e morreu a 13set1877
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28mar
é dia nacional dos CENTROS HISTÓRICOS
patrono Alexandre Herculano
***28mar2018
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https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2019/03/28-de-marco-de-1810-nasce-alexandre.html?spref=fb&fbclid=IwAR1qXY9F_ZmOVRXFBb0lAISGhd4C9fUoan75qYYGotd3gfNxjha3R4tpNUE
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28 de Março de 1810: Nasce Alexandre Herculano, historiador, romancista e político liberal português, último presidente do Município de Belém, autor de "Eurico, o Presbítero", renovador da historiografia portuguesa.
Poeta, romancista, historiador e ensaísta português, Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo nasceu a 28 de Março de 1810, em Lisboa, e morreu a 13 de Setembro de 1877, em Santarém.
A sua obra, em toda a extensão e diversidade, ostenta uma profunda coerência, obedecendo a um programa romântico-liberal que norteou não apenas o seu trabalho mas também a sua vida.
Nascido numa família modesta, estudou Humanidades na Congregação do Oratório, onde se iniciou também na leitura meditada da Bíblia, o que viria a marcar a sua mundividência. Impedido por dificuldades económicas e familiares de frequentar a Universidade, preparou-se para ingressar no funcionalismo, frequentando um curso prático de Comércio e estudando Diplomática na Torre do Tombo, onde aprendeu os rudimentos da investigação histórica. Por esta altura, com 18 anos, já se manifestava a sua vocação literária: aprendeu o francês e o alemão, fez leituras de românticos estrangeiros e iniciou-se nas tertúlias literárias da marquesa de Alorna, que viria a reconhecer como uma das suas mentoras. Em 1831, envolvido numa conspiração contra o regime miguelista, foi obrigado a exilar-se, primeiro em Inglaterra (Plymouth) e depois em França (Rennes).
No exílio, aperfeiçoou o estudo da história, familiarizando-se com as obras de historiadores como Thierry e Thiers, e leu os que viriam a ser os seus modelos literários: Chateaubriand, Lamennais, Klopstock e Walter Scott. Em 1832, participou no desembarque das tropas liberais em Mindelo e na defesa do Porto, onde foi nomeado segundo-bibliotecário e encarregue de organizar os arquivos da biblioteca. Entre 1834 e 1835, publicou importantes artigos de teorização literária na revista Repositório Literário, do Porto, (posteriormente compilados nos Opúsculos). Em 1836, por discordâncias com o governo setembrista, demitiu-se do seu cargo de bibliotecário e publicou o folheto A Voz do Profeta. Em Lisboa, dirigiu a mais importante revista literária do Romantismo português, O Panorama, para que contribuiria com diversos artigos, narrativas e traduções, nem sempre assinados. Em 1839, aceitou o convite de D. Fernando para dirigir as bibliotecas reais da Ajuda e das Necessidades, prosseguindo os seus trabalhos de investigação histórica, que viriam a concretizar-se nos quatro volumes da História de Portugal, publicados no decurso das duas décadas seguintes. Foi precisamente por essa altura que se envolveu numa polémica com o clero, ao questionar o milagre de Ourique, polémica que daria origem aos opúsculos Eu e o Clero e Solemnia Verba. Eleito deputado pelo Partido Cartista em 1840, demitiu-se no ano seguinte, desiludido com a actividade parlamentar.
Voltou à política em 1851, fundou o jornal O País, mas logo se desiludiu com a Regeneração, manifestando o seu desagrado pela concepção meramente material de progresso de Fontes Pereira de Melo. Em 1853, fundou o jornal O Português, e dois anos depois foi nomeado vice-presidente da Academia Real das Ciências e incumbido pelos seus consórcios da recolha dos documentos históricos anteriores ao século XV - tarefa que viria a traduzir-se na publicação dos Portugaliae Monumenta Historica, iniciada em 1856. Neste mesmo ano tornou-se um dos fundadores do partido progressista histórico e em 1857 atacou a Concordata com a Santa Sé. Em 1858, recusou a cátedra de História no Curso Superior de Letras. Entre 1860 e 1865, envolveu-se em nova polémica com o clero, quando, ao participar na redacção do primeiro Código Civil Português, defendeu o casamento civil. Em 1865, fruto das suas reflexões, saíram os Estudos sobre o Casamento Civil. Em 1867, desgostoso com a morte precoce de D. Pedro V, rei em quem depositava muitas esperanças, e desiludido com a vida pública, retirou-se para a sua quinta em Vale de Lobos (comprada com o produto da venda das suas obras), onde se dedicaria quase exclusivamente à vida rural, casando com D. Maria Hermínia Meira, sua namorada da juventude.
