06/07/2014

8.381.(6jul2014.10.55') Matilde Rosa Araújo

Nasceu a 20jun1921
e morreu a 6jul2010
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http://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=76
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Adriano Correia de Oliveira cantou 
Cantar para um Pastor
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http://www.wook.pt/authors/detail/id/2069
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QUARTA-FEIRA, 7 DE JULHO DE 2010


Os Direitos da Criança - Matilde Rosa Araújo


I

A criança,

Toda a criança.

Seja de que raça for,

Seja negra, branca, vermelha, amarela,

Seja rapariga ou rapaz.

Fale que língua falar

Acredite no que acreditar,

Pense no que pensar,

Tenha nascido seja onde for,

Ela tem direito…

II

… A pensar para o homem a

razão primeira da sua luta.

O homem vai proteger a criança

Com leis, ternura, cuidados

Que a tornem livre, feliz

Quem pode deixar crescer

Livremente o coração

E o pensamento.

Este nascer e crescer e viver assim

Chama-se dignidade.

E em dignidade vamos

Querer que a criança

Nasça,

Cresça,

Viva…

III

… E a criança nasce

E deve ter um nome

Que deseja o sinal dessa dignidade.

Ao Sol chamamos Sol

E à Vida chamamos Vida,

Uma criança terá o seu nome também.

E ela nasce numa terra determinada

Que a deve proteger,

Chamamos Pátria a essa terra,

Mas chamemos-lhes antes

Mundo…

IV

… E nesse Mundo ela vai crescer.

Já sua mãe teve o direito

A toda a assistência que assegura um nascer perfeito.

E, depois, a criança nascida,

Depois da hora radial do parto,

A criança deverá receber

Amor,

Alimentação

Casa,

Cuidados médicos,

O amor sereno de mãe e pai.

Ela vai poder

Rir,

Brincar,

Crescer,

Aprender a ser feliz…

V

… Mas há crianças que nascem imperfeitas

e tudo devemos fazer para que isso não aconteça.

Vamos dar a essas crianças um amor maior ainda.

VI

E a criança nasceu

E vai desabrochar como

Uma flor,

Uma árvore,

Um pássaro,

E

Uma flor,

Uma árvore,

Um pássaro

Precisam de amor - a seiva da terra, a luz do Sol.

De quanto amor a criança não precisará?

De quanta segurança?

Os pais e todo o Mundo que rodeia a criança

Vão participar na aventura

De uma vida que nasceu.

Maravilhosa aventura!

Mas se a criança não tem família?

Ela tê-la-á, sempre: numa sociedade justa

Todos terão sua família:

Nunca mais haverá uma criança só,

Infância nunca será solidão.

VII

E a criança vai aprender a crescer.

Todos temos de a ajudar!

Todos!

Os pais, a escola, todos nós!

E vamos ajudá-la a descobrir-se

A si própria

E os outros.

Descobrir o seu mundo,

A sua força,

O seu amor,

Ela vai aprender a viver

Com ela própria

E com os outros:

Vai aprender a fraternidade,

A fazer fraternidade,

Isto chama-se educar,

Saber isto é aprender a ensinar.

VIII

Em situação de perigo

A criança, mais do que nunca,

Está sempre em primeiro lugar…

Será o Sol que não se apaga

Com o nosso medo,

Com a nossa indeferença:

A criança apaga, por si só,

Medo e indiferença das nossas frontes…

IX

A criança é um mundo

Precioso

Raro.

Que ninguém a roube,

A negocie,

A explore

Sob qualquer pretexto.

Que ninguém se aproveite

Do trabalho da criança

Para seu próprio proveito.

São livres e frágeis as suas mãos.

Hoje:

Se as não magoarmos

Elas poderão continuar

Livres

E ser a força do Mundo

Mesmo que frágeis continuem…

X

A criança deve ser respeitada

Em suma,

Na dignidade do seu nascer,

Do seu crescer,

Do seu viver.

Quem amar verdadeiramente a criança

Não poderá deixar de ser fraterno:

Uma criança não conhece fronteiras,

Nem raças,

Nem classes sociais:

Ela é o sinal mais vivo do amor,

Embora, por vezes, nos possa parecer cruel.

Frágil e forte, ao mesmo tempo.

Ela é sempre a mão da própria vida

Que nos estende,

Nos segura

E nos diz

Sê digno de viver!

