e morreu a 6jul2010
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http://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=76
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Adriano Correia de Oliveira cantou
Cantar para um Pastor
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http://www.wook.pt/authors/detail/id/2069
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QUARTA-FEIRA, 7 DE JULHO DE 2010
Os Direitos da Criança - Matilde Rosa Araújo

I
A criança,
Toda a criança.
Seja de que raça for,
Seja negra, branca, vermelha, amarela,
Seja rapariga ou rapaz.
Fale que língua falar
Acredite no que acreditar,
Pense no que pensar,
Tenha nascido seja onde for,
Ela tem direito…
II
… A pensar para o homem a
razão primeira da sua luta.
O homem vai proteger a criança
Com leis, ternura, cuidados
Que a tornem livre, feliz
Quem pode deixar crescer
Livremente o coração
E o pensamento.
Este nascer e crescer e viver assim
Chama-se dignidade.
E em dignidade vamos
Querer que a criança
Nasça,
Cresça,
Viva…
III
… E a criança nasce
E deve ter um nome
Que deseja o sinal dessa dignidade.
Ao Sol chamamos Sol
E à Vida chamamos Vida,
Uma criança terá o seu nome também.
E ela nasce numa terra determinada
Que a deve proteger,
Chamamos Pátria a essa terra,
Mas chamemos-lhes antes
Mundo…
IV
… E nesse Mundo ela vai crescer.
Já sua mãe teve o direito
A toda a assistência que assegura um nascer perfeito.
E, depois, a criança nascida,
Depois da hora radial do parto,
A criança deverá receber
Amor,
Alimentação
Casa,
Cuidados médicos,
O amor sereno de mãe e pai.
Ela vai poder
Rir,
Brincar,
Crescer,
Aprender a ser feliz…
V
… Mas há crianças que nascem imperfeitas
e tudo devemos fazer para que isso não aconteça.
Vamos dar a essas crianças um amor maior ainda.
VI
E a criança nasceu
E vai desabrochar como
Uma flor,
Uma árvore,
Um pássaro,
E
Uma flor,
Uma árvore,
Um pássaro
Precisam de amor - a seiva da terra, a luz do Sol.
De quanto amor a criança não precisará?
De quanta segurança?
Os pais e todo o Mundo que rodeia a criança
Vão participar na aventura
De uma vida que nasceu.
Maravilhosa aventura!
Mas se a criança não tem família?
Ela tê-la-á, sempre: numa sociedade justa
Todos terão sua família:
Nunca mais haverá uma criança só,
Infância nunca será solidão.
VII
E a criança vai aprender a crescer.
Todos temos de a ajudar!
Todos!
Os pais, a escola, todos nós!
E vamos ajudá-la a descobrir-se
A si própria
E os outros.
Descobrir o seu mundo,
A sua força,
O seu amor,
Ela vai aprender a viver
Com ela própria
E com os outros:
Vai aprender a fraternidade,
A fazer fraternidade,
Isto chama-se educar,
Saber isto é aprender a ensinar.
VIII
Em situação de perigo
A criança, mais do que nunca,
Está sempre em primeiro lugar…
Será o Sol que não se apaga
Com o nosso medo,
Com a nossa indeferença:
A criança apaga, por si só,
Medo e indiferença das nossas frontes…
IX
A criança é um mundo
Precioso
Raro.
Que ninguém a roube,
A negocie,
A explore
Sob qualquer pretexto.
Que ninguém se aproveite
Do trabalho da criança
Para seu próprio proveito.
São livres e frágeis as suas mãos.
Hoje:
Se as não magoarmos
Elas poderão continuar
Livres
E ser a força do Mundo
Mesmo que frágeis continuem…
X
A criança deve ser respeitada
Em suma,
Na dignidade do seu nascer,
Do seu crescer,
Do seu viver.
Quem amar verdadeiramente a criança
Não poderá deixar de ser fraterno:
Uma criança não conhece fronteiras,
Nem raças,
Nem classes sociais:
Ela é o sinal mais vivo do amor,
Embora, por vezes, nos possa parecer cruel.
Frágil e forte, ao mesmo tempo.
Ela é sempre a mão da própria vida
Que nos estende,
Nos segura
E nos diz
Sê digno de viver!
Olha em frente!
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"Eu devia ter uma pena de Luz para contar esta história. E não tenho. Mas os olhos dos meninos são luz e quem lê há-de emprestar luz às minhas palavras.
«Ser delicado é uma maneira de ser bom. É como se déssemos flores. Os nossos gestos também são flores.
(..) Vim pelo rio abaixo, passei as pontes douradas, passei outras pontes de pedra, fui ter ao mar e cheguei a uma praia:- era Portugal.
Era uma vez...talvez em tempos muito antigos, talvez hoje ainda.
(...) E viu o seu trabalho cheio de sombras, duro, sempre o mesmo. Talvez sonhasse com máquinas, sem saber mesmo que as havia. Com máquinas que lhe deixassem tempo para sorrir para o Sol.
" Dona Balbina era uma velha. Que importa ser velha? Viveu é o que quer dizer ser velho. E a menina ri. Senta-se de novo debaixo de uma laranjeira. Tem ainda uma grinalda de flores brancas nos cabelos negros. E o livro está fechado sobre o avental de flores. O livro de poemas». «Escrevo à mão... gosto de fazer letra. Gosto de desenhar a letra. A letra tem uma beleza como a palavra tem uma música. Um dia na escola da Calçada do Combro fiz uma sessão na Biblioteca. Brincávamos com as palavras. Eu perguntava quais eram as palavras mais bonitas. E uma aluna, magrinha, com umas olheiras até aqui, voltou-se para mim e disse: A palavra mais linda é vosselência».
In Adelina B. de Oliveira, Expresso, 10/07/2010.

