Tertúlias às terças vem desejar um bom Ano, com muita disponibilidade para boas leituras e agradáveis discussões sobre o que lê!
E já faltam poucos dias para a primeira reunião do Ano.
Dia 7 de Janeiro de 2014 apareça no Tertúlia Café, às 18 horas.
"A cidade e as serras" de Eça de Queiroz será o primeiro livro a ser discutido.
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" A arte é um resumo da natureza feito pela imaginação".
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Nasce a 25noVEMbro1845
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16 de Agosto de 1900: Morre o escritor e diplomata português José Maria Eça de Queiroz, autor de "Os Maias"
Escritor português, José Maria Eça de Queirós
nasceu a 25 de novembro de 1845, na Póvoa de Varzim, filho de um magistrado,
também ele escritor, e morreu a 16 de agosto de 1900, em Paris. É considerado um
dos maiores romancistas de toda a literatura portuguesa, o primeiro e principal
escritor realista português, renovador profundo e perspicaz da nossa prosa
literária.
Entrou para o Curso de Direito em 1861, em Coimbra, onde conviveu
com muitos dos futuros representantes da Geração de 70, já então aglutinados em
torno da figura carismática de Antero de Quental, e onde acedeu às recentes ou
redescobertas correntes ideológicas e literárias europeias: o Positivismo, o
Socialismo, o Realismo-Naturalismo, sem, contudo, participar ativamente na que
seria a primeira polémica dessa geração, a Questão Coimbrã (1865-1866).
Terminado o curso, iniciou a sua experiência jornalística como redator do
jornal O Distrito de Évora (1866) e como colaborador na Gazeta de Portugal, onde
publicou muitos dos textos - indiciadores de uma nova estilística imaginativa -
postumamente reeditados no volume das Prosas Bárbaras. Em 1867 fundou o jornal O
Distrito de Évora. No final desse ano, formou-se o "Cenáculo", de que viriam a
fazer parte, nesta primeira fase, além de Eça, Jaime Batalha Reis, Ramalho
Ortigão, Oliveira Martins e Salomão Saragga, entre outros. Após uma viagem pelo
Oriente, para assistir à inauguração do canal de Suez como correspondente do
Diário Nacional, regressou a Lisboa, onde participou, com Antero de Quental e
Jaime Batalha Reis, na criação do poeta satânico Carlos Fradique Mendes e
escreveu, em 1870, em parceria com Ramalho Ortigão, o Mistério da Estrada de
Sintra. No ano seguinte, proferiu a conferência "O Realismo como nova expressão
da Arte", integrada nas Conferências do Casino Lisbonense e produto da evolução
estética que o encaminha no sentido do Realismo-Naturalismo de Flaubert e Zola,
com influência das doutrinas de Proudhon e Taine. No mesmo ano, iniciou,
novamente com Ramalho, a publicação de As Farpas, crónicas satíricas de
inquérito à vida portuguesa. Em 1872, iniciou também a sua carreira diplomática,
ao longo da qual ocuparia o cargo de cônsul sucessivamente em Havana (1872),
Newcastle (1874), Bristol (1878) e Paris (1888). O afastamento do meio português
- aonde só ia muito espaçadamente - não o impediu de colaborar na nossa
imprensa, com crónicas e contos, em jornais como A Atualidade, a Gazeta de
Notícias, a Revista Moderna, o Diário de Portugal, e de fundar a Revista de
Portugal (1889), dando-lhe um critério de observação mais objetivo e crítico da
sociedade portuguesa, sobretudo das camadas mais altas. Aliás, foi em Inglaterra
que Eça escreveu a parte mais significativa da sua obra, através da qual se
revelou um dos mais notáveis artistas da língua portuguesa. Foi, pois, com o
distanciamento crítico que a experiência de vida no estrangeiro lhe permitiu que
concebeu a maior parte da sua obra romanesca, consagrada à crítica da vida
social portuguesa, de onde se destacam O Primo Basílio (1878), O Crime do Padre
Amaro (2.ª edição em livro, 1880), A Relíquia (1887) e Os Maias (1888), este
último considerado a sua obra-prima. Parte da restante obra foi publicada já
depois da sua morte, cuja comemoração do seu centenário teve lugar no ano 2000.
Na obra deste vulto máximo da literatura portuguesa, criador do romance
moderno, distinguem-se usualmente três fases estéticas: a primeira, de
influência romântica, que engloba os textos posteriormente incluídos nas Prosas
Bárbaras e vai até ao Mistério da Estrada de Sintra; a segunda, de afirmação do
Realismo, que se inicia com a participação nas Conferências do Casino Lisbonense
e se manifesta plenamente nos romances O Primo Basílio e O Crime do Padre Amaro;
e a terceira, de superação do Realismo-Naturalismo, espelhada nos romances Os
Maias, A Ilustre Casa de Ramires e A Cidade e as Serras.
