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14jan2020...lembrei a postagem
de 14jan2012
*
POEMA: MEU VALE DE LUZ...
Perco-me no alto mar das ondas de sangue
que me corre nas veias.
Os meus nervos sabem a relâmpagos de tempestade
e a êxtases de luz,
tal o fragor que desce pelas colinas de lava incandescente
que meu âmago produz…
Há algas de sal marinho
que guardo num livro de água viva,
onde vou lendo o segredo do oceano da vida.
Dói-me o mar onde me perco.
Tantos ficaram tão perto…
que dele se perderam, em rotas de fascínio!
E no oceano de vagas alterosas
sinto a ânsia da cor da verde folhagem
do meu ser-a-arder…
Éum fogo-de-penar
esta pedra ígnea que aquece o corpo meu,
espantando as andorinhas de asas da cor do breu…
A alma caminha em rotas do céu
qual peregrina cansada
a um bordão encostada
procurando o olhar teu !
Searas de linho coram ao sol que arde
lembrando brancos lençóis de renda bordada
no brilho das gotas do suor de amor…
Pinhais batidos pelos ventos audazes e vibrantes
dão à luz frutos do seu ventre
criados no vibrar dos sussurros
dos crepúsculos ululantes…
E a serra, de arvoredos copados e redondos
(lembrando VENTRE-de-MÃE)
cobertos de verdes-moços de musgo macio
onde apetece cair e rebolar,
afasta-me da beleza do teu olhar…
Ela sabe que estou cansada de te Sonhar…
Sou rio de fogo
a tentar abraçar tua ilhota de pedra
que sussurra amor .
Das frestas de ti escorrem flores de cores vivas…
silvados floridos…sorrisos atrevidos…respiros de mim…
Sou assim!
…ramo fresco que te acaricia
nesta postura vadia-de-mim!
no constante lutar por ti…
Trepo o fumo branco do teu respirar
e agarro tua boca…(a sonhar)…
Teu odor fino e puro entra-me na alma
onde o espera a alegria –na-força-do-meu-sentir-te…
E o meu vale de luz, que se dilata quando te seduz,
fervilha em chama-alta-que-se-sublima,
na madrugada do desfazer teias da tua luz orvalhada…
R- C13N-5-JAN/012 (ert)
Marilisa Ribeiro
***
5ouTUbro2018
QUANTO TEMPO PASSOU...
No cimo da montanha, em frente da casa onde nasci
e aprendi as primeiras ingénuas brincadeiras,
estão as ruínas daquilo que a lenda diz ser um templo
antigo, que o tempo foi roendo, com golpes de vento.
Conheço tão bem os atalhos e estreitos caminhos
que me lá conduzem, até porque foi nesse meio
que brincámos tu e eu, a fazer casinhas com as velhas pedras,
que dele se foram desprendendo.
(Quanto Tempo já passou…)
Hoje, despertou-me a aurora quase dourada com raios
de Sol, que davam vida viva às flores, aos insectos sugadores
de mel e aos meus olhos desejosos de cores.
Sinto o Tempo-em-mim-por detrás de mim-na minha frente-
-a-cada-momento-Presente.
Recordo. Cresci. Amadureci com os tempos de afastamento…
Mais um dia passou…Tu não vieste…
(Sabes lá de mim…)
Vai-se anunciando o crepúsculo,
onde devem viver os deuses das palavras
que os meus dedos desejam escrever, para te ler_____
______ a ti, que não sei onde procurar______
Maria Elisa Ribeiro
AGT/017
*** Hoje, despertou-me a aurora quase dourada com raios
de Sol, que davam vida viva às flores, aos insectos sugadores
de mel e aos meus olhos desejosos de cores.
Sinto o Tempo-em-mim-por detrás de mim-na minha frente-
-a-cada-momento-Presente.
Recordo. Cresci. Amadureci com os tempos de afastamento…
Mais um dia passou…Tu não vieste…
(Sabes lá de mim…)
Vai-se anunciando o crepúsculo,
onde devem viver os deuses das palavras
que os meus dedos desejam escrever, para te ler_____
______ a ti, que não sei onde procurar______
Maria Elisa Ribeiro
AGT/017
26ab2016
sobre o centenário do suicídio de Mário de Sá-Carneiro
Passam, hoje, 100 anos, sobre o dia da morte (suicídio) do poeta Mário de Sá-Carneiro. (19 de Maio de 1890-26 de Abril de 1916)
Nota pessoal:
Se é verdade que o fim do século XIX foi , no mínimo, emocionante e estranho, para grandes vultos da Literatura europeia, não é menos verdade, que os princípios do século XX continuaram a incomodar os artistas e intelectuais de um modo que só pode encontrar paralelo com o Período de mudanças, que foi a transição do século XV para o século XVI; mas só no aspecto das mudanças de vida como consequência, primordialmente, dos efeitos dos descobrimentos portugueses e da ideia de que, afinal, o mundo não era teocêntrico, mas sim, antropocêntrico.
Percorri a Net a pesquisar sobre Mário de Sá- Carneiro.
Nada de especial, para além do que estudei e li sobre as suas vida e obra, vistas,sobretudo, pelos seus poemas.
Percorri a Net a pesquisar sobre Mário de Sá- Carneiro.
Nada de especial, para além do que estudei e li sobre as suas vida e obra, vistas,sobretudo, pelos seus poemas.
Para os compreender,é importante e decisivo o enquadramento desta personalidade no tempo em que se desenrola a sua curta vida.
Depois das grandes Exposições de Paris, em 1889 e 1900, o mundo como que se renovou, digamos assim; aparecem novos movimentos artísticos e literários, novas ideias que implicam o correr para novas formas de Arte e de Pensamento, novos e desafiadores modos de pensar e de agir.
Sá-Carneiro vivia em Paris e ia tomando conta , no seu espírito perturbado, de tantas mudanças que começou a tender para o pessimismo, a degradação das ideias, o desespero, a angústia. Valem-lhe as cartas que troca com Fernando Pessoa, entretanto tornado seu amigo. Com ele desabafa; com ele fala de tudo o que o aflige. Pessoa torna-se de tal modo indispensável à sua vida diária que, quando pensa em se suicidar, é a ele que o diz, num simples bilhete escrito no próprio dia do suicídio, por palavras que o amigo só entendeu, depois: "Adeus, meu amigo; para sempre, adeus"
Sá-Carneiro vivia em Paris e ia tomando conta , no seu espírito perturbado, de tantas mudanças que começou a tender para o pessimismo, a degradação das ideias, o desespero, a angústia. Valem-lhe as cartas que troca com Fernando Pessoa, entretanto tornado seu amigo. Com ele desabafa; com ele fala de tudo o que o aflige. Pessoa torna-se de tal modo indispensável à sua vida diária que, quando pensa em se suicidar, é a ele que o diz, num simples bilhete escrito no próprio dia do suicídio, por palavras que o amigo só entendeu, depois: "Adeus, meu amigo; para sempre, adeus"
Há espíritos mais frágeis que outros, nos momentos adversos. Esta época foi marcada pelo Ultimatum Inglês a Portugal, a pedir a devolução das terras que ficavam em África, no chamado "Mapa cor-de-rosa". O rei D. Carlos teve medo duma guerra com "os velhos aliados" e cedeu à exigência dos ingleses. O povo não lhe perdoou e assassinou, em Lisboa, quer o Rei, quer o Príncipe Herdeiro.
Aos poucos , caminhava-se, em Portugal , para a Implantação da República, o que aconteceu em 5 de Outubro de 1910.
O espírito de Mário de Sá- Carneiro vivia , nos meios boémios parisienses, todas estas "complicações do século e não se sentia em paz. Por outro lado, começavam a soprar "chamas" de desentendimento entre a Grã- Bretanha e a Alemanha e todos se sentiam perto de um triste desenlace, que se deu quando os ingleses declararam guerra à Alemanha.
Fácil se torna perceber que, quem mais sente, mais sofre.
Foi um grande poeta, Mário de Sá-carneiro; o que teria sido, não se sabe...
Foi um grande poeta, Mário de Sá-carneiro; o que teria sido, não se sabe...
Como se pode ver, não é possível escrever mais sobre o Poeta, num pequeno espaço onde apenas quis lembrar os 100 anos da sua morte, com trechos de vários(belos) poemas como QUASE, onde diz que nunca consegue realizar-se, que falta sempre "um pouco mais" para ir ALÉM:
" Um pouco mais de sol-eu era brasa.
Um pouco mais de azul-eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém..."...
" Um pouco mais de sol-eu era brasa.
Um pouco mais de azul-eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém..."...
A todos nós falta "este sol", "este azul", este golpe de asa"
Maria Elisa Ribeiro
Mealhada, 26 de Abril de 2016
***Mealhada, 26 de Abril de 2016
jan2016
http://lusibero.blogspot.pt/2016/02/poema-meu_9.html
POEMA
DIZEM…
Dizem, que o amor é cego…
Dizem, que é cega a Justiça…
Dizem que o Sol nos cega e que, para além de tudo isso,
_______é preciso ter uma fé cega em toda esta cegueira!
Parte de mim, pensa para a frente; outra parte, parece pensar para trás…
O Tempo corre em direcções- opostas-em- simultâneo…
O Tempo próximo será o Passado de um Futuro-que-vai-sendo.
O mundo abre-se ao sorrir das madrugadas
e eu derramo-me sobre o vigor das alvoradas.
_______Sorrio com o sol e celebro o momento em que
________o Humor Cósmico explode no riso do vento a acariciar o mundo,
__________assobiando ao ouvido das árvores que afagam
____________a cintura das colinas, quando lhes despertam os sentidos.
E a Liberdade está do outro lado da porta da vida,
no odor das lufadas de ar fresco que nos põem em sentido
quando, de nós, fazem aquilo que realmente somos
………reais-irreais ……
………. puras-incógnitas-existenciais…….
( Suspeito, no entanto, que nenhum de nós quer, apenas, ser real …
Quem não sonha para aliviar o peso duro da realidade?)
O poeta deleita-se em jogos de contradição da verdade. Guerreiro ao dispor da Palavra, levanta bem alto a assunção da sua condição de homem livre, numa luta de fé que lhe permite unir sílabas em lexemas, que dão versos de amor à sua própria humanidade. Planta nespereiras ( quando é petiz), colhe frutos de raiz, beija nuvens, recolhe pétalas de flores, bebe águas de nascentes…Deixa tudo, depois, lenta e inexoravelmente, num canto da infância, abandonado ao tempo em que tudo pode ser alimento de um qualquer pássaro feliz. Nada importa, desde que a Liberdade seja e veja…E é nos versos de um poeta que toda a luz se torna mais viva e mais rica, quando alimenta e seduz.
***
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TERRA ARTERIAL
Passam os anos____a pouco e pouco
as raízes agarram-se à terra____sempre mais
fundas____até tocarem o mais profundo____
veio de lágrimas do solo
Longínquo e nocturno, o Tempo passa
e devassa o interior.
O Exterior resiste melhor à luz das estrelas
que se alongam pelos penhascos
___________onde os lobos uivam.
Não há mistérios no ventre do vento.
_____mistério é o que ele sente
sempre que uma abelha-favo-de-mel
o desperta ,
calmamente,
naquela Hora de Descoberta_____
Passam os anos_____
Vejo-os nas veias do sangue, que me corre
nas artérias-terra-de-MIM_____ __
Sinto-me TERRA ARTERIAL
_______e acalento palavras do mundo primevo
de lúcida inocência lexical_______
Mas, POESIA não é lamento! É olhar! É Placenta de vidas
inocentes, recém-chegadas aos dedos de um Poeta
a fixarem residência num solo-poema______
É Natureza no seu fulgor inicial, sem deuses,
sem tacto nítido da origem matricial
de TUDO-para-ALÉM- de –TUDO
Passam os anos….pois passam!
Situada no Eterno-do-Tempo, ao LONGE,
________uma guitarra desfalecida tange as cordas da verdade
envelhecida, sem Hora para chorar despedidas.
JULHO/015
Passam os anos____a pouco e pouco
as raízes agarram-se à terra____sempre mais
fundas____até tocarem o mais profundo____
veio de lágrimas do solo
Longínquo e nocturno, o Tempo passa
e devassa o interior.
O Exterior resiste melhor à luz das estrelas
que se alongam pelos penhascos
___________onde os lobos uivam.
Não há mistérios no ventre do vento.
_____mistério é o que ele sente
sempre que uma abelha-favo-de-mel
o desperta ,
calmamente,
naquela Hora de Descoberta_____
Passam os anos_____
Vejo-os nas veias do sangue, que me corre
nas artérias-terra-de-MIM_____
Sinto-me TERRA ARTERIAL
_______e acalento palavras do mundo primevo
de lúcida inocência lexical_______
Mas, POESIA não é lamento! É olhar! É Placenta de vidas
inocentes, recém-chegadas aos dedos de um Poeta
a fixarem residência num solo-poema______
É Natureza no seu fulgor inicial, sem deuses,
sem tacto nítido da origem matricial
de TUDO-para-ALÉM- de –TUDO
Passam os anos….pois passam!
Situada no Eterno-do-Tempo, ao LONGE,
________uma guitarra desfalecida tange as cordas da verdade
envelhecida, sem Hora para chorar despedidas.
JULHO/015
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À noite sucede o dia____à ilusão sucede a desilusão____
à desilusão responde o sonho,
na esperança de erigir colunatas, imensas como o amor.
Não será vencido o poeta que não sabe renunciar à liberdade de Pensar-
-o- reerguer do mundo, emerso no silêncio dos crepúsculos hostis ao livre
dispersar dos golpes de vento, pelas nuvens do firmamento.
A liberdade na dignidade de Ser-a-Pensar , leva-nos, pela Palavra
tecida em verso sem máscara, a comprovar o projecto vivo do amor.
Teimosamente, persiste em abrir alas à magnificência do belo-do-mundo,
unida pela tessitura de um poema, que eleva os braços para o seu profundo.
Ouçamos a voz da sinfonia das sílabas,
_______que clamam e declamam a alegria
_________de movermos as pedras------
__________ de rezarmos por um pássaro ferido------
_____________ de sairmos da infância
_________________permanece
como uma flor que nos fala , à janela-da-vida-Palavra.
DEZ/014
***
Sábado, 13 de Dezembro 2014 às 16:00
Escola Profissional da Mealhada, Lda Rua da Juventude 3050 - 364 Mealhada***
***
Tem 1 belo blogue
http://lusibero.blogspot.pt/
por exemplo:
Pintura de "FRAGUIAL", de Guilherme de Almeida,
para a poesia "SAMARITANA"
100X80X4 cm
CUBISM -2014
OIL ON CANVAS
PAINTED BY FRAGUIAL
FOTO DE "PÉDICCA" FOTOGRAFO (ITALY)
Negros cabelos te encobrem, na noite
em que vais encher o cântaro
à fonte, no alto do monte.
_________________Só as copas dos pinheiros e as flores vermelhas
_________________te falam do vento que afastou a neve,
_________________levando a marca dos teus passos leves.
O rebanho passou…uma ovelha perdida encostou-se ao castanheiro
transida de medo e frio…um pastor espera-a,
na beira do rio,na margem da fonte.
(As oliveiras descansam ao som da água, numa colina de Jerusalém.)
_____________________________Faúlhas de luz dos raios das estrelas cheiram
_____________________________à resina da noite, que odora as ravinas
_____________________________da tua cintura estreita…
E em teus olhos de violeta estende-se um corpo
colado aos anseios da escuridão,
que te alimenta os devaneios de humana excitação.
Matas a sede…enches o pote…soltas os cabelos presos
numa grinalda de fios de luar que,
passando por desertos e oceanos,
te falam dos segredos -que-deixam-de-o-ser…
_________________________Cobrem-te as folhas mortas dos bosques…
_________________________na alegria do degelo dos sentidos, VIDA-BEM.
Sabes que o mundo é, agora, TUDO o que te separa do mundo, também…
E o cântaro cheio é uma ilha do teu arquipélago-a-ser,
na brancura da noite de alabastro que acabas de viver .
Os pássaros dormem, pendurados nas figueiras de figos-mel,
até ao silêncio dos anos em que o sul será engolido pelo vento.
Teu cabelo recolhido num beijo vida, desces a vertente,
cansada de fôlego-alma… mistério escondido no tronco das árvores
cheias de vírgulas nas pausas deitadas, ao comprido, num regato fluido.
_______________________De manhã, levantas-te para falar ao sol…
_______________________e comerás azeitonas negras, sentada na borda
_______________________do poço, onde a seiva de um poema é feita
_______________________de caules e folhas de um místico segredo.
JAN/014
***
Via facebook partilha muitos dos seus poemas
https://www.facebook.com/mariaelisa.ribeiro.75
***
Vai lançar em breve o seu 1º livro
pela https://www.facebook.com/pastelariastudios
***
encontrei tb este sítio
http://www.portalbvec.net/Maria_Elisa_Ribeiro/
***
COLECCIONANDO:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1063247947025107&set=a.104671869549391.10003.100000197344912&type=1&theater
POEMA:
CANTO-TERRA
Noite de Lua-Cheia.
As nuvens despem-se, para um banho de luar.
As rosas erguem as pétalas rubras e absorvem a luz a brilhar.
Os poetas acordam como faróis da terra a guardarem o mar.
Depura-lhes a alma, aquele hino ruidoso do verde das montanhas.
Tenho sono.
Sinto-me a adormecer sobre um canto do poema.
Crepita o fogo, numa lareira acesa dentro das veias,
que bailam nos adros do coração.
Os pássaros dormem na quietude da brisa, que medita no jardim.
Os dias, artérias da vida, repousam no verde-escuro
[da hora crepuscular.]
Quanta confusão na cabeça do poeta,
quando nasce o dia nas agulhas tristes dos pinheiros velhos,
[cheios de lágrimas da Noite…]
Vou excitar o anoitecer, dissolvendo cristais de lua nas palavras do meu poema!
Minha noite não adormece…
Estremece, no lençol de seda,
que é tua pele- macia- de- alvorecer…
JAN/014-
***
SETEMBRO 2014
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=952464378103465&set=a.104671869549391.10003.100000197344912&type=1&theater
UM DIA DESTES…
…desnuda-se-me a alma em mensagem
e doces palavras-cerejas-maduras tornar-se-ão a minha linguagem.
E ao largo,
muito ao largo das confidências do mar
emaranhado em espumas atiradas para as areias,
soltarei os olhos pelos muros do jardim,
para que descansem nos aromas das roxas violetas
enamoradas pelo aroma das pomposas hortências.
____________________A noite tem tantos-séculos-a- existir
_____________________que resolve esconder-se no alvorecer,
_____________________quand
_____________________convi
Um dia destes,
o eco das montanhas ouvir-se-á no mistério
da sombra das árvores, a crescer…
…e eu irei estar por perto para ouvir esse canto
da terr-a a-amadurecer…
…e sei que nada mais será igual
ao que era, antes disto acontecer…
Num rebanho de sonhos desmesuradamente incríveis/
_______________sentada na noite entre águas e silêncios
que se prendem às folhas-a-cair nas ravinas sensíveis/
_______________sei que as nuvens percorrem todas as distâncias
da força de um poema, que irrompe em versos irrepetíveis/
Um semeador tem uma bíblia na terra-das-mãos-que-semeiam
…que cortam profundas lascas com páginas da Criação
das sementes que bailam no ar a rezar a oração do fecundar,
antes de adormecerem nos regos abertos,
cobertos de sonhos por abrir]
Nuvens recheadas cobrem o vasto céu azul primavera
________e começam a chorar gotas-de-orvalho-Deus,
_____________para dar de beber à semente sufocada.
Um dia destes,
um poema desnuda a mensagem e liberta a terra da vida negra
em que os ventos a encerram…
Haverá devaneios de flor-espiga…melodias a gemer a hora do ondular,
onde se esconde a haste da semente, a parir-grão-para-triturar…
Um dia destes
____________vai amanhecer,
______________quando a madura seara gemer um mar de ouro!
__________________E o poeta vai viver na sua-voz-a-crescer,
_____________________quand
________________________ as lágrimas das nuvens ameaçarem cair
________________________na
***

