Presidente Raul Castro e Obama anunciam reatar de relações diplomática, libertação de presos políticos e términos do embargo. condenado por tds os países (excepto EUA,Israel e Ilhas Salmão e os reaccionários habituais), durante 53 anos...
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ao mesmo tempo em Cuba Raul Castro...
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via manifesto74
CUBA VENCERÁ!
QUARTA-FEIRA, 17 DE DEZEMBRO DE 2014
Muito se dirá e já muito se começou a dizer. Na SIC Notícias, por exemplo, o historiador, repito, historiador, Tiago Moreira de Sá, está farto de dizer que: o regime económico de Cuba já não fazia sentido e que este reatar de relações irá mudar isso; o regime político também não faz sentido, porque não é uma democracia, mostrando este acordo que as elites cubanas cederam e estão dispostas a mudar o regime de forma tranquila.
1- o historiador não disse uma única vez que este bloqueio económico a Cuba já não tinha razão política nem económica de ser há muitas décadas, pelo menos desde o final da Guerra Fria. Bloqueio que levou milhões de cubanos a não ter acesso fácil a muitos bens primários de consumo e obrigou o governo do país a inventar formas de manter a sua economia interna activa. Mas atenção, como disse Raúl Castro, o bloqueio continua a existir, ao que parece será mais suave.
2 - o historiador faria melhor em seguir o seu próprio conselho, de esperar uns tempos para perceber qual o acordo, para afirmar com maior propriedade que as elites cubanas estão dispostas a ceder e a mudar o seu regime.
3 - aceitando que nesta troca estavam presos políticos, é de notar que para o historiador em Cuba era "o regime" que mantinha um americano preso, mas nos EUA, era "o governo" que tratava dos presos cubanos.
Cada um vê o mundo com os seus olhos, mas é por não conseguir ser sempre imparcial e tender a analisar os factos segundo a minha ideologia, que nunca escolhi ser historiador.
Sei que Cuba resistiu durante décadas a este bloqueio económico, e que durante esse mesmo tempo garantiu para o seu povo, entre outras coisas, educação e saúde gratuitas. Criou, como bem sabemos, uma das melhores redes de saúde do Mundo.
Por agora, e até prova em contrária, só uma coisa interessa: Patria o muerte!
P.S. às 23h24m: pouco depois de escrever este texto, apercebi-me que, pelo menos por agora, o que está em causa é apenas o reatamento de relações diplomáticas mais abertas e comunicantes. O tal historiador e outros comentadores, voltaram a falhar no rigor dos factos e facilmente me induziram uma ideia errada. Esta porra da manipulação funciona mesmo...
*1- o historiador não disse uma única vez que este bloqueio económico a Cuba já não tinha razão política nem económica de ser há muitas décadas, pelo menos desde o final da Guerra Fria. Bloqueio que levou milhões de cubanos a não ter acesso fácil a muitos bens primários de consumo e obrigou o governo do país a inventar formas de manter a sua economia interna activa. Mas atenção, como disse Raúl Castro, o bloqueio continua a existir, ao que parece será mais suave.
2 - o historiador faria melhor em seguir o seu próprio conselho, de esperar uns tempos para perceber qual o acordo, para afirmar com maior propriedade que as elites cubanas estão dispostas a ceder e a mudar o seu regime.
3 - aceitando que nesta troca estavam presos políticos, é de notar que para o historiador em Cuba era "o regime" que mantinha um americano preso, mas nos EUA, era "o governo" que tratava dos presos cubanos.
Cada um vê o mundo com os seus olhos, mas é por não conseguir ser sempre imparcial e tender a analisar os factos segundo a minha ideologia, que nunca escolhi ser historiador.
Sei que Cuba resistiu durante décadas a este bloqueio económico, e que durante esse mesmo tempo garantiu para o seu povo, entre outras coisas, educação e saúde gratuitas. Criou, como bem sabemos, uma das melhores redes de saúde do Mundo.
Por agora, e até prova em contrária, só uma coisa interessa: Patria o muerte!
P.S. às 23h24m: pouco depois de escrever este texto, apercebi-me que, pelo menos por agora, o que está em causa é apenas o reatamento de relações diplomáticas mais abertas e comunicantes. O tal historiador e outros comentadores, voltaram a falhar no rigor dos factos e facilmente me induziram uma ideia errada. Esta porra da manipulação funciona mesmo...

Nota de Imprensa
PCP congratula-se com a libertação dos patriotas cubanos presos nos EUA
17 Dezembro 2014
Congratulando-se com esta vitória de Cuba - que é uma vitória de todos os povos que lutam em defesa da sua soberania -, o PCP reafirma a exigência do fim do criminoso bloqueio económico, comercial e financeiro dos EUA contra Cuba - o que, aliás, foi uma vez mais reiterado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em recente votação, com o voto favorável de 193 países e apenas com os votos contra dos Estados Unidos e de Israel -, assim como do encerramento da base dos EUA em Guantánamo.
Houve eleições nos EUA
ninguém falou na baixa % de votação
Via Tempo das Cerejas
http://otempodascerejas2.blogspot.pt/2014/11/taxa-de-partcipacao.html
11 Novembro 2014
Taxa de participação
Eleições americanas -
aquilo de que ninguém fala
aquilo de que ninguém fala
... e têm primárias a dar com um pau !
4julho1776
dia da independência dos EUA
***
Via
http://umhistoriador.wordpress.com/2013/11/20/pobreza-nos-estados-unidos-atinge-80-da-populacao/
Pobreza nos Estados Unidos atinge 80% da população
Enquanto isso, notícia publicada em um site de notícias especializado em destacar as reportagens que não aparecem na grande mídia estadunidense, oPolitical Blindspot, dá conta de que na maior nação liberal do planeta, a terra das oportunidades, onde qualquer um pode construir sua riqueza, 80% de sua população viveram próximos a pobreza ou abaixo da linha da miséria (só nessa última condição, são 49,7 milhões de pessoas).
