2019
III-CXLV-AVÔ
Entre Hiroshima e Nagasáqui, a ameaça do nuclear é cada x maior
e, ainda por cima, com uma colecção de tontos, no comando de países!
*
ViajAR faz bem à saúde. Não pára esse desejo de viajar, nem que seja, no meu canto, na minha cELA, na minha casa, no meu espaço, donde parto para td o mundo, para td o pensar e corAGIR.
VIajar é viAGIR
é reCOMEÇAR de nOVO.
***
2018
2/145aVÔ
hARmonizar
é um VERbo
essencial!
Urge passar à prática
em todas as situAÇÕES!!
*
8 do 8
tenho qu' eVItar
ficAR n1
8
***
2017
UM+145avÔ
é um prodígio
saber viver cada agHora
saber soRRir bem no ÂMAgo
saber abRRaçAR-TE nus
saber fazer-te 1 poema
saber crescer esta felicidade a 2
***
2016
145.avÔ
Há quem diga que o VERão é que é...
e a pRIMAvera???
e o bELO outono...
e o inVERno MARavILHA???
o melhor é mesmo o agHora,
o instante que vivemos,
onde colocamos td a nossa genica!!!
*
Estou a desejar
infinitos
Só conSIgo
ínfimos
Mas é claro:
dão-me
1 mar
de intensa felicidade
*
Com o tempo
aprendi a viver
na luta consequente
acreditando no AMAnhã
com as convicções que tenho
com os valores e os princípios
que me guiam
*
A vida está plena de impreVISÍVEIS
quem diria que esta madrugada
tinha esta turbulência espantosa
e este AMAnheCER
MARavILHA?
*
abracei as árvores
que estavam disponíveis para mim
abracei as ondas bravas
que estavam em marcha
para esta fúria interior
abracei o luar crescente
e todo o céu estrelado
imenso
que m' invadia
o meu SER
***
2018
Rio Alcoa...Muito perto da nascente...A mãe d’ água...FotogravAÇÕES excelentes do Sérgio Cardina
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10215867258692944&set=pcb.10215867267933175&type=3&theater
***
2015
M8.D8.h8.8'.8" "estou feito num oito!"...segundo redondo...com 10 círculos...nem tds viciosos...que foi 1.º...onde tu és 1.ª..
***
2018
8d.8m.8h..8’.8”...feito num oito com o meu neto...paREDES... engenharia na riBEIRA...barragens...piscinas naturais...gaiVOTAS...que bELOOO entardeCER...d’ Alcobaça que vos abRRaça
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10215147772119109&set=pcb.10215147768799026&type=3&theater
***
s.MARtinho do porto
foto by Fernanda Matias
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1646889705639406&set=pcb.10154501385538969&type=3&theater
***
2016...bravíssima remodelação da loja do Atelier do Doce Alcobaça...Casal do Amaro...Alfeizerão...d' ALCOBAÇA que vos abRRaça...há 3 anos davam 1 bola de Berlim a quem os visitasse
https://www.facebook.com/491987130846681/photos/a.503854312993296/1292540804124639/?type=3&theater
***
2015..o que eu postei...
nazarÉ, by Alda Vaz...7aGOSTO
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1117391288274463&set=a.146214172058851.27959.100000108085974&type=3&theater
*
+ pormenores d' ALCOBAÇA que vos abRRaça...Botão, flor e frutos......MARacujá
da Cela Velha...by Alda Vaz
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1117400534940205&set=pcb.1117401601606765&type=3&theater
***
2014...neste dia...face trouxe-me à memória o que postei:
O centrão d' interesses PS.PSD.CDS é um festival de governantes nas administrações do BES e grupos afins...e no sentido contrário: administradores "salgados" "espiritos" "santos" iam para governantes...VAMOS PAGAR ESTA EXPLORAÇÃO LOUCA???? VER ESTUDO DO EUGÉNIO ROSA...aqui:
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/08/84984ag201477-velhas-trafulhices.html
*
Algum dos eleitores que votou Marinho Pinto, votou, para ele votar Juncker e para se demitir, poucos dias depois, de tomar posse, do cargo para que foi eleito, para vir para Portugal, para tratar de ser deputado em S. Bento e para ser candidato a PRepública??????
