1469?
e morre a 12jul1536
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Desidério Erasmo
https://www.youtube.com/watch?v=is9vd2Z-HFQ
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12 de Julho de 1536: Morre o pensador humanista Erasmo de Roterdão, autor da obra "Elogio da Loucura"
Humanista holandês de expressão latina, Desiderius Erasmus Roterodamus nasceu em Outubro de 1466 (?)*, em Roterdão, e veio a falecer a 12 de Julho de 1536, em Basileia.
Filho
ilegítimo de um padre, acabou por ordenar-se monge. Estudou na Holanda e
França antes de viajar para a Inglaterra em 1498, onde estudou grego na
Universidade de Oxford. Publicou o seu primeiro tratado teológico em
1503, o Manual do Cavaleiro Cristão, e logo depois parte para
Veneza e Roma, para ser recebido pelo papa Júlio II. Em 1499 retorna à
Inglaterra, e faz amizade com intelectuais locais, em especial Thomas
More. É nesta época que escreve a sua obra-prima, O Elogio da Loucura, que defendia a tolerância e a liberdade de pensamento e denunciava as acções da Igreja.
Embora
fosse clérigo e profundamente cristão, Erasmo de Roterdão ficará
conhecido pela sua oposição ao domínio exercido pela Igreja sobre a
educação, a cultura e a ciência.
Entre
os vários ramos do conhecimento que interessaram a Erasmo, destaca-se a
sua dedicação ao conhecimento das línguas antigas, o que semeou o
terreno para o estudo do passado, em particular dos relatos do Novo
Testamento e dos primeiros pensadores da fé cristã. Inspirados nos
clássicos greco-romanos, os intelectuais da época como Erasmo defendiam a
exaltação da beleza e do prazer, considerados mais interessantes do que
as abstracções da filosofia escolástica. Outras expressões humanas
condenadas pela Igreja, como o prazer físico e o bom humor não entram em
conflito com o cristianismo na sua moderna visão. Convites de nobres e
actividades académicas levaram Erasmo a viajar pela Europa até à sua
morte, em 1536, em Basileia, na Suíça.
As
suas obras popularizaram-se pela imaginação e estilo claro e
descritivo, e as suas sátiras renderam-lhe bastantes inimigos. Entre os
seus trabalhos mais importantes estão, além de O Elogio da Loucura (1509), De Duplici Copia Verborum et Rerum (1511); Os Pais Cristãos (1521); Colóquios Familiares (1516-1536); De Libero Arbitrio (1526); As Navegações dos Antigos (1532) e Preparação para a Morte (1533).
*Não existe certeza quanto ao ano de nascimento
Fontes: www.infoescola.com
wikipedia (Imagens)
Erasmo de Roterdão - Hans Holbein, O Jovem
Erasmo de Roterdão - Hans Holbein, O Jovem
Ilustração de Hans Holbein para o 'Elogio da Loucura'
Erasmo censurado pelo Índex
https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2019/07/12-de-julho-de-1536-morre-o-humanista.html?spref=fb&fbclid=IwAR2Y_elcei1Be1Q6AUOKDvj8DTsl6Xgf3AG9Zo0XCDH-dGjIcckL9FQUur0
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Via Citador:

"Aquele que conhece a arte de viver consigo próprio ignora o aborrecimento.""A pior das loucuras é, sem dúvida, pretender ser sensato num mundo de doidos.""Pode querer bem aos outros quem não quer bem a si mesmo?""A primeira fase do saber, é amar os nossos professores.""O amor recíproco entre quem aprende e quem ensina é o primeiro e mais importante degrau para se chegar ao conhecimento.""Segundo a definição dos estóicos, a sabedoria consiste em ter a razão por guia; a loucura, pelo contrário, consiste em obedecer às paixões; mas para que a vida dos homens não seja triste e aborrecida Júpiter deu-lhe mais paixão que razão.""Quanto maior é a sua sabedoria mais os homens se afastam da felicidade.""Rir de tudo é próprio de parvos, mas não rir de nada é de estúpido.""A loucura é a origem das façanhas de todos os heróis.""Não merece o doce quem não experimentou o amargo.""Os males que não são percebidos são os mais perigosos.""Os maiores males infiltram-se na vida dos homens sob a ilusória aparência do bem.""Nenhum animal é mais calamitoso do que o homem, pela simples razão de que todos se contentam com os limites da sua natureza, ao passo apenas o homem se obstina em ultrapassar os limites da sua.""É muito mais honesto estar nu do que usar roupas transparentes.""A felicidade consiste em nos conformarmos com a sorte.""O amor que apenas dispõe de beleza para o manter de boa saúde vive pouco e está sujeito a desmaios.""Para ganhar é preciso gastar.""Os grandes escritores nunca foram feitos para suportar a lei dos gramáticos, mas sim para impor a sua.""Não há nada de tão absurdo que o hábito não torne aceitável."
