11/09/2016

3.349.(11seTEMbro2016.9.9.9) Golpe militar no Chile de Allende...11seTEMbro1973...

11seTEMbro 1973
Pinochet apoiado pelos EUA acaba com o governo de unidade popular no Chile de Allende e Neruda...
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 https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10211072452633597&set=a.4626976518795.2194964.1424263286&type=3&theater
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avante...19.9.2013
 http://www.avante.pt/pt/2077/temas/127035/
40 anos sobre o golpe fascista no Chile
O Chile de Allende vive!

Cumpriram-se no dia 11 de Setembro 40 anos sobre o golpe fascista que derrubou o governo popular do Chile. Com Salvador Allende, os trabalhadores lançaram-se na transformação do país afrontando o imperialismo, que não perdoou a ousadia.
Quando foi eleito presidente do Chile, a 4 de Setembro de 1970, com 36,6 por cento dos votos à frente de uma ampla coligação de seis partidos, denominada Unidade Popular (UP) – fundada em 1969 e cuja espinha dorsal eram o Partido Socialista e o Partido Comunista do Chile –, Salvador Allende já havia percorrido o país, de «Arica a Magalhães». Entusiasta da efémera República Socialista de 1932, que durou 13 dias proclamando o objectivo de nacionalizar o cobre e o carvão; deputado e senador em diversos mandatos; ministro da Saúde do governo de Aguirre Cerda durante dois anos e meio (1939-1941); candidato às presidenciais de 1952, 1958, 1962 e 1964, Allende conhecia o Chile e os chilenos como poucos. Por onde passou, defendeu a democracia, a liberdade, o progresso e justiça social pelos quais se bateu, apoiado pelo forte e experimentado movimento operário chileno.

O imperialismo ainda procurou impedir a tomada de posse de Allende e do governo popular. Os planos existiam pelo menos desde 1969, quando reuniram em Washington três generais norte-americanos e quatro chilenos, entre os quais Auguto Pinochet. No encontro, os militares terão garantido que se Allende vencesse as eleições tomariam o poder, «nem que tenhamos que incendiar o Palácio de La Moneda».

A «ameaça» de uma vitória de Allende era real desde 1958, quando só a fraude eleitoral o derrotou por 30 mil votos. Em 1964, Washington investiu 20 milhões de dólares na campanha de Eduardo Frei e desencadeou uma operação mediática caluniosa de anticomunismo primário. Apostou na mesma táctica em 1970 quando o candidato da direita foi Jorge Allessandri, seguindo, aliás, a orientação de Henry Kissinger, que em Junho desse mesmo ano terá dito a Nixon «não vejo por que devemos ficar indiferentes enquanto um país cai no comunismo por causa da irresponsabilidade do seu povo».

Em 1965, Kissinger já havia ordenado uma ampla pesquisa – «Operação Camelot» – que escrutinou as tendências políticas e sociais dos chilenos, concluindo que, a existir uma segunda República Socialista na América Latina depois da Revolução cubana de 1959, esta seria, com elevado grau de probabilidade, no Chile. O imperialismo não o podia tolerar.

O «Plano de Contingência» gizado em 1969 acabou por não avançar devido à debilidade da Democracia-Cristã (DC). A DC e o presidente Eduardo Frei (1964-1970) tinham perdido base social de apoio ao não concretizarem as prometidas reformas agrária e da educação, e a criação de empregos na indústria, provocando um enorme descontentamento entre o proletariado urbano e rural, entre os camponeses sem-terra e os estudantes.

O proprietário do influente jornal El Mercúrio, Agustín Edwards, ainda foi à Casa Branca reunir com Richard Nixon, a 14 de Setembro de 1970, mas a fidelidade democrática do general René Schneider (assassinado a 22 de Outubro de 1970), que então comandava as forças armadas chilenas, terá consolidado a conclusão da falta de condições para uma intentona militar imediata.

Avanço...

O governo da UP, finalmente empossado em Dezembro de 1970 (apesar da tentativa desesperada da CIA de comprar votos de deputados), foi o primeiro onde participaram ministros operários: três comunistas e um socialista. Multidões mobilizam-se na defesa do programa de transformação social, que implementa serviços públicos de segurança social e saúde, democratiza o ensino e a cultura, reconhece direitos aos trabalhadores ou legaliza a acção e organização sindical e de classe.