A reportagem fala ainda do aumento cada vez maior do abismo que separe ricos e pobres daquela nação e de como o governo estadunidense, em vez de aumentar a rede de proteção social dos 80% da população que sofre com os efeitos da pobreza, está discutindo os cortes dos poucos programas assistenciais que estão ajudando alguns estadunidenses a se manterem pouco acima da linha da pobreza.
Parece que o paraíso dos liberais não é tão maravilhoso assim. Enquanto isso, no Brasil “assistencialista” pós-FHC, mais de 40 milhões de pessoas deixaram a condição de miséria, fizeram girar a economia do país e, ainda por cima, chegaram até mesmo a empreender novos negócios. Será que os Estados Unidos estão precisando de um Bolsa Família, ou melhor, um Purse Family por lá? Será que seus políticos, ou melhor, os Democratas teriam a coragem política necessária para enfrentar essa dura realidade?
Abaixo, uma tradução livre que fiz da reportagem de Simeon Ari para o Political Blindspot.
NOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA, 49,7 MILHÕES DE PESSOAS AGORA SÃO POBRES, E 80% DE TODA A POPULAÇÃO DAQUELE PAÍS ESTÁ BEM PRÓXIMO A ELA
por Simeon Ari | para o Political Blindspot
por Simeon Ari | para o Political Blindspot

Foto: Associated Press
Se você vive nos Estados Unidos, há uma boa chance que você esteja agora vivendo na pobreza ou muito próximo a ela. Aproximadamente 50 milhões de estadunidenses, (49,7 milhões), estão vivendo abaixo da linha da pobreza com 80% de todos os habitantes dos Estados Unidos vivendo próximo a linha da pobreza ou abaixo dela.Essa estatística da “quase pobreza” é mais surpreendente do que os 50 milhões de estadunidenses vivendo abaixo da linha da pobreza, pois ela remete a um total de 80% da população lutando contra a falta de emprego, a quase pobreza ou a dependência de programas assistenciais do governo para ajudar a fazer face às despesas.Em setembro, a Associated Press apontou para o levantamento de dados que falavam de uma lacuna cada vez mais crescente entre ricos e pobres, bem como a perda de empregos bem remunerados na área de manufatura que costumavam fornecer as oportunidades para a “classe trabalhadora” para explicar a crescente tendência em direção à pobreza nos EUA.Mas os números daqueles que vivem abaixo da linha da pobreza não refletem apenas o número de estadunidenses desempregados. Ao contrário, de acordo com os números de um censo revisado lançado na última quarta-feira, o número – 3 milhões acima daquele imaginado pelas estatísticas oficiais do governo – também são devidos a despesas médicas imprevistas e gastos relacionados com o trabalho.O novo número é geralmente “considerado mais confiável por cientistas sociais por que ele se baseia no custo de vida, bem como nos efeitos dos auxílios do governo, tais como selos de comida e créditos fiscais,” segundo o relatório da Hope Yen para a Associated Press.Alguns outros resultados revelaram que os selos de comida (distribuídos pelo governo a pessoas em situação de pobreza) auxiliaram 5 milhões de pessoas para que essas mal pudessem atinger a linha da pobreza. Isso significa que a taxa atual de pobreza é ainda maior do que a anunciada, já que sem tal auxílio, a taxa de pobreza aumentaria de 16 a 17,6 porcento.Estadunidenses de origens asiática e latina viram um aumento no índice de pobreza, subindo para 27,8 porcento e 16,7 porcento respectivamente, superior aos 25,8 porcento e 11,8 porcento dos números oficiais do governo. Afro-americanos, contudo, viram um decréscimo bem pequeno, de 27,3 porcento para 25,8 porcento que, como documentado pelo estudo, deve-se aos programas assistenciais do governo. O índice de pobreza também aumentou entre os brancos não-hispânicos, de 9,8 porcento para 10,7 porcento.“A principal razão para a pobreza permanecer tão alta,” disse Sheldon Danziger, um economista da Universidade do Michigan, “é que os benefícios de uma economia crescente não estão mais sendo compartilhada por todos os trabalhadores como eram nos vinte e cinco anos que se seguiram o final da Segunda Guerra Mundial.“Dado as condições econômicas atuais,” continua, “a pobreza não será substancialmente reduzida a menos que o governo faça mais para auxiliar os trabalhadores pobres.”Enquanto isso, o governo dos Estados Unidos parece pensar que a resposta é cortar mais daqueles serviços que estão ajudando a manter 80% da população minimamente acima da linha da pobreza, cortaram os selos de comida desde o começo do mês. Democratas e Republicanos estão negociando apenas quanto mais desses programas devem ser cortados, mas nenhum dos partidos estão discutindo que eles sequer deveriam ser tocados.(Artigo por Simeon Ari; Foto via AP Photo)
via avante 14ag2014
Mike Brown,
ou qualquer outro nome
ou qualquer outro nome
Brecht advertia que num tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar. Há que desconfiar do mais trivial e examinar sobretudo o que parece habitual. No dia 9 de Agosto foi assassinado um jovem afro-americano em Ferguson, Missouri, nos EUA. Não, não é déjà-vu: já aqui escrevi sobre esta notícia, pelo que irão os leitores perdoar-me tão incómoda iteração. Só o nome era diferente.
Os meios de comunicação social da classe dominante não cometeram o mesmo erro que eu: perceberam que a história era a mesmíssima de sempre e já não interessava. O guião é sempre igual: um jovem desarmado a caminho de casa. É interceptado pela polícia por razão nenhuma. Acaba trespassado de balas. Por ser negro. Ao contrário de Trayvon Martin, o nome de Mike Brown não mereceu manchetes nem parangonas, o público já estava habituado à história e, muito sinceramente, farto de a ouvir. Não há, com efeito, pior hábito do que nos habituarmos.
