nasceu a 22abril1870
morreu 21jan1924
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a questão da autocrítica
«A atitude de um partido político perante os seus erros»
«é um dos critérios mais importantes e mais seguros da seriedade do partido e do cumprimento de facto por ele das suas obrigações para com a sua classe e para com as massas trabalhadoras. Reconhecer abertamente o erro, pôr a descoberto as suas causas, analisar a situação que o engendrou, discutir atentamente os meios de corrigir o erro – isto é o indício de um partido sério, isto é o cumprimento por ele das suas obrigações, isto é educar e instruir a classe, e depois também as massas.»
In A Doença Infantil do «Esquerdismo» no Comunismo (1920), V. I. Lénine, Obras Escolhidas em seis tomos, ed. Avante – Ed. Progresso, Lisboa – Moscovo, 1986, t. 5, p. 118. (N. Ed.)
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"Para combater seriamente a desorganização das finanças e a bancarrota financeira inevitável não existe outro caminho senão o de romper revolucionariamente com os interesses do capital e implantar um controle verdadeiramente democrático(...)
"A emissão ilimitada de papel-moeda estimula a especulação, permite aos capitalistas acumular milhões à sua custa e levanta enormes dificuldades ao tão necessário aumento da produção. (...) De que forma se pode remediar a situação quando se ocultam as fortunas adquiridas pelos ricos através da especulação?»
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Lenin em vida (filmagens raras de 1918-21)
https://www.youtube.com/watch?v=-1b7gpm8PWM***

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«O principal na doutrina de Marx é ter posto em evidência o papel histórico mundial do proletariado como criador da sociedade socialista.»
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A LIBERDADEZINHA
(LENINE - «A liberdade é uma fraude que se opõe à emancipação do Trabalho sobre a opressão do capital»)
A “liberdade” é, objectivamente, o maior chavão e o mais conseguido do jargão capitalista. Aparentemente leva pessoas sensíveis e amorosas aos maiores seguidismos em nome de uma quimera jamais alcançada numa sociedade demente, que é aquela saída (vista e revista) do seio brutal do neo-liberalismo capitalista. São ingénuas todas as afirmações grandiloquentes sobre o tema. Que liberdade é que um jovem casal de trabalhadores portugueses desempregados terá na contemplação fascinada das lojas de “marca” (designação atrasada mental) se nada, absolutamente nada, puder comprar? Que liberdade terá um velho reformado pobre quando deixa de comprar medicamentos que lhe atrasem a morte? Que liberdade têm os mais de 2 milhões de pobres de Portugal que procuram, ansiosos, a ajuda das Misericórdias da sua opção ideológica pela caridade? A “liberdade” é uma bandeira insignificante da propaganda do império que, infelizmente, colhe incautos mesmo no campo político que lhe deveria detectar o embuste, a demagogia…a calúnia. A LIBERDADE, essa utopia, está inerente, repito-o, à concretização objectiva dos factores determinantes da libertação da exploração do homem pelo homem. Conceito primeiro a atingir pela Humanidade!
***(LENINE - «A liberdade é uma fraude que se opõe à emancipação do Trabalho sobre a opressão do capital»)
A “liberdade” é, objectivamente, o maior chavão e o mais conseguido do jargão capitalista. Aparentemente leva pessoas sensíveis e amorosas aos maiores seguidismos em nome de uma quimera jamais alcançada numa sociedade demente, que é aquela saída (vista e revista) do seio brutal do neo-liberalismo capitalista. São ingénuas todas as afirmações grandiloquentes sobre o tema. Que liberdade é que um jovem casal de trabalhadores portugueses desempregados terá na contemplação fascinada das lojas de “marca” (designação atrasada mental) se nada, absolutamente nada, puder comprar? Que liberdade terá um velho reformado pobre quando deixa de comprar medicamentos que lhe atrasem a morte? Que liberdade têm os mais de 2 milhões de pobres de Portugal que procuram, ansiosos, a ajuda das Misericórdias da sua opção ideológica pela caridade? A “liberdade” é uma bandeira insignificante da propaganda do império que, infelizmente, colhe incautos mesmo no campo político que lhe deveria detectar o embuste, a demagogia…a calúnia. A LIBERDADE, essa utopia, está inerente, repito-o, à concretização objectiva dos factores determinantes da libertação da exploração do homem pelo homem. Conceito primeiro a atingir pela Humanidade!
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Lénine - Acerca da União das Nações Soviéticas
“Nós queremos uma união voluntária de nações - uma união que não permita o uso da força de uma nação sobre a outra - uma união que se baseie na mais completa confiança, na consciência clara de uma unidade fraternal, no acordo inteiramente voluntário”.
“Nós somos internacionalistas até ao fim e aspiramos a uma união voluntária de operários e camponeses de todas as nações”
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9set2014
http://www.diarioliberdade.org/opiniom/opiniom-propia/51146-lenin-e-o-revisionismo.html
Lenin e o revisionismo
- Miguel Urbano Rodrigues - Publicado em Terça, 09 Setembro 2014 12:56
Os dirigentes da União Europeia – nomeadamente Merkel, Hollande e Cameron – intensificaram nas últimas semanas as suas críticas à Rússia.
O pretexto são os acontecimentos da Ucrânia. Um alvo prioritário é Vladimir Putin. Um dos absurdos dessa campanha é a insistência em apresentarem o presidente da Rússia como um ditador que estaria empenhado numa política que visaria a reconstituição parcial da União Soviética.
Um anticomunismo transparente é identificável em crónicas de influentes analistas ocidentais. Não obstante a Rússia ser hoje um país capitalista, slogans bolorentos da guerra fria são retomados.
Putin é acusado de recorrer a métodos e à linguagem de comunistas históricos. Até a realização da parada da vitória em Moscovo, a 9 de Maio, para comemorar a derrota do Reich nazi, foi interpretada como uma ameaça em Washington e algumas capitais da União Europeia.
Uma estranha febre ideológica ganha subitamente atualidade e destacados intelectuais do sistema capitalista divulgam a desproposito entusiásticas apologias do neoliberalismo e exorcizam o marxismo como velharia obsoleta.
É nessa atmosfera que se insere o novo discurso anticomunista que, agitando fantasmas, falsifica a História.
Na tentativa de apresentarem Marx e Lenin como inimigos da democracia, intervêm figuras exponenciais de uma ideologia inseparável da engrenagem liberticida que ameaça a humanidade e é responsável por crimes monstruosos.
Em Portugal os comentadores de serviço na TV, na radio e nos jornais de «referencia» cumprem com zelo a sua tarefa, debitando asneiras no combate ao suposto renascimento do «saudosismo comunista» na Rússia.
Creio por isso oportuno e útil recordar fatos e situações históricas que desmontam a atual campanha ideológica do imperialismo.
Começarei por chamar a atenção para a falsidade das teses de académicos anticomunistas que atribuem a Lenin um dogmatismo rígido na utilização do marxismo para a compreensão e transformação do mundo. Trata-se de uma grosseira mentira. O fundador do primeiro estado socialista não via no marxismo uma ciência imobilista, de fronteiras definitivas.
«Não consideramos de modo algum - escreveu- a teoria de Marx como algo de acabado e intocável, estamos pelo contrário convencidos de que ela apenas assentou a pedra angular da ciência que os socialistas devem fazer avançar em todas as direções, se não querem atrasar-se em relação à vida. Pensamos que para os socialistas russos é especialmente necessária a elaboração independente da teoria de Marx, pois esta teoria oferece apenas postulados gerais orientadores que em particular à Inglaterra se aplicam de maneira diferente da França, à França de maneira diferente da Alemanha, à Alemanha de maneira diferente da Rússia (1).
Lenin repetiu incansavelmente que sem teoria revolucionária não pode triunfar qualquer movimento revolucionário. Mas conseguiu, com imaginação e talento, ser simultaneamente flexível na aplicação do método marxista e intransigente no combate às ideias e manobras daqueles que, afirmando ser marxistas, assumiam na prática posições incompatíveis com a ideologia do autor de O Capital.
Contrariamente à convicção de muitos jovens que identificam nos «renovadores» que contribuíram para a social democratização de muitos PCs europeus um fenómeno relativamente recente, o revisionismo do marxismo mergulha as raízes no século XIX.
Principiou ainda em vida de Marx e foi permanente. Em l894, quando Lenin preparava a fundação do futuro partido bolchevique, teve de travar uma luta dura contra os «marxistas legais», tendência liderada pelo alemão Struve que procurava «tomar do marxismo tudo aquilo que é aceitável para a burguesia liberal, incluindo a luta por reformas, abrangendo a luta de classes (sem a ditadura do proletariado),incluindo o reconhecimento «geral» dos ideais socialistas e a substituição do capitalismo por um «novo sistema» e rejeitar «somente» a alma viva do marxismo, o seu caracter revolucionário».
