11/06/2014

8.252.(11jun2014.18h) Virgínia Victorino

Nasceu a 13agosto1895
e morreu a 21dez1967
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 15seTEMbro2018...12.22.21”... 1 boa notícia em vésperas do Congresso Virgínia Vitorino...Tertúlia em obras... Alcobaça que vos abRRaça
NÃO SE CONCRETIZOU...passado 1 ano...O prédio exige mais infraestruturas...
 by mim
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1seTEMbro2018
JPSampaio:
 "Em Dia Mundial do Teatro, evoco a dramaturga alcobacense Virgínia Victorino.
No ano passado, tive a honra de ter sido uma dos coordenadores científicos do Congresso Internacional "Virgínia Victorino Na Cena do Tempo" (21 e 22 Setembro 2018 em Alcobaça). Um conjunto interessantíssimo de conferências sobre a Escritora e o seu tempo, o seu mundo e a importância que teve em Portugal na primeira metade do século XX. O Presidente da República preside à Comissão de Honra. O programa do congresso, que tive a honra de coordenar, com a Prof. Isabel Lousada, teve como conferencistas José Carlos Seabra Pereira, Rui Vieira Nery, María Victoria Navas Sánchez-Élez, Martina Matozzi, Inês Borges, Ana Campos, Mafalda Ferro, Rui Rasquilho, Sara Barbosa, Julia Lello, Emília Ferreira, Joana d´Oliva Monteiro, António Carlos Cortez, Fernando Curopos, Holley Vaughn, Paulo Guinote, Angela Laguardia e Fernando Barroso. O Ministro da Cultura, Luis Castro Mendes, preside à sessão de encerramento. Na próxima segunda-feira é apresentado o programa definitivo e são abertas as inscrições, entrada gratuita, Biblioteca Municipal de Alcobaça, numa organização da ADEPA com o CHAM, o CLEPUL e o CICS-NOVA e o patrocínio da Câmara Municipal de Alcobaça. Em Abril sairão as Actas do Congresso"
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21 e 22seTEMbro2018
fiz fotos:

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Manuela
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Camaradas
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em torno do sucesso de NAMORADOS
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Houve intervenções sobre as reclamações que fez junto do Salazar: "eu é que tenho de dirigir o teatro radiofónico!"
Salazar deu-lhe essa direcção da emissora nacional
Dirigiu até 1955...
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 Por estes dias, Alcobaça presta homenagem aos 50 anos da morte de Virgínia Victorino. Numa carta escrita a Oliveira Salazar, a poetisa procurou influenciar a nomeação do sucessor de António Ferro à frente da Emissora Nacional. Os seus intentos eram claros: queria dirigir o teatro radiofónico a seu bel-prazer.
 

É datada de 28 de fevereiro de 1946, foi escrita na sua casa de Lisboa, e tem inscrita a palavra "Confidencial". Dirigida ao "ilustre Presidente do Conselho", a missiva de Virgínia Victorino a Salazar tinha apenas um fim: influenciar o regime e, com isso, ter "liberdade" para colaborar artisticamente da maneira que considerava adequada com a rádio do Estado.
Em causa estava o processo de substituição de António Ferro na direção da Emissora Nacional. Os afazeres do criador da chamada "Política do Espírito" do Estado Novo no Secretariado da Propaganda Nacional tiravam-lhe tempo para dirigir a rádio de forma conveniente e a sucessão preocupava a poetisa, que escreve a Salazar recordando o encontro que ambos tiveram em casa do presidente do Conselho e em que o assunto tinha vindo à baila.
Virgínia, que já tinha sido agraciada com duas comendas pela ditadura, vai direta ao assunto: além dos nomes já discutidos de Henrique Galvão e Luiz Vieira de Castro, ela gostaria de "alvitrar mais um" nome para suceder a António Ferro. Trata-se de Álvaro Afonso dos Santos, "rapaz muito digno, muito sério, com uma vasta cultura artística e de convicções políticas que não oferecem a mínima dúvida". "Apesar de militar, encontra-se na reserva, o que lhe permitiria dedicar ao cargo a atenção e a assistência que ele requere. E também primorosamente educado, tem excelente apresentação, fala várias línguas e não confunde Beethoven com Rui Coelho nem Camões com Mário Marques...", escreve a alcobacense, escarnecendo de quem manda, então, na Emissora Nacional. E além de todas as características pessoais do militar que recomenda ao ditador, Virgínia Victorino destaca, ainda, uma outra: "a de ser absolutamente fiel à situação".
A dramaturga faz um retrato negro da estação, salientando que carecia de uma "solução urgente". "As injustiças sucedem-se, as prepotências, os favoritismos também. Não há mão segura, nem critério, nem orientação capazes de manter em quem trabalha, o entusiasmo indispensável. Campeia o mau gosto, a monotonia, acarinha-se a mediocridade, facilita-se a uns o que a outros se nega terminantemente", escrevia. Virgínia vai mais longe e sublinha: "aquilo preciso de arranjo!"
A carta de Virgínia denota uma grande proximidade entre ambos, o que leva, de resto, a autora esclarecer: "Não entra neste desabafo qualquer nervosismo de mulher, mas, Senhor Presidente, na Emissora Nacional é preciso alguém que esteja, que sinta, que oiça, que acompanhe os que desejam servir e servem, não servindo melhor porque a incompreensão de alguns finge desconhecer e aniquila, portanto, o esforço de muitos. Quem dirige, na realidade, o Senhor Silva Dias, que terá, possivelmente, qualidades políticas. Mas essas não bastam para o organismo especial de que se trata. Estava certo que dirigisse, artisticamente, se para isso tivesse o comportamento e a cultura necessárias, o bom gosto bastante para distinguir, por si próprio, o que é bom do que não presta. Mas não tem".
A poetisa estende as preocupações, também, ao próprio António Ferro, de quem apresenta desconfiança. "Não sei bem porquê, tenho palpite de que vou encontrar nele uma resistência sorridente ao que pretendo". E o que pretendia Virgínia?: "que o teatro radiofónico seja dirigido, realizado e orientado unicamente por mim, como as orquestras o são pelos seus chefes respectivos (...). Só assim poderei voar com as minhas asas". E assim aconteceu. Salazar anuiu e a autora do livro de versos "Namorados" desenvolveu o teatro radiofónico da Emissora Nacional. Sob o pseudónimo Maria João do Vale.
 

