14/07/2014

8.426.(14jul2014.16.35') Síria

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2seTEMbro2018
 Será possível que os EUA treinem terroristas??? Bem: já lhe perdi a conta!!!
 https://www.facebook.com/notes/telesur/rusia-eeuu-entrenaba-terroristas-para-atacar-palmira/10156619167196764/
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14aGOSTO2018...Uma bela notícia
 O Ministério sírio da Educação sublinhou esta segunda-feira que o regresso de mais de 5 milhões de crianças às aulas se deve aos êxitos na luta contra o terrorismo. Ghouta Oriental é um exemplo disso.
 Após a libertação de Ghouta Oriental, em Abril de 2018, milhares de crianças regressaram às aulas; o ano lectivo, como noutras zonas atingidas pelo terrorismo, foi ali prolongado
 https://www.abrilabril.pt/internacional/mais-de-5-milhoes-de-criancas-regressam-aulas-na-siria
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19abril2018
Pedro Guerreiro n' avante
Síria resiste
Para o imperialismo, o destino da República Árabe Síria estava há muito traçado. Incluída há anos na lista de países a «abater» pelos EUA e, em 2002, por John Bolton, nos ditos «Estados marginais», a Síria é vítima de uma operação de desestabilização e agressão desde 2011, na senda e no molde da que destruiu brutalmente a Líbia.
Promovendo a estigmatização política, impondo o bloqueio económico, lançando as suas hordas terroristas – portadoras do mais reaccionário obscurantismo e violência fascista e responsáveis pelos mais hediondos crimes contra o povo sírio – e engendrando os mais variados e falsos pretextos para intervir, e mesmo ocupar, militarmente a Síria, os EUA, com os seus cúmplices na Europa e no Médio Oriente, contavam transformar este país naquilo que o actual director da CIA denomina de «Estado falhado».
Só a firme resistência da Síria e do seu povo, apoiada pelos seus aliados – com destaque para a Federação Russa –, torna possível contrariar tais intentos.
Por mais que o imperialismo, coadjuvado pela sua panóplia de assumidos ou dissimulados cúmplices, procure escamotear, a situação na Síria, a verdadeira tragédia que se abateu sobre o povo sírio, resulta de uma brutal guerra de agressão dos EUA e seus aliados – que conta com a conivência e o apoio da NATO, da União Europeia e de altos responsáveis das Nações Unidas –, em claro confronto com o direito internacional, com os direitos do povo sírio, incluindo o direito à paz e a decidir, livre de quaisquer ingerências, o seu futuro.
Aqueles que conscientemente escamoteiam tal realidade, aqueles que premeditadamente procuram confundir os agressores com os agredidos, os terroristas com as suas vítimas, os que atacam a Síria com os que defendem o seu país e o seu povo, tornam-se cúmplices da agressão – aliás, como se verificou com a agressão ao Iraque ou à Líbia.
Defender o povo sírio significa exigir o fim da guerra de agressão contra a Síria e denunciar os seus responsáveis; significa exigir o fim do branqueamento e apoio aos grupos terroristas; significa exigir o cumprimento da Carta da ONU e do direito internacional como condição para a salvaguarda da soberania, independência e integridade territorial da Síria – incluindo o fim da ilegal ocupação dos Montes Golã por Israel – e do respeito dos inalienáveis direitos do povo sírio; significa repudiar a lamentável e seguidista posição do Governo português e exigir que, no respeito pela Constituição da República, Portugal se deve demarcar desta agressão e apoiar iniciativas em curso com vista ao diálogo, à paz e à cooperação.
A agressão promovida pelos EUA e seus aliados contra a Síria e o seu povo não é apenas dirigida a estes, ela insere-se na escalada de confronto e agressão mais geral contra todos os países e povos do mundo que não se submetam ao domínio hegemónico do imperialismo norte-americano, que degladiando-se com uma crise, procura reverter a todo o custo o seu declínio relativo, face a um imenso processo de rearrumação de forças ao nível mundial, onde a China tem particular relevo, e à luta dos povos em defesa da sua soberania e direitos.
Impõe-se a expressão da indignação e condenação da agressão dos EUA e seus aliados. Impõe-se a solidariedade com a resistência da Síria, do povo sírio.
http://www.avante.pt/pt/2316/opiniao/149630/S%C3%ADria-resiste.htm
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17abril2018
LIGA ÁRABE DENUNCIOU NA ONU O APOIO EXTERNO QUE RECEBEM OS TERRORISTAS
O representante da Liga Árabe na ONU, Maged Abdelfattah Abdelaziz, denunciou o financiamento e apoio externo que recebem alguns grupos terroristas radicados no Médio Oriente.
Na sua intervenção em debate aberto do Conselho de Segurança, o diplomata egípcio questionou como foi possível que os terroristas do chamado Estado Islâmico (EI) pudessem manter toda a sua logística em vários países, apesar da forte ofensiva contra eles.

A ONU deveria contribuir mais para a reduzir as vulnerabilidades existentes e unir esforços nesse sentido, acrescentou.

Abdelaziz também deu detalhes do programa da Liga Árabe para prevenir delitos relacionados com as acções dos grupos terroristas e abordar as ligações entre esses agrupamentos e o crime organizado.

O tráfico ilícito de armas, drogas e objectos de valor patrimonial, e o tráfico de pessoas são algumas das actividades que aumentam devido a essa relação, disse.

As soluções militares não bastam por si só, é necessária uma estratégia integral que abarque aspectos políticos, sociais, culturais, ideológicos e religiosos, destacou.

De acordo com o diplomata, a Liga Árabe possui um novo departamento de luta contra o terrorismo com delegações em 10 países da região.

Por outro lado, acrescentou, o mundo tenta conter a ameaça dos agentes estrangeiros que se uniram ao EI em diferentes latitudes.
O regresso de antigos combatentes terroristas aos seus lugares de origem representa muitos desafios, mas há exemplos de sucesso na forma como alguns se reintegraram nas suas comunidades.
Além disso, o representante da Liga Árabe alertou para o uso indevido da internet que faz com que os terroristas promovam as suas ideias e recrutem novos membros.
O Conselho de Segurança da ONU abordou na segunda-feira (9) as sinergias entre as Nações Unidas e as organizações regionais, num debate orientado para a identificação das possíveis ligações entre terrorismo e crime organizado.
De acordo com o documento difundido pela representação do Peru, que preside o órgão de 15 membros durante este mês, a ameaça terrorista mundial continua a evoluir e a diversificar, o que supões novos reptos para a comunidade internacional.
A reunião do Conselho foi realizada sob a fórmula Arria, que permite um diálogo directo com altos representantes de governos e organizações internacionais.
Fonte: Prensa Latina
Foto de CAFÉ CENTRAL.
https://www.facebook.com/960198530674380/photos/a.960209104006656.1073741828.960198530674380/2054101654617390/?type=3&theater
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16abril2018
Ai o povo Sírio...+ força para a sua soberania/paz/recuperação humanidade e restauro habitação/trabalho...
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3 deputados do PCP no parlamento europeu!
Foto de João Ferreira.
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10214225714910564&set=a.1169591093701.27060.1645681772&type=3&theater
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António Abreu:
A agressão à Síria, perpetrada pelos EUA, Reino Unido e França assentou em despudoradas falsidades. Tratam-se de pretextos para vergar o direito internacional à força das armas. Retrato em oito notas.
A uma semana do lançamento dos 107 mísseis da «tríplice aliança» contra a Síria, e ouvidos os diferentes pronunciamentos posteriores de dirigentes dos agressores e agredidos, e espectadores de bancada, concertando tudo com o caso Skripal – o acto falhado preparatório destes bombardeamentos – importa rebobinar tudo, para sublinhar alguns factos.
primeira questão que se nos ocorre é que os EUA, o Reino Unido e os grupos terroristas que têm apoiado, na guerra que decorre há mais de sete anos contra a Síria, perderam essa guerra. Restam algumas bolsas de resistência ao avanço do exército sírio e um problema de ocupação militar de alguns pontos por recursos bélicos da França, dos EUA e da Turquia (esta a pretexto do combate às FDS, aliás YPG, aliás PKK, apoiadas pela França). Tudo indica, face aos magros resultados obtidos com este bombardeamento, que o que estas potências procuraram foi mostrar algum «músculo» numa batalha perdida, dar algum alento aos comentadores que há anos tornaram a Síria a linha vermelha da sua inteligência.
segunda é que as acusações invocadas para esta acção não foram provadas, tudo indicando que estamos perante duas encenações semelhantes às de Colin Powell, em 2003, quando este utilizou acusações falsas, invocando a posse de armas de destruição maciça pelo Iraque, para justificar a invasão deste país.
O enforcamento de Saddam Hussein foi transmitido urbi et orbi, como os serviços secretos norte-americanos tinham feito antes com o assassinato de Nicolae Ceausescu e fizeram depois com Muammar Khadafi – os quais, com as responsabilidades que lhes pudessem ter sido atribuídas, deveriam ter tido direito a julgamentos justos. O Iraque, depois o Afeganistão, as «primaveras árabes» no norte de África tornaram-se, pela mão dos EUA e da NATO, num processo de guerra permanente que não parou e que se iria estender à Síria e Irão, para depois seguir para a Rússia e antigas repúblicas asiáticas federadas na então URSS.
O desenho deste projecto está feito em documentos oficiais dos EUA, e perante ele, cada vez menos invocam uma suposta «teoria da conspiração».
terceira tem a ver com as acusações, em si mesmas. No primeiro caso à Rússia e no segundo à Síria e à Rússia.
No caso Skripal, quer o laboratório militar de Porton Down quer a Organização para a Proibição de Armas Químicas (em inglês OPCW) não identificaram o agente químico responsável pelo envenenamento. O laboratório suíço Spiez, de referência mundial, consultado pela OPCW, identificou-o como sendo o BZ, produzido nos EUA e no Reino Unido e utilizado por países da NATO, e nunca produzido na Rússia ou, antes, na URSS.
No caso do bombardeamento em Duma, a acusação foi feita pelos «capacetes brancos» – que organizaram cenas do que teria ocorrido e as passaram nos media de todo o mundo. Segundo eles teria sido cloro o gás utilizado. Os dirigentes dos EUA, Reino Unido e França assinaram por baixo. Na véspera dos ataques, quando Trump parecia hesitante e a valorizar preferencialmente os esforços diplomáticos, e Macron aparecia decidido a atacar, o representante permanente da Síria nas Nações Unidas Bashar al-Jaafari disse que o governo sírio ia facilitar o acesso da equipa da OPCW a qualquer ponto a que quisessem ir em Duma - bairro de Goutha Oriental onde a França invocou ter sido usado o gás Cloro. O diplomata disse que a OPCW informou o governo sírio que enviaria uma equipa à Síria, cujos membros chegariam na quinta e na sexta-feira (dias 12 e 13 de Abril). Os militares russos especialistas no reconhecimento destes gases (são vários os que poderão ser usados ilegalmente) tinham dois dias antes declarado não ter encontrado pessoas que tivessem estado envolvidas no incidente nem terem reconhecido a presença destes gases.
À inspecção a ser feita pela OPCW preferiram os seus representantes no Conselho de Segurança optar por uma “inspecção independente”, que revelava desconfiança em relação à OPCW, e que foi vetada pela Rússia. O bombardeamento a instalações onde supostamente seriam fabricadas armas químicas, provavelmente, impediu que pudessem ser agora inspeccionadas.
Mais «provas irrefutáveis» a serem refutadas no futuro, como as do Iraque?
quarta questão tem a ver com uma atitude assumida nas investigações criminais resumida na resposta à pergunta «a quem aproveita o crime?». Seria incompreensível que a Síria, que estava a vencer esta guerra, fosse recorrer a tal crime, ao mesmo tempo que tem estado a recuperar habitantes de Ghouta e a deixar sair para outros pontos do país os terroristas de quatro diferentes grupos que mantinham esses habitantes reféns? Inverosímil, diria Poirot.
quinta questão é a consequência que o agravamento dos conflitos vão ter para relações internacionais já tensas, onde sanções anteriores e as expulsões de diplomatas vieram ao arrepio de uma influência pacificadora e de procura de desanuviamento e cooperação económica de vantagens mútuas para que a Rússia estava a contribuir no Médio Oriente. Para além do papel até mais vasto que, nestas direcções, a China está a ter e contra a qual os EUA procuram atiçar uma guerra comercial.
sexta, a necessidade que EUA, Inglaterra e França têm de fazer prova de vida, desproporcionada, numa época histórica em que a sua influência, à escala universal, se reduziu em diferentes vertentes, e em que a solidez do apoio interno dos seus cidadãos tem decaído face às políticas antissociais que têm realizado. Gastaram muitos milhões de dólares com os bombardeamentos, terão ferido umas dezenas de pessoas, mas ficaram mais isolados.
sétima, a projecção mundial que Macron foi construindo de si mesmo e que agora, assumindo-se como comandante-em-chefe das forças atacantes, chegou às épicas declarações de ter sido pessoalmente responsável pela alteração na recente posição de Trump de sair da Síria, o que a Casa Branca desmentiu hoje.
E uma oitava, entre outras possíveis, foram as lamentáveis afirmações de Macelo Rebelo de Sousa e Santos Silva, desprestigiantes para o nosso país, de assumirem as «dores» dos «aliados e amigos» e as suas provas «irrefutáveis» – que daqui a uns anos se revelarão inexistentes como as do Iraque em 2003, através dos media que agora os apoiaram – fruto das pulsões obsessivo-compulsivas das hipocondrias imperialistas.
https://www.abrilabril.pt/internacional/fraqueza-da-forca
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15abril2018
A embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas afirmou a televisões do seu país, durante uma entrevista, que as tropas norte-americanas «não sairão da Síria sem que os objectivos sejam cumpridos».
A embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Nikki Haley, afirmou durante uma entrevista a televisões do seu país que as tropas norte-americanas «não sairão da Síria sem que os objectivos da sua presença sejam alcançados». As palavras de Haley contradizem o anúncio feito há poucos dias pelo presidente Donald Trump de que iria retirar os militares da Síria, admitindo, sobretudo, mais uma vez a presença de forças armadas norte-americanas num país soberano e sem autorização das autoridades deste, o que expõe mais uma violação grosseira do direito internacional.
Os Estados Unidos têm cerca de dois mil militares na Síria, a que devem acrescentar-se pelo menos outros tantos mercenários contratados por empresas privadas de segurança. Esta presença traduz tecnicamente uma invasão, seguida de ocupação e interferência, pela força, nos assuntos sírios.
De acordo com Nikki Haley, os objectivos que os Estados Unidos deverão atingir antes de retirar as tropas são: garantir que armas químicas não sejam usadas «de uma maneira nociva aos interesses norte-americanos»; que «o Estado Islâmico seja derrotado» - enquanto, segundo numerosas fontes, os meios militares norte-americanos no terreno estão ocupados em pôr a salvo e reciclar os mercenários deste grupo; e garantir «uma posição de vantagem» de maneira a verificar as actividades do Irão.
A região de Ghouta Oriental é uma zona livre de terroristas desde a noite de sábado, dia 14, de acordo com uma declaração oficial das forças armadas sírias. O derradeiro grupo de «rebeldes armados» abandonou a cidade de Douma, o último bastião em poder dos grupos enquadrados pela Al-Qaeda e apoiados pelas mesmas potências ocidentais que, menos de 24 horas antes, bombardearam Damasco e Homs.
Douma é a cidade onde se registou o suposto ataque com armas químicas no dia 7 de Abril e que vai ser investigado por uma delegação da Organização para a Destruição de Armas Químicas (OPAQ) que já está em território sírio.
Segundo fontes do Ministério russo da Defesa, o contingente evacuado envolve 21 mil pessoas, incluindo membros operacionais e respectivas famílias. De acordo com o major general Yuri Yevtuchenko, presidente do Centro Russo de Reconciliação para a Síria, foram evacuadas 67680 pessoas de Ghouta Oriental, um vasto subúrbio de Damasco – anulando-se assim uma situação ameaça que durante mais de seis anos proporcionou bombardeamentos constantes contra a capital síria.
A primeira-ministra britânica enfrenta uma tempestade política no seu país devido a dois factos coincidentes e convergentes: ter mandado bombardear a Síria sem o assunto ter sido debatido no Parlamento e os resultados de análises feitas por um prestigiado e independente laboratório suíço terem invalidado as suas teses sobre o envolvimento russo na tentativa de assassínio do espião reformado Serguei Skripal.
«Cavalgar nas abas do casaco de um errático presidente dos Estados Unidos não se substituí a um mandato da Câmara dos Comuns», declarou o presidente dos liberais-democratas, Vince Calve.
Também o presidente do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, acusou Theresa May de «andar a reboque» de Donald Trump e sublinhou que «as bombas não salvam vidas nem trazem a paz».
«May espezinhou a democracia», acusam os co-presidentes dos Verdes; «a primeira-ministra obedece aos desejos do presidente norte-americano», denuncia Nicola Sturgeon, primeiro-ministro escocês.
Theresa May confessou que no, sábado à tarde, conversou telefonicamente com os presidentes francês e norte-americano, Emmanuel Macron e Donald Trump, chegando os três à conclusão de que a agressão contra a Síria «foi um êxito».
A China foi o primeiro país entre os que não estão directamente envolvidos no conflito sírio a condenar a agressão militar cometida pela coligação formada por Estados Unidos, França e Reino Unido.
«Qualquer acção militar unilateral viola a Carta das Nações Unidas e os seus princípios, a legalidade internacional e os seus princípios», declarou o porta-voz do Ministério chinês da Defesa, Hua Chunying.
Posteriormente, a China juntou o seu voto aos da Rússia e da Bolívia na proposta de resolução condenando o ataque, apresentada por Moscovo no Conselho de Segurança da ONU e rejeitada pelos próprios agressores. Nos círculos diplomáticos aguardava-se uma abstenção da China, o seu comportamento mais comum tratando-se de uma resolução que estaria rejeitada à partida.
Entretanto, um editorial no jornal estatal Global Times revela um tom de condenação acima do que é habitual a propósito dos mais polémicos temas internacionais. O editorialista considera que o pretexto para o «ataque ilegal» não tem qualquer validade, «pois não se sabe se existiu ataque químico em Duma, nem se foram as forças sírias a cometê-lo». Além disso, sublinha, «Os Estados Unidos batem o recorde de ataques com base em razões enganosas». Lembra o Global Times, a propósito, a invasão do Iraque assente na suposta posse de armas de extermínio por Saddam Hussein, um facto que «tanto Washington como Londres admitiram posteriormente basear-se em informações falsas transmitidas pelos serviços secretos».
https://www.abrilabril.pt/internacional/nikki-haley-recusa-saida-americana-da-siria
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CGTP:
https://www.abrilabril.pt/internacional/cgtp-condena-vigorosamente-agressao-siria
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14abril2018
O que foi atingido pelos agressores (EUA/França/Reino Unido)...Nada das famigeradas armas químicas!!!... cuRIOso: as belas porta-vozes dos poderosos!
O presidente francês, Emmanuel Macron, recusou-se a revelar ao presidente russo, Vladimir Putin, o teor das «provas irrefutáveis» que terá em seu poder sobre as responsabilidades de Damasco no suposto ataque químico em Douma. O episódio foi revelado pelo ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov. Segundo a mesma fonte, na conversa entre os dois presidentes foi acordado o envio de especialistas franceses para investigar a situação na zona do alegado ataque químico; desde então, porém, Paris não estabeleceu mais qualquer contacto nesse sentido.
A agressão da madrugada de sábado contra a Síria foi realizada por três contratorpedeiros da marinha norte-americana, com apoio de aparelhos das forças aéreas dos Estados Unidos e Reino Unido. Os 103 mísseis de cruzeiro foram disparados dos navios de guerra USS Donald Cook, USS Porter e USS Higgins a partir de águas do Mediterrânio. No apoio aéreo participaram, designadamente, bombardeiros B1 norte-americanos e quatro aviões Tornado GR4s britânicos.
De acordo com as declarações oficiais de responsáveis das três potências agressoras, os alvos escolhidos para a operação militar foram laboratórios científicos e instalações de fabrico e armazenamento de armas químicas situadas numa região a ocidente da cidade de Homs. Segundo as informações oficiais sírias, foram atingidos as seguintes estruturas: o Centro de Investigação Científica de Barzah, nas imediações de Damasco, que integra estabelecimentos escolares e laboratórios científicos; a base aérea de Dumayr, 40 quilómetros a leste de Damasco, contra a qual foram disparados 12 mísseis de cruzeiro, todos abatidos pelas defesas sírias; a base militar de Mezzeh, na Grande Damasco; a base aérea de Monte Qasion; instalações militares nas imediações de Al-Ruhaybe e Al-Kiswa.
O responsável trabalhista britânico Jeremy Corbyn, que nos últimos dias pedira à primeira-ministra, Theresa May, que convocasse o Parlamento para debater uma eventual agressão à Síria, condenou oficialmente o ataque. «As bombas não salvam vidas, nem trazem a paz», disse.
O Ministério da Defesa da Rússia, através da sua porta-voz, Maria Zakharova, considera que o ataque das potências ocidentais contra Damasco e Homs faz parte da estratégia para derrubar o governo sírio. «O ataque vem permitir aos grupos terroristas actuando na Síria que continuem em acção numa altura em que as forças regulares sírias conduzem, com êxito, uma ofensiva contra o Daesh, a Frente Al-Nusra (Al-Qaeda) e outros grupos terroristas», disse Zakharova. Ainda segundo a porta-voz do Ministério da Defesa, «existem boas razões para crer» que o momento escolhido para o ataque tem o intuito de dificultar as investigações dos inspectores da OPAQ em Douma.
O secretário-geral da ONU incitou as «partes em conflito» na Síria à «contenção», agora que os enviados da OPAQ já chegaram a Douma, como se não tivesse havido agressores e agredidos na madrugada de sábado. António Guterres quebrou assim o comprometedor silêncio em que se tinha mantido perante a violação da legalidade internacional cometida por três membros permanentes do Conselho de Segurança, e só no momento em que se iniciou uma reunião de emergência deste órgão, na tarde de sábado.
Na reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, convocada de emergência para debater a agressão à Síria, a Rússia começou por apresentar uma proposta de resolução condenando o ataque. O embaixador de Moscovo, Vassily Nebenzia, lamentou que os agressores não tenham ouvido os «apelos ao bom senso» emitidos de numerosos lados. A embaixadora dos Estados Unidos, Nikky Halley, declarou que «o tempo das negociações com Damasco já passou».
https://www.abrilabril.pt/internacional/russia-ataque-favorece-grupos-terroristas
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Ao anunciar a realização do ataque, o presidente dos EUA convidou os seus compatriotas a «rezarem». Governo e Presidente da República parecem sintonizados com a intervenção «de três amigos e aliados».
Defesa anti-aérea síria em acção na madrugada deste sábado
Defesa anti-aérea síria em acção na madrugada deste sábadoCréditos/ Twitter
Portugal, «através do seu governo», manifestou «a sua compreensãopelas razões e a oportunidade» da intervenção «de três amigos e aliados» contra alvos na Síria que acobertam «armas proibidas», declarou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na manhã de sábado. A declaração, proferida em nome dos portugueses, revela concordância com um acto de guerra contra um Estado soberano, cometido sem mandato das Nações Unidas e sem que haja quaisquer provas do pretexto invocado pelos agressores, uma vez que a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) está no terreno mas não iniciou ainda a sua missão de apuramento dos alegados factos.
Navios de guerra norte-americanos, apoiados pela aviação dos Estados Unidos, do Reino Unido e França, efectuaram um ataque com mísseis de cruzeiro contra a Síria, um Estado soberano, direccionado prioritariamente contra as regiões de Damasco e Homs. A operação decorreu durante cerca de hora e meia, entre a 1h42 e as 3h10 de sábado (hora de Lisboa). Os autores desta agressão militar cometida à revelia da Carta das Nações Unidas, e sem qualquer mandato da organização, invocam como pretexto um suposto ataque com armas químicas na localidade de Douma, em Ghouta Oriental, em relação ao qual não existe qualquer prova independente. A operação militar contra a Síria antecipou-se em algumas horas ao início da missão de investigação a realizar pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) no cenário do alegado atentado. Os enviados da OPAQ, entretanto, já informaram que prosseguirão a sua missão.
Os autores da agressão militar contra Damasco e Homs dispararam 103 mísseis de cruzeiro Tomahawk a partir de três navios de guerra norte-americanos deslocados para a região. O número de engenhos duplica os disparados há um ano contra uma base militar síria, como «retaliação» contra um ataque químico cuja autoria – não existem hoje dúvidas – partiu de grupos terroristas apoiados pelos países ocidentais que agora cometeram a agressão. De acordo com fontes concordantes, 71 dos 103 mísseis, quase 70 por cento, foram derrubados pelas forças de defesa da República Árabe Síria antes de atingirem os alvos.
Desde 1991, altura em que os Estados Unidos iniciaram as tentativas para impor a instauração da unipolaridade mundial como sucessora da guerra fria, as forças armadas norte-americanas dispararam 2145 mísseis de cruzeiro no âmbito da sua reformatação do mundo. Os alvos atingidos situam-se nos seguintes países: Bósnia-Herzegovina, Sérvia, Sudão, Iraque, Líbia, Afeganistão e Síria.
No momento em que anunciou a realização do ataque, o presidente dos Estados Unidos convidou os seus concidadãos a «rezarem pelos nobres guerreiros enquanto cumprem a sua missão» e «para que Deus traga conforto aos que sofrem na Síria».
Os Estados Unidos anunciaram oficialmente que nenhum dos mísseis disparados tinha alvos situados nas zonas da Síria onde permanecem militares e equipamentos das forças armadas russas. A Rússia, porém, não foi notificada do ataque – quebrando-se as normas de segurança acordadas entre os dois países.