A segunda ofensiva dos oportunistas para desvirtuar o marxismo em benefício da burguesia teve o seu epicentro no partido Social Democrata Alemão, ao tempo muito prestigiado, quando o seu dirigente Edward Bernstein publicou em l899 uma serie de artigos em que revia teses fundamentais do marxismo. Na sua apologia do reformismo lançou uma palavra de ordem famosa: «o movimento é tudo, o objetivo final quase nada». (2)
Lenin e Rosa Luxemburgo arrancaram-lhe a máscara, denunciando-o como um deturpador do marxismo. Para os comunistas «o objetivo final» era tudo e o reformismo de Bernstein apontava para uma conciliação com a burguesia. Na prática, Bernstein retomava teses reacionárias da filosofia de Kant. Mas a sua pregação influenciou um amplo sector do Partido Social Democrata Alemão, então marxista, com repercussões negativas na Rússia. (3)
Uma terceira grande ofensiva do revisionismo ocorreu em l908. Dois filósofos, o austríaco Ernst Mach e o alemão Richard Avenarius, que negavam a existência objetiva do mundo material, difundiram a chamada filosofia da «experiencia crítica», mais conhecida pelo nome de Empiriocriticismo. Segundo eles, os corpos seriam somente «complexos de sensações». Os trabalhos de ambos deram origem a uma corrente de pensamento que se popularizou com o nome de «machismo». Mach sobretudo, embora pretendendo ser marxista, rejeitou o essencial do materialismo histórico e do materialismo dialético.
Uma parcela ponderável da intelectualidade progressista europeia aderiu com entusiasmo à essa nova filosofia, aceitando-a como escorada na ciência. Kautsky, abrindo as colunas do órgão central da social-democracia alemã à apologia do Empiriocriticismo, contribuiu para aumentar a confusão gerada.
Os mencheviques aderiram imediatamente, mas a propaganda machista perturbou também quadros da fração bolchevique do Partido Operário Social Democrata da Rússia-POSDR-b. Essa influência negativa levou inclusive à formação de um grupo oportunista, os «otzovistas» que defendia a retirada do Parlamento russo (a Duma) dos deputados bolcheviques, afirmando que o Partido deveria realizar apenas atividades ilegais.
Foi então que Lenin declarou guerra a essa perigosa modalidade de revisionismo, primeiro através de artigos, depois num livro, «Materialismo e Empiriocriticismo», ensaio filosófico que com o tempo se tornou um clássico do marxismo como obra teórica. Demonstrou que Mach e os seus seguidores, simulando realizar um trabalho científico inovador, se limitavam afinal a colar um novo rótulo a velhas teses idealistas(4).
O MODERNO REVISIONISMO
Os esforços para destruir o marxismo foram permanentes em vida de Lenin e prosseguiram após a sua morte.
Desde o início da I Guerra Mundial uma onda de falso patriotismo varreu a Europa. Tripudiando sobre os seus programas, e violando compromissos assumidos em nome do internacionalismo proletário, partidos que pretendiam ser socialistas votaram os créditos de guerra das grandes potências envolvidas no conflito, tornando-se cúmplices da hecatombe que atingiu a humanidade. Essa opção foi decisiva para o descrédito e agonia da II Internacional. A luta contra o imperialismo perde muito do seu significado, dizia Lenin,se não «estiver indissoluvelmente ligada à luta contra o oportunismo». O grande revolucionário foi portanto implacável na denúncia do social-chauvinismo, desmentindo que a defesa da liberdade e dos verdadeiros interesses nacionais fosse a motivação da guerra.
A vitória da Revolução Russa criou entretanto, as condições que permitiram a criação da III Internacional. Mas, como era de esperar, a existência da União Soviética foi por si só um incentivo a uma ofensiva permanente em múltiplas frentes contra o marxismo.
Finda a II Guerra Mundial, a luta contra o comunismo assumiu facetas muito diferenciadas. Os partidos comunistas europeus tinham desempenhado um grande papel na luta contra o fascismo. Enfraquecê-los, instalar neles o divisionismo, empurrá-los para o antisovietismo e o afastamento do marxismo foi uma constante nas campanhas das burguesias e do imperialismo.
No auge da guerra-fria, o Manifesto de Champigny em França, em l968, quando Waldeck Rochet era secretário-geral do PCF, cumpriu importante papel em debates ideológicos que abriram a porta ao eurocomunismo. Invocando a necessidade de renovar o marxismo, dirigentes como os franceses Georges Marchais, Roger Garaudy e Louis Althusser, o italiano Enrico Berlinguer, o espanhol Santiago Carrillo e outros serão lembrados como arquitetos de um revisionismo que encaminhou os seus partidos para a social democratização. No caso do PCI a guinada à direita funcionou alias como etapa rumo à sua autodestruição.
O revisionismo atuou, porem, sob mascaras muito diferentes. Apos a desagregação da União Soviética surgiram em muitos partidos dirigentes que, apresentando-se como empenhados em renovar o marxismo, passaram rapidamente ao ataque ao leninismo e ao centralismo democrático. Alguns acabaram ingressando em partidos socialistas integrados no sistema capitalista.
As universidades produziram uma geração de académicos que, principiando por leituras perversas de Marx, não tardaram a procurar justificações para a defesa de políticas neoliberais.
Ganharam também alguma notoriedade revisionistas (oportunistas de esquerda) que, pretendendo exibir uma suposta pureza marxista, recorreram a textos de Gramsci e de Che Guevara para lhes deturparem o pensamento em obras de cariz anti-soviético, aplaudidas pelo imperialismo.
Uma modalidade de anticomunismo, mais subtil, é a praticada por intelectuais que, criticando o capitalismo, identificam nos movimentos sociais a força revolucionaria vocacionada para salvar a humanidade (John Holloway, Bernard Cassen, Ignacio Ramonet, Boaventura Sousa Santos, Hans Dietrich,etc) negando aos partidos protagonismo na luta contra o sistema.
Aceitar em Marx o economista e rejeitar o ideólogo é atitude frequente em cenáculos de intelectuais que satanizam Lenin.
O PERIGO OPORTUNISTA
A palavra oportunista tornou se incómoda para muitos dirigentes de partidos comunistas europeus e latino americanos. Essa atitude traduz a consciência de estratégias e tacticas que afetaram a unidade do movimento comunista internacional. As suas últimas reuniões confirmaram a existência de discordâncias profundas que o debilitaram.
O panorama atual é muito complexo. Na Europa, a maioria dos partidos estão hoje integrados no Partido da Esquerda Europeia, ombro a ombro com partidos burgueses como o Die Linke alemão, o Syriza da Grécia e o Bloco de Esquerda de Portugal.
A função inconfessada desse partido é neutralizar os trabalhadores, dificultando a sua participação nas grandes lutas contra o imperialismo e as políticas neoliberais impostas na União Europeia. Não surpreende que o PEE conte com a simpatia dos media controlados pelo capital e a benevolência dos Governos que o representam.
Muitos partidos comunistas foram contaminados nas últimas décadas. Alguns participaram na orquestra do antisovietismo. Robert Hue, quando secretário-geral do PCF, teve o descaramento de afirmar que «tudo foi negativo na União Soviética».
O Partido Comunista Italiano desapareceu depois de mudar de nome. O Partido Comunista Francês, em rápida metamorfose, renegou o passado e transformou-se numa caricatura de partido operário. O Partido Comunista de Espanha, hoje antileninista, diluiu-se numa Esquerda Unida inofensiva.
Uma epidemia de oportunismo instalou-se no movimento comunista internacional.
Uma das suas manifestações é a crítica - ostensiva ou indireta - a Partidos que, na fidelidade aos princípios continuam a assumir-se como marxistas-leninistas. São visados entre outros o Partido Comunista da Grecia-KKE,o Partido Comunista do México-PCM, e o Partido Comunista Brasileiro-PCB.
Não cabe neste artigo comentar a estratégia desses partidos revolucionários. Não me identifico com todas as posições que assumem. Mas eles me fazem recordar que o Partido Comunista Português, pela fidelidade aos princípios e à sua história, resistiu vitoriosamente com firmeza à vaga de anticomunismo que, sobretudo no início dos anos 90, descaracterizou ou destruiu outros.
Hoje, é precisamente essa fidelidade aos princípios do KKE, do PCM e do PCB, é a sua firmeza no combate ao revisionismo e na denúncia do oportunismo que me inspiram respeito e admiração.