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=946394285377141&set=a.104671869549391.10003.100000197344912&type=1&theater
NO ROSTO AZUL DOS VERSOS
Passou para gavetas de outro tempo
_________________meu diário de adolescente_______________
Páginas e páginas manuscritas, têm visto arder rastilhos de mil sonhos,
numa caligrafia quase sem cor, a cheirar ao sangue que me viu nascer.
Lá repousam confissões, mensagens, atitudes, sonhos vorazes de vida
Iluminados por fogos sem fim, que serão sempre parte de mim.
___________e apetece-me voltar atrás, às páginas amarelecidas
___________que, no sótão, esquecidas, falam de verdades vividas
___________num jardim perto do mar, lindo, lindo, a navegar!
Dilatou-se a música da infância, virada para uma outra fragrância;
O aroma de todas as cores propagou-se pelas ruas,
ora ornadas de rubras rosas vermelhas,
ora alteradas por sombras de vielas enviesadas.
__________o meu sorriso não acorda os anjos,
--que quero que deixem o paraíso-- para se sentarem
nas palavras das minhas folhas amarelecidas,
que foram a verdade mais doce e sentida
dos momentos em que o mar brilhava num azul-verde
delicado, cujo mistério não soube decifrar.
Leio, em voz baixa, cada palavra de cada poro do meu corpo,
onde sinto que me encontro perdida…
E um nó na garganta pergunta-me onde ficou o mapa da alma
______________que foi espuma.
_________________que foi sol, em noite de bruma
__________________que foi esperança de Tudo e coisa Nenhuma.
____________________que é o que Hoje sou,
no rosto azul dos meus sonhos…………….
foto google
***
AGOSTO 2014

