“Os escravos do século XXI não precisam ser caçados, transportados e leiloados através de complexas e problemáticas redes comerciais de corpos humanos. Existe um monte deles formando filas e implorando por uma oportunidade de trocar suas vidas por um salário de miséria. O “desenvolvimento” capitalista alcançou um tal nível de sofisticação e crueldade que a maioria das pessoas no mundo tem de competir para serem exploradas, prostituídas ou escravizadas.”
— Luther Blissett
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8nov2013...
Saudação de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral, Lisboa, 15º. Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários
Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários
Sexta 8 de Novembro de 2013ARTIGOS RELACIONADOS
Nota do Gabinete de Imprensa do PCP
15º. Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários - 8 a 10 de Novembro, em Lisboa
Terça 5 de Novembro de 2013
Prezados camaradas
Em nome do Comité Central do Partido Comunista Português dou-vos as boas-vindas a Portugal e transmito-vos as fraternais saudações dos comunistas portugueses.
Alegra-nos muito a presença de um tão grande número de delegações, sinal evidente da importância que o processo dos Encontros Internacionais de Partidos Comunistas e Operários adquiriu no movimento comunista e revolucionário internacional.
Entre os presentes há partidos que estão no poder e que colocam como objectivo a construção do socialismo mas a esmagadora maioria veio de países onde, como em Portugal, se travam duras lutas de classe que exigem muito dos comunistas, de países onde o anticomunismo é política de Estado e onde cruéis ditaduras forçam os revolucionários aos perigos e rigores da clandestinidade, de regiões onde o imperialismo semeia a guerra, a morte e a destruição, vieram mesmo quando tarefas internas de grande importância reclamavam também a sua presença.
Aqui estamos neste 15º Encontro, unidos pelos mesmos ideais libertadores, pela mesma convicção de que a alternativa à barbárie capitalista é o socialismo e que a luta quotidiana em defesa dos interesses dos trabalhadores e dos povos e pela transformação progressista e revolucionária da sociedade, exige o reforço dos partidos comunistas e da sua cooperação internacionalista tendo como núcleo a solidariedade de classe, o internacionalismo proletário.
Aqui estamos para trocar informações e experiências, para actualizar a nossa visão da complexa realidade internacional e das principais tendências do desenvolvimento mundial, para aprofundar o conhecimento e compreensão recíprocos e estreitar relações de amizade e solidariedade entre os nossos partidos, para decidir linhas e iniciativas de cooperação e acção comum ou convergente.
Em tempos de globalização imperialista, quando, perante o desaparecimento do socialismo como sistema mundial o sistema capitalista estende os seus tentáculos a todo o mundo e acentua a sua natureza exploradora, opressora, predadora e agressiva, quando o grande capital e as grandes potências imperialistas, apesar de rivalidades e contradições que a crise está a agudizar, articulam estreitamente a sua ofensiva de classe contra os trabalhadores e povos de todo o mundo, mais necessária se torna a cooperação dos partidos comunistas e operários e a cooperação destes com outras forças revolucionárias e anti-imperialistas para a construção de uma ampla e combativa frente anti-imperialista.
Este processo dos Encontros Internacionais de Partidos Comunistas e Operários, não sendo nem devendo ser uma estrutura nem obedecendo a qualquer ilusória tentação de homogeneização é, sem dúvida, o mais importante instrumento facilitador dessa cooperação internacionalista. Um processo que é desejável e possível aperfeiçoar como está previsto considerar neste Encontro, mas que é necessário defender e preservar, consolidando o que a experiência prática já mostrou ser útil e procurando resolver problemas resultantes da evolução do próprio processo e da necessidade de o adequar sempre melhor às exigências da luta.
Cada um dos nossos partidos tem os seus próprios percursos históricos, luta em condições económicas e sociais muito diferentes, definem Programas que respondem às suas condições específicas de luta e propôem-se tarefas imediatas diferenciadas. Perante os complexos desafios que se colocam aos comunistas o aparecimento de diferenças de opinião e divergências é praticamente inevitável. Não ignoramos aliás a diversidade de posições existente no nosso movimento sobre questões da história, da teoria e da prática revolucionária. Mas é profunda convicção do PCP que o que nos une é bem mais forte do que aquilo que, em tal questão ou em tal momento, possa separar-nos. E que, com respeito mútuo e esforço de compreensão recíproca não há dificuldade que não possamos ultrapassar através do trabalho colectivo, da discussão franca e fraternal, e sobretudo, da cooperação para a acção comum voltada para as massas. É daí que vem o principal impulso para a desejável aproximação de posições e para o fortalecimento da unidade do movimento comunista e revolucionário internacional.