Eles e outros fundadores da Revista Comunista Internacional são hoje uma minoria no Movimento Comunista Internacional. Mas a coerência demonstrada na fidelidade ao pensamento e obra de Marx e a coragem com que assumem a herança de Lenin contam com a minha solidariedade fraterna.
Notas:
(1) V.Lenin, O Nosso Programa, Obras Completas, in Tomo 4, pág. 184.
(2) V.I.Lenin, A Falência da II Internacional,idem,Tomo 26, pág. 227.
(3) V.Lenin, Uma Orientação Retrógrada na Social-democracia Russa, idem, Tomo 4, pág. 265.
(4) V.i.Lenin, Materialismo e Empiriocriticismo, Edições Avante! 1982, Lisboa.
Fonte: O Diário.
***Um anticomunismo transparente é identificável em crónicas de influentes analistas ocidentais. Não obstante a Rússia ser hoje um país capitalista, slogans bolorentos da guerra fria são retomados.
Putin é acusado de recorrer a métodos e à linguagem de comunistas históricos. Até a realização da parada da vitória em Moscovo, a 9 de Maio, para comemorar a derrota do Reich nazi, foi interpretada como uma ameaça em Washington e algumas capitais da União Europeia.
Uma estranha febre ideológica ganha subitamente atualidade e destacados intelectuais do sistema capitalista divulgam a desproposito entusiásticas apologias do neoliberalismo e exorcizam o marxismo como velharia obsoleta.
É nessa atmosfera que se insere o novo discurso anticomunista que, agitando fantasmas, falsifica a História.
Na tentativa de apresentarem Marx e Lenin como inimigos da democracia, intervêm figuras exponenciais de uma ideologia inseparável da engrenagem liberticida que ameaça a humanidade e é responsável por crimes monstruosos.
Em Portugal os comentadores de serviço na TV, na radio e nos jornais de «referencia» cumprem com zelo a sua tarefa, debitando asneiras no combate ao suposto renascimento do «saudosismo comunista» na Rússia.
Creio por isso oportuno e útil recordar fatos e situações históricas que desmontam a atual campanha ideológica do imperialismo.
Começarei por chamar a atenção para a falsidade das teses de académicos anticomunistas que atribuem a Lenin um dogmatismo rígido na utilização do marxismo para a compreensão e transformação do mundo. Trata-se de uma grosseira mentira. O fundador do primeiro estado socialista não via no marxismo uma ciência imobilista, de fronteiras definitivas.
«Não consideramos de modo algum - escreveu- a teoria de Marx como algo de acabado e intocável, estamos pelo contrário convencidos de que ela apenas assentou a pedra angular da ciência que os socialistas devem fazer avançar em todas as direções, se não querem atrasar-se em relação à vida. Pensamos que para os socialistas russos é especialmente necessária a elaboração independente da teoria de Marx, pois esta teoria oferece apenas postulados gerais orientadores que em particular à Inglaterra se aplicam de maneira diferente da França, à França de maneira diferente da Alemanha, à Alemanha de maneira diferente da Rússia (1).
Lenin repetiu incansavelmente que sem teoria revolucionária não pode triunfar qualquer movimento revolucionário. Mas conseguiu, com imaginação e talento, ser simultaneamente flexível na aplicação do método marxista e intransigente no combate às ideias e manobras daqueles que, afirmando ser marxistas, assumiam na prática posições incompatíveis com a ideologia do autor de O Capital.
Contrariamente à convicção de muitos jovens que identificam nos «renovadores» que contribuíram para a social democratização de muitos PCs europeus um fenómeno relativamente recente, o revisionismo do marxismo mergulha as raízes no século XIX.
Principiou ainda em vida de Marx e foi permanente. Em l894, quando Lenin preparava a fundação do futuro partido bolchevique, teve de travar uma luta dura contra os «marxistas legais», tendência liderada pelo alemão Struve que procurava «tomar do marxismo tudo aquilo que é aceitável para a burguesia liberal, incluindo a luta por reformas, abrangendo a luta de classes (sem a ditadura do proletariado),incluindo o reconhecimento «geral» dos ideais socialistas e a substituição do capitalismo por um «novo sistema» e rejeitar «somente» a alma viva do marxismo, o seu caracter revolucionário».
A segunda ofensiva dos oportunistas para desvirtuar o marxismo em benefício da burguesia teve o seu epicentro no partido Social Democrata Alemão, ao tempo muito prestigiado, quando o seu dirigente Edward Bernstein publicou em l899 uma serie de artigos em que revia teses fundamentais do marxismo. Na sua apologia do reformismo lançou uma palavra de ordem famosa: «o movimento é tudo, o objetivo final quase nada». (2)
Lenin e Rosa Luxemburgo arrancaram-lhe a máscara, denunciando-o como um deturpador do marxismo. Para os comunistas «o objetivo final» era tudo e o reformismo de Bernstein apontava para uma conciliação com a burguesia. Na prática, Bernstein retomava teses reacionárias da filosofia de Kant. Mas a sua pregação influenciou um amplo sector do Partido Social Democrata Alemão, então marxista, com repercussões negativas na Rússia. (3)
Uma terceira grande ofensiva do revisionismo ocorreu em l908. Dois filósofos, o austríaco Ernst Mach e o alemão Richard Avenarius, que negavam a existência objetiva do mundo material, difundiram a chamada filosofia da «experiencia crítica», mais conhecida pelo nome de Empiriocriticismo. Segundo eles, os corpos seriam somente «complexos de sensações». Os trabalhos de ambos deram origem a uma corrente de pensamento que se popularizou com o nome de «machismo». Mach sobretudo, embora pretendendo ser marxista, rejeitou o essencial do materialismo histórico e do materialismo dialético.
Uma parcela ponderável da intelectualidade progressista europeia aderiu com entusiasmo à essa nova filosofia, aceitando-a como escorada na ciência. Kautsky, abrindo as colunas do órgão central da social-democracia alemã à apologia do Empiriocriticismo, contribuiu para aumentar a confusão gerada.
Os mencheviques aderiram imediatamente, mas a propaganda machista perturbou também quadros da fração bolchevique do Partido Operário Social Democrata da Rússia-POSDR-b. Essa influência negativa levou inclusive à formação de um grupo oportunista, os «otzovistas» que defendia a retirada do Parlamento russo (a Duma) dos deputados bolcheviques, afirmando que o Partido deveria realizar apenas atividades ilegais.
Foi então que Lenin declarou guerra a essa perigosa modalidade de revisionismo, primeiro através de artigos, depois num livro, «Materialismo e Empiriocriticismo», ensaio filosófico que com o tempo se tornou um clássico do marxismo como obra teórica. Demonstrou que Mach e os seus seguidores, simulando realizar um trabalho científico inovador, se limitavam afinal a colar um novo rótulo a velhas teses idealistas(4).
O MODERNO REVISIONISMO
Os esforços para destruir o marxismo foram permanentes em vida de Lenin e prosseguiram após a sua morte.
Desde o início da I Guerra Mundial uma onda de falso patriotismo varreu a Europa. Tripudiando sobre os seus programas, e violando compromissos assumidos em nome do internacionalismo proletário, partidos que pretendiam ser socialistas votaram os créditos de guerra das grandes potências envolvidas no conflito, tornando-se cúmplices da hecatombe que atingiu a humanidade. Essa opção foi decisiva para o descrédito e agonia da II Internacional. A luta contra o imperialismo perde muito do seu significado, dizia Lenin,se não «estiver indissoluvelmente ligada à luta contra o oportunismo». O grande revolucionário foi portanto implacável na denúncia do social-chauvinismo, desmentindo que a defesa da liberdade e dos verdadeiros interesses nacionais fosse a motivação da guerra.
A vitória da Revolução Russa criou entretanto, as condições que permitiram a criação da III Internacional. Mas, como era de esperar, a existência da União Soviética foi por si só um incentivo a uma ofensiva permanente em múltiplas frentes contra o marxismo.
Finda a II Guerra Mundial, a luta contra o comunismo assumiu facetas muito diferenciadas. Os partidos comunistas europeus tinham desempenhado um grande papel na luta contra o fascismo. Enfraquecê-los, instalar neles o divisionismo, empurrá-los para o antisovietismo e o afastamento do marxismo foi uma constante nas campanhas das burguesias e do imperialismo.
No auge da guerra-fria, o Manifesto de Champigny em França, em l968, quando Waldeck Rochet era secretário-geral do PCF, cumpriu importante papel em debates ideológicos que abriram a porta ao eurocomunismo. Invocando a necessidade de renovar o marxismo, dirigentes como os franceses Georges Marchais, Roger Garaudy e Louis Althusser, o italiano Enrico Berlinguer, o espanhol Santiago Carrillo e outros serão lembrados como arquitetos de um revisionismo que encaminhou os seus partidos para a social democratização. No caso do PCI a guinada à direita funcionou alias como etapa rumo à sua autodestruição.