Apesar deste novo e voluntário exílio, continuou a trabalhar nos Portugaliae Monumenta Historica, interveio em 1871 contra o encerramento das Conferências do Casino, orientou em 1872 a publicação do primeiro volume dos Opúsculos e manteve correspondência com várias figuras da vida política e literária. Morreu de pneumonia aos 67 anos, originando manifestações nacionais de luto.
Alexandre Herculano. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
wikipedia (imagem)
A sua obra, em toda a extensão e diversidade, ostenta uma profunda coerência, obedecendo a um programa romântico-liberal que norteou não apenas o seu trabalho mas também a sua vida.
Nascido numa família modesta, estudou Humanidades na Congregação do Oratório, onde se iniciou também na leitura meditada da Bíblia, o que viria a marcar a sua mundividência. Impedido por dificuldades económicas e familiares de frequentar a Universidade, preparou-se para ingressar no funcionalismo, frequentando um curso prático de Comércio e estudando Diplomática na Torre do Tombo, onde aprendeu os rudimentos da investigação histórica. Por esta altura, com 18 anos, já se manifestava a sua vocação literária: aprendeu o francês e o alemão, fez leituras de românticos estrangeiros e iniciou-se nas tertúlias literárias da marquesa de Alorna, que viria a reconhecer como uma das suas mentoras. Em 1831, envolvido numa conspiração contra o regime miguelista, foi obrigado a exilar-se, primeiro em Inglaterra (Plymouth) e depois em França (Rennes).
No exílio, aperfeiçoou o estudo da história, familiarizando-se com as obras de historiadores como Thierry e Thiers, e leu os que viriam a ser os seus modelos literários: Chateaubriand, Lamennais, Klopstock e Walter Scott. Em 1832, participou no desembarque das tropas liberais em Mindelo e na defesa do Porto, onde foi nomeado segundo-bibliotecário e encarregue de organizar os arquivos da biblioteca. Entre 1834 e 1835, publicou importantes artigos de teorização literária na revista Repositório Literário, do Porto, (posteriormente compilados nos Opúsculos). Em 1836, por discordâncias com o governo setembrista, demitiu-se do seu cargo de bibliotecário e publicou o folheto A Voz do Profeta. Em Lisboa, dirigiu a mais importante revista literária do Romantismo português, O Panorama, para que contribuiria com diversos artigos, narrativas e traduções, nem sempre assinados. Em 1839, aceitou o convite de D. Fernando para dirigir as bibliotecas reais da Ajuda e das Necessidades, prosseguindo os seus trabalhos de investigação histórica, que viriam a concretizar-se nos quatro volumes da História de Portugal, publicados no decurso das duas décadas seguintes. Foi precisamente por essa altura que se envolveu numa polémica com o clero, ao questionar o milagre de Ourique, polémica que daria origem aos opúsculos Eu e o Clero e Solemnia Verba. Eleito deputado pelo Partido Cartista em 1840, demitiu-se no ano seguinte, desiludido com a actividade parlamentar.
Voltou à política em 1851, fundou o jornal O País, mas logo se desiludiu com a Regeneração, manifestando o seu desagrado pela concepção meramente material de progresso de Fontes Pereira de Melo. Em 1853, fundou o jornal O Português, e dois anos depois foi nomeado vice-presidente da Academia Real das Ciências e incumbido pelos seus consórcios da recolha dos documentos históricos anteriores ao século XV - tarefa que viria a traduzir-se na publicação dos Portugaliae Monumenta Historica, iniciada em 1856. Neste mesmo ano tornou-se um dos fundadores do partido progressista histórico e em 1857 atacou a Concordata com a Santa Sé. Em 1858, recusou a cátedra de História no Curso Superior de Letras. Entre 1860 e 1865, envolveu-se em nova polémica com o clero, quando, ao participar na redacção do primeiro Código Civil Português, defendeu o casamento civil. Em 1865, fruto das suas reflexões, saíram os Estudos sobre o Casamento Civil. Em 1867, desgostoso com a morte precoce de D. Pedro V, rei em quem depositava muitas esperanças, e desiludido com a vida pública, retirou-se para a sua quinta em Vale de Lobos (comprada com o produto da venda das suas obras), onde se dedicaria quase exclusivamente à vida rural, casando com D. Maria Hermínia Meira, sua namorada da juventude.