Bibliografia:
Da imensa bibliografia de Eça de Queirós salientam-se O Mistério da Estrada de
Sintra, 1870 (romance); O Primo Basílio, 1878 (romance); O Crime do Padre Amaro,
2.ª ed., 1880 (romance); O Mandarim, 1880 (conto); A Relíquia, 1887 (romance);
Os Maias, 1888 (romance); Uma Campanha Alegre, 1890-1891 (crónicas); A
Correspondência de Fradique Mendes, 1900 (romance, edição póstuma); A Ilustre
Casa de Ramires, 1900 (romance, edição póstuma); Prosas Bárbaras, 1903
(crónicas, edição póstuma); Cartas de Inglaterra, 1905 (folhetins, edição
póstuma); Ecos de Paris, 1905 (folhetins, edição póstuma); Notas Contemporâneas,
1909 (crónicas, edição póstuma); Últimas Páginas, 1912 (crónicas, edição
póstuma); A Capital (romance, edição póstuma)
Eça de
Queirós. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.
Eça de Queirós,
c.1882
Capa da primeira edição do volume I, em
1888
https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2018/08/16-de-agosto-de-1900-morre-o-escritor-e.html
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Via Citador:
"É o coração que faz o carácter."
"Pensar e fumar são duas operações idênticas que consistem em atirar pequenas nuvens ao vento."
"O riso é a mais antiga e mais terrível forma de crítica."
"A arte é um resumo da natureza feito pela imaginação."
"Contar histórias é uma das mais belas ocupações humanas: e a Grécia assim o compreendeu, divinizando Homero que não era mais que um sublime contador de contos da carochinha. Todas as outras ocupações humanas tendem mais ou menos a explorar o homem; só essa de contar histórias se dedica amoravelmente a entretê-lo, o que tantas vezes equivale a consolá-lo. Infelizmente, quase sempre, os contistas estragam os seus contos por os encherem de literatura, de tanta literatura que nos sufoca a vida!"
"O trabalho incessante, enorme, irrita e exagera o desejo das riquezas; aferventa o cérebro, sobreexcita a sensibilidade, a população cresce, a concorrência é áspera, as necessidades descomedidas, infinitas as complicações económicas, e aí está sempre entre riscos a vida social. Entre riscos, porque vem a luta dos interesses, a guerra das classes, o assalto das propriedades e por fim as revoluções políticas."
"Os sentimentos mais genuinamente humanos logo se desumanizam na cidade."
"O amor, (...), como tu sabes é feito de muitos sentimentos diferentes. Alguém escreveu, creio que até fui eu - que era uma bela flor com raízes diversas. Ora quando uma dessas raízes é a estima absoluta pode ele ao fim de longos anos secar pelas outras raízes mas permanecer vivo por essa."
"A criança portuguesa é excessivamente viva, inteligente e imaginativa. Em geral, nós outros, os Portugueses, só começamos a ser idiotas - quando chegamos à idade da razão. Em pequenos temos todos uma pontinha de génio."
"Em Portugal a emigração não é, como em toda a parte, a transbordação de uma população que sobra; mas a fuga de uma população que sofre."
"Não se descuide de ser alegre - só a alegria dá alma e luz à Ironia, à Santa Ironia - que sem ela não é mais que uma amargura vazia."
"Estou tagarelando muito. Acontece-me isto sempre que estou consideravelmente estúpido."
"Em política a caricatura é de boa guerra. É uma arma terrível, mas não desleal, porque, se exagera o falso, é para impedir que haja alguém que caia nele; a caricatura diz de mais para que nós digamos apenas o suficiente."
"Nas nossas democracias a ânsia da maioria dos mortais é alcançar em sete linhas o louvor do jornal. Para se conquistarem essas sete linhas benditas, os homens praticam todas as acções - mesmo as boas."
"Reconstruir é sempre inventar."
Nós Estamos num Estado Comparável à GréciaNós estamos num estado comparável, correlativo à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem pública, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país católico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa – citam-se ao par a Grécia e Portugal. Somente nós não temos como a Grécia uma história gloriosa, a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo universal e o museu humano da beleza da arte.
in 'Farpas (1872)' Política de InteresseEm Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações.
A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse.
A política é uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos princípios e o desprezo dos sentimentos; ali há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores ásperos; há a tristeza e a miséria; dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio. A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva.
À escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (...) todos querem penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos cortesãos, ávidos de consideração e de dinheiro, insaciáveis dos gozos da vaidade.
in 'Distrito de Évora (1867)Portugal Está a Atravessar a Pior CriseQue fazer? Que esperar? Portugal tem atravessado crises igualmente más: - mas nelas nunca nos faltaram nem homens de valor e carácter, nem dinheiro ou crédito. Hoje crédito não temos, dinheiro também não - pelo menos o Estado não tem: - e homens não os há, ou os raros que há são postos na sombra pela Política. De sorte que esta crise me parece a pior - e sem cura.
in 'Correspondência (1891)'O Que Verdadeiramente Mata PortugalO que verdadeiramente nos mata, o que torna esta conjuntura inquietadora, cheia de angústia, estrelada de luzes negras, quase lutuosa, é a desconfiança. O povo, simples e bom, não confia nos homens que hoje tão espectaculosamente estão meneando a púrpura de ministros; os ministros não confiam no parlamento, apesar de o trazerem amaciado, acalentado com todas as doces cantigas de empregos, rendosas conezias, pingues sinecuras; os eleitores não confiam nos seus mandatários, porque lhes bradam em vão: «Sede honrados», e vêem-nos apesar disso adormecidos no seio ministerial; os homens da oposição não confiam uns nos outros e vão para o ataque, deitando uns aos outros, combatentes amigos, um turvo olhar de ameaça. Esta desconfiança perpétua leva à confusão e à indiferença. O estado de expectativa e de demora cansa os espíritos. Não se pressentem soluções nem resultados definitivos: grandes torneios de palavras, discussões aparatosas e sonoras; o país, vendo os mesmos homens pisarem o solo político, os mesmos ameaços de fisco, a mesma gradativa decadência. A política, sem actos, sem factos, sem resultados, é estéril e adormecedora.
Quando numa crise se protraem as discussões, as análises reflectidas, as lentas cogitações, o povo não tem garantias de melhoramento nem o país esperanças de salvação. Nós não somos impacientes. Sabemos que o nosso estado financeiro não se resolve em bem da pátria no espaço de quarenta horas. Sabemos que um deficit arreigado, inoculado, que é um vício nacional, que foi criado em muitos anos, só em muitos anos será destruído.
O que nos magoa é ver que só há energia e actividade para aqueles actos que nos vão empobrecer e aniquilar; que só há repouso, moleza, sono beatífico, para aquelas medidas fecundas que podiam vir adoçar a aspereza do caminho.
Trata-se de votar impostos? Todo o mundo se agita, os governos preparam relatórios longos, eruditos e de aprimorada forma; os seus áulicos afiam a lâmina reluzente da sua argumentação para cortar os obstáculos eriçados: as maiorias dispõem-se em concílios para jurar a uniformidade servil do voto. Trata-se dum projecto de reforma económica, duma despesa a eliminar, dum bom melhoramento a consolidar? Começam as discussões, crescendo em sonoridade e em lentidão, começam as argumentações arrastadas, frouxas, que se estendem por meses, que se prendem a todo o incidente e a toda a sorte de explicação frívola, e duram assim uma eternidade ministerial, imensas e diáfanas.
O país, que tem visto mil vezes a repetição desta dolorosa comédia, está cansado: o poder anda num certo grupo de homens privilegiados, que investiram aquele sacerdócio e que a ninguém mais cedem as insígnias e o segredo dos oráculos. Repetimos as palavras que há pouco Ricasoli dizia no parlamento italiano: «A pátria está fatigada de discussões estéreis, da fraqueza dos governos, da perpétua mudança de pessoas e de programas novos.»
in 'Distrito de Évora'"A Inevitabilidade das Revoluções
As revoluções não são factos que se aplaudam ou que se condenem. Havia nisso o mesmo absurdo que em aplaudir ou condenar as evoluções do Sol. São factos fatais. Têm de vir. De cada vez que vêm é sinal de que o homem vai alcançar mais uma liberdade, mais um direito, mais uma felicidade. Decerto que os horrores da revolução são medonhos, decerto que tudo o que é vital nas sociedades, a família, o trabalho, a educação, sofrem dolorosamente com a passagem dessa trovoada humana. Mas as misérias que se sofrem com as opressões, com os maus regímens, com as tiranias, são maiores ainda. As mulheres assassinadas no estado de prenhez e esmagadas com pedras, quando foi da revolução de 93, é uma coisa horrível; mas as mulheres, as crianças, os velhos morrendo de frio e de fome, aos milhares nas ruas, nos Invernos de 80 a 86, por culpa do Estado, e dos tributos e das finanças perdidas, e da fome e da morte da agricultura, é pior ainda. As desgraças das revoluções são dolorosas fatalidades, as desgraças dos maus governos são dolorosas infâmias."
in 'Distrito de Évora'