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RELVA DE SONHOS
Alfabeto com que escrevo a minha presença no mundo,
tu és O tudo que os mitos retratam no Tempo,
sem conhecerem a realidade de um teu único segundo.
E eu beijo-te, sem boca…
Toco-te, sem mãos…
Afago-te com uma ternura ausente-sempre-presente,
ao despir a túnica com que a Lua me escondeu
do teu olhar profundo…]
No calendário dos dias-que-sou,
tenho a tua alegria na cor viva dos sentidos,
telas coloridas da alma intensa que te dou,
suspensa dos pincéis de requintados pintores.
Empresta-me o teu rosto…só por um momento…
…o tempo necessário para que a esperança seja verdade,
fora dos cadernos de ternos apontamentos
__________________que se debruçam sobre as palavras
__________________ que suspiram sentimentos.
Queria deitar-me a teu lado…assim…teus olhos nos meus…cabelos espalhados num travesseiro de seda, feito de brilhos de estrelas que batem, descompassadas, à vidraça das janelas.
Queria deitar-me assim…deitar-me, apenas, fora da relva dos sonhos, esses sulcos estriados da alma que se desfazem como areias violentadas pelo vento, ao mover pedras das marés, afastadas da força dos desertos.
Queria que a noite, em passos apressados, saísse do ventre das mágoas, para entrar no espaço dos meus braços-nos-teus, num sensual patamar do sono…que não sentimos…mas que sabemos…
Não saio desse tempo nem desse espaço, mesmo que um sopro de vento nos queira vencer, pelo cansaço, soprando os sonhos para longe do nosso abraço.
Queria deitar-me em lençóis-páginas-longínquas
Qualquer árvore sabe a sua Hora de florescer…Qualquer pássaro sabe de cor o rumo que deve tomar, ao esvoaçar…ao correr, livre, pela sombra das nuvens…Qualquer gota de mar sabe, que é em colherinhas de relvas feitas conchinhas, que a vou beber…
Eu sei que a tua sede se pode transformar em fonte, para me dares de beber…
***

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PELE…
Na tua pele
_____a transpirar amor
________deixei gotas de água
___________a suspirar rios ao relento,
_______________poros a murmurar,
___________________e cortinas fechadas
_______________________na Hora-do-nosso-Momento.
Sei bem
quando irás voltar do escuro crepuscular,
sempre que minha pele reage
a um vento sibilante, e acorda o corpo que me habita.
Os anjos costumavam esconder as estrelas…
Era da sua luz que se alimentava a nossa vida,
tal flor tresloucada à procura de um-orvalho-sustento.
Recordo o perfil afadigado das minhas pálpebras
a procurarem ler teu corpo suado…água sagrada…
Na boca,
_________________ ficaram escondidos os beijos trocados,
__________________que eriçavam os poros
__________________ dos nossos sentidos…
Corri as cortinas.
E os livros em que te escrevo começam, devagar,
a divagar a peregrinação das nossas mãos
de quando a lua tremeu de rubor.
Arrumei os lençóis de linho com o teu sabor,
nos poemas que escrevo, à luz de um candeeiro íntimo
que ouviu suspiros de amor.
De linho e cambraia, de seda e jasmim
é o cheiro de ti-que- deixaste-em-mim…
O sol queima o dia das aves, que chilreiam…
_________As searas amadurecem nos cantos de Florbela…
____________Eu chamo-te, muda, daquela janela que deu para
_______________o Outono da Primavera- em- que- fomos Verão.
Oh, Deus…há tantos anos dentro das Horas dos dias de Solidão…
***

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BREVES
Pedaço de pedra
Sopro de vento
Olhos de água
Vindos do relento…
Assim sou…
E fico entre pássaros, flores e mágoas,
Em frente a qualquer espelho,
Eterno tormento!
***
***
JULHO 2014

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GRITAM, AS SOMBRAS DOS VENTOS…
(Prosa Poética)
Quando o sol começa a esconder-se, vê-se que o horizonte mais parece a cauda de um pavão de tons iridescentes, imprecisos, dignos da Hora de uma solene Oração.
Neste horizonte-fortaleza- santuário miríades de estrelas vão acordando, lentamente, num leito firmamento de um azul-beleza ofuscante.
Os pastores recolhem os últimos gados e já não podemos ouvir as cores do dia, que a flauta cantou, à alegria do sol.
A hora é a da solidão a seguir ao encontro com as verdades amargas, de cada um de nós.
Inspiramos o claro e verde aroma das folhas dos eucaliptos; delicia-nos o som do milho a estalar na seara, enquanto a água fresca, límpida e cantante, desliza, pura e rumorejante, pelo leito-matriz.
O mar esconde a espuma,sem tempo para viagens de circum-navegação;
e adormece a caruma dos pinhais, deitada no orvalho das horas mortas.
Quando o sol começa a esconder-se, avança por entre nuvens incipientes e difusas, a claridade pálida da lua…um mito…um império…uma gota de luz, onde se adivinha a verdade de um poema que reluz.
Desenho-lhe as curvas com letras, com sílabas, com versos controversos, e deixo-o à janela da ventania, que o fará secar no abraço das árvores, que se erguerão, de novo, à nova luz do dia.
Com o sol escondido,
as sombras do vento serão as primeiras a gritar,
enquanto o nosso tempo corre livre
pelos silvados
a entoar o Cântico das horas passadas…
**

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URGÊNCIA
Abraça-me…
…assim…
…com a tua ternura-esquecida-dentro-d
Abraça-me… assim…
com tuas mãos a prenderem-me ao silêncio
dos teus braços…
Afaga-me a face, com o vento
dos teus lábios
quentes e húmidos
como ar que vem do mar dos desertos,
e se insinua na magia dos nossos momentos secretos…
Sente-me o sangue quente
a fluir livre, pelas veias,
e a toldar-me as ideias
com fome da tua verdade…
Verás que, debaixo da minha terra,
há palavras que escondem um mistério
que as águas procuram, enquanto vão murmurando
ao caírem pela serra,
no leito-poema que vou escrevendo-de-Nós.
Dá-me as mãos…deixa que te corram entre os dedos
a descobrir a força dos meus segredos…
e saberás, que até as árvores são mulheres-flores
sob a brisa sensual dos ventos que afloram
os seus poemas, íntimos e demolidores.
Amo as palavras que não dizes…
as que te saem dos olhos a cintilar luzes
brilhantes e felizes…
as que me dão à face o rubor especial
que tu vives…
…divinal…
Abraça-me , agora…
fá-lo até ao fim do mundo desta Hora,
que acordará,
lentamente,
do meu peito para o meu ventre…
***

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PARA TI…
…que estás em mim, sem o saber…
Para ti,
…um som de flor a abrir…
…um vôo de aves a sorrir, no meio do chilrear…
…um rumor da natureza, que se oferece como um altar…
…um tufo de nuvens douradas, de quando o sol vai chegar…
Para ti, as minhas mãos-sem-ti…
As minhas mãos cheias-de-ti…
Os meus momentos idos-no-tempo…
O tempo que ainda te-não-vivi…
Para ti… só para ti…
…o meu olhar a desvendar-te…
…o meu corpo a intuir-te…
…o meu peito a desnudar-se…
Em-ti-Estou, muito simplesmente!
_______________porque não sou deusa antiga
_______________a procurar metáforas para me classificar
_______________como luz do teu olhar!
Para ti,
um sussurro de medo, gritante e desnorteado
em jogos de sobrevivência,
com regras contraditórias do coração alienado,
no ardor sensual
do gesto com que afloras o meu olhar primitivo e natural.
Sussurros, são as mãos que me passas pelo corpo
como vento a deslizar num território de loucura neutral…
Para ti,
um caudal de sensações suspensas num clima tenso, quase irreal,
quando aprofundas a minha verdade bíblica, original…
EU SOU MUITO MAIS, AMOR…
…mais que a asa perdida do teu vôo pela vida…
…mais que o branco cabelo de uma ave cansada…
…mais que a peça musical que ensaias contigo próprio,
de maneira maquinal…
***

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GOTAS POÉTICAS
A voz corre
veloz
pelos espaços livres;
mas
desfaz-se de encontro
aos muros do tempo.
E a Poesia,
ponte para todos os espaços
que atingimos ou nos constringem,
é a voz da vida,
polifónica e sensitiva,
com memórias e desejos,
que se dispersam pela própria vida,
em tantos nossos ensejos.
***
junho2014

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OUÇO-ME PENSAR
Que música Longe perto me canta,
quando persigo O pensar ao que não posso voltar?
Meu vestidito de tule perdido nas pontas dos louros
cabelos-em-caracol…
Meu Agora consciente de um hino que-canta-em-dó…
Meus pensamentos distantes, na velha casa da avó…
Penso-me, ouvindo ideias a correndo nas pontas do tempo
que ,nos dedos guardaram a voz dos rumores do vento.
Penso-me, por palavras, substracto da minha Essência,
sem as quais não tem sentido, o sentido da Existência.
E a areia do meu mar correndo-me pelas veias,
calada e eloquente ,regista-as em permanência.
No reverso do meu verso, leio o que sinto-a-escrever,
sabendo que esse Sentir, é O tudo que faz doer.
Ouço as asas cansadas das aves que vão voando…
Ouço os ventos alterados, do tempo que os vai levando…
Ouço o mar dos inquietos segredos,
subir à espuma das ondas,
e deixar-se levar, às voltas, nas águas de todos os medos.
Ouço a vida, que corre pelas páginas do papel
de onde saltam verdades, com a força de um corcel
que corta os ares a cada Instante-do- Instante.
Ouço-me a pensar…
Penso-me a ouvir a voz de mim…
___________________de Antes para Hoje,
___________________do Passado para o Presente,
___________________para esta Hora da escrita, onde o Futuro é Agora.
Ó Infância…
…deixa-me olhar-te daquela mística janela onde,
à distância, vejo O quanto perdi dela…
***

