18/02/2015

9.611.(18fev2015.8.8') Neste dia...19fevereiro... vou rELEVAR: 340.avÔ, António Gedeão, Márcia, Avelino Cunhal, André Gide, Seal, José Fanha, Janet Blair; Nicolau Copérnico e A POESIA de Joaquim Pessoa:

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2017
340.avÔ
qu' espantoso é abRRaçar
 com os abRReijinhos esFERA
depois dos murmúRIOS
                  beijos dos ombros às orelhas
             DO bELO PODER.foder
*
depois da MAResia
                chuva TERna
                paisAGEm a mudar em catadupa
*
depois de escreVIVER
                jogar com as paLAVRAS
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Caravana da Saúde
Casal Ramos
https://www.facebook.com/centrocenico.dacela/photos/a.921947514521049.1073741826.921947461187721/1287454911303639/?type=3&theater
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16h
Aud. BV Pataias
Sentires
do Agnelo Ferreira

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1174624315924365&set=a.275052709214868.69648.100001304240583&type=3&theater
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Festival da Canção
com o talento de 3 alcobacenses
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2017/01/509820jan201777-fernando-serafim.html
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2016...face trouxe-me memórias deste dia:
morreu UMBERTO ECO...
1 vivaaaaaaaa à sua obra: "Nada é mais nocivo para a criatividade do que o furor da inspiração.
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Um sonho é um escrito, e muitos escritos não são mais do que sonhos.
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Talvez a missão daqueles que amam a Humanidade seja fazer com que as pessoas se riam da verdade, porque a única verdade consiste em aprender a libertar-nos da paixão insana pela verdade.
*
O bom de um livro é que se leia.
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A leitura é uma necessidade biológica da espécie. Nenhum ecrã e nenhuma tecnologia conseguirão suprimir a necessidade de leitura tradicional.
*
O mundo está cheio de livros fantásticos que ninguém lê.
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Por vezes, um bom resumo pode dizer mais sobre um romance do que um livro de duzentas páginas.
*
Temei os profetas e aqueles que estão dispostos a morrer pela verdade, pois, em geral, farão morrer muitos outros juntamente com eles, frequentemente antes deles, por vezes no lugar deles.
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O verdadeiro herói é sempre herói por engano; sonhou ser um cobarde honesto como todos os outros.
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Se a rendição à ignorância e chamá-la de Deus sempre foi prematuro, continua prematuro até hoje."

http://uniralcobaca.blogspot.pt/2015/01/93415jan2015717-umberto-eco.html
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s.MARtinho do Porto by Dino Pedras
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=961450777243332&set=a.158558794199205.37469.100001352569117&type=3&theater
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Sofia Bernardo solidária com a GAPA
https://www.facebook.com/gapaassociacao.alcobaca/photos/a.1476636275976462.1073741844.1467335150239908/1502796570027099/?type=3&theater
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 2015...face trouxe-me memórias deste dia:
 Há que ir buscar o dinheiro dos que roubaram exploraram e exploram o povo...Nestes dias de luta...Há uma luta curiosa: os que serviram a banca nas administrações...em vez dos 130 mil euros de reforma...O NOVO BANCO só (!!!) quer pagar 30 mil...Aqui um documentário esclarecedor...
 http://uniralcobaca.blogspot.pt/2015/01/miguel-tiago-opina-mbem-sobre-espirito.html
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 a bela rua dos cafés, (Rua Vasco da Gama) em S.Martinho do Porto, depois dos almoços era uma festa, cheia de d'amigos na cavaqueira...aproveitando a sombra e o abrigo dos dias de vento...agHora tem esta originalidade mundial: 3 troncos serrados...Bem sabemos do escaravelho da palmeira...Mas asSIM? Qual é a finalidade? Quem é responsável? Junta e câmara com certeza!!!!
 http://uniralcobaca.blogspot.pt/2015/02/961919fev2015822-rua-dos-cafes-em-sao.html
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 2.2.2" bELA MARavILHA d'ALCOBAÇA que vos abRRaça..ontem...este derreter das águas doce-salgada...o incessante ondular...a nascente constante...as tonalidades d'azul...o leão a mirar o infinito...a reunião das gaiVOTAS...as paREDES da VITÓRIA...
by Alda Vaz
 https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1018319844848275&set=a.146214172058851.27959.100000108085974&type=3&theater
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 à descoberta da história do cargueiro ALCOBAÇA...que vos abRRaça
 http://uniralcobaca.blogspot.pt/2015/02/961319fev201577-descobrir-historia-do.html
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 2014...face trouxe-me memórias deste dia:
 há + tendas no carnav' ALCOBAÇA: ABCD na Benedita...A do Mosteiro...Os buracos... do saibro...
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quis pitadinhas de Mia Couto
"Eis a luta que se anuncia ao coração:
Tudo está treinado para morder. As aves abocanham os céus, os ramos rasgam as nuvens, a chuva morde a terra, os mortos usam os dentes para se vingarem do destino."
Mia Couto
No livro "A Confissão da Leoa"
 Em criança não nos despedimos dos lugares.
Pensamos que voltamos sempre.
Acreditamos que nunca é a última vez.
- Mia Couto
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2012...face trouxe-me memórias deste dia:
 2ª vaia: Gouveia...1ª em Matosinhos...
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 carnav'alcobaça hj é variado com vários corsos à tarde e pela noite fora...mas não podemos esquecer que logo a seguir temos de ir à luta pela qualidade da nossa saúde!!!!
 http://uniralcobaca.blogspot.pt/2012/02/550117fev20121344-cdu-propoe-para-que.html
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 O outro carnav'alcobaça vem no "sol" de 17fev2012......Os mais precários do sistema educativo e sem recebrem 1 cêntimo desde que trabalharam...Empresas e Câmara empurram responsabilidades...Prof.s de Inglês sofrem...
 http://uniralcobaca.blogspot.pt/2012/01/538416jan20121218-trabalharam-e-nao.html
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 hj x AQUI...recordando o extraordináRIO concerto em frente ao mosteiro
Daniela Mercury
 https://www.youtube.com/watch?v=0qpt0bhiD9k
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 cavalguei o pôr do sol a ouvir...
Ary
 https://www.youtube.com/watch?v=7tcTrOq_vao
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 hj x AQUI +1x o ary e o cavalo à solta...