Carta de Virgínia Victorino a Salazar
Como há dias, quando tive o gosto de estar em sua casa, V. Exª me disse que, ocorrendo-me qualquer outro além dos nomes do Cap. Henrique Galvão e do Dr. Luiz Vieira de Castro gostaria de que eu lhe indicasse para Presidente da Direção da Emissora Nacional, venho, de acordo com a nossa conversa, alvitrar mais um, pois, segundo creio, reúne todas as condições necessárias. Trata-se do Cap. Álvaro Afonso dos Santos, rapaz muito digno, muito sério, com uma vasta cultura artística e de convicções políticas que não oferecem a mínima dúvida.
Apesar de militar, encontra-se na reserva, o que lhe permitiria dedicar ao cargo a atenção e a assistência que ele requere. E também primorosamente educado, tem excelente apresentação, fala várias línguas e não confunde Beethoven com Rui Coelho nem Camões com Mário Marques... Além destas qualidades tem ainda, repito, a de ser absolutamente fiel à situação, e estou convencida de que desempenharia o lugar a contento de V. Exª; mas devo dizer-lhe, Senhor Presidente, que, tal como acontece aos dois atraz referidos, ele ignora a indicação do seu nome para o cargo em que V. Exª deseja substituir o Senhor António Ferro, por não lhe consentirem os seus inúmeros afazeres consagrar à Emissora a assiduidade de que ela necessita.
É claro que me limito a indicar para aquele organismo um chefe que presinto bom, e faço-o tendo apenas o desejo de ajudar V. Exª a resolver um problema que, na verdade, carece de solução urgente; mas visto, como em tudo, já se vê, V. Exª decidirá com a sua inteligente lucidez. No entanto, creia, Senhor Presidente: aquilo preciso de arranjo! As injustiças sucedem-se, as prepotências, os favoritismos também. Não há mão segura, nem critério, nem orientação capazes de manter em quem trabalha, o entusiasmo indispensável. Campeia o mau gosto, a monotonia, acarinha-se a mediocridade, facilita-se a uns o que a outros se nega terminantemente.
Assim, reina entre os colaboradores e os próprios funcionários, um mal-estar e um desânimo lamentáveis sob todos os aspectos. Não entra neste desabafo qualquer nervosismo de mulher, mas, Senhor Presidente, na Emissora Nacional é preciso alguém que esteja, que sinta, que oiça, que acompanhe os que desejam servir e servem, não servindo melhor porque a incompreensão de alguns finge desconhecer e aniquila, portanto, o esforço de muitos. Quem dirige, na realidade, o Senhor Silva Dias, que terá, possivelmente, qualidades políticas. Mas essas não bastam para o organismo especial de que se trata. Estava certo que dirigisse, artisticamente, se para isso tivesse o comportamento e a cultura necessárias, o bom gosto bastante para distinguir, por si próprio, o que é bom do que não presta. Mas não tem.
V. Exª sabe que deve ser assim e por isso lhe falo com esta sinceridade.
Perdôe!
Ainda não procurei o sr. António Ferro. Ignoro se V. Exª já lhe tirá mostrado o seu interesse pelo meu caso e pela minha situação. Não sei bem porquê, tenho palpite de que vou encontrar nele uma resistência sorridente ao que pretendo: que o teatro radiofónico seja dirigido, realizado e orientado unicamente por mim, como as orquestras o são pelos seus chefes respectivos: Freitas Branco, Frederico de Freitas, Venceslau Pinto, etc. Só assim poderei voar com as minhas asas; mas como V. Exª generosamente me concede a sua simpatia me tem estimulado como ninguém, só em V. Exª confio e, se me der licença, pôl-o-ei ao facto do que se passar, para que, sendo preciso, V. Exª resolva em última instância.
Mil desculpas e mil agradecimentos, com as mais afectuosas lembranças da que se subscreve

De V. Exª
M.to Atª e obgª
Virgínia Victorino

http://regiaodecister.pt/bussola/content/o-pedido-de-virginia-salazar
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 conferencia virginia (2)
Decorre entre hoje, dia 21 de setembro e amanhã, dia 22, no auditório da Biblioteca Municipal de Alcobaça o Colóquio Internacional de Virgínia Victorino, “Uma mulher do mundo que cruzou caminhos, com muitos caminhos”, conforme destacou Inês Silva, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Alcobaça, hoje, na sessão de abertura.