Ai os independentes são tão bons, tão sérios, tão tão!!!!
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/05/813527maio201413h-marinho-pinto-nao-e.html
*
a propaganda sionista diz que foi uma vitória terem acabado com os túneis...mas até a ONU, em escolas, abrigos de refugiados e hospitais, foi bombardeada...
https://www.facebook.com/oxfamGB/photos/a.96693231395.100148.7214031395/10152159365856396/?type=3&theater
*
é de mobilizar...Passa a palavra: pela nossa saúde CONTRA AS HEPATITES...12set.21h. junto ao Real Baça...em ALCOBAÇA que vos abRRaça...PSD.cds NESTE GOVERNO TEM LIXADO A VIDA A MUITOS DOENTES, nomeadamente, os que sofrem da hepatite...
*
...José Eduardo Oliveira fotografou São Martinho do Porto
***
2013...face traz-me postagens deste dia:
+1bELo final de dia...esta ribeira (das paredes da vitória) antes de mergulhar no mar...faz 1 bailado MARavILHA...d' Alcobaça que vos abRRaça
by Célia Regina:
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=566636103399780&set=a.198143066915754.51920.100001601853008&type=3&theater
*
há que desmontar o que o CDS:PSD quer fazer...Tb há que votar CDU nas autárquicas!!! «É totalmente ilegítimo cortar as pensões e reformas. Nunca é demais lembrar que o Estado não é dono da segurança social e portanto não pode apropriar-se destes recursos. O Estado é depositário das contribuições e está obrigado a pagar as pensões. Tudo o resto é roubo. Vou repetir, assumindo exactamente o valor desta palavra - tudo o resto é roubo. Portanto os portugueses devem reagir e resistir aquilo que é desnecessário do ponto de vista económico, imoral do ponto de vista social e, finalmente, totalmente ilegal». Raquel Varela, Historiadora.
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10200435847633826&set=a.3907440839559.2138350.1085430783&type=3&theater
*
frutos "rabiscuit's" d' Alcobaça que vos abRRaça e +1 foto BOM DIA GENTE BORA VIVER do JERO
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=4675236613490&set=a.4675235333458.1073741890.1670949754&type=3&theater
*
Hoje vamos jantar.conviver CDU 20.30' Rest.Ferreiro.Carris d'Évora...Confª Imprensa 21.30'...CONVERSA PÚBLICA...Confirma presença!!!
*
Hj é dia d'Alcoa...há que comparar esta foto com a dos mega cartazes, com maquilhagem,...O candidato PSD está com umas olheiras...suprapartidário???
https://www.facebook.com/oalcoa/photos/a.842560865762370.1073741831.330628883622240/627484627269996/?type=3&theater
***
2011...o face traz-me memória deste dia
hoje por AQUI esTIVE com MAR...e com...bem feliz!!!
https://www.youtube.com/watch?v=zzg8Vm8rYrs
*
Paredes da Vitória ontem transbordou com Moonspell ... bravas fotos do talentoso Nelson Martins
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=173198382751585&set=a.173198369418253.43513.100001842730300&type=3&theater
***
2010
...memórias trazidas pelo face:
Acordei hoje com estas do Fernando Pessoa NÃO É FERNANDO PESSOA!!!8.8.2016:
"De tudo ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que é preciso continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar..."
