08/07/2014

8.397.(8jul2014.8.18') Marcel Proust

Nasceu a 10jul1871
e morreu a 18nov1922
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10julho2023

Bertrand livreiros: Dia de recordar Marcel Proust (10 de julho de 1871 - 18 de novembro de 1922).
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Proust deixou uma produção marcada pela sua extensa obra Em Busca do Tempo Perdido mas Proust não é só a sua imensa obra ficcional, contos espalhados por diversas colecções de textos diversos (Os Prazeres e os dias ou ainda Pastiches et mélanges), contos e histórias de juventude e ainda os famosos contos perdidos como O Indiferente que se julgaram perdidos durante boa parte do século XX.
O Indiferente é mesmo um dos melhores exemplos da importância da ficção curta de Proust: enviado para uma revista literária que abre falência antes da publicação do conto, foi considerado perdido pelo autor e pelo mundo até ao final dos anos 70, altura em que é redescoberto.
Para surpresa dos especialistas, nas cerca de 20 páginas do conto estão patentes e condensados os grandes temas e questões levantados posteriormente em ... Tempo Perdido.https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10227488176381503&set=p.10227488176381503&type=3

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http://www.sohistoria.com.br/biografias/proust/
Em Busca do Tempo Perdido, publicado entre 1913 e 1927, em oito volumes: No Caminho de Swann, À Sombra das Raparigas em Flor, O Caminho de Guermantes (1 e 2), Sodoma e Gomorra, A Prisioneira, A Fugitiva e O Tempo Redescoberto.
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Via Maria Sobral Velez
""Havia dias ... que passavam sem nada me trazer de decisivo, sem constituírem aquele dia capital, papel que imediatamente confiava ao dia seguinte, que também não o teria; assim se desmoronavam um após outro, como vagas, esses cumes logo substituídos por outros..."
" Os lugares que conhecemos só pertencem ao mundo do espaço em que os situamos para maior facilidade. Não eram mais que uma delgada fatia por entre impressões contíguas que formavam a nossa vida de então; a recordação de uma determinada imagem não é mais que a nostalgia de um determinado instante; e as casas, as estradas, as avenidas, são infelizmente fugazes, como os anos."

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10209595849207638&set=a.3570654199601.116701.1670376265&type=3&theater
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10 de Julho de 1871: Nasce o escritor francês Marcel Proust, autor de "Em Busca do Tempo Perdido"

Romancista e crítico francês, nasceu a 10 de julho de 1871, em Auteuil, perto de Paris, e morreu a 18 de novembro de 1922, na capital francesa. Era uma criança débil e asmática mas também com uma inteligência e uma sensibilidade precoces. Até aos 35 anos movimentou-se nos círculos da sociedade parisiense. Depois da morte dos pais isolou-se no seu apartamento de Paris, onde se entregou profundamente à composição da obra-prima, A la recherche du temps perdu (Em Busca do Tempo Perdido, 1914-27). Este imenso romance autobiográfico consta de sete volumes em que expressa as suas memórias através dos caminhos do subconsciente, e é também uma preciosa reflexão da vida em França nos finais do século XIX. A obra é como a sua vida: o reencontro de duas épocas, a tradição clássica e a modernidade. Proust é considerado o precursor do romance contemporâneo.
Marcel Proust licenciou-se em Direito (1893) e Literatura (1895). Durante os anos de estudo foi influenciado pelos filósofos Henri Bergson, seu tio, e Paul Desjardins e pelo historiador Albert Sorel. Em 1896 publicou Les plaisirs et les jours (Os Prazeres e os Dias) uma coleção de versos e contos de grande valor e profundidade, muitos dos quais saíram nas revistas Le Banquet e La Revue Blanche. A revista Le Banquet (1892) foi fundada pelo próprio Marcel Proust em conjunto com amigos. É nesta altura que publica os seus primeiros trabalhos literários e biografias de pintores. Faz traduções de Ruskin, ensaia o relato romanesco da sua trajetória espiritual compondo Jean Santeuil, obra que fará silenciar por lhe parecer apressada e demasiado próxima do seu diário.
A morte do pai (1903), da mãe (1905) e de um grande amigo, empurraram-no para a solidão, mas permanece financeiramente independente e livre para escrever. Através da reflexão que desenvolve obra Contre Sainte-Beuve, composta em 1907, aproxima-se já do grande livro A la recherche du temps perdu (Em Busca do Tempo Perdido). Em 1909 priva-se de toda a vida social e quase de toda a espécie de comunicação. Em 1912 foram publicados no jornal "Le Figaro" os primeiros extratos da obra. Proust cria um trabalho grandioso, escrito na primeira pessoa. Exceção na narrativa, Un Amour de Swann (Um Amor de Swann) é a história de uma época. O mundo exterior e o mundo interior são originalmente identificados. Viajando no tempo, problematiza a modernidade e a existência maquinal a que ela nos condenou. É um trabalho realizado no reencontro de uma vida perdida e que se prolonga, por outro lado, numa metafísica sugerida, como é o caso do episódio da chávena de chá em que Proust nos quer transmitir que a realidade autêntica vive no nosso inconsciente e só uma viagem involuntária pela memória nos leva ao contacto com ela. A la recherche du temps perdu é uma história alegórica da sua vida, de onde são retirados os acontecimentos e os lugares. O autor projeta a sua própria homossexualidade nas personagens considerando-a, bem como a vaidade, o snobismo e a crueldade, o maior símbolo do pecado original.
Proust é considerado precursor da nova crítica e fundador da crítica temática. Publicou ainda em 1919 Pastiches et mélanges.
Marcel Proust. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.
Wikipedia(Imagem)