Para a Rússia, trata-se de um «acto de agressão»

O presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, qualificou a operação como «um acto de agressão» e «contra o direito internacional», pois foi executado sem mandato da ONU e violando a Carta da organização.
O embaixador da Rússia em Washington, Anatoly Antonov fez declarações no mesmo sentido e acrescentou que o acto «não ficará sem resposta». Tratou-se de uma acção pré-estabelecida, disse. Além disso, «o maior possuidor mundial de armas químicas não tem qualquer legitimidade para julgar e penalizar os outros» invocando situações afins.
https://www.abrilabril.pt/internacional/agressao-militar-contra-siria-antecipa-se-missao-da-opaq
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A descoberta, pelo EAS, de planos para uma ofensiva contra Damasco apressou a libertação de Ghouta. Ao discurso das ameaças, a Rússia contrapôs necessidade de apuramento rigoroso do sucedido em Douma.
Mais de 1 100 000 pessoas foram evacuadas de Ghouta Oriental desde que o governo sírio pôs a funcionar o corredor humanitário
Mais de 1 100 000 pessoas foram evacuadas de Ghouta Oriental desde que o governo sírio pôs a funcionar o corredor humanitárioCréditosMikhail Alayeddin / Sputnik News
Militares britânicos terão sido capturados pelas forças militares que libertaram a região de Ghouta Oriental, segundo um trabalho publicado pela agência iraniana Fars. Os militares, muito provavelmente do Special Air Service (SAS), terão sido infiltrados no âmbito de planos norte-americanos e israelitas para uma ofensiva contra Damasco conduzida essencialmente por grupos de mercenários actuando sob a cobertura do radicalismo islâmico.
O plano foi descoberto pelo Exército Árabe Sírio (EAS), que contra-atacou com uma dinâmica inesperada para os agressores, apressando a libertação de Ghouta Oriental e surpreendendo os invasores, apesar de os dispositivos militares norte-americanos, ilegalmente em território sírio, terem conseguido evacuar muitos deles, como continuam a fazer com numerosos membros do Daesh.
Militares britânicos do SAS – grupo de operações especiais especializado em acções de «destrói e foge» paralelo ao US Navy SEALS – já tinham sido anteriormente detectados em outras regiões sírias controladas por grupos terroristas enquadrados pelo Daesh ou pela Al-Qaeda. Também após a libertação de Alepo mais de uma dezena de oficiais da NATO de várias nacionalidades foram capturados quando estavam escondidos em instalações de onde dirigiam as acções dos terroristas.
Fontes do Pentágono que pediram o anonimato consideram que o tempo entre as declarações ameaçadoras dirigidas contra a Síria e a realização da «retaliação» motivada pelo suposto ataque químico em Douma tem essencialmente a ver com divergências no interior da NATO.
De acordo com as mesmas fontes, alguns dos conselheiros do presidente Donald Trump defendiam que, apesar das várias opções disponíveis, lançar ataques contra a Síria ao mesmo tempo que na, mesma região, se desenvolvem conflitos graves entre membros estratégicos da NATO era um risco que devia ser muito bem calculado. Além de as relações entre Washington e Ancara estarem num dos níveis mais baixos dos últimos anos, o confronto indirecto, por vezes directo, entre a França e o Reino Unido, por um lado, e a Turquia, pelo outro, a propósito das movimentações curdas no Norte da Síria, continuam a provocar forte instabilidade interna na Aliança Atlântica.

Rússia insiste numa investigação objectiva

As ameaças de ataque militar contra a Síria, um Estado-membro da ONU, que foram sendo feitas pelos presidentes dos Estados Unidos e de França, constituíram uma «violação grosseira da Carta das Nações Unidos», lembrou a porta-voz do Ministério russo dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova.
A Rússia insiste na necessidade de um apuramento objectivo e minucioso no terreno da realidade dos acontecimentos envolvendo o alegado ataque químico realizado em 7 de Abril em Douma, acrescentou Zakharova. Ainda segundo a porta-voz, Moscovo defendeu sempre essa posição no Conselho de Segurança e proporcionará, em conjunto com as autoridades sírias, todas as condições de investigação aos enviados da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ).
https://www.abrilabril.pt/internacional/infiltrados-britanicos-capturados-em-ghouta-oriental
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Trump, May e Macron antecipam-se à chegada dos inspectores da OPAQ a Douma. Damasco: agressão perpetrada por regimes arrogantes e frustrados pela derrota da conspiração contra a Síria.
«O ataque com mísseis a infraestruturas militares e civis sírias foi executado por aviões e navios de guerra americanos em cooperação com as forças aéreas britânicas e francesas», segundo a TASS. Terá durado cerca de uma hora e meia, tendo decorrido «entre as 3h42 e as 5h10, hora de Moscovo (entre as 1h42 e as 3h10, hora portuguesa)».
A agência noticiosa síria SANA informa terem sido atingidos um edifício compreendendo um centro de investigação científica e laboratórios em Barzeh (arredores de Damasco), armazéns e um posto de comando do Exército Árabe Sírio em Homs. Neste último ataque ter-se-ão registado três feridos, as únicas baixas conhecidas, quando as defesas anti-aéreas sírias interceptaram alguns dos mísseis e eles caíram sobre áreas civis.
Numa conferência de imprensa dada em Moscovo esta manhã, o militar russo Sergei Rudskoi afirmou que 71 dos 103 mísseis de cruzeiro e ar-terra disparados pelos três países (EUA, Reino Unido e França) tinham sido interceptados, de acordo com a PressTV.
Também esta manhã, o Comando Geral do Exército e das Forças Armadas Sírias revelou que a maior parte dos 110 mísseis disparados no âmbito da «agressão tripartida», contra alvos em Damasco e arredores, foi abatida, segundo revela a SANA.
CNN, que publica um mapa com os locais atacados, cita o general Joseph Dunford, presidente dos estados-maiores conjuntos americanos, como tendo afirmado que os alvos foram «um centro de pesquisas científicas», alegadamente «envolvido no desenvolvimento e produção de armas químicas», e «armazéns de armas químicas» e «equipamentos químicos».
Em 2017, os Estados Unidos já tinham disparado 59 mísseis de cruzeiro Tomahawk contra a base aérea de Shayrat a partir dos destroyers USS Porter e USS Ross. Na altura, os alvos foram aviões sírios e os seus abrigos, armazéns, sistemas de defesa anti-aéreos e radares.
Daily Star (Beirute) cita fontes oficiais americanas dizendo que «o presente ataque é mais significativo, tendo sido usado o dobro das armas». «Fomos muito precisos e proporcionados, disse o general John Mattis, «mas ao mesmo tempo foi um pesado golpe».
Os ataques foram classificados como «cirúrgicos» e identificados de forma a «mitigar o risco» de forças russas serem atingidas. O general John Dunford afirmou também que os militares americanos avisaram a Rússia do espaço aéreo que seria utilizado no ataque, embora «sem pré-aviso». Referiu ainda «não estarem planeados novos ataques» e que, até agora, «as defesas anti-aéreas sírias não tinham atacado aviões ou navios da coligação».
https://www.abrilabril.pt/internacional/estados-unidos-gra-bretanha-e-franca-atacam-siria
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11abril2018
Mais de 366 mil pessoas mortas e 6,6 milhões de deslocados tem sido o resultado da guerra na #Síria favorecida pela #EUA
https://www.facebook.com/teleSUR/photos/a.10150565130246179.376197.186321186178/10155363593501179/?type=3&theater
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10abril2018
Não se trata do policial de Raymond Chandler. É mesmo o abismo da guerra iminente. No Médio Oriente, para começar; na Europa e no Mundo, talvez. Os imperialistas preparam um novo Sarajevo. E os povos?
Série «Os desastres da guerra», n.º 30: «Estragos da guerra». A estampa tem sido vista como um precedente do Guernica de Picasso, pelo seu caos compositivo; pela mutilação dos corpos; pela fragmentação de objectos e utensílios em qualquer ponto da gravura; pela mão cortada de um dos cadáveres; pelos corpos desmembrados e a figura da criança morta, com a cabeça invertida, que recorda a que aparece, sustida pela sua mãe, à esquerda, na obra capital de Pablo Picasso.
Série «Os desastres da guerra», n.º 30: «Estragos da guerra». A estampa tem sido vista como um precedente do Guernica de Picasso, pelo seu caos compositivo; pela mutilação dos corpos; pela fragmentação de objectos e utensílios em qualquer ponto da gravura; pela mão cortada de um dos cadáveres; pelos corpos desmembrados e a figura da criança morta, com a cabeça invertida, que recorda a que aparece, sustida pela sua mãe, à esquerda, na obra capital de Pablo Picasso.CréditosFrancisco de Goya y Lucientes (1746-1828)/Museu do Prado / cc commons
Quem leu o artigo recentemente publicado neste espaço sob o título «Os dias de uma guerra apenas sem data» perceberá de modo elementar que o momento de um conflito de enormes dimensões está mais próximo.

O golpe planeado foi denunciado

O golpe aparentemente delineado em Londres pelos serviços secretos da senhora May, com conhecimento directo do ex-secretário de estado norte-americano Rex Tillerson e do presidente francês Emmanuel Macron, está em andamento, apesar de ter sido denunciado e desmascarado em tempo útil. A conspiração assenta num patamar superior de tensão internacional criado pela conjugação dos efeitos da rábula em torno da tentativa de assassínio do ex-espião duplo Skripal e filha e de um suposto ataque com armas químicas na Síria, a atribuir imediatamente às forças governamentais.
O plano conspirativo foi conhecido e desmascarado internacionalmente por serviços secretos sírios e russos, o que permitiu a tropas sírias desmantelarem dois laboratórios de armas químicas geridos por terroristas afectos à Al-Qaida. Estes factos ocorreram há quase um mês.
Além disso, os episódios da novela em torno da tentativa de assassínio de Skripal e filha estão longe de concluídos – afinal as duas vítimas estão vivas e estabilizadas quando, de acordo com as doses de veneno citadas por fontes governamentais britânicas – mas não segundo a Scotland Yard – deveriam ter morrido imediatamente, sem mesmo poderem deslocar-se a pé até ao local onde foram descobertas e socorridas.
Acresce que duas semanas depois de o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, também conhecido pelo «Trump britânico», ter garantido que o veneno usado era de fabrico russo, cientistas britânicos sentiram-se obrigados a desmenti-lo, em nome da seriedade do seu trabalho. Um responsável do laboratório de Porton Down, a 15 quilómetros do local onde Skripal foi descoberto, declarou à televisão Sky News, em seu nome e dos colegas, que não tinham possibilidade de provar que o produto tóxico usado contra o espião reformado fosse de origem russa.

A preparação para a guerra segue o seu curso

Os últimos dados informativos sérios revelam que a denúncia do complot não desmotivou os autores – que confiam numa comunicação favorável – e, uma vez que a derrota em Ghuta os impediu de desenvolver o plano neste território, transferiram o episódio com armas químicas para Duma, zona síria ainda em mãos dos «rebeldes moderados», isto é, a Al-Qaida.
«[Ao atacar a cidade] Trump toma em mãos a obra inacabada pela Al-Qaida, que durante meia dúzia de anos bombardeou Damasco a partir de Ghuta sem atingir o objectivo de derrubar o governo legítimo da Síria»
Existem versões contraditórias sobre ter existido, ou não, um ataque com armas químicas em Duma. Independentemente disso, o Conselho de Segurança da ONU já está a debater o assunto como se fosse realidade absoluta e, além disso, um crime indubitavelmente da responsabilidade das forças governamentais sírias, as únicas, segundo a embaixadora norte-americana no Palácio de Vidro1, que teriam condições para usar tais produtos. Que verdadeiramente se ignora quais sejam, ou mesmo se foram usados2.
Tal como estava previsto no golpe original, cabe agora ao presidente norte-americano, Donald Trump, decidir o tipo de retaliação militar contra a Síria, e contra os seus aliados russos. E o assunto, ao que parece, está a desenvolver-se rapidamente. Deste feita, ao contrário de há pouco mais de um ano, quando a «retaliação» a um ataque com armas químicas, afinal da responsabilidade dos «rebeldes», foi o ataque à base aérea governamental de Cheyraat, desta feita o alvo previsto é a própria cidade de Damasco.
Isto é, Trump toma em mãos a obra inacabada pela Al-Qaida, que durante meia dúzia de anos bombardeou Damasco a partir de Ghuta sem atingir o objectivo de derrubar o governo legítimo da Síria. CITAÇÃO

Um frente-a-frente perigoso, irresponsável e potencialmente mortífero

Estes episódios decorrem enquanto a força aérea de Israel bombardeia território sírio de tempos a tempos, situação que está certamente na origem da actual chamada de um enviado israelita ao Ministério dos Negócios Estrangeiros em Moscovo. O plano golpista original prevê um bombardeamento de Damasco com as mesmas características do que atingiu Bagdade em 2003, ou seja, em vagas sucessivas durante dias consecutivos.

















Série «Os desastres da guerra», n.º 1: «Tristes presentimientos de lo que ha de acontecer». CréditosFrancisco de Goya y Lucientes (1746-1828)/Museu do Prado / cc commons
Desta feita, porém, e ainda em Março, Moscovo advertiu que não assistirá impávido aos acontecimentos. O aviso emitido então pelo chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, já foi repetido agora por vozes autorizadas do Kremlin.
Entretanto, Trump contactou Macron – o mesmo que se confessou tão irritado com a transferência da embaixada norte-americana em Israel para Jerusalém – mas ambos estão de acordo com a versão oficial do «ataque sírio com armas químicas» e, portanto, sobre a retaliação3. A posição do Reino Unido sobre estas matérias é mais do que conhecida.
O mundo «civilizado» continua a esticar a corda. Passou da fase da expulsão de diplomatas à iminência da guerra em armas para assassinar um presidente e mudar o regime de um país, tal como no Iraque e na Líbia. Mais uma agressão contra o direito internacional que, porém, coloca agora frente-a-frente as duas principais potências militares mundiais, no limite os dois blocos da bipolaridade planetária mais letal e irresponsável de sempre.
  • 1.Nome pelo qual é conhecido, em Nova Iorque, o edifício da Organização das Nações Unidas (ONU).
  • 2.Três moções serão apresentadas na sessão da próxima quinta-feira: uma pelos EUA e duas pela Rússia. A moção americana e uma das moções russas opõem-se e serão, tudo indica, reciprocamente vetadas. Porém, a Rússia vai apresentar uma segunda moção que pode ser subscrita por qualquer país «desejoso de estabelecer a verdade»: «Russia also asked the council to vote on a second new draft resolution on Tuesday that would specifically support sending investigators from the global chemical weapons watchdog to the site of an alleged deadly attack last Saturday. “US, UK and France can prove they want to establish truth by supporting this move,” Russia’s Deputy U.N. Ambassador Dmitry Polyanskiy posted on Twitter on Tuesday. The Organisation for the Prohibition of Chemical Weapons said on Tuesday that inspectors would travel to the Syrian rebel-held town of Douma to investigate reports of the attack that killed as many as 60 people». Ver «U.N. to vote three times on Syria as U.S., Russia duel», Reuters, 10 de Abril de 2018.
  • 3.A possibilidade de serem disparados mísseis de cruzeiro a partir de vasos de guerra franceses acaba de causar um momento de tensão entre militares russos e franceses. Ver «Amid Syria tensions, Russian jet flies low over French warship», Euronews, 10 de Abril de 2018.
https://www.abrilabril.pt/internacional/beira-do-abismo
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Os movimentos de guerra intensificam-se minuto a minuto no Médio Oriente, tendo como foco a Síria e reflectindo os preparativos de confronto assumidos pelas principais potências militares mundiais.
O Grupo de Ataque dirige-se, a partir de amanhã, dia 11 de Abril, para uma missão no Médio Oriente. O porta-aviões USS Harry S. Truman (CVN 75) e os navios atribuídos ao Grupo de Ataque Porta-aviões Harry S. Truman (Harry S. Truman Carrier Strike Group, HSTCSG), atravessaram em 16 de Fevereiro de 2018 o Oceano Atlântico durante a condução de um exercício de treino de unidade composta (Composite Training Unit Exercise, COMPTUEX), que avalia a capacidade de ataque do grupo, no seu conjunto, para levar a cabo operações de combate a partir do mar, certificando-o para posicionamento operacional, se necessário em ordem de batalha. Fotografia tirada no Oceano Atlântico, a 16 de Fevereiro de 2018.
O Grupo de Ataque dirige-se, a partir de amanhã, dia 11 de Abril, para uma missão no Médio Oriente. O porta-aviões USS Harry S. Truman (CVN 75) e os navios atribuídos ao Grupo de Ataque Porta-aviões Harry S. Truman (Harry S. Truman Carrier Strike Group, HSTCSG), atravessaram em 16 de Fevereiro de 2018 o Oceano Atlântico durante a condução de um exercício de treino de unidade composta (Composite Training Unit Exercise, COMPTUEX), que avalia a capacidade de ataque do grupo, no seu conjunto, para levar a cabo operações de combate a partir do mar, certificando-o para posicionamento operacional, se necessário em ordem de batalha. Fotografia tirada no Oceano Atlântico, a 16 de Fevereiro de 2018. CréditosScott Swofford, especialista de 2.ª classe em Comunicação de Massas/Released. / US Navy
Uma frota norte-americana que inclui o destroyer Donald Cook, equipado com mísseis de cruzeiro Tomahawk, está a cerca de 150 milhas das zonas de Tartus e Latakia, na Síria, onde a Rússia mantém o essencial do seu aparelho militar com o qual correspondeu ao pedido de apoio do governo legítimo de Damasco.
Esta aproximação dos barcos de guerra norte-americanos realiza-se sem qualquer aviso prévio, o que contraria as normas em vigor acordadas pelas duas principais potências militares mundiais. Razão pela qual os movimentos são acompanhados de perto por aviões militares russos – atitude que Washington qualifica como um cerco agressivo.
Em Washington, o presidente Donald Trump prometeu que «a Rússia, o Irão e o animal Assad pagarão o preço pelo ataque com gás» alegadamente realizado em 7 de Abril em Duma, uma das poucas zonas de Ghuta Oriental ainda em poder dos terroristas associados à Al-Qaida. A Reuters, habitualmente alinhada com as teses de Washington, e o próprio Observatório Sírio dos Direitos Humanos, entidade sediada em Londres e dirigida pelos serviços secretos britânicos, reconheceram que não é possível fazer uma «verificação independente» dos acontecimentos em Duma, chegando a admitir a hipótese de não terem sido utilizadas armas químicas.
Fontes oficiais militares citadas pela comunicação social norte-americana revelaram que o Pentágono e entidades como a Junta de Chefes do Estado-Maior, o CENTCOM e comandantes das forças norte-americanas estacionadas no Médio Oriente estão a fornecer ao presidente um conjunto de opções para um ataque contra o governo sírio, a anunciada «retaliação» suscitada por um «ataque químico» que não está clarificado. A realização de «bombardeamentos cirúrgicos» contra Damasco está entre elas.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas reúne-se, entretanto, a propósito do mesmo suposto ataque químico, provavelmente para preparar um instrumento que dê luz verde ao ataque norte-americano – estratégia de êxito duvidoso perante os mais que prováveis vetos da Rússia, eventualmente da China.
As forças militares russas na Síria foram colocadas em estado de alerta de combate, designadamente os sistemas de defesa anti-aérea S-400 e Pantsir S1; o mesmo acontece com a flotilha de Sukhoi SU-30SM estacionada em Tartus e Latakia.
Reeditando uma prática já utilizada perante navios de guerra norte-americanos circulando no Mar Negro, e que tanto alarmou o Pentágono, a Rússia activou os avançados meios de interferência electrónica ao seu dispor e que tornam «cegos» e «surdos» os drones que o Pentágono já pôs a voar nos céus da Síria.
Destacados oficiais israelitas e figuras de topo do regime sionista incitam o presidente norte-americano e o seu novo conselheiro de segurança, o fascista e militarista John Bolton, a lançar desde já mísseis contra o governo sírio.
Os últimos dias têm revelado um envolvimento cada vez mais activo de Israel na guerra imposta à Síria, tanto através de incursões aéreas e bombardeamentos contra território deste país, como de incitamento às potências ocidentais para elevarem o nível de agressão.
Este quadro remete para um cenário em que se formaram dois blocos em confronto: Estados Unidos, Israel, Reino Unido e França, por um lado; Síria, Rússia e Irão, pelo outro.
https://www.abrilabril.pt/ultimas-noticias-de-uma-guerra-em-movimento
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1abril2018
O grupo terrorista Jaich al-Islam, com ligações à Arábia Saudita, aceitou o acordo do governo sírio para abandonar o último reduto de Ghouta. Em troca do salvo-conduto, aceitaram libertar reféns e abandonar a artilharia pesada.
Bairro de Ghouta Oriental
De acordo com a agência SANA, já existe um acordo entre o governo sírio e o último grupo terrorista ainda a operar em Ghouta oriental, a coligação Jaich Al-Islam. Outrora membro da Frente Islâmica, o grupo com ligações à Arábia Saúdita aceitou o abandonar as suas posições
A troco de um salvo-conduto para Jarabulus que permita a sua saída de Douma, o último reduto no Leste de Ghouta, o grupo aceita abandonar as várias peças de artilharia pesada que tem sido usadas para bombardear o centro de Damasco, além de libertar todos os reféns civis e militares em sua posse, entre outras exigências.
Em comunicado, divulgado ontem, o Comando Geral do Exército e das Forças Armadas Sírias afirma que «o exército está a assegurar a saída de dezenas de milhares de civis, que estavam a ser usados pelos terroristas como escudos humanos, para centro temporários com condições para uma vida decente».
Com a saída do grupo, a retomada total de Ghouta está muito próxima de concluída, tendo o governo sírio já declarado «vitória completa», permitindo assim o regresso da segurança e estabilidade à capital.
https://www.abrilabril.pt/internacional/extremistas-aceitam-acordo-para-sairem-de-ghouta
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24mar2018
 A cidade de Harasta, na região de Ghouta Oriental, foi libertada dos grupos terroristas, esta sexta-feira. Entretanto, em Afrin, a Turquia prossegue com a destruição de património arqueológico
 Tropas do Exército Árabe Sírio comemoram vitória após retirada das forças ocupantes