 https://www.facebook.com/quem.le.sophia.de.mello.breyner.andresen/photos/a.114014221967684.7650.112890882080018/328455947190176/?type=3&theater

JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS

CAVALO À SOLTA

Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.

Minha ousadia
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.
*
Fotografia e arte digital: Human and Arabian Horse Beauty, de El Luwanaya Arabians
*
Para ouvir este poema com a música e voz de Fernando Tordo:
http://youtu.be/KCGhjRFvzlo
*(cc)
*
há que lutar com optimismo!!!
 
 https://www.facebook.com/298376103511623/photos/a.298379223511311.94292.298376103511623/314078425274724/?type=3&theater
 PENSAMENTO

O pensamento tem poder infinito.
Ele mexe com o destino, acompanha a sua vontade.
Ao esperar o melhor, você cria uma expectativa positiva que detona o processo de vitória.
Ser otimista é ser perseverante, é ter uma fé inabalável e uma certeza sem limites de que tudo vai dar certo.
Ao nascer o sentimento de entusiasmo, o universo aplaude tal iniciativa e conspira a seu favor, colocando-o a serviço da humanidade.
Você é quem escreve a história de sua vida - ao optar pelas atitudes construtivas - você cresce como ser humano e filho dileto de DEUS.
Positivo atrai positivo.
Alegria chama alegria.
Ao exalar esse estado otimista, nossa consciência desperta energias vitais que vão trbalhar na direção de suas metas.
Seja incansavelmente otimista. Faz bem para o corpo, para a mente e para a alma.
É humano e natural viver aflições, só não é inteligente conviver com elas por muito tempo.
Seja mais paciente consigo mesmo, saiba entender suas limitações.
Sem esforço não existe vitória.
Ao escolher com sabedoria viver sua vida com otimismo, seu coração sorri, seus olhos brilham e a humanidade agradece por você existir.