Olha em frente!
http://estorias-trenga.blogspot.pt/2010/07/os-direitos-da-crianca-matilde-rosa.html
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"Eu devia ter uma pena de Luz para contar esta história. E não tenho. Mas os olhos dos meninos são luz e quem lê há-de emprestar luz às minhas palavras.
 «Ser delicado é uma maneira de ser bom. É como se déssemos flores. Os nossos gestos também são flores. 
(..) Vim pelo rio abaixo, passei as pontes douradas, passei outras pontes de pedra, fui ter ao mar e cheguei a uma praia:- era Portugal.
 Era uma vez...talvez em tempos muito antigos, talvez hoje ainda. 
(...) E viu o seu trabalho cheio de sombras, duro, sempre o mesmo. Talvez sonhasse com máquinas, sem saber mesmo que as havia. Com máquinas que lhe deixassem tempo para sorrir para o Sol. 
" Dona Balbina era uma velha. Que importa ser velha? Viveu é o que quer dizer ser velho. E a menina ri. Senta-se de novo debaixo de uma laranjeira. Tem ainda uma grinalda de flores brancas nos cabelos negros. E o livro está fechado sobre o avental de flores. O livro de poemas». «Escrevo à mão... gosto de fazer letra. Gosto de desenhar a letra. A letra tem uma beleza como a palavra tem uma música. Um dia na escola da Calçada do Combro fiz uma sessão na Biblioteca. Brincávamos com as palavras. Eu perguntava quais eram as palavras mais bonitas. E uma aluna, magrinha, com umas olheiras até aqui, voltou-se para mim e disse: A palavra mais linda é vosselência». 
In Adelina B. de Oliveira, Expresso, 10/07/2010.


http://montalvoeascinciasdonossotempo.blogspot.pt/2010/07/matilde-rosa-araujo-eu-devia-ter-uma.html
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As flores do jacarandá 


http://algarve-saibamais.blogspot.pt/2012/02/as-flores-do-jacaranda-poema-de-matilde.html
O jacarandá florido
Brando cantar trazia
Branda a viola da noite
Branda a flauta do dia

O Jacarandá florido
Brando cantar trazia
O vinho doce da noite
A água clara do dia

Quem o olhava bebia
Quem o olhava escutava
O jacarandá florido
Que o silêncio cantava
***
Menina dos olhos doces
Adormece ao meu cantar:
Tenho menina de trapos, 
Tenho uma voz de luar...


Os meus braços são da lua,
Quando ela é quarto cescente:
Dorme menina de trapos,
Meu pedacinho de gente.


Dorme minha filha triste,
Meu farrapo de menina,
Dorme, porque eu sou a nuvem
que te serve de cortina.


Menina dos olhos doces
Adormece ao meu cantar:
Tenho menina de trapos,
Tenho uma voz de luar...

Araújo, Matilde Rosa - Livro da Tila. Coimbra: Atlântida Editora, 1973, p. 23
http://ocantinhodaspalavras.blogspot.pt/2009/05/cancao-de-embalar-matilde-rosa-araujo.html ***

Bando dos Gambozinos : Canção de embalar bonequinhas pobres

Música: Fernando Lopes Graça
In: "as cançõezinhas da Tila", 1996?
(modal)
J.Joao


Menina dos olhos doces
adormece ao meu cantar:
Tenho menina de trapos,
Tenho uma voz de luar...

Os meus braços são a lua
quando ela é quarto crescente:
dorme menina de trapos,
meu pedacinho de gente.
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Bando dos Gambozinos : Pastor...Música: Fernando Lopes Graça 

In: "as cançõezinhas da Tila", 1996?

Pastor

Meu cão:
seus olhos castanhos,
tamanhos
de compreensão.

Meu cão:
seus olhos castanhos,
tamanhos
de mansidão.

Seu nome é Pastor:
seus olhos castanhos,
tamanhos
de amor.
Meu cão...
***

"Caixinha de Música"

Grilo, grilarim,
Tens um canto azul
Na noite de cetim!

Cigarra, cigarraia,
Tens um canto branco
No dia de cambraia!

Formiga, miga, miga,
Só tu cantas os nadas
Do silêncio do sol,
Das estrelas caladas...
http://vjogodasletras.blogspot.pt/2009/04/caixinha-de-musica-matilde-rosa-araujo.html
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