Com a evacuação de Harasta, o Exército Árabe Sírio (EAS) dá cumprimento à ofensiva lançada em meados de Fevereiro com o objectivo de libertar a região de Ghouta Oriental dos grupos terroristas.
De acordo com o Crescente Vermelho Árabe Sírio, citado pela Prensa Latina, os primeiros 410 terroristas armados, de um total de 1500, deixaram a cidade de Harasta em direcção à província de Idlib, no norte do país, não sem apagarem informação importante. Em vários locais da cidade foram observadas nuvens de fumo que indicam que os grupos terroristas queimaram documentos para esconder ligações a países estrangeiros.
O Crescente Vermelho Árabe Sírio acrescenta que, para além da evacuação dos primeiros terroristas, foram libertados cerca de 1600 civis, de um total de seis mil que serão evacuados.
Dados do Ministério da Defesa da Rússia revelam que mais de 79 600 civis partiram para zonas seguras, nos últimos dias. Nos acampamentos temporários construídos para acolher estes deslocados, o exército sírio e o Crescente Vermelho têm vindo a assegurar as necessidades básicas aos milhares de cidadãos que foram feitos reféns pelos grupos terroristas radicados na região de Ghouta Oriental.
Entretanto, segundo relatos transmitidos pela Prensa Latina, prevê-se que os extremistas abandonem também as cidades do sul de Ghouta Oriental, como Zamalka, Ayn Tarma, Jobar e Arbeen.
A agência latinoamericana acrescenta que, em Ayn Tarma, as forças armadas sírias recuperaram um importante complexo de fábricas de engenharia que os grupos terroristas usavam para reparar e fabricar as suas armas e outros equipamentos de guerra.

Agressão Turca destrói património mundial

A Turquia bombardeou na passada quarta-feira o sítio arqueológico de Brad, localizado a 15 quilómetros da cidade de Afrin, reconhecido como Património Mundial da Unesco, em 2011. A destruição é acompanhada por várias pilhagens e saques nos territórios, agora ocupados pelas forças turcas.
Este local, que antes do início da guerra  na Síria foi visitado por milhares de turistas, inclui igrejas monumentais, mosteiros bizantinos, cemitérios e edifícios que datam do período romano, no segundo e terceiro séculos depois de Cristo.
A denúncia partiu da Direcção-Geral de Antiguidades e Museus da Síria, segundo a qual o regime turco destruiu intencionalmente vários sítios arqueológicos na cidade de Afrin, incluindo o Templo de Ein Dara.
O director, Mahmud Hamud, acrescenta que essa nova agressão revela um plano sistemático para destruir a herança, a civilização, a identidade e a história da Síria e dos sírios. Ao mesmo tempo, instou a Unesco e outras organizações internacionais a condenarem a «constante agressão» turca contra os sítios arqueológicos da Síria.
No passado mês de Janeiro, o presidente da Síria, Bashar al-Assad denunciava em comunicado que «a agressão brutal da Turquia contra a cidade síria de Afrin não pode ser isolada da política implementada pelo regime turco desde o primeiro dia da crise na Síria, que assenta fundamentalmente no apoio ao terrorismo e a organizações terroristas, independentemente das suas designações».
 https://www.abrilabril.pt/internacional/governo-sirio-ja-recuperou-cerca-de-90-de-ghouta-oriental
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22mar2018
José Goulão:
 Na Síria não se trava qualquer guerra civil mas uma agressão externa através de nações vizinhas e grandes potências da NATO que pretendem derrubar o governo e retalhar o país em entidades submissas e dóceis para com os que se vêem como donos daquilo tudo: Israel e Arábia Saudita.

Janeiro de 2017. Em Aleppo libertada dos Jihadistas, o lento regresso a casa.
Foto de Alepo - jan2018
 Explica-nos a versão oficial da História, a única, a indiscutível, a que cabe na informação com chancela de legitimidade, que a «guerra civil» na Síria teria começado em Março de 2011, quando as hordas do «tirano» Assad esmagaram as manifestações populares «pró-democracia» inseridas na saga libertadora das «primaveras árabes».
À partida, todos concordaríamos que seria missão impossível contaminar um parágrafo de 50 escassas palavras com uma dose elevada de falsificações e distorções da realidade. Tratando-se, sobretudo, da história condenada a ficar para a História. Mas tal como são ínvios os caminhos do Senhor, também inesgotáveis são os dotes da propaganda; e assim o impossível se transforma em sentença comum, mesmo que em forma de fábula. Todas as asserções contidas nas primeiras orações deste texto correspondem a factos mistificados. Todas, sem excepção. Porém, todas elas correspondem também à realidade informativa que molda o nosso quotidiano.

A guerra americana contra a Síria e a «guerra civil» síria

Na Síria não se trava qualquer guerra civil. O conflito que continua a flagelar o território onde existia uma das sociedades mais tolerantes, inclusivas, produtivas e culturais do Médio Oriente e do mundo árabe é uma agressão externa em que, através de nações vizinhas, grandes potências da NATO pretendem derrubar o governo e retalhar o país em entidades submissas e dóceis para com os que se vêem como donos daquilo tudo: Israel e Arábia Saudita. Para tal, velhas e novas potências coloniais recorrem a interpostos exércitos, os bandos de mercenários que o mundo foi aprendendo a associar à chancela abrangente de «terrorismo islâmico» e a dois dos seus ramos dominantes, a Al-Qaida e o Daesh, ou Isis, ou Estado Islâmico.
Sobre os anseios de liberdade e democracia manifestados pelos cidadãos sírios e não-sírios que surgiram nas ruas, ali e acolá, nos primeiros meses de 2011, será essencial consultar outras fontes além das que nasceram puras e impolutas, tais como os «capacetes brancos» – apenas mais um heterónimo da Al-Qaida – ou o «Observatório Sírio dos Direitos Humanos», algumas dezenas de amanuenses contratados pelos serviços secretos britânicos e afins emitindo de um escritório em Londres as mensagens «em directo» da Síria que logo se transformam em manchetes de jornais e aberturas de telejornais em todo o mundo e numa babel de idiomas.
Quem procurar informar-se objectivamente sobre as realidades desses dias nas ruas de algumas localidades da Síria à luz das alegadas motivações populares na procura da democracia e dos direitos humanos, poderá sentir-se frustrado. As palavras de ordem, os panos e bandeiras reclamando «um presidente temente a Deus», exigindo «os cristãos para Beirute, os alauitas para a cova» ou «liberdade para a Charia», a lei islâmica ao estilo saudita, desmentem as romanescas versões dos acontecimentos constantes dos despachos chegados até nós.
Por ocasião dos acontecimentos iniciais, o presidente Bachar Assad recebeu os organizadores da maior manifestação, que decorreu em Hama e juntou cerca de cem mil pessoas; quis conhecer as reivindicações e, para início de conversa, foi informado da principal: «que os alauitas fossem impedidos de aceder a Hama». Os alauitas são um ramo da confissão islâmica xiita a que pertence a família Assad. Presume-se que a reunião tenha ficado por aí.
Quanto às interpretações sobre a chegada da «vaga libertadora» das «primaveras árabes» à Síria podem ser muitas e variadas, embora errando quase todas o alvo.

Em vez de falsas primaveras, um duro inverno

O que foram as «primaveras árabes» como réplicas da multiplicação das «revoluções coloridas» organizadas pela CIA, através de falsas «organizações não-governamentais», em países do Leste da Europa, é um tema a merecer tratamento próprio e muito brevemente. Por ora, é importante saber que múltiplas investigações independentes expuseram como objectivo comum dessa operação transnacional a substituição de regimes laicos e com vocação nacionalista por outros mais dóceis perante as ambições neoliberais e neocoloniais.
O principal instrumento manipulado para o efeito foi a confraria islamita da Irmandade Muçulmana, dependente da Arábia Saudita, sobretudo desde que nos anos cinquenta do século passado foi moldada por serviços secretos ocidentais quando planearam a instrumentalização estratégica do islamismo político, no âmbito da guerra fria. À luz desta interpretação é fácil deduzir as razões pelas quais o tão altruísta como libertador movimento primaveril não tenha tocado, sequer ao de leve, regimes reconhecidamente democráticos, transparentes e amigos dos direitos humanos como os da Arábia Saudita, do Qatar, do Koweit, dos Emirados Árabes Unidos e afins; ou tenha sido sumariamente desencorajado por uma sangrenta invasão das tropas sauditas – a coberto do Conselho de Cooperação do Golfo, um braço da NATO – quando se repercutiu no Bahrein.
A mãe de todas as mistificações deste processo, porém, é a da data do início da guerra contra a Síria. Para que fique associada a supostas matanças cometida pelos militares sírios contra os manifestantes movidos pela dinâmica das «primaveras árabes», foi fixada em Março de 2011, quando mercenários transferidos do Afeganistão e do Iraque para a cidade de Deraa se apropriaram de uma legítima manifestação de trabalhadores reivindicando aumentos salariais e saquearam o palácio da justiça. No mesmo dia, atacaram um centro dos serviços secretos nos arredores da mesma cidade, uma instalação que era utilizada para monitorizar a actividade do exército de Israel no território ocupado dos Montes Golã. A operação foi enquadrada por agentes dos principais interessados: os serviços secretos israelitas do Mossad.
Movimentações com as mesmas características provocatórias para as estruturas do poder de Damasco repetiram-se em algumas outras cidades, logo ecoadas pela estação Al-Jazeera do Qatar e repercutidas pelo «Observatório Sírio dos Direitos Humanos» de modo a transformar-se, mediaticamente, numa ideia de levantamento nacional «contra o regime de Assad». Contudo, entre os mais de cem mortos registados nas primeiras semanas de agitação o maior número era de polícias e militares, uma vez que, na generalidade dos casos, continuavam a respeitar as ordens governamentais de não disparar contra manifestantes. E o governo decidiu mesmo levantar o estado de emergência, que vigorava há muito, quando se previa a adopção de medidas mais restritivas.

Como tudo verdadeiramente começou

Porém, a guerra contra a Síria, a verdadeira guerra, há muito que estava anunciada e em andamento – nada tendo a ver com liberdade, a democracia e os direitos humanos.
Foi em 2002, com a proclamação da «guerra contra o terrorismo» na ressaca do 11 de Setembro de 2001, e com a invasão do Afeganistão em curso, que George W. Bush escreveu aos dirigentes sírio e líbio, Bachar Assad e Muammar Khaddafi, intimando-os a aniquilar as armas de destruição massiva que teriam em seu poder; caso contrário, sujeitar-se-iam às consequências. A metodologia era a mesma que estava a ser usada em relação ao Iraque. E os armamentos citados revelaram-se tão reais como os que nunca foram encontrados em território iraquiano.
No ano seguinte, novo desenvolvimento: Bush fez o Congresso aprovar o Syrian Accountability Act, lei que lhe dava mãos livres para lançar a guerra contra a Síria quando e como desejasse.
Em 2005, no discurso sobre o Estado da União proferido no início de Fevereiro, George W. Bush relembrou estrategicamente a existência dessa lei; duas semanas depois, o primeiro-ministro do Líbano, o saudita e libanês Rafic Hariri, foi vítima de um atentado – imediatamente atribuído ao Hezbollah e alegadamente cometido sob orientação do presidente libanês, Emil Lahoud, e do Presidente sírio, Bachar Assad.

O «nó» libanês resistiu à espada

Hoje, mercê das investigações feitas por diplomatas e jornalistas que não digerem facilmente as explicações imediatas dos atentados terroristas, sabe-se que o assassínio de Hariri significou o arranque da operação «Revolução dos Cedros», que deveria culminar com o desembarque de marines norte-americanos na Síria para derrubar o governo. Segundo a estratégia idealizada pelos responsáveis pelo atentado – círculos oficiosos ligando os Estados Unidos, França, Alemanha e Israel, conforme agora se sabe – as «manifestações populares» a organizar no Líbano contra o assassínio do chefe do governo deveriam ser reprimidas pelas tropas sírias estacionadas em território libanês, forçando o Pentágono a repor a ordem removendo militarmente o governo de Damasco.
Em vez disso, porém, o presidente sírio retirou rapidamente as suas tropas do Líbano e assim desmontou a provocação, frustrando a «revolução dos cedros» – que ficou no ovo.
Os conspiradores não desistiram. Montaram então a operação «Jasmim Azul», em 2006. No seguimento de uma legítima acção de resistência do Hezbollah contra soldados israelitas, que mais uma vez se tinham infiltrado no Líbano, Israel voltou a invadir em força este país. Quando se esperava que o grupo xiita, braço armado do terceiro maior partido político libanês, fosse dizimado por um dos mais fortes e bem equipados exércitos mundiais, David tramou Golias de novo. A Israel valeu o cessar-fogo imposto pelo Conselho de Segurança da ONU para aceder a um «empate técnico» no conflito, ainda assim humilhante e desconcertante. De qualquer forma, e ao contrário do que tinham previsto os estrategos da operação, as tropas sírias não foram socorrer o Hezbollah, que se desenvencilhou sozinho, e mais uma vez os planos de retaliação prevendo que os marines assaltassem Damasco e liquidassem o regime ficaram no papel.

O sonho imperial tropeça na resistência Síria

Já em 2010, em vésperas da euforia das «primaveras árabes» e no seguimento do acordo de Lancaster House entre David Cameron e Nicolas Sarkozy – que culminaria com a destruição da Líbia – a União Europeia entrou em cena. Propôs ao presidente sírio um acordo de associação com as seguintes contrapartidas, para pegar ou largar: liberalização total da economia; reconhecimento de que a ocupação israelita dos Montes Golã era um facto consumado; normalização das relações com Israel.
Como seria fácil de prever – e Bruxelas sabia-o muito bem – Assad não aceitou. A União Europeia voltaria a reactivar o engodo do acordo de associação para abrir caminho ao golpe de 2014 na Ucrânia, onde, a pretexto da democratização, organizações saudosistas dos tempos de Hitler chegaram ao poder em Kiev.
Seguiu-se então o início oficial da guerra contra a Síria, segundo o método das «primaveras árabes».
Como a Rússia, porém, informou Washington de que não voltaria a deixar-se enganar pela interpretação abusiva das decisões do Conselho de Segurança que permitiram à NATO desmantelar a Líbia, Obama pareceu levar a sério a advertência. As negociações de Genebra sobre a Síria, nas quais se envolveram apenas as duas grandes potências, terminaram em acordo no final de Junho de 2012, e a guerra poderia ter ficado por aí.
Surgiu então à boca de cena a secretária de Estado de Obama, Hillary Clinton, declarando que tinha sido forçada a assinar o entendimento de Genebra; e logo encontrou apoios nos governos de França, Reino Unido, Turquia, Arábia Saudita e demais petroditaduras do Golfo, a que outras nações se foram juntando. Os Estados Unidos sabotaram por um lado o acordo com Moscovo, que tinham estabelecido por outro. Se a diplomacia é a arte do possível, também pode ser a da trapaça.

Com «amigos» desses não são precisos inimigos

Nasceu assim o «Grupo de Amigos da Síria», que montou um sistema de «oposição» armada supostamente em torno de desertores das tropas governamentais, mas assente, em massa, nos exércitos de mercenários recrutados um pouco por todo o globo. Numa primeira fase, ainda em 2012, mais de 40 mil terroristas foram injectados na Síria a partir da Jordânia, sob enquadramento da NATO, depois de treinados pela CIA. Foi numa reunião desses «Amigos da Síria», realizada posteriormente em Marrocos, que o ministro francês dos Negócios Estrangeiros de Hollande, Laurent Fabius, saudou a Al-Qaida por estar a fazer «um bom trabalho».
A guerra contra a Síria prossegue. Oficialmente entrou no oitavo ano; na realidade decorre há 16 anos no âmbito de um processo amplo que nada tem a ver com a democracia, intuitos humanitários, liberdades ou direitos humanos.
O objectivo que está essencialmente em causa é o desenho de um novo mapa do Médio Oriente que passa pelo desmantelamento de países incómodos para Israel e a eliminação de correntes políticas, ideológicas e militares que possam mobilizar resistências ao pleno domínio colonial da região; uma estratégia para ser assegurada operacionalmente pelo eixo Israel-Arábia Saudita, cada vez mais oleado. A cooperação militar no desmantelamento do Iémen e a partilha de tarefas capazes de garantir o funcionamento das redes de mercenários «islâmicos» na Síria são disso exemplos flagrantes, mas não únicos. Israel enquadra actualmente sete grupos terroristas que actuam no Sul do território sírio tentando fomentar uma dinâmica separatista.

A «guerra contra o terrorismo» e o «novo Médio Oriente» do capital sem pátria

Uma leitura da guerra na Síria ou de qualquer outra na região que não tenha em conta estes dados será incompleta, distorcida e distante da realidade. A «guerra contra o terrorismo» nascida dos atentados contra as torres gémeas em Nova Iorque – cujas explicações oficiais são reconhecidamente uma fraude – é o principal instrumento para criação de um «novo Médio Oriente» constituído essencialmente por pequenos Estados, de preferência confessionais e sectários, incapazes de inquietar Israel.
Os grandes conglomerados mundiais sem pátria ambicionam que o «novo Médio Oriente» seja uma região colonialmente reestruturada que assegure, sem problemas, o controlo dos recursos energéticos e as rotas dos combustíveis fósseis em direcção aos principais centros nevrálgicos do poder financeiro, económico e tecnológico globalizante; e que não permita às poderosas nações do Oriente, sobretudo a China, a restauração do funcionamento pleno da chamada “Rota da Seda”, isto é, a mais estratégica via para o comércio terrestre global.
Na Síria, como em outras coordenadas do Médio Oriente, a concretização desta estratégia de domínio está entregue operacionalmente a organizações de mercenários recrutados entre os pobres e excluídos do mundo, por sinal os mesmos grupos que deveriam estar a ser alvos da «guerra contra o terrorismo» e se regeneram a si mesmos com uma assombrosa flexibilidade. Por aqui se entendem muitas das razões pelas quais o primeiro parágrafo deste texto consegue encaixar em apenas 50 palavras – num atrevido desafio às leis da Física – uma tão elevada dose de mistificações da realidade.https://www.abrilabril.pt/internacional/guerra-contra-siria-ou-de-como-se-falsifica-historia
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12mar2018
urge ver informAÇÃO independente...URGE VER OS 2 LADOS DA CONTENDA e decidir então...Há pouco, finalmente, na RTP3, vi reportagem de Goutha com poucos segundos de contraditóRIO ao que nos chegava tds os dias, em avalanche...Populares a dizerem que os rebeldes e terroristas prendiam crianças/idosos/ civis nas caves e não os deixavam sair para receberem o apoio humanitário...os famosos capacetes brancos e o "observatório" estão ao serviço destes rebeldes/terroristas que têm gerado, estes anos todos, a guerra na Síria...entretanto os EUA já ameaçam intervir, para quê? Provavelmente para se ver que nesta "resistência", tal como em Alleppo estão altos quadros militares americanos???
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José Goulão
Ao jantar serve-se uma violência obscena. Crianças agonizantes, «socorristas» de capacetes brancos. Atrás da câmara, o anónimo «correspondente» fala de armas químicas. O noticiário prossegue para as condenações inflamadas: Washington, Londres, Paris. Para a indústria da morte, o cenário está montado.
Serão certamente muitas as pessoas que até há um mês jamais teriam ouvido falar da região de Ghuta, na Síria, e hoje já sabem tudo o que ali se passa, desde que seja provocado pela essência maléfica do «tirano Bachar Assad». Estar informado é fácil, basta consumir o prato de resistência que nos é servido a cada jantar, dia-após-dia, com somas de pormenores macabros que não cuidam das recomendáveis doses q.b. e nos atormentam tanto a ingestão como a digestão para que a tragédia não passe de largo.
O mesmo aconteceu a propósito de Alepo1, por exemplo; já não tanto no caso de Mossul, e de maneira nenhuma com o genocídio e os crimes contra a humanidade que continuam a ser praticados em Gaza. É naturalíssimo que assim seja: os critérios de selecção e a definição da escala de importância dos acontecimentos são inquestionáveis atributos dos agentes da informação global deste admirável mundo novo. E coisa alguma existe mais fácil de explicar do que uma guerra.