O revisionismo atuou, porem, sob mascaras muito diferentes. Apos a desagregação da União Soviética surgiram em muitos partidos dirigentes que, apresentando-se como empenhados em renovar o marxismo, passaram rapidamente ao ataque ao leninismo e ao centralismo democrático. Alguns acabaram ingressando em partidos socialistas integrados no sistema capitalista.
As universidades produziram uma geração de académicos que, principiando por leituras perversas de Marx, não tardaram a procurar justificações para a defesa de políticas neoliberais.
Ganharam também alguma notoriedade revisionistas (oportunistas de esquerda) que, pretendendo exibir uma suposta pureza marxista, recorreram a textos de Gramsci e de Che Guevara para lhes deturparem o pensamento em obras de cariz anti-soviético, aplaudidas pelo imperialismo.
Uma modalidade de anticomunismo, mais subtil, é a praticada por intelectuais que, criticando o capitalismo, identificam nos movimentos sociais a força revolucionaria vocacionada para salvar a humanidade (John Holloway, Bernard Cassen, Ignacio Ramonet, Boaventura Sousa Santos, Hans Dietrich,etc) negando aos partidos protagonismo na luta contra o sistema.
Aceitar em Marx o economista e rejeitar o ideólogo é atitude frequente em cenáculos de intelectuais que satanizam Lenin.
O PERIGO OPORTUNISTA
A palavra oportunista tornou se incómoda para muitos dirigentes de partidos comunistas europeus e latino americanos. Essa atitude traduz a consciência de estratégias e tacticas que afetaram a unidade do movimento comunista internacional. As suas últimas reuniões confirmaram a existência de discordâncias profundas que o debilitaram.
O panorama atual é muito complexo. Na Europa, a maioria dos partidos estão hoje integrados no Partido da Esquerda Europeia, ombro a ombro com partidos burgueses como o Die Linke alemão, o Syriza da Grécia e o Bloco de Esquerda de Portugal.
A função inconfessada desse partido é neutralizar os trabalhadores, dificultando a sua participação nas grandes lutas contra o imperialismo e as políticas neoliberais impostas na União Europeia. Não surpreende que o PEE conte com a simpatia dos media controlados pelo capital e a benevolência dos Governos que o representam.
Muitos partidos comunistas foram contaminados nas últimas décadas. Alguns participaram na orquestra do antisovietismo. Robert Hue, quando secretário-geral do PCF, teve o descaramento de afirmar que «tudo foi negativo na União Soviética».
O Partido Comunista Italiano desapareceu depois de mudar de nome. O Partido Comunista Francês, em rápida metamorfose, renegou o passado e transformou-se numa caricatura de partido operário. O Partido Comunista de Espanha, hoje antileninista, diluiu-se numa Esquerda Unida inofensiva.
Uma epidemia de oportunismo instalou-se no movimento comunista internacional.
Uma das suas manifestações é a crítica - ostensiva ou indireta - a Partidos que, na fidelidade aos princípios continuam a assumir-se como marxistas-leninistas. São visados entre outros o Partido Comunista da Grecia-KKE,o Partido Comunista do México-PCM, e o Partido Comunista Brasileiro-PCB.
Não cabe neste artigo comentar a estratégia desses partidos revolucionários. Não me identifico com todas as posições que assumem. Mas eles me fazem recordar que o Partido Comunista Português, pela fidelidade aos princípios e à sua história, resistiu vitoriosamente com firmeza à vaga de anticomunismo que, sobretudo no início dos anos 90, descaracterizou ou destruiu outros.
Hoje, é precisamente essa fidelidade aos princípios do KKE, do PCM e do PCB, é a sua firmeza no combate ao revisionismo e na denúncia do oportunismo que me inspiram respeito e admiração.
Eles e outros fundadores da Revista Comunista Internacional são hoje uma minoria no Movimento Comunista Internacional. Mas a coerência demonstrada na fidelidade ao pensamento e obra de Marx e a coragem com que assumem a herança de Lenin contam com a minha solidariedade fraterna.
Notas:
(1) V.Lenin, O Nosso Programa, Obras Completas, in Tomo 4, pág. 184.
(2) V.I.Lenin, A Falência da II Internacional,idem,Tomo 26, pág. 227.
(3) V.Lenin, Uma Orientação Retrógrada na Social-democracia Russa, idem, Tomo 4, pág. 265.
(4) V.i.Lenin, Materialismo e Empiriocriticismo, Edições Avante! 1982, Lisboa.
Fonte: O Diário.
respiguei do blogue de Sérgio Ribeiro:
http://anonimosecxxi.blogspot.com/
«Para combater seriamente a desorganização das finanças e a bancarrota financeira inevitável
não existe outro caminho senão o de romper revolucionariamente com os interesses do capital e implantar um controle verdadeiramente democrático, isto é, "a partir de baixo", um controle dos operários e dos camponeses pobres sobre os capitalistas (...)A emissão ilimitada de papel-moeda estimula a especulação, permite aos capitalistas acumular milhões à sua custa e levanta enormes dificuldades ao tão necessário aumento da produção. (...)
De que forma se pode remediar a situação quando se ocultam as fortunas adquiridas pelos ricos através da especulação?»
«A questão das medidas que se devem adoptar para lutar contra a catástrofe que se avizinha, leva-nos a tratar de um problema extraordinariamente importante: a relação entre a política interna e a política externa (...)
«Só [com] uma ruptura (...), tanto no que se refere à política interna como à política externa, poderemos salvar a nossa revolução e o nosso país, amordaçados pelas férreas garras do imperialismo.»
(da edição da Estampa, de 1975, por que tenho uma certa... "ternura", como de tantos outros livros)
***
21 de Janeiro de 1924: Morre Vladimir Ilych Ulianov, Lenine.
Em
21 de Janeiro de 1924, morre o líder da revolução bolchevique, Vladimir
Ilitch Ulianov - Lenine. O revolucionário já estava semi-paralisado
devido a sucessivos acidentes vasculares e aos poucos foi obrigado a
renunciar ao exercício do poder. Mas teve tempo de instalar a ditadura
do proletariado após o triunfo da Revolução de Outubro. A sua morte,
devido a uma hemorragia generalizada, provocou intensa comoção popular. O
funeral de Lenine teve a assistência de quase 1 milhão de pessoas sob o
rigoroso inverno russo.
Teórico
político e homem de acção, Lenine foi o primeiro dos herdeiros de Marx a
conduzir uma revolução até à vitória, lançando as bases do sistema
soviético. Combinando uma reflexão teórica original e uma visão de
organização centralizada e disciplinada, foi considerado pelos seus
contemporâneos como o verdadeiro pai da revolução bolchevique. Os
opositores consideram-no também como a origem do sistema de repressão e
supressão das liberdades individuais.
Influenciado desde muito cedo pela leitura da obra seminal de Karl Marx, O Capital,
Lenine radicalizou a sua posição aquando da execução do seu irmão mais
velho, Aleksandr, por conspirar contra o czar Alexandre III em 1887.
Profundo e ardoroso intelectual, Lenine associa os princípios do
marxismo directamente à sua própria teoria de organização política e a
análise da realidade russa, imaginando um grupo de elite de
revolucionários profissionais - ou “vanguarda do proletariado” -, que
inicialmente conduziriam as massas russas à vitória sobre o regime
czarista para finalmente provocar uma revolução mundial. Expôs essa
teoria na sua famosa obra O que fazer? em
1902. A insistência de Lenine na necessidade desta vanguarda acabou por
dividir o Partido Social-Democrata russo em dois. Uma ligeira maioria
passou a ser conhecida como bolchevique que pregava a revolução e os
seus oponentes, como mencheviques, que defendiam as reformas graduais.
Após
a eclosão da Primeira Guerra Mundial em 1914, Lenine, que então vivia
na Suíça, instou os seus partidários na Rússia de reverter o conflito
anti imperialista numa guerra civil que livraria as classes
trabalhadoras do jugo da burguesia e da monarquia. Com o sucesso da
Revolução de Fevereiro de 1917 com a abdicação do czar Nicolau II,
Lenine retorna clandestinamente à Rússia e trata de organizar a tomada
do poder pelos bolcheviques, o que ocorreria em Outubro do mesmo ano.
Ao
chegar ao poder, Lenine estabelece um armistício imediato com as
Potências Centrais (Alemanha, Áustria e Turquia) e age rapidamente para
consolidar o poder do novo Estado soviético, sob o controlo do que
passou a ser Partido Comunista bolchevique. Para tanto, os “vermelhos”
(revolucionários) tiveram de derrotar os “brancos” (reacionários) em
feroz luta e repelir a invasão de 13 potências estrangeiras.