Bdomingão para tds e aquel'abRRaço
***
1961
David "The edge" Evans....guitarrista dos U2
https://www.youtube.com/watch?v=g2BqLlVHlWA&list=PL26FA808244737CBC
***
1974
Preta Gil
https://www.youtube.com/watch?v=i12aTXUYY0k
*
https://www.youtube.com/watch?v=oBNffYJ0Csg
***
1978...morreu Ruy Belo...1 vivaaaaaaaaaaa à sua obra: "COMO SE ESTIVESSE EM AGOSTO
Estou todo no mês de agosto
Estou escarranchado no lombo nutrido de agosto
sentado à mesa de um café envolto no manto de múltiplas vozes
olhando pela janela uma toalha de mar e a terra ao fundo
debaixo do céu azul e branco do sol e do vento
café e vozes céu terra e mar tudo coisas talvez de agosto
objectos que o deus deste mês se porventura dada a fartura houver também um deus para os meses
utiliza para que assim toda a gente possa falar univocamente de agosto
e agosto não seja o nome frio dos números
mas seja um tempo e a orla da água que banha os pés desse tempo
e as coisas que existem na mão aberta desse tempo
Agosto não é o oitavo mês do ano
as férias há muito previstas e marcadas o sítio
de certos rostos por um instante resplandecentes mas cedo bebidos pelo esquecimento
talvez para o ano vindos na vaga de um novo mês de agosto
Agosto são muitos jornais vagarosamente lidos
de páginas uma a uma passadas como os trinta e um dias deste mês
agosto é o espaço do pensamento da boca boquiaberta
do sol outra vez usado como o único relógio de pulso
Agosto é o regresso dos emigrantes o mês da morte na estrada dos emigrantes
de uns homens que antes eram portugueses e hoje são emigrantes
e voltam a estas paragens como as aves às terras serenas e avaras do norte
Agosto é a estrada estreita que o mar enfia nos campos
como faca que fura sebes de canas campos de couves
e ensombra ainda um pouco mais a sombra de certas árvores
Agosto é eu estar aqui é trazer as mangas arregaçadas
é envelhecer ao sol na dispersão distraída de determinados gestos
é saber que estou de momento separado de secretárias com muitos problemas em suspenso
que me sento numa pedra e oiço uma música e reconheço a minha forma mais frequente de me sentir vivo
embora depois complique o que sinto e diga talvez que me sinto feliz
Por vezes agosto é o nevoeiro essa espessura de certa maneira branca
que me faz pensar que penso e achar que há uma certa profundidade no que por vezes penso
nevoeiro que mora um tempo na minha cabeça e depois
desce até às páginas do livro que leio de maneira diferente
dos livros que leio nos outros meses do ano
Agosto não é a pura palavra não é determinada designação para um tempo
onde cada uma destas coisas anualmente se encontra comigo
Agosto são talvez estas palavras todas onde me perco onde procuro pôr os meus passos
onde afinal penso que permaneço um pouco mais do que no frágil edifício dos dias
Não escrevo neste domingo de agosto onde já houve sinos
e há gestos diferentes dos mesmos gestos que fazemos nos outros dias
Estou um pouco nestas palavras na própria
palavra agosto que ponho sobre o papel
e que embora aponte para agosto não é esse mês de agosto
Estou em agosto estou um pouco em agosto."
'Toda a Terra', Lisboa, Moraes Editores, 1976
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/04/786417abril2014953-ruy-belo.html
***
1873...Paul Verlaine é condenado por tentar matar Rimbaud..."Sabedoria I, III
Que dizes, viajante, de estações, países?
Colheste ao menos tédio, já que está maduro,
Tu, que vejo a fumar charutos infelizes,
Projectando uma sombra absurda contra o muro?
Também o olhar está morto desde as aventuras,
Tens sempre a mesma cara e teu luto é igual:
Como através dos mastros se vislumbra a lua,
Como o antigo mar sob o mais jovem sol,
Ou como um cemitério de túmulos recentes.
Mas fala-nos, vá lá, de histórias pressentidas,
Dessas desilusões choradas plas correntes,
Dos nojos como insípidos recém-nascidos.
Fala da luz de gás, das mulheres, do infinito
Horror do mal, do feio em todos os caminhos
E fala-nos do Amor e também da Política
Com o sangue desonrado em mãos sujas de tinta.
E sobretudo não te esqueças de ti mesmo,
Arrastando a fraqueza e a simplicidade
Em lugares onde há lutas e amores, a esmo,
De maneira tão triste e louca, na verdade!
Foi já bem castigada essa inocência grave?
Que achas? É duro o homem; e a mulher? E os choros,
Quem os bebeu? E que alma capaz de os contar
Consola isso a que podes chamar tuas dores?
Ah, os outros, ah, tu! Crendo em vãos lisonjeios,
Tu que sonhavas (e era também demasiado)
Com uma qualquer morte suave e ligeira!
Ah, tu, que espécie de anjo sempre amedrontado!