Mas o Chile era um nação dependente. Cerca de dois terços do seu diversificado aparelho produtivo estava nas mão do capital estrangeiro; 80 por cento das matérias-primas eram importadas; a propriedade fundiária permanecia intacta e o serviço da dívida do país consumia centenas de milhões de dólares. Assim avançaram a reforma agrária, que, no total, distribuiu dois milhões e 400 mil hectares de terra; as nacionalizações de 16 dos 18 bancos comerciais e de cerca de 80 grandes empresas industriais.

O cobre era, no entanto, a moeda do Chile. As reservas daquele metal colocavam o país a ombrear, no sector, com os EUA e a URSS. Por isso Allende considerava que o resgate daquele recurso à rapina imperialista significava «a segunda independência». As norte-americanas Anaconda e Kenecott obtinham super-lucros com a exploração dos recursos minerais mas não investiam um tostão no território. A 11 de Junho de 1971, decidiu-se a expropriação de todas as explorações de cobre sem direito a indemnização.

...e resistência

Ao contrário do que supunham a reacção interna e externa, a política aplicada pelo governo popular não provocou o caos. Os progressos económicos e sociais surpreenderam. No primeiro ano, a produção industrial aumenta 11 por cento e o PIB 7 por cento; o desemprego cai para 4,8 por cento; o número de casas construídas aumenta 20 vezes; os salários tiveram um crescimento entre 40 e 120 por cento mas a inflação permaneceu controlada; os assalariados passaram a deter 59 por cento do rendimento nacional. Mesmo a pequena burguesia e as camadas intermédias beneficiam da política da UP.

Allende e a UP controlavam o poder executivo, mas não detinham o poder. A propriedade social só abrangia um terço da economia. Nem sequer no parlamento havia uma maioria progressista. Democratas-cristãos e o Partido Nacional, de extrema-direita, determinavam o ritmo legislativo.

O imperialismo norte-americano avança então com a estratégia de «fazer gritar de dor a economia chilena». A meta era derrubar o governo liderado por Allende nas legislativas de Março de 1973.

Ao bloqueio imposto pelos EUA após a nacionalização do cobre, juntou-se a sabotagem interna e o lockout patronal, no último trimestre de 1972. Os investimentos são congelados. Fábricas e estabelecimentos comerciais são encerrados. Os camionistas formam a «tropa de choque», mantendo a paralisação até ao derrube do governo popular. A geografia do Chile dava-lhes o poder de determinarem a circulação de mercadorias e bens. As senhoras da burguesia recrudescem o ritual diário de bater caçarolas vazias, iniciado com a visita de Fidel Castro ao Chile, em Novembro de 1971.

A URSS compra trigo à Austrália e envia-o para o Chile, e desbloqueia vários empréstimos. Cuba oferece simbolicamente um navio com açúcar. Os trabalhadores combatem a sabotagem e a greve patronal, à qual se haviam juntado algumas ordens profissionais. Esforçam-se por colocar a indústria, o comércio e os serviços públicos e privados a funcionar. Cerca de oito mil pessoas apresentam-se na capital, Santiago, para conduzirem transportes.

Apesar da inflação, do racionamento feroz, dos cacerolazos e da intensa campanha anticomunista, de difamação e propagação de boatos, interna e externa, a UP conquista 44 por cento dos votos nas eleições de Março de 1973. O imperialismo obtém a prova de que só uma acção de força pode derrubar o governo popular e Salvador Allende.




Crimes fascistas

Nos meses que antecedem o golpe fascista de 11 de Setembro de 1973, recrudesce a acção dos agentes secretos norte-americanos. O Brasil fascista e a Bolívia, que dois anos antes havia sido mergulhada numa ditadura, são plataformas giratórias de mercenários, armas e dinheiro para o golpe. Gasta-se o que for preciso por conta da Casa Branca e das multinacionais.

O governo popular tenta desequilibrar as forças armadas a seu favor, mas os golpistas logram a substituição da esmagadora maioria dos chefes castrenses e colocam nos lugares-chave homens da sua confiança a poucos dias da intentona.

Salvador Allende e a UP procuram nova legitimação nas urnas e decidem um plebescito sobre a continuidade do seu governo. A 9 de Setembro, Allende chama Augusto Pinochet e Herman Brady e anuncia-lhes a consulta. Ambos percebem que têm de adiantar o golpe, alegadamente previsto para 14 de Setembro.