Entre hoje e amanhã, 22 de setembro são várias as iniciativas, “que em diferentes lugares dão lugar lugar à memória, mas também a falar, a debater e a questionar”, enfatizou Isabel Lousada, membro da Comissão Cientifica do congresso.
(saiba mais na edição de 4 de outubro)
http://www.oalcoa.com/alcobaca-iniciou-hoje-o-congresso-internacional-de-virginia-victorino/
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 oficina de artes (23)

“Os cravos que me dás todos os dias/ São sempre iguais. Têm sempre a mesma cor./ Cravo encarnado quer dizer amor/ Amor correspondido. Já sabias?”… O soneto “Cravos”, de Virgínia Victorino, serve de inspiração aos cerca de 10 utentes do Centro de Educação Especial, Reabilitação e Integração de Alcobaça (CEERIA) que, nas Atividades Ocupacionais das Oficinas de Expressão Plástica, desenvolvem um mural evocativo dos 50 anos da morte de Virgínia Victorino. “Iniciámos esta atividade em julho e espera-se que a obra esteja pronta no final do ano porque é preciso trabalhar alguns detalhes e respeitar os tempos de secagem”, disse a’O ALCOA Paula Teresa, a artista alcobacense, que se disponibilizou junto da instituição para ajudar a realizar estas oficinas de expressão plástica, não apenas neste projeto, mas noutros que entretanto vão fazendo. Duas vezes por semana, das 10h00 às 12h30.
(Saiba mais na edição de 20 de setembro do jornal O ALCOA)
http://www.oalcoa.com/alcobaca-virginia-victorino-inspira-mural-feito-no-ceeria/
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Congresso...
Programa:
 http://cms.cm-alcobaca.pt.vf-portal.com/upload_files/client_id_1/website_id_2/Noticias/2018/congresso%20virginia%20vitorino.pdf
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Poetisa alcobacense Virgínia Victorino é figura central de congresso a realizar nos dias 21 e 22 de setembro
“Virgínia Victorino - Na Cena do Tempo” é o tema central de um congresso internacional, a realizar nos dias 21 e 22 de setembro no Auditório da Biblioteca Municipal, exclusivamente dedicado à memória e ao legado cultural e social de uma referência maior da história e da cultura do concelho de Alcobaça.
Passando cinquenta anos da morte de Virgínia Victorino (13-08-1895 / 21-12-1967), impunha-se comemorar esta insigne poetisa e dramaturga. A década de 20 consagrou-a como a poetisa mais popular do País, cujo primeiro livro conheceu doze edições em Portugal e duas no Brasil. O congresso irá debruçar-se em torno da sua figura e do papel da Mulher na sua época.
Na noite de 21 de setembro (21h30), haverá uma soirée no Cine-Teatro de Alcobaça João D’Oliva Monteiro com um espetáculo produzido pela Academia de Dança de Alcobaça, um bailado em estreia absoluta alusivo às várias fases da vida desta ilustre alcobacense. A par deste momento, serão também lidos poemas da autoria de Virgínia Victorino por várias personalidades e ainda exibido o documentário "Virgínia Victorino: na Cena do Tempo" sobre a sua vida e obra, realizado por Filipe de Moura. O documentário conta com depoimentos de várias pessoas que a conheceram, nomeadamente Cármen Dolores e Carlos Avilez.
No dia 22 de setembro, após o encerramento do Congresso, será apresentado o livro "Virgínia Victorino – Antologia Poética", com texto de enquadramento de António Carlos Cortez, multi-premiado professor, poeta e ensaísta. António Carlos Cortez recebeu recentemente o Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes, colabora regularmente com diversos jornais nomeadamente o Jornal de Letras, e é atualmente um dos poetas mais apreciados pela crítica. "Virgínia Victorino – Antologia Poética" compreende as três obras poéticas da autora: “Namorados” (1920), “Apaixonadamente” (1923) e “Renúncia” 1926).
O Congresso Internacional “Virgínia Victorino - Na Cena do Tempo” é uma organização da Associação de Defesa e Valorização do Património Cultural da Região de Alcobaça (ADEPA) com o apoio da Câmara Municipal de Alcobaça, União de Freguesias de Alcobaça e Vestiaria, do CICS.NOVA - Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa e do MCCLA/CIDH - Mulheres Cultura Ciência Letras e Artes da Cátedra Infante D. Henrique, entre diversas outras instituições académicas nacionais e estrangeiras.
Confira aqui toda a programação do evento.
 https://www.facebook.com/notes/munic%C3%ADpio-de-alcoba%C3%A7a/poetisa-alcobacense-virg%C3%ADnia-victorino-%C3%A9-figura-central-de-congresso-a-realizar-/1904551459627406/
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Soirée
estraordináRIO SERão
1-declamAÇÃO DE SONETOS
2- DOCUMENTÁrio NA CENA DO TEMPO
realizado pelo Filipe de Moura
3-TERMINOU COM UM Beloooo Bailado: "Fui bela. Fui amada. E desprezei."
Coreografia de Luís Sousa
Música de Yann Tiersen
Intérpretes: Beatriz Dias, Eliana Mota e Inês Barros!

