e morreu a 14jul2014
***

https://www.facebook.com/fjsaramago/photos/a.113164772088281.17197.112209585517133/704035803001172/?type=1&theater
Morreu ontem, aos 90 anos, a escritora sul-africana Nadine Gordimer, Prémio Nobel de Literatura de 1991.
Em 2012, a escritora leu para o jornal britânico "The Guardian", um conto de José Saramago intitulado "O Centauro", publicado no livro "Objecto Quase". A leitura pode ser ouvida aqui: http://
***
Via público
http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/morreu-a-ficcionista-nadine-gordimer-nobel-da-literatura-em-1991-1662823
Escritora sul-africana tinha 90 anos e deixa uma vasta obra ficcional que retrata criticamente o regime do appartheid, mas que também olha sem concessões para a nova África do Sul
Nadine Gordiner fotografada em 2009, no Festival de Literatura de Berlim BERTHOLD STADLER/AFP
A escritora sul-africana Nadine Gordimer (1923-2014), prémio Nobel da Literatura em 1991 e uma das mais influentes vozes contra a segregação durante o regime do appartheid, morreu no domingo aos 90 anos. Um comunicado da família informa que a autora “morreu pacificamente” na sua casa de Joanesburgo, na presença dos seus filhos Oriane e Hugo.
Gordimer publicou dezenas de romances e livros de contos, muitos deles retratando a África do Sul durante o regime do appartheid. Em 1974, venceu o Booker Prize com The Conservationist (O Conservador, Asa), protagonizado pelo anti-herói Mehring, um sul-africano branco e rico que vai beneficiando dos privilégios que o regime lhe confere enquanto se debate com o crescente sentimento de que a sua vida carece de verdadeiro sentido.
Nadine Gordimer estreou-se como contista ainda nos anos 40 e publicou o seu primeiro romance, The Lying Days, em 1953. Quando recebeu o Nobel da Literatura, a Academia Sueca justificou a escolha afirmando que a “magnífica escrita épica” da romancista sul-africana trouxera “um grande benefício para a Humanidade”, uma expressão utilizada pelo próprio Alfred Nobel.
Nascida a 20 de Novembro de 1923 em Springs, uma cidade mineira dos arredores de Joanesburgo, Gordimer era filha de um fabricante de relógios letão e de uma inglesa de origem judaica. Foi educada numa escola católica e chegou a frequentar durante um ano a Universidade de Witwaterstrand, que viria a atribuir-lhe, em 1984, um doutoramento honorário em Literatura pela sua “enorme contribuição para a literatura e para a transformação da África do Sul”.
Testemunhando desde cedo a repressão do regime sul-africano – ainda adolescente, viu a polícia invadir a casa paterna para confiscar cartas e outros documentos do quarto de um criado –, a obra de Nadine Gordimer viria quase toda ela a lidar com questões éticas e morais, e em particular com o fenómeno do racismo.
Tinha 15 anos quando publicou no suplemento juvenil de um jornal, em 1937, o seu primeiro conto. O seu livro de estreia, Face to Face, um volume de contos, saiu em 1949.
Amiga de Mandela
Aos vinte anos, publicou o primeiro de 15 romances, The Lying Days, um livro com uma forte componente autobiográfica, cuja acção decorre na sua cidade natal, Springs, e que narra o modo como uma jovem branca confrontada com a injustiça da divisão racial vai adquirindo uma consciência política.
Gordimer é autora de mais de vinte volumes de histórias breves, mas é mais conhecida pelos seus romances, que incluem títulos como A Guest of Honour(1970), que ganhou o prémio James Tait Black, da Universidade de Edimburgo, o já referido O Conservador (1974), July’s People (A Gente de July, Teorema), de 1981, no qual Gordimer imagina uma sangrenta revolução da maioria negra do país contra a minoria branca no poder, ou o mais recenteThe Pickup (O Engate, Texto Editora), de 2005, que trata temas como o desenraizamento, a emigração, as diferenças de classe e a fé religiosa através de um casal formado por uma mulher branca de uma família abastada e um árabe que vive ilegalmente na África do Sul. Quando o homem é obrigado a regressar ao seu país, a mulher acompanha-o e é ela que então experimenta o sentimento de se ser uma estranha em terra e cultura alheias.