Ghuta: o jornalismo pode e deve ter memória

Algumas memórias pessoais talvez tenham arquivado a palavra «Ghuta» a propósito de acontecimentos igualmente sangrentos vividos em Agosto de 2013, altura em que nos garantiram, a toda a hora e sem qualquer reserva, que o mesmo «tirano Bachar Assad» tinha usado armas químicas contra a população dessa região matando 1700 pessoas, um terço das quais crianças.
Talvez sejam menos aqueles que se lembram de a jurista suíça Carla Del Ponte2, à cabeça de uma comissão da ONU para investigação do massacre, ter então concluído, «estupefacta», que o massacre com gás sarin foi cometido pela «oposição» síria, mais propriamente a Al-Qaida; circunstância que obrigou o então presidente Obama – conhecido por não se acanhar perante oportunidades para guerrear – a cancelar o bombardeamento «de retaliação» que já tinha preparado contra Damasco3.
Sucedeu-lhe o primo Mohamed Zaluche, que além de manter o clima de terror em toda a região ocupada se destaca por perseguir especialmente os homossexuais, juntando-os aos prisioneiros para funcionarem como «escudos humanos» ou lançando-os sumariamente dos telhados dos prédios. Foi a maneira que o herdeiro Zaluche encontrou de condenar a tolerância que há longo tempo existe na Síria em relação às orientações sexuais, consideradas do foro privado de cada um, uma realidade que a comunicação global desconhece ou finge desconhecer, caindo até no ridículo de atribuir ao regime as perseguições homofóbicas10.
Pois Mohamed Zaluche foi um dos representantes da «oposição» presente nas negociações internacionais de Genebra. Para que tal fosse possível, o encarregado de negócios de França nesta cidade suíça tomou em mãos o encargo de mandar cobrir e disfarçar os casos de nudez em obras de arte existentes no hotel destinado ao sensível hóspede chegado de Ghuta Oriental. Cuidado que, aliás, nada tem de novo pois já a Inquisição católica, no século XVI, mandou tapar sectorialmente os primorosos frescos de Miguel Ângelo nos tectos da Capela Sistina.

A intervenção estrangeira é uma verdadeira guerra secreta contra a Síria

Este pequeno exemplo de prestimosos serviços diplomáticos prestados pela França a um expoente do terrorismo islâmico «moderado» segue a linha vigente ainda em Ghuta Oriental, onde o «Exército do Islão» e outras designações encaixadas na estrutura da Frente al-Nusra, isto é, a al-Qaida, recebem múltiplos apoios governamentais francês e britânico através dos respectivos Ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Defesa.
Além do enquadramento operacional pelo SAS, pelo próprio MI6 (serviços britânicos de espionagem) e pela DGSE francesa, os grupos mercenários ditos «islâmicos» e ditos «moderados» recebem um vasto conjunto de outros apoios, designadamente no âmbito de design de fardamentos, logos identificativos, organização de desfiles propagandísticos dos esquadrões de mercenários e elaboração de materiais de comunicação como fotos, vídeos, websites, brochuras e relatórios militares.
Para tal, o ministério britânico dos Negócios Estrangeiros contratou empresas de «gestão de crise» como a Regester Larkin e a Innovative Communications & Strategies, para trabalharem sob a supervisão do Ministério da Defesa. Ambas as sociedades têm instalações em Londres e em Washington. Estas cumplicidades governamentais franco-britânicas com o terrorismo actuando na Síria não foram reveladas por qualquer lunático viciado em teoria da conspiração, mas pelo circunspecto e bem comportado diário Guardian.

No terreno, as multifacetadas orientações de apoio transmitidas pelos governos de Londres e Paris são passadas à prática, ombro-a-ombro com os grupos jihadistas, por «organizações não-governamentais» transformadas pela propaganda em símbolos do altruísmo e do humanitarismo. É o caso dos Médicos sem Fronteiras, que serve de disfarce a actividades da DGSE; dos Capacetes Brancos (White Helmets), que já chegaram ao estrelato dos oscares de Hollywood11, da Adam Smith International (ASI), da Integrity Global, entre outras.
Muitas das crianças de Ghuta Oriental não recordam os dias antes do conflito.

O enigma das armas químicas

O uso e abuso de armas químicas pelas tropas governamentais continua, aliás, a ser um tema âncora do cenário informativo montado para a Síria4; nulo relevo tem merecido, porém, a declaração pública feita há dias pelo secretário norte-americano da Defesa, o general James Mattis5, segundo a qual Washington «não tem provas» da utilização desse tipo de armas pelas forças regulares sírias. A prestigiada Newsweek teve o cuidado de pedir a Mattis que confirmasse o depoimento, o que este fez e assim foi publicado6. Uma informação tão bombástica, digna, pelo menos, de ser oferecida como sobremesa das nossas refeições, morreu assim, quase em segredo, nas páginas da prestigiada revista norte-americana.

A ocupação terrorista

A região de Ghuta é parte da grande Damasco, isto é, integra os vastos subúrbios da capital síria. O sector oriental de Ghuta está ocupado militarmente pelos terroristas da Al-Qaida desde 2012 e os cerca de 400 mil habitantes da altura estão reduzidos a 250 mil7. Apesar das restrições à circulação impostas pelos mercenários jihadistas em Ghuta Oriental, muitos milhares de pessoas conseguiram refugiar-se em bairros de Damasco, aterrorizados com a imposição da Charia – normativo legislativo que corresponde a uma leitura fundamentalista do islamismo político – e pelos exercícios de «devoção» impostos arbitrariamente, mercê dos quais, por exemplo, cidadãos comuns são degolados em público por se recusarem a escrever ou proclamar que «Assad é um cão».

Terroristas «radicais» e «moderados»: percebe a diferença?

São várias as designações usadas pelos grupos terroristas que ocupam Ghuta Oriental, alguns dos quais se extinguiram ou mudaram de nome8, mas todos eles têm em comum a dependência da estrutura tentacular da Al-Qaida, do financiamento pela Arábia Saudita ou pelo Qatar, e dos interesses da família Alluche, que se alongam até Londres, e patrocina directamente o Jayah al-Islam – «Exército do Islão».
O mimetismo das duas principais redes de mercenários – Al-Qaida e Daesh – graças ao recurso a uma volátil miríade de heterónimos, traduz a verdadeira fronteira entre «moderados», abertamente apoiados pela NATO e as grandes potências da União Europeia, e os «radicais», supostamente por elas combatidos. Os «moderados» têm assento nas recorrentes negociações entre o governo e a «oposição», sob mediação internacional; é através deles, ausentes da lista de «organizações terroristas» elaborada pela ONU, que os principais grupos ditos «radicais», nela incluídos, se tornam assim parte dos processos de discussão sobre «o futuro da Síria».
Por serem «moderados», os grupos que ainda controlam Ghuta Oriental, sob o comando operacional da Al-Qaida, estão enquadrados, no terreno, por agentes de elite do SAS (Special Air Service) britânico e da DGSE (agência de espionagem francesa), o que faz deles esquadrões da agressão franco-britânica contra a Síria como Estado soberano.
O «Exército do Islão» é um exemplo acabado de «moderação» e «vocação democratizadora». O seu patrono entre o Verão de 2012 e 2015, Zahran Zaluche, prometia semanalmente tomar Damasco na semana seguinte e executar, sem julgamento, «todos os infiéis», isto é, os não-sunitas que não cabem na definição do seu conselheiro religioso, o pregador whaabita Abd al-Azis ibn Baz ao serviço do islamismo político saudita. Foi o patriarca da família Zaluche, falecido em 20159, quem institucionalizou a transferência dos «infiéis» das prisões para os telhados dos prédios urbanos, para servirem de escudos humanos sempre que o exército sírio respondia aos constantes bombardeamentos de obuses contra Damasco.
https://www.abrilabril.pt/internacional/o-lado-oculto-das-matancas-de-ghuta
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1mar2018
Raqqa...?ouviram falar?...é a zona da Síria controlada pelos Curdos/EUA...Tb tem crise humanitária..
O Ministério russo da Defesa propôs às Nações Unidas a criação de uma comissão para avaliar a situação humanitária em Raqqa, no Norte da Síria, e a abertura de corredores humanitários junto a Al-Tanf e Rukban, perto da fronteira com a Jordânia e sob controlo norte-americano.
Numa carta dirigida esta quinta-feira ao representante especial das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, o ministro russo da Defesa, Sergei Shoigu, afirma que seria recomendável abrir corredores humanitários a partir da área de Al-Tanf e do campo de refugiados de Rukban, numa zona do território sírio junto à fronteira da Jordânia e do Iraque que é controlada por forças militares norte-americanas.
O ministro sugere ainda a constituição de uma comissão internacional destinada a verificar a situação humanitária em Raqqa, cidade que foi durante alguns anos o bastião do chamado Estado Islâmico e se encontra agora em poder de forças curdas apoiadas pelos EUA, indica a agência Tass, citada pela PressTV.
A sugestão do titular da pasta da Defesa russa segue-se aos alertas feitos ontem por Igor Konashenkov, porta-voz do mesmo ministério, sobre a actual crise humanitária em Raqqa, que a «coligação liderada pelos EUA está a ignorar».
Konashenkov disse que os bombardeamentos norte-americanos destruíram mais de 80% dos edifícios da cidade e que as áreas residenciais tinham ficado privadas de água e electricidade. Em Raqqa, que chegou a ter 200 mil habitantes, vivem actualmente cerca de 40 mil pessoas, acrescentou.
 A cidade de Raqqa, destruída pelos bombardeamentos da aviação e da artilharia, após intensos meses de combate
Por outro lado, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, instou a coligação liderada pelos EUA – que opera na Síria, alegadamente para combater o Daesh, como uma força invasora, sem autorização do governo de Damasco – a assegurar  «o acesso humanitário a áreas sob o seu controlo, incluindo o campo de refugiados de Rukban e toda o território em redor de Al-Tanf».
De acordo com os russos, no campo de refugiados, localizado perto da fronteira com a Jordânia, permanecem 60 mil pessoas contra sua vontade. À zona estratégica que circunda Al-Tanf – ali se juntam as fronteiras da Síria, da Jordânia e do Iraque – os russos já chamaram um «grande buraco negro», uma zona controlada pela coligação liderada pelos norte-americanos, onde, acusa Moscovo, operam e são treinados combatentes terroristas.

Situação em Ghouta Oriental

As sugestões de Moscovo às Nações Unidas relativamente a Raqqa e ao «buraco negro» no Sul seguem-se ao esforço de russos e sírios para abrir corredores humanitários e implementar pausas humanitárias, com a duração de cinco horas, em Ghouta Oriental, região nos arredores de Damasco em poder de vários grupos terroristas.
O objectivo é, na sequência da aprovação da resolução 2401 pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, no sábado passado, fazer com que a ajuda chegue à população civil e facultar-lhe a possibilidade de sair da região, onde Damasco leva a cabo uma grande ofensiva anti-terrorista.

Esta quinta-feira, o general russo Vladimir Zolotukhin disse à imprensa que os civis retidos pelos terroristas em Ghouta Oriental fizeram inúmeros pedidos de evacuação, mas que os corredores criados para esse efeito continuaram a ser bombardeados pelos extremistas.
Apesar disto – e de há dois meses andarem a lançar obuses e morteiros para o centro de Damasco, provocando dezenas de vítimas mortais e feridos entre a população civil –, as potências ocidentais e seus porta-vozes mediáticos têm levado a cabo uma forte campanha destinada a culpar o «regime de Assad» e a Rússia pelo que se passa em Ghouta Oriental. E valem-se da manipulação mais espúria. Tal como o fizeram em Alepo, em 2016.
https://www.abrilabril.pt/internacional/russia-pede-onu-que-avalie-situacao-humanitaria-em-raqqa
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28feVER2018
Foto de bombardeamento saudita no Iémen, já partilhado 
nas redes sociais como sendo em Goutha, na Síria
Woodrow Wilson, depois do final da I Grande Guerra, considerava que os Estados deviam ter em conta a Opinião Pública nas tomadas de decisão. Aliás, deveria ser a Opinião Pública a definir o caminho dos Estados. À parte de outros contributos para uma tentativa de reorganização do Sistema Internacional, o então presidente dos EUA esqueceu uma parte essencial sobre o que é a Opinião Pública, como se forma, quem a forma e com que meios. 

Quase 100 anos depois, fica clara a insuficiência do pensamento, mas mantém relevância na análise da realidade internacional. A Opinião Pública é formada, informada e enformada, essencialmente, pela classe dominante, que controla o poder económico e os agentes que formam Opinião Pública, que por sua vez controlam os Estados, sendo os seus interesses antagónicos com os da Opinião Pública, que os assume, por paradoxal que possa parecer. Os dias de hoje deixam isso a nu. A manipulação da Opinião Pública atingiu dimensões inimagináveis há 100 anos. É por isso que os interesses dominantes atribuem diferentes graus de valor àquilo que chega e como chega à Opinião Pública e que, por conseguinte, a forma.

Daqui podemos verificar as diferenças de tratamento da crise na Venezuela, que nos chega como governamental, de sistema político e económico, mas na Colômbia e México são ciclos económicos e vagas de criminalidade, nas Honduras ou no Haiti a crise chega-nos como humanitária.

É por isto que, por vezes, abordamos a questão Síria, com toda a tragédia e complexidade que a envolve, pegando em imagens de Aleppo antes da libertação como sendo da Goutha. E, desvalorizando esse facto, assumimos que é trágico na mesma, porque as imagens não devem ser muito diferentes. Mas, no entanto, a normalização de imagens deslocadas da realidade que pretende retratar, é também uma forma de manipulação da Opinião Pública.
Habituámo-nos à violência em Gaza, por exemplo, a cujas fotografias de Aleppo também poderiam corresponder. Mas dura há tantos anos que já entra na nossa realidade como norma. Em Gaza é assim porque é assim.
Isto para dizer que a Opinião Pública que formamos a partir do que recebemos nos chega, não raras vezes, de forma a que resulte na seletividade do choque.
A diferença substancial no que concerne à perceção que chega à Opinião Pública, é que a intervenção no Iémen, com vista a depor o governo, é composta por EUA, Reino Unido, França e Arábia Saudita. O lado ocidental da perceção, portanto. Por incrível que pareça, sim, a visão saudita é também a que interessa ao Ocidente.
E é esta a raiz do problema e da perceção que nos chega, na formação da Opinião Pública. Um oleoduto que deixaria de fora os países do Médio Oriente com relações próximas com os EUA e os seus aliados, perdendo o controlo da sua distribuição, perante uma segunda hipótese, que permitiria abastecer a Europa a partir de outros países menos recetivos às interferência externas.
São estas razões que fazem com que Goutha, na Síria, nos pareça tão perto, e Sanaa, no Iémen, nos pareça tão
distante.
http://manifesto74.blogspot.pt/2018/02/a-siria-aqui-tao-perto.html
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28feVER2018
Há terroristas instalados em Ghouta que não deixaram sair a população civil e que agora tb não estão a deixar sair...porque será que não dão nos ("democráticos/ocidentais meios de com.social") estas notícias???..porque dão só imagens do observatório londrino e dos capacetes brancos que já provaram a quem servem com a sua contra/informação... Porque não dão informação dos Sírios que estão em Damasco?
Apesar da resolução aprovada este sábado no Conselho de Segurança das Nações Unidas, os morteiros continuam a cair sobre vários bairros de Damasco. Para além disso, os terroristas instalados em Ghouta Oriental não estão a permitir a saída da população civil ali retida.
Fontes militares confirmaram à imprensa que prosseguem, em larga escala, as operações iniciadas há mais de uma semana para libertar a região damascena de Ghouta Oriental de grupos terroristas.
As várias facções extremistas ali localizadas, ligadas à Al-Qaeda e à Al-Nusra, anunciaram recentemente que passariam a responder a um comando único, para tentarem travar a investida do Exército Árabe Sírio (EAS).
Há anos que estes grupos aterrorizam a população local e, nas últimas semanas, têm intensificado os ataques com obuses e morteiros contra vários bairros de Damasco, provocando centenas de vítimas mortais e feridos entre a população civil, segundo revelam as autoridades sírias.

Resolução da ONU e acção dos terroristas

As últimas operações e avanços do EAS no terreno seguiram-se ao lançamento, pelos terroristas, de 31 morteiros contra várias áreas residenciais da capital síria e são já posteriores à resolução aprovada, no sábado, pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU), que determina a aplicação de um cessar-fogo humanitário de 30 dias em todo o território sírio, mas não contempla os combates a grupos terroristas como o Daesh, o chamado Exército do Islão, a Frente al-Nusra e outras organizações ligadas à Al-Qaeda.
A resolução prevê a criação de corredores humanitários de ajuda à população civil, e, ontem, o EAS lançou milhares de panfletos sobre Ghouta Oriental com a indicação dos mapas dos corredores criados para garantir a saída segura dos civis da região.
Nos panfletos, o Exército garante segurança, paz, alojamento, alimentação, assistência médica gratuita e o regresso da população às suas casas após a libertação de Ghouta Oriental, informa a Prensa Latina.
No entanto, os grupos terroristas ali localizados estão a bloquear tanto a entrada de ajuda humanitária como a saída da população civil. A acusação, realizada este domingo pelo Ministério russo da Defesa, corrobora as declarações do ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, efectuadas há uma semana, quando acusou estes grupos de quererem «manter [a população civil] como escudos humanos», recusando acordos que permitissem a sua evacuação em larga escala.

«A Síria não precisa das sessões de exibicionismo da ONU»

Após vários atrasos e negociações de última hora, a resolução a favor de um cessar-fogo de 30 dias no território sírio foi aprovada por unanimidade, no sábado, pelo CSNU.
Na declaração subsequente à votação, o representante permanente da Síria junto das Nações Unidas, Bashar al-Ja'afari, afirmou que o seu país não precisa de «sessões de exibicionismo» da ONU e destacou o modo como a instituição e as potências ocidentais ignoram o sofrimento dos habitantes de Damasco provocado pelos terroristas posicionados em Ghouta Oriental.
«Os apelos de oito milhões de sírios em Damasco não chegam à Secretaria Geral das Nações Unidas ou às caixas de correio dos representantes dos EUA, do Reino Unido e da França, mas os dos terroristas alcançam-nos», disse, citado pela PressTV.
Lembrando que os grupos extremistas costumam aproveitar este tipo de iniciativas para juntar os seus combatentes e receber reforços militares e logísticos, o diplomata sírio defendeu o «direito soberano» do governo de Damasco a defender-se e a lutar contra o terrorismo no seu território nacional.

Rússia alerta para provocação e o ataque «acontece»

Tendo por base a informação recolhida pelo Centro Russo para a Reconciliação na Síria, o Ministério russo da Defesa alertou, este domingo, para a possibilidade de os terroristas que controlam Ghouta Oriental estarem a preparar uma «provocação» com armas químicas.
Algumas horas mais tarde, chegavam notícias de que havia pessoas nessa região a sofrer de sintomas de exposição ao gás cloro, e os Capacetes Brancos – cujo trabalho de defesa civil, encenação hollywoodesca e terrorismo activo colhe amplo apoio no Ocidente – estavam no local à hora certa para «filmarem e fundamentarem» as acusações contra Damasco.
acusação em si não tem nada de original. Há anos que as potências ocidentais e os seus abanderadosmediáticos tentam fazer das armas químicas solo fértil para plantar acusações e ameaças contra o governo de Damasco e, se tanto é necessário, justificar junto da opinião pública um grau maior de intervenção e ingerência no país levantino – com a consequente diabolização de quem defende o «regime de Assad».
As acusações têm sido sistematicamente refutadas pelas autoridades sírias como «não fundamentadas» e «fabricadas», sendo seu objectivo último deter a acção do Exército e forças aliadas sempre que estes estão na mó de cima na luta contra o terrorismo. Para além disso, Damasco já deixou claro que procedeu à destruição do seu arsenal químico, num processo monitorizado pela Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ).