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 https://www.facebook.com/events/531793983957857/
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 25mAIo2018...21.33.12”...Sarau sobre a extraordinária alcobacense Virgínia Victorino...50 anos da sua morte...Jorge Pereira Sampaio comunicou: nasceu em Alcobaça em 1895; foi muito nova para lisBOA com a tia; fez parte de um grupo de teatro em Alcobaça; 1914; piano e canto; 2 cartas De Fernanda de Castro a Virgínia, que ambas foram admitidas no Conservatório; Júlio Dantas fala dela, deslumbrado com ela...correspondência entre eles; escreveu poesia com maioria de sonetos; primeiro livro “Namorados”(1933); magnetismo, beleza...nasceu para vencer; 1926 lança “Renúncia”; capas de livros de artistas (Almada Negreiros); Teixeira Lopes fez-lhe uma escultura da mão dela; peças de teatro; Amélia Rei Colaço foi amiga dela; Eugénia Vasques chama-lhe dramaturga do regime; Directora do teatro radiofónico; premiada em espectáculos; Sarah Afonso...Irene LisBOA...; relatos de viagens com Olga de Morais Sarmento (profissão conferencista, rica,); poema sobre Veneza; a descrição de Marrocos; romances que tenha tido foram preservados; nunca casou; teve um final triste, procurou a solidão e morreu de morte natural; vai haver em Alcobaça, 20/21seTEMbro2018, congresso e a fotobiografia dela será lançada; representou 200 peças em teatro radiofónico; entrevista para jornal de Alcobaça; viveu os últimos anos em Caldas da Rainha (Maria Manuel) e no hotel Tivoli em lisBOA; estabelecimento Tertúlia/café era do pai da Virgínia (vendia vinho/petiscos/bicicletas/ motas...)...a morte do pai afectou-a muito; numa palavra: imparável...
fiz fotos:
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loja que vendia Mota-harley e gramofones e discos
Vitorino&Vitorino
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Oliveira
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25mAIO2018...21h...Biblioteca Municipal d' ALCOBAÇA que vos abRRaça
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11jan2018...Alcoa
1218 -Virgínia Victorino, década de 1940 - ced. JGV
No dia 21 de dezembro de 2017, fez 50 anos que morreu uma das mulheres mais influentes na cultura portuguesa da primeira metade do século XX: Virgínia Victorino. Para assinalar a data a Associação de Defesa e Valorização do Património Cultural da Região de Alcobaça (ADEPA) decidiu homenageá-la e, para tal, convidou Jorge Sampaio e Rosa Freire, membros da associação, para estabelecer a programação. “Que está a ser delineada”, disse a’O ALCOA Jorge Sampaio, adiantando que foi criada uma comissão de honra, a qual Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República aceitou informalmente presidir e da qual farão parte também várias figuras nacionais e estrangeiras.
(Saiba mais na edição em papel e digital de 11 de janeiro de 2018)
http://www.oalcoa.com/cultura-alcobaca-assinala-50-anos-da-morte-de-virginia-victorino/
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21dez2017
Via Jorge Pereira Sampaio:
"Hoje, 21 de Dezembro de 2017, passam 50 anos da morte duma das Mulheres mais influentes na Cultura Portuguesa na primeira metade do século vinte, Virgínia Victorino. Nascida em Alcobaça em 1895, destacou-se como poetisa e dramaturga, tendo sido a escritora de maior sucesso na década de 1920 em Portugal, atingindo doze edições do seu primeiro livro em Portugal e duas no Brasil. Escreveu três livros de poesia e seis peças de teatro, todas representadas pela Companhia Rey Colaço no Teatro Nacional D. Maria II. Foi directora do Teatro Radiofónico da Emissora Nacional e professora no Conservatório Nacional. Por mérito, recebeu a Cruz de Afonso XII de Espanha e, em Portugal, a Ordem de Cristo e o colar de Santiago da Espada, que ostenta neste retrato. Haverá Missa por sua intenção no Mosteiro de Alcobaça no próximo sábado e ao longo de 2018 será evocada num Colóquio Internacional que conta com participações de Portugal, Brasil, EUA e Espanha."

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retrato do Malta
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13setembro2017
 Um recorte de jornal com uma nota redigida pela mão da própria Virgínia Victorino, tirada do jornal "Época", em 1926, com a casa onde nasceu e onde, no rés-do-chão, seus Pais tinham dois estabelecimentos comerciais onde vem a surgir o Tertúlia.
 https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10214621473795932&set=a.1206706853215&type=3&theater
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12ag2014
Hoje à noite 
há tertúlia no tertúlia
Jorge Pereira Sampaio explicita:
 "Poetisa e dramaturga, foi a escritora mais vendida em Portugal na década de 1920, tendo feito doze edições em Portugal e duas no Brasil do seu primeiro livro. Por mérito, foi condecorada com as Ordens de Cristo e de Santiago e com a Cruz de Afonso XII de Espanha. Este retrato é de uma das suas viagens ao Egipto, em 1926.
Amanhã à noite vamos fazer uma sessão em torno de Virginia Victorino no Café Tertulia, em Alcobaça, casa que foi de seus Pais na transição dos sécs. XIX/XX."
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https://www.facebook.com/oalcoa/photos/a.330641550287640.87229.330628883622240/824825300869260/?type=1&theater
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Poetisa, dramaturga e tradutora portuguesa, de nome completo Virgínia Vila-Nova de Sousa Vitorino, nascida em 1898, em Alcobaça, e falecida em 1969, emLisboa. No domínio da poesia, as obras de estreia entroncam uma linha desobrevivência do romantismo sentimental. A sua produção teatral, recebida comêxito, ressente-se de um certo sentimentalismo burguês, na ideação de intrigasmarcadas por uma fatura melodramática.
http://www.infopedia.pt

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Teatro Radiofónico
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Café tertúlia tem muito de Virgínia Vitorino
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A escultura de José Aurélio
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https://www.facebook.com/photo.php?fbid=516866708412872&set=gm.724512297607579&type=1&theater
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https://www.facebook.com/349094905211303/photos/a.349115855209208.1073741828.349094905211303/614486188672172/?type=1&theater
Medo

Ouve o grande silêncio destas horas!
Há quanto tempo não dizemos nada...
Tens no sorriso uma expressão magoada,
tens lágrimas nos olhos, e não choras!

As tuas mãos nas minhas mãos demoras
numa eloquência muda, apaixonada...
Se o meu sombrio olhar de amargurada
procura o teu, sucumbes e descoras...

O momento mais triste de uma vida
é o momento fatal da despedida,
- Vê como o medo cresce em mim, latente...

Que assustadora, enorme sombra escura!
Eis afinal, amor, toda a tortura:
- vejo-te ainda, e já te sinto ausente!