O golpe inicia-se na madrugada de 11 de Setembro de 1973, uma terça-feira. Nesse dia, Salvador Allende anunciaria publicamente o plebescito e inauguraria uma exposição antifascista que percorreria o país. Nos quartéis os golpistas assassinam sem clemência os que se lhes opõem. No Palácio de La Moneda, Salvador Allende e os que permanecem a seu lado, resistirão escassas horas, rodeados de tanques e bombardeados por aviões pilotados por norte-americanos, que haviam entrado no país a coberto dos exercícios militares conjuntos entre Chile e EUA, agendados para esses dias. Allende morre na refrega.

O Chile mergulha na noite fascista, da qual só sairá 17 anos depois. Milhares de pessoas são perseguidas, presas, torturadas, assassinadas, expulsas das universidades, empresas e locais de trabalho. O destino de muitas permanece incógnito.

Os fascistas converteram o Estádio Nacional, em Santiago, num gigantesco campo de concentração e tortura. Ali foi barbaramente assassinado o cantor Victor Jara. O poeta comunista e Nobel da Literatura Pablo Neruda, morrerá 12 dias após o golpe. A causa da sua morte está a ser investigada.

Todas as organizações revolucionárias, democráticas ou progressistas são proibidas. O parlamento é encerrado e só reabrirá em 1990. Nem os clubes desportivos podem realizar eleições. Os fascistas configuram o Estado à sua medida, da Administração à Justiça.

O terrorismo torna-se política de Estado com o Plano Condor de extermínio de antifascistas, comum às ditaduras chilena impostas pelo imperialismo também no Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai ou Uruguai.

O Chile passa a ser laboratório dos neoliberais liderados por Milton Friedman. A pobreza, a desigualdade e a exploração alastram ao mesmo tempo que o capital depredador reassume posições.

A iniquidade no acesso à Educação no Chile, qualificado actualmente por organismos internacionais como o sistema mais desigual do mundo, é apenas um exemplo das consequências da «receita» que o grande capital aplicou no Chile, e que continua a pretender impor a propósito da crise em que se encontra mergulhado.


Exemplo vivo

Quando se dirigiu pela última vez aos chilenos via rádio, Salvador Allende sublinhou que «a história é nossa e fazem-na os povos», e que «antes do que se pensa, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre para construir uma sociedade melhor». Os processos democráticos e progressistas, de sentido anti-imperialista e antimonopolista, em curso na América Latina, a luta e a resistência dos povos, no subcontinente e no mundo, dão-lhe razão.



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Fontes:

«Chile, el golpe y los gringos (Crónica de una tragedia organizada)», Gabriel García Márquez, 1974, disponível em http://www.telesurtv.net/articulos/2013/09/11/chile-el-golpe-y-los-gringos-cronica-de-una-tragedia-organizada-789.html

«Chile 1972-1973: Revolución y contrarrevolución», Mike González, disponível em http://www.rebelion.org/hemeroteca/internacional/mikeg070103.htm

«Kerry, Kissinger y el otro 11 de septiembre», Amy Goodman e Denis Moynihan, disponível em Http://www.democracynow.org/es/blog/2013/9/13/kerry_kissinger_y_el_otro_11_de_septiembre

«A direita e os EUA não queriam um socialismo com democracia no Chile. Seria contagioso», entrevista a Luis Corvalán, disponível em http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=22680

«O dia final de Salvador Allende», Mauricio Brum, disponível em http://www.sul21.com.br/jornal/todas-as-noticias/golpe-no-chile-40-anos/o-dia-final-de-salvador-allende/


«El derrocamiento de Allende, contado por Washington», Hernando Calvo Ospina, disponível em http://www.cubadebate.cu/categoria/autores/hernando-calvo-ospina/

«Chile, o outro 11 de Setembro», Albano Nunes, «Avante!» número 1973 de 22-09-2011


www.telesurtv.net



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 Homenagem ao povo do Chile


Foram não sei quantos mil

operários trabalhadores

mulheres ardinas pedreiros

jovens poetas cantores

camponeses e mineiros

foram não sei quantos mil

que tombaram pelo Chile

morrendo de corpo inteiro



Nas suas almas abertas

traziam o sol da esperança

e nas duas mãos desertas

uma pátria ainda criança



Gritavam Neruda Allende

davam vivas ao Partido

que é a chama que se acende

no Povo jamais vencido

o Povo nunca se rende

mesmo quando morre unido



Foram não sei quantos mil

operários trabalhadores

mulheres ardinas pedreiros

jovens poetas cantores

camponeses e mineiros

foram não sei quantos mil

que tombaram pelo Chile

morrendo de corpo inteiro.