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O SONHO LIGA-ME AO SONHO…
No silêncio sufocado pelo brusco som do mar,
em brisas de maresias
que não param de correr,
nas bolhas de água salgada a rebentarem no mar,
calma estarei, a dormir no teu peito de afagar.
Na livre luz das igrejas, ao som etéreo dos sinos,
resplendem odores de incensos
_________________________o
_____________________quand
__________________a pauta de todos os hinos.
E eu canto os beijos que dou, na aura leve do ar
da magia desse céu, que descansa em teu olhar.
Na madrugada primeira
____do meu mundo a alvorecer,
_________o sonho liga-me ao Sonho
____________do que, pela vida inteira,
_______________não foi possível esquecer.
Como posso eu ouvir, no meio desse rumor,
o choro das minhas mágoas
__________________que vieram para ficar?
Meu sufocado silêncio…
Meu amargo som do mar…
Meu sossegado dormir
nos teus braços-a-viver…
***
![Foto: A VIDA EM -PONTAS-DE-PALAVRAS…
Nascemos e crescemos, açoitados pelos ventos do sol e da chuva,
cobertos por um manto de radiosas estrelas , longe das nuvens
[mesmo que inquietantes e belas]
que desdenham da verdade do céu,
que nos remete para a magia-da-Verdade-a-Haver.
Seguem-se Minutos de extrema ansiedade,
__________(horas-dos-tempos- de- uma- Eternidade)
______________em que as loiras tranças mudam de idade
________________e os brancos vestidos sujam a verdura das ervas
[alinhadas]
__________________________ao lado do coração dos ramos de flores.
Os Minutos vão anoitecendo…por entre lascas de horizontes
[avermelhados]…
…por entre faixas de céu translúcido, como vidro baço…
…por entre perfumes de rosas rubras, excitadas,
a molharem os pés nas águas frias dos oceanos da vida.
Ao Longe, o Dia e a Noite…
…e Aquele-Percurso-Entre,
onde a magia desmente a realidade do Sonho
e este proclama a verdade da magia.
Não respiro o Ar, porque o como!
Como-o, respirando-o!
Corto-o , às fatias, e nele vou andando , num Devagar
[arrasador],
dia-a-dia, na sinfonia do noite-a-noite,
que vai cantando os loiros cabelos,
[dispersos pelo branco vestido].
Nefelibata, é a viagem dos pés e das mãos do corpo nu,
a afundarem-se na fofa brancura das nuvens cinzentas.
Decido…Vou mudar de céu!
A minha Identidade é isto…Sou EU!
_____________________A realidade é que desconheço a Verdade da Palavra,
_____________ ____o seu sabor a mar de gengibre…
______________o seu odor a canela de lavra…
__________o seu flutuar suave e livre, na neblina do papel…
No chão poroso, coberto de folhas de mel
___________________vou nascer na misteriosa Língua
_______________________que tem o céu gravado na tessitura de um
[poema macio]
____________________________ a deslizar, livre, na superfície de um rio.
Maria Elisa Rodrigues Ribeiro
Junho/014](https://scontent-a-mad.xx.fbcdn.net/hphotos-xpf1/t1.0-9/10489977_898954300121140_2499393393939644240_n.jpg)
A VIDA EM -PONTAS-DE-PALAVRAS…
Nascemos e crescemos, açoitados pelos ventos do sol e da chuva,
cobertos por um manto de radiosas estrelas , longe das nuvens
[mesmo que inquietantes e belas]
que desdenham da verdade do céu,
que nos remete para a magia-da-Verdade-a-Haver.
Seguem-se Minutos de extrema ansiedade,
__________(horas-dos-tempos- de- uma- Eternidade)
______________em que as loiras tranças mudam de idade
________________e os brancos vestidos sujam a verdura das ervas
[alinhadas]
__________________________ao lado do coração dos ramos de flores.
Os Minutos vão anoitecendo…por entre lascas de horizontes
[avermelhados]…
…por entre faixas de céu translúcido, como vidro baço…
…por entre perfumes de rosas rubras, excitadas,
a molharem os pés nas águas frias dos oceanos da vida.
Ao Longe, o Dia e a Noite…
…e Aquele-Percurso-Entre,
onde a magia desmente a realidade do Sonho
e este proclama a verdade da magia.
Não respiro o Ar, porque o como!
Como-o, respirando-o!
Corto-o , às fatias, e nele vou andando , num Devagar
[arrasador],
dia-a-dia, na sinfonia do noite-a-noite,
que vai cantando os loiros cabelos,
[dispersos pelo branco vestido].
Nefelibata, é a viagem dos pés e das mãos do corpo nu,
a afundarem-se na fofa brancura das nuvens cinzentas.
Decido…Vou mudar de céu!
A minha Identidade é isto…Sou EU!
_____________________A realidade é que desconheço a Verdade da Palavra,
_____________ ____o seu sabor a mar de gengibre…
______________o seu odor a canela de lavra…
__________o seu flutuar suave e livre, na neblina do papel…
No chão poroso, coberto de folhas de mel
___________________vou nascer na misteriosa Língua
_______________________que tem o céu gravado na tessitura de um
[poema macio]
____________________________ a deslizar, livre, na superfície de um rio.
***

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DO MEU PEITO-IMENSO-MAR
Na minha mão,
o tempo dos gerânios e de todas as flores
dos oásis perdidos,
no eco dos espaços dos comandos do Tempo…
Nas veias, um sulco do gosto de ti
…………………………………………..a viajar-por-mim.
Altos mastros rumo a altos mares, com o mundo a correr
sem que eu queira acordar no meio do destino,
esse comando sem controlo onde nada domino,
porque apenas faço de conta.
Na minha mão perduram, vivas,
……………………………….as palavras que insistem em te viver,
………………………………quando chegam as madrugadas,
………………………………que vêem as noites-a-chegar
.
São como crisálidas prontas -a-renascer
……………………………na primavera que sinto ser forçada-a-escrever………………
O relógio do Tempo bate em paredes ocas,
…que vão amarelecendo ao ritmo da passagem dos dias
…que andam pelo coração dos poemas
perdidos, nas sílabas-das-pétalas das manhãs loucas.
E eu páro…
…páro para te dizer que sou capaz de te escrever…de te descrever…
…de lembrar como foi-bom-ser-em-ti-contigo,
no conchego dos braços do mundo que te libertaram
no meu peito-imenso-mar, teu leito-a-perdurar.
E sinto meus dedos na tua pele quente…
…cera-quente-em-papel-poem
para que te seja difícil partir…para te ser mais fácil voltar…
E recordo…
…era assim…lembras-te? meus dedos soltos nos teus cabelos…
…perdidos por todos os lados de ti…
…e o mundo ardia Lá fora…Cá dentro…
….monossílabos-pele de um poema do sorriso do tempo…
***

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OURO-LÉXICO- DO ATLÂNTICO
"Intensa voz atlântica criou-me nas costas das conchas ambulantes,
modeladas por cantos de trovadores
nos espaços dos mares a alvorecer histórias
de mirabolantes reinos e glórias.
Era o momento da ausência de mim,
a perseguir quimeras de canela e marfim
perdidas na deambulação dos mastros de um bergantim.
Rumorejaram areias cantadas na perdida praia, alcantilada
sobre as folhas esverdeadas das esperanças dos palmeirais.
As músicas dos temporais inscreveram-se nas pautas de memórias,
-condenadas a serem rotas de exóticas catedrais, por descobrir.
Intensa voz do mar alegria da obscura espuma
silêncio de noites de bruma...
Verde brisa do sopro das Constelações, na intemporal frescura
do Crer em alucinações!
Intensa voz da minha antiga Criação...
Imensa Esperança da circunvalação
do Agora para o Antes...o do Outrora-
-na- obsessão da procura da Hora !
No halo dos astros presos aos mastros, o silêncio
musical de Camões...de Pessanha...de Pêro Meogo_____________
-ouro do léxico-vida-de-um-POVO____
pontes sobre o Mar de unir frio e fogo
no estremecimento do perigo-novo_______________
labuta da voz desconhecida onde o Nada-absoluto da Morte, atordoa...
Ouro do léxico atlântico____árvore da berma dos tempos!
Digam-me o caminho!
Levem-me na voz sonante da onda abafada de um mar de trigo
dorido...
divino...
bíblico!
***

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FILOSOFIAS?
(WHATEVER…)
Íntimo e silencioso, um relâmpago atravessa o universo sufocado de pranto.
Não conheço a vida secreta dos sentimentos das plantas
Ouço as cores, do seu enigmático quanto esperado desabrochar
(Yes, I listen to them!)
Sim, ouço-as, porque comigo viveram comigo no infinito espaço da identidade
que era o quintal das varandas da infância…
Nunca soube bem os limites entre o seu Dentro e o seu Fora…
Meus medos, um radar de solenes avisos,
fui-os domesticando,
à medida que as árvores cresciam e me enviavam sorrisos.
Alheei-me de tudo ao que estive atenta.
O mar compactuou com as páginas da história desatenta
Onde mergulhei, sedenta.
And I saw…
…e vi…vi pinhais a navegar, em ondas que metiam dó…
…vi búzios indiferentes às correntes do golfo e não só…
Mundo fantástico!
Tão poético que o converti em palavras, na irreprimível surdina
da minha língua vermelha
do mundo da oralidade do Dentro e do Fora…Outrora e Agora.
Falaram-me os frutos da hora- de-amanhecer.
Quase entendi o mistério,
ao ver o mundo nascer dentro-de-mim
a incubar palavras, que usaria para outro fim…
…e assim, uso minhas asas…
Voo, porque não sei suster-me numa única raíz…
…e milito na ideia de as levar para a minha matriz,
onde tenho Tanto-Passado-pela-Frente
desde que fui petiz…
Bem queria um mundo à minha medida,
onde pudesse subverter as regras, escrevendo-as
………………………….sem as escrever,
………………………….num poema a que-me-dou-vida,ao ler
………………………….o que não escrevi…
À minha medida, sim, porque os Outros-são-Eu…
…eu que sou o Centro- do- Centro- que os Outros-São!
(E chega…não sei a filosofia do que a alma vê Cá- Dentro…
…Cá dentro-Dentro-de-Mim...)
Toda a Poesia é fruto de um Presente.
Mas tem por dentro o Passado, esse espaço renitente
que teima em ser ressuscitado!
De Portugal, não me importo!
porque Portugal-sou-EU,
sempre com a mão na porta,
pronta a abrir outro céu!
Imagem: vitorcintra.blogspot.com
***(WHATEVER…)
Íntimo e silencioso, um relâmpago atravessa o universo sufocado de pranto.
Não conheço a vida secreta dos sentimentos das plantas
Ouço as cores, do seu enigmático quanto esperado desabrochar
(Yes, I listen to them!)
Sim, ouço-as, porque comigo viveram comigo no infinito espaço da identidade
que era o quintal das varandas da infância…
Nunca soube bem os limites entre o seu Dentro e o seu Fora…
Meus medos, um radar de solenes avisos,
fui-os domesticando,
à medida que as árvores cresciam e me enviavam sorrisos.
Alheei-me de tudo ao que estive atenta.
O mar compactuou com as páginas da história desatenta
Onde mergulhei, sedenta.
And I saw…
…e vi…vi pinhais a navegar, em ondas que metiam dó…
…vi búzios indiferentes às correntes do golfo e não só…
Mundo fantástico!
Tão poético que o converti em palavras, na irreprimível surdina
da minha língua vermelha
do mundo da oralidade do Dentro e do Fora…Outrora e Agora.
Falaram-me os frutos da hora- de-amanhecer.
Quase entendi o mistério,
ao ver o mundo nascer dentro-de-mim
a incubar palavras, que usaria para outro fim…
…e assim, uso minhas asas…
Voo, porque não sei suster-me numa única raíz…
…e milito na ideia de as levar para a minha matriz,
onde tenho Tanto-Passado-pela-Frente
desde que fui petiz…
Bem queria um mundo à minha medida,
onde pudesse subverter as regras, escrevendo-as
………………………….sem as escrever,
………………………….num poema a que-me-dou-vida,ao ler
………………………….o que não escrevi…
À minha medida, sim, porque os Outros-são-Eu…
…eu que sou o Centro- do- Centro- que os Outros-São!
(E chega…não sei a filosofia do que a alma vê Cá- Dentro…
…Cá dentro-Dentro-de-Mim...)
Toda a Poesia é fruto de um Presente.
Mas tem por dentro o Passado, esse espaço renitente
que teima em ser ressuscitado!
De Portugal, não me importo!
porque Portugal-sou-EU,
sempre com a mão na porta,
pronta a abrir outro céu!
Imagem: vitorcintra.blogspot.com
MAIO/2014