Em Portugal vivemos a mais violenta ofensiva contra as condições de vida e os direitos dos trabalhadores e do povo desde o tempo do fascismo. Uma ofensiva em que o grande capital nacional aliado e submetido ao capital transnacional, com a intervenção do FMI e da União Europeia e do “memorando de entendimento” ( que justamente designamos por Pacto de Agressão) assinado pelo PS e os partidos do Governo com a troika estrangeira, está a agravar a exploração, a empobrecer os portugueses, a destruir a economia do país, a liquidar a soberania nacional, a atacar o regime democrático e a Constituição que o consagra.
É uma ofensiva que, nas suas linhas fundamentais, se inscreve na resposta do sistema capitalista à crise em que se debate com a intensificação brutal da exploração dos trabalhadores e dos povos e a acentuação da tendência rentista predadora com que o capital financeiro procura compensar a baixa tendencial da taxa de lucro. Mas que, em comparação com outros países capitalistas, apresenta particularidades que resultam de que o nosso país conheceu uma revolução que destruiu o capitalismo monopolista de Estado e realizou transformações profundas da estrutura socio-económica que colocaram Portugal no caminho do socialismo. Embora as grandes conquistas tenham sido destruídas ao longo de 37 de anos de processo contra-revolucionário, esta revolução “inacabada” vive ainda em realizações, experiências e valores que, como a Constituição da República, a classe dominante tenta a todo o custo destruir, mas que o PCP procura defender e projectar no futuro de Portugal incorporando-os no seu Programa.
A Democracia Avançada que o PCP propõe ao povo português, etapa actual da revolução em Portugal, situa-se na continuidade histórica da revolução democrática e nacional, tem uma natureza de classe antimonopolista e anti-imperialista e é parte integrante e indissociável da luta pelo socialismo e o comunismo em Portugal. Muitas das suas tarefas fundamentais são já tarefas da sociedade socialista.
É com esta perspectiva que o PCP desenvolve a luta quotodiana em defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo, pela ruptura com mais de 37 anos de políticas de direita e com o processo de integração capitalista europeu, pela demissão do governo e a realização de eleições legislativas antecipadas, condição necessária para interromper o actual rumo de rapina e desastre nacional e abrir caminho a uma política e a um governo patrióticos e de esquerda.
A situação que enfrentamos é difícil e muito perigosa para os direitos dos trabalhadores, para o regime democrático, para a independência nacional. Mas o governo reaccionário está crescentemente desacreditado e isolado. Contra a ofensiva antipopular e anti-nacional desenvolve-se uma ampla frente de resistência e luta que se exprime nestes dias em lutas muito diversificadas nas empresas e nas ruas e que tem passado por Greves Gerais e outras acções de massas de grande dimensão como as Manifestações do passado dia 19 de Outubro nas pontes de Lisboa e Porto, frente em que a classe operária e o movimento sindical de classe protagonizado pela CGTP-IN desempenha um papel fundamental, mas em que participam de modo crescente outras classes e camadas anti-monopolistas também elas atingidas duramente pelo grande capital. E nas recentes eleições autárquicas, em que o PCP e seus aliados da Coligação Democrática Unitária registaram um bom resultado, os partidos do governo sofreram uma séria derrota. A prática está a confirmar que, como noutros momentos da luta do povo português pela sua emancipação, a intensificação e alargamento da luta popular de massas é o caminho da vitória.
Simultâneamente, é fundamental o reforço do Partido com o aumento dos seus efectivos, o seu enraizamento nas empresas e locais de trabalho, o estreitamento da sua ligação às massas. Não há alternativa sem o PCP e muito menos contra o PCP. E quanto mais enraizado na realidade nacional estiver o nosso partido e mais empenhado nas tarefas de classe e nacionais, inseparáveis no processo da revolução portuguesa, maior será a sua contribuição internacionalista.