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via tintafresca.net
nov2009
Galeria de Exposições do Mosteiro de Alcobaça
    Virgínia Victorino e Florbela Espanca: melancolia e glória na vida e na morte
    http://www.tintafresca.net/News/newsdetail.aspx?news=ae00188c-4ac5-484d-821d-9e65a996f92e

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    http://cdeassis.files.wordpress.com/2014/02/virgc3adniavitorino21.png
    O amor! O amor! Ninguém o definiu.
    É sempre o mesmo. Acaba onde começa.
    Quem mais o sente menos o confessa,
    e quem melhor o diz nunca o sentiu.
    Conhece a todos mas ninguém o viu.
    Se o procuramos, foge-nos depressa.
    Se o desprezamos, todo se interessa,
    só está presente quando já fugiu.
    É homem feito sendo criança.
    E quanto mais se quer menos se alcança,
    ninguém o encontra, e em toda parte mora.
    Mata a quem dele vive. É sempre assim.
    Só principia quando chega o fim,
    morreu há muito e nasce a cada hora.
    *
    MÁGOA
    Eu que cheguei a ter essa alegria
    de junto ao meu possuir teu coração!
    Eu que julgava eterna a duração
    do voluptuoso amor que nos unia,
    sou ‒  apagada a última ilusão,
    morto o deslumbramento em que vivia,
    ‒  um cego que ao lembrar a luz do dia
    sente mais negra ainda a escuridão.
    Tu me deste a ventura mais perfeita,
    perdi-a e dei-te a chama insatisfeita
    dessa imensa paixão com que te quis…
    Hoje, o que eu sinto, inútil, revoltada,
    não é mágoa de ser desgraçada,
    ‒  é pena de  ter sido tão feliz.
    *
    O ORGULHO
    És orgulhoso  altivo. Também eu.
    Nem sei bem qual de nós o será mais,
    as nossas forças são rivais:
    se é grande o teu poder, maior é o meu.
    Tão alto anda este orgulho! Toca o céu.
    Nem eu quebro nem tu. Somos iguais.
    Cremo-nos inimigos. Como tais
    nenhum de nós ainda se rendeu.
    Ontem, quando nos vimos frente a frente,
    fingiste bem esse ar indiferente…
    e eu, desdenhosa, ri, sem descorar…
    Mas que lágrimas devo àquele riso!
    E quanto, quanto esforço foi preciso
    para, na tua frente, não chorar!
    ver correcção deste poema
    a seguir
    ***
    Via Virginne Emmanuelle, no facebook, corrige esta versão do poema
    ORGULHO
    asSIM:

    https://www.facebook.com/photo.php?fbid=573370819438602&set=a.127113680730987.23322.100002970679053&type=3&theater
    Orgulho (Virgínia Vitorino, 1898, Alcobaça - 1969, Lisboa)

    És orgulhoso e altivo.Também eu.
    Nem sei bem qual de nós o será mais.
    As nossas duas forças são rivais.
    Se é grande o teu poder, maior é o meu.

    Tão alto anda este orgulho! Toca o céu.
    Nem eu quebro, nem tu. Somos iguais.
    Cremo-nos inimigos. Como tais,
    nenhum de nós ainda se rendeu.

    Ontem, quando nos vimos, frente a frente,
    fingiste bem esse ar indiferente,
    e eu, desdenhosa, ri sem descorar...

    Mas que lágrimas devo àquele riso!
    E quanto, quanto esforço foi preciso
    para, na tua frente, não chorar!
    ***
    Postei em

    23/09/2009


    É de ir à Exposição de 26Set a 20 Nov 2009.Galeria Temp. Mosteiro de Alcobaça

    Exposição de vivências de Florbela Espanca e Virgínia Victorino

    “FACE A FACE” – Florbela Espanca e Virgínia Victorino é a exposição que está patente na Galeria de Exposições Temporária do Mosteiro de Alcobaça de 26 de Setembro a 20 de Novembro. Uma exposição que tem como finalidade apresentar as duas poetisas através da fotografia bibliográfica e de objectos pessoais, tendo como particularidade o facto de Virgínia Victorino ser natural de Alcobaça. Jorge Pereira de Sampaio, Técnico Superior do IGESPAR e Doutorado em História – variante de História de Arte pela Universidade de Lisboa é o Comissário da Exposição. Uma organização da Câmara Municipal de Alcobaça em parceria com o IGESPAR.

    A inauguração aconteceu a 26 de Setembro. Veja algumas fotos que ilustram o acontecimento.
    Horário: Todos os dias das 10h00 às 17h00 Entrada Livre.

    belas fotos da exposição em:
    e em
    ......................
    respiguei em 3 Nov 2009 do www.tintafresca.net