Esta crónica não é sobre estatísticas
Mas estranho seria se, à semelhança dos passavantes do deus-dinheiro, também nós comunistas aceitássemos não repetir as palavras de sempre, quando é sempre tão chocante a repetição dos velhos crimes. Michael Brown está morto. E continuará a morrer com outros nomes ainda mais anónimos enquanto não os soubermos a todos de cor. É por isso que o podem matar. Só desde Janeiro, mais de 400 homens negros foram mortos a tiro pela polícia norte-americana, uma estatística considerada normal no paradigma capitalista de democracia e liberdade.
Mas Michael Brown não era uma estatística e esta crónica é sobre ele. Mike tinha 18 anos e na próxima semana entraria pela primeira vez na faculdade, um feito que a mãe, lavada em lágrimas, gritava aos polícias: «Sabem como me foi difícil mantê-lo na escola até ao fim? Sabem quantos rapazes negros conseguem entrar na faculdade?». A terrível resposta é menos de 15%, mas não vamos falar sobre isso porque Michael Brown não era uma estatística.
Nesse dia, Mike ia a caminho da casa da avó num subúrbio operário da cidade quando um carro de patrulha estacionou ao seu lado e o mandou parar, uma rotina em Ferguson, onde 87,5% de todas as pessoas que a polícia manda parar são negros. Mas como esta crónica não é sobre estatísticas, vamos seguir adiante. Agora sabemos que Michael não era suspeito de qualquer crime, mas mesmo assim os polícias quiseram revistá-lo: mais um número para os 92.3% de negros entre as pessoas revistadas pela polícia em Ferguson. Afinal se calhar há uma pequena parte de estatística sobre esta crónica. Segundo várias testemunhas, Michael recusou-se a ser interrogado e revistado. Nessa altura, um polícia tentou empurrá-lo para dentro do carro. Michael conseguiu libertar-se e correu. Então, o polícia disparou um tiro certeiro, que atingiu o jovem pelas costas. Tudo isto aconteceu pelas duas da tarde e as várias testemunhas são unânimes sobre o que se seguiu: quando recebeu o disparo, Michael levantou os braços para se render mas o polícia saiu do carro e, a uma distância de menos de dez metros, alvejou novamente Michael Brown. Mais sete vezes. Sobre a identidade do polícia assassino conhecemos apenas a cor da pele: era branco como 94% dos polícias de uma cidade 67% negra. Esta crónica não é sobre estatísticas, é sobre o Michael Brown, mas foram as estatísticas que o mataram.
À flor da pele
À hora do fecho desta edição, os comentadores dos grandes noticiários norte-americanos perguntavam em indignado coro porque é que os negros do Missouri estão a pegar fogo às ruas. Como até aqui ainda só pudemos repetir estatísticas que toda a gente já conhece, faremos o obséquio de lhes responder à pergunta. Ferguson arde porque o corpo de Michael ficou horas descoberto no meio da estrada e porque, quando uma vigília se juntou com fotografias e velas nas mãos, chegaram mais de duzentos polícias de choque, com cassetetes e caçadeiras nas mãos. St. Louis arde porque em 2014 crianças e adolescentes negros são assassinados pela polícia que lhes despreza a vida. O Missouri arde porque sempre que mais um jovem afro-americano é assassinado por este sistema desumano e estruturalmente racista, os media encarregam-se de criminalizar a imagem da vítima. Os EUA ardem porque, escreveu-o Martin Luther King Jr. semanas antes de ser ele próprio assassinado, «a revolta é a linguagem dos que não têm voz». Está embargada de lágrimas, de tanta injustiça e tamanha opressão.
Os meios de comunicação social da classe dominante não cometeram o mesmo erro que eu: perceberam que a história era a mesmíssima de sempre e já não interessava. O guião é sempre igual: um jovem desarmado a caminho de casa. É interceptado pela polícia por razão nenhuma. Acaba trespassado de balas. Por ser negro. Ao contrário de Trayvon Martin, o nome de Mike Brown não mereceu manchetes nem parangonas, o público já estava habituado à história e, muito sinceramente, farto de a ouvir. Não há, com efeito, pior hábito do que nos habituarmos.
Esta crónica não é sobre estatísticas
Mas estranho seria se, à semelhança dos passavantes do deus-dinheiro, também nós comunistas aceitássemos não repetir as palavras de sempre, quando é sempre tão chocante a repetição dos velhos crimes. Michael Brown está morto. E continuará a morrer com outros nomes ainda mais anónimos enquanto não os soubermos a todos de cor. É por isso que o podem matar. Só desde Janeiro, mais de 400 homens negros foram mortos a tiro pela polícia norte-americana, uma estatística considerada normal no paradigma capitalista de democracia e liberdade.
Mas Michael Brown não era uma estatística e esta crónica é sobre ele. Mike tinha 18 anos e na próxima semana entraria pela primeira vez na faculdade, um feito que a mãe, lavada em lágrimas, gritava aos polícias: «Sabem como me foi difícil mantê-lo na escola até ao fim? Sabem quantos rapazes negros conseguem entrar na faculdade?». A terrível resposta é menos de 15%, mas não vamos falar sobre isso porque Michael Brown não era uma estatística.