Marcel Proust em 1900
Arquivo: Marcel Proust 1887.jpg

Marcel Proust com 15 anos

Retrato de Marcel Proust  em 1892- Jacques-Emile Blanche https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2018/07/10-de-julho-de-1871-nasce-o-escritor.html
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a morte:
 https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2018/11/18-de-novembro-de-1922-morre-o-escritor.html?fbclid=IwAR2vM54cinq4v9DpphETsaEAZoixIg7WcRNTHNF_v0-P8IG6Cpz-L9Z0EAk
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Via Citador

"Os verdadeiros paraísos são os paraísos que se perderam."
"Tudo o que é grande no mundo em que vivemos provém dos neuróticos."
"A sabedoria não se transmite, é preciso que nós a descubramos fazendo uma caminhada que ninguém pode fazer em nosso lugar e que ninguém nos pode evitar, porque a sabedoria é uma maneira de ver as coisas."
"O desejo floresce, a posse faz murchar todas as coisas."
"Tudo o que foi um desejo torna-se um facto - mas quando não o desejamos mais."
"Tem-se por inocente desejar e atroz que o outro deseje."
"A viagem da descoberta consiste não em achar novas paisagens, mas em ver com novos olhos."
"A felicidade é salutar para o corpo, mas só a dor robustece o espírito."
"A felicidade é salutar para os corpos, mas é o desgosto que desenvolve as forças do espírito."
"Não é apenas a arte que põe encanto e mistério nas coisas mais insignificantes; esse mesmo poder de relacioná-las intimamente connosco é reservado também à dor."
"A ambição embriaga mais do que a glória."
"O ciúme é muitas vezes uma inquieta necessidade de tirania aplicada às coisas do amor."
"É espantoso como o ciúme, que passa o tempo a fazer pequenas suposições em falso, tem pouca imaginação quando se trata de descobrir a verdade."
"Uma vez descoberto, o ciúme passa a ser considerado por quem é objecto dele como uma desconfiança que autoriza a enganar."
"Só nos curamos de um sofrimento depois de o haver suportado até ao fim."
"Para tornar a realidade suportável, todos temos de cultivar em nós certas pequenas loucuras."
"Só se ama o que não se possui completamente."
"O amor é o espaço e o tempo tornados sensíveis ao coração."
"O amor causa verdadeiros levantamentos geológicos do pensamento."
"Para quem ama, não será a ausência a mais certa, a mais eficaz, a mais intensa, a mais indestrutível, a mais fiel das presenças ?"
"Os dias talvez sejam iguais para um relógio, mas não para um homem."
"A música pode ser o exemplo único do que poderia ter sido - se não tivesse havido a invenção da linguagem, a formação das palavras, a análise das ideias - a comunicação das almas."
"É sempre devido a um estado de espírito não destinado a durar que se tomam resoluções definitivas."
"O homem é a criatura que não pode sair de si, que só conhece os outros em si, e, dizendo o contrário, mente."
"Porque o arrependimento, como o desejo, não procura analisar-se, mas sim satisfazer-se."
"O nosso eu é edificado pela superposição de estados sucessivos. Mas essa superposição não é imutável, como a estratificação de uma montanha. Levantamentos contínuos fazem aflorar à superfície camadas antigas."
"Acontece com a velhice o mesmo que com a morte. Alguns enfrentam-nas com indiferença, não porque tenham mais coragem do que os outros, mas porque têm menos imaginação."
"O que censuro aos jornais é fazer-nos prestar atenção todos os dias a coisas insignificantes, ao passo que nós lemos três ou quatro vezes na vida os livros em que há coisas essenciais."
"São as paixões que esboçam os nossos livros, e o intervalo de repouso entre elas que as escreve."
"Ele é trivial, de êxitos fáceis, e de desaires definitivos."