Pablo Neruda

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 2011...face trouxe-me memórias deste dia:
 sigo a sugestão do Rúben...com grandes músicos alcobacenses...
 https://www.youtube.com/watch?v=acxi_hDGGRw
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2007
morreu Janet Blair
1 VIVAAAAAAA ao seu legado
https://www.youtube.com/watch?v=OjlgunZMuNM
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1997
morre António Gedeão (Prof. Rómulo de Carvalho)
1 vivaaaaaaaaa à sua obra: "Certezas, precisam-se
Preciso urgentemente de adquirir meia dúzia de valores absolutos,
inexpugnáveis e impenetráveis,
firmes e surdos como rochedos.
Preciso urgentemente de adquirir certezas,
certezas inabaláveis, imensas certezas, montes de certezas,
certezas a propósito de tudo e de nada,
afirmadas com autoridade, em voz alta para que todos oiçam,
com desassombro, com ênfase, com dignidade,
acompanhadas de perfurantes censuras no olhar carregado, oblíquo.
Preciso urgentemente de ter razão,
de ter imensas razões, montes de razões,
de eu próprio me instituir em razão.
Ser razão!
Dar um soco furibundo e convicto no tampo da mesa
e espadanar razões nas ventas da assistência.
Preciso urgentemente de ter convicções profundas,
argumentos decisivos,
ideias feitas à altura das circunstâncias.
Preciso de correr convictamente ao encontro de qualquer coisa,
de gritar, de berrar, de ter apoplexias sagradas
em defesa dessa coisa.
Preciso de considerar imbecis todos os que tiverem opiniões diferentes
da minha,
de os mandar, sem rebuço, para o diabo que os carregue,
de os prejudicar, sem remorsos, de todas as maneiras possíveis,
de lhes tapar a boca,
de lhes cortar as frases no meio,
de lhes virar as costas ostensivamente.
Preciso de ter amigos da mesma cor, caras unhacas,
que me dêem palmadinhas nas costas,
que me chamem pá e me façam brindes
em almoços de camaradagem.
Preciso de me acocorar à volta da mesa do café,
e resolver os problemas sociais
entre ruidosos alívios de expectoração.
Preciso de encher o peito e cantar loas,
e enrouquecer a dar vivas,
de atirar o chapéu ao ar,
de saber de cor as frequências dos emissores.
O que tudo são símbolos e sinais de certezas.
Certezas!
Imensas certezas! Montes de certezas!
Pirinéus, Urais, Himalaias de certezas!"
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/04/77582abril2014838-antonio-gedeao.html
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1982
Márcia
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2016/11/275516novembro201688-marcia.html
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1966
morreu Avelino Cunhal
 1 vivaaaaaaa à sua obra
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2015/10/515528outu201577-avelino-cunhal.html
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1963
Seal
https://www.youtube.com/watch?v=_9gVs_-eUU0&index=6&list=PLk78-mmlbFUDGP8VGPhmpND1MbsjLNUHF
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1951
José Fanha
Naquela Praça

Hei-de encontrar-te ali
naquela praça que talvez já não exista.
Praça da palavra.
Praça da canção.
Praça de bandeiras a beijar
os primeiros odores da primavera.
Hei-de encontrar-te um dia
ao alto da cidade
partilhando pão
azeitonas
e poema.
Ali
naquela praça que talvez já não exista
hei-de encontrar-te um dia
e seguiremos
abraçando
as laranjeiras
desfraldando
uma vez mais
a nossa voz ao vento.
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2017/06/759614jun20171755-jose-fanha.html

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1951
morreu André Gide
 1 vivaaaaaaaaaa à sua obra: "O universal parte sempre do particular."
"Todas as coisas já foram ditas.
Mas, como ninguém escuta,
é preciso
sempre recomeçar"

http://uniralcobaca.blogspot.pt/2015/02/961018fev2015755-andre-gide.html
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1473
Nicolau Copérnico
  "Derramando seus mares em todos os lugares, o oceano envolve a terra e enche os seus abismos mais profundos."
"Eu não estou tão apaixonado por minhas próprias opiniões, eu não ignoro o que os outros possam pensar delas."
"De todas as coisas visíveis, a mais alta é o céu e as estrelas."
"A sabedoria da natureza é tal que não produz nada de supérfluo ou inútil."
"Aquelas coisas que eu estou dizendo agora podem parecer obscuras, mas elas ainda vão ficar claras algum dia"

http://uniralcobaca.blogspot.pt/2015/05/987125mai2015722-nicolau-copernico.html
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 E A POESIA de Joaquim Pessoa:
2012
hj x AQUI +1 pitadinha do mestre JPessoa
Joaquim Pessoa
A voz dos poetas foi sempre a voz dos povos.
Se os poetas se calam, é porque os povos se encontram
já em coma, e nem sequer têm força para gemer.
Porque vos escondeis, pois, no silêncio,
precisamente quando seria necessário um grito
tão poderoso que fosse sacudir até os moribundos?
Vejo entre vós, é certo, homens que mutuamente se chamam
poetas: gente que faz ramalhetes de versos à toa,
que tira palavras à sorte, na esperança, quase sempre frustrada,
de que lhes saia a sorte grande da poesia.  Joalheiros ilustres
do verbo, que conhecem todos os vocabulários,
todas as literaturas e todas as estéticas, mas não sabem
ou talvez nunca tivessem sabido qual a missão humana e divina
da poesia. São os astrólogos da lírica narcisista: tiram
horóscopos de todo o zodíaco do real, mas o que traçam
sobre as laudas pacientes do papel não é poesia,
é casca e serradura de poesia.

"Amen"
(Falso poema retirado de uma carta virtual de um suposto Papa
chamado Celestino VI, na realidade dirigida aos homens por
Giovanni Papini).