Em
6 anos de poder, Lenine enfrentou extremas dificuldades para
implementar a sua visão de Estado dentro das fronteiras, assim como
materializar a revolução internacional. Lenine e o Politburo, que
incluía Trotsky, seu fiel seguidor durante a guerra civil, e José
Estaline, o secretário-geral do Partido Comunista, trataram de esmagar
toda a oposição às políticas proclamadas na constituição da nova União
Soviética.
Lenine
sofreu um primeiro derrame em Maio de 1922. O segundo, mais violento,
ocorreu em Maio do ano seguinte, deixando-o quase sem fala e
praticamente encerrou a sua carreira política.
Quando
Lenine morre, em Janeiro de 1924, na sua casa de campo em Gorki, o
Politburo, no meio comoção geral, prepara exéquias excepcionais.
Estaline envia um telegrama a Trotsky, que estava ausente de Moscovo,
comunicando a morte de Lenine, mas o velho camarada não vai ao funeral.
Havia três versões para a ausência de Trotsky: estaria em descanso no
sul da Rússia; em tratamento de saúde ou em serviço. Trotsky telefona
para Estaline e pergunta quando seriam os funerais. Estaline responde
“No sábado.Não conseguirás chegar a tempo, e de qualquer modo nós
aconselhamos-te a permanecer aí com o teu tratamento de saúde”. As
cerimónias ocorreram no domingo. Estaline foi o único orador ao lado do
caixão mortuário. O povo e os camaradas do partido interpretaram a cena:
Estaline transformara-se no herdeiro de Lenine.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
O funeral de Lenine - Isaak Brodski
Pintura de Lenine em frente do Instituto Smolny feita por Isaak Brodski
Lenine e Estaline
***
16 de Abril de 1917: Lenine regressa à Rússia depois de anos de exílio na Suíça
No dia 16 de Abril de 1917, Lenine chega de comboio à Rússia, depois de
obter licença para atravessar o território alemão. Em guerra com a
Rússia, os alemães queriam desestabilizar o governo russo e apressar a
assinatura da paz.
A mobilização de cerca de 13 milhões de soldados e os gastos durante a
Primeira Guerra Mundial causaram uma grave crise económica e social na
Rússia. Enquanto 1,5 milhão de soldados morriam nas frentes de batalha
por falta de equipamentos, alimentos e vestuário, a fome chegava às
grandes cidades e gerava greves. A paralisação dos operários de
Petrogrado (actual São Petersburgo), por exemplo, mobilizou cerca de 200
mil trabalhadores.
No final de Fevereiro (Março, no calendário ocidental), o czar Nicolau
II foi derrubado e a monarquia substituída pela república parlamentar.
Nessa época, formaram-se os sovietes. Eram assembleias de operários,
camponeses e soldados, influenciados pela ala radical, que mais tarde
originaria o Partido Comunista.
O governo provisório, de 17 de Março a 15 de Maio, não conseguiu debelar
a crise interna e insistiu na continuação da guerra contra a Alemanha.
Enquanto isso, crescia a força de Vladimir Iliitch Ulianov, conhecido
como Lenine, exilado na Suíça. Ele encarava a Primeira Guerra Mundial
como uma luta entre os imperialismos rivais pela partilha do mundo e
desejava fazer da guerra entre nações uma guerra entre classes.
Com a permissão do governo alemão para atravessar a Alemanha de comboio
Lenine voltou à Rússia em Abril de 1917. No dia 11, porém, o comboio em
que viajava esteve 20 horas estacionado em Berlim. Especula-se que para
contactos e negociações de representantes do Ministério alemão do
Exterior com Lenine. Registos do ministério revelam que também se falou
em dinheiro: 40 milhões de goldmark, a
moeda alemã utilizada na época para transacções financeiras. Os
revolucionários prosseguiram viagem pela Suécia e pela Finlândia,
chegando a Petrogrado no dia 16 de Abril de 1917.
Nas suas famosas "Teses de Abril", Lenine pregou a saída da Rússia da
guerra, o fortalecimento dos sovietes e o confisco das grandes
propriedades rurais, com a distribuição das terras aos camponeses. O
novo governo, porém, insistia na participação da Rússia na guerra e por
isso perdia apoio popular.
Avisado de que seria acusado pelo governo de ser um agente a serviço da
Alemanha, Lenine fugiu para a Finlândia. Em Petrogrado, os bolcheviques
enfrentavam uma imprensa hostil e a opinião pública, que os acusava de
traição ao exército e de organização de um golpe de Estado. Em 20 de
Julho, o general Lavr Kornilov tentou implantar uma ditadura militar,
através de um fracassado golpe de Estado. Da Finlândia, Lenine começou a
preparar uma rebelião armada.
A segunda revolução russa de 1917, a de Outubro (6 a 8 de Novembro),
marcou o triunfo definitivo do marxismo-leninismo na Rússia. Sob o
comando de Lenine e Leon Trotski (1879-1940), igualmente importante no
movimento, o Partido Social Democrata da Rússia tomou o poder. Lenine
foi eleito pelo partido novo chefe de governo e foi constituído um
Conselho de Comissários do Povo.
Trotski fundou o Exército Vermelho, vencedor da guerra civil que
assolaria o país nos quatro anos seguintes, contra os
contra-revolucionários, liderados pelos czaristas. O novo governo
nacionalizou bancos, minas, ferrovias, as grandes propriedades rurais e
as indústrias, estabeleceu a ditadura do proletariado, transferiu a
capital para Moscvo (12 de Março de 1918) e inaugurou a política do dito
"comunismo de guerra".
Após a adopção do calendário oficial, assinou um armistício com a
Alemanha, conhecido como Paz de Brest-Litovsk, em 3 de Maio de 1918. O
tratado trazia enormes desvantagens para a Rússia, com as perdas
territoriais da Finlândia, Estónia, Letónia, Lituânia, Polónia e
Ucrânia, além de pagar uma pesada indemnização em ouro e trigo à
Alemanha.
Naquele ano, após tentativas de obter asilo em outros países, inclusive
na Inglaterra, onde os soberanos eram seus primos, o último czar,
Nicolau Romanov, a imperatriz Alexandra e seus filhos foram fuzilados
por ordem do governo soviético.
Fontes: DW
wikipedia (imagens)

Residência de Lenine na Suiça
A locomotiva que levou Lenine até Petrogrado (actual São Petesburgo) em Abril de 1917
https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2019/04/16-de-abril-de-1917-lenine-regressa.html?spref=fb&fbclid=IwAR1atiuphIk1nLEW11TwdMLgFHhh4zCZ8gpuuyVl-vS6Mj5dFVWUP9BBBjc*
22 de Abril de 1870: Nasce Vladimir Ilyitch Ulianov (Lenine)
Dirigente comunista russo, orador, teórico com
vasta obra de análise e polémica política, conduziu o país à revolução
bolchevique em 1917 e dirigiu, em condições de grande adversidade, a implantação
e a consolidação da URSS.
Lenine é o pseudónimo usado na clandestinidade pelo político russo Vladimir Ilitch Ulianov, nascido a 22 de abril de1870 e falecido em 1924. Oriundo de uma família da pequena burguesia provinciana, cedo se interessou pela vida política e pelos debates ideológicos. Um seu irmão seria enforcado pela sua participação numa conspiração com o objetivo de matar o Czar, e o próprio Vladimir, ainda estudante, envolveu-se em atividades políticas proibidas, o que lhe valeu a expulsão da Universidade, onde estudava Direito.
Viajou por diversas regiões do império russo, contactando com a realidade social, e afastou-se progressivamente dos grupos populistas que preconizavam o terrorismo como meio de abater o czarismo, acabando por aderir às teses marxistas e por se integrar em agrupamentos políticos por elas influenciados. Em virtude das suas atividades políticas, viria a ser desterrado para a Sibéria, para um local nas margens do Rio Lena (de onde deriva o pseudónimo militante com que depois se iria celebrizar). A partir desta fase da sua vida, que coincide aproximadamente com o último lustro do século XIX, a sua vida pessoal e privada perde praticamente todo o significado, pois passa a dedicar-se em exclusivo à atividade política, na Rússia e depois no exílio em várias partes da Europa.
As suas ideias e propostas vão entrar em choque com as teses oficialmente defendidas pelos seus camaradas de luta - defende a teoria de que o campesinato é, tal como o proletariado urbano, uma classe revolucionária e considera possível uma revolução socialista sem passar por uma fase de revolução burguesa, ao mesmo tempo que propõe a criação de um partido de tipo novo, constituído por um grupo reduzido, coeso e centralizado de revolucionários profissionais, que formariam a vanguarda da revolução que daria origem à instauração de uma ditadura do proletariado. O choque entre conceções diferentes provoca uma cisão dentro do Partido Operário Social-Democrata da Rússia, que se divide em duas fações: os bolchevistas ou bolcheviques (=maioritários) e os mencheviques (=minoritários), dirigidos respetivamente pelo próprio Lenine e por Plekhanov.
