04/08/2014

8.500.(4ag2014.7.27') O José e o CARLOS MOEDAS o anunciado comissário europeu

+1 PREMIADO...de ex-golmann sachs.a governante e agora a comissário...será que vai, como Durão iria, ajudar Portugal...eu bem sei que está ao serviço dos super agiotas que o moldaram...há quem não queira ver e acha que será mbom para Portugal...A LUTA CONTINUA por outra EUROPA: A DOS POVOS
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João Ferreira - deputado do PCP no PEuropeu

Conferência de Imprensa, João Ferreira, membro do Comité Central e deputado ao Parlamento Europeu

Sobre a nomeação do Carlos Moedas para Comissário Europeu


Não tendo particular significado a pessoa em si, não deixa de se registar que a escolha tenha recaído num dos principais rostos da política da troika responsável pela destruição das condições de vida dos portugueses, pelo saque aos rendimentos dos trabalhadores e dos reformados e pelo afundamento económico do país.
Mas o que se deve relevar é que, como a experiência tem provado, a designação de portugueses para a Comissão ou mesmo para a sua presidência – recorde-se Durão Barroso por duas vezes apoiado por PSD e PS, como aliás sucede agora com a eleição de Juncker – não tem correspondido a qualquer defesa dos interesses do povo português e do direito do País ao desenvolvimento soberano.
O que há a esperar da intervenção do agora designado comissário é o seu alinhamento com os interesses do capital transnacional, de onde saiu para exercer funções governativas, dando continuidade à postura de subordinação ao directório de potências que, com a Alemanha à cabeça, comanda o processo de integração capitalista europeu, em si mesmo contrário aos interesses de Portugal e dos portugueses.
O que o País precisa é de uma política patriótica e de esquerda que rompa com o caminho de dependência e submissão que, a pretexto do Tratado Orçamental, do Euro ou de outros instrumentos, compromete a soberania; que rejeite as imposições ditadas pela UE e o FMI; que proceda à renegociação da dívida no interesse do País e dos portugueses. Objectivos que nem este governo, nem a política de direita, nem as escolhas destes para este ou aquele cargo estão em condições de garantir.
http://www.pcp.pt/sobre-nomea%C3%A7%C3%A3o-do-carlos-moedas-para-comiss%C3%A1rio-europeu
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Carlos Moedas, anunciado ontem como o novo comissário europeu português, vai para Bruxelas ganhar um salário bruto mensal de 20.832 euros. Mas não só.
Segundo o Jornal de Notícias, o até agora secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro tem ainda direito a um subsídio de alojamento que pode chegar aos 3.123 euros, sendo que assim que aterrar na Bélgica receberá o equivalente a dois salários para que possa proceder à sua instalação naquele país.
Mas as regalias do comissário europeu não se ficam por aqui.
Carlos Moedas terá ainda um plafond para despesas de representação na ordem dos 607 euros.
Daqui a cinco anos, quando abandonar o cargo que está prestes a ‘abraçar’, Carlos Moedas terá direito a receber o equivalente a um salário base para realojamento e, durante três anos, receberá pelo menos, 8.333 euros, correspondentes a 40% do vencimento base.
Aos 65 anos, quando se aposentar, o comissário europeu terá direito a uma pensão de 4,275% do vencimento base por cada ano de trabalho.
http://www.noticiasaominuto.com/politica/258066/carlos-moedas-vai-receber-20-mil-euros-por-mes
Carlos Moedas vai receber 20 mil euros por mês
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Deve ser muito triste ser pai do Carlos Moedas...
O que o José Moedas escreveu ao filho Carlos em 2011:
http://alvitrando.blogs.sapo.pt/1794486.html
03
JUN 11

(Para o filho de um homem que nunca foi menino…)

Olha, Carlos: depois de amanhã não é outro dia, é muito mais que domingo, é um outro ano que começa – e, por isso mesmo, estou hoje a falar contigo.
Depois de amanhã, Carlos, as coisas não deveriam estar como estão hoje, como decerto vão estar amanhã. Depois de amanhã, que é domingo, quando tu acordasses, quando acordassem todos os meninos, as coisas deveriam nascer diferentes.
Não falo, está claro, das árvores, dos montes, dos rios, dos mares, das estrelas, da lua, do verde das searas, do cheiro dos aloendros e das estevas, muito menos da passarada chilreando de galho em galho.
Não falo das coisas da Natureza, nem das outras coisas igualmente belas e puras que são os animais. Depois de amanhã, as coisas que deveriam amanhecer diferentes eram os homens.
Depois de amanhã, Carlos, quando tu acordasses, nenhuma criança, tua vizinha, ou de muito longe, deveria ter fome ou frio nem os pais sem ganho suficiente de lhes dar pão. Mais: quando tu acordasses, nenhum homem deveria estar em guerra, nenhuma arma deveria ter gatilho para disparar.
Depois de amanhã, Carlos, deveria nascer um Mundo novo, em que não houvesse meninos ricos e meninos pobres, porque os pais de todos os meninos tinham decidido unir-se numa só palavra, abraçar-se num só gesto.
Depois de amanhã, que é domingo, deveria ser o ano primeiro da criação de um Mundo diferente, aquele com que os poetas (ainda) sonham – mesmo os que nunca foram meninos.
Mas se não puder ser depois de amanhã, Carlos, que seja no outro dia, quando tu fores homem, quando forem homens todos os meninos de agora. Luta por isso, pá!

In “Vento suão – crónicas de uma cidade”, de José Moedas, editado pela AMDB em 1991.