Nesse dia, Mike ia a caminho da casa da avó num subúrbio operário da cidade quando um carro de patrulha estacionou ao seu lado e o mandou parar, uma rotina em Ferguson, onde 87,5% de todas as pessoas que a polícia manda parar são negros. Mas como esta crónica não é sobre estatísticas, vamos seguir adiante. Agora sabemos que Michael não era suspeito de qualquer crime, mas mesmo assim os polícias quiseram revistá-lo: mais um número para os 92.3% de negros entre as pessoas revistadas pela polícia em Ferguson. Afinal se calhar há uma pequena parte de estatística sobre esta crónica. Segundo várias testemunhas, Michael recusou-se a ser interrogado e revistado. Nessa altura, um polícia tentou empurrá-lo para dentro do carro. Michael conseguiu libertar-se e correu. Então, o polícia disparou um tiro certeiro, que atingiu o jovem pelas costas. Tudo isto aconteceu pelas duas da tarde e as várias testemunhas são unânimes sobre o que se seguiu: quando recebeu o disparo, Michael levantou os braços para se render mas o polícia saiu do carro e, a uma distância de menos de dez metros, alvejou novamente Michael Brown. Mais sete vezes. Sobre a identidade do polícia assassino conhecemos apenas a cor da pele: era branco como 94% dos polícias de uma cidade 67% negra. Esta crónica não é sobre estatísticas, é sobre o Michael Brown, mas foram as estatísticas que o mataram.
À flor da pele
À hora do fecho desta edição, os comentadores dos grandes noticiários norte-americanos perguntavam em indignado coro porque é que os negros do Missouri estão a pegar fogo às ruas. Como até aqui ainda só pudemos repetir estatísticas que toda a gente já conhece, faremos o obséquio de lhes responder à pergunta. Ferguson arde porque o corpo de Michael ficou horas descoberto no meio da estrada e porque, quando uma vigília se juntou com fotografias e velas nas mãos, chegaram mais de duzentos polícias de choque, com cassetetes e caçadeiras nas mãos. St. Louis arde porque em 2014 crianças e adolescentes negros são assassinados pela polícia que lhes despreza a vida. O Missouri arde porque sempre que mais um jovem afro-americano é assassinado por este sistema desumano e estruturalmente racista, os media encarregam-se de criminalizar a imagem da vítima. Os EUA ardem porque, escreveu-o Martin Luther King Jr. semanas antes de ser ele próprio assassinado, «a revolta é a linguagem dos que não têm voz». Está embargada de lágrimas, de tanta injustiça e tamanha opressão.
Via
http://www.globalresearch.ca/
***
O Império Invisível - Conheça a Nova Ordem Mundial e os fatos não divulgados
https://www.youtube.com/watch?v=C8QmYDhIFiM***
a decepção Obama, a fraude
https://www.youtube.com/watch?v=tH51xR8CCFY***
Guerra e morte do dólar americano?
OU
Os EUA ou o mundo estão a chegar ao fim?
por Paul Craig Roberts [*]
OU
Os EUA ou o mundo estão a chegar ao fim?
por Paul Craig Roberts [*]
2014 está a perfilar-se como o ano de ajuste de contas para os Estados Unidos.
Duas pressões estão a acumular-se sobre o dólar americano. Uma decorre da declinante capacidade do Federal Reserve para manipular o preço do ouro quando as reservas ocidentais encolhem e se espalha no mercado o conhecimento da ilegal manipulação de preços feita pelo Fed. É inequívoca a evidência de quantidades maciças de vendas a descoberto a serem despejadas no mercado de futuros do ouro numa altura em que a comercialização é fraca. Tornou-se óbvio que o preço do ouro está a ser manipulado no mercado de futuros a fim de proteger o valor do dólar das consequências da quantitative easing (QE).
A outra pressão provém das loucas ameaças do regime de Obama, de sanções contra a Rússia. Outros países já não estão dispostos a tolerar o abuso de Washington quanto ao padrão dólar mundial. Washington utiliza os pagamentos internacionais com base no dólar para prejudicar as economias de países que resistem à hegemonia política de Washington.
A Rússia e a China já estão fartas. Conforme noticiei e conforme Peter Koenig noticia, a Rússia e a China estão a desligar do dólar o seu comércio internacional. Daqui em diante, a Rússia efectuará o seu comércio, incluindo a venda de petróleo e de gás natural à Europa, em rublos e nas divisas dos seus parceiros do BRICS.
Isto significa uma grande quebra na procura de dólares americanos e uma queda correspondente no valor cambial do dólar.
Conforme John Williams ( shadowstats.com ) deixou claro, a economia dos EUA não recuperou dos maus tempos de 2008 e tem continuado a enfraquecer. A grande maioria da população americana há anos que está a ser fortemente pressionada pela falta de crescimento dos rendimentos. Como actualmente os EUA são uma economia dependente quanto a importações, uma queda no valor do dólar aumentará os preços nos EUA e fará baixar o nível de vida.
Todos os indícios apontam para o fracasso económico dos EUA em 2014, e é essa a conclusão do relatório de John William, de 9 de Abril.
Este ano também pode vir a assistir ao colapso da NATO e talvez mesmo da UE. O golpe imprudente de Washington na Ucrânia e a ameaça de sanções contra a Rússia empurraram os estados marionetes da NATO para um terreno perigoso. Washington avaliou mal a reacção na Ucrânia quando derrubou o seu governo democraticamente eleito e impôs um governo fantoche. A Crimeia separou-se rapidamente da Ucrânia e juntou-se à Rússia. Poderão seguir-se em breve outros territórios outrora russos.
Os descontentes em Lugansk, Donetsk e Kharkov estão a exigir referendos. Os descontentes promulgaram a República Popular de Donetsk e a República Popular de Kharkov. O governo fantoche de Washington em Kiev ameaçou dominar os protestos com a violência. (rt.com/news/eastern-ukraine-violence-threats-405/ )
Washington afirma que as manifestações de protesto são organizadas pela Rússia, mas ninguém em Washington acredita, nem mesmo os seus fantoches ucranianos.
Notícias na imprensa russa identificaram mercenários americanos entre as forças de Kiev enviadas para dominar os separatistas na Ucrânia oriental. Um membro da extrema-direita, o neo-nazi Partido Patriota no parlamento de Kiev defendeu que os manifestantes fossem abatidos a tiro.