Durante a Primeira Guerra Mundial, Lenine dirige o partido a partir do exílio, só regressando à Rússia quando o conflito se encontra no fim e depois da ocorrência da Revolução dirigida pelo reformista Kerensky em fevereiro de 1917. Conduz então uma luta sem tréguas contra o regime czarista e o governo reformista, propondo o termo das hostilidades e a assinatura imediata da paz sem condições, a distribuição das terras pelos camponeses pobres, a extinção da monarquia e a criação de um sistema de governo de conselhos ou sovietes de operários, camponeses, soldados e marinheiros. As suas intervenções públicas em comícios e debates, os seus escritos e a ação persistente do partido aumentam a sua base de apoio e colocam o governo de Kerensky numa posição insustentável de debilidade e de isolamento, o que torna possível a rápida tomada do poder (os "dez dias que abalaram o mundo", segundo uma expressão consagrada) por forças militares e milícias revolucionárias sob a direção do partido bolchevista (7 de novembro de 1917).
Conquistado o poder, o novo regime, ainda dirigido por Lenine, vê-se a braços com uma grave crise económica e social, sofre uma devastadora guerra civil e ataques constantes de forças leais ao regime monárquico, e é vítima do isolamento diplomático decretado pela maioria dos países do mundo, receosos do exemplo revolucionário russo. Consegue no entanto sobreviver, não sem grandes dificuldades e sofrimentos. A saúde de Lenine fragiliza-se em consequência dos ferimentos recebidos num atentado e do avanço da arteriosclerose, que o afasta do exercício das funções da governação e da direção partidária. Vem a falecer a 21 de janeiro de 1924. O seu cadáver embalsamado é colocado num mausoléu propositadamente construído, na Praça Vermelha do centro da capital, exposto à veneração pública. Há a destacar o facto de, tal como os seus predecessores Marx e Engels ou, mais tarde, Mao Tsé-Tung, ter produzido uma volumosa obra, na qual se debruça sobre as características da sociedade russa e sobre os métodos, táticas e estratégias da luta política, e sobre a situação política mundial; sempre marcada por um acentuado tom polémico, a sua produção literária (livros, artigos de jornal) acompanha dezenas de anos de intenso debate nos planos ideológico e político.
Lenine é o pseudónimo usado na clandestinidade pelo político russo Vladimir Ilitch Ulianov, nascido a 22 de abril de1870 e falecido em 1924. Oriundo de uma família da pequena burguesia provinciana, cedo se interessou pela vida política e pelos debates ideológicos. Um seu irmão seria enforcado pela sua participação numa conspiração com o objetivo de matar o Czar, e o próprio Vladimir, ainda estudante, envolveu-se em atividades políticas proibidas, o que lhe valeu a expulsão da Universidade, onde estudava Direito.
Viajou por diversas regiões do império russo, contactando com a realidade social, e afastou-se progressivamente dos grupos populistas que preconizavam o terrorismo como meio de abater o czarismo, acabando por aderir às teses marxistas e por se integrar em agrupamentos políticos por elas influenciados. Em virtude das suas atividades políticas, viria a ser desterrado para a Sibéria, para um local nas margens do Rio Lena (de onde deriva o pseudónimo militante com que depois se iria celebrizar). A partir desta fase da sua vida, que coincide aproximadamente com o último lustro do século XIX, a sua vida pessoal e privada perde praticamente todo o significado, pois passa a dedicar-se em exclusivo à atividade política, na Rússia e depois no exílio em várias partes da Europa.
As suas ideias e propostas vão entrar em choque com as teses oficialmente defendidas pelos seus camaradas de luta - defende a teoria de que o campesinato é, tal como o proletariado urbano, uma classe revolucionária e considera possível uma revolução socialista sem passar por uma fase de revolução burguesa, ao mesmo tempo que propõe a criação de um partido de tipo novo, constituído por um grupo reduzido, coeso e centralizado de revolucionários profissionais, que formariam a vanguarda da revolução que daria origem à instauração de uma ditadura do proletariado. O choque entre conceções diferentes provoca uma cisão dentro do Partido Operário Social-Democrata da Rússia, que se divide em duas fações: os bolchevistas ou bolcheviques (=maioritários) e os mencheviques (=minoritários), dirigidos respetivamente pelo próprio Lenine e por Plekhanov.
Durante a Primeira Guerra Mundial, Lenine dirige o partido a partir do exílio, só regressando à Rússia quando o conflito se encontra no fim e depois da ocorrência da Revolução dirigida pelo reformista Kerensky em fevereiro de 1917. Conduz então uma luta sem tréguas contra o regime czarista e o governo reformista, propondo o termo das hostilidades e a assinatura imediata da paz sem condições, a distribuição das terras pelos camponeses pobres, a extinção da monarquia e a criação de um sistema de governo de conselhos ou sovietes de operários, camponeses, soldados e marinheiros. As suas intervenções públicas em comícios e debates, os seus escritos e a ação persistente do partido aumentam a sua base de apoio e colocam o governo de Kerensky numa posição insustentável de debilidade e de isolamento, o que torna possível a rápida tomada do poder (os "dez dias que abalaram o mundo", segundo uma expressão consagrada) por forças militares e milícias revolucionárias sob a direção do partido bolchevista (7 de novembro de 1917).
Conquistado o poder, o novo regime, ainda dirigido por Lenine, vê-se a braços com uma grave crise económica e social, sofre uma devastadora guerra civil e ataques constantes de forças leais ao regime monárquico, e é vítima do isolamento diplomático decretado pela maioria dos países do mundo, receosos do exemplo revolucionário russo. Consegue no entanto sobreviver, não sem grandes dificuldades e sofrimentos. A saúde de Lenine fragiliza-se em consequência dos ferimentos recebidos num atentado e do avanço da arteriosclerose, que o afasta do exercício das funções da governação e da direção partidária. Vem a falecer a 21 de janeiro de 1924. O seu cadáver embalsamado é colocado num mausoléu propositadamente construído, na Praça Vermelha do centro da capital, exposto à veneração pública. Há a destacar o facto de, tal como os seus predecessores Marx e Engels ou, mais tarde, Mao Tsé-Tung, ter produzido uma volumosa obra, na qual se debruça sobre as características da sociedade russa e sobre os métodos, táticas e estratégias da luta política, e sobre a situação política mundial; sempre marcada por um acentuado tom polémico, a sua produção literária (livros, artigos de jornal) acompanha dezenas de anos de intenso debate nos planos ideológico e político.
Lenine. In Infopédia [Em linha]. Porto:
Porto Editora, 2003-2011
Lenine em
1887
Lenine
em 1917
Pintura
de Lenine em frente do Instituto Smolny feita por Isaak
Brodski
https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2019/04/22-de-abril-de-1870-nasce-vladimir.html?spref=fb&fbclid=IwAR1WezQNrDsLk-XZJlqNASbp0UJiKOMqEtJqiChfjgCZe-vhlpF3ejj_dCg***
VIA: http://www.odiario.info/?p=3392
Lenin e o revisionismo
Miguel Urbano Rodrigues
Set.2014
Miguel Urbano Rodrigues
Set.2014
Lenin repetiu incansavelmente que sem teoria revolucionária nenhum movimento revolucionário pode triunfar. Mas conseguiu, com imaginação e talento, ser simultaneamente flexível na aplicação do método marxista e intransigente no combate às ideias e manobras daqueles que, afirmando ser marxistas, assumiam na prática posições incompatíveis com a ideologia do autor de O Capital.
Os dirigentes da União Europeia – nomeadamente Merkel, Hollande e Cameron – intensificaram nas últimas semanas as suas críticas à Rússia. O pretexto são os acontecimentos da Ucrânia. Um alvo prioritário é Vladimir Putin. Um dos absurdos dessa campanha é a insistência em apresentarem o presidente da Rússia como um ditador que estaria empenhado numa política que visaria a reconstituição parcial da União Soviética.
Um anticomunismo transparente é identificável em crónicas de influentes analistas ocidentais. Não obstante a Rússia ser hoje um país capitalista, slogans bolorentos da guerra fria são retomados.
Putin é acusado de recorrer a métodos e à linguagem de comunistas históricos. Até a realização da parada da vitória em Moscovo, a 9 de Maio, para comemorar a derrota do Reich nazi, foi interpretada como uma ameaça em Washington e algumas capitais da União Europeia.
