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Temos um exemplar de "O Céu na Boca" e de "Espécie de Amor" autografados pelo Pedro Paixãopara oferecer!
Para tal, basta fazer uma partilha pública desta imagem até dia 20 de Julho, com a indicação de qual dos livros pretende.
ATENÇÃO: apenas é possível concorrer a um dos livros, sendo que vai haver mais passatempos no futuro.
O vencedor será apurado através do site Random.org e anunciado no dia 25 de Julho.
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Via página do autor
https://www.facebook.com/pedropaixaoescritor
“Já não se pode fumar em nenhum lado. O desamor é bem mais devastador, e no entanto não é proibido.”
— A Rapariga Errada
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Ser inteligente, vistas bem as coisas, já é um péssimo negócio, ser um génio, criar mundos que não existem senão no espírito e para o espírito é o fim do mundo. Eu vi com os meus olhos, embora não seja uma coisa que se possa reconhecer com os olhos, o que é ser um génio. Uma catástrofe.
— Espécie de Amor
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"Estavam apaixonados um pelo outro. Não sabiam quando isso lhes tinha acontecido, ou como ou porquê. Ou sabiam ambos que isso lhes tinha acontecido desde o primeiro instante em que tinham sabido um do outro, ou mesmo um pouco antes, que era fatal, que mais nada tinha qualquer sentido. Que no princípio e no fim de qualquer hora, de qualquer trajecto, argumento, sonho ou pesadelo se encontravam um ao outro, voltavam a estar eles, só eles. Por isso ficavam horas agarrados ao telefone, febris, sussurrando, mudando o auscultador de um ouvido para o outro, como se fosse à própria alma que se agarrassem.
— Náufragos, Quase gosto da vida que levo
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Demasiados anos tentei ser professor. Ainda é relativamente fácil escolher uma entre múltiplas marcas de iogurte, mas não escolhemos a língua onde nascemos, nem a pessoa que nos assalta a vida. Cedo descobri um estratagema que me aliviava o esforço e a ansiedade de falar para um conjunto de seres que me olhavam sem eu poder adivinhar o que lhes ia pela cabeça.
— O Céu na Boca
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«Alguém me disse que te ias embora, mas não era ir e voltar a seguir. Levavas na mão uma mala de viagem e estavas com ar de quem sabia muito bem para onde ir. Não aguentei e fui à tua procura. Ganhei coragem, respirei fundo, e puxei-te para um canto. Tu vais para onde? Respondeste-me o que eu já esperava ouvir: Tu sabes para onde vou, já devia ter ido há mais tempo. Sem me conseguir reprimir, os meus olhos cobriram-se de lágrimas perturbando a paisagem. Agarrei-me a ti, e, com medo de te perguntar com quem ias, consegui dizer: Vais com ela? Vou. Abraçaste-me e ficámos assim fotografados no tempo. Estavas pronta para ir quando te pedi que ficasses. Respondeste: Não é agora que consigo fazer o que antes não fiz. Deixei-me escorregar pela parede, as pernas a tremer, perdidas as forças que me mantinham em pé. Chorei, chorei tanto. Tu agarraste-me outra vez, olhaste-me nos olhos, encostaste-te a mim e beijámo-nos. Talvez tenha sido este o beijo que não demos na despedida que não tivemos. Eu tinha o coração na boca. Continuava a chorar.
Voltaste a abraçar-me e ordenaste: Acalma-te. Eu ainda aqui estou.
Eu ainda não parti.»
in "Sobre a vida das Sereias"
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Toda a gente sabe que a arte é uma forma de magia. O que ninguém sabe é o que é a magia. Torna presente o que está ausente, sem que se saiba como. Acontecem coisas sem que se compreenda porque acontecem e, precisamente, o que menos interessa é saber ou compreender. Fascina e arrepia.
in Cala a minha boca com a tua — comMarlene Spinelli.
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Eu disse: Agarra a minha mão. Por favor agarra a minha mão com a tua. Antes de te olhar, antes de descobrir a tua cara, os teus olhos, a tua perplexidade, antes de te olhar pela primeira vez, antes de te olhar, antes de mais nada, agarra a minha mão. Recebe a minha mão. Dá-me a tua mão.
E tu não hesitaste e não perguntaste e não analisaste e não fizeste contas à vida. Sorriste só. A minha mão esquerda e a tua mão direita. Duas mãos segurando-se uma à outra. Duas mãos a dançar. A tua mão grande, os dedos compridos, esguios, firmes, a agarrarem a minha mão com força, a pegarem e a largarem e a apertarem outra vez e a fazerem vibrar todos os nervos do meu corpo e a darem mil voltas por trás e pela frente e pelos lados, os teus dedos entrelaçados com os meus, a abraçarem, a colarem as nossas mãos.
E depois, as mãos soltas e os dedos a desbravarem os secretos caminhos entre as linhas da vida nas palmas das mãos e os braços e os antebraços nus a acompanharem a dança. São precisos dois para dançar o tango. Não era uma valsa, não. Era um tango. Um tango argentino dançado na perfeição pelas mãos de dois desconhecidos. Sem palavra alguma. Nenhuma era precisa. Duas mãos a dançar. Dois estranhos segurando-se pelas mãos. Duas mãos a fazerem amor. As mãos de dois estranhos faziam amor. As mãos faziam amor. Faziam o amor.
in Mãos, Asfixia
(imagem: Benoit Courti)
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