Novos bombardeamentos da coligação internacional

Ataques aéreos da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos terão provocado 29 mortos e dezenas de feridos entre a população civil na província de Deir ez-Zor, divulgou a imprensa síria este domingo, citando fontes militares.
De acordo com a imprensa, os ataques ocorreram nas aldeias de Al-Sha'afa e Dharat Allouni, provocando também grandes danos materiais em casas e diversas infra-estruturas públicas. Já esta tarde, responsáveis da referida coligação negaram a existência do ataque, afirmando não ter realizado operações aéreas na província de Deir ez-Zor nas últimas 72 horas.
No passado dia 20, um outro ataque desta coligação provocou a morte a 16 civis, indica a Prensa Latina. Recorde-se que as autoridades sírias têm denunciado reiteradamente a acção bélica desta força invasora liderada pelos norte-americanos, que, alegando combater o chamado Estado Islâmico – sem autorização do governo de Damasco e mandato das Nações Unidas –, tem provocado inúmeras mortes entre a população civil.
Tropas do Exército Árabe Sírio (imagem de arquivo)
https://www.abrilabril.pt/internacional/terroristas-mantem-civis-retidos-em-ghouta-oriental
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27feVER2018
O QUE OS PRINCIPAIS MEIOS DE COMUNICAÇÃO NÃO LHE DIZEM SOBRE GHOUTA ORIENTAL

Muitos meios de comunicação fizeram soar os alarmes e comparam o cerco de Ghouta Oriental com o massacre de Srebrenica de 1995. No entanto, esquecem de mencionar que a zona está dominada por duas facções islamitas que as forças do Governo sírio estão a combater desde 18 de Fevereiro.
O subúrbio de Ghouta Oriental, a leste da capital síria, ocupa as primeiras páginas, quando o Exército Árabe Sírio lançou uma ofensiva militar chamada Aço de Damasco, numa tentativa de limpar a região dos grupos islamitas, principalmente de Yeish al Islam, mas também da Frente al Nusra, Ahrar al Sham e Failaq al Rahman.
A situação humanitária e socioeconómica em Ghouta Oriental volta a ser crítica. Os apelos do Centro Russo para a Reconciliação aos ilegais grupos armados para que ponham fim à sua resistência e entreguem as armas não deram resultado. As negociações para a solução pacífica do conflito na área descarrilaram, afirmou Yuri Evtushenko, porta-voz do Centro.
Entretanto, a situação humanitária na região deteriorou-se drasticamente, o que levou o embaixador russo na ONU, Vasili Nebenzia, a convocar uma reunião urgente do Conselho de Segurança para que todas as partes envolvidas “apresentem a sua visão e entendimento da situação e encontrem formas de solucioná-lo.

CAMPANHA PARA DESACREDITAR ASSAD

A imprensa volta a acusar Assad de crimes de lesa-humanidade e expõem a posição dos países ocidentais, enquanto se negam a levar em conta os argumentos do Governo sírio e a reconhecer a complexidade da situação.
“Há terroristas contra quem o Exército sírio está a lutar e os terroristas estão a bombardear Damasco, e isso foi negligenciado. É uma situação complexa ", afirmou o embaixador russo.
Damasco foi acusado de bombardear civis na região e de matar 300 pessoas. No entanto, as fontes das acusações vêm dos relatórios dos Capacetes Brancos, que em repetidas ocasiões falsificaram informação e organizaram provocações de ‘falsa bandeira’.
Os meios de comunicação ocidentais e a Al Jazeera, com sede no Qatar, lançaram uma nova campanha de desinformação contra Assad numa última aposta para desacreditar os esforços do seu Governo no restabelecimento da paz no país.

THE NEW YORK TIMES: ‘FORÇAS BÁRBARAS’ VS. TERRORISMO

No artigo do The New York Times (NYT) intitulado ‘O bombardeio sírio causa o maior número de vítimas mortais em anos’, os autores citam o líder das Forças Tigre do Governo, general Suheil Hasan, que anunciou os planos de eliminação dos rebeldes na região.
“Prometo que lhes darei uma lição, em combate e em fogo”, declarou Hasan num vídeo partilhado nas redes sociais pró-governamentais.
Depois de destacar a “barbárie” das forças pró-Assad, o NYT não mencionou que os militares estavam ali não para combater civis, mas expulsar e eliminar os terroristas que têm estado mais activos na região, utilizando o enclave como plataforma para bombardear Damasco.
De facto, o NYT confia nos dados proporcionados pelo Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que o jornal elogiou anteriormente pela sua contribuição na contagem das vítimas. Mas, o que se sabe sobre o Observatório? O seu escritório encontra-se no Reino Unido e o seu fundador, Osama Suleiman (cujo pseudónimo é Rami Abdulrahman), vive em Conventry e dirige as actividades do Observatório, sozinho e a partir da sua casa. Os dados proporcionados pelo seu ‘projecto favorito’ são bastante questionáveis, dada a sua clara tendência anti Assad.
O NYT também cita um residente local que afirmou que “nunca foi permitida a saída dos civis”. Isso descarta todos os esforços diplomáticos feitos pela Síria e pela Rússia para esse fim que, embora neste caso tenha falhado, provou a sua eficácia em Alepo.

THE GUARDIAN: ‘OUTRO SREBRENICA’

O meio de comunicação britânico elegeu uma forma mais sofisticada para abordar a situação em Ghouta Oriental: comparando-a com o genocídio de Srebrenica na Bósnia Herzegovina.
No seu artigo, o The Guardian faz parecer que as forças sírias e os “partidários russos” atacaram deliberadamente civis após o fracasso das conversações de paz, mas não menciona que entretanto Damasco e Moscovo têm estado a pressionar para conseguir um acordo de paz, parecido ao de Alepo, com evacuações de pessoas e um êxodo massivo de terroristas da cidade, os islamitas bombardeavam a capital desde Ghouta Oriental. No artigo dá a impressão que as partes nada fizeram para proteger a população.

O ‘IMPLACÁVEL BOMBARDEIO’ DA AL JAZEERA

A emissora do Qatar uniu-se à campanha de desinformação, ao afirmar que as forças sírias apoiadas pelos caças russos atacaram o enclave, matando centenas de pessoas. Enquanto o NYT dependia dos dados obtidos do Observatório, a Al Jazeera optou pelos "mais confiáveis" Capacetes Brancos, entusiastas na falsificação de informações.
Não há muito tempo, os voluntários da Defesa Civil síria foram acusados de encenar operações de resgate, assim como de planear um falso ataque químico em Ghouta Oriental. De acordo com um residente local, o grupo distribuiu máscara para proteger os civis da região de um ataque químico.

PROCESSO DE PAZ?

Os diplomatas russos têm estado a mediar o processo de paz ao longo do conflito, trabalhando arduamente para evitar que o caos se estenda ainda mais. No entanto, os seus esforços têm sido constantemente prejudicados pelo duplo padrão dos Estados Unidos em relação à Síria.
Recentemente, o vice-ministro russo Sergei Ryabkov, destacou perante a comunidade internacional que Washington estava a tratar os assuntos “de modo selectivo”.
Segundo o Departamento de Estado dos EUA, as forças aéreas de Damasco realizaram ataques indiscriminados contra Ghouta Oriental, atacando hospitais e centros médicos e matando 100 civis nas primeiras 48 horas da operação Aço de Damasco. Após esta declaração, emitida pela porta-voz Heather Nauert, o Departamento de Estado pediu à Rússia que deixe de apoiar o presidente Assad tendo em vista a “escalada de violência em Ghouta Oriental”.
Em resposta, o porta-voz do Krelin, Dmitri Peskov, rejeitou as acusações contra a Rússia e afirmou que os relatórios sobre a morte de civis no bombardeamento eram “infundados”.
“Estas são acusações sem fundamento. Não se sabe em que se baseiam, não são fornecidos dados específicos, e é assim que avaliamos tais acusações. Não estamos de acordo com elas”, declarou Peskov.

Tanto a Síria como a Rússia pediram uma solução pacífica para a crise na zona desmilitarizada criada durante as conversações de Astana sobre a reconciliação síria. No entanto, os rebeldes ignoraram os apelos para cessar a resistência e iniciar a evacuação de civis, assim como a retirada dos terroristas da área.

Fonte: Sputnik
Foto de CAFÉ CENTRAL.
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26feVER2018
CAFÉ CENTRAL
DEPOIS DE SETE ANOS, A GUERRA PROLONGA-SE NA SÍRIA
Por Por Oscar Bravo Fong
A guerra na Síria parece estender-se para além do humanamente possível pela persistência das potências ocidentais, entre elas os Estados Unidos, e países do Médio Oriente, que procuram a desagregação desta nação árabe.
Como a prática social e os factos demonstram no terreno, esses países também propõem a imposição de um novo governo ligado aos seus interesses geopolíticos.
Toavia, o presidente Bashar al-Assad conta com o apoio maioritário da população, como demonstram as últimas eleições presidenciais na Síria realizadas em 2014, com cerca de 91 por cento dos votos a seu favor. Quando no próximo mês de Março se completam sete anos desde o início da sangrenta guerra no território sírio imposta por países ocidentais, depois das manifestações de grupos opositores, o panorama torna-se extremamente complexo.
As forças militares estadunidenses, que contam com mais de uma dezena de bases militares no território deste país árabe, são o maior obstáculo para a conquista da paz, mas também o exército turco, que desde 20 de Janeiro desenvolve uma ofensiva ilegal no norte sírio. Até ao momento, centenas de civis morreram e outros tantos ficaram feridos por ataques da aviação e da artilharia turcas contra os territórios do norte deste país.
À ilegal invasão das tropas turcas contra o enclave sírio de Afrin, condenada pelas autoridades deste país, somam-se as persistentes acções armadas dos grupos terroristas. Estes bandos extremistas, entre eles o grupo radical Estado Islâmico e o Al-Nusra, são apoiados por Washington, as monarquias do Golfo e Israel, de acordo com diversas fontes.
Acerca da presença do Exército turco na zona de Afrin e outras áreas do norte da Síria, analistas perguntam: porque Ancara rejeita a incursão das forças populares sírias nesses territórios que pertencem a esta nação? Na opinião de especialistas, nada mais justo que as forças militares de Damasco defendam o seu território soberano de Afrin e localidades do norte como Manbij, partes inalienáveis deste país árabe, berço de civilizações.
O exército turco, um dos mais poderosos dentro da NATO, apesar de mostrar publicamente o seu desacordo com Washington, de forma sub-reptícia coordena as suas acções militares com os EUA em Afrin, de acordo com alguns analistas.
Washington, que mais uma vez traiu as Forças Democráticas Sírias (FDS) ao não apoiá-las contra a incursão turca, opta por proteger os remanescentes do grupo Estado Islâmico na Síria.
Segundo recentes informações de grupos civis na província nortista síria de Hasakeh, forças militares estadunidenses facilitaram na província de Deir Ezzor, no noroeste, a transferência para outras regiões seguras de um grande número de terroristas do Estado Islâmico. Esses elementos extremistas, de acordo com os relatórios, combaterão os efectivos das tropas governamentais em Deir Ezzor e outros territórios deste país árabe.
O exército sírio, que muitos dos integrantes se mantêm mobilizados pelo serviço militar desde Março de 2011, também mantém abertas outras frentes de combate na província nortista de Idlib e na região de Ghouta Oriental, a leste de Damasco, capital do país.
Em Idlib, as forças leais a Damasco combatem o grupo Al-Nusra e outras facções extremistas como o chamado Exército do Islão. Além de conquistar em Idlib centenas de povoados, o exército sírio recentemente retomou a base militar de Abu al-Duhur, que esteve ocupada por grupos terroristas desde 2015. A esses avanços das tropas governamentais junta-se a forte ofensiva que o exército desenvolve há vários dias, com o apoio das forças especiais Tigre, na região de Ghouta Oriental.
Depois da mobilização nessa importante área de centenas de efectivos militares, com apoio da aviação e da artilharia, as tropas governamentais projectam o controlo da importante região. O total domínio pelas unidades militares sírias da região de Ghouta Oriental é importante, já que com isto se evitaria o lançamento de mísseis e morteiros -como ocorre com frequência – contra a cidade de Damasco e arredores.
De acordo com denúncias do governo sírio, nas últimas sete semanas foram lançados sobre Damasco e regiões próximas, mais de 1.700 morteiros e mísseis. Estas violentas acções de grupos radicais provocaram desde 2012 a morte de 14 mil civis e o ferimento de outros milhares de pessoas.
Ghouta Oriental, onde moram cerca de 150 mil civis, passa actualmente por momentos dramáticos devido à forte ofensiva antiterrorista do exército sírio, incluídas as forças especiais Tigre. Antes de 2011, em viviam quase um milhão de habitantes, tendo Duma como a maior e mais povoada cidade na província rural de Damasco.
Fonte: Prensa Latina
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22feVER2018
 PCP contra voto do BE sobre a Síria
https://www.youtube.com/watch?v=E5-lWnffs1U
O PCP é solidário com os homens, mulheres e crianças vítimas da guerra de agressão contra a República Árabe Síria, exigindo o fim da hedionda agressão que está na origem da morte, destruição e sofrimento que têm sido impostos desde há sete anos àquele país.
Por isso rejeitamos a propaganda que visa branquear a agressão e os seus responsáveis, assim como os reais objetivos de quem a faz, defende ou promove.
A questão que verdadeiramente está colocada é a de saber quem está do lado da paz, da defesa da soberania dos Estados e da solução política e pacífica dos conflitos, da defesa dos direitos; e quem, reproduzindo a propaganda de guerra, se coloca do lado das agressões, do desrespeito da Carta das Nações Unidas e da legalidade internacional, da destruição de Estados soberanos, da ingerência, da morte e da destruição.
Depois de terem criado, financiado e armado o Daesh, dividido o Iraque e promovido a guerra na Síria, os Estados Unidos da América e os seus aliados - em especial Israel, Turquia e França - procuram superar a derrota infligida aos seus grupos terroristas e retomar, agora pelas suas próprias mãos, o objetivo da divisão da Síria – tal como fizeram no Iraque e na Líbia.
Apoiam-se uma vez mais numa gigantesca operação mediática que reproduz a propaganda de guerra para dar suporte aos seus objetivos.
Títulos e textos de notícias exatamente iguais em todo o mundo. Reportagens e imagens chocantes interpretadas com as mesmas legendas e comentários. Um dito “observatório” sedeado em Londres a ser utilizado como “fonte inquestionável” sobre a situação na Síria.
Tudo a acontecer hoje como aconteceu com as inventadas armas de destruição massiva do Iraque ou na preparação para a agressão à Líbia.
O BE opta por cavalgar a onda mediática e reproduz toda a propaganda de guerra dos Estados Unidos e dos seus aliados, apresentando um voto que poderia ter sido subscrito pelo próprio Donald Trump.
Não estranha que o façam depois de terem branqueado e apoiado objetivamente a agressão à Líbia, com todo o seu rol de morte, sofrimento e destruição.
O voto do BE esconde por completo o facto de grupos terroristas, como o Jabhat al-Nusra, terem recusado terminantemente a possibilidade da sua saída pacífica da região de Ghouta e continuarem a bombardear zonas residenciais de Damasco.
O voto do BE esconde que os sucessivos apelos à deposição das armas e as tentativas de iniciar negociações de paz nos subúrbios de Damasco têm esbarrado na recusa por parte dos grupos terroristas que insistem em prosseguir a sua ação de morte e destruição, mantendo como refém a população.
O voto do BE esconde que os contínuos esforços de prestar ajuda humanitária e de socorrer as populações têm vindo a ser constantemente e premeditadamente boicotados pela ação dos grupos terroristas.
O voto do BE esconde por completo a ação que os Estados Unidos e os seus aliados têm vindo a desenvolver no sentido de dar cobertura a grupos terroristas como o Daesh e o Jabhat al-Nusra, nomeadamente permitindo que continuem a sua ação terrorista a coberto de um regime de cessar-fogo imposto apenas às forças militares que os combatem.
O voto do BE esconde por completo a tentativa dos Estados Unidos e seus aliados de condicionar e impedir – por diversas formas, incluindo através de uma nova escalada militar – o desenvolvimento do processo de negociações, tentando assim entravar a solução pacífica para o conflito que promovem há já sete anos e que pretendem manter.
A opção que o PCP faz é exatamente a oposta.
Solidário com a resistência da Síria e do seu povo em defesa da sua soberania e da integridade territorial da sua pátria face a uma criminosa agressão, o PCP não esconde, e por isso não é conivente, nem é cúmplice, com os agressores e as suas monstruosas criações.
Dirigimos a nossa solidariedade e expressamos o nosso pesar às vítimas da guerra de agressão à Síria, denunciamos os objectivos de promoção da guerra e da destruição daquele país a que o BE aqui dá cobertura, e apelamos ao desenvolvimento de todos os esforços no sentido de pôr fim à agressão e concretizar uma solução pacífica para o conflito no respeito pela soberania do povo sírio.
 http://www.pcp.pt/declaracao-de-voto-do-pcp-sobre-voto-do-be-sobre-siria
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21feVER2018
O Ministério sírio dos Negócios Estrangeiros exigiu a condenação «imediata e firme» das Nações Unidas aos ataques de grupos terroristas radicados na região de Ghouta Oriental contra Damasco e seus arredores, que nas últimas semanas provocaram dezenas de mortos e feridos.
No passado dia 18, o Exército Árabe Sírio confirmou que iria dar início a uma grande ofensiva para erradicar os terroristas de Ghouta Oriental, na província de Damasco
Numa carta dirigida esta terça-feira ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e ao Secretário-Geral desta organização, o Ministério sírio dos Negócios Estrangeiros denunciou a «grave escalada» nos ataques de grupos armados terroristas localizados em Ghouta Oriental a Damasco, afirmando que, em poucas horas, esses grupos lançaram mais de 40 obuses contra a capital do país e as zonas rurais circundantes.
Essas acções – lê-se no documento, citado pela agência Sana – provocaram a morte a seis pessoas e deixaram feridas 29, além de causarem danos em áreas residenciais, escolas, hospitais e outros estabelecimentos públicos, e ainda em sedes de missões diplomáticas.
Os ataques registados ontem – que hoje já tiveram sequência, provocando mais vítimas mortais entre a população civil – seguem-se aos que, de acordo com a missiva, ocorreram nas últimas sete semanas, diariamente, a partir de Ghouta Oriental. Neste período, foram disparados mais de 1500 obuses e morteiros contra Damasco e arredores, provocando centenas de mortos e feridos, na sua grande maioria civis, indicam as autoridades sírias.

Agentes ocidentais insistem no guião de Alepo

No mesmo documento, o Ministério afirma que esta escalada ocorre num momento em que responsáveis ocidentais «levam a cabo campanhas que só podem ser classificadas como apoio directo aos terroristas», pelo que os considera «cúmplices dos crimes dos terroristas contra civis inocentes». Como em Alepo.
O governo sírio, que tem em curso uma ofensiva contra os extremistas da Al-Nusra em Ghouta Oriental, na província de Damasco, defendeu o seu direito «a defender os seus cidadãos, a lutar contra o terrorismo e a confrontar aqueles que o financiam», e exigiu das Nações Unidas uma condenação «imediata e firme» dos ataques terroristas.

Civis como escudos humanos

O governo sírio denunciou por diversas vezes o facto de os grupos terroristas localizados em Ghouta Oriental usarem a população local como escudo humano.
Na segunda-feira, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, também responsabilizou a Frente al-Nusra pelas condições em que a população civil vive naquela região de Damasco, onde é mantida como um «escudo humano», disse, citado pela PressTV.
Falando em Moscovo, o ministro russo sublinhou o «enorme esforço» para alcançar acordos sobre a evacuação de pessoas a necessitarem de assistência médica. Já as tentativas para chegar a um acordo sobre uma evacuação em larga escala da população civil foram rejeitadas pelos terroristas da al-Nusra, que «os quer manter como escudos humanos», reforçou Lavrov.

Preocupação do secretário-geral da ONU

Entretanto, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, mostrou-se «muito preocupado pelo agravamento da situação em Ghouta Oriental e os efeitos devastadores nos civis», tendo pedido a todas as partes envolvidas no conflito que se atenham aos princípios básicos do Direito Humanitário.
https://www.abrilabril.pt/internacional/ocidente-e-cumplice-nos-ataques-terroristas-damasco
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15feVER2018
José Goulão...abrilabril
Não restam hoje dúvidas de que a estrutura mercenária do Daesh funciona como um corpo clandestino do Pentágono, da própria NATO, no quadro da privatização crescente das operações militares nos campos de batalha.
Comboio de veículos e combatentes do chamado Estado Islâmico do Iraque e da Síria (Daesh), em rota na província de Anbar, Iraque. The Washington Times, 10/09/2014.




































comboio de veículos e combatentes do chamado Estado Islâmico do Iraque e da Síria (Daesh), em rota na província de Anbar, Iraque. The Washington Times, 10/09/2014.CréditosNão creditado / AP

Derrotado, mas não liquidado. O Estado Islâmico ou Daesh, por certo a organização criminosa de maior envergadura montada sob a fachada do «extremismo islâmico» para servir nas guerras de agressão e expansão lançadas este século, capitulou às mãos dos exércitos iraquiano e sírio, reforçados com o apoio de forças militares russas chamadas pelo governo legítimo de Damasco. Não, a chamada «coligação internacional anti-Daesh», comandada pelo Pentágono, nada teve a ver com o desfecho, antes pelo contrário, exceptuando o caso da sangrenta reconquista da cidade de Mossul, no Iraque.
Tornado ineficaz em termos de consolidação dos objectivos que originalmente lhe foram estabelecidos, designadamente o desmembramento do Iraque e da Síria e a remodelação das fronteiras estabelecidas no primeiro quartel do século XX naquela região do Médio Oriente, o Daesh está a ser reciclado para novas funções, definidas de acordo com os interesses transnacionais e globais de quem mais se tem servido dele, em primeiro lugar o Pentágono e a NATO.
Do «Califado» instaurado durante o ano de 2014 em territórios sírios e do Iraque, com centros nevrálgicos em Raqqa, Deir es-Zor, Bukamal e Mossul, já nada resta para aquartelar os seus efectivos monstruosos: 240 mil mercenários com mil e uma origens, congregados sob as bandeiras do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Daesh na sigla árabe). Entre esses, é bastante provável que os membros do contingente de 80 mil antigos soldados do exército de Saddam Hussein recrutados pelas forças norte-americanas de ocupação do Iraque, no âmbito da estratégia para criação de um «Sunistão» que concretizasse a divisão dos territórios do Iraque e da Síria, regressem às suas regiões de origem.