    Galeria de Exposições do Mosteiro de Alcobaça


    Virgínia Victorino e Florbela Espanca: melancolia e glória na vida e na morte
    “Face a Face” – Florbela Espanca e Virgínia Victorino é a
    Jorge Pereira de Sampaio, Mónica Batista e José Guilherme Victorino
    exposição que está patente na Galeria de Exposições Temporária do Mosteiro de Alcobaça até ao dia 20 de Novembro.
    Uma exposição que tem como finalidade apresentar as duas grandes poetisas da primeira metade do século XX, através da fotografia bibliográfica e de objectos pessoais.
    O Tinta Fresca ouviu a propósito, no dia da inauguração, José Guilherme Victorino, sobrinho-neto da poetisa de Alcobaça e Jorge Pereira de Sampaio, comissário desta exposição, técnico superior do IGESPAR e Doutorado em História – variante de História de Arte pela Universidade de Lisboa.
    Uma organização da Câmara Municipal de Alcobaça em parceria com o IGESPAR.
    Jorge Pereira de Sampaio admitiu ao Tinta Fresca não haver nenhuma relação directa entre Florbela Espanca (1894-1930) e Virgínia Victorino (1895-1967) que, provavelmente, nunca se terão conhecido fisicamente.
    Apesar de nascerem na mesma época e em pequenas cidades históricas - Alcobaça e Vila Viçosa - seguiram um percurso completamente antagónico.
    Virgínia Victorino vai para Lisboa estudar no Conservatório e consegue brilhar em todas as áreas em que intervém: estudou e ficou a dar aulas no Conservatório Nacional, onde foi uma professora notável e aclamada. Mais tarde, trabalhou na Emissora Nacional, onde foi uma brilhante directora do Teatro Radiofónico, além de ter sido a poetiza que mais vendeu em Portugal nos anos 20. O seu primeiro livro, “Namorados”, fez 12 edições em Portugal e duas no Brasil.
    Curiosamente, ainda há cerca de 4 anos a Academia Mineira de Letras, no Brasil, organizou uma sessão de homenagem a Virgínia Victorino.
    A poetisa foi condecorada em Portugal com a Ordem de Cristo (1929) e com o Colar de Santiago de Espada (1932) e em Espanha, com a Cruz de Afonso XII. Recebeu ainda o Prémio do Secretariado Nacional de Informação (SNI), com uma das peças de teatro.
    Primeiro, Virgínia dedicou-se à poesia depois à dramaturgia.
    As seis peças de que foi autora foram êxitos absolutamente retumbantes, de tal modo que numa delas, “Camaradas”, recebeu até o Prémio Gil Vicente.
    Jorge Pereira de Sampaio admitiu que Virgínia Victorino teve uma ligação muito grande ao Dr Oliveira Salazar, “essencialmente de estima e admiração mútua”, comprovada até pela correspondência existente entre ambos.
    Pelo contrário, “Florbela é muito depressiva e vê-se nos seus poemas que ela própria atrai uma certa negatividade e acaba por se suicidar.
    A Virgínia Vitorino é o contrário, retira-se quando entende que se quer retirar, mas, no fundo, tudo em que toca acaba por transformar-se em ouro em proveito dela própria. Hoje em dia é muito menos falada e até há gente que não sabe quem é.
    Para a recordar não basta ter o seu nome numa rua de Alcobaça e outra de Lisboa, ou ter sido feita uma exposição na Biblioteca Nacional há uma dúzia de anos.
    Eu tenho uma biografia com carácter de fotobiografia a ser editada no início do próximo ano e espero que Alcobaça aproveite a ocasião para a conhecer melhor.”
    José Guilherme Victorino, sobrinho-neto de Virgínia Victorino: "Virgínia Victorino foi uma mulher do seu tempo" 
    José Guilherme Victorino, sobrinho-neto de Virgínia Victorino e Professor da Universidade Autónoma, com Doutoramento sobre “A Imagem no Estado Novo”, revelou ao Tinta Fresca que o seu pai, Álvaro Victorino, foi o herdeiro universal da poetisa alcobacense, sendo uma grande parte das peças desta exposição pertencentes a esse espólio.
    TINTA FRESCA- Como caracteriza Virgínia Victorino, no contexto da sua época?
    JOSÉ GUILHERME VICTORINO- “A minha tia foi uma pessoa extraordinariamente retratada porque era uma mulher particularmente bonita, obedecia a um cânone de beleza que não era na altura muito convencional. Virgínia Victorino foi realmente muito requisitada por uma série de artistas portugueses e, graças a Deus, a maior parte dessas obras, sejam as caricaturas ou os retratos a óleo, excepto um que se perdeu por estar em más condições, correspondem ao cerne fundamental desse acervo”, explicou.Por outro lado, “Virgínia Victorino foi uma mulher do seu tempo, viajou muito, tinha uma curiosidade absolutamente insaciável e, portanto, estava o mais na berra possível nesta altura, o que não é estranho ao facto de ser muito lida, pois obedece ainda a um determinado tipo de convencionalismo a nível da poesia. É uma poesia muito tradicional, mas que já tem um lestro com alguma modernidade nalguns poemas. Mais tarde revelou-se como dramaturga, que provavelmente, obedeceria também a uma forma de estar que, possivelmente, se poderia traduzir no facto de poder ter sido uma grande actriz. Júlia Lello, que fez uma tese de mestrado sobre o teatro de Virgínia Vitorino, diz precisamente isso. Quem a conheceu no seu apogeu diz que era uma pessoa que tinha um peso algo dramático, um certo gravitas, como dizem os ingleses, e isso possivelmente poderia ter feito dela também uma grande actriz do teatro português. Foi muito amiga de Amélia Rey Colaço e viu levadas à cena algumas das suas primeiras peças pelo Teatro Nacional - companhia de Amélia Rey Colaço /Robles Monteiro que tiveram muito sucesso. Algumas mais polémicas, uma delas com grande conteúdo político, que teria sido encomendada pelo próprio António Ferro, que fazia parte das suas relações directas porque era muito amiga da Fernanda de Castro, que veio a casar com António Ferro. 