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Rasgou-se o sonho,
como pano velho
que de nada serve.
O silêncio nada ouviu,
não sofreu…
…sofri só eu.
Embrulhei meus dias
no corpo da dor;
apaguei meu fogo,
na vida das veias
das- noites- vadias.
As folhas das ramas
feridas de orvalho,
escreveram dias
no tronco-carvalho
da força do vento,
que arrasta as aves,
em sofrimento,
para um novo galho.
Sílaba a sílaba,
palavra a palavra,
num corpo de versos,
percorro veredas
da entrada no sonho,
por estradas adversas
como pano velho, tristonho.
E teço um pano novo,
onde escondo estrelas
com dedos de fogo…
Onde está o mar de cor verde- esmeralda,
para poder sonhar O sonho,
de novo?
***

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=884825381534032&set=a.104671869549391.10003.100000197344912&type=1&theater
TENTATIVAS…
Tentei encontrar-te naquela viela empedrada,
suja de madrugadas bebidas em taças de sombras, exaustas
de tanto andarem perdidas…
Tentei ver-te em novos astros das manhãs iluminadas
por palavras-chamas,
fios-dramas
do vento a ranger,
na madeira-a-crepitar
o compasso das folhas de velhos livros-a-ciciar.
*as cordas das guitarras resistiram à velha música, que saltou pelas janelas das almas e se escondeu no agasalho dos plátanos adormecidos, enrolados nos braços das folhas*
*em cada passo que dei, vi a palavra perdida no universo das tristes ruelas e esquinas, a passar pelos corpos feitos ruínas no segredo dos vómitos de pérolas perdidas, num copo de promessas esquecidas.
Talvez te tenhas perdido na rua do choro das guitarras doridas___________________
Talvez as folhas dos plátanos não tivessem sentido o frio das velhas esquinas de empedradas vielas____________________
Talvez os astros não soubessem ler o poema, onde brilhavam minhas mãos-de-tactear-ruelas.
Talvez eu não devesse estar na rota das tuas estrelas__________________
*tentei que, no poema, tu fosses a mensagem transparente e eterna, à luz verde da noite,
que traduz a esperança do verso,
que redime o controverso pousar das mãos no parapeito de uma janela…
ou talvez tu já fosses o verso-reverso dentro do cansaço, onde a tristeza se alegra…
Sei , tão só, que tentei , de todas as formas, com todas as regras, decorar as rotas, para dobrar o meu cabo de todas as tormentas e chegar ao deserto, onde só tu me podes encantar…
Talvez tu sejas a Esfinge…
Talvez o mar se perdesse nas areias do desconforto…
Talvez estejas mais perto, do que tudo o que o mundo sabe de ti…
***

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=940441105972459&set=a.104671869549391.10003.100000197344912&type=1&theater
SONHOS REFUGIADOS
Os sonhos que não pude ter, estão hoje num canto-refúgio
que a magia guarda para um qualquer dia livre,
ávidos do sorriso das paredes de um corredor do sentir
como é o da infância que pode reter, para nutrir.
__________________Fui perdendo rumos que me orientavam,
__________________num mundo onde me ia construindo.
A vida, nem sempre pode ver a desarrumação que se instala
nos planos das pautas de música das vastas searas douradas,
quando balouçam ondas de ouro-da-pátria-matriz, que a viu nascer.
No silêncio dos sonhos refugiados, desdobro noemas
ao desenhá-los no contorno das memórias ,
__________________que ousam
lembrar-me da história que- te- cantei –em- poemas,
__________________quando surgem palavras que não dissemos
__________________em movimentos a esconder a cabeça por baixo
__________________das almofadas em-que-nos-repousámos.
No ouvido dos ventos, elas sussurram-para-serem-tuas…
…e quando as aragens te roçarem o corpo,
(estejas onde estiveres)
_________________contempla
Por agora, solto o mar da tempestade que me habita…
…e embalo-o até se afogar na genética da escrita…
…que não cabe na corola de uma rosa a desabrochar…acredita!
Os sonhos refugiados…
sei que vão dormir nos jogos das estrelas__________________
onde os dias vão acordar, depois,
para deixarem acontecer a vida do cume dos montes,
mesmo pertinho dos tufos de flores de sedas_____________________
Tudo a seu Tempo…mesmo que do lado errado dos sonhos!
Qualquer tocha se pode apagar,
_________________quando um vento forte a ameaça… a soprar.
***

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POEMA:
***
pegaste-me pela mão. levaste-me para os teus olhos cor de mar verde de esperança.
cor de azul em horas de terna bonança. fui contigo a ouvir o som dos passos que davas, na respiração apressada do esplendor dos lábios da noite. atravessei a cor luminosa dos sonhos, encostada aos ventos e marés a exalar odores húmidos do teu ser litoral.
litoral como eu, que estou tão longe do céu do qual se afastam teus olhos num crepúsculo onde a voz se me perdeu.
por entre pedras perdidas, passeia a lua, desfeita em raios quentes de luar que me despem, atrevidos, ao som do teu ciciar.
pegaste-me pela mão na tarde que se fez noite-a-entrar-pela manhã.
minhas mãos acordaram embaraçadas nos lençóis de linho bordado , sozinhas, sem te ouvirem respirar. vazia e vertical esteve a lua a meu lado, melancólica e saudosa do cheiro a pétalas de rosa que deixaste, quando partiste para o mar.
mar-litoral, como tu e como eu, longe do céu, num horizonte ateu…
Abril-014
******************

_________________________________________________VIDAS…
*um rego de terra grávido de sementes
estremece ao desabrochar a primavera.
estremece ao desabrochar a primavera.
*um semeador sonha , de olhos postos no sol…
*uma borboleta bate as asas
a chamar a flor…
a chamar a flor…
*um clamor sísmico e místico
faz tremer o universo…
faz tremer o universo…
*um poeta inquieto quer descrever a hora
do parto de uma semente-grão…
do parto de uma semente-grão…
Um poema liberta-se e corre à rédea solta, cavalo puro-sangue lusitano que se delicia no prado lexemático da verdade-em-magia-envolta…
Canelas e marfins do outro lado do mar deixam a semente florir laranjeiras, junto das amendoeiras do nosso Pomar…
…e estendem-se caminhos marítimos pelos campos –prados do nosso Ser, onde navegadores de lemes-enxadas cavam estradas -a-percorrer primaveras de um novo-Viver.
…e estendem-se caminhos marítimos pelos campos –prados do nosso Ser, onde navegadores de lemes-enxadas cavam estradas -a-percorrer primaveras de um novo-Viver.
ABRIL/014

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=951558821527354&set=a.104671869549391.10003.100000197344912&type=1&theater
RUMORES POÉTICOS
Não visto de seda, chita ou cetim. Visto-me da tua ausência, com um manto de pesadelos que fogem apressados, quando encontram os sonhos que não vivemos, na fugaz passagem pelo Passado. Tanta era a pressa de chegar a lugar Nenhum, que o que sabemos hoje é mais que a certeza de não os termos vivido. Rebentam saudades como botões a despontar, em cada Primavera, de onde não podem fugir. Tenho medo que os ventos que abanam as flores, roube o pólen que pode florir, em cantos de um jardim onde eu não possa estar. Vivemos tantos momentos que esquecemos de apanhar, que a Esperança se alheou das estradas, onde temos que caminhar.
Na ponta dos meus dedos está o raiar das auroras d’Outrora…está o sabor a sal das conchas da beira-mar…está o orvalho caído, nas noites de árvores sedentas, dessas gotas- de- viver…
Está, enfim, o poema triste da tua ausência que tive que vestir, embrulhado em palavras a doer, feridas de enlouquecer, pela imagem amarelada do velho relógio, que não para de bater…
Tic-tac-tic-tac-tic-tac-ti
Abril/014
foto net
***
AS…
*um rego de terra grávido de sementes
estremece ao desabrochar a primavera.
estremece ao desabrochar a primavera.
*um semeador sonha , de olhos postos no sol…
*uma borboleta bate as asas
a chamar a flor…
a chamar a flor…
*um clamor sísmico e místico
faz tremer o universo…
faz tremer o universo…
*um poeta inquieto quer descrever a hora
do parto de uma semente-grão…
do parto de uma semente-grão…
Um poema liberta-se e corre à rédea solta, cavalo puro-sangue lusitano que se delicia no prado lexemático da verdade-em-magia-envolta…
Canelas e marfins do outro lado do mar deixam a semente florir laranjeiras, junto das amendoeiras do nosso Pomar…
…e estendem-se caminhos marítimos pelos campos –prados do nosso Ser, onde navegadores de lemes-enxadas cavam estradas -a-percorrer primaveras de um novo-Viver.
…e estendem-se caminhos marítimos pelos campos –prados do nosso Ser, onde navegadores de lemes-enxadas cavam estradas -a-percorrer primaveras de um novo-Viver.
ABRIL/014

