”, visto que, segundo o calendário Juliano, ela teve lugar no mês de Fevereiro e não em Março.
Uma semana mais tarde, séculos de governos autocráticos czaristas na Rússia terminam com a abdicação do czar Nicolau II e a Rússia dá um dramático passo em direcção a uma próxima revolução bolchevique. 
Em 1917, a maioria dos russos havia perdido a sua fé na capacidade de liderança do regime czarista. A corrupção no governo era desenfreada e galopante, a economia permanecia atrasada e o czar repetidamente dissolvia a Duma, o parlamento russo estabelecido após a Revolução de 1905, quando ele afrontava os seus desejos. Contudo, a causa imediata da Revolução de Fevereiro – a primeira fase da Revolução Russa de 1917 – foi o desastroso envolvimento da Rússia na Primeira Guerra Mundial.

Militarmente, a Rússia imperial não representava uma ameaça para a industrializada Alemanha e as baixas russas eram maiores do que aquelas sofridas por qualquer nação em qualquer guerra anterior. Entretanto, a economia desbaratava-se irremediavelmente devido ao alto custo do esforço de guerra. Sectores moderados juntaram-se, então, aos sectores mais radicais apelando para o derrube do czar.

Em 8 de Março de 1917, manifestantes clamando por pão tomaram as ruas da capital russa de Petrogrado, hoje conhecida como São Petersburgo. Suportados por 90 mil homens e mulheres em greve, os manifestantes enfrentaram a repressão policial e recusaram-se a deixar as ruas.

Em 10 de Março, a greve já se estendia a todos os trabalhadores de Petrogrado e massas iradas de trabalhadores destruíam os postos policiais. Diversas fábricas elegeram os seus operários como deputados ao Soviete de Petrogrado ou Conselho de Comités de Trabalhadores, seguindo o modelo concebido durante a Revolução de 1905.

Em 11 de Março, as tropas da guarnição do exército em Petrogrado foram convocadas para sufocar a revolta. Em alguns encontros, os regimentos abriram fogo matando dezenas de manifestantes.
No entanto, os revoltosos mantiveram-se firmes nas ruas e as tropas começaram a vacilar. Nesse dia, novamente, o czar Nicolau dissolveu a Duma. Em 12 de Março, a revolução triunfa quando regimento após regimento da guarnição de Petrogrado depõe as armas e se passam para o lado dos revolucionários. Os soldados, cerca de 150 mil, formaram em seguida comités que elegeram representantes ao Soviete de Petrogrado.

O governo imperial foi obrigado a renunciar e a Duma formou um governo provisório, chefiado por Georgy Lvov, que competia pacificamente com o Soviete de Petrogrado pelo controlo da revolução.
Em 14 de Março, o Soviete de Petrogrado expedia a "Ordem nº 1" que instruía os soldados e marinheiros a obedecer apenas às ordens que não entrassem em conflito com as directivas do Soviete. No dia seguinte, 15 de Março, o czar Nicolau II abdicava do trono em favor do seu irmão Miguel, cuja recusa em assumir a coroa levou ao fim da autocracia czarista.

O novo governo provisório, tolerado pelo Soviete de Petrogrado, esperava resgatar o esforço de guerra enquanto terminava com a escassez de alimentos e muitas outras mazelas domésticas.

Em 21 de Julho, assume o comando do governo provisório Alexander Kerensky. Ele teria de enfrentar tarefas de enormes proporções. Entretanto, Lenine, líder do partido revolucionário bolchevique, deixava o seu exílio na Suíça e cruzava as linhas inimigas alemãs, retornando à Rússia para assumir o controlo da Revolução Russa.
 
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
A large gathering of people outside, some holding banners
As manifestações de operários

Prisão de polícias por parte de operários e membros do exército

Patrol of the October revolution.jpg
 https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2019/03/08-de-marco-de-1917-manifestacoes-em.html?spref=fb&fbclid=IwAR1-ymE8XQ2O6GXmhM3uQmrnIOzPP0axtZJrKQN7ASJLkiUZBT3sjx5fklg
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