02/07/2014

8.387.(2jul2014.18.54') Como s'engana com os números do desemprego. Eugénio Rosa esclarece.

estudo completo do camarada EugénioRosa:

aqui:
http://nblo.gs/Y7pbV

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(extracto de uma sua publicação)
(…) Em Abril de 2014, segundo o IEFP (Instituto de Emprego e Formação Profissional), 30.193 estavam em "trabalho socialmente necessário, 92.376 estavam "ocupados" em acções de formação e 39.299 em estágios profissionais, o que dá 161.868. Se estes desempregados, por estarem na situação de "ocupados", não forem considerados nas estatísticas oficiais como desempregados, o desemprego oficial em Portugal baixa significativamente.
(…) Se incluirmos os desempregados "ocupados" a taxa de desemprego no lugar de diminuir, como acontece com a taxa oficial, até aumenta nos últimos três trimestres e é superior à oficial: 3º trimestre de 2013: 17,7%; 4º trimestre de.2013: 18%; 1º trimestre de 2014: 18,2%. Se juntarmos a isto a emigração em massa de portugueses na idade mais activa por não encontrarem emprego em Portugal (só no 1º trimestre de 2014 emigraram 61,7 mil com idade até aos 34 anos), é fácil de compreender por que razão o desemprego oficial diminuiu. Por esta razão colocámos directamente esta questão ao INE. E a resposta que obtivemos foi a seguinte:
(1) Os desempregados que estejam em Contratos Emprego Inserção e Contratos Emprego Inserção+ (antigos POC) promovidos pelo IEFP são considerados como empregados;
(2) Os estagiários são também considerados como empregados (talvez seja por isso que o governo pretende diminuir o período de estágio de 12 meses para 9 meses, pois assim aumenta o seu número);
(3) Os desempregados que estejam em acções de formação profissional são considerados como desempregados ou inactivos, consoante o cumprimento dos critérios associados a cada conceito (por ex., se não tiverem procurado emprego no período de referência do inquérito, ou não estiverem disponíveis para começar a trabalhar imediatamente não são considerados desempregados).
Desta forma, transformam-se desempregados em empregados, ou desempregados deixam de ser considerados desempregados. E assim se reduz o desemprego oficial.
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Como mostram os dados do quadro, se incluirmos os desempregados “ocupados” a taxa de
desemprego no lugar de diminuir, como acontece com a taxa oficial, até aumenta nos últimos 3
trimestres e é superior à oficial: 3ºTrim.2013: 17,7%; 4ºTrim.2013: 18%; 1ºTrim.2014: 18,2%. Se
juntarmos a isto a emigração em massa de portugueses na idade mais ativa por não encontrarem
emprego em Portugal (só no 1ºTrim.2014 emigraram 61,7 mil com idade até aos 34 anos), é fácil
de compreender por que razão o desemprego oficial diminuiu. Por isso, é importante que o
Eurostat e o INE esclareçam se incluem ou não os desempregados “ocupados” nos seus números
sobre o desemprego em Portugal. O mais provável é que não. Ao manter o silêncio estão a
colaborar objetivamente com o governo na operação de manipulação da opinião pública
 Eugénio Rosa – edr2@netcabo.pt – 2.6.2014