29/11/2013

7.207.(29nov2013.13.31') PCP, na linha certa, contra o aumento da idade da reforma e contra a incerteza..."evolução da esperança média de vida."

Intervenção de Jorge Machado na Assembleia de República

Governo pretende que a idade da reforma seja uma incerteza na vida dos trabalhadores


Senhora Presidente,
Senhores membros do Governo,
Senhores Deputados,
Com uma exposição de motivos de apenas dois parágrafos e alterando apenas dois artigos da lei de bases da segurança social, este Governo de desgraça nacional, aumenta a idade de reforma de todos os trabalhadores portugueses.
Para o ano de 2014, o Governo pretende mudar o ano de referência do dito fator de sustentabilidade do ano 2006 para 2000 para assim, a martelo, aumentar imediatamente a idade de reforma para os 66 anos.
Não satisfeito, além de aumentar a idade de reforma, o Governo atira para a incerteza a vida dos trabalhadores.
Na verdade, com esta proposta de lei a partir de 2015 passa a ser impossível saber qual é a idade da reforma uma vez que esta passa a estar condicionada à evolução da esperança média de vida. Ao contrário do que o Governo afirma, a verdade é que a idade de reforma em 2015 ou 2016 poderá atingir os 67 ou 68 anos.
Assim, com esta proposta de lei, deixa de ser possível aos trabalhadores programar a sua própria vida, as suas opções e a passagem à idade de reforma.
Numa concepção do ser humano como mais uma peça de uma máquina que se destina a trabalhar, o aumento da esperança média de vida representa para este Governo mais tempo de trabalho e não uma melhoria da qualidade de vida ou a possibilidade de gozar uma reforma com mais tempo e qualidade.
Usando as portas que o PS abriu, com a introdução do fator de sustentabilidade, o Governo PSD/CDS usa o avanço o progresso tecnológico, o aumento da esperança média de vida, para atacar as condições de vida dos trabalhadores e não para as melhorar. Esta opção é ainda mais obscena porque esses mesmos avanços tecnológicos levam a que a riqueza criada por cada trabalhador seja, hoje, muito superior à criada aquando da fixação da idade de reforma nos 65 anos. Assim, não só é justo como necessário colocar o desenvolvimento ao serviço da qualidade de vida dos trabalhadores e não ao serviço da exploração e da injustiça, como faz o Governo.
Importa referir que o aumento da idade de reforma aumenta o desemprego, uma vez que obriga os trabalhadores a arrastarem-se no trabalho porque não têm alternativa.
O Governo PSD e do CDS, aquele partido dos reformados e do cisma grisalho, ao contrário do que afirmam, não têm em conta as longas carreiras contributivas e penalizam todos os trabalhadores.
Efetivamente, há trabalhadores que começaram a suas carreiras contributivas muito cedo, começaram a trabalhar com 14 ou 15 anos de idade, e que hoje tendo 40 ou mais anos de descontos se vêm obrigados a trabalhar mais e mais tempo.
Isto, além de injusto, é imoral.
O PCP reitera assim a sua proposta de que os trabalhadores com 40 ou mais anos de carreira se possam reformar, independentemente da idade, e sem penalizações.
É também justo lembrar que a esperança de vida de um trabalhador da construção civil ou de um operário não é igual à esperança de vida de um grande empresário, pelo que meter todos, todas as classes sociais, no mesmo saco penaliza quem teve vidas muito duras e consequentemente uma esperança de vida inferior à dita média.
Para o PCP, a sustentabilidade financeira da segurança social não passa por penalizar os trabalhadores, esse é o único caminho que o Governo conhece para não tocar nos grandes grupos económicos.
Para o PCP, o caminho passa sim por atacar a fraude e as fugas às contribuições, passa por combater o desemprego, que além do drama social representa mais despesas e perda de receitas, passa por diversificar as fontes de financiamento da segurança social obrigando a quem muita riqueza acumula, mas pouco contribui para a segurança social, a descontar mais em função da riqueza criada.
O objetivo do governo está traçado: poupar 205 milhões à custa dos trabalhadores, obrigando-os a trabalhar mais tempo e assim agravar as injustiças e a exploração no nosso país. Para o PCP, este governo tem o seu fim traçado: ser derrotado pelo povo e pelos trabalhadores para, o mais rapidamente possível, ir parar ao caixote do lixo da história, e assim criar condições para romper com este caminho de desgraça, injustiça e agravamento da exploração de quem trabalha.
Disse.