A violência contra os manifestantes provocará provavelmente a intervenção do exército russo e o regresso da Rússia aos seus antigos territórios na Ucrânia oriental que foram anexados à Ucrânia pelo Partido Comunista soviético.
Com Washington a aventurar-se a proferir ameaças em crescendo, Washington está a empurrar a Europa para duas confrontações altamente indesejáveis. Os europeus não querem uma guerra com a Rússia por causa do golpe de Washington em Kiev e entendem que quaisquer sanções contra a Rússia, se concretizadas, serão muito mais prejudiciais para eles próprios. Na UE, a crescente desigualdade económica entre os países, o alto desemprego, e a rigorosa austeridade económica imposta aos membros mais pobres têm provocado enormes tensões. Os europeus não estão dispostos a suportar o fardo dum conflito com a Rússia orquestrado por Washington. Enquanto Washington oferece à Europa guerra e sacrifícios, a Rússia e a China propõem comércio e amizade. Washington fará os possíveis para manter os políticos europeus comprados-e-pagos e alinhados com as políticas de Washington, mas para a Europa os riscos de alinhar com Washington são agora muito maiores.
Em muitas frentes, Washington está a surgir aos olhos do mundo como aldrabão, inconfiável e completamente corrupto. James Kidney, promotor público da Securities and Exchange Comission [SEC], aproveitou a ocasião da sua aposentação para revelar que superiores seus haviam arquivado os seus processos da Goldman Sachs e de outros "bancos demasiado grandes para falir", porque os seus patrões da SEC não estavam preocupados com a justiça mas "em arranjar empregos com altas remunerações após o seu serviço público", protegendo os bancos contra processos pelas suas acções ilegais. (www.counterpunch.org/2014/04/09/65578/ )
A Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional foi apanhada a tentar usar meios de comunicação sociais para derrubar o governo de Cuba. ( rt.com/news/cuba-usaid-senate-zunzuneo-241/ )
Esta imprudência audaciosa aparece a seguir ao derrube do governo ucraniano incitado por Washington, ao escândalo da espionagem da NSA, ao relatório de investigação de Seymour Hersh de que o gás sarin na Síria foi um incidente clandestino organizado pela Turquia, membro da NATO, a fim de justificar um ataque militar dos EUA à Síria, a seguir à imposição de Washington de fazer aterrar e passar busca ao avião presidencial do presidente boliviano Evo Morales, às "armas de destruição maciça" de Saddam Hussein, à má utilização da resolução de zona de exclusão aérea da Líbia para um ataque militar, etc. etc. Essencialmente, Washington conseguiu minar de tal modo a confiança de outros países quanto ao discernimento e integridade do governo americano que o mundo perdeu a fé na liderança dos EUA. Washington está reduzido a ameaças e subornos e aparece cada vez mais como um agressor.
Estes tiros no pé reflectiram-se na credibilidade de Washington. O pior de todos é a crescente percepção generalizada de que a louca teoria de conspiração de Washington sobre o 11/Set é falsa. Grande número de especialistas independentes, assim como mais de cem prestadores de primeiros socorros contradisseram todos os aspectos da absurda teoria da conspiração de Washington. Nenhuma pessoa esclarecida acredita que meia dúzia de árabes sauditas, que não sabiam pilotar aviões, e a funcionar sem a ajuda de qualquer agência de informações, pudesse iludir todo o estado de Segurança Nacional, não apenas as 16 agências de informações americanas, mas também todas as agências de informações da NATO e de Israel.
Nada funcionou no 11/Set. A segurança do aeroporto falhou quatro vezes numa hora, mais falhas numa hora do que ocorreram durante as 116.232 horas do século XXI, todas juntas. Pela primeira vez na história, a Força Aérea dos EUA não conseguiu interceptar inimigos no chão e nos céus. Pela primeira vez na história, o Controlo de Tráfego Aéreo perdeu aviões comerciais durante mais de uma hora e não o comunicou. Pela primeira vez na história, incêndios de baixas temperaturas, de vida curta, nalguns pisos, provocaram o enfraquecimento e colapso de estruturas de aço maciças. Pela primeira vez na história, três arranha-céus caíram em queda livre acelerada, sem o benefício de demolição controlada que eliminasse a resistência por baixo.
Dois terços dos americanos acreditaram nesta patranha. A esquerda acreditou porque encarou-a como uma história de oprimidos a vingarem-se do império maléfico da América. A direita acreditou na história, porque interpretaram-na como de muçulmanos diabólicos a atacar a boa América. O presidente George W. Bush exprimiu muito bem a visão da direita: "Eles odeiam-nos por causa da nossa liberdade e democracia".
Mas mais ninguém acreditou nela, muito menos os italianos. Os italianos tinham sido informados, anos antes, de incidentes secretos, quando o seu presidente revelou a verdade sobre a secreta Operação Gládio . A Operação Gládio foi chefiada pela CIA e pelos serviços secretos italianos durante a segunda metade do século XX, para colocação de bombas que mataram mulheres e crianças europeias a fim de acusar os comunistas e, a partir daí, minarem o apoio aos partidos comunistas europeus.
Os italianos foram dos primeiros a fazer apresentações em vídeo contestando a história bizantina de Washington sobre o 11/Set. A última desta contestação é o filme "Zero", de 1 hora e 45 minutos.
Podem vê-lo aqui: www.youtube.com/watch?v=QU961SGps8g&feature=youtu.be
"Zero" foi produzido pela companhia italiana Telemaco como um filme de investigação sobre o 11/Set. Nele aparece muita gente ilustre, juntamente com especialistas independentes. Em conjunto, contestam todas as afirmações feitas pelo governo dos EUA, relativas à sua explicação do 11/Set.