Um Partido que afirma e defende com convicção a sua natureza de classe; a sua base teórica marxista-leninista, concepção do mundo necessariamente criadora, contrária à dogmatização assim como à revisão oportunista dos seus princípios e conceitos fundamentais; a sua democracia interna assente no desenvolvimento criativo do centralismo democrático; a sua linha de massas; o seu projecto de uma sociedade socialista; o seu patriotismo e internacionalismo; um partido que, com legítimo orgulho, toma nas suas mãos o rico legado revolucionário do camarada Álvaro Cunhal cujo Centenário este ano comemoramos.
Um Partido que, sendo produto do desenvolvimento do movimento operário português, se orgulha de ter nascido sob o impacto internacional desse extraordinário acontecimento histórico que foi a Revolução Socialista de Outubro, quando o proletariado russo sob a direcção do Partido bolchevique de Lénine conquistou o poder e se lançou com heroísmo e criatividade na construção da nova sociedade socialista. Ao saudarmos o 96º aniversário desses “dez dias que abalaram o mundo” estamos convictos de que o caminho desde então percorrido, com as suas extraordinárias realizações e conquistas e apesar das suas dramáticas derrotas, confirma a necessidade e a superioridade do novo sistema económico e social, e que é justa e invencível a causa por que lutamos.
Acolhendo em Lisboa este nosso 15º Encontro de Partidos Comunistas e Operários queremos contribuir para o reforço do movimento comunista e revolucionário internacional, considerando com grande convicção que o que melhor serve a sua unidade é o respeito pelos princípios da igualdade, respeito mútuo, não ingerência nos assuntos internos e solidariedade recíproca. Fizemos e continuaremos a fazer o que estiver ao nosso alcance para o êxito do nosso Encontro e para a consolidação, avanço e aperfeiçoamento do processo dos EIPCO.
Do mesmo modo, a vossa presença aqui, em feliz coincidência com um momento marcante das comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal, o Comício Comemorativo do próximo dia 10 para o qual todos vós estão convidados, vêmo-la como um gesto de solidariedade para com o nosso Partido e a sua luta.
Camaradas
O capitalismo debate-se com contradições que são insolúveis no quadro do sistema e exigem a sua superação revolucionária. A crise de sobreprodução e sobreacumulação de capital que explodiu com a falência do Lehman Brothers continua sem fim à vista. Uma centralização e concentração de capital e de poder sem precedentes é acompanhada do brutal agravamento da exploração, do ataque a salários e rendimentos do trabalho, do crescimento da pobreza, do desemprego, do trabalho precário, do desmantelamento, lá onde existam, das funções sociais do Estado. O grande capital e as grandes potências imperialistas, a começar pelos EUA que não desistiram ainda de tentar impor ao mundo a sua hegemonia, todos os dias semeiam a morte, a destruição e o terror pelos quatro cantos do mundo.
Mas o imperialismo não tem as mãos inteiramente livres. Embora desigual e irregular, prossegue por toda a parte a resistência e a luta dos trabalhadores e dos povos, que se exprime por vezes em grandes lutas populares como em Portugal e noutros países da Europa, em processos inéditos de afirmação de soberania e progresso social, como na América Latina, em valiosas expressões de luta contra as agressões imperialistas. E enquanto a base social de apoio do capitalismo se estreita cada vez mais, amplia-se na consciência dos povos a rejeição do capitalismo e a necessidade de alternativa, do socialismo.
A situação que vivemos no plano mundial é uma situação extraordinariamente complexa, que comporta riscos de uma dramática regressão civilizacional e mesmo de catástrofe para a Humanidade mas que, simultâneamente, encerra grandes potencialidades de desenvolvimentos progressistas e revolucionários.
É uma situação que coloca os comunistas perante grandes responsabilidades, tanto perante a classe operária e o povo dos países respectivos, em que o seu enraizamento é indispensável e insubstituível, como no plano internacional com o necessário estreitamento da sua amizade, cooperação e solidariedade. O que os trabalhadores e os povos esperam, e têm o direito de obter dos comunistas, é uma mensagem de unidade, de luta organizada, de confiança revolucionária.