Apesar deste novo e voluntário exílio, continuou a trabalhar nos Portugaliae Monumenta Historica, interveio em 1871 contra o encerramento das Conferências do Casino, orientou em 1872 a publicação do primeiro volume dos Opúsculos e manteve correspondência com várias figuras da vida política e literária. Morreu de pneumonia aos 67 anos, originando manifestações nacionais de luto.
Alexandre Herculano. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
wikipedia (imagem)
Alexandre Herculano por João Pedroso
http://estoriasdahistoria12.blogspot.pt/2018/03/28-de-marco-de-1810-nasce-alexandre.html
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13 de Setembro de 1877: Morre Alexandre Herculano
Alexandre Herculano. In Infopédia [Em
linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
wikipedia
(imagem)
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Via Cristina Franco
Poeta, romancista, historiador e jornalista, Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo, nasceu a 28 de Março de 1810.
Foi considerado o pai da historiografia portuguesa e os seus poemas e romances transformam-no numa figura fundamental do Romantismo a par de Almeida Garrett.
Foi considerado o pai da historiografia portuguesa e os seus poemas e romances transformam-no numa figura fundamental do Romantismo a par de Almeida Garrett.
Nascido numa família modesta, estudou Humanidades na Congregação do Oratório. Impedido por dificuldades económicas e familiares de frequentar a Universidade, preparou-se para ingressar no funcionalismo, frequentando um curso prático de Comércio e estudando Diplomática na Torre do Tombo, onde aprendeu os rudimentos da investigação histórica. Por esta altura, com 18 anos, já se manifestava a sua vocação literária: aprendeu o francês e o alemão, fez leituras de românticos estrangeiros e iniciou-se nas tertúlias literárias da marquesa de Alorna, que viria a reconhecer como uma das suas mentoras.
Em 1831, envolvido numa conspiração contra o regime absolutista, foi obrigado a exilar-se, primeiro em Inglaterra (Plymouth) e depois em França (Rennes). No exílio, aperfeiçoou o estudo da História, familiarizando-se com as obras de historiadores como Thierry e Thiers, e leu os que viriam a ser os seus modelos literários: Chateaubriand, Lamennais, Klopstock e Walter Scott.
Volta a Portugal em 1832, integrado no exército liberal de D. Pedro IV, que desembarca na praia de Mindelo. Durante o cerco da Invicta, colaborou na organização da Biblioteca Municipal do Porto, como seu segundo bibliotecário, sem prejuízo da sua participação corajosa nas lutas civis. Dedica-se ao jornalismo, tomando a direção de uma das revistas mais influentes do nosso romantismo "O Panorama", e escreve algumas das suas obras literárias e históricas de maior relevo.
Em 1839, é nomeado director das Bibliotecas Reais das Necessidades e da Ajuda pelo rei-consorte D. Fernando, marido da rainha D. Maria II. Politicamente, chega a ser deputado na legislatura de 1840, onde alinhava pelo partido cartista, embora na sua ala esquerda, mas deixa o cargo por desinteresse da vida parlamentar e política.
Em 1852, é admitido na Academia Real das Ciências como sócio efectivo. Em 1853–1854, percorre o país, inventariando os documentos medievais. Publica "Portugaliae Monumenta Historica" entre 1856–1873. Tem um papel de relevo na redação do primeiro Código Civil Português entre 1860–1865. Recusa condecorações, uma pasta de ministro e a cadeira de História do Curso Superior de Letras.
Casa tardiamente, em 1866, com Mariana Hermínia Meira, sua namorada de juventude. Retira-se para a quinta de Vale de Lobos, em Santarém, abandonando definitivamente a vida política e pública, e dedica-se à agricultura. Morre poucos anos depois, aos 67 anos, em 1877, a 13 de Setembro, decretado como dia de luto nacional. Foi considerado o «homem de maior prestígio intelectual e moral da sua geração» e encontra-se sepultado no panteão do Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa.
Retrato de Alexandre Herculano (1849), pintado a óleo por José Balaca (1800-1869).