Mas que intenções, que planos? Terás energia
Ou o choro destemperou esse teu coração?
A julgar pela casca, é uma árvore macia
E os teus ares não parecem de vencedor, não.
Tão desastrado ainda! e com a agravante inútil
De seres cada vez mais um sonolento idílico
A fitar pla janela o céu sempre tão estúpido
Sob o astuto olhar do diabo do meio-dia.
Sempre o mesmo na tua extrema decadência!
Ah! — Mas no teu lugar, e assumindo as culpas,
Um ser sensato quer impor outra cadência
Com o risco de alarmar um pouco os transeuntes.
Não terás, vasculhando os recantos da alma,
Um vício pra mostrar, qual sabre à luz do dia,
Algum vício risonho, descarado, que arda
E vibre, dardejante, sob o céu carmim?
Um ou mais? Se os tiveres, será melhor! E parte
Prà guerra e briga a torto e a direito, sem
Escolher ninguém e enverga a indolente máscara
Do ódio insaciado, mas farto também...
Não devemos ser tansos neste alegre mundo
Onde a felicidade não é saborosa
Se nela não vibrar algo perverso, imundo,
E quem não quer ser tanso tem de ser maldoso.
— Sabedoria humana, eu ligo a outras coisas
E, de entre esse passado de que descrevias
O tédio, em conselhos ainda mais penosos,
Só consigo lembrar-me, hoje, do mal que fiz.
Em todos os estranhos passos desta vida,
Dos lugares e dos tempos, ou também dos meus
«Azares», de mim, dos outros, da estrada seguida,
Sempre retive apenas a graça de Deus.
Se me sinto punido, é porque o devo ser.
O homem e a mulher não estão aqui em vão.
Mas espero que um dia possa conhecer
O perdão e a paz que aguardam os cristãos.
É bom não sermos tansos neste mundo efémero,
Mas pra que o não sejamos na eternidade,
O que é mais necessário que reine e governe
Nunca é a maldade, mas sim a bondade."
https://uniralcobaca.blogspot.com/2018/08/6999888h88-paul-verlaine.html
*
https://uniralcobaca.blogspot.com/2015/10/257419outubro201577-arthur-rimbaud.html
***
1709...Bartolomeu de Gusmão apresenta a D. João V uma demonstração com um balão de ar quente
https://uniralcobaca.blogspot.com/2018/08/550788201899-bartolomeu-lourenco-de.html
***
1588...A "Armada Invencível" espanhola é arrasada pelos ingleses
https://uniralcobaca.blogspot.com/2016/07/445915jul2016822-batalha-de-grunwald.html
***
Começar bem o dia com a poesia de JOAQUIM PESSOA:
https://www.facebook.com/112890882080018/photos/a.114014221967684.7650.112890882080018/715237588512008/?type=1&theater
in ANO COMUM (Litexa, 2011)
Dia 233. (excerto)
Movo-me feliz nos corredores da tua respiração, escrevo-te
com o orgulho que têm as roseiras e os lilases, a ti me entrego,
em ti me afogo, de ti renasço para a vida todos os dias.
E por ti, sou caçador de mim. E sou de mim o bobo, e de ti o
paladino. A minha juventude morreu antes de ti, mas só depois
de ti a minha vida é realmente jovem.
No meu corpo o teu sangue se agita, no teu espírito floresce
o meu, nas nossas bocas se prolonga a primavera, quando a
felicidade é para nós tão alta como o voo do pássaro que tem
sede e tem fome de céu.
*
Óleo: Breathless Close up, por Astrid
*
(LT)
**
(2013 postei
neste dia)
pitadinhas (matinais) de Joaquim Pessoa para viver melhor o dia...
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=558282720874193&set=gm.575405329168248&type=3&theater
O AMOR INFINITO (Canto 3, excerto)
O AMOR INFINITO (Canto 3, excerto)
Luva mordaz, a que te envolve o gesto
e onde poisa o falcão que os teus olhos soltam
para atingir a nuvem e atingir a pomba
e rasgar em ambas o algodão da carne.
No fulgor dos dedos tremem frias árvores
que por fim se tornam pedaços do vento.
É fria essa ave que ao teu pulso volta
no jogo imenso da tua pequenez.