Alguns traziam no rosto

um ricto de fogo e dor

fogo vivo fogo posto

pelas mãos do opressor.

Outros traziam os olhos

rasos de silêncio e água

maré-viva de quem passa

Uma vida à beira-mágoa.



Foram não sei quantos mil

operários trabalhadores

mulheres ardinas pedreiros

jovens poetas cantores

camponeses e mineiros

foram não sei quantos mil

que tombaram pelo Chile

morrendo de corpo inteiro.



Mas não termina em si próprio

quem morre de pé. Vencido

é aquele que tentar

separar o povo unido.

Por isso os que ontem caíram

levantam de novo a voz.

Mortos são os que traíram

e vivos ficamos nós.



Foram não sei quantos mil

operários trabalhadores

mulheres ardinas pedreiros

jovens poetas cantores

camponeses e mineiros

foram não sei quantos mil

que nasceram para o Chile

morrendo de corpo inteiro.

                        José Carlos Ary dos Santos
***
Vitor Dias: 
 http://otempodascerejas2.blogspot.pt/2011/09/nos-10-anos-do-11-de-setembro.html
 E, também como sempre tenho feito, não me impede de lembrar o outro 11 de Setembro, o de 1973 e no Chile, quando uma conspiração e golpe de Estado fomentados pelos EUA derrubou o governo democraticamente eleito de Salvador Allende com um seu infame cortejo de assassinatos, prisões e torturas.
(*) Devo honestamente referir que, apesar de não partilhar de certas teses no âmbito da conspiração ou provocação a respeito dos atentados de 11/9 de 2001, há aspectos que continuo a considerar muito estranhos e obscuros. Certamente por culpa minha, nunca percebi por exemplo se horas passadas à frente de computadores com simuladores  de vôo ou a frequência de escolas de brevetagem em que apenas se pilotam aviões de pequena dimensão são o bastante para  conduzir Boings ou 747 com a perícia demonstrada pelos terroristas que pilotaram os avões que embateram contra as Twin Towers. Creio que o 11/9 de 2001 não foi uma provocação política no sentido clássico do termo. Mas se tivesse sido, considerados os seus efeitos à escala mundial, teria sido a maior e mais sofisticada da história moderna, deixando o incêndio do Reichstag a muitas milhas de distância.





As Twin Towers em filmes



Uma produção da Slate.com

Como exemplo de que a dor não é incompatível
com a razão e a lucidez, ler aqui o depoimento
de
Robert Klitzman, Prof. na Universidade de Colúmbia,
e que perdeu uma irmã nos atentados de 11 de Setembro, intitulado
«The Uses and abuses of 9/11»





A ler aqui.


A não perder aqui.
«(...) Si el 11 de septiembre de 2001 puede entenderse, entonces, como una prueba en que se sondea la sabiduría de un pueblo, me parece que Estados Unidos, desafortunadamente, salió mal del examen. El miedo generado por una pequeña banda de terroristas condujo a una serie de acciones devastadoras que excedieron en mucho el daño causado por el estrago original: dos guerras innecesarias; un derroche colosal de recursos destinados al exterminio que podrían haber sido invertidos en salvar a nuestro planeta de una hecatombe ecológica y a nuestros hijos de la ignorancia; cientos de miles de seres muertos y mutilados y millones más desplazados; una erosión de los derechos civiles y el uso de la tortura por parte de los norteamericanos que le dio el visto bueno a otros regímenes para que abusaran aún más de sus poblaciones cautivas. Y, finalmente, el fortalecimiento en todo el mundo de un Estado de Seguridad Nacional que exige y propaga una cultura de espionaje, mendacidad y temor.(...)
***
 
 http://samuel-cantigueiro.blogspot.pt/2010/09/911-ny-onze-de-setembro-santiago-do.html
Desde 2001 que o ataque terrorista ao World Trade Center em Nova Iorque é lembrado em todos os media mundiais, por vários motivos e com as mais variadas intenções... incluindo a homenagem às vítimas. Entretanto, logo a seguir, este ataque serviu de pretexto para a invasão e destruição de um país que, comprovadamente, nada teve que ver com o ataque aos EUA, invasão que resultou no assassínio de centenas de milhares dos seus cidadãos, fossem homens, mulheres, ou simples crianças. Estas vítimas, aparentemente, pouco interessam aos media dominantes.