    TINTA FRESCA- Que papel teve Alcobaça na vida de Virgínia Victorino?
    JOSÉ GUILHERME VICTORINO- Virgínia Vitorino saiu de Alcobaça muito nova, com a sua madrinha Virgínia Ferreira, uma senhora que tinha um nível de vida bastante elevado para a época e que descobriu em Virgínia Vitorino um talento formidável tanto para a área musical como para a poesia. A partir dos anos 16/17, quando lançou o “Apaixonadamente” foi uma verdadeira pedrada no charco, teve várias edições e foi o seu livro que mais se vendeu.Ficou muito mais tempo por Lisboa do que era suposto, tirou o curso superior de Canto e Piano do Conservatório Nacional, onde ficou instalada. Começou imediatamente a escrever e a publicar. Alcobaça passou a ser a terra onde ela vinha quase como se viesse em romaria, com uma série de amigos escritores, poetas, pintoras, como a irmã do Tomás Ribeiro Colaço, a Aninhas Colaço, pintora e escultora, uma grande modernista da altura. Vinham ver a terra dos seus antepassados, privar um pouco com a família que tinha em Alcobaça, que possuía uma loja formidável: alugava bicicletas, era uma espécie de estanque de tabaco, de vinhos, aquelas lojas que tinham várias coisas ao mesmo tempo. Há várias fotografias muito curiosas desse período em que ela vem nitidamente recordar essas memórias de afectos, em que, de repente, a província é descoberta por esta geração de artistas como uma espécie de paraíso perdido. Nessa altura também estão eivados de um nacionalismo algo exacerbado e Virgínia tinha simpatias integralistas. Era uma pessoa que tinha uma grande admiração por alguns sectores muito próximos daquilo que seria algumas tendências de reposição da monarquia. Mais tarde privou com a Rainha D. Amélia no exílio, através de uma grande amiga, D. Olga Morais Sarmento, aqui retratada nesta exposição. Na altura, pertencia àquele conjunto de portugueses que por terem mais vida lá fora do que em Portugal tinha uma placa giratória de conhecimentos e influências que fez com que a minha tia começasse a ter uma expressão muito grande. O meu pai ainda preservou uma série de autógrafos de artistas como o Maurice Ravel, Ramon de Lacerda,Vianna da Mota, Manuel de Falla, Gabriel D’Annunzio, uma série de pessoas que nessa altura faziam furor na Europa e que ela teve o privilégio de conhecer no estrangeiro. Ela fazia essas viagens de viatura durante o Verão. Olga Morais Sarmento tinha uma casa em Paris, outra em Hendaya, elas saíam daqui no Sud Express e ficavam lá uns meses. Por outro lado, toda a parte epistolar entre ela e as pessoas que ficavam em Lisboa era absolutamente formidável: ela recebe notícias e transmite notícias e, se hoje nós fazemos parte deste mundo global, estamos à distância de um clique, como costumamos dizer, nessa altura era completamente diferente, mas já havia pessoas que estavam dentro deste registo. O que acho mais fantástico é que, num curto espaço de tempo, ela teve acesso a muitas coisas.
    TINTA FRESCA- Como e onde morreu Virgínia Victorino?
    JOSÉ GUILHERME VICTORINO- A determinada altura, não sabemos bem porquê, teve um break down e morreu bastante infeliz. Começou a evitar as pessoas, foi para casa de uma amiga, a Manuela Lima de Carvalho, que tinha uma propriedade nas Caldas da Rainha, onde ela ficou até ao final dos seus dias, numa espécie de retiro espiritual. Um dos últimos comentários jornalísticos são precisamente de repórteres que dizem “que saudades de ver a Virgínia Vitorino a descer a Rua do Carmo e a Rua Garrett, com o seu ar seráfico, botas altas, parece que tinha um grande impacto nessa Lisboa do antigamente. Nesse artigo, é muito curioso que se interroga o repórter: “O que será feito da Virgínia Vitorino nesta altura da mini-saia, da falta de graça, em que as pessoas já não têm o gosto que tinham?”, numa perspectiva também muito saudosista. Percebe-se perfeitamente que é já uma geração que, nos anos 50, nomeadamente, sofre todo o desencanto que algum pós-Guerra também trouxe e, Portugal não é excepção, naquela fase mais tristonha do salazarismo. Virgínia Victorino, na realidade, desapareceu dos holofotes e veio a morrer, sozinha. Tinha uma magnífica casa em Lisboa, na Rua das Flores, mas nem sequer já ia a casa quando vinha a Lisboa e morreu no Hotel Borges, por cima do café “A Brasileira”. Ela tinha as criadas em Lisboa e uma casa com dois andares. Quando era miúdo, lembro-me perfeitamente que uma das coisas a que mais achava graça era o elevador de comida, que vinha da cozinha à casa de jantar. Era uma casa formidável em pleno Largo Barão de Quintela, em frente à casa do Eça de Queirós, mas quando vinha a Lisboa ficava no Hotel Borges. Realmente, foi um corte cerce com todas as suas referências, nunca se percebeu muito bem porquê e, portanto, foi uma artista que até ao fim da sua vida deixou preservar um certo mistério porque era uma pessoa que tinha uma vida pessoal a que poucos dos seus mais directos amigos tinham acesso. Era uma pessoa que tinha o condão da preservação da sua vida extremamente cuidado, era uma pessoa extraordinariamente recatada em relação a determinadas coisas, do ponto de vista prático e sentimental. No final da vida, parece que entrou numa espécie de exílio que nunca se soube muito bem explicar, mas isso é uma áurea que permanece e que confesso, até lhe dá um certo mistério. 
    TINTA FRESCA- Como foi o relacionamento de Virgínia Victorino com Florbela Espanca?
