e morreu a 19set1985
***
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=929734067050905&set=a.102766876414299.6242.100000429611223&type=1&theater
«Cada novo livro que leio passa a fazer parte do livro geral e unitário que é a soma das minhas leituras. Isto não se dá sem esforço: para compor esse livro geral, cada livro particular tem de se transformar, de entrar em relação com os livros que li antes, de se tornar o seu corolário ou desenvolvimento ou refutação ou glosa ou texto de referência.»
in "Se numa Noite de Inverno um Viajante"
***
Via Cristina Correia
"Quem somos nós, quem é cada um de nós senão uma combinatória de experiências, de informações, de leituras, de imaginações? Cada vida é uma enciclopédia, uma biblioteca, um inventário de objetos, uma amostragem de estilos, onde tudo pode ser completamente remexido e reordenado de todas as maneiras possíveis.
***
15 de Outubro de 1923: Nasce o escritor italiano Italo Calvino, autor de "O Barão Trepador", "O Visconde Cortado ao Meio", "Cidades Invisíveis"
Jornalista, contista e romancista italiano, Italo
Calvino nasceu a 15 de outubro de 1923 em Santiago de Las Vegas, na ilha de
Cuba. Ainda criança acompanhou os pais na sua mudança para São Remo, em Itália.
Em 1940, e em consequência da deflagração da Segunda Guerra Mundial, Calvino
foi recrutado para a Mocidade Fascista, mas desertou pouco tempo depois,
refugiando-se nas montanhas da Ligúria, onde se juntou à Resistência Comunista.
Pôde, no entanto, ingressar no curso de Literatura da Universidade Turim em
1941 mas, e com uma passagem pela Real Universidade de Florença, só conseguiu
licenciar-se após a guerra, em 1947. Nesse mesmo ano publicou o seu primeiro
romance, com o título Il sentiero dei nidi di ragno (1947). A obra
remetia para as suas experiências enquanto ativo da resistência italiana e foi
bem acolhida pela crítica, sobretudo devido aos trejeitos que Calvino dava à
narrativa.
Em 1949 publicou uma coletânea de contos,
também dedicados à problemática de guerra, que haviam já aparecido em
publicações periódicas. A colaboração de Calvino com a imprensa havia começado
em meados de 1945, no jornal comunista L'Unittá, prosseguindo em títulos
como Il Garibaldino, voce della Democracia e La Republica.
Após a publicação de Il visconte dimezzato (1954), o autor
abandonou o tema da guerra recente, preferindo o absurdo e o fantástico ao
neorrealismo com que havia pautado o seu trabalho. A obra, que inaugurava uma
trilogia também composta pelos volumes Il barone rampante (1957) e Il
cavaliere inesistente (1959), e que causou fortes polémicas no seio
do Partido Comunista Italiano, contava a história de um homem mutilado por uma
bala de canhão durante a tomada de Constantinopla.
Calvino procurava assim
demonstrar o seu desagrado perante o partido, que abandonou após os
acontecimentos da primavera de Praga. Sentiu que o seu esforço literário era
mais necessário na imprensa, pelo que se passou a concentrar mais na carreira
como jornalista do que como romancista.
Em 1959 viajou pelos Estados Unidos
da América, formulando um contraste com a sua visita à União Soviética em 1952.
De regresso, começou a editar a revista Il Menabó Di Letteratura, em
colaboração com Elio Vittorini. Mantendo sempre um olhar crítico sobre a
sociedade, entrelaçada na consciência individual e na inércia dos eventos
históricos, publicou Marcovalco (1963), uma coletânea de fábulas em que
criticava o modo de vida das cidades, destrutivo e vazio. Marcovalco era
apresentado como um homem de família sonhador que, permanecendo na sua cidade
durante o mês de agosto, quando todos os outros habitantes partiram para férias,
vê o seu descanso ser interrrompido por uma equipa de televisão que o quer
entrevistar, precisamente por ter sido o único a renunciar às estâncias
balneares.
Em 1972 publicou Le Cittá Invisibli, romance em que o
lendário explorador Marco Polo se dedicava a contar histórias de cidades
fictícias para o divertimento de Kublai Khan, e que valeu ao autor o conceituado
Prémio Felrinelli. A sua obra mais conhecida, Se una notte d'inverno un
viaggiatore (Se numa Noite de Inverno um Viajante) apareceu em 1979.