O filme foi exibido no parlamento europeu.
É impossível que alguém que veja este filme acredite numa só palavra da explicação oficial do 11/Set.
A conclusão é que cada vez é mais difícil desmentir que elementos do governo dos EUA tenham feito ir pelos ares três arranha-céus de Nova Iorque a fim de destruir o Iraque, o Afeganistão, a Líbia, a Somália, a Síria, o Irão, e o Hezbollah, e de lançar o programa dos neoconservadores dos EUA para uma hegemonia mundial dos EUA.
A conclusão é que cada vez é mais difícil desmentir que elementos do governo dos EUA tenham feito ir pelos ares três arranha-céus de Nova Iorque a fim de destruir o Iraque, o Afeganistão, a Líbia, a Somália, a Síria, o Irão, e o Hezbollah, e de lançar o programa dos neoconservadores dos EUA para uma hegemonia mundial dos EUA.
A China e a Rússia protestaram mas aceitaram a destruição da Líbia embora tenha sido em seu próprio prejuízo. Mas o Irão é uma linha vermelha. Washington ficou bloqueado, por isso decidiu provocar grandes problemas à Rússia na Ucrânia a fim de desviá-la do programa de Washington noutros locais.
A China tem estado hesitante sobre os compromissos entre os seus excedentes comerciais com os EUA e o crescente cerco de Washington que lhe é feito com as suas bases navais e aéreas. A China chegou à conclusão de que a China e a Rússia têm o mesmo inimigo – Washington.
Pode acontecer uma de duas coisas: ou o dólar americano será posto de lado e o seu valor entra em colapso, acabando assim com a situação de superpotência de Washington e a ameaça de Washington à paz mundial, ou Washington empurrará os seus fantoches para um conflito militar com a Rússia e a China. O resultado duma guerra dessas será muito mais devastador do que o colapso do dólar americano.
10/Abril/2014
Do mesmo autor:
· Washington Drives The World To War. CIA Intervention in Eastern Ukraine , 15/Abril/2014
O original encontra-se em www.globalresearch.ca/... . Tradução de Margarida Ferreira.
***
Via: http://www.omilitante.pcp.pt/pt/314/Internacional/632/Luta-de-classes-nos-EUA.htmLuta de classes nos EUA
por ANDRÉ LEVY
«Há de facto uma luta de classes, mas é a minha classe, a classe rica, que está a fazer a guerra, e estamos a ganhar.» As palavras são de Warren Buffet, investidor e filantropo dos EUA e um dos homens mais ricos do mundo, pronunciadas alguns anos antes do estalar da actual crise económica e financeira.
A verdade de então tornou-se mais diáfana após o desenvolvimento da crise, pois bancos e instituições financeiros receberam USD$700 mil milhões em «socorro» (uma parte escandalosamente usada em gratificações para os agentes do colapso financeiro), mas os trabalhadores e suas famílias perderam as suas casas, enfrentam maiores dificuldades laborais e vêem o acentuar das desigualdades sociais.
País de extremos
A crise porém só veio reforçar tendências de fundo. Ao longo dos últimos 30 anos, a desigualdade salarial nos EUA tem vindo a aumentar substancialmente, aproximando-se do nível existente antes da Grande Depressão. A diferença entre os salários mais baixos e o salário médio cresceu acentuadamente nos anos 70 e 80, mas o principal motor da desigualdade é o aumento desproporcional dos rendimentos mais altos. Desde 1979, os 10% mais ricos da população arrecadaram dois terços do rendimento, e o um por cento mais alto um farto 38,7%. (1) O relatório do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, de 2009, sobre desigualdade de rendimentos entre as economias avançadas, colocou os EUA apenas atrás de Hong Kong e Singapura nos países com maior fosso entre o rendimento de pobres e ricos (seguem-se Israel e Portugal).
A disparidade dos últimos 30 contrasta com o período antecedente, de 1947 a 73, fase de domínio global da produção económica e de crescimento da classe média dos EUA. Neste período, as várias faixas económicas exibiam taxas de crescimento do rendimento semelhantes. Com o abrandamento de produtividade na década de 70, os rendimentos familiares estagnaram, ficando atrás da taxa de crescimento económico, isto é, os seus rendimentos reais diminuíram, enquanto os rendimentos mais altos dispararam. Estas tendências não voltaram a modificar-se apesar de alguma recuperação económica a partir dos anos 90. Porquê? Segundo o Prémio Nobel da Economia, Joseph Stiglitz, «os economistas não estão seguros em como explicar a crescente desigualdade na América, mas uma grande parte da explicação é que o um porcento mais rico assim o deseja.»
As tendências de repartição da riqueza não se traduziram apenas numa desigualdade relativa, mas em valores absolutos de pobreza. Os valores de pobreza têm voltado a subir, atingindo 25% entre negros e hispânicos, mais do dobro que entre brancos não-hispânicos. O aumento do desemprego, que tem rondado os 9,5%, atingindo 16,2% entre negros, é um dos factores determinantes. Em 2008-2009, o número de empregos caiu em 8 milhões, mais do que em qualquer recessão anterior. Mas mais significativo é a quebra do valor real dos rendimentos mais baixos. Entre 2007 e 2009, a proporção de famílias empregadas com baixo rendimento – menos de 200% da fasquia oficial de pobreza – aumentou para 30%. Uma em cada três famílias nos EUA, apesar de trabalharem, vive na pobreza. Esta realidade atinge 44 milhões de pessoas, incluindo 22 milhões de crianças, colocando os EUA apenas atrás do México, entre economias avançadas, com 22% das suas crianças em estado de pobreza. (2)
Os «novos empregos» tipicamente pagam salários baixos e não incluem seguro de saúde, ou plano de reforma. Entre os empregados a tempo inteiro, 10% aufere um salário baixo, 30% não tem seguro de saúde e 40% não tem plano de reforma. Para trabalhadores a tempo parcial, ao serviço de agências de trabalho temporário, ou trabalhadores independentes, os valores são mais elevados. Cerca de 5% dos trabalhadores têm mais de um emprego a tempo inteiro.
