31/03/2015

2.617.(31mar2015.meio-dia) 2Fernando Pessoa

Nasceu a 13jun1888
e morreu a 30nov1935
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Fernando Pessoa foi um dos retratados de Costa Pinheiro
pintura de António Costa Pinheiro
que morreu 9out2015
http://expresso.sapo.pt/sociedade/2015-10-11-Morreu-Antonio-Costa-Pinheiro
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Via Maria Elisa Ribeiro
 Quando Falo com Sinceridade não sei com que Sinceridade Falo
Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo. Sou váriamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros).
Sinto crenças que não tenho. Enlevam-me ânsias que repudio. A minha perpétua atenção sobre mim perpétuamente me ponta traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha, nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo. Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore [?] e até a flor, eu sinto-me vários seres. Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente, como se o meu ser participasse de todos os homens, incompletamente de cada [?], por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço.
  in 'Para a Explicação da Heteronímia'
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 in “Poesias Inéditas” 

“Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.”

© Kirsty Mitchell - Imagem

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A MENSAGEM
 http://www.prof2000.pt/users/jsafonso/Port/Mensagem.htm
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«A pálida luz da manhã de Inverno, 
O cais e a razão
Não dão mais esperança, nem uma esperança sequer,
Ao meu coração.
O que tem que ser
Será, quer eu queira que seja ou que não.

No rumor do cais, no bulício do rio
Na rua a acordar
Não há mais sossego, nem um vazio sequer,
Para o meu esperar.
O que tem que não ser
Algures será, se o pensei; tudo mais é sonhar.»

tela AMANHECER de Nadir Afonso
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Morde-me com o querer-me que tens nos olhos
Despe-te em sonho ante o sonhares-me vendo-te,
Dá-te vária, dá sonhos de ti própria aos molhos
Ao teu pensar-me querendo-te…

Desfolha sonhos teus de dando-te variamente,
Ó perversa, sobre o êxtase da atenção
Que tu em sonhos dás-me… E o teu sonho de mim é quente
No teu olhar absorto ou em abstracção…

Possue-me-te, seja eu em ti meu spasmo e um rocio
De voluptuosos eus na tua coroa de rainha… 
Meu amor será o sair de mim do teu ócio
E eu nunca serei teu, ó apenas-minha?

in Poesia 1902-1917, Assírio & Alvim

(imagem: Vivien Leigh)

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Via Simone Santos e Citador:

Procurar o Sonho é Procurar a Verdade

A única realidade para mim são as minhas sensações. Eu sou uma sensação minha. Portanto nem da minha própria existência estou certo. Posso está-lo apenas daquelas sensações a que eu chamo minhas. A verdade? É uma coisa exterior? Não posso ter a certeza dela, porque não é uma sensação minha, e eu só destas tenho a certeza. Uma sensação minha? De quê?
Procurar o sonho é pois procurar a verdade, visto que a única verdade para mim, sou eu próprio. Isolar-se tanto quanto possível dos outros é respeitar a verdade.

 'Textos Filosóficos' 
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Ver Alberto Caeiro
"Nas cidades a vida é mais pequena (...). Os grandes prédios fecham-nos a vista à chave"
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/03/76127mar201488-o-guardador-de.html
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Ricardo Reis
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/04/77532abril201477-ricardo-reisheteronimo.html
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Álvaro de Campos
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2012/02/54688fev20121441-1-pitadinha-de-alvaro.html
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http://uniralcobaca.blogspot.pt/2011/10/510023out201123h32-o-dia-deu-em-chuvoso.html
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Bernardo Soares
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/04/77723abril20141234-bernardo-soares.html
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Júlio Pomar
pintou-o

https://www.facebook.com/559343457434706/photos/a.559507790751606.1073741828.559343457434706/832717633430619/?type=1&theater
Trabalhar com nobreza, esperar com sinceridade, sentir as pessoas com ternura, esta é a verdadeira filosofia.

1 - Não tenhas opiniões firmes, nem creias demasiadamente no valor das tuas opiniões.

2 - Sê tolerante, porque não tens certeza de nada.

3 - Não julgues ninguém, porque não vês os motivos, mas sim os actos.

4 - Espera o melhor e prepara-te para o pior.

5 - Não mates nem estragues, porque não sabes o que é a vida, 
excepto que é um mistério.

6 - Não queiras reformar nada, porque não sabes a que leis as coisas obedecem.

7 - Faz por agir como os outros e pensar diferentemente deles.

© Júlio Pomar “Fernando Pessoa” - Imagem

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1feVEReiro2018
Foto de Maria Elisa Ribeiro.
Via Maria Elisa Ribeiro
Horizonte
O mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
'Splendia sobre sobre as naus da iniciação.
Linha severa da longínqua costa ---
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstracta linha.

O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp'rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte ---
Os beijos merecidos da Verdade.
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2045244665492092&set=a.104671869549391.10003.100000197344912&type=3&theater
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https://www.facebook.com/culturaehumanidade/photos/a.1534645816759770.1073741827.1534641960093489/1877834449107570/?type=1&theater
"Eu tenho um colar de pérolas
Enfiado para te dar:
As pérolas são os meus beijos,
O fio é o meu pesar.
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https://www.facebook.com/andante.associacao.artistica/photos/a.813019032085331.1073741828.132465900140651/857350914318809/?type=1&theater
Qualquer caminho leva a toda a parte.
Qualquer ponto é o centro do infinito.(...)
Quantos cabemos dentro em nós?
Ir é ser. Não parar é ter razão.