Chora por ti a deusa Chekinah
lavando os cabelos na espuma do vento.
O coração azul é metade do seu corpo,
a outra metade são todos os teus gestos.
e onde poisa o falcão que os teus olhos soltam
para atingir a nuvem e atingir a pomba
e rasgar em ambas o algodão da carne.
No fulgor dos dedos tremem frias árvores
que por fim se tornam pedaços do vento.
É fria essa ave que ao teu pulso volta
no jogo imenso da tua pequenez.
Chora por ti a deusa Chekinah
lavando os cabelos na espuma do vento.
O coração azul é metade do seu corpo,
a outra metade são todos os teus gestos.
Sobre as pedras do vento o lagarto rubro
brinca com a angústia e com a tristeza
multiplicando a débil formosura
com o sal, a seiva, a memória das cores.
São outonos brancos todos os contornos
da funda queimadura do relâmpago
que fuzila o silêncio em tua face.
Filha da lenda, a pedra derramada
nos teus olhos perturbados de menino
cresce através do espanto das fogueiras.
O mar quer roubar-te a gargalhada,
o perfume doente e terrível das cidades,
e tu soltas queixas, raivas, equilíbrios,
invocando na sombra o dragão da mentira.
A luz move-se contigo. E é na carne
que cravas as esporas das estrelas,
do alto vigiando no caminho
o escasso movimento ainda livre.
É falsa a consciência em que te evades
e o que te invade é o medo traduzido
numa língua estrangeira aonde buscas
a pátria de cinza do teu corpo.
O ar virgem abre o corpo à esperança
porque ali não viu sangrar a ferida
que entumesce as minas do teu peito.
De pé és uma árvore. E de bruços um rio.
brinca com a angústia e com a tristeza
multiplicando a débil formosura
com o sal, a seiva, a memória das cores.
São outonos brancos todos os contornos
da funda queimadura do relâmpago
que fuzila o silêncio em tua face.
Filha da lenda, a pedra derramada
nos teus olhos perturbados de menino
cresce através do espanto das fogueiras.
O mar quer roubar-te a gargalhada,
o perfume doente e terrível das cidades,
e tu soltas queixas, raivas, equilíbrios,
invocando na sombra o dragão da mentira.
A luz move-se contigo. E é na carne
que cravas as esporas das estrelas,
do alto vigiando no caminho
o escasso movimento ainda livre.
É falsa a consciência em que te evades
e o que te invade é o medo traduzido
numa língua estrangeira aonde buscas
a pátria de cinza do teu corpo.
O ar virgem abre o corpo à esperança
porque ali não viu sangrar a ferida
que entumesce as minas do teu peito.
De pé és uma árvore. E de bruços um rio.
No ventre da terra tens os olhos imersos
e cheios da beleza corrompida
pela moeda branca que há na lua,
pelos poços de água do infinito.
Em ti buscas, sem ti, a barraca lunar
onde esperas guardar as tuas cinzas
e deixar um sinal, uma pedra ou um grito.
Tens remorsos do sonho, tua loba é injusta
devorando-te a noite na medula dos ossos.
Prossegues, só, a viagem furiosa
mas não encontras gado nem abrigo
nem o velho sanatório do teu sangue.
És o lívido guerreiro derrotado
que cospe árvores secas ao morrer
e se embala na morte com o canto
que Roland legou à voz da cotovia.
Há um porto de terra que não viste
e aonde o coração do mar não chega.
A voz que irás perder é hoje um bosque?
Que árvore é ainda a tua trégua?
Essa ferida solar que mata o castanheiro
começa a ganhar espaço em tua língua
e o corpo alcança a forma da ausência
presente no écran do teu sorriso.
e cheios da beleza corrompida
pela moeda branca que há na lua,
pelos poços de água do infinito.
Em ti buscas, sem ti, a barraca lunar
onde esperas guardar as tuas cinzas
e deixar um sinal, uma pedra ou um grito.
Tens remorsos do sonho, tua loba é injusta
devorando-te a noite na medula dos ossos.
Prossegues, só, a viagem furiosa
mas não encontras gado nem abrigo
nem o velho sanatório do teu sangue.