O agravamento da repartição de rendimentos, nos anos 70 e 80, não pode ser desligado de dois outros processos acoplados: (a) uma quebra na taxa de sindicalização (3), de 20%, em 1983, para 11,9%, em 2010, com efeitos mais significativos no sector privado (onde a taxa é de 6,9%; 7,1 milhões de trabalhadores) do que no sector público (36,2%; 7,6 milhões); (b) uma quebra do valor do salário mínimo e sua influência no mercado de trabalho, contínuos assaltos aos contratos colectivos de trabalho, e outros processos de desregulação do mercado de trabalho.
O colapso da bolha de crédito mobiliário veio agravar as disparidades sociais, atingindo particularmente membros das minorias negras e hispânicas. A desigualdade económica entre etnias é mais aprofundada quando medimos riqueza e não meramente rendimento, isto é, quando incluímos a casa, carro, poupanças e investimentos (menos as dívidas de crédito mobiliário, automóvel ou cartão de crédito). Negros e hispânicos têm menos bens financeiros, sendo a sua riqueza mais dependente do valor da casa. Em 2005, o rácio de riqueza entre brancos e negros ou hispânicos era de 10 para um. Hoje é mais do dobro.
Enquanto 75% de famílias brancas é proprietária de casa, esta cifra era apenas de 50% entre famílias negras e hispânicas. Estas constituíam assim um mercado de procura de produtos financeiros. Preferencialmente, os bancos e agentes financeiros ofereceram a estas famílias os empréstimos sub-prime, de taxa de juro mais altas e condições menos favoráveis, mesmo quando as famílias seriam candidatas a empréstimos regulares. Quando o mercado mobiliário afundou, a partir de 2006, estas etnias foram desproporcionalmente atingidas: em apenas três anos, a recessão levou a uma queda de 16% na riqueza entre famílias brancas, mas 53% entre negras, 54% entre asiáticas, e 66% entre hispânicas. (4) Contrariamente às esperanças, a presidência de Obama não trouxe uma era «pós-racial», mas coincidiu com o maior retrocesso económico das minorias étnicas dos últimos 20 anos.
Os trabalhadores resistem
A recessão económica tem afectado os orçamentos Estaduais, cujas receitas diminuíram em 2009 cerca de 31%, ou USD$1,1 biliões. Para 2011, 40 Estados projectavam um défice total de $113 mil milhões, levando 46 Estados a aumentar impostos, a fazer cortes na despesa pública, e travar uma ofensiva contra os trabalhadores e sindicatos do sector público em nome da austeridade. (Soa familiar?)
É neste contexto que o Partido Republicano ganha a maioria no Congresso e a governação de vários Estados, nas eleições intercalares de 2010, e lança fortes ataques aos direitos dos trabalhadores. Scott Walker, o novo governador republicano de Wisconsin, e John Kasich, governador republicano de Ohio, propuseram o fim dos contratos colectivos de trabalho e do direito à greve neste sector. O novo governador democrata de Nova Iorque, Andrew Cuomo, concluiu em Julho um acordo quinquenal para congelar salários, instituir um banco de horas e aumentar os contributos para o seguro de saúde, e tem como objectivo reduzir as pensões em 2012. O novo governador democrata da Califórnia, Jerry Brown, ameaçou os benefícios e pensões dos trabalhadores do governo Estadual. (Note-se que nos EUA os serviços públicos – ensino básico, secundário e superior, transportes, energia, saúde, água e esgotos, etc. – são geridos pelos Estados e seus municípios, não pelo governo federal.)
Legisladores republicanos em 10 Estados querem introduzir leis que impeçam os sindicatos do sector privado de automaticamente recolher as quotas dos trabalhadores que representam, argumentando que os sindicatos têm os bons empregos reféns do pagamento de quotas. Alegam que os Estados «prisioneiros dos sindicatos» perdem investimento para os Estados no qual impera o «direito-ao-trabalho», como se a sindicalização fosse uma perda de liberdade. Nos empregos sindicalizados, o vencimento é, em média, superior em $200/mês.
O Acto Nacional de Relações Laborais (NLRB) (5), de 1935, protege o direito de trabalhadores do sector privado à sindicalização (embora crie enormes entraves), mas deixa a cada Estado a decisão de permitir a sindicalização dos trabalhadores do seu sector público. Tal tem sido permitido nos Estados da costa este e norte-centrais, como o caso de Wisconsin e Ohio, com tradição de sector produtivo. Os trabalhadores dos sectores públicos só se começaram a organizar e sindicalizar nos anos 60 e, apesar da queda geral na taxa de sindicalização, este sector representa agora a maior fracção de trabalhadores sindicalizados.
É neste contexto histórico que porta-vozes da direita falam nos excessos de benefícios, regalias e direitos dos trabalhadores do sector público, procurando contrastá-los com os trabalhadores «menos privilegiados» do sector privado. Esta retórica tem logrado algum efeito, com casos de negociações separadas com os sindicatos do sector privado e público, por exemplo do sector da saúde, tentando o Estado jogar uns contra os outros.