O poema completo:

QUALQUER CAMINHO LEVA A TODA A PARTE 

Qualquer caminho leva a toda a parte.
Qualquer ponto é o centro do infinito.
E por isso, qualquer que seja a arte
De ir ou ficar, do nosso corpo ou espírito,
Tudo é estático e morto. Só a ilusão
Tem passado e futuro, e nela erramos.
Não ha estrada senão na sensação
É só através de nós que caminhamos.

Tenhamos pra nós mesmos a verdade
De aceitar a ilusão como real
Sem dar crédito à sua realidade.
E, eternos viajantes, sem ideal
Salvo nunca parar, dentro de nós,
Consigamos a viagem sempre nada
Outros eternamente, e sempre sós;
Nossa própria viagem é viajante e estrada.

Que importa que a verdade da nossa alma
Seja ainda mentira, e nada seja
A sensação, e essa certeza calma
De nada haver, em nós ou fora, seja
Inutilmente a nossa consciência?
Faça-se a absurda viagem sem razão.
Porque a única verdade é a consciência
E a consciência é ainda uma ilusão.

E se há nisto um segredo e uma verdade
Os deuses ou destinos que a demonstrem
Do outro lado da realidade,
Ou nunca a mostrem, se nada há que mostrem.
O caminho é de âmbito maior
Que a aparência visível do que está fora,
Excede de todos nós o exterior
Não para como as coisas, nem tem hora.

Ciência? Consciência? Pó que a estrada deixa
E é a própria estrada, sem a estrada ser.
É absurda a oração, absurda a queixa.
Resignar(-se) é tão falso como ter.
Coexistir? Com quem, se estamos sós?
Quem sabe? Sabe [...] que são?
Quantos cabemos dentro em nós?
Ir é ser. Não parar é ter razão. 

A ilustradora: 
Lauren Rolwing
http://www.laurenrolwing.com/
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https://www.facebook.com/ALuaVoa/photos/a.746679182114157.1073741828.746659858782756/753858448062897/?type=1&theater
"É puro o meu amor, como os puros sacrários;
É nobre o meu amor, como os mais nobres fastos;
É grande como os mares altisonos e vastos;
É suave como o odor de lírios solitários... "
***
https://www.facebook.com/ChiadoEditora/photos/a.382949838286.161171.114614373286/10153300238243287/?type=1&theater
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https://www.facebook.com/282054545145829/photos/a.282056735145610.78181.282054545145829/1006147802736496/?type=1&theater
"Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar, "
*

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

art" christian schloe"

***
https://www.facebook.com/349094905211303/photos/a.349115855209208.1073741828.349094905211303/753927041394752/?type=1&theater
A levíssima brisa

A levíssima brisa
Que sai da tarde morna
Na minha alma imprecisa —
Imprecisão entorna.

Nada conduz a nada,
Nada serve de ser
No sossego da estrada
Nada vejo viver.

Meu conhecer é triste
O que é que tem razão?
Nada, e o nada persiste
Na estrada e no verão.

em Poesia 1918-1930, Assírio e Alvim

Fotografia digital de Caras Ionut

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https://www.facebook.com/portaldeliteratura/photos/a.139691682721564.20114.114396468584419/960560880634636/?type=1&theater
Livro do Desassossego

Nós nunca nos realizamos. Somos dois abismos - um poço fitando o céu.

Ler mais:
http://www.portaldaliteratura.com/poemas.php?id=418

Publicado por Fidelizarte Lda
cp

#LivrodoDesassossego #Poesia #FernandoPessoa

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30mar2015
https://www.facebook.com/assirioealvim/photos/a.109660829061416.12500.109573179070181/1057417164285773/?type=1&theater
Esta quinta-feira (2.4.2015) chega às livrarias o livro "A Estrada do Esquecimento e outros contos", de Fernando Pessoa. 
Com um rigoroso trabalho de edição levado a cabo por Ana Maria Freitas, este livro vem aprofundar, decisivamente, o conhecimento que temos sobre uma área importante da criação pessoana, trazendo a público 20 contos de Fernando Pessoa até agora inéditos.
*
Via TSF
18 contos inéditos
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=4484522&utm_source=dlvr.it&utm_medium=facebook
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https://www.facebook.com/112890882080018/photos/a.114014221967684.7650.112890882080018/824016480967451/?type=1&theater
in POESIAS INÉDITAS, (1930-1935), (Ática, 1955; imp. 1990)

A MÃO SOBRE A MESA (excerto)

A mão posta sobre a mesa,
A mão abstracta, esquecida,
Margem da minha vida...
A mão que pus sobre a mesa
Para mim mesmo é surpresa.
Porque a mão é o que temos
Ou define quem não somos.
Com ela aquilo fazemos

[...]

*Study of a hand resting on a table - Sir David Wilkie (1745-1841)

*(LT)

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https://www.facebook.com/FabricaEscrita/photos/a.462529847093435.111436.462489187097501/1014655818547499/?type=1&theater
Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já o não tenho.

in "Autobiografia sem Factos"
Assírio & Alvim