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BREVES
Quando os girassóis despertam,
as pétalas engrandecem e exalam perfumes de harmonia
pela planície sorridente,
carente de afagos do sol-em-crescendo.
As abelhas
________acompanham a viagem solar
_____________pelas pétalas, onde o voo das borboletas
_________________se empenha em acalmar rotas de planetas.
Fala-se Poesia no dia da planície em flor
e os montados sorriem de alegria,
enquanto o mar distante adormece, no rumor da maresia
das ondas de trigo ondulante.
São canções de gesta,
__________são tessituras-poemas
____________a rasgar frestas de terra pulsante,
______________sob a chuva de desabrochar vogais e consoantes
__________________ _____do grão de pão , a romper as horas de sesta.
Um riacho, quase sísmico, quase tremelicante,
por entre as margens dos aloendros-em-flor ,
desce para a planície, ao sabor dos raios de sol-
-a - espalhar uma nave de humidade,
que a torna Catedral pulsante de uma Verdade…
Quando os girassóis despertam,
____________________cegam o sol que se deita nos seus olhos castanhos,
____________enquanto um poeta se apressa a escrever esse poema
______de solarengo amor.
Maio/2014
***

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EU SEI…
Vira-se o peito para dentro das memórias e escava-lhes as ruínas.
Eu sei…
…sei que amo e não amo, que rio e que choro, que me ilumina o sol
e me inundam as sombras.
Não valho um centímetro da realidade da história!
Passo a vida na ponta de uma caneta
suspensa de uma palavra, por onde perpassa a imagem do mundo
em todos os seus reflexos.
Assumo-me mulher livre
capaz de guardar ou recusar as palavras escritas
por mim e por outros!
Eu sei…
No silêncio da escrita ardem fábulas tranquilas________________
___________plantas -pássaros_________________
__________________estátuas
__________________________
__________________________
Eu sei…
Chora o Atlântico…
…lágrimas que não viu , nem sentiu, nos poemas de Camões…
Então…
escrevo a chama e o fogo da luz,
a metáfora do deslizar caminhante dos barcos
a ruminarem ondas do tramonto
e os violinos inchados de música-grávida-de-mitos.
Vivo na humanidade, que as palavras me roubam!
Toco-lhes na alma, que sai de mim!
Depois…
______creio nos leões e nas gazelas dos desertos desfeitos
_________em amendoeiras floridas,
____________em amoras silvestres sumidas num vinho forte
_______________de tâmaras-gordas-bojudas
____________________a maturar outras vidas, nos amores de
[Al-mu-'Tamid ]
Março/014 —
***

TODOS OS DIAS SONHO
Todos os dias ponho na tua boca metáforas de frutos
saborosos e amadurecidos,
onde repouso da longa caminhada percorrida
para chegar aos teus sentidos.
saborosos e amadurecidos,
onde repouso da longa caminhada percorrida
para chegar aos teus sentidos.
Todos os dias sonho.
E todos os dias planto palavras
que rejuvenescem
no manto estrelado do teu céu…
E todos os dias planto palavras
que rejuvenescem
no manto estrelado do teu céu…
E as gaivotas todos os dias voam,
sem perceberem onde vai alvorecer o resto das sílabas
que me passam entre os dedos,
a cantar metáforas de poemas, ainda -por-nascer.
sem perceberem onde vai alvorecer o resto das sílabas
que me passam entre os dedos,
a cantar metáforas de poemas, ainda -por-nascer.
O alvor da manhã banha ondas de trigo,
logo que o escuro da noite se esconde
nos lilases que abrem os olhos, furtivos…
logo que o escuro da noite se esconde
nos lilases que abrem os olhos, furtivos…
Amoras silvestres, prenhes de rubro sabor,
amadurecem pelas ravinas,
entre o verde das colinas,
no meio das primaveras
das suculentas amendoeiras-em-flor .
amadurecem pelas ravinas,
entre o verde das colinas,
no meio das primaveras
das suculentas amendoeiras-em-flor .
Um sol de silêncios acorda em longínquos poemas, que segregam jasmins de pérolas orientais enraizadas nas espigas de afastados palmeirais…outros trigais…
Palavra após palavra, desço ao centro de exóticas flores…
… metáforas dos teus olhos
a fugir das trevas,
para viver minhas cores…
… metáforas dos teus olhos
a fugir das trevas,
para viver minhas cores…
JAN/014
em postagem anterior
"A RESISTÊNCIA...
... EXISTIU ABRIL
Muito antes da minha sílaba…ainda em tempos distantes, onde era o ANTES… havia já uma voz antiga-em-mim…uma voz escondida…uma voz de Abril-cravo-livre.
Como se nada mais houvesse para aprender, essa voz libertou-se das grades ,
tal ave que foge das águas revoltadas do pulso do mar ,a perder-se, esvoaçando,
pelos flancos da montanha, cantando bagas-mil…
Tudo isso, ainda antes da sílaba entrar na palavra a murmurar Poesia…
…ainda muito antes…
…e como se o sol não voltasse a agarrar os dias entre os braços de luz,
as flores abriram-se às manhãs de primavera ,com a força de uma seiva
que seduz…
E Abril, tal como a “Primavera” de cravos-de-aromas-mil, foi Sol de pouca dura!
Depois do Passado obscuro, rota- falhada-do rumo, papel rasgado no cesto da esperança-sem-Esperança, abismo a gravar numa folha de papel…será Abril só se o Poeta-Houver!
De Abril, a empresa fracassada…
…o poema incompleto…
…o sorriso apagado pelo verme-infecto…
…uma pátria -sem-Pátria, domada pelo monstro abjecto…
Que empresa? Que projecto? Que mundo?
De Abril, os olhos amargurados…
…os sorrisos sem alma…
…os rostos embaciados de angústia…
…a astúcia prepotente do agente dominador,
tirano sem honra ou assomo de valor…
…peçonha que engoliu cravos-flor-liberdade…
Emudeceu, bruscamente, Abril, na mão do poeta-sonho-verdade!
No peito luso, a chaga infecta!
A Poesia quase chora uma Derrota…
É Hora de reerguer a bandeira. de acordar o cipreste. de correr de este a oeste,
num norte-a-sul a limpar a peste!
Fala, Poeta, enche a boca de odores de rosas esfareladas!
Inspira a Liberdade!
Espalha-a pela cidade onde o sangue escorre da Palavra Sofrida!
__________________________ ______________Há-de Haver- Abril!
***
Dez 2013
-MAR…
-COUTO-DE-ANDANÇAS…
O sol irradia luz-no-tempo-do-devagar-a-passar-o-Tempo!
Tantos cravos! Tantas rosas! Tantas mimosas floridas
no novo raiar do mundo, regado de primavera!
__________________________________Sobe a colina, um pastor.
__________________________________Por sobre serras e vales dos campos em flor, sobe…
__________________________________Uma flauta a exultar, acorda as ondas do mar.
__________________________________Pastor-poeta flutua na mensagem da inocência do
__________________________________solo silvestre, raiado de urzes e giestas de mil cores.
Uma pauta de magia ajuda o rio a fluir- tempo.
E o pastor descansa no som da melodia das águas
que rompe a brisa do bosque do castanheiro do outono,
que tacteia uma flauta de abandono,
onde o sol
irradia-luz-no-tempo-devagar,
a murmurar atitudes de esperar…
__________________________________...a recordar MAR…
________________________________mar-couto-de-andanças
_______________________________das nossas loucas danças de sonho!
Os ares chamam os fogos das primaveras, perdidos nas ondas de bailados
revoltos d’outras eras,
quando cresciam árvores por detrás da janela da harmonia das raízes-vida
da terra , desfeita em alquebradas querelas…
Gritos de antigas maresias soltam-se de velhas lembranças
e passam pela espuma do mar, nosso couto de andanças.
Em caixas de ébano, bordadas a raios de luar, descansam os
barcos , as naus e caravelas, aspirando um novo ciciar do antigo viver.
Hoje, há cravos, rosas e jasmins, ali, no recanto de um jardim
à beira-mar da agonia plantado…
***
NOV/2013
***

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MEU CANTO
Eu canto a pedra dura e disforme de um templo
*ora certo, ora
incerto
que penso, mas não digo…
Canto o barro de que sou feita e a casa erguida ao alto
no escuro de uma Procura…
Canto o claro Sol da pujante-Noite-escura-dos-s entidos
à luz da
vela dos meus
espaços antigos…
Com veemência de crente, canto a lua que se acende em estrelas do vasto céu, como fogo de vela mística
da alquimia genética do ser-fugido-de-um-EU,ser adormecido, ferido, num intervalo descrente.
Canto o mundo, conhecido e desconhecido, em vestes brancas escondido!
…e o grande mestre da cor das flores…
…e a ciência do dia e da noite, onde me abrigo das dúvidas!
Canto , também, o relâmpago de um círio atormentado
__________________________ ________________no meio da catedral do silêncio.
[ Não te confundas, gente do mundo!
É que eu canto a dor-de-ser……………..a dor…………..a dor…
…a dor das pedras do rio,
…das almas que já não rezam…
…dos presos que não se libertam da verdade-não-livre…
…do verde sem esperança das verdes montanhas…
…das chamas que não ardem-no-clarão-que-não-aq uece…
…dos paraísos enganados, perdidos por estreitas vielas, onde os anjos caminham amparados em muletas, desde tempos de sequelas …Caim e Abel no meio delas.]
Canto, porque estou triste!
Canto para não chorar e choro, porque não sei cantar as cinzas da Verdade, da Fraternidade e da Igualdade, ocultas sob máscaras de horror!
Choro, porque não sei cantar o que vejo para Além do lado certo…nem vejo o caminho para sair do deserto da mácula e do medo-com-medo!
Canto chorando e chorando procuro o Canto,
sonhado-poema da minha contradição…
SET/013
***