http://montalvoeascinciasdonossotempo.blogspot.pt/2010/07/matilde-rosa-araujo-eu-devia-ter-uma.html
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As flores do jacarandá

http://algarve-saibamais.blogspot.pt/2012/02/as-flores-do-jacaranda-poema-de-matilde.html
O jacarandá florido
Brando cantar trazia
Branda a viola da noite
Branda a flauta do dia
O Jacarandá florido
Brando cantar trazia
O vinho doce da noite
A água clara do dia
Quem o olhava bebia
Quem o olhava escutava
O jacarandá florido
Que o silêncio cantava
***Menina dos olhos doces
Adormece ao meu cantar:
Tenho menina de trapos,
Tenho uma voz de luar...
Os meus braços são da lua,
Quando ela é quarto cescente:
Dorme menina de trapos,
Meu pedacinho de gente.
Dorme minha filha triste,
Meu farrapo de menina,
Dorme, porque eu sou a nuvem
que te serve de cortina.
Menina dos olhos doces
Adormece ao meu cantar:
Tenho menina de trapos,
Tenho uma voz de luar...
Araújo, Matilde Rosa - Livro da Tila. Coimbra: Atlântida Editora, 1973, p. 23
http://ocantinhodaspalavras.blogspot.pt/2009/05/cancao-de-embalar-matilde-rosa-araujo.html ***
Bando dos Gambozinos : Canção de embalar bonequinhas pobres
Música: Fernando Lopes GraçaIn: "as cançõezinhas da Tila", 1996?
(modal)J.Joao
Menina dos olhos doces***
adormece ao meu cantar:
Tenho menina de trapos,
Tenho uma voz de luar...
Os meus braços são a lua
quando ela é quarto crescente:
dorme menina de trapos,
meu pedacinho de gente.
Bando dos Gambozinos : Pastor...Música: Fernando Lopes Graça
In: "as cançõezinhas da Tila", 1996?
PastorMeu cão:
seus olhos castanhos,
tamanhos
de compreensão.
Meu cão:
seus olhos castanhos,
tamanhos
de mansidão.
Seu nome é Pastor:
seus olhos castanhos,
tamanhos
de amor.
Meu cão...
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"Caixinha de Música"
Grilo, grilarim,
Tens um canto azul
Na noite de cetim!
Cigarra, cigarraia,
Tens um canto branco
No dia de cambraia!
Formiga, miga, miga,
Só tu cantas os nadas
Do silêncio do sol,
Das estrelas caladas...
http://vjogodasletras.blogspot.pt/2009/04/caixinha-de-musica-matilde-rosa-araujo.htmlTens um canto azul
Na noite de cetim!
Cigarra, cigarraia,
Tens um canto branco
No dia de cambraia!
Formiga, miga, miga,
Só tu cantas os nadas
Do silêncio do sol,
Das estrelas caladas...
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