«Reciclar»: quem, onde, como

Mas restam dois terços dos terroristas para «reciclar». Começam, porém, a conhecer-se alguns dos seus destinos. Chefes do Daesh estão a ser «amnistiados» pela Unidade de Protecção do Povo (YPG), uma organização curda actuando no norte da Síria sob enquadramento do Pentágono, como via para integrar unidades de jihadistas nas «forças de segurança» das novas «fronteiras» regionais. Como a administração Trump vetou a criação desse corpo – no quadro da discordância entre a França e os Estados Unidos sobre a essência do projecto «Rojava» – os terroristas derrotados aguardam ainda a definição das novas funções, acampados à saída da base de Kasham, recinto militar ao serviço da ocupação norte-americana. É nesta espécie de limbo que os mercenários do Daesh transitam da condição de extremistas islâmicos ao serviço da jihad para gendarmes de causas que se afirmam laicas e são também atlantistas.
A reciclagem de outros efectivos do Daesh compete à ditadura de Erdogan na Turquia. Os mercenários estão a ser reintegrados no «Exército Livre da Síria», entidade fundada por potências da NATO no início da agressão ao povo e ao território sírio, em 2012, segundo a fábula de que se destinava a acolher os desertores do Exército Nacional, colocando-os ao serviço da «oposição». Na verdade encheu-se de jovens recrutados em todo o mundo árabe e também nos subúrbios de grandes cidades europeias; e que, enquadrados agora pelo exército de Ancara, combatem na região síria de Afrin contra os curdos do YPG e, por extensão, contra muitos mercenários que, até há dias, eram seus correligionários debaixo das bandeiras do Daesh. Destapando assim, por outro lado, um estranho cenário de confronto directo entre dois membros da NATO.
Outros mercenários do derrotado Estado Islâmico estão a ser transferidos para países como o Afeganistão, a Índia, Bangladesh e Myanmar. As operações de resgate na Síria são efectuadas por aviões da Força Aérea norte-americana, que os transportam numa primeira etapa para o Afeganistão, de acordo com informações transmitidas pelo Irão à Rússia.
Já é possível conhecer funções que lhes serão distribuídas na Índia, uma vez integrados nas milícias hindus do partido nacionalista BJP do primeiro-ministro Narendra Modi, as mesmas que assassinaram o Mahatma Gandhi. Terroristas que ainda há dias fuzilavam e decapitavam em massa ao serviço da jihad ou «guerra santa» islâmica vão agora combater os rebeldes muçulmanos de Cachemira.
No Afeganistão, admite-se que alguns dos «desmobilizados» do Daesh integrem as operações de tráfico de ópio e heroína que o ex-presidente Hanid Karzai, um dos barões de tão rentável negócio monopolista à escala mundial, transferiu das máfias kosovares para o Estado Islâmico e suas redes europeias e africanas.
Como se percebe, esta reciclagem diversificada abre novos ciclos, sem fechar os objectivos que os criadores e mentores do Daesh definiram para o ciclo anterior. A partilha do Iraque não está consumada, embora o Curdistão se considere independente – porém não reconhecido internacionalmente. E o governo legítimo da Síria continua em funções, embora parcelas do território estejam ocupadas por extensões da NATO, com base até em limpezas étnicas – como aconteceu no norte, onde as vítimas foram comunidades cristãs e árabes expulsas à força para deixar espaço aos curdos do YPG.
Por outro lado, estes acontecimentos permitem conhecer melhor os episódios soltos que escrevem a história sangrenta do Daesh, de maneira a compor o sinistro quebra-cabeças desta operação terrorista que está na origem de uma carnificina próxima de um milhão de mortos.

A verdade sobre a origem do Daesh

Corria o ano de 2006. Três anos depois da invasão do Iraque, a Casa Branca e o Pentágono desesperavam perante a mobilização dos iraquianos contra a ocupação, apesar do colaboracionismo dos mais altos dirigentes, confinados ao quarteirão do poder em Bagdade definido pela chamada Linha Verde.
John Negroponte, embaixador norte-americano em Bagdade, depois director nacional de espionagem e um especialista em operações subversivas clandestinas, decidiu então traçar uma estratégia para minar a resistência iraquiana. É muito rico o currículo do experiente embaixador, espião e conspirador Negroponte: por exemplo, assassínios selectivos no Vietname (Operação Phoenix da CIA); organização da guerra civil em El Salvador; montagem da operação Irão-Contras para tentar reverter a Revolução Sandinista na Nicarágua; liquidação da revolução de Chiapas no México.
Financiada e treinada pelo Pentágono, a organização terrorista sunita assim criadaenquadrada pela polícia especial («Brigada dos Lobos»), foi baptizada como ExércitoIslâmico no Iraque e ficou nominalmente a ser dirigida por Abu Bakr Al-Baghdadimais tarde o «califa» do Daesh, até que as armas russas puseram termo aos seus diasem território sírio.Em termos gerais, John Negroponte recorreu ao princípio básico de dividir para reinar, lançando sunitas contra xiitas e espalhando o terror entre as populações civis. No campo sunita, baseou-se na estrutura da Al-Qaida no Iraque para formar uma coligação tribal islamita. Requisitou os serviços do coronel James Steele, que colaborara com ele em El Salvador, e este recrutou os futuros dirigentes do grupo no campo de concentração de Bucca; organizou depois a sua formação na tristemente célebre prisão de Abu Ghraib, onde foram submetidos a métodos de lavagem cerebral elaborados pelos professores Albert Biderman e Martin Seligman, também usados em Guantánamo. A preparação dos chefes terroristas em métodos de tortura seguiu, por sua vez, os cânones experimentados na polícia política da Formosa, onde Steele leccionou, e na Escola das Américas, instrumento de elite para instrução dos aparelhos repressivos das ditaduras fascistas latino-americanas.
Com a chegada do general David Petraeus ao Iraque para chefiar a ocupação norte-americana, a nova milícia tornou-se uma unidade do regime. O coronel John Coffman foi agregado ao trabalho de Steele, respondendo directamente perante Petraeus; e o diplomata Brett McGurk ficou destacado para assegurar a ligação permanente do próprio presidente George W. Bush ao processo. Apenas dois anos depois de ter participado, com elevadas responsabilidades, na criação e condução do Estado Islâmico no Iraque o diplomata Brett McGurk foi designado como enviado especial do presidente Obama para supervisionar a chamada «coligação anti-Daesh».
O grupo extremista que deu corpo à ideia de Negroponte cumpriu a sua missão na guerra civil e foi muito aplicado na estratégia – ainda que falhada - de criação do «Sunistão» que partiria o Iraque em três zonas, juntamente com a curda e a xiita.
https://www.abrilabril.pt/internacional/daesh-historia-escondida
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14feVER2018
A França, potência de largo passado colonial e com o neocolonialismo bem activo no presente – sob o comando de Sarkozy, Hollande ou Macron –, tem intensificado as ameaças contra a Síria. Esta terça-feira, o presidente francês voltou a abordar a questão das «armas químicas».
«Relativamente às armas químicas, estabeleci uma linha vermelha e reafirmo essa linha vermelha», disse ontem aos jornalistas, em Paris, Emmanuel Macron, o presidente da França, que ameaçou atacar a Síria caso surjam provas de que armas químicas tenham sido usadas contra a população civil.
O paladino da reforma laboral em França e à frente do país que, ao lado dos Estados Unidos, mais tem contribuído para a militarização do continente africano – com a espoliação dos seus recursos naturais na mira –, falou como se fora um defensor dos injustiçados.
Por ora, os serviços secretos do Hexágono não têm provas que fundamentem «tais alegações», mas o aviso sempre fica feito. Macron disse que, na sexta-feira passada, ligou ao presidente russo, Vladimir Putin, a quem pediu que passasse a mensagem, de forma clara, ao «regime sírio». Este «tem reafirmado que não faz uso de armamento químico... mas nós estamos a observá-lo», frisou Macron, qual Big Brother.

O Ocidente, como «uma cobra»

A atitude pretensamente humanitária de Macron no que se refere à Síria tem «barbas», inserindo-se, com nova roupagem, na franca hostilidade que as potências ocidentais assumem para com o governo de Damasco, ingerindo-se nos assuntos internos da Síria e apoiando diversas facções armadas daquilo a que foram chamando «oposição».
Em Agosto do ano passado, falando na abertura da Conferência do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Bashar al-Assad, presidente da Síria, comparou o Ocidente a «uma cobra que muda de pele conforme as circunstâncias», sublinhando que as potências ocidentais fracassaram na tentativa de criação de um «movimento popular» e, depois, no apoio às claras a grupos terroristas, sob a etiqueta de «oposição».
Agora, o Ocidente passou para o «produto humanitário e é nessa fase que estamos», disse, então, o presidente sírio, denunciando que o pretexto da «assistência humanitária» visava, na realidade, dar aos terroristas a possibilidade de se reorganizarem.

O filme repetido das acusações

Desde que tomou posse, em meados de Maio de 2017, Macron tem andado a rondar a possibilidade de «represálias imediatas» contra a Síria pelo uso de armamento químico, mas tal passo não chegou a ser dado «por falta de certeza do que se passou na Síria», segundo disse a ministra da Defesa, Florence Parly, na sexta-feira passada, citada pela RT.
Parly disse ter «algumas indicações sobre a possível utilização de ácido clorídrico [na Síria], mas não uma confirmação absoluta». Já o ministro dos Negócios Estrangeiros, Jean-Yves Le Drian, pareceu estar a par de investigações mais aprofundadas, que o levam até à certeza de que o governo sírio é culpado e de que «actualmente o ácido clorídrico é usado pelo regime».
Ao longo do conflito na Síria, os governos ocidentais, com a colaboração dos dotes hollywoodescos de encenação dos Capacetes Brancos, têm acusado reiteradamente Damasco de recorrer a armas químicas – acusações que o governo sírio tem refutado como «não fundamentadas» e «fabricadas», e cujo objectivo último é deter a acção do Exército Árabe Sírio e forças aliadas sempre que estes estão na mó de cima na luta contra o terrorismo.
Para além disso, Damasco já deixou claro que procedeu à destruição do seu arsenal químico, num processo monitorizado pela Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ).

Acusações recentes, com Tillerson e Macron juntos em Paris

As acusações mais recentes foram vertidas no dia 23 do mês passado pelos Estados Unidos e pela França contra a Rússia e a Síria, alegando, sem qualquer investigação concreta, que eram responsáveis por um ataque com armas químicas em Ghouta, na província de Damasco.

Nem de propósito: o Secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, estava em Paris, com Macron e representantes de mais de duas dezenas de países da civilização mundial, e, na ocasião, decidiram lançar a chamada Parceria Internacional contra a Impunidade pelo Uso de Armas Químicas.
Moscovo não esteve pelos ajustes e, em comunicado, o Ministério russo dos Negócios Estrangeiros afirmou que a criação da «parceria» era uma tentativa de substituir a OPAQ e de construir um «novo bloco anti-Damasco».
No mesmo documento, o Ministério russo sublinhou que as acusações – «falsas» – apenas visavam dificultar uma saída para a crise na Síria e que Washington procura evitar a investigação sobre o uso de armas químicas na Síria, não sendo seu objectivo identificar os verdadeiros responsáveis pelos ataques.

Rússia alerta para falsos ataques em Idlib

As declarações de Macron ocorreram no mesmo dia em que o Centro Russo para a Reconciliação na Síria alertou para a possibilidade de uma nova «provocação» no país árabe.
Em comunicado, o Centro afirma ter recebido informações de um habitante de Serakab, na província de Idlib, de acordo com as quais o grupo terrorista Frente al-Nusra transportou para a aldeia cerca de duas dezenas de bidões de ácido clorídrico, juntamente com material de protecção individual.
O texto acrescenta que a unidade local dos Capacetes Brancos já executou os primeiros ensaios [filmados] com habitantes locais, como se estivessem a sofrer de envenenamento químico». Para o Centro, tal actividade poderá ser indicativa de está em preparação um novo «incidente químico» com civis, para depois lançar as culpas sobre o governo sírio, informam a RT e a PressTV.
https://www.abrilabril.pt/internacional/macron-ameaca-punir-siria-se-atravessar-linha-vermelha
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31jan2018
Governo e oposição sublinham o respeito pela «soberania, independência, integridade territorial e unidade» da Síria, e que só ao povo sírio cabe decidir o futuro do país, no final de um encontro realizado em Sochi (Rússia) esta segunda e terça-feira.
A declaração final foi aprovada, ontem, pelos delegados ao Congresso de Diálogo Nacional Sírio, reunidos na cidade russa de Sochi «com o objectivo de pôr fim a sete anos de sofrimento» do povo sírio, procurando «chegar a uma base comum de entendimento sobre a necessidade» de acabar com a guerra no país.
No documento, com 12 pontos, defende-se, entre outros aspectos, que «só o povo sírio determinará o futuro do país», bem como «a recuperação dos Montes Golã ocupados».
Para além da definição dos princípios «democráticos e não sectários» que devem caracterizar o Estado sírio, empenhado na defesa da «unidade nacional» e na melhoria do «funcionamento das instituições públicas e estatais», o texto afirma que o Exército sírio, de carácter nacional, deve dar continuidade às funções de «proteger as fronteiras nacionais e o povo das ameaças externas e do terrorismo».
Sublinhando «o respeito e a protecção dos direitos humanos e das liberdades públicas», a declaração rejeita «o terrorismo, o fanatismo, o extremismo e o sectarismo em todas as suas formas», que devem ser combatidos activamente.
«O Exército deve "proteger as fronteiras nacionais e o povo das ameaças externas e do terrorismo"»
Os representantes do «orgulhoso povo da Síria» – que, muito tendo penado, encontrou «forças para lutar contra o terrorismo internacional» – declaram a sua «determinação em recuperar o bem-estar e a prosperidade da pátria» e, para esse fim, concordaram em criar uma comissão constitucional.
Esta incluirá representantes da delegação ao Congresso do governo da República Árabe da Síria e da delegação, «amplamente representada», da oposição, com o propósito de introduzir emendas à Constituição do país, elaborando «uma proposta de reforma constitucional como contributo para a resolução política, sob os auspícios das Nações Unidas».

Êxito da iniciativa

A declaração final é um de vários documentos aprovados pelo Congresso, em que participaram perto de 1400 delegados e mais de 50 observadores. Os números foram apontados pelo enviado especial do presidente russo para a Síria, Alexander Lavrentiev, que destacou o êxito da iniciativa, co-organizada pela Rússia, o Irão e a Turquia.
«Tentámos criar uma lista de convidados ao Congresso de modo que, sob o mesmo tecto, se juntassem representantes de todas as camadas da população, tanto da oposição interna e externa como do governo», disse Lavrentiev, acrescentando que esse objectivo foi alcançado e que, «motivados pelo sentido de responsabilidade e de patriotismo», esses representantes foram capazes de encontrar uma via de diálogo, «sem debates tensos».
Além da declaração final, foi aprovada «a lista de candidatos a integrar a comissão sobre a Constituição», disse o diplomata russo, precisando que esta lista «será entregue em breve» ao enviado especial das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, para que continue a trabalhar na sua composição, informa a RT.
Por seu lado, Sergei Lavrov, ministro russo dos Negócios Estrangeiros, considerou que o Congresso foi um êxito e disse esperar que as Nações Unidas tomem medidas para garantir a implementação dos acordos alcançados no encontro.
Na mensagem enviada ao Congresso pelo presidente da Federação Russa – lida por Lavrov –, Vladimir Putin defende que esta é uma boa oportunidade para «acabar de uma vez por todas com o terrorismo» e sublinha que «só o povo sírio tem direito a decidir o seu futuro».

Ausências anunciadas e outros

Nem todas as facções da oposição se mostraram dispostas a participar no Congresso. A Comissão de Negociações Sírias (CSN), apoiada pelos sauditas, anunciou que iria boicotar o encontro de Sochi, enquanto a presença dos curdos foi «limitada», depois de as Unidades de Protecção Popular (YPG) terem anunciado a sua ausência, em função da campanha militar que a Turquia está a levar a cabo contra os curdos, desde o passado dia 20, na região de Afrin (Noroeste da província de Alepo).
De acordo com a PressTV, ontem os trabalhos começaram com duas horas de atraso porque uma facção armada da oposição, apoiada pela Turquia, ameaçou não participar em protesto pela presença de bandeiras e emblemas sírios no recinto do encontro.
Citando a Reuters, a mesma fonte refere que os representantes dos EUA, da França e do Reino Unido «retiraram os seus representantes», em virtude «da recusa do governo sírio se empenhar devidamente».
https://www.abrilabril.pt/internacional/governo-e-oposicao-siria-chegam-amplo-acordo-em-sochi
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15jan2018
A coligação internacional liderada pelos EUA anunciou que está treinar uma força para proteger as fronteiras da zona dominada pelas chamadas Forças Democráticas Sírias. Damasco condenou a medida e mostrou determinação em acabar com a presença dos EUA na Síria.
Um combatente das chamadas FDS fixa uma bandeira no chão perto de Raqqa (Fevereiro de 2017)
https://www.abrilabril.pt/internacional/eua-treinam-uma-forca-fronteirica-na-siria
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27dez2017
O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas russas, Valery Gerasimov, afirmou esta quarta-feira que há «militantes», incluindo combatentes do Daesh evacuados de Raqqa, a receber treino em bases norte-americanas na Síria.
Militares norte-americanos e «rebeldes» em Al-Tanf, no Sul da Síria, junto à fronteira com a Jordânia
https://www.abrilabril.pt/internacional/russia-acusa-eua-de-treinar-militantes-em-bases-sirias
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24noVEMbro2017
A administração norte-americana pretende manter as suas tropas na Síria depois da derrota do Daesh – objectivo que tem usado para justificar a sua presença no país levantino. A meta é agora impedir a vitória de Assad e dos seus aliados iranianos, noticiou o Washington Post esta semana.
Combatente das Forças Democráticas Sírias, maioritariamente curdas e apoiadas pelos EUA, em Raqqa
https://www.abrilabril.pt/internacional/eua-poderao-ficar-na-siria-para-evitar-vitoria-de-assad-e-do-irao
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via avante 23noVEMbro2017
http://www.avante.pt/pt/2295/internacional/147661/
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22noVEMbro2017
via abril.abril
uma outra leitura sobre a Síria...ai a "democrática" NATO...https://www.abrilabril.pt/internacional/migrantes-sao-vendidos-na-libia-pais-que-nato-destruiu?from=onesignal
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14noVEMbro2017
O Pentágono defende que os terroristas do Daesh se estão «a entregar voluntariamente», devendo assim ser tratados ao abrigo da Convenção de Genebra. Uma reportagem da BBC também aponta para a protecção garantida pela coligação internacional ao Daesh em Raqqa.
https://www.abrilabril.pt/internacional/moscovo-acusa-coligacao-internacional-de-proteger-o-daesh-em-al-bukamal
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10ouTU2017
O Ministério russo da Defesa acusou, esta terça-feira, a coligação internacional liderada pelos EUA de estar a «simular» a guerra contra o Daesh no Iraque, permitindo que os terroristas passem em segurança para a Síria.
Exército Árabe Sírio nas imediações de Deir ez-Zor (foto de arquivo)
https://www.abrilabril.pt/internacional/eua-fingem-combater-daesh-no-iraque-e-terroristas-passam-para-siria
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Acordar Portugal
19dez2016
Senhores jornalistas, até quando?
Ajudem a divulgar a verdade dos factos, Partihem!!!
Temos o dever de denunciar o silêncio que a comunicação social está a fazer sobre a situação na Síria, ocultando-nos a verdade sobre o apoio dos países da NATO inclusive Portugal aos terroristas da Al-nusra/Estado Islâmico
https://www.facebook.com/acordarpt/photos/a.100366523457036.810.100356763458012/699171496909866/?type=3&theater
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18dez2016

Assad: "A derrota dos terroristas é a derrota dos países que os apoiam: EUA, França e Reino Unido".


" Se Palmira tivesse sido invadida pelo Exército Árabe Sírio, lá estaria em todos os jornais o discurso sobre danos ao património histórico. Imediatamente depois que expulsamos os terroristas que ocupavam Alepo e a cidade foi libertada, autoridades ‘ocidentais’ e jornalistas dos veículos das grandes empresas de mídia põem-se a manifestar preocupação com os civis… Mas não se incomodam desde que os terroristas estejam no comando, matando civis, massacrando populações inteiras ou atacando Palmira e destruindo património cultural da humanidade, e não só na Síria.

Sua avaliação é correta. Se você considera o momento escolhido para atacarem Palmira, vê-se claramente que está ligado ao que acontece em Alepo. É a resposta dos terroristas ao que acontece em Alepo, ao avanço do Exército Árabe Sírio. Quiseram minar a vitória em Alepo e, ao mesmo tempo, distrair a atenção do Exército Árabe Sírio, afastando-o de Alepo e atraindo-o para Palmira para, assim, interromper o avanço em Alepo. Não funcionou como os terroristas esperavam."
http://www.resistencia.cc/assad-a-derrota-dos-terroristas-e-a-derrota-dos-paises-que-os-apoiam-eua-franca-e-reino-unido/
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17dez2016
General reformado dos EUA denuncia desde 2007 a intenção dos EUA de uma guerra na Siria (que só iniciou em 2011) com a intenção de desestabilizar todo o médio oriente.
Segundo o General reformado de 4 estrelas General Wesley Clark, os EUA tinham um plano de derrubar 7 estados em 5 anos.
Denuncia também que o que se tem passado desde 2001 estava já programado desde 1991.