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ALQUIMIA
Com o olhar
reacendo a manhã, que apagou as estrelas.
(Uma pedra preciosa de matizes vorazes
abre-se, a perfumar teu sono repousado.)
O Sol ainda não chegou…
Vou vivendo Poesia ao ver teu corpo exalar
sons de metáforas-do-prazer-de-viv er………………………………………………………..
Crio, para te dar, imagens -sem-sentido,
perdidas nas madrugadas… ainda nocturnas,
ainda embrulhadas em véus de bruma……………………………………………………… ..
São versos que se prendem a ti,
-------------------------- --------------que os não lês………………………………………………….
-------------------------- ---------------que os não vês………………………………………………..
Neles, planto rosas vermelhas inchadas de alquimia de perfumes raros…
Rego-os com o orvalho da saudade
e vejo-as abrir em flor, num corpo a morrer-de-amor.
Beijo-te a face, agreste como a areia do mar, perfumada de sal e maresia,
que levas para longe do meu sentir…………………………………………………… ………………
Por um momento, sinto o vento no meu respirar, a afagar ramas de árvores-que-estão-a madrugar…
Sinto as aves que, a voar, mergulham num pomar de intensidades, amando muito para além
da música das florestas, adormecidas no eco das arestas das montanhas…
O horizonte aproxima-se, quando me chamas tua flor…
E meu corpo que reage como o mar dos desejos lusos, abre-se na plenitude da génese,
para sucumbir no curvar-se perante uma espécie de ardor…
Meus sonhos drogados quanto me dói olhar-vos!
Não tenho metafísicas escondidas…sou trigo a maturar …árvore a arder –na- sede- de- me- dar…
água que cai, quando a terra a chama…fruto de um pomar de palavras-a-amadurecer…
(Sou Tudo-sendo-o-Nada que deseja ser-Algo onde respiro-esperanças!)
Minhas ondas atropelam-se sob uma mística luz…
…e sinto serem mar que se acalma, quando a tua aura me seduz…
````
AGOSTO 2013

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A LUZ DE UM SORRISO
Diluem-se promessas da noite em que chegámos-a-Nós.
*foram vagas, como vagas são as estrelas, ao longe, dominadas pelo brilho da Lua Nova
*que cruel é este cintilar, que me passa pelos dedos, a deslizar, esvaindo-se, como rio que ruma ao mar!
*tenho fome da sede com que bebia o luar dos teus lábios, sem me importar com o brilho da lua, nem dos passos alheios, na rua…
*escrevo-Me para me saciar de ti, sem-Te-sofrer*
*minhas mãos, cheias de letras a compor palavras raras, padecem da falta das tuas a afagar brisas que poisavam, atentas, nos meus cabelos
a noite é de vento, esse bocejo ruidoso do Tempo em que nos encontrámos, no indeciso caminho a percorrer no desejo…
*é tão difícil pensar-Te, sem recordar que fui estrela-a-iluminar*
*folheio velhos cadernos de memórias amarelecidas, onde confesso que Morri-Vivendo no lume brando do teu olhar
*sinto que o Sonho dança na minh’alma-a-procurar-a-tua …
e, como pássaro esquivo de asa ferida, fixo o azul do mar onde continuo à deriva, a navegar numa bolha de espuma ,onde talvez te possas alojar
*mas, sem luz, a noite é um crepúsculo obscuro, onde o mundo se esquece de me orientar…
*por onde ficaste? por que não procuras a alma que perdeste?*
*…recordo…
dizias sempre na solidez dos quinze anos, que não sabias decifrar
[ a luz de um sorriso de amor…]*
***
abril 2013

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PEDRA- FILIGRANA
Cai a noite, escura, salpicada de estrelas
a inchar de orvalho as flores e as ervas.
……………………Miríades de avezinhas esvoaçam para os ninhos,
……………………………num roçagar seco e desnorteado
…………………………………..como insectos a fugir das trevas.
Cai a noite, quando o sol adormece
sob o brilho dos raios de luar.
…………………Outras vidas vão despontar na confusão escura da terra;
……………………..outras vidas vão viver, até ao raiar da aurora
……………………………de tons azulados sobre musgos viçosos,
…………………………………a proteger os pés das árvores
…………………………………….do frio ruidoso, de que a noite é ciosa.
As palavras incendeiam a noite escura,
como filigrana de pedra
que orna cânticos das colunas das catedrais;
e o poeta,
numa visão inaugural e fissurada do mundo,
luta contra quietudes espectrais
do seu submundo lexical.
Cai a noite para isolar as trevas
e fazer brilhar as estrelas despertas
ao alvorecer do novo dia-a-nascer
em filigrana de pedra , a romper a madrugada.
Num real para lá do real,
chega a manhã no dorso de fonemas…
…ilumina-se o vôo das aves…
…o rio corre sem ver os passos dados…
…o mar calado emite o seu natural rumor…
Caiu a noite…acordou pela manhã... viu nascer uma teia
filigrana-baba,
que passeia de rama em rama, numa espiral complexa e cansada.
***
março 2013

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AMOR
Minhas mãos divagam, cegas, por entre os teus cabelos.
São aves de asas perdidas,
decididas a encontrar um ninho nos teus desvelos.
Fazem secretas viagens nas tempestades de verão
-no inferno dos meus sentidos.
Movem-se, minhas mãos, em madrugadas secretas
escondidas no alvorecer,
no meio de folhas erectas da glória de viver.
Ocultas e atrevidas, foram tocar-te, imprudentes,
ao nocturno seio das luzentes estrelas,
deitadas num areal de espuma, a saborear uma língua de mar…
…e dou-te o olhar molhado de labaredas, ao luar…
…dou-te, ainda, o canto do meu corpo
-em sinfonia de amor…
A noite, apressada, transmite-se corpo-a-corpo
em acordes musicais,
que cheiram a maresia,
na revolta das ondas de espuma
em maré de Lua-Cheia,
da concha dos meus ouvidos, a sentir-te ciciar…
O Sol parou
nas encostas
dos horizontes dormentes
das escarpas decididas
a manterem-se insistentes …
-MQC-MRÇ/013
**

AMOR
Minhas mãos divagam, cegas, por entre os teus cabelos.
São aves de asas perdidas,
decididas a encontrar um ninho nos teus desvelos.
Fazem secretas viagens nas tempestades de verão
-no inferno dos meus sentidos.
Movem-se, minhas mãos, em madrugadas secretas
escondidas no alvorecer,
no meio de folhas erectas da glória de viver.
Ocultas e atrevidas, foram tocar-te, imprudentes,
ao nocturno seio das luzentes estrelas,
deitadas num areal de espuma, a saborear uma língua de mar…
…e dou-te o olhar molhado de labaredas, ao luar…
…dou-te, ainda, o canto do meu corpo
-em sinfonia de amor…
A noite, apressada, transmite-se corpo-a-corpo
em acordes musicais,
que cheiram a maresia,
na revolta das ondas de espuma
em maré de Lua-Cheia,
da concha dos meus ouvidos, a sentir-te ciciar…
O Sol parou
nas encostas
dos horizontes dormentes
das escarpas decididas
a manterem-se insistentes …
-MQC-MRÇ/013
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SENTIDOS
Minha cabeça apoiava-se nas saudades que tinha de ti,
enquanto uma comunhão de anseios te retinha
na alquimia das cores e dos sabores que eu-te-vivi.
Nos olhos, tenho o vento
que trazia o odor dos teus sentidos, amadurecidos…
Desse vento, chegam fragmentos de farrapos das nuvens
em que nos afundávamos, num recanto do jardim…
Do alto de uma pétala roxa, é hora da melancolia chamar as lembranças
vermelhas-rubras de um Acontecer
que sereno, resplandecia…
Os pássaros continuam a murmurar a liberdade de voar…
Os astros iluminam as noites de Lua Cheia,
enquanto a fecundação das pérolas fecha ,na concha,
o seu grão -de-areia.
As flores dispersam nos ventos
sinais de cio das minhas pálpebras ,
cerradas aos simulacros de cintilação.
Meus sentidos andam à deriva na recordação-de-ti,
dentro da poesia que ainda não escrevi…
Meu fogo parou, quando um vulcão vomitou magma-fervente
na cintura que te oferecia pulsações ascendentes
de permanente euforia …
Ciciam sementes, contentes por germinarem na terra que as cobre
com litanias,
que despertam como as flores, ao nascer do dia!
Vou construindo um poema de teus olhos
numa mágica ilha de orlas sensuais,
onde seremos um teorema de luz no caos das sensações
da natural geometria dos temporais…
Um realismo de seiva quente corre pelas veias das plantas outonais…
No mar, por trás dos montes, cantam ventos imemoriais…
DEZ/012
... EXISTIU ABRIL
Muito antes da minha sílaba…ainda em tempos distantes, onde era o ANTES… havia já uma voz antiga-em-mim…uma voz escondida…uma voz de Abril-cravo-livre.
Como se nada mais houvesse para aprender, essa voz libertou-se das grades ,
tal ave que foge das águas revoltadas do pulso do mar ,a perder-se, esvoaçando,
pelos flancos da montanha, cantando bagas-mil…
Tudo isso, ainda antes da sílaba entrar na palavra a murmurar Poesia…
…ainda muito antes…
…e como se o sol não voltasse a agarrar os dias entre os braços de luz,
as flores abriram-se às manhãs de primavera ,com a força de uma seiva
que seduz…
E Abril, tal como a “Primavera” de cravos-de-aromas-mil, foi Sol de pouca dura!
Depois do Passado obscuro, rota- falhada-do rumo, papel rasgado no cesto da esperança-sem-Esperança, abismo a gravar numa folha de papel…será Abril só se o Poeta-Houver!
De Abril, a empresa fracassada…
…o poema incompleto…
…o sorriso apagado pelo verme-infecto…
…uma pátria -sem-Pátria, domada pelo monstro abjecto…
Que empresa? Que projecto? Que mundo?
De Abril, os olhos amargurados…
…os sorrisos sem alma…
…os rostos embaciados de angústia…
…a astúcia prepotente do agente dominador,
tirano sem honra ou assomo de valor…
…peçonha que engoliu cravos-flor-liberdade…
Emudeceu, bruscamente, Abril, na mão do poeta-sonho-verdade!
No peito luso, a chaga infecta!
A Poesia quase chora uma Derrota…
É Hora de reerguer a bandeira. de acordar o cipreste. de correr de este a oeste,
num norte-a-sul a limpar a peste!
Fala, Poeta, enche a boca de odores de rosas esfareladas!
Inspira a Liberdade!
Espalha-a pela cidade onde o sangue escorre da Palavra Sofrida!
__________________________
***
Dez 2013
-MAR…
-COUTO-DE-ANDANÇAS…
O sol irradia luz-no-tempo-do-devagar-a-passar-o-Tempo!
Tantos cravos! Tantas rosas! Tantas mimosas floridas
no novo raiar do mundo, regado de primavera!
__________________________________Sobe a colina, um pastor.
__________________________________Por sobre serras e vales dos campos em flor, sobe…
__________________________________Uma flauta a exultar, acorda as ondas do mar.
__________________________________Pastor-poeta flutua na mensagem da inocência do
__________________________________solo silvestre, raiado de urzes e giestas de mil cores.
Uma pauta de magia ajuda o rio a fluir- tempo.
E o pastor descansa no som da melodia das águas
que rompe a brisa do bosque do castanheiro do outono,
que tacteia uma flauta de abandono,
onde o sol
irradia-luz-no-tempo-devagar,
a murmurar atitudes de esperar…
__________________________________...a recordar MAR…
________________________________mar-couto-de-andanças
_______________________________das nossas loucas danças de sonho!
Os ares chamam os fogos das primaveras, perdidos nas ondas de bailados
revoltos d’outras eras,
quando cresciam árvores por detrás da janela da harmonia das raízes-vida
da terra , desfeita em alquebradas querelas…
Gritos de antigas maresias soltam-se de velhas lembranças
e passam pela espuma do mar, nosso couto de andanças.
Em caixas de ébano, bordadas a raios de luar, descansam os
barcos , as naus e caravelas, aspirando um novo ciciar do antigo viver.
Hoje, há cravos, rosas e jasmins, ali, no recanto de um jardim
à beira-mar da agonia plantado…
***
NOV/2013
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https://www.facebook.com/photo.php?fbid=904064336276803&set=a.104671869549391.10003.100000197344912&type=1&theater
MEU CANTO
Eu canto a pedra dura e disforme de um templo
*ora certo, ora
incerto
que penso, mas não digo…
Canto o barro de que sou feita e a casa erguida ao alto
no escuro de uma Procura…
Canto o claro Sol da pujante-Noite-escura-dos-s
à luz da
vela dos meus
espaços antigos…
Com veemência de crente, canto a lua que se acende em estrelas do vasto céu, como fogo de vela mística
da alquimia genética do ser-fugido-de-um-EU,ser adormecido, ferido, num intervalo descrente.
Canto o mundo, conhecido e desconhecido, em vestes brancas escondido!
…e o grande mestre da cor das flores…
…e a ciência do dia e da noite, onde me abrigo das dúvidas!
Canto , também, o relâmpago de um círio atormentado
__________________________
[ Não te confundas, gente do mundo!
É que eu canto a dor-de-ser……………..a dor…………..a dor…
…a dor das pedras do rio,
…das almas que já não rezam…
…dos presos que não se libertam da verdade-não-livre…
…do verde sem esperança das verdes montanhas…
…das chamas que não ardem-no-clarão-que-não-aq
…dos paraísos enganados, perdidos por estreitas vielas, onde os anjos caminham amparados em muletas, desde tempos de sequelas …Caim e Abel no meio delas.]
Canto, porque estou triste!
Canto para não chorar e choro, porque não sei cantar as cinzas da Verdade, da Fraternidade e da Igualdade, ocultas sob máscaras de horror!
Choro, porque não sei cantar o que vejo para Além do lado certo…nem vejo o caminho para sair do deserto da mácula e do medo-com-medo!
Canto chorando e chorando procuro o Canto,
sonhado-poema da minha contradição…
SET/013
***

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ALQUIMIA
Com o olhar
reacendo a manhã, que apagou as estrelas.
(Uma pedra preciosa de matizes vorazes
abre-se, a perfumar teu sono repousado.)
O Sol ainda não chegou…
Vou vivendo Poesia ao ver teu corpo exalar
sons de metáforas-do-prazer-de-viv
Crio, para te dar, imagens -sem-sentido,
perdidas nas madrugadas… ainda nocturnas,
ainda embrulhadas em véus de bruma………………………………………………………
São versos que se prendem a ti,
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Neles, planto rosas vermelhas inchadas de alquimia de perfumes raros…
Rego-os com o orvalho da saudade
e vejo-as abrir em flor, num corpo a morrer-de-amor.
Beijo-te a face, agreste como a areia do mar, perfumada de sal e maresia,
que levas para longe do meu sentir……………………………………………………
Por um momento, sinto o vento no meu respirar, a afagar ramas de árvores-que-estão-a madrugar…
Sinto as aves que, a voar, mergulham num pomar de intensidades, amando muito para além
da música das florestas, adormecidas no eco das arestas das montanhas…
O horizonte aproxima-se, quando me chamas tua flor…
E meu corpo que reage como o mar dos desejos lusos, abre-se na plenitude da génese,
para sucumbir no curvar-se perante uma espécie de ardor…
Meus sonhos drogados quanto me dói olhar-vos!
Não tenho metafísicas escondidas…sou trigo a maturar …árvore a arder –na- sede- de- me- dar…
água que cai, quando a terra a chama…fruto de um pomar de palavras-a-amadurecer…
(Sou Tudo-sendo-o-Nada que deseja ser-Algo onde respiro-esperanças!)
Minhas ondas atropelam-se sob uma mística luz…
…e sinto serem mar que se acalma, quando a tua aura me seduz…
````
AGOSTO 2013