De Que Vale a Sabedoria ?Os homens que se entregam à sabedoria são de longe os mais infelizes. Duplamente loucos, esquecem que nasceram homens e querem imitar os deuses poderosos, e a exemplo dos Titãs, armados com as ciências e as artes, declaram guerra à Natureza. Ora, os menos infelizes são aqueles que mais se aproximam da animalidade e da estupidez.
Tentarei fazer-vos entender isto, usando, em vez dos argumentos dos estóicos, um exemplo crasso. Haverá, pelos deuses imortais, espécie mais feliz que os homens a quem o vulgo chama loucos, parvos, imbecis, cognomes belíssimos, na minha opinião? Esta afirmação poderá a princípio parecer insensata e absurda e, no entanto, nada há de mais verdadeiro. Tais homens não receiam a morte, e, por Júpiter! isso já não representa pequena vantagem! A sua consciência não os incomoda. As histórias de fantasmas não os aterrorizam, nem os afecta o medo das aparições e espectros, nem os males que os ameaçam ou a esperança dos bens que poderão vir a receber. Nada, em resumo, os atormenta, isentos dos mil cuidadeos de que a vida é feita. Ignoram a vergonha, o medo, a ambição, a inveja e chegam mesmo, se são suficientemente estúpidos, a gozar o privilégio, segundo os teólogos, de não cometerem pecados.
in "Elogio da Loucura" (fala a Loucura)A Mentira Agrada Mais do Que a VerdadeO espírito do homem é feito de maneira que lhe agrada muito mais a mentira do que a verdade. Fazei a experiência: ide à igreja, quando aí estão a pregar. Se o pregador trata de assuntos sérios, o auditório dormita, boceja e enfada-se, mas se, de repente, o zurrador (perdão, o pregador), como aliás é frequente, começa a contar uma história de comadres, toda a gente desperta e presta a maior das atenções.
Como é fácil essa felicidade! Os conhecimentos mais fúteis, como a gramática por exemplo, adquirem-se à custa de grande esforço, enquanto a opinião se forma com grande facilidade, contribuindo tanto ou talvez mais para a felicidade. Se um homem come toucinho rançoso, de que outro nem o cheiro pode suportar, com o mesmo prazer com que comeria ambrósia, que tem isso a ver com a felicidade? Se, pelo contrário, o esturjão causa náuseas a outro, que temos nós com isso? Se uma mulher, horrivelmente feia, parece aos olhos do marido semelhante a Vénus, para o marido é o mesmo do que se ela fosse bela. Se o dono de um mau quadro, besuntado de cinábrio e açafrão, o contempla e admira, convencido de que está a ver uma obra de Apeles ou de Zêuxis, não será mais feliz do que aquele que comprou por elevado preço uma obra destes pintores e que olhará para ela talvez com menos prazer?
in "Elogio da Loucura" (fala a Loucura)O Belo Retrato do SábioVoltemos à feliz espécie dos loucos. Passada a vida alegremente, sem medo ou pressentimento da morte, emigram directamente para os Campo Elísios e vão deleitar com as suas facécias as almas ociosas e pias. Comparai agora ao destino do louco o de um sábio à vossa escolha. Citai-me um modelo de sabedoria que tenha gasto a sua infância e a juventude no estudo das ciências e que tenha perdido o mais belo tempo da sua vida em vigílias, cuidados e trabalhos sem fim e que se tenha privado, para o resto da sua vida, de todos os prazeres. Vereis que foi sempre pobre, miserável, triste, tétrico, severo e duro para consigo mesmo, insuportável e desagradável para com os outros, pálido, magro, servil, envelhecido antes do tempo, calvo antes da velhice, votado a uma morte prematura. Que importa, aliás, que morra, se nunca chegou a viver! Tal é o belo retrato deste sábio.
in "Elogio da Loucura" (fala a Loucura)
A Felicidade Está Fora da Nossa RealidadeO amoroso apaixonado já não vive em si, mas no que ama; quanto mais se afasta de si para se fundir no seu amor, mais feliz se sente. Assim, quando a alma sonha em fugir do corpo e renuncia a servir-se normalmente dos seus orgãos, podeis dizer com razão que ele enlouquece. As expressões correntes não querem dizer outra coisa: «Não está em si... Volta a ti... Ele voltou a si.» E quanto mais perfeito é o amor, maior a loucura e mais feliz.