*
2014

as pitadinhas de Joaquim Pessoa brotam com muit'energia:
Dia 43. (excerto)
A minha voz move-se ainda em biliões de bocas, o meu peito
carrega angústias, alegrias, conhecimento e desconhecimentos,
e razões que apesar de tão fundas ainda continuam a doer.
Em mim, quantos nomes, quantos encontros de amor?
Em mim, quantas árvores, quantas estrelas, quantas aldeias?

E não sei que idade tenho. Talvez sessenta anos. Talvez
o tempo do amor. Ou o tempo que falta para salvar o amor.
*
in ANO COMUM, 2.ª ed.
Editora Edições Esgotadas, 2013.
 
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Abraça-me.
Quero ouvir o vento que vem da tua pele,
e ver o sol nascer do intenso calor dos nossos corpos.
Quando me perfumo assim, em ti,
nada existe a não ser este relâmpago feliz,
esta maçã azul que foi colhida na palidez de todos os caminhos,
e que ambos mordemos para provar o sabor que tem a carne incandescente das estrelas.
Abraça-me.
Veste o meu corpo de ti,
para que em ti eu possa buscar o sentido dos sentidos,
o sentido da vida.
Abraça-me.
Uma vez só, uma vez mais, pois nem sei se tu existes fora dos meus pensamentos.
Abraça-me.
E transforma o sonho em realidade, em vida.

Arte: Dorina Costras

*

Assim me perguntaste, 
assim te respondi: 
tudo é paixão. 

Como não lamber 
da tua pele, o mel 
que o desejo fabrica? 

E como a minha boca 
não recolher o néctar 
da tua boca? 

Ou como não sorver 
das tuas mãos o pólen 
da ternura? 

E se, em vez de paixão, 
for sexo apenas, 
ou loucura? 

Pode até não ser amor. 
Mas, seja o que for, 
não é pior. 

in “Ano Comum”
***
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=660015874034130&set=a.559507790751606.1073741828.559343457434706&type=1&theater
O Amor é...

O amor é o início. O amor é o meio. O amor é o fim. O amor faz-te pensar, faz-te sofrer, faz-te agarrar o tempo, faz-te esquecer o tempo. 
O amor obriga-te a escolher, a separar, a rejeitar. O amor castiga-te.
O amor compensa-te. O amor é um prémio e um castigo.
O amor fere-te, o amor salva-te, o amor é um farol e um naufrágio. O amor é alegria.
O amor é tristeza. É ciúme, orgasmo, êxtase. O nós, o outro, a ciência da vida.
O amor é um pássaro. Uma armadilha. Uma fraqueza e uma força. 
O amor é uma inquietação, uma esperança, uma certeza, uma dúvida.
O amor dá-te asas, o amor derruba-te, o amor assusta-te, o amor promete-te, o amor vinga-te, o amor faz-te feliz.
O amor é um caos, o amor é uma ordem. O amor é um mágico.
E um palhaço. E uma criança. O amor é um prisioneiro. E um guarda.
Uma sentença. O amor é um guerrilheiro. O amor comanda-te.
O amor ordena-te. O amor rouba-te. O amor mata-te.
O amor lembra-te. O amor esquece-te. O amor respira-te. O amor sufoca-te. O amor é um sucesso. E um fracasso. Uma obsessão. Uma doença.
O rasto de um cometa. Um buraco negro. Uma estrela. Um dia azul. Um dia de paz.
O amor é um pobre. Um pedinte. O amor é um rico. Um hipócrita, um santo. Um herói e um débil. O amor é um nome. É um corpo. Uma luz. Uma cruz. Uma dor. Uma cor. É a pele de um sorriso.

 in “Ano Comum”
© Maurizio Raffa - Fotografia


*** 
A ROSA

Estou aqui estou aqui não pretendi fugir nunca
o meu peito é sólido
o meu nome é sólido
o meu céu é sólido
o meu ar é sólido
as minhas dúvidas são sólidas.

Acabei de jantar no Restaurante Chinês 
e olhei para as minhas mãos
estão inquietas como ontem
tremem como ontem
e ontem tudo foi
inquieto e trémulo como as minhas mãos.

Não há nenhuma flor que resista à beleza
da poesia de Paul Éluard não é meu filho?
repetia aquela mãe que eu nunca tive
e eu afirmava afirmava sempre
que nada neste mundo tem a força de uma rosa.

Oh a minha mãe era bela
todas as mães são belas
e eu só posso chamar-lhes meu amor.

Quando a minha mãe morreu a cidade 
não tinha sombras
em Abril tinha recomeçado tudo
até as próprias sombras
e eu vesti-me de branco para dar
o último beijo a minha mãe no dia 
em que me senti pela primeira vez um homem
porque ao ficar de novo órfão
disse: É preciso ler Paul Éluard e não 
lhe dei simplesmente 
a minha rosa.

in OS DIAS DA SERPENTE, 2ª Ed.
Moraes Editores, 1981.