Esta mensagem ninguém a dará por nós. Podeis estar certos camaradas que, pela sua parte, o PCP fará o que estiver ao seu alcance para ir ao encontro desta responsabilidade.
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a importância de ler o avante:
2 exemplos:
1º
http://www.avante.pt/pt/2085/opiniao/127733/
2º
14nov2013
O Encontro confirmou a diversidade de situações em que lutam os partidos
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a importância de ler o avante:
2 exemplos:
1º
http://www.avante.pt/pt/2085/opiniao/127733/
2º
14nov2013
- Jorge Cadima
O Encontro confirmou a diversidade de situações em que lutam os partidos
Encontro Internacional
O 15.º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários trouxe a Lisboa, no passado fim-de-semana, representantes de 77 partidos, provenientes de 61 países do globo. Durante dois dias e meio, o nosso País foi palco de relatos dos problemas e das lutas dos povos, dos múltiplos aspectos da ofensiva do grande capital, dos efeitos devastadores da crise do capitalismo, das experiências, recuos e avanços dos partidos que nasceram para serem organizadores da luta dos trabalhadores e dos povos e para os conduzirem pelos caminhos que levarão à construção da única alternativa real ao sistema capitalista: o socialismo.
O Encontro confirmou a diversidade de situações em que lutam os partidos comunistas e operários. Há partidos que lutam na clandestinidade e que são alvo de ferozes perseguições. Há partidos no poder, ou em governos, que afirmam a sua vontade e determinação de construir o socialismo. Há partidos que, ultrapassando numerosos obstáculos de natureza económica, política, financeira, ideológica e organizativa são, nos respectivos países, os principais organizadores da luta de massas. Há partidos que procuram ainda recuperar de derrotas, liquidações ou do enfraquecimento das duas últimas décadas. Há partidos que lutam em países com fraco nível de desenvolvimento económico, e outros que actuam nas maiores potências económicas do planeta. Há partidos que lutam pela libertação nacional e social, em países ocupados ou sob dominação estrangeira, e outros que agem nos principais centros imperialistas.
Mas se a diversidade de contextos em que os partidos comunistas e operários actuam é enorme, comuns são os seus ideiais e objectivos de luta. Comum é o inimigo – o sistema capitalista de exploração do homem pelo homem. E na maioria dos casos, comuns são as tendências do momento presente. De muitas partes do planeta chegam os relatos da brutal ofensiva contra os trabalhadores, os seus salários e reformas, os direitos laborais e sociais alcançados no século XX, sob o efeito decisivo das revoluções socialistas e nacional-libertadoras. De muitas partes chegam as denúncias da profunda marca de classe de políticas e governos que, ao mesmo tempo que atacam e empobrecem os trabalhadores e os povos, engordam e subsidiam os grandes banqueiros e capitalistas. De muitas partes do planeta chegam os ecos dum crescente autoritarismo e repressão das classes dominantes que, sem saberem como sair das contradições e da crise do capitalismo, recorrem à força para impor o aumento da exploração e a sua dominação de classe. Há cada vez mais países devastados pelas guerras, ataques e subversões directamente ou indirectamente perpetrados pelas grandes potências imperialistas, a fim de impor a sua hegemonia – muitas vezes em acesas disputas entre si. Mas há também experiências de grandes lutas de massas, sem paralelo nos anos mais recentes. De resistências vitoriosas. E há experiências promissoras e positivas que conduzem a melhorias nas condições de vida e nos direitos de povos e à afirmação de soberanias nacionais face ao imperialismo.
A diversidade de situações gera naturais e inevitáveis diferenças na definição de formas e objectivos de luta. Não constituem problema, desde que sejam respeitados os princípios que devem sempre presidir ao relacionamento entre partidos: solidariedade, respeito mútuo, franqueza no trato, igualdade, não ingerência nos assuntos internos. São os princípios pelos quais o PCP sempre se procurou nortear, nas suas relações bilaterais e multilaterais. São os princípios que asseguram a unidade e reforço do movimento.
A realidade do mundo actual exige dos Partidos Comunistas e Operários mais capacidade de intervenção, mais enraizamento nas massas e um maior papel organizador das lutas. É isso que os trabalhadores e povos esperam dos comunistas. É essa a responsabilidade colectiva e o dever do nosso movimento.