Palomar (1983), descrevia as contemplações filosóficas de um homem
aparentemente simples.
Italo Calvino faleceu a 19 de setembro de 1985, em
Siena, vítima de uma hemorragia cerebral.
Fontes: Infopédia
wikipédia (imagens)

***
https://www.facebook.com/democraciarealyamadrid/photos/a.196521667065591.65992.192573234127101/795447817172970/?type=1&theater
***
VIA CITADOR

"O conhecimento do próximo tem isto de especial: passa necessariamente pelo conhecimento de si mesmo."
"A vida de uma pessoa consiste num conjunto de acontecimentos, dos quais o último também poderia mudar o sentido de todo o conjunto."
"Escrever é sempre esconder algo de modo que mais tarde seja descoberto."
"A loucura é uma força da natureza para o bem ou para o mal, ao passo que a estupidez é uma debilidade da natureza sem contrapartidas."
"Um clássico é um livro que nunca acaba de dizer o que tem para dizer."
"A melancolia é uma tristeza com um pouco de leveza."
"Não é a voz que dirige a história, mas sim o ouvido."
"Não podemos conhecer nada de exterior a nós próprios que nos supere (...) o universo é o espelho em que podemos contemplar apenas o que aprendemos a conhecer em nós."
"Os revolucionários são mais formais que os conservadores."
"Até mesmo para quem passou toda uma vida no mar, chega uma idade em que se deixa a embarcação."
"Aquilo a que a terminologia romântica chama génio ou inspiração não é mais do que encontrar empiricamente o caminho, seguir o próprio olfacto, tomar atalhos."
"O autor de um livro é uma personagem fictícia que o autor real inventa para que seja autor das suas ficções."
"A arte de escrever histórias consiste em conseguir retirar do pouco que se compreendeu da vida tudo o resto; porém, acabada a página, a vida renova-se e damo-nos conta de que o que sabíamos era muito pouco."
"O inconsciente é o oceano do indizível, o que foi expulso do território da linguagem, posto de lado em virtude de antigas proibições."
"Toda a história não é mais do que uma infinita catástrofe da qual tentamos sair o melhor possível."
"A fé é uma visão das coisas que não se vêem."
O Saber OralO novo saber que o género humano vai adquirindo não compensa o saber que se propaga apenas pela transmissão oral directa, o qual, uma vez perdido, nunca mais se pode readquirir e retransmitir: nenhum livro pode ensinar aquilo que apenas se pode aprender na infância, se se entrega o ouvido e o olho atentos ao canto e ao voo dos pássaros e se se encontra então alguém que pontualmente lhes saiba dar um nome.
in "Palomar"A Distância Entre GeraçõesA solução de continuidade entre as gerações depende da impossibilidade de transmitir a experiência, de fazer evitar aos outros os erros já cometidos por nós. A verdadeira distância entre duas gerações é dada pelos elementos que têm em comum e que obrigam à repetição cíclica das mesmas experiências, como nos comportamentos das espécies animais transmitidos pela herança biológica; ao passo que os elementos da verdadeira diversidade existente entre nós e eles são, pelo contrário, o resultado das modificações irreversíveis que cada época traz consigo, ou seja, dependem da herança histórica que nós lhes transmitimos, a verdadeira herança de que somos responsáveis, mesmo que por vezes o sejamos de forma inconsciente. Por isso não temos nada a ensinar: sobre aquilo que mais se parece com a nossa experiência não podemos influir; naquilo que traz o nosso cunho, não sabemos reconhecer-nos.
in "Palomar"A Perturbação do Último AcontecimentoA vida de uma pessoa consiste num conjunto de acontecimentos no qual o último poderia mesmo mudar o sentido de todo o conjunto, não porque conte mais do que os precedentes mas porque, uma vez incluídos na vida, os acontecimentos dispõem-se segundo uma ordem que não é cronológica mas que corresponde a uma arquitectura interna. Uma pessoa, por exemplo, lê na idade madura um livro importante para ela, que a faz dizer: "Como poderia viver sem o ter lido!" e ainda: "Que pena não o ter lido quando era jovem!". Pois bem, estas afirmações não fazem muito sentido, sobretudo a segunda, porque a partir do momento em que ela leu aquele livro, a sua vida torna-se a vida de uma pessoa que leu aquele livro, e pouco importa que o tenha lido cedo ou tarde, porque até a vida que precede a leitura assume agora uma forma marcada por aquela leitura.
in "Palomar