Vários dos seus livros foram proibidos na África do Sul, como o seu segundo romance, A World of Strangers (Um Mundo de Estranhos, Difel), de 1958, ouBurger’s Daughter (A Filha de Burger, Asa), de 1979. A Gente de July, com as suas descrições de sul-africanos brancos perseguidos e assassinados por revoltosos negros, conseguiu mesmo ser banido do ensino já depois da queda do appartheid.
Gordimer aderiu ao Congresso Nacional Africano (ANC) quando a organização era ainda ilegal e, embora tenha sido sempre uma militante crítica, via no ANC a melhor esperança para derrubar o appartheid. A sua actividade cívica e política levou-a a travar conhecimento com os advogados de Nelson Mandela, e colaborou mesmo na redacção do discurso de defesa que o futuro presidente da África do Sul apresentou em tribunal em 1962, intitulado Estou Preparado para Morrer. Mandela leu mais tarde a A Filha de Burguer na prisão e, quando foi libertado, em Fevereiro de 1990, pediu para conhecer a autora. Ficaram amigos e enquanto Mandela foi vivo mantiveram contactos regulares.
Gordimer participou regularmente em manifestações contra o racismo e a repressão na África do Sul e aproveitou a notoriedade que os seus livros lhe trouxeram para denunciar sistematicamente o regime junto da opinião pública internacional.
***Via Citador
Faleceu ontem a Nobel de Literatura de 1991, Nadine Gordimer. Todos somos escritores. A nossa vida é um romance, escrito diariamente a partir da compreensão de tudo o que sentimos e que nos acontece. Leiam mais citações de Nadine Gordimer em:

http://www.citador.pt/frases/citacoes/a/nadine-gordimer
"Eu não consigo viver com alguém que não consiga viver sem mim."
"A poesia é ao mesmo tempo um esconderijo e um altifalante."
"A arte desafia a derrota pela sua própria existência, representando a celebração da vida, apesar de todas as tentativas para degradá-la e destruí-la."
"A censura nunca acaba para aqueles que já passaram por isso. É uma marca no imaginário que afecta a pessoa que a sofreu, para sempre."
"Sinceridade é nunca termos uma ideia de nós próprios."
"Todos acabam por se mover sozinhos em torno de si próprios."
"A verdade não é sempre bela, mas a fome por ela é."
"Temos que viver plenamente a fim de extrair a substância do nosso trabalho, mas temos que trabalhar sozinhos."
"O sucesso por vezes pode ser definido como um desastre em espera. Qualificado. Tem que ser."
"A solidão da escrita é muito assustadora. Está muito perto da loucura, desaparecemos por um dia e perdemos o contacto."
"Nada factual que eu escreva ou diga terá tanta verdade como a minha ficção."
"Escrever é dar sentido à vida. Trabalhas a vida inteira e talvez só tenhas encontrado sentido numa área muito pequena."
"Qual é o propósito da escrita? Para mim, pessoalmente, é realmente para explicar o mistério da vida, e o mistério da vida inclui, claro, os pessoais, os políticos, as forças que nos tornam aquilo que somos enquanto existe outra força dentro de nós a lutar para que sejamos algo diferente."
"Os factos são sempre em menor quantidade do que aquilo que realmente aconteceu."
"Os livros não precisam de pilhas."
*
Toda a tua vida estás, na realidade, a escrever um livro, que é uma tentativa de compreender a consciência do teu tempo e lugar - um único livro escrito a partir de diferentes etapas das tuas capacidades.
http://www.citador.pt/frases/toda-a-tua-vida-estas-na-realidade-a-escrever-u-nadine-gordimer-21755