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16dez2016

PCP “desmascara” Bloco:

 “O que está a acontecer em Alepo é a libertação da cidade”

http://observador.pt/2016/12/16/pcp-desmascara-bloco-o-que-esta-a-acontecer-em-alepo-e-a-libertacao-da-cidade/
Volta a estalar o verniz entre PCP e Bloco de Esquerda. Os comunistas não gostaram do voto de condenação apresentado pelos bloquistas na Assembleia da República aos ataques das forças fiéis a Bashar-al-Assad e decidiram “desmascarar as provocações e as falsidades” do documento que repudia os bombardeamentos e os crimes contra as populações na cidade de Alepo, na Síria. No hemiciclo, o PCP votou contra.
De acordo com a declaração de voto, o PCP acredita que “o que está acontecer em Alepo é a libertação da cidade e dos seus habitantes dos grupos terroristas que há anos, apoiados e suportados pelos EUA e seus aliados, os utilizam para alcançar os seus objectivos, ou seja, destruir aquele país.
O PCP mostra bem de que lado está denunciando, mais uma vez “uma cruel guerra de agressão protagonizada por grupos armados, criados, pagos e apoiados pelos Estados Unidos, as grande potências da União Europeia – como o Reino Unido e a França – e os seus aliados na região, como a Turquia, Israel, a Árabia Saudita ou o Catar.” Os comunistas consideram esta uma “guerra de agressão que, na senda da destruição do Iraque e da Líbia” que desrespeita “os mais fundamentais direitos do povo sírio e o Direito Internacional.”
Por ser “solidário com a resistência da Síria e do seu povo em defesa da sua soberania e integridade territorial”, o “PCP não esconde, e por isso não é conivente, nem é cúmplice, com os agressores e as suas monstruosas criações.”
Para os comunistas “equiparar a ação agressiva dos Estados Unidos, da NATO, das grandes potências da União Europeia e seus aliados, à postura de outros países que se posicionam, agem e articulam no plano internacional no respeito da Carta das Nações Unidas e apoiam povos e Estados vítimas do bloqueio, desestabilização e agressão, seria fazer o jogo dos verdadeiros agressores, branqueando os seus crimes e responsabilidades.” Ou seja: para o PCP os bombardeamentos do governo Sírio e da Rússia não devem ser equiparados aos da NATO.
Os comunistas lembram que “coerentemente e da mesma forma que o fez relativamente às guerras de agressão contra o Iraque e a Líbia e os seus povos, o PCP, desde o primeiro momento, denunciou e condenou a guerra de agressão que se abateu sobre a República Árabe Síria e o povo sírio, com o seu cortejo de hediondos crimes, brutais violações dos direitos humanos, morte, sofrimento e destruição.”
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Desmascarar as provocações e as falsidades - o voto sobre a Síria
Declaração de Voto
Voto nº 176/XIII apresentado pelo BE
Coerentemente e da mesma forma que o fez relativamente às guerras de agressão contra o Iraque e a Líbia e os seus povos, o PCP, desde o primeiro momento, denunciou e condenou a guerra de agressão que se abateu sobre a República Árabe Síria e o povo sírio, com o seu cortejo de hediondos crimes, brutais violações dos direitos humanos, morte, sofrimento e destruição.
Uma cruel guerra de agressão protagonizada por grupos armados, criados, pagos e apoiados pelos Estados Unidos, as grande potências da União Europeia – como o Reino Unido e a França – e os seus aliados na região, como a Turquia, Israel, a Arábia Saudita ou o Catar.
Uma guerra de agressão que, na senda da destruição do Iraque e da Líbia, e desrespeitando os mais fundamentais direitos do povo sírio e o Direito Internacional, visa destruir o Estado sírio, com o seu posicionamento soberano, independente, multicultural e pan-árabe.
É porque é solidário com a resistência da Síria e do seu povo em defesa da sua soberania e integridade territorial da sua pátria face a uma criminosa agressão, que o PCP não esconde, e por isso não é conivente, nem é cúmplice, com os agressores e as suas monstruosas criações.
Equiparar a acção agressiva dos Estados Unidos, da NATO, das grandes potências da União Europeia e seus aliados, à postura de outros países que se posicionam, agem e articulam no plano internacional no respeito da Carta das Nações Unidas e apoiam povos e Estados vítimas do bloqueio, desestabilização e agressão, seria fazer o jogo dos verdadeiros agressores, branqueando os seus crimes e responsabilidades.
Para o PCP, os grupos armados que espalham o terror e são responsáveis pelos mais hediondos crimes no Iraque, não passam a ser designados por «rebeldes» só porque o fazem na Síria – designem-se eles por «Estado Islâmico», «Frente Al-Nusra» ou «Jabhat Fateh al-Sham», ou por uma qualquer outra designação de conveniência que esses grupos venham a adoptar.
O que está acontecer em Alepo é a libertação da cidade e dos seus habitantes dos grupos terroristas que há anos, apoiados e suportados pelos EUA e seus aliados, os utilizam para alcançar os seus objectivos, ou seja, destruir aquele país.
A corajosa resistência da Síria e do seu povo, exige não a vergonhosa associação ou a conivência com as campanhas que visam branquear a agressão levada a cabo pelos Estados Unidos e seus aliados, mas a solidariedade de todos os que defendem os direitos do povo sírio e a paz.
Rejeitando a mentira e não cedendo a manobras de pressão, impõe-se a continuação da solidariedade com a resistência da Síria e do seu povo, esse é o caminho da Paz– é do seu lado que o PCP está.
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Por que a mídia quer nos fazer chorar por algumas crianças sírias morto mas não outros?
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Via Pedro Castelhano
A decisão de Paris em apagar as luzes da Torre Eiffel na noite passada para homenagear as vítimas de Aleppo representa, na minha opinião, uma atitude de profunda hipocrisia. As luzes da Torre Eiffel nunca se apagaram quando os rebeldes ocuparam a cidade e a mergulharam na guerra, ou quando escolas e hospitais foram bombardeados. Agora que a cidade é libertada – sim, LIBERTADA – o Ocidente lamenta a vitória do exército regular da Síria e decide finalmente homenagear as vítimas de uma guerra que já dura há anos!?!?
Concordemos ou não com o regime, a população da Síria elegeu Bashar Al-Assad como seu legítimo presidente. Para além disso, não podemos esquecer que quem lançou o país na guerra foram aqueles que encetaram uma rebelião armada e começaram a ocupar cidades - os rebeldes apoiados pelos Estados Unidos e pela França.
Está na hora de percebermos que as “nossas” televisões estão em sintonia com uma gigantesca propaganda de difamação do regime Sírio. É absolutamente vergonhosa a forma como os jornalistas prejudicam sistematicamente a imagem das forças leais a Assad, bem como do exército russo. Veja-se o caso das mensagens de cidadãos de Aleppo que nos últimos dias surgiram em catadupa nos serviços noticiosos. Não é estranho que no momento em que o exército sírio liberta a cidade comecem a surgir tantas mensagens de vítimas de uma guerra que não é de agora?... Vejam este vídeo e julguem por vocês mesmos!..
https://www.facebook.com/inthenow/videos/729878757162496/?hc_ref=NEWSFEED
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15dez2016
COMO SE FAZ CONTRA-INFORMAÇÃO
manifesto 74
http://manifesto74.blogspot.pt/2016/12/armas-de-intoxicacao-massiva.html


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https://www.facebook.com/inthenow/videos/729878757162496/?hc_ref=NEWSFEED
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jornalista canadiana Eva Bartlett
https://www.facebook.com/esRTmedia/videos/1838370076445955/?hc_ref=NEWSFEED
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https://www.youtube.com/watch?v=TjHniRRgOao
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https://www.facebook.com/NossaEpoca/videos/1376899312321153/?hc_ref=NEWSFEED
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15dez2016
avante
http://www.avante.pt/pt/2246/internacional/143294/
Exército da República Árabe Síria declara vitória
Alepo finalmente libertada

A cidade síria de Alepo encontra-se controlada pelas forças armadas de Damasco. A reconquista da cidade martirizada pelos terroristas é impossível, anunciava-se anteontem.
Image 21811
Depois da conquista de um distrito-reduto dos grupos armados na noite de domingo, o exército da República Árabe Síria contabilizava como libertada 98 por cento da área sequestrada durante anos pelos jihadistas. No dia de segunda-feira, 12, o tenente-general que dirige o Comité de Segurança de Alepo garantia que «os terroristas não têm muito tempo. Ou se rendem, ou morrem».

Na noite de segunda-feira, fontes oficiais citadas pela agência de notícias Sputnik asseguravam que Alepo estava totalmente sob domínio das forças sírias. Anteontem, o Ministério da Defesa Russo afirmou que os militares encontraram uma população amedrontada e faminta em resultado do cativeiro a que estava sujeita e do qual fugiu em massa com o avanço das tropas anti-terroristas, o que parece atestar a versão de Moscovo e Damasco, segundo os quais os mercenários usavam os civis como escudos humanos.

Segundo o major-general Igor Konashenkov, na metade Oriental de Alepo não foram encontradas ONG nem estruturas opositoras de qualquer género, sublinhou, para acusar as potências ocidentais e a comunicação social vassala desta de manipular os factos sobre a ofensiva síria-russa. Não deviam ter caucionado a propaganda dos terroristas sobre bombardeamentos indiscriminados e execuções de civis, defendeu.

As informações mais recentes indicam que as forças sírias e russas procedem em Alepo a operações de emergência de desminagem e desmantelamento de engenhos explosivos artesanais, justificadas pelo perigo que representam para a população e para os militares.

As notícias revelam igualmente que, nos arredores de Damasco, os bandos mercenários também sofrem pesadas derrotas às mãos das forças armadas sírias, apoiadas pela aviação de Moscovo. Reconquistada a estratégica cidade de Alepo e com os bandidos em debandada na região capital da Síria, o governo de Bachar al-Assad estará próximo dos maiores triunfos em quase seis anos de guerra, os quais têm sido realçados como irreversíveis.

A França e o Reino Unido solicitaram, na tarde de terça-feira, 13, uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU para discutir alegadas atrocidades cometidas pelas forças governamentais em Alepo, sobre as quais realçam ter «relatos fidedignos». Para já, regista-se as imagens que nos últimos dias mostram milhares de habitantes de Alepo (fala-se em 70 mil desde 15 de Novembro) a fugirem da zona até agora ocupada pelos «rebeldes» em autocarros disponibilizados pelo regime de Damasco.
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14dez2016
afinal estas imagens são bem diferentes do que temos lido e visto na comunicação "democrática.ocidental"
https://www.facebook.com/SyrianWarNewsInfoMedia/videos/982965311809410/?pnref=story
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a contra-informação que a SIC expõe para enganar os portugueses
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13dez2016

Batalha pela libertação de Alepo

Em Alepo Oriental «não havia activistas dos direitos humanos, oposição ou ONG»

Tropas do Exército sírio atravessam o bairro libertado de Bustan al-Qasr em Alepo, no Norte da Síria (12 de Dezembro de 2016)
http://www.abrilabril.pt/internacional/em-alepo-oriental-nao-havia-activistas-dos-direitos-humanos-oposicao-ou-ong
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A VERDADE SOBRE A SÍRIA EXPOSTA POR REPRESENTANTE DA ONU!
Porque será que esta informação não é divulgada pelos meios de comunicação ocidentais???
https://www.facebook.com/125111167608937/videos/1056350704484974/?hc_ref=NEWSFEED
Conferência de Imprensa completa original em inglês:
https://www.youtube.com/watch?v=c8JppJyVxYU
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26nov2016
1 freira católica conta o que viu na RTP1
Finalmente a verdade sobre o que se passa na Síria.
O dia em quem pela primeira vez, desde 2011 um canal de televisão, noticiou o que de facto se passa na Síria.
Maria Guadalupe, a freira da Argentina em missão na Siria desde 2011, diz toda a verdade sobre o que se passa na Síria
-Que não é uma guerra civil é sim um grupo de mercenários estrangeiros a atacar o estado soberano Sírio.
-Que os meios de comunicação social manipulam a verdade e mentem sobre as motivações da Guerra.
Destacamos a importância de manter a RTP como televisão pública, pois como se prova os privados continuam a sua propaganda pró Imperialista, continuam a ocultar-nos a verdade que aqui é exposta.
https://www.facebook.com/acordarpt/videos/685300451630304/?hc_ref=NEWSFEED
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28out2016
TODA A VERDADE SOBRE O QUE SE ESTÁ A PASSAR NA SÍRIA E QUE A COMUNICAÇÃO SOCIAL NÃO QUER QUE SAIBAS
Observadora das Nações Unidas para a Síria diz toda a verdade sobre o que se está a passar na Síria.
Partilha a verdade que a comunicação social está a tentar esconder-nos.
https://www.facebook.com/acordarpt/videos/669979129829103/?hc_ref=NEWSFEED
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13ouTUbro2016
José Goulão:
Utilizo os tempos verbais do passado porque Alepo pouco mais é hoje do que um aglomerado de ruínas, um imenso cemitério, tal como Beirute Ocidental foi no início da década de oitenta do século passado, como Gaza é nos dias que correm.
Ao combater os terroristas no leste de Alepo, o exército sírio e a aviação russa limitam-se a aplicar as recomendações da citada resolução da ONU
http://www.abrilabril.pt/alepo




























































Ao combater os terroristas no leste de Alepo, o exército sírio e a aviação russa limitam-se a aplicar as recomendações da citada resolução da ONU

Muitos opinadores que até há meia dúzia de anos mal sabiam apontar a Síria num mapa e, com alguma sorte, conheciam o nome da capital, tornaram-se, subitamente, conhecedores e especialistas sobre a realidade em Alepo, coisa de que jamais tinham ouvido falar.
Não têm qualquer dúvida – e ai daqueles que as têm – de que, por causa de Alepo, o governo da Síria e a Rússia têm de pagar por crimes contra a humanidade e deverão ser proscritos para todo o sempre dos polidos e democráticos corredores da ONU, onde o maior vetador da história da organização e respectivos súbditos entendem que o pior dos crimes é vetar por causa de Alepo, enquanto eles próprios fazem exactamente a mesma coisa.
A cidade de Alepo era, até há meia dúzia de anos, uma vibrante cidade de negócios, importante entreposto entre o Mediterrâneo e o Eufrates no final da histórica rota da seda asiática. Sendo uma das mais antigas cidades do mundo, Alepo era também olhada como uma capital cultural do islamismo.
Utilizo os tempos verbais do passado porque Alepo pouco mais é hoje do que um aglomerado de ruínas, um imenso cemitério, tal como Beirute Ocidental foi no início da década de oitenta do século passado, como Gaza é nos dias que correm, do mesmo modo que numerosas aldeias, vilas e cidades da Palestina, do Afeganistão, Iémen, Iraque ou Líbia – todas elas vítimas das acções benfazejas de «libertadores» chegados de fora.
Foi assim também em Alepo, na origem da grande tragédia da cidade. Um dia, replicando essa reconhecida fraude que foi a «primavera árabe», chegaram os «rebeldes» a Alepo. Diziam-se a «oposição» síria, levaram a tiracolo algumas organizações não-governamentais que alguns governos «amigos da Síria» financiam, inspirados directamente pela senhora Clinton, e fizeram de Alepo o seu bastião militar para derrubar o governo de Damasco.
«Utilizo os tempos verbais do passado porque Alepo pouco mais é hoje do que um aglomerado de ruínas, um imenso cemitério, tal como Beirute Ocidental foi no início da década de oitenta do século passado, como Gaza é nos dias que correm»
Acontece, como está provado através de fontes que a comunicação social dominante silencia, que a esmagadora maioria desses «rebeldes» armados e «moderados» não têm qualquer relação com a Síria e são terroristas mercenários oriundos principalmente da Arábia Saudita, Koweit, Tunísia, Líbia, de regiões russas como a Chechénia ou uigures chineses. Foram eles, empunhando bandeiras como as da al-Qaida, do Isis e mil e uma outras de bandos afins, que levantaram Alepo contra Damasco, transformando a cidade num símbolo de toda a guerra de agressão externa contra a Síria, e tornando-a uma chave dessa mesma guerra.
A perda de Alepo pelos «rebeldes» significará um ponto de viragem no conflito não propriamente favorável aos invasores e aos que neles apostam as mais valiosas fichas diplomáticas. São esses «rebeldes» e respectivos apoiantes os principais responsáveis pela tragédia humanitária que atinge a cidade. Eles criaram o conflito e provocaram a batalha de Alepo, com todo o repugnante desfile de chacinas, vinganças e banditismo numa cidade onde cinco milhões de civis viviam em paz até chegarem os «libertadores».
Alepo é hoje uma cidade desigualmente dividida. A oeste, sob controlo de Damasco, vivem um milhão e meio de pessoas ansiando pela unificação e pelo fim do martírio, para poderem recomeçar praticamente do zero; a leste, e ao contrário do que afiança a propaganda terrorista, restam ao todo cerca de 35 mil pessoas, isto é, alguns milhares de civis sobreviventes, tornados reféns do desespero de terroristas em pânico.
O enviado do secretário-geral da ONU para a região tentou que a França incluísse na sua recente proposta de resolução do Conselho de Segurança a hipótese de os civis do leste da cidade poderem ser evacuados, numa operação que implicasse um cessar-fogo. Paris rejeitou – ao que parece depois de consultar Israel –, provando-se a sua vontade de provocar um veto russo.
«Reclamar que a Rússia e o governo sírio sejam acusados de crimes contra a Humanidade é um artifício que revela, em relação às vítimas de Alepo, uma emoção condoída e chorada com lágrimas de crocodilo»
Quem «governa» o «rebelde» sector leste de Alepo? Em termos gerais é a al-Qaida, aliás al-Nusra, aliás Fateh al-Cham, tantos são os heterónimos da herança de Bin Laden. O chefe nominal é o xeique Abdullah al-Muhaysini, cujo credo recomenda o extermínio de todos os xiitas duodecimais, conceito que integra os xiitas iranianos e libaneses, mas também os drusos e os alauitas, que dizem ser o grupo dominante por detrás do governo da Síria. Al-Muhsaysini é o supremo juiz do Tribunal da Charia do Exército Conquistador (Jaish al-Fatah), uma espécie de coligação transversal do terrorismo salafita que integra elementos da al-Qaida. No recente cessar-fogo fracassado, o citado xeique condenou à morte todos os cidadãos do leste que tentassem refugiar-se no sector oeste. Atiradores de elite estrategicamente colocados cumpriram pelo menos 40 execuções.
Entretanto, também por ocasião do recente e fracassado cessar-fogo, os Estados Unidos foram convidados pela Rússia a salvaguardar os «rebeldes moderados», associando-os operacionalmente ao combate contra os terroristas salafitas. Passou-se o cessar-fogo e nenhum «moderado» foi encontrado – simplesmente porque eles não existem sem estar enquadrados na al-Qaida ou no Isis.
Recorda-se que a resolução 2249 do Conselho de Segurança da ONU, de Novembro de 2015, «pede aos Estados-membros que redobrem esforços e coordenem acções para prevenir e por fim aos actos de terrorismo cometidos em particular pelo Isis, igualmente conhecido por Daesh, e também pela Frente al-Nusra e todos os outros indivíduos, grupos, empresas e entidades associadas à al-Qaida».
Ao combater os terroristas no leste de Alepo, o exército sírio e a aviação russa limitam-se a aplicar as recomendações da citada resolução da ONU.
Ao recusarem introduzir no texto de um projecto de resolução uma reafirmação do objectivo central da resolução 2249, o combate ao terrorismo, neste caso em Alepo, a França, os Estados Unidos e o Reino Unido não obrigavam apenas a Rússia a vetar; estavam a revogar uma resolução antiterrorista que aprovaram há menos de um ano.
Na verdade, e para que conste quando se fala em combate ao terrorismo, os Estados Unidos, a França e o Reino Unido usaram os mecanismos da ONU para tentar poupar a al-Qaida e o terrorismo salafita a uma derrota em Alepo.
Reclamar que a Rússia e o governo sírio sejam acusados de crimes contra a Humanidade é um artifício que revela, em relação às vítimas de Alepo, uma emoção condoída e chorada com lágrimas de crocodilo. O principal objectivo das três potências ocidentais presentes em permanência no Conselho de Segurança, ou seja, da NATO, não é combater o terrorismo, mas sim acabar na Síria um trabalho de desmantelamento idêntico ao que já praticaram no Iraque e na Líbia, ao que está também em curso no Iémen, ao que desenvolvem ainda no Afeganistão, onde a única libertação alcançada até agora foi a dos grandes traficantes mundiais de heroína.
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8ouTUbro2016
via camarada Guilherme Antunes
 
  https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1103651186379223&set=a.113367988740886.18583.100002030573081&type=3&theater
EXTREMA-ESQUERDA IMPERIALISTA

(Por Thierry Meyssan, académico francês e analista político)

Sob as presidências de Johnson e Nixon, a CIA tentou corromper militantes comunistas, em todo o mundo, e voltá-los contra Moscovo e Pequim. Foi assim que, durante a guerra civil libanesa, Riad el-Turki se separou do Partido comunista sírio com uma cinquentena de militantes, entre os quais Georges Sabra e Michel Kilo.

Tratando não ficar isolados, estes iniciaram contactos com um pequeno partido de extrema-esquerda norte-americano, Social Democrats USA, no qual se filiaram.

Durante os «anos de chumbo» que a Síria experimentou entre 1978 e 1982 com a campanha terrorista dos Irmãos Muçulmanos, Georges Sabra e Michel Kilo foram encarregados pelo líder do Social Democrats USA, Carl Gershman, de apoiar o Ikwan. Eles publicaram então um texto assegurando que a Revolução Mundial estava em marcha, que os Irmãos Muçulmanos eram a vanguarda do proletariado, e que o «Grande Crepúsculo» chegaria graças aos Estados Unidos. Foram então detidos devido às suas ligações com os terroristas.

Em 1982, o presidente Reagan criou com os seus parceiros dos «Cinco Olhos», quer dizer a Austrália, o Canadá, a Nova Zelândia e o Reino Unido, uma nova agência de inteligência encarregue de apoiar as oposições internas nos Estados comunistas, a National Endowment for Democracy (NED).

Disfarçou esta agência inter-governamental como «ONG», fez com que fosse financiada directamente através do Congresso e não pelo Governo Federal, embora dentro do quadro do orçamento do Departamento de Estado. Ele confiou a sua direcção a Carl Gerhsman [o tal “esquerdista” do Social Democrats USA].

Os militantes deste partido trotskista seguiram-no no seu percurso da extrema-esquerda para a direita do Partido Republicano. Entre eles, um bando de jornalistas da revista sionista Commentary, que entrarão na História sob o nome de «neo-conservadores» (ou "neo-cons"- ndT), e intelectuais, como Paul Wolfowitz, futuro secretário adjunto da Defesa.

O ponto de encontro entre esta extrema-esquerda anti-soviética e o imperialismo norte-americano fez-se em torno da noção de «revolução mundial». Os trotskistas tinham carta-branca para lá chegar desde que fossem contra os soviéticos e não contra Washington e os seus aliados.