Mas estes ataques não passam sem resposta. No início deste ano, o Senado Estadual de Wisconsin (com uma nova maioria republicana) aprovou um conjunto de cortes fiscais em benefício de multinacionais e grandes corporações. Em Fevereiro, o Governador Walker anunciou a necessidade de diminuir a despesa e propôs, sem qualquer concertação social, cortes nos salários, pensões e benefícios dos trabalhadores do sector público, eliminado assim os seus direitos de contratação colectiva. (Wisconsin aprovou, em 1959, o Acto de Contratação Colectiva estendendo os direitos sindicais do Acto Nacional aos trabalhadores do sector público do Estado.) Num gesto tenebroso, Walker colocou a Guarda Nacional do Estado em estado de alerta para acções de protesto de trabalhadores Estaduais e Autárquicos. Os protestos efectivamente não se fizeram esperar. Passados poucos dias do anúncio da medida, a 14 de Fevereiro, 10 mil professores, estudantes e outros trabalhadores manifestavam-se frente ao Capitólio Estadual, na cidade de Madison. Passados cinco dias, eram 30 mil em protesto defronte do edifício, contribuindo para adiar o voto: os senadores democratas ao abandonarem a câmara deixaram o Senado Estadual sem quórum. No dia seguinte, um sábado, 80 mil pessoas manifestavam-se em defesa da contratação colectiva. Os polícias e bombeiros, inicialmente isentos das medidas do governador, juntaram-se aos restantes trabalhadores em protesto e solidariedade. Sondagens revelavam haver abertura negocial para discussão de cortes, mas oposição firme na defesa de direitos laborais.
Os protestos estenderam-se ao Estado de Ohio, onde milhares de trabalhadores se juntaram frente ao Capitólio em Columbus contra o Projecto de Lei Cinco, medida que exigia aos trabalhadores do Estado o abandono dos contratos colectivos, aumentos nos descontos para o seguro de saúde e a implementação de um sistema salarial baseado no «mérito». O Governador Kasich ameaçou os trabalhadores que fizessem greve com despedimento. Os protestos alargam-se aos Estados de Indiana e Idaho onde surgiram novos assaltos à contratação colectiva.
Os protestos em Wisconsin frente ao Capitólio (e dentro do próprio edifício) e em todo o Estado foram crescendo ao longo de 13 dias, atingindo os cem mil, numa das mais notáveis mobilizações nas últimas décadas nos EUA. O Senado aprovou a medida do Governador Walker na mais longa sessão na história desta assembleia. Mas os protestos e a ocupação do Capitólio persistiram e a luta foi levada aos tribunais. Em Julho, surgiram indicações que os trabalhadores poderiam ser despedidos e substituídos por presos. A população prisional de Wisconsin já tem sido usada para um número limitado de projectos Estaduais, mas existe agora mais liberdade para lhes atribuir empregos previamente reservados a trabalhadores sindicalizados. A luta abriu os olhos dos trabalhadores de Wisconsin, Ohio e por todo o país para a luta de classes e para a necessidade de defender os direitos laborais e sindicais.
Os trabalhadores do sector privado estão também sob ameaça. O Partido Republicano introduziu no Congresso, em Julho, o projecto HR 2587, eufemisticamente intitulado «Acto de Protecção de Empregos da Interferência do Governo», que pretende proibir o NLRB de impedir o encerramento ou transferência de empregos. Vejamos um exemplo. Nos 40 anos de operações da BMW América do Norte, com instalações na Carolina do Sul, os trabalhadores sindicalizados nunca fizeram uma paralisação. Em 2008, a companhia recebeu um empréstimo de $3,6 mil milhões da Reserva Federal, a baixo juro, como medida de salvaguardar a produtividade e os empregos. O ano passado os lucros ascenderam aos $4,7 mil milhões e os dividendos dos accionistas subiram $950 milhões. Este ano prevêem um aumento de 10% de lucros. Mas a empresa anunciou que irá transferir parte da sua produção para Ontario, Canadá. Caso seja aprovado, o HR 2587 irá destruir qualquer mecanismo que obrigue a BMW a cumprir as suas obrigações e manter os empregos nos EUA. Segundo Bill Samuel, da confederação sindical AFL-CIO, esta lei irá eviscerar a autoridade do NLRB para «reintegrar trabalhadores nos seus empregos quando as companhias simplesmente desejarem eliminar postos de trabalho para eliminarem trabalhadores sindicalizados, ou para evitarem as suas obrigações legais de negociação colectiva».
A braços com a mais longa guerra na sua história, com a perda de hegemonia económica mundial e a mais grave crise económica desde a Grande Depressão, com crescente dependência estrangeira para importações e divisas, com crescente desigualdade social, os EUA estão perante um momento crítico. O seu poder global assenta cada vez mais no seu poderio militar, o que augura enormes perigos para o mundo. A presidência Obama prometeu esperança e unidade nacional, promessas rapidamente goradas. Os EUA ainda está no Afeganistão, no Iraque e atacam agora a Líbia, a Base de Guatanamo ainda está a servir de centro de detenção, e enquanto as despesas sociais sofrem cortes as despesas militares não vacilam. A crise económica veio tornar claro que existem divisões sociais cada vez mais profundas entre os trabalhadores e os mais ricos e seus serventuários.
Notas
(1) Relatório do Economic Policy Institute, 2011; http://www.stateofworkingamerica.org
(2) Relatório do The Working Poor Families Projecto, 2011; http://www.workingpoorfamilies.org
(3) Relatório do Gabinete de Estudos Laborais, Janeiro de 2011; http://www.bls.gov/news.release/union2.nr0.htm
(4) Relatório do Pew Research Center, «Wealth Gaps Rise to Record Highs Between Whites, Blacks and Hispanics», 26 de Julho de 2011.
(5) National Labor Relations Act.
(2) Relatório do The Working Poor Families Projecto, 2011; http://www.workingpoorfamilies.org
(3) Relatório do Gabinete de Estudos Laborais, Janeiro de 2011; http://www.bls.gov/news.release/union2.nr0.htm
(4) Relatório do Pew Research Center, «Wealth Gaps Rise to Record Highs Between Whites, Blacks and Hispanics», 26 de Julho de 2011.
(5) National Labor Relations Act.