Desde 1973 que o ataque ao presidente legítimo do Chile, Salvador Allende e ao povo chileno, ataque desenhado, planeado, financiado e executado com a participação dos EUA (facto que já ninguém se dá ao trabalho de negar), resultou no assassínio de Allende e muitos milhares de chilenos, na implantação de uma das mais sangrentas ditaduras militares sob as patas infectas de Augusto Pinochet... e sempre com a ajuda dos EUA... desde 1973, como ia dizendo, que este ataque é praticamente ignorado por quase todos os media.

Depois de tantos anos em que a ausência de memória sobre o golpe no Chile é repetidamente denunciada por tanta gente, já não restam quaiquer ilusões de que o seu "esquecimento" por parte dos jornais, televisões, comentadores e politólogos, seja inocente. Trata-se de mais um "branqueamento" que cumpre objectivos.
 Por muitas razões, sendo a profunda injustiça desta discriminação apenas uma delas, enquanto tiver meios para o fazer, irei lembrando as vítimas chilenas do ataque terrorista norte-americano, sem que isso signifique qualquer forma de menor respeito pelas vítimas norte-americanas dos atentados de Nova Iorque.

“… Nas suas almas abertas
traziam o sol da esperança
e nas duas mãos desertas
uma pátria ainda criança…

… Por isso os que ontem caíram
levantam de novo a voz.
Mortos são os que traíram
e vivos ficamos nós.”
***

do 11 de Setembro, há 37 anos



HOMENAGEM AO POVO DO CHILE

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro

Nas suas almas abertas
traziam o sol da esperança
e nas duas mãos desertas
uma pátria ainda criança

Gritavam Neruda Allende
davam vivas ao Partido
que é a chama que se acende
no Povo jamais vencido
– o Povo nunca se rende
mesmo quando morre unido

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.

Alguns traziam no rosto
um ricto de fogo e dor
fogo vivo fogo posto
pelas mãos do opressor.
Outros traziam os olhos
rasos de silêncio e água
maré-viva de quem passa
Uma vida à beira-mágoa.

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.

Mas não termina em si próprio
quem morre de pé. Vencido
é aquele que tentar
separar o povo unido.
Por isso os que ontem caíram
levantam de novo a voz.
Mortos são os que traíram
e vivos ficamos nós.

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que nasceram para o Chile
morrendo de corpo inteiro.

José Carlos Ary dos Santos
 http://ocheirodailha.blogspot.pt/2010/09/memoria-do-11-de-setembro-ha-37-anos.html
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 O comunista, cantor, Victor Jara vai para o estádio nacional com outros milhares de chilenos...assassinado após tortura a 15.9.
 https://www.youtube.com/watch?v=en8yqVxuT-U
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 https://www.facebook.com/photo.php?fbid=948025931879259&set=a.157158434299350.34477.100000155840614&type=3&theater
 11 de Setembro um dia negro para o mundo.
Dia em que um presidente eleito pelo seu povo é assassinado com o apoio dos Estados Unidos da América.
Dia em que aconteceram os atentados às torres gémeas com o sistema de navegação aéreo desligado em todo o território Norte-americano.
Dias que mudaram o mundo, para muito pior.

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Vientos del Pueblo de Víctor Jara

 https://www.youtube.com/watch?v=q3A8EysX4gI
 Hace algún tiempo tenia en mente hacer un video con esta canción de Víctor Jara, que si bien fué escrita a principios de los 70's, hay muchas cosas que tienen en común con la etapa política y social que vivimos los mexicanos.
Hay muchas cuentas pendientes con el pasado, con gente tan detestable de la derecha y alguna que otra de la izquierda (digase Marcos y Cárdenas), pero como decía Victor Jara en su canción: "...La estrella de la esperanza continuará siendo nuestra...".
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