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A LUZ DE UM SORRISO
Diluem-se promessas da noite em que chegámos-a-Nós.
*foram vagas, como vagas são as estrelas, ao longe, dominadas pelo brilho da Lua Nova
*que cruel é este cintilar, que me passa pelos dedos, a deslizar, esvaindo-se, como rio que ruma ao mar!
*tenho fome da sede com que bebia o luar dos teus lábios, sem me importar com o brilho da lua, nem dos passos alheios, na rua…
*escrevo-Me para me saciar de ti, sem-Te-sofrer*
*minhas mãos, cheias de letras a compor palavras raras, padecem da falta das tuas a afagar brisas que poisavam, atentas, nos meus cabelos
a noite é de vento, esse bocejo ruidoso do Tempo em que nos encontrámos, no indeciso caminho a percorrer no desejo…
*é tão difícil pensar-Te, sem recordar que fui estrela-a-iluminar*
*folheio velhos cadernos de memórias amarelecidas, onde confesso que Morri-Vivendo no lume brando do teu olhar
*sinto que o Sonho dança na minh’alma-a-procurar-a-tua
e, como pássaro esquivo de asa ferida, fixo o azul do mar onde continuo à deriva, a navegar numa bolha de espuma ,onde talvez te possas alojar
*mas, sem luz, a noite é um crepúsculo obscuro, onde o mundo se esquece de me orientar…
*por onde ficaste? por que não procuras a alma que perdeste?*
*…recordo…
dizias sempre na solidez dos quinze anos, que não sabias decifrar
[ a luz de um sorriso de amor…]*
***
abril 2013

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PEDRA- FILIGRANA
Cai a noite, escura, salpicada de estrelas
a inchar de orvalho as flores e as ervas.
……………………Miríades de avezinhas esvoaçam para os ninhos,
……………………………num roçagar seco e desnorteado
…………………………………..como insectos a fugir das trevas.
Cai a noite, quando o sol adormece
sob o brilho dos raios de luar.
…………………Outras vidas vão despontar na confusão escura da terra;
……………………..outras vidas vão viver, até ao raiar da aurora
……………………………de tons azulados sobre musgos viçosos,
…………………………………a proteger os pés das árvores
…………………………………….do frio ruidoso, de que a noite é ciosa.
As palavras incendeiam a noite escura,
como filigrana de pedra
que orna cânticos das colunas das catedrais;
e o poeta,
numa visão inaugural e fissurada do mundo,
luta contra quietudes espectrais
do seu submundo lexical.
Cai a noite para isolar as trevas
e fazer brilhar as estrelas despertas
ao alvorecer do novo dia-a-nascer
em filigrana de pedra , a romper a madrugada.
Num real para lá do real,
chega a manhã no dorso de fonemas…
…ilumina-se o vôo das aves…
…o rio corre sem ver os passos dados…
…o mar calado emite o seu natural rumor…
Caiu a noite…acordou pela manhã... viu nascer uma teia
filigrana-baba,
que passeia de rama em rama, numa espiral complexa e cansada.
***
março 2013

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AMOR
Minhas mãos divagam, cegas, por entre os teus cabelos.
São aves de asas perdidas,
decididas a encontrar um ninho nos teus desvelos.
Fazem secretas viagens nas tempestades de verão
-no inferno dos meus sentidos.
Movem-se, minhas mãos, em madrugadas secretas
escondidas no alvorecer,
no meio de folhas erectas da glória de viver.
Ocultas e atrevidas, foram tocar-te, imprudentes,
ao nocturno seio das luzentes estrelas,
deitadas num areal de espuma, a saborear uma língua de mar…
…e dou-te o olhar molhado de labaredas, ao luar…
…dou-te, ainda, o canto do meu corpo
-em sinfonia de amor…
A noite, apressada, transmite-se corpo-a-corpo
em acordes musicais,
que cheiram a maresia,
na revolta das ondas de espuma
em maré de Lua-Cheia,
da concha dos meus ouvidos, a sentir-te ciciar…
O Sol parou
nas encostas
dos horizontes dormentes
das escarpas decididas
a manterem-se insistentes …
-MQC-MRÇ/013
**

AMOR
Minhas mãos divagam, cegas, por entre os teus cabelos.
São aves de asas perdidas,
decididas a encontrar um ninho nos teus desvelos.
Fazem secretas viagens nas tempestades de verão
-no inferno dos meus sentidos.
Movem-se, minhas mãos, em madrugadas secretas
escondidas no alvorecer,
no meio de folhas erectas da glória de viver.
Ocultas e atrevidas, foram tocar-te, imprudentes,
ao nocturno seio das luzentes estrelas,
deitadas num areal de espuma, a saborear uma língua de mar…
…e dou-te o olhar molhado de labaredas, ao luar…
…dou-te, ainda, o canto do meu corpo
-em sinfonia de amor…
A noite, apressada, transmite-se corpo-a-corpo
em acordes musicais,
que cheiram a maresia,
na revolta das ondas de espuma
em maré de Lua-Cheia,
da concha dos meus ouvidos, a sentir-te ciciar…
O Sol parou
nas encostas
dos horizontes dormentes
das escarpas decididas
a manterem-se insistentes …
-MQC-MRÇ/013
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SENTIDOS
Minha cabeça apoiava-se nas saudades que tinha de ti,
enquanto uma comunhão de anseios te retinha
na alquimia das cores e dos sabores que eu-te-vivi.
Nos olhos, tenho o vento
que trazia o odor dos teus sentidos, amadurecidos…
Desse vento, chegam fragmentos de farrapos das nuvens
em que nos afundávamos, num recanto do jardim…
Do alto de uma pétala roxa, é hora da melancolia chamar as lembranças
vermelhas-rubras de um Acontecer
que sereno, resplandecia…
Os pássaros continuam a murmurar a liberdade de voar…
Os astros iluminam as noites de Lua Cheia,
enquanto a fecundação das pérolas fecha ,na concha,
o seu grão -de-areia.
As flores dispersam nos ventos
sinais de cio das minhas pálpebras ,
cerradas aos simulacros de cintilação.
Meus sentidos andam à deriva na recordação-de-ti,
dentro da poesia que ainda não escrevi…
Meu fogo parou, quando um vulcão vomitou magma-fervente
na cintura que te oferecia pulsações ascendentes
de permanente euforia …
Ciciam sementes, contentes por germinarem na terra que as cobre
com litanias,
que despertam como as flores, ao nascer do dia!
Vou construindo um poema de teus olhos
numa mágica ilha de orlas sensuais,
onde seremos um teorema de luz no caos das sensações
da natural geometria dos temporais…
Um realismo de seiva quente corre pelas veias das plantas outonais…
No mar, por trás dos montes, cantam ventos imemoriais…
DEZ/012