Uma estranha febre ideológica ganha subitamente atualidade e destacados intelectuais do sistema capitalista divulgam a desproposito entusiásticas apologias do neoliberalismo e exorcizam o marxismo como velharia obsoleta.
É nessa atmosfera que se insere o novo discurso anticomunista que, agitando fantasmas, falsifica a História.
Na tentativa de apresentarem Marx e Lenin como inimigos da democracia, intervêm figuras exponenciais de uma ideologia inseparável da engrenagem liberticida que ameaça a humanidade e é responsável por crimes monstruosos.
Em Portugal os comentadores de serviço na TV, na radio e nos jornais de «referencia» cumprem com zelo a sua tarefa, debitando asneiras no combate ao suposto renascimento do «saudosismo comunista» na Rússia.
Creio por isso oportuno e útil recordar fatos e situações históricas que desmontam a atual campanha ideológica do imperialismo.
Começarei por chamar a atenção para a falsidade das teses de académicos anticomunistas que atribuem a Lenin um dogmatismo rígido na utilização do marxismo para a compreensão e transformação do mundo. Trata-se de uma grosseira mentira. O fundador do primeiro estado socialista não via no marxismo uma ciência imobilista, de fronteiras definitivas.
Começarei por chamar a atenção para a falsidade das teses de académicos anticomunistas que atribuem a Lenin um dogmatismo rígido na utilização do marxismo para a compreensão e transformação do mundo. Trata-se de uma grosseira mentira. O fundador do primeiro estado socialista não via no marxismo uma ciência imobilista, de fronteiras definitivas.
«Não consideramos de modo algum - escreveu- a teoria de Marx como algo de acabado e intocável, estamos pelo contrário convencidos de que ela apenas assentou a pedra angular da ciência que os socialistas devem fazer avançar em todas as direções, se não querem atrasar-se em relação à vida. Pensamos que para os socialistas russos é especialmente necessária a elaboração independente da teoria de Marx, pois esta teoria oferece apenas postulados gerais orientadores que em particular à Inglaterra se aplicam de maneira diferente da França, à França de maneira diferente da Alemanha, à Alemanha de maneira diferente da Rússia (1).
Lenin repetiu incansavelmente que sem teoria revolucionária não pode triunfar qualquer movimento revolucionário. Mas conseguiu, com imaginação e talento, ser simultaneamente flexível na aplicação do método marxista e intransigente no combate às ideias e manobras daqueles que, afirmando ser marxistas, assumiam na prática posições incompatíveis com a ideologia do autor de O Capital.
Contrariamente à convicção de muitos jovens que identificam nos «renovadores» que contribuíram para a social democratização de muitos PCs europeus um fenómeno relativamente recente, o revisionismo do marxismo mergulha as raízes no século XIX.
Principiou ainda em vida de Marx e foi permanente. Em l894, quando Lenin preparava a fundação do futuro partido bolchevique, teve de travar uma luta dura contra os «marxistas legais», tendência liderada pelo alemão Struve que procurava «tomar do marxismo tudo aquilo que é aceitável para a burguesia liberal, incluindo a luta por reformas, abrangendo a luta de classes (sem a ditadura do proletariado),incluindo o reconhecimento «geral» dos ideais socialistas e a substituição do capitalismo por um «novo sistema» e rejeitar «somente» a alma viva do marxismo, o seu caracter revolucionário».
A segunda ofensiva dos oportunistas para desvirtuar o marxismo em benefício da burguesia teve o seu epicentro no partido Social Democrata Alemão, ao tempo muito prestigiado, quando o seu dirigente Edward Bernstein publicou em l899 uma serie de artigos em que revia teses fundamentais do marxismo. Na sua apologia do reformismo lançou uma palavra de ordem famosa: «o movimento é tudo, o objetivo final quase nada». (2)
A segunda ofensiva dos oportunistas para desvirtuar o marxismo em benefício da burguesia teve o seu epicentro no partido Social Democrata Alemão, ao tempo muito prestigiado, quando o seu dirigente Edward Bernstein publicou em l899 uma serie de artigos em que revia teses fundamentais do marxismo. Na sua apologia do reformismo lançou uma palavra de ordem famosa: «o movimento é tudo, o objetivo final quase nada». (2)
Lenin e Rosa Luxemburgo arrancaram-lhe a máscara, denunciando-o como um deturpador do marxismo. Para os comunistas «o objetivo final» era tudo e o reformismo de Bernstein apontava para uma conciliação com a burguesia. Na prática, Bernstein retomava teses reacionárias da filosofia de Kant. Mas a sua pregação influenciou um amplo sector do Partido Social Democrata Alemão, então marxista, com repercussões negativas na Rússia. (3)
Uma terceira grande ofensiva do revisionismo ocorreu em l908. Dois filósofos, o austríaco Ernst Mach e o alemão Richard Avenarius, que negavam a existência objetiva do mundo material, difundiram a chamada filosofia da «experiencia crítica», mais conhecida pelo nome de Empiriocriticismo. Segundo eles, os corpos seriam somente «complexos de sensações». Os trabalhos de ambos deram origem a uma corrente de pensamento que se popularizou com o nome de «machismo». Mach sobretudo, embora pretendendo ser marxista, rejeitou o essencial do materialismo histórico e do materialismo dialético.
Uma parcela ponderável da intelectualidade progressista europeia aderiu com entusiasmo à essa nova filosofia, aceitando-a como escorada na ciência. Kautsky, abrindo as colunas do órgão central da social-democracia alemã à apologia do Empiriocriticismo, contribuiu para aumentar a confusão gerada.
Os mencheviques aderiram imediatamente, mas a propaganda machista perturbou também quadros da fração bolchevique do Partido Operário Social Democrata da Rússia-POSDR-b. Essa influência negativa levou inclusive à formação de um grupo oportunista, os «otzovistas» que defendia a retirada do Parlamento russo (a Duma) dos deputados bolcheviques, afirmando que o Partido deveria realizar apenas atividades ilegais.
Uma parcela ponderável da intelectualidade progressista europeia aderiu com entusiasmo à essa nova filosofia, aceitando-a como escorada na ciência. Kautsky, abrindo as colunas do órgão central da social-democracia alemã à apologia do Empiriocriticismo, contribuiu para aumentar a confusão gerada.
Os mencheviques aderiram imediatamente, mas a propaganda machista perturbou também quadros da fração bolchevique do Partido Operário Social Democrata da Rússia-POSDR-b. Essa influência negativa levou inclusive à formação de um grupo oportunista, os «otzovistas» que defendia a retirada do Parlamento russo (a Duma) dos deputados bolcheviques, afirmando que o Partido deveria realizar apenas atividades ilegais.
Foi então que Lenin declarou guerra a essa perigosa modalidade de revisionismo, primeiro através de artigos, depois num livro, «Materialismo e Empiriocriticismo», ensaio filosófico que com o tempo se tornou um clássico do marxismo como obra teórica. Demonstrou que Mach e os seus seguidores, simulando realizar um trabalho científico inovador, se limitavam afinal a colar um novo rótulo a velhas teses idealistas (4).
O MODERNO REVISIONISMO
Os esforços para destruir o marxismo foram permanentes em vida de Lenin e prosseguiram após a sua morte.
Desde o início da I Guerra Mundial uma onda de falso patriotismo varreu a Europa. Tripudiando sobre os seus programas, e violando compromissos assumidos em nome do internacionalismo proletário, partidos que pretendiam ser socialistas votaram os créditos de guerra das grandes potências envolvidas no conflito, tornando-se cúmplices da hecatombe que atingiu a humanidade. Essa opção foi decisiva para o descrédito e agonia da II Internacional. A luta contra o imperialismo perde muito do seu significado, dizia Lenin,se não «estiver indissoluvelmente ligada à luta contra o oportunismo». O grande revolucionário foi portanto implacável na denúncia do social-chauvinismo, desmentindo que a defesa da liberdade e dos verdadeiros interesses nacionais fosse a motivação da guerra.
A vitória da Revolução Russa criou entretanto, as condições que permitiram a criação da III Internacional. Mas, como era de esperar, a existência da União Soviética foi por si só um incentivo a uma ofensiva permanente em múltiplas frentes contra o marxismo.
Finda a II Guerra Mundial, a luta contra o comunismo assumiu facetas muito diferenciadas. Os partidos comunistas europeus tinham desempenhado um grande papel na luta contra o fascismo. Enfraquecê-los, instalar neles o divisionismo, empurrá-los para o antisovietismo e o afastamento do marxismo foi uma constante nas campanhas das burguesias e do imperialismo.