Quem será, pois, essa vida no Céu, à qual aspiram tão ardentemente as almas piedosas? O espírito, mais forte e vitorioso, absorverá o corpo; isto será tanto mais fácil quanto mais purificado e extenuado tiver sido o corpo durante a vida. Por sua vez, o espírito será absorvido pela suprema Inteligência, cujos poderes são infinitos. Assim se encontrará fora de si mesmo o homem inteiro e a única razão da sua felicidade será de não mais se pertencer, mas de submeter-se a este soberano inefável, que tudo atrai a si.
Aqueles que tiveram o privilégio tão raro de tais sentimentos, experimentam uma espécie de demência: falam sem coerência, pronunciam palavras sem sentido e a cada instante mudam a expressão do rosto. Ora tristes, ora alegres, riem, choram, suspiram. Em resumo, estão fora de si. Quando voltam a si, não sabem dizer onde estiveram, se estavam ou não no seu corpo, despertos ou adormecidos, que ouviram, disseram ou fizeram. Só se recordam como que através de um sonho ou de uma nuvem. Sabem somente que foram felizes durante tal loucura. Lamentam ter regressado à razão e sonham poder viver eternamente nesta loucura. E apenas saboreiam um ligeiro gosto da felicidade futura!
in "Elogio da Loucura" (fala a Loucura)***Via JERO.Lusa " Aquele que conhece a arte de viver consigo mesmo ignora o aborrecimento". Erasmo de Roterdão (1469-1536), humanista e pedagogo holandês.
Erasmo de Roterdão ou Roterdã[1] (Roterdão, 28 de outubro — Basileia, 12 de julho de 1536)[2] foi um teólogo e um humanista neerlandês que viajou por toda a Europa, inclusive Portugal[3] Erasmo cursou o seminário com os monges agostinianos e realizou os votos monásticos aos 25 anos, vivendo como tal, sendo um grande crítico da vida monástica e das características que julgava negativas na Igreja Católica.[3] Frequentou o Collège Montaigu, em Paris, e continuou seus estudos na Universidade de Paris, então o principal centro da escolástica, apesar da influência crescente do Renascimento da cultura clássica, que chegava de Itália. Erasmo optou por uma vida de académico independente, independente de país, independente de laços académicos, de lealdade religiosa e de tudo que pudesse interferir com a sua liberdade intelectual e a sua expressão literária.Os principais centros da sua actividade foram Paris, Lovaina, Inglaterra e Basileia. No entanto, nunca pertenceu firmemente a nenhum destes locais. O tempo passado na Inglaterra foi frutífero, tendo feito amizades para a vida com os líderes ingleses, mesmo nos dias tumultuosos do rei Henrique VIII: John Colet, Thomas More, John Fisher, Thomas Linacre e Willian Grocyn. Na Universidade de Cambridge foi o professor de Teologia de Lady Margaret e teve a opção de passar o resto de sua vida como professor de inglês.[3] Ele esteve no Queens' College, em Cambridge,[4] e é possível que tenha sido alumnus.Foram-lhe oferecidas várias posições de honra e proveito através do mundo académico, mas ele declinou-as todas, preferindo a incerteza, tendo no entanto receitas suficientes da sua actividade literária independente. Entre 1506 e 1509 esteve em Itália. Passou ali uma parte do seu tempo na casa editorial de Aldus Manutius, em Veneza. De acordo com suas cartas, ele esteve associado com o filósofo natural veneziano, Giulio Camillo,[5] mas, além deste, ele teve uma associação com académicos italianos menos activa do que se esperava. A sua residência em Lovaina expôs Erasmo a muitas críticas mesquinhas por parte daqueles[quem?] que eram hostis aos princípios do progresso literário e religioso aos quais ele devotava a vida. Ele interpretava esta falta de simpatia como uma perseguição e procurou refúgio em Basileia, onde, sob abrigo de hospitalidade suíça, pôde expressar-se livremente e estava rodeado de amigos.[3] Foi lá que esteve associado por muitos anos com o grande editor Froben, e onde uma multidão de admiradores de (quase) todos os cantos da Europa o vieram visitar.***