    JOSÉ GUILHERME VICTORINO- Nós não sabemos até que ponto se chegaram a conhecer. Ela tem um comentário muito bonito relativamente à Florbela Espanca, numa efeméride após a sua morte. Não podemos esquecer que a minha tia estava no seu apogeu, já vendia mais edições no Brasil que em Portugal e a Florbela Espanca era ainda praticamente uma desconhecida. A Florbela só começa a ser verdadeiramente conhecida, nomeadamente, por parte de alguns que sentiram que ela tinha um lestro verdadeiramente inovador e que começaram pouco a pouco a escrever nos jornais. Nomeadamente, António Ferro que disse, no Diário de Notícias, que (Florbela Espanca) era um dos segredos mais bem guardados da poesia portuguesa. Existe esse desnível temporal, no sentido em que Virgínia Vitorino já era uma das maiores poetisas portuguesas, era mesmo considerada a poetisa nacional por excelência, representante dessa geração de mulheres, enquanto a Florbela Espanca, como dizia o António Ferro, ainda era um segredo bem guardado. Portanto, não são absolutamente contemporâneas, nomeadamente, ao nível da sua notoriedade artística, mas são absolutamente contemporâneas em termos da vida que levavam. E têm muitas coisas parecidas, eram pessoas que tinham vidas muito apaixonadas, eram pessoas muito vibráteis relativamente àquilo que a vida tinha de bom para lhes dar e realmente foram também infelizes no final. Florbela Espanca não teve o acesso à mesma fama, por também estar mais recatada no interior do País, teve aquela paixão funesta que tudo leva a crer que seria uma representação do próprio pai, através do seu irmão Apeles Espanca. A Florbela é, em termos quase melodramáticos, uma poetisa que cativou imenso uma determinada geração precisamente por esse gesto dorido, muito magoado, mas é uma pessoa que só mais tarde foi verdadeiramente descoberta. É uma poetisa que só postumamente acabou por ter o reconhecimento que lhe foi concedido e que curiosamente acabou por ultrapassar a Virgínia Vitorino que, há meia dúzia de anos, era uma pessoa completamente esquecida, ninguém sabia quem era. Graças ao Jorge Pereira de Sampaio, o fã nº1 da Virgínia Vitorino, tem pouco a pouco renascido com este tipo de iniciativas que a nós, família, nos deixa encantados. Nós aprendemos muito também à custa da minha tia, não propriamente pela experiência do dia-a-dia, porque éramos muito miúdos, ela morreu em 1968, eu nasci em 1959. Nós convivemos com a Virgínia Vitorino após o casamento do meu pai em segundas núpcias, pois o meu pai enviuvou e casou com a minha mãe. Houve diversos contactos, mas o que ficou verdadeiramente desta experiência é todo um dia-a-dia, ao longo de anos a fio, a vivermos numa casa recheada de memórias da tia Virgínia. Nós ainda descobrimos coisas - a minha tia tinha um critério de arrumação absolutamente britânico, era das pessoas mais obcecadas pela arrumação - e nós, de vez em quando, no meio de determinadas coisas ainda damos com inéditos no meio de umas cartas. Ainda há pouco uma senhora nos disse que um dos poemas que está exposto corresponde a uma música brasileira que também foi cantada pela Mara Abrantes. Portanto, para nós, esse repositório de memórias ainda está muito presente e há sempre mais uma edição ou uma carta para descobrir.
    TINTA FRESCA- A família ainda possui a casa da poetisa?
    JOSÉ GUILHERME VICTORINO- A casa da Virgínia Vitorio precisava de obras, era uma casa pombalina, lindíssima, foi pena não termos ficado lá, mas mudámos para uma casa nas avenidas novas com 14 divisões. Tinha de ter porque o meu pai não se quis desfazer de nada, fosse um objecto pessoal ou um livro. Hoje já vivemos noutra casa bastante mais pequena, mas mantivemos as coisas principais e alugámos de propósito uma arrecadação para poder ter acesso a coisas que quando é necessário podem ajudar a construir exposições tão interessantes como esta. Por exemplo, nessa altura ela gravou com o maestro Francisco Lacerda discos que nós ainda tocamos na grafonola de origem. São músicas tradicionais portuguesas e, de repente, começamos a ouvir a estupenda voz de contralto dela.
    Retrato de Virgínia Victorino
    TINTA FRESCA- Como comenta o facto de Alcobaça não ter nenhum edifício público com o nome de Virgínia Victorino?
    JOSÉ GUILHERME VICTORINO- Tenho muita pena que Alcobaça não tenha nenhum edifício público com o nome de Virgínia Vitorino. Sei que houve um Teatro Virgínia Victorino em Cabo Verde, na cidade da Praia. É uma pena que a cidade não nenhuma nenhum equipamento cultural com o seu nome, podia ser uma biblioteca, podia ser um jardim, nem sequer tem um pequeno monumento. Virgínia Vitorino tem um busto lindíssimo, foi pena o Museu do Teatro não ter podido ceder a peça para esta exposição, de um grande escultor português da altura chamado António da Costa, que fez um dos melhores monumentos ao Marechal Carmona. Mas eu creio que estará para breve, pois os alcobacenses começaram a descobrir e não apenas uma dramaturga desconhecida. Sobretudo as gerações mais novas devem ficar surpreendidíssimas porque é um repositório fantástico.
    TINTA FRESCA- A exposição tem condições para iniciar uma itinerância, passando, nomeadamente, por Lisboa e Vila Viçosa, a terra de Florbela Espanca?
    JOSÉ GUILHERME VICTORINO- Esta exposição podia perfeitamente ficar em Lisboa e tenho a certeza absoluta que seria uma sensação absoluta. Manuela Rego, filha do grande republicano Raul Rego, uma das maiores especialistas da literatura feminina desta época, que esteve presente nesta inauguração, escreveu no catálogo, quando nós cedemos o espólio à Biblioteca Nacional, que existem condições mais do que suficientes para fazer uma exposição em Lisboa sobre Virgínia Victorino.
    Horário: Todos os dias das 10h00 às 17h00De 26 de Setembro a 20 de Novembro
    Entrada Livre.
    Mário Lopes