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10215453841797443&set=a.10209070596860309.1073741846.1179915335&type=3&theater***
Alexandre Herculano de Carvalho Araújo (1810-1877) foi poeta, romancista, historiador e ensaísta. Atravessa a sua obra uma profunda coerência, seguindo um programa romântico-liberal que norteou não apenas o seu trabalho mas também a sua vida.
Impedido por razões económicas de frequentar a faculdade, aprendeu os rudimentos da investigação histórica ao preparar-se para ingressar o funcionalismo. Com 18 anos, manifestava-se já a vocação literária, aprendendo o francês e o alemão e lendo românticos estrangeiros. Inicia-se nas tertúlias literárias pela mão da duquesa de Alorna, que reconheceria como uma das suas mentoras.Por razões políticas, exila-se, primeiro em Inglaterra e depois em França. Aqui, familiariza-se com a obra de historiadores, lendo os que seriam os seus modelos literários, como Chateaubriand ou Lamennais.
Em 1832, depois de participar no desembarque das tropas liberais no Mindelo e na defesa do Porto, é nomeado nesta cidade segundo-bibliotecário e apontado como organizador dos arquivos da biblioteca. Publica, em 1834 e 1835 importantes artigos de teorização literária na revista “Repositório Literário”, do Porto. Em discordância com o governo setembrista, demite-se em 1836 e, já em Lisboa, dirige a mais importante revista literária do Romantismo português: “O Panorama”. Em 1839 aceita o convite de D. Fernando para dirigir as bibliotecas reais da Ajuda e das Necessidades, levando os seus trabalhos de investigação histórica à publicação dos quatro volumes da “História de Portugal”, nas duas décadas seguintes.
Depois de algumas convulsões e decepções políticas, e fundando dois jornais (“O País” e “O Português”) entretanto, é nomeado em 1853 vice-presidente da Academia Real das Ciências e inicia a recolha dos documentos históricos anteriores ao século XV, que viria a ser traduzida na publicação dos “Portugaliae Monumenta Historica”. Envolve-se posteriormente, e mais uma vez, numa polémica com o clero ao defender, na redação do primeiro Código Civil Português, o casamento civil. Em 1865 publica “Estudos Sobre o Casamento Civil”.
Em 1867, decepcionado com a morte de D. Pedro V e com a vida pública, retira-se para a quinta que comprara em Vale dos Lobos onde casaria com D.ª Maria Hermínia Meira, sua namorada de juventude. Manteve contudo o trabalho, ainda orientando a publicação do primeiro volume dos “Opúsculos” e correspondendo-se com figuras políticas e literárias. A sua morte originou manifestações nacionais de luto.
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Via portal da literatura
http://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=331
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VIA CITADOR:

http://www.citador.pt/frases/citacoes/a/alexandre-herculano
"É erro vulgar confundir o desejar com o querer. O desejo mede os obstáculos; a vontade vence-os."
"Eu não me envergonho de corrigir os meus erros e mudar de opinião, porque não me envergonho de raciocinar e aprender."
"A hipocrisia, suprema perversão moral, é o charco podre e dormente que impregna a atmosfera de miasmas mortíferos e que salteia o homem no meio de paisagens ridentes: é o réptil que se arrasta por entre as flores e morde a vítima descuidada."
"Querer é quase sempre poder: o que é excessivamente raro é o querer."
"O homem é mais propenso a contentar-se com as ideias dos outros, do que a reflectir e a raciocinar."
"O segredo da felicidade é encontrar a nossa alegria na alegria dos outros."
"A ingratidão é o mais horrendo de todos os pecados."
"No amor a ingratidão é filha primogénita da abnegação e da fraqueza."
"A indiferença silenciosa, grave, quase benévola, é a manifestação legítima da morte de toda a crença."
"A providência tempera as coisas deste mundo de modo que se podem simbolizar todas as felicidades dele numa ameixa saragoçana. Doçura, suco, beleza externa, sim senhor; tudo quanto quiserem: mas, no fim de contas, travo e mais travo ao pé do caroço."
"O medo é o pior dos conselheiros."
"Eu não me envergonho de corrigir os meus erros e mudar as minhas opiniões, porque não me envergonho de raciocinar e aprender."
"Para secar as lágrimas de uma viúva jovem não há como as mãos do amor."
"Saber resistir à violência é forte, mas vulgar; saber resistir à calúnia e aos motejos é maior esforço e mais raro."