És o lívido guerreiro derrotado
que cospe árvores secas ao morrer
e se embala na morte com o canto
que Roland legou à voz da cotovia.
Há um porto de terra que não viste
e aonde o coração do mar não chega.
A voz que irás perder é hoje um bosque?
Que árvore é ainda a tua trégua?
Essa ferida solar que mata o castanheiro
começa a ganhar espaço em tua língua
e o corpo alcança a forma da ausência
presente no écran do teu sorriso.
Ó asas do metal que não perdoa,
ó dentes da matilha enlouquecida,
é rápida a ciência em que sois firmes
e lenta a boca aberta que respira.
ó dentes da matilha enlouquecida,
é rápida a ciência em que sois firmes
e lenta a boca aberta que respira.
No carrocel da luz embriagada
o coração da noite voga ferido.
O ar crucificado em cada folha
é filho da ansiedade e do martírio.
Por um osso da brisa o tempo gasta
as finas ferraduras de aço frio
e chega ao diamante e ao topázio
onde moram as raízes da alegria.
O chão, a dura cama que te envolve
é o círculo do pó que tu habitas.
E dás notícias novas da fadiga.
Há muito que vieste sobre a onda
e cravaste uma lança nessa água,
onde mais tarde repousaste a fronte
e procuras agora o barco antigo.
Com o teu barro fabricas calendários
que suspendes das folhas acendidas
no eixo das matérias impossíveis.
Tu sofres como um cão, ou como um gamo
pela sombra da erva perseguido.
o coração da noite voga ferido.
O ar crucificado em cada folha
é filho da ansiedade e do martírio.
Por um osso da brisa o tempo gasta
as finas ferraduras de aço frio
e chega ao diamante e ao topázio
onde moram as raízes da alegria.
O chão, a dura cama que te envolve
é o círculo do pó que tu habitas.
E dás notícias novas da fadiga.
Há muito que vieste sobre a onda
e cravaste uma lança nessa água,
onde mais tarde repousaste a fronte
e procuras agora o barco antigo.
Com o teu barro fabricas calendários
que suspendes das folhas acendidas
no eixo das matérias impossíveis.
Tu sofres como um cão, ou como um gamo
pela sombra da erva perseguido.
*
in O AMOR INFINITO,
Prémio de Literatura "António Nobre"
(Júri: Óscar Lopes, Fernando Guimarães,
e Mário Cláudio)
Introd. Crítica de Roxana Eminescu.
Moraes Editores, 1983.
**in O AMOR INFINITO,
Prémio de Literatura "António Nobre"
(Júri: Óscar Lopes, Fernando Guimarães,
e Mário Cláudio)
Introd. Crítica de Roxana Eminescu.
Moraes Editores, 1983.
BALADA DO MEDO
https://www.youtube.com/watch?v=cH8upv9v7Bs&feature=youtu.be
**
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=714271885274644&set=gm.776424885732957&type=1&theater
POEMA TRIGÉSIMO QUINTO
Todas as palavras são a mesma palavra
e é verdade tudo o que a luz disse do sangue.
Deus está nessa palavra. Sempre que sorris
as sílabas movem-se como uma onda e a tarde
retira a sua lentidão da paciência dos pastores
e da profunda mágoa das raízes.
Saúdo no teu corpo o pão luminoso da nudez
quando no meu rosto o trigo cresce como a aventura
vivida pelos homens que semearam medos, dúvidas, olhares,
e construíram pensamentos, fogos, livros, barcos,
com a carne que não parou nunca de tremer.
Tudo foi prodígio, tudo é prodígio ainda.
O homem confunde-se com o seu amor, com o seu poema,
porque um dia é uma boca e outro dia é sede,
dúvida que amadurece justamente na fala.
E tu sabes que palavra é essa, a que agora diz
a tua alegria e a tua angústia
quando pronuncias filho
ou pronuncias árvore.
Não te sentes à espera do futuro
sem liberdade no sangue, sem coragem na voz.
Porque essa palavra és tu, tem a beleza faminta
das coisas imperfeitas.
in GUARDAR O FOGO
Edições Esgotadas 2013
Foto: Cena do filme As Pontes de Madison County