Eles constituíram quatro divisões da NED, uma para os sindicatos, uma para os patrões, a terceira para os partidos de esquerda e a quarta para os partidos de direita. Tinham, assim, um meio para apoiar qualquer facção social ou política, fosse ela qual fosse, em qualquer parte do mundo.

Actualmente, o ramo destinado a corromper os Partidos de direita, o International Republican Institut (IRI), é dirigido pelo senador John McCain, que é ao mesmo tempo parlamentar da Oposição e funcionário da Administração que ele contesta. O ramo destinado aos partidos de esquerda, o National Democratic Institut (NDI), é dirigido pela antiga secretária de Estado Madeleine Albright.

Durante a preparação da "Primavera Árabe", a extrema-esquerda árabe continuou a trabalhar com os Irmãos Muçulmanos. Tivemos assim o professor Moncef Marzouki, futuro presidente da Tunísia, ou o professor Burhan Galioun, futuro presidente do Conselho Nacional Sírio. Assim, este grande personagem do laicismo escreveu os discursos do argelino Abassa Madani, o chefe da Frente Islâmica de Salvação em exílio no Qatar.

O discurso desta extrema-esquerda é baseado em saladas russas, como a convicção que todos os Estados árabes se equivalem, tanto seja a Arábia Saudita do rei Salman como a Síria do presidente al-Assad. Os únicos governos que eles respeitam são os de Washington e de Telavive.

Hoje em dia, Galioun, Sabra e Kilo são as únicas cauções de esquerda da pretensa «revolução síria»; uma falsa esquerda, não ao serviço da Humanidade, mas, sim, da dominação do mundo pelos Estados Unidos e Israel.
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6ouTUbro2016
artigo de José Goulão
O cessar-fogo estabelecido na Síria com o patrocínio dos Estados Unidos e da Rússia teve como epílogo o fracasso anunciado e, já depois disso, Washington e Moscovo ficaram de costas voltadas – o que aliás tinham disfarçado muito mal até agora.
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10207623718772196&set=a.1455858037605.2065401.1267953142&type=3&theater
SÍRIA, O EPICENTRO DA AMEAÇA GLOBAL
Um documento oficial da Agência de Informação do Pentágono de 12 de Agosto de 2012, desclassificado em 18 de Maio de 2015 por empenhamento jurídico de uma organização não-governamental norte-americana, informa o seguinte: “Os países ocidentais, os Estados do Golfo e a Turquia apoiam as forças da oposição na Síria com o objectivo de estabelecer um principado salafita na Síria Oriental, finalidade que todas as potências que apoiam a oposição desejam para isolar o regime sírio”.http://www.abrilabril.pt/siria-o-epicentro-da-ameaca-global
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jul2016
Alepo
antes e depois da guerra
via TSF
 http://www.tsf.pt/internacional/interior/siria-antes-e-depois-da-guerra-5266974.html
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http://www.pcp.pt/sobre-ataques-dos-eua-ao-grupo-denominado-%C2%ABestado-isl%C3%A2mico%C2%BB-no-territ%C3%B3rio-da-s%C3%ADria

Nota do Gabinete de Imprensa do PCP

Sobre os ataques dos EUA ao grupo denominado «Estado Islâmico» no território da Síria

A intervenção militar dos Estados Unidos em território da Síria, a pretexto do combate ao grupo denominado “Estado Islâmico”, constitui um novo passo na escalada de ingerência e de agressão contra a Síria, que atenta contra a sua soberania e representa uma ameaça directa à integridade territorial deste país.
O PCP considera que esta nova escalada belicista liderada pelos EUA – uma vez mais, assente numa campanha de hipocrisia e mentira e realizada à margem do direito internacional e em desrespeito pela Carta das Nações Unidas –, coloca sérias questões quanto ao futuro do Iraque e encerra novos e trágicos perigos para os povos do Médio Oriente.
Uma situação que não está desligada da política de agressão e de ocupação de Israel contra a Palestina, o Líbano e a Síria, que tem parte do território – os Montes Golã – ilegalmente ocupado por Israel.
O PCP recorda que os EUA com os seus aliados da NATO e da região – como Israel e as ditaduras do golfo – há mais de três anos promovem, financiam e armam grupos, como aqueles que se reúnem em torno do denominado “ISIS” e que são utilizados para espalhar o terror e a destruição na região.
Se os EUA, com os seus aliados, quisessem efectivamente combater os grupos terroristas que assolam as populações da Síria e do Iraque, deveriam começar por cessar o seu apoio político, financeiro e militar a esses grupos e pôr fim à sua instrumentalização para desestabilizar a região e agredir Estados soberanos que não se submetem aos projectos de domínio do imperialismo.
O que se impõe é a solidariedade e o apoio aos povos, como o Sírio e o Iraquiano, atingidos pela bárbara acção desses grupos e a clara rejeição de que, a pretexto do seu combate, se desenvolvam processos de ingerência, agressão e guerra movidos pelos interesses estratégicos dos EUA.
Como o PCP tem salientado, o fim da escalada de violência que ameaça arrastar os povos da Síria e do Iraque para um ainda maior desastre, exige o respeito pela sua soberania e independência nacionais e não novas aventuras belicistas, de que Portugal, no respeito pela sua Constituição e pela Carta das Nações Unidas, se deve resolutamente desvincular e firmemente condenar.
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Avante
4ag2016
Síria
Um helicóptero russo foi abatido na Síria e morreram as cinco pessoas que viajavam a bordo, anunciou o Kremlin, no dia 1. O ministério da Defesa russo informou que o aparelho, um Mi-8 de transporte, foi derrubado na província de Idlib, no Noroeste do país, quando regressava à base aérea de Hmeimim, depois de uma missão de ajuda humanitária na cidade de Alepo. Ali se travam duros combates entre as forças armadas sírias e bandos armados pelos países ocidentais e seus aliados.

A Rússia reafirmou o empenho em continuar as operações aéreas na Síria, ao lado das forças do presidente Bachar Al-Assad, e a combater os grupos terroristas como o «Estado Islâmico» e outros.
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PCP apresenta voto de protesto
https://www.youtube.com/watch?v=9okHrNEaKns#t=36
Publicado a 19/09/2014
Na apresentação do voto, Carla Cruz afirmou que o fim da escalada de violência que ameaça arrastar os povos do Iraque e da Síria para um ainda maior desastre exige o respeito da sua soberania e independência nacionais, o fim da ingerência, da desestabilização e do apoio aos grupos de extrema-direita e xenófobos.
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Agressão imperialista
Síria resiste

O Conselho de Segurança da ONU (CS) aprovou uma resolução que solicita a agilização da entrega de ajuda humanitária às populações atingidas pela guerra na Síria, país que continua sob assédio do imperialismo.
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Depois de corrigido o texto inicial, apresentado pela Austrália, Luxemburgo e Jordânia, e apoiado pelos EUA, Grã-Bretanha e França, a Rússia e a China, que advogam a despolitização da questão humanitária, votaram favoravelmente, noticiou a Lusa. Em causa estava a imposição de sanções a Damasco pela não abertura de corredores humanitários, mas Moscovo alertou que os principais obstáculos nesta matéria eram colocados pelos grupos armados e que a medida tinha de ser apoiada pela Síria, a qual detalhou, por sua vez, que tal obedece a condições de segurança concretas, sob pena de favorecer a entrega de armamento aos jihadistas responsáveis pelo terrorismo no país.

A corroborar os argumentos da Rússia e da Síria, para além dos vários ataques bombistas «rebeldes» que continuam a ceifar dezenas de vidas civis, actos de sabotagem deixaram, a semana passada, as regiões de Tartous e Latakia, Hama, Idleb e Alepo, e Hassakeh sem energia eléctrica. Em Adra, as autoridades acusam os terroristas de usarem os civis como escudos humanos, e no domingo, 23, Damasco denunciava que os «rebeldes» impediam o Crescente Vermelho de fazer chegar alimentos e medicamentos aos reclusos da prisão central de Alepo, de acordo com a Prensa Latina.

Na última semana, e de acordo com a mesma agência, vários responsáveis sírios reuniram com representantes de entidades humanitárias das Nações Unidas. Os primeiros garantiram o prosseguimento dos esforços para que às populações chegue a ajuda de emergência; os segundos elogiaram o papel desempenhado até ao momento pelo governo liderado por Bachar al-Assad a este respeito. 

Nova escalada 

A hora é, assim, ainda de resistência, pesem as informações divulgadas pelas autoridades sírias sobre avanços militares no terreno e a eliminação de mercenários, sauditas e libaneses, por exemplo. Em relação ao Líbano, de referir os atentados de brigadas extremistas islâmicas que provocaram, nos últimos dias, a morte a pelo menos sete pessoas e deixaram outras 116 feridas em Hermel, na fronteira com a Síria, e na zona Sul da capital, Beirute, mostrando o objectivo de arrastar o Hezbollah para um envolvimento crescente no conflito.

Quanto à Arábia Saudita, foi acusada pela Síria na quarta-feira, 19, na ONU, de encabeçar os estados promotores do terrorismo no país, enquanto o Wall Street Journal afirma que o país deverá continuar a funcionar como plataforma giratória do fornecimento dos bandos armados pagos por Washington.O jornal cita fontes locais que garantem mesmo que armas anti-tanque e anti-aéreas de fabrico russo e chinês chegaram já à Turquia e à Jordânia via Riad. Tal terá sido acordado no final de Janeiro com líderes «rebeldes» e respondendo ao seu apelo para o envio de armamento capaz de responder à ofensiva de Damasco, noticiou o Washington Post.

Barack Obama anunciou, dia 14, que vai apoiar a Jordânia com um milhão de dólares suplementares aos 660 milhões canalizados anualmente a título de empréstimo aliado. Especula-se que poderá ser um financiamento encoberto das operações de preparação de uma agressão militar aberta contra a Síria. Tanto mais que, a meio da semana passada, o Pentágono confirmou que ao Mediterrâneo chegou um contingente de vasos de guerra anfíbios com milhares de militares. Para a região partiu, também, um porta aviões com o sugestivo nome de George H. W. Bush.

A CNN assegura que na Casa Branca se avalia opções militares sob o argumento da imposição dos já conhecidos «corredores humanitários» e zonas de exclusão aérea para protecção de civis (Jugoslávia, 1999, Iraque 1991 e 2003, Líbia, 2011), não sendo por isso de estranhar que antes de forçarem a aprovação da referida resolução no Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde um avanço táctico desta estratégia estava expresso, os EUA, bem como a Grã-Bretanha e a França, tenham acusado Damasco de frustrar as conversações de paz que decorreram em Genebra – onde imperialistas e representantes da «oposição síria» nunca quiseram discutir o terrorismo no país –, e que se encontram suspensas sine die.
27fev2014
avante
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PCP condena ameaças de agressão directa contra a Síria
http://www.pcp.pt/pcp-condena-amea%C3%A7as-agress%C3%A3o-directa-contra-s%C3%ADria
28ag2013

Nota do Gabinete de Imprensa do PCP

PCP condena ameaças de agressão directa contra a Síria

1. O PCP condena veementemente a perigosa escalada das ameaças de guerra contra a Síria por parte dos governos dos EUA, França e Inglaterra e dos seus aliados na região do Médio Oriente.
2. A concretizar-se, uma agressão militar directa das potências imperialistas e da NATO contra a Síria será, não apenas o corolário da guerra encoberta que há muito desencadearam contra o povo sírio e contra todos os povos do Médio Oriente, mas uma aventura de consequências imprevisíveis que ameaça incendiar toda esta região e para além dela.
3. Uma agressão militar directa à Síria constituiria um novo salto qualitativo no desrespeito pelo direito internacional e pela soberania dos povos. O belicismo exacerbado das potências imperialistas afronta deliberadamente os princípios do direito internacional consagrados na Carta da ONU – desde logo o repúdio da guerra e o respeito pela soberania dos Estados - e o sistema das Nações Unidas. A substituição destes princípios pela lei da força e da guerra é um objectivo indesmentível, já quase abertamente proclamado pelas potências imperialistas.
4. O PCP, reafirmando a sua posição de frontal condenação do uso de armas de destruição em massa, salienta que é impossível ignorar o longo historial de desinformação, fabricações e mentiras que têm servido de pretexto para as guerras imperialistas, seja no Afeganistão, no Iraque, na Jugoslávia ou na Líbia. Como considera ser igualmente impossível ignorar o longo historial de crimes cometidos por bandos terroristas armados, treinados, financiados e ao serviço das potências imperialistas - como aqueles que têm executado no terreno a agressão contra o povo sírio – que têm servido também para a criação de pretextos e condições que visam facilitar o desencadeamento de agressões imperialistas directas.
5. O PCP, considerando necessário o apuramento cabal dos factos, chama a atenção para a gravidade de se veicular ou aceitar acriticamente uma campanha de manipulação de factos que não só carecem de provas cabais – seja quanto à sua natureza, seja quanto à sua eventual autoria –, como situações anteriores testemunham serem eles próprios factos criados pelas forças imperialistas. Registem-se as repetidas declarações do Governo sírio, que nega categoricamente qualquer ataque com armas químicas e que atribuí aos chamados “rebeldes” a sua utilização, ou ainda, as declarações de diversas autoridades internacionais sobre a existência de indícios que atribuem a utilização de armas químicas no conflito sírio, não ao exército sírio mas aos chamados “rebeldes”.
6. O PCP relembra que as potências imperialistas que hoje se dizem chocadas com o alegado uso de armas químicas na Síria têm um longo historial de utilização de armas químicas, biológicas e mesmo nucleares contra populações civis, incluindo armas cujos efeitos terríveis se fazem sentir sobre gerações posteriores (como as bombas atómicas lançadas sobre o Japão, o “agente laranja” que devastou o Vietname ou as armas com base no urânio empobrecido na destruição da Jugoslávia). É de uma inaceitável hipocrisia que dirigentes dos EUA, França ou Inglaterra invoquem este argumento para desencadear mais uma guerra de agressão.
7. O PCP denuncia e condena o papel desempenhado pelos mais violentos e retrógrados regimes da região – a Arábia Saudita e o Qatar – na agressão à Síria, na promoção dos mais bárbaros grupos terroristas do fundamentalismo islâmico e no incitamento ao conflito sectário em numerosos países da região, bem como na repressão militar às justas revoltas populares em países como o Bahrain (sede da V Esquadra Naval dos EUA) e o Iémen.
8. O PCP relembra as consequências das anteriores guerras imperialistas, muitas delas desencadeadas invocando pretextos “humanitários”. Centenas de milhares de mortos, milhões de refugiados, países destruídos, fragmentados e reduzidos ao caos, onde predominam bandos armados muitas vezes ligados a tráficos sórdidos de armas, drogas e pessoas, são a realidade actual do Iraque, do Afeganistão, da Líbia ou do Kosovo. O PCP chama a atenção para o quadro de conflito e de guerra generalizados que marca hoje a realidade da martirizada região do Médio Oriente e condena veementemente os atentados terroristas com carros armadilhados praticados regularmente no Iraque e na Síria e recentemente no Líbano, bem como os recentes ataques da aviação israelita nos subúrbios de Beirute. O PCP denuncia e condena igualmente as sucessivas incursões de Israel nos territórios palestinianos, nomeadamente o recente assassinato de civis palestinianos pelo exército israelita na Cisjordânia.
9. O PCP não pode deixar de sublinhar o papel destacado que a social-democracia tem desempenhado na promoção activa das mais violentas agressões do imperialismo, confirmado, uma vez mais, pelas posições do Governo “socialista” francês ou pelas declarações de responsáveis do PS relativamente à Síria.
10. As verdadeiras razões das infindáveis agressões militares imperialistas nada têm que ver com as legítimas aspirações dos povos à liberdade, à soberania, ao progresso social e económico dos seus países, antes residem no objectivo de recolonizar o planeta e desde logo essa região fulcral de reservas energéticas que é o Médio Oriente, bem como assegurar - através da destruição sucessiva dos Estados soberanos com uma história de resistência à dominação imperialista na região - a impunidade regional do imperialismo e de Israel e da sua política de terrorismo de Estado e ocupação da Palestina.
11. O novo surto belicista do imperialismo é expressão dos perigos que se avolumam com o aprofundamento da crise estrutural do capitalismo. Perigos que obrigam a lembrar momentos negros da História mundial em que o sistema capitalista reagiu à sua crise através do recurso ao fascismo e à guerra. Aos trabalhadores e aos povos – as principais vítimas do militarismo e da guerra –, às forças revolucionárias e progressistas coloca-se a necessidade de fazer ouvir a sua voz e de reforçar uma vasta frente social de resistência à guerra e ao imperialismo. O PCP apela ao reforço no nosso país da luta pela paz, contra o imperialismo e a guerra, que é indissociável da luta por uma alternativa patriótica e de esquerda, que inverta o rumo de desastre nacional e promova uma política externa de paz e cooperação com todos os povos do mundo.
12. O PCP exige do Governo português uma postura que não apenas se distancie da actual escalada e chantagem belicistas, mas que pugne, tal como exige a Constituição da República Portuguesa, pela resolução pacífica dos conflitos, pela defesa intransigente da soberania dos povos e pelos princípios consagrados na Carta da ONU e do Direito Internacional.
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A Síria está em guerra
A Síria vive tempos dramáticos para o seu povo. Os combates chegaram às principais cidades do país, primeiro Damasco e depois Alepo, a capital económica da Síria. Pelas fronteiras com a Jordânia entram dezenas de milhares de mercenários (40 a 60 mil nos últimos dias, segundo algumas fontes) recrutados em países como a Líbia e o Afeganistão, muitos deles pertencentes a grupos terroristas. Prossegue e intensifica-se a entrada de armamento no país, nomeadamente armamento pesado como armas anti-tanque e foguetes lança-granadas fornecidos pela NATO, por via da Turquia e pelas monarquias ditatoriais do Conselho de Cooperação do Golfo. Os grupos armados e financiados a partir do exterior por uma coligação de terror liderada pelos EUA, França e Alemanha, operacionalizada pela Turquia e financiada pelo Qatar e Arábia Saudita, tentam tomar posições em postos fronteiriços para facilitar a entrada de mais armamento e homens. É cada vez mais difícil de esconder a presença de agentes estrangeiros britânicos e franceses no terreno e os agentes da CIA treinam e escolhem os homens que a partir de campos de treino na Turquia são infiltrados no país. O exército israelita reforça as suas posições e acção nos montes Golã e são desferidas ameaças contra o governo sírio. O exército turco concentra enormes meios na sua fronteira com a Síria. Os «rebeldes»exigem que o Conselho de Segurança da ONU dê luz verde para que as bombas comecem a cair sobre o povo que dizem defender. Rússia e China, numa notável resistência às pressões e defendendo-se daquilo que sabem ser um projecto que lhes toca na sua própria segurança e soberania, bloqueiam no campo diplomático a legitimação da guerra de agressão directa.

O atentado terrorista da passada semana contra a sede da segurança nacional síria, que vitimou três altos responsáveis do governo sírio, incluindo o ministro da defesa, Daud Rajha, documenta bem até onde está disposto a ir o chamadoexército livre sírio e as potências imperialistas envolvidas no projecto de submeter a Síria. A versão oficial dos acontecimentos aponta para um atentado suicida, mas circulam relatos que apontam para a possibilidade de um ataque aéreo de drones, os aviões não tripulados norte-americanos que estão a matar centenas de civis no Iémen e no Paquistão. A confirmar-se esta versão, estamos perante uma elucidativa prova do grau de envolvimento dos EUA, confirmado aliás por acções dos últimos dias como bloqueios do sinal de satélite do canal Al-Dounia sírio ou a acção de pirataria da conta de Twitter deste mesmo canal pela CIA.

A Síria está em guerra, esta é que é a verdade. Uma guerra fabricada no terreno durante mais de um ano, programada nos corredores do Pentágono desde os tempos da administração Bush, financiada há anos por uma criminosa cadeia de financiamento e ingerência de milhões de dólares que alimentou os mercenários políticos, fantoches de Washington e da NATO, que integram hoje o Conselho Nacional Sírio. Gente que desfila nas reuniões do Clube Bildergerg, vive comodamente em Paris (como Kodami, uma das figuras de proa do CNS) ou em Conventry (como Rami Abdel Rahman, o rosto do sinistro Observatório Sírio dos Direitos Humanos). O país que durante décadas desconheceu conflitos étnicos ou sectários; o país em que xiitas, sunitas, alauitas, druzos, curdos e cristãos conviveram pacificamente; o país em que as religiões islâmica e cristã coexistiram pacificamente num dos poucos estados árabes laicos do Mundo, este país, um dos poucos elementos de estabilidade na tumultuosa região do Médio Oriente, foi arrastado pelo imperialismo para uma guerra assente na incitação à violência sectária, que pode condenar o povo sírio a anos, senão décadas, de guerra e que pode fazer explodir de vez uma guerra regional que, dada a internacionalização a que está sujeita, pode redundar num conflito de dimensões imprevistas.

Mas nem tudo são favas contadas. A operação Vulcão de Damasco redundou numa enorme derrota militar dos «rebeldes» e o exército sírio retoma o controle de várias zonas. É uma luta pela soberania do povo sírio, e por mais incrível que pareça, dada a violência dos combates, pela paz no Médio Oriente e no Mundo.
26.7.2012
avante
ângelo Alves
http://avante.pt/pt/2017/opiniao/121182/
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2014



8.7

7.7.
Itália resgata mais de 800 refugiados sírios e Africano de afogamento ao largo da costa de limite (Traduzido por Bing)


https://www.facebook.com/photo.php?fbid=471750496284590&set=a.390542877738686.1073741827.256265171166458&type=1&theater
Damasco" Yarmouk acampamento enormes multidões humanas tentando romper o bloqueio.
Fotos de "Nações Unidas" que chegam de Síria, chocante e assustador e recorda que a situação humanitária na Síria é a mais perigosa do mundo (Traduzido por Bing)
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21set2013

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=399918000134507&set=a.390542877738686.1073741827.256265171166458&type=1&theater
Homs | | Mais de 500 dias de cerco. 
Sorriso menina Síria continua firme em meio à falta das necessidades mais básicas da vida na cidade (Traduzido por Bing)