29/09/2014

8.806.(29set2014.7.17') Émile Zola

Nasceu a 2abril1940
e morreu a 29set1902
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Via Maria Elisa Ribeiro

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1032938463389389&set=a.104671869549391.10003.100000197344912&type=1&theater
"Vocês me tratam como um escritor democrático e algo socialista, e se surpreendem que eu pinte a classe operária com cores verdadeiras e entristecedoras. De início, não aceito as etiquetas que vocês me colam nas costas. Creio ser um escritor sem epíteto; se desejam classificar-me, digam que sou um romancista naturalista, o que não me desagradará. Minhas opiniões políticas não contam. Quanto à pintura de certa classe operária, ela é tal como a expressei: sem sombra, sem atenuação. Eu digo o que vejo, verbalizado simplesmente, e deixo aos moralistas a preocupação de tirar lições. Desnudei as chagas do alto, logo, não iria esconder as debaixo. Minha obra não é obra de partido e de propaganda. Ela é obra de verdade."
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Carta J' accuse
processo Dreyfus
http://www.omarrare.uerj.br/numero12/pdfs/emile.pdf
(...)
Mas essa carta já vai longe, senhor Presidente, e é hora de concluí-la.
Acuso o comandante du Paty de Clam de ter sido o criador diabólico do erro
judicial, inconscientemente, quero crer, e ter saído em defesa de sua obra nefasta,
durante três anos, por maquinações as mais estapafúrdias e as mais culposas.
Acuso o general Mercier de ter se tornado cúmplice, ainda que por franqueza
de caráter, de uma das maiores iniqüidades do século. 216
Acuso o general Billot de ter tido entre as mãos as provas indubitáveis da
inocência de Dreyfus e de tê-las ocultado, tornando-se, pois, culpado de crime de
lesa-humanidade e lesa–justiça, por motivos políticos e para livrar um Estado-Maior
comprometido.
Acuso o general de Boisdeffre e o general Gonse de tornarem-se cúmplices
do mesmo crime, um sem dúvida por paixão clerical, o outro por esse
corporativismo que faz do Ministério da Guerra uma arca santa inatacável.
Acuso o general de Pellieux e o comandante Ravary de terem feito uma
investigação criminosa, um inquérito da mais monstruosa parcialidade e do qual
temos, no relatório do segundo, um monumento perene da mais ingênua audácia.
Acuso os três especialistas sem grafologia, os senhores Belhomme, Varinard
e Couard de terem emitido pareceres mentirosos e fraudulentos, a menos que um
laudo médico os declare tomados por alguma patologia da vista e do juízo.
Acuso o Ministério da Guerra de ter promovido na imprensa, particularmente
no L’éclair e no L’Écho de Paris, uma campanha abominável, para manipular a
opinião pública e acobertar sua falha.
Acuso por fim o primeiro Conselho de Guerra de ter violado o direito,
condenando um acusado com base em um documento secreto, e acuso o segundo
Conselho de Guerra de ter encoberto essa ilegalidade, por ter recebido ordens,
cometendo por sua vez o crime jurídico de absolver conscientemente um culpado.
Fazendo essas acusações, não ignoro enquadrar-me nos artigos 30 e 31 da
lei de imprensa de 29 de julho de 1881, que pune os delitos de difamação. E é
voluntariamente que eu me exponho.
Quanto às pessoas que eu acuso, não as conheço, nunca as vi, não nutro
por elas nem rancor nem ódio. Não passam para mim de entidades, de espíritos da
malevolência social. O ato que aqui realizo não é nada além de uma ação
revolucionária para apressar a explosão de verdade e justiça.
Não tenho mais que uma paixão, uma paixão pela verdade, em nome da
humanidade que tanto sofreu e que tem direito à felicidade. Meu protesto inflamado
nada mais é que o grito da minha alma. Que ousem, portanto levar–me perante ao
tribunal do júri e que o inquérito se dê à luz do dia!
É o que espero.
Receba, senhor Presidente, minhas manifestações de mais profundo
respeito.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
ZOLA, Émile (1840-1902). Zola /Rui Barbosa Eu acuso! O Processo do

Capitão Dreyfus. Org. e trad. Ricardo Lísias. São Paulo: Hedra, 2007. p. 35 a 53 
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Recordo "Germinal"
http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=11307

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A obra GERMINAL em
Filme (gratuito)
http://baixardegraca.com.br/download-filme-%E2%80%93-germinal-%E2%80%93-legendado/
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Filme (+ recente) Germinal
com Gerard Depardieu
https://www.youtube.com/watch?v=XFs0LCnW-lM
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Via Citador
Émile Zola
http://www.citador.pt/frases/citacoes/a/emile-zola/10
"Os governos suspeitam da literatura porque é uma força que lhes escapa."
"O sofrimento é o melhor remédio para acordar o espírito."
"O amor, como as andorinhas, dá felicidade às casas."
"A verdade marcha e nada conseguirá detê-la."
"O que é o amor? - um conto simples, dito de muitas maneiras."
"Que patifes, as pessoas honestas."
"Um romancista é constituído por um observador e por um experimentador."
"Uma obra de arte é um canto da criação visto através de um temperamento."
"Se eu a formulasse, a minha definição de obra de arte seria: 'Uma obra de arte é um ângulo da criação vista através de um temperamento'."
"No decorrer dos séculos, a História dos povos não passa de uma lição de mútua tolerância, e assim, o sonho último será envolvê-los todos numa ternura comum para os salvar o mais possível da dor comum. No nosso tempo detestar-se e ferir-se porque não se tem o crânio construído exactamente da mesma maneira, começa a tornar-se a mais monstruosa das loucuras."
"O espectador, considerado individualmente, é por vezes um homem inteligente; mas os espectadores, considerados em massa, são um rebanho que o génio ou até o simples talento têm de conduzir de chicote em punho."
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ontem foi dia...hj tb é dia de Zola...Digo eu: Amor é uma bELA amizade d' espantosa PAIXÃO.

Carmen Jácome
"O que é o amor? - um conto simples, dito de muitas maneiras."
Émile Zola nasceu em Paris, 2 de abril de 1840

Foto: Adam Martinakis