"O amor do poeta é maior que o de nenhum homem; porque é imenso, como o ideal, que ele compreende, eterno, como o seu nome, que nunca perece."
"Quanto mais conheço os homens, mais estimo os animais."
"Há épocas de tal corrupção, que, durante elas, talvez só o excesso do fanatismo possa, no meio da imoralidade triunfante, servir de escudo à nobreza e à dignidade das almas rijamente temperadas."
Que fora a vida, se nela não houvesse lágrimas? Os desgraçados na sua miséria conservam sempre olhos que saibam chorar. A dor mais tremenda do espírito quebrantam-na as lágrimas."
"É o progresso das ideias que traz as reformas, e não o progresso dos males públicos quem as torna inevitáveis."
"O gozo é sempre o desengano das fascinações do desejo."
"As lágrimas de piedade consolam quando é um amigo que as derrama."
"Examina a consciência e diz-me qual é para os corações puros e nobres o motivo imenso, irresistível das ambições, do poder, da abastança, do renome? É uma só mulher: é esse o termo final de todos os nossos sonhos, de todas as nossas esperanças, de todos os nossos desejos."
"Das definições possíveis do homem, uma só é verdadeira: o homem é o animal que disputa."
"Examina bem a consciência e diz-me qual é para os corações puros e nobres o motivo imenso, irresistível das ambições de poder, de opulência, de renome? É um só - a mulher."
História não é só CronologiaUm dos principais defeitos dos trabalhos históricos no nosso país parece-me ser a insulação de cada um dos aspectos sociais de qualquer época, que nunca se conhecerá, nem entenderá, enquanto a sociedade se não estudar em todas as suas formas de existir, enquanto se não contemplar em todos os seus caracteres.
Estas cartas, se merecerem a aprovação de V. Exas., poderão algum dia servir, no que tiverem de bom, se o tiverem, de esclarecimento e notas a uma parte da História Portuguesa, como eu concebo que ela se deveria escrever: história não tanto dos indivíduos como da Nação; história que não ponha à luz do presente o que se deve ver à luz do passado; história, enfim, que ligue os elementos diversos que constituem a existência de um povo em qualquer época, em vez de ligar um ou dois desses elementos, não com os outros que com ele coexistem, mas com os seus afins na sucessão dos tempos.
A história pode comparar-se a uma coluna polígona de mármore. Quem quiser examiná-la deve andar ao redor dela, contemplá-la em todas as suas faces. O que entre nós se tem feito, com honrosas excepções, é olhar para um dos lados, contar-lhe os veios de pedra, medir-lhe a altura por palmos, polegadas e linhas. E até não sei ao certo se estas indagações se têm aplicado a uma face ou únicamente a uma aresta.
in "Cartas Sobre a História de Portugal"Somos Uma Nação Que Se RegeneraQue somos nós hoje? Uma nação que tende a regenerar-se: diremos mais: que se regenera. Regenera-se, porque se repreende a si própria; porque se revolve no lodaçal onde dormia tranquila; porque se irrita da sua decadência, e já não sorri sem vergonha ao insultar de estranhos; porque principia, enfim, a reconhecer que o trabalho não desonra, e vai esquecendo as visagens senhoris de fidalga. Deixai passar essas paixões pequenas e más que combatem na arena política, deixai flutuar à luz do sol na superfície da sociedade esses corações cancerosos que aí vedes; deixai erguerem-se, tombar, despedaçarem-se essas vagas encontradas e confusas das opiniões! Tudo isto acontece quando se agita o oceano; e o mar do povo agita-se debaixo da sua superfície. O sargaço imundo, a escuma fétida e turva hão-de desparecer. Um dia o oceano popular será grandioso, puro e sereno como saiu das mãos de Deus. A tempestade é a precusora da bonança. O lago asfaltite, o Mar Morto, esse é que não tem procelas.
O nosso estrebuchar, muitas veze colérico, muitas mais mentecapto e ridículo, prova que a Europa se enganava quando cria que esta nobre terra do último ocidente era o cemitério de uma nação cadáver. Vivemos: e ainda que semelhante viver seja o delírio febril de moribundo, esta situação violenta, aos olhos dos que sabem ver, é uma crise de salvação, posto que dolorosa, e lenta. Confiemos e esperemos: o nome português não foi riscado do livro dos eternos destinos.
in "Duas Épocas e Dois Monumentos (Questões Públicas - 1843)"