A Mentira PerfeitaA mentira, a mentira perfeita, acerca das pessoas que conhecemos, sobre as relações que com elas tivemos, sobre o nosso móbil em determinada acção formulado por nós de uma forma completamente diferente, a mentira acerca do que somos, acerca do que amamos, acerca do que sentimos pela criatura que nos ama e que julga ter-nos tornado semelhante a ela porque passa o dia a beijar-nos, essa mentira é das únicas coisas no mundo que nos pode abrir perspectivas sobre algo de novo, de desconhecido, que pode abrir em nós sentidos adormecidos para a contemplação do universo que nunca teríamos conhecido. 

in 'A Prisioneira'
A Sombra da Pessoa(...) Uma pessoa não está... nítida e imóvel diante dos nossos olhos, com as suas qualidades, os seus defeitos, os seus projectos, as suas intenções para connosco (como um jardim que contemplamos, com todos os seus canteiros, através de um gradil), mas é uma sombra em que não podemos jamais penetrar, para a qual não existe conhecimento directo, a cujo respeito formamos inúmeras crenças, com auxílio de palavras e até de actos, palavras e actos que só nos fornecem informações insuficientes e aliás contraditórias, uma sombra onde podemos alternadamente imaginar, com a mesma verosimilhança, que brilham o ódio e o amor. 

in 'O Caminho de Guermantes'Instantâneos Diferentes do SerOs seres não cessam de mudar de lugar em relação a nós. Na marcha insensível mas eterna do mundo, nós consideramo-los como imóveis num instante de visão, demasiado breve para que seja percebido o movimento que os arrasta. Mas basta escolher na nossa memória duas imagens suas, tomadas em instantes diferentes, bastante próximos no entanto para que eles não tenham mudado em si mesmo, pelo menos sensivelmente, e a diferença das duas imagens mede a deslocação que eles operavam em relação a nós. 

in 'Sodoma e Gomorra'
A Leitura é a Maior das Amizades
A amizade, a amizade que diz respeito aos indivíduos, é sem dúvida uma coisa frívola, e a leitura é uma amizade. Mas pelo menos é uma amizade sincera, e o facto de ela se dirigir a um morto, a uma pessoa ausente, confere-lhe algo de desinteressado, de quase tocante. E além disso uma amizade liberta de tudo quanto constitui a fealdade dos outros. Como não passamos todos, nós os vivos, de mortos que ainda não entraram em funções, todas essas delicadezas, todos esses cumprimentos no vestíbulo a que chamamos deferência, gratidão, dedicação e a que misturamos tantas mentiras, são estéreis e cansativas. Além disso, — desde as primeiras relações de simpatia, de admiração, de reconhecimento, as primeiras palavras que escrevemos, tecem à nossa volta os primeiros fios de uma teia de hábitos, de uma verdadeira maneira de ser, da qual já não conseguimos desembaraçar-nos nas amizades seguintes; sem contar que durante esse tempo as palavras excessivas que pronunciámos ficam como letras de câmbio que temos que pagar, ou que pagaremos mais caro ainda toda a nossa vida com os remorsos de as termos deixado protestar. Na leitura, a amizade é subitamente reduzida à sua primeira pureza.

Com os livros, não há amabilidade. Estes amigos, se passarmos o serão com eles, é porque realmente temos vontade disso. A eles, pelo menos, muitas vezes só os deixamos a contragosto. E quando os deixamos, não temos nenhum desse pensamentos que estragam a amizade: — Que terão eles pensado de nós? — Não tivemos falta de tacto? — Teremos agradado? — nem o medo de sermos esquecidos por um deles. Todas estas agitações da amizade expiram no limiar dessa amizade pura e calma que é a leitura. Também não há deferência; só rimos com o que diz Molière na exacta medida em que lhe achamos graça; quando ele nos aborrece, não temos medo de mostrar um ar aborrecido, e quando estamos decididamente fartos de estar com ele, pômo-lo no seu lugar tão bruscamente como se ele não tivesse nem génio nem celebridade. A atmosfera desta pura amizade é o silêncio, mais do que a palavra. Porque nós falamos para os outros, mas calamo-nos para connosco mesmos. É por isso que o silêncio não traz consigo, como a palavra, a marca dos nossos defeitos, das nossas caretas. Ele é puro, é verdadeiramente uma atmosfera. Entre o pensamento do autor e o nosso não interpõe elementos irredutíveis refractários ao pensamento, os nossos egoísmos diferentes. A própria linguagem do livro é pura (se o livro for digno desta palavra), tornada transparente pelo pensamento do autor que dele retirou tudo quanto não fosse ele próprio até o transformar na sua imagem fiel; cada uma das frases, no fundo, semelhante às outras, dado que todas são ditas através da inflexão única de uma personalidade; daí uma espécie de continuidade, que as relações da vida e o que estas associam ao pensamento como elementos que lhe são estranhos excluem e que permite muito rapidamente seguir o próprio fio do pensamento do autor, os traços da sua fisionomia que se reflectem neste espelho tranquilo. Sabemos apreciar os traços de cada um deles sem termos necessidade de que sejam admiráveis, pois é um grande prazer para o espírito distinguir essas pinturas profundas e amar com uma amizade sem egoísmo, sem frases, como dentro de nós mesmos. 

in 'O Prazer da Leitura'