No auge da guerra-fria, o Manifesto de Champigny em França, em l968, quando Waldeck Rochet era secretário-geral do PCF, cumpriu importante papel em debates ideológicos que abriram a porta ao eurocomunismo. Invocando a necessidade de renovar o marxismo, dirigentes como os franceses Georges Marchais, Roger Garaudy e Louis Althusser, o italiano Enrico Berlinguer, o espanhol Santiago Carrillo e outros serão lembrados como arquitetos de um revisionismo que encaminhou os seus partidos para a social democratização. No caso do PCI a guinada à direita funcionou alias como etapa rumo à sua autodestruição.
O revisionismo atuou, porem, sob mascaras muito diferentes. Apos a desagregação da União Soviética surgiram em muitos partidos dirigentes que, apresentando-se como empenhados em renovar o marxismo, passaram rapidamente ao ataque ao leninismo e ao centralismo democrático. Alguns acabaram ingressando em partidos socialistas integrados no sistema capitalista.
As universidades produziram uma geração de académicos que, principiando por leituras perversas de Marx, não tardaram a procurar justificações para a defesa de políticas neoliberais.
Ganharam também alguma notoriedade revisionistas (oportunistas de esquerda) que, pretendendo exibir uma suposta pureza marxista, recorreram a textos de Gramsci e de Che Guevara para lhes deturparem o pensamento em obras de cariz anti-soviético, aplaudidas pelo imperialismo.
Uma modalidade de anticomunismo, mais subtil, é a praticada por intelectuais que, criticando o capitalismo, identificam nos movimentos sociais a força revolucionaria vocacionada para salvar a humanidade (John Holloway, Bernard Cassen, Ignacio Ramonet, Boaventura Sousa Santos, Hans Dietrich,etc) negando aos partidos protagonismo na luta contra o sistema.
Uma modalidade de anticomunismo, mais subtil, é a praticada por intelectuais que, criticando o capitalismo, identificam nos movimentos sociais a força revolucionaria vocacionada para salvar a humanidade (John Holloway, Bernard Cassen, Ignacio Ramonet, Boaventura Sousa Santos, Hans Dietrich,etc) negando aos partidos protagonismo na luta contra o sistema.
Aceitar em Marx o economista e rejeitar o ideólogo é atitude frequente em cenáculos de intelectuais que satanizam Lenin.
O PERIGO OPORTUNISTA
A palavra oportunista tornou se incómoda para muitos dirigentes de partidos comunistas europeus e latino americanos. Essa atitude traduz a consciência de estratégias e tacticas que afetaram a unidade do movimento comunista internacional. As suas últimas reuniões confirmaram a existência de discordâncias profundas que o debilitaram.
O panorama atual é muito complexo. Na Europa, a maioria dos partidos estão hoje integrados no Partido da Esquerda Europeia, ombro a ombro com partidos burgueses como o Die Linke alemão, o Syriza da Grécia e o Bloco de Esquerda de Portugal.
A função inconfessada desse partido é neutralizar os trabalhadores, dificultando a sua participação nas grandes lutas contra o imperialismo e as políticas neoliberais impostas na União Europeia. Não surpreende que o PEE conte com a simpatia dos media controlados pelo capital e a benevolência dos Governos que o representam.
Muitos partidos comunistas foram contaminados nas últimas décadas. Alguns participaram na orquestra do antisovietismo. Robert Hue, quando secretário-geral do PCF, teve o descaramento de afirmar que «tudo foi negativo na União Soviética».
O Partido Comunista Italiano desapareceu depois de mudar de nome. O Partido Comunista Francês, em rápida metamorfose, renegou o passado e transformou-se numa caricatura de partido operário. O Partido Comunista de Espanha, hoje antileninista, diluiu-se numa Esquerda Unida inofensiva.
Uma epidemia de oportunismo instalou-se no movimento comunista internacional.
Uma epidemia de oportunismo instalou-se no movimento comunista internacional.
Uma das suas manifestações é a crítica - ostensiva ou indireta - a Partidos que, na fidelidade aos princípios continuam a assumir-se como marxistas-leninistas. São visados entre outros o Partido Comunista da Grecia-KKE,o Partido Comunista do México-PCM, e o Partido Comunista Brasileiro-PCB.
Não cabe neste artigo comentar a estratégia desses partidos revolucionários. Não me identifico com todas as posições que assumem. Mas eles me fazem recordar que o Partido Comunista Português, pela fidelidade aos princípios e à sua história, resistiu vitoriosamente com firmeza à vaga de anticomunismo que, sobretudo no início dos anos 90, descaracterizou ou destruiu outros.
Não cabe neste artigo comentar a estratégia desses partidos revolucionários. Não me identifico com todas as posições que assumem. Mas eles me fazem recordar que o Partido Comunista Português, pela fidelidade aos princípios e à sua história, resistiu vitoriosamente com firmeza à vaga de anticomunismo que, sobretudo no início dos anos 90, descaracterizou ou destruiu outros.
Hoje, é precisamente essa fidelidade aos princípios do KKE, do PCM e do PCB, é a sua firmeza no combate ao revisionismo e na denúncia do oportunismo que me inspiram respeito e admiração.
Eles e outros fundadores da Revista Comunista Internacional são hoje uma minoria no Movimento Comunista Internacional. Mas a coerência demonstrada na fidelidade ao pensamento e obra de Marx e a coragem com que assumem a herança de Lenin contam com a minha solidariedade fraterna.
(1) V.Lenin, O Nosso Programa, Obras Completas, in Tomo 4, pág. 184
(2) V.I.Lenin, A Falência da II Internacional,idem,Tomo 26, pág. 227
(3) V.Lenin, Uma Orientação Retrógrada na Social-democracia Russa, idem, Tomo 4, pág. 265
(4) V.i.Lenin, Materialismo e Empiriocriticismo, Edições Avante! 1982, Lisboa
(2) V.I.Lenin, A Falência da II Internacional,idem,Tomo 26, pág. 227
(3) V.Lenin, Uma Orientação Retrógrada na Social-democracia Russa, idem, Tomo 4, pág. 265
(4) V.i.Lenin, Materialismo e Empiriocriticismo, Edições Avante! 1982, Lisboa
Serpa e Vila nova de Gaia, Agosto de 2014
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Postagem anterior no UNIR:
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07/11/2010
3.663. Citações de Lénine...Vladimir Ilitch Ulianov
Lenin
nasceu a 22abril de 1870
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respiguei do blogue de Sérgio Ribeiro:
http://anonimosecxxi.blogspot.com/
«Para combater seriamente a desorganização das finanças e a bancarrota financeira inevitável
não existe outro caminho senão o de romper revolucionariamente com os interesses do capital e implantar um controle verdadeiramente democrático, isto é, "a partir de baixo", um controle dos operários e dos camponeses pobres sobre os capitalistas (...) A emisão ilimitada de papel-moeda estimula a especulação, permite aos capitalistas acumular milhões à sua custa e levanta enormes dificuldades ao tão necessário aumento da produção. (...) De que forma se pode remediar a situação quando se ocultam as fortunas adquiridas pelos ricos através da especulação?»
«A questão das medidas que se devem adoptar para lutar contra a catástrofe que se avizinha, leva-nos a tratar de um problema extraordinariamente importante: a relação entre a política interna e a política externa (...)
«Só [com] uma ruptura (...), tanto no que se refere à política interna como à política externa, poderemos salvar a nossa revolução e o nosso país, amordaçados pelas férreas garras do imperialismo.»
(da edição da Estampa, de 1975, por que tenho uma certa... "ternura", como de tantos outros livros)
nasceu a 22abril de 1870
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respiguei do blogue de Sérgio Ribeiro:
http://anonimosecxxi.blogspot.com/
«Para combater seriamente a desorganização das finanças e a bancarrota financeira inevitável
não existe outro caminho senão o de romper revolucionariamente com os interesses do capital e implantar um controle verdadeiramente democrático, isto é, "a partir de baixo", um controle dos operários e dos camponeses pobres sobre os capitalistas (...) A emisão ilimitada de papel-moeda estimula a especulação, permite aos capitalistas acumular milhões à sua custa e levanta enormes dificuldades ao tão necessário aumento da produção. (...) De que forma se pode remediar a situação quando se ocultam as fortunas adquiridas pelos ricos através da especulação?»«A questão das medidas que se devem adoptar para lutar contra a catástrofe que se avizinha, leva-nos a tratar de um problema extraordinariamente importante: a relação entre a política interna e a política externa (...)
«Só [com] uma ruptura (...), tanto no que se refere à política interna como à política externa, poderemos salvar a nossa revolução e o nosso país, amordaçados pelas férreas garras do imperialismo.»
(da edição da Estampa, de 1975, por que tenho uma certa... "ternura", como de tantos outros livros)