23/12/2016

2.177.(23dez2016.7.7') Iémen

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http://www.infoescola.com/oriente-medio/iemen/
República do Iêmen (al-Jumhūriyyah al-Yamaniyyah em árabe) é um país independente localizado a oeste da Ásia, cuja capital é Sana'a. Sua área total é de cerca de 536.869 km², um pouco menor que o estado de Minas Gerais. A população do país é de cerca de 24.3 milhões na maioria seguidores do islamismo, havendo pequenas populações de cristãos, judeus e hinduístas. A língua oficial é o árabe, e a moeda corrente é o rial iemenita. O Iêmen divide fronteiras com a Arábia Saudita a norte, Omã a leste, o Mar Vermelho a oeste e o Oceano Índico a sul.
O Iêmen é um dos mais antigos centros de civilização do oriente próximo. Entre os séculos 12 a.C. e 6 d.C., foi parte dos reinos mineu, sabeu e himyarita. Mais tarde veio o domínio etíope e o persa. No século VII, califas islâmicos começaram a exercer o controle sobre a área. Após o colapso do califado, o norte do Iêmen permanece sob controle de imãs de várias dinastias geralmente da seita Zaydi, que estabelece uma estrutura político-teocrática que sobrevive até os tempos modernos. Califas egípcios sunitas ocuparam grande parte do norte do Iêmen durante todo o século XI.
No século XIX, o Iêmen encontra-se dividido entre turcos, no norte, e britânicos, no sul. O norte se torna um reino independente em 1918, com o colapso do império Otomano na Primeira Guerra Mundial, e depois República Árabe do Iêmen, em 1962. O sul permanece um protetorado (sendo a cidade de Áden colônia da coroa) britânico até 1967, tornando-se a República Democrática do Iêmen, um estado socialista, em 1970.
O fim da Guerra Fria e o colapso da União Soviética abre caminho para a unificação dos dois países. De fato, a República do Iêmen foi declarada a 22 de maio de 1990, com Ali Abdullah Saleh, chefe de estado do norte como presidente, e Ali Salim Al-Bidh, chefe de estado do sul como vice-presidente.
Em 1994, as diferenças entre norte e sul ressurgem em uma guerra civil e ameaça de nova separação. No ano seguinte, o confronto é com a recém independente Eritreia, sob o controle das ilhas Hanish, arquipélago cuja maior parte acabou sob soberania iemenita após arbitragem internacional.
Atualmente, o país, um dos mais pobres entre as nações árabes, vive sob o espectro do terrorismo, pois acredita-se que vários grupos atuem por lá, especialmente membros da Al-Qaeda. Além disso, os protestos contra o governo de Saleh, parte da chamada "primavera árabe" desestabilizaram politicamente o país, que, mesmo com o anúncio de renúncia do presidente, vive um momento de grande incerteza.
Bibliografia:
Yemen profile (em inglês). Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-14704897>. Acesso em: 21 set. 2012.
Yemen (em inglês). Disponível em: <http://www.state.gov/outofdate/bgn/yemen/196398.htm>. Acesso em: 21 set. 2012.
Mapa: http://baidoamedia.com/?attachment_id=1231#axzz27gB1dSmG
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Via avante
22dez2016
http://www.avante.pt/pt/2247/internacional/143330/


Bombas sobre o Iémen
Um bombista fez-se explodir, no dia 18, no meio de recrutas, junto à base militar de Al-Sawlaban, perto do aeroporto de Aden, no Sul do Iémen. Houve mais de 50 mortos e dezenas de feridos.
O denominado «Estado Islâmico» reivindicou o atentado, semelhante a outro, há dias, na mesma base, que matou 48 soldados. Em Agosto, uma bomba, num centro de recrutamento militar de Aden, vitimou 70 pessoas.
A carnificina é parte da mortandade em curso no Iémen, onde rebeldes xiitas Houthis combatem o governo do presidente Mansour Hadi, apoiado desde 2015 por uma coligação militar liderada pela Arábia Saudita, com o auxílio dos EUA e da Grã-Bretanha. Os rebeldes controlam parte da capital, Sana, no Norte, e a região Noroeste. Aden está nas mãos de facções apoiantes do governo. No Sul, actuam grupos de terroristas ligados à Al-Qaida e ao EI.
A coligação entre sauditas e ocidentais é responsável por bombardeamentos aéreos em todo o Iémen. As Nações Unidas falam em milhares de mortos, em milhões de deslocados e em 70 por cento da população a necessitar de assistência humanitária.
Na edição de segunda-feira, 19, o jornal The Guardian escreve que a Grã-Bretanha fornece à Arábia Saudita bombas de fragmentação, que são lançadas no Iémen, e treina militares sauditas.
Dois «pormenores» lembrados pelo jornal inglês: 1.º – as bombas de fragmentação são proibidas por um tratado de que Londres é signatário; e 2.º – a Grã-Bretanha vendeu, desde o início da agressão ao Iémen, «milhões de libras de material de guerra» aos sauditas. 
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20out2016
http://www.avante.pt/pt/2238/internacional/142537/
EUA acicatam guerra no Iémen

A marinha norte-americana lançou vários mísseis sobre posições das milícias iemenitas. O primeiro bombardeamento ocorreu na quinta-feira, 12, em resposta a ataques com mísseis disparados dias 10 e 12 contra três navios de guerra dos EUA fundeados ao largo do Mar Vermelho.

O Pentágono justifica as iniciativas com a necessidade de proteger cidadãos norte-americanos e a navegação na região, e argumenta que os ataques foram limitados à destruição de radares usados nos ataques contra os vasos de guerra.

Os milicianos houtis, reagindo à primeira iniciativa de envolvimento militar directo dos EUA no país desde o início da ofensiva da Arábia Saudita, em Março do ano passado, rejeitam responsabilidade nos ataques contra os navios de Washington. «O exército [fiel ao ex-presidente Ali Abdallah Saleh] e os comités populares não têm nada a ver com essa acção», salientaram.

Paralelamente, Omã anunciou ter levado a cabo uma operação de libertação de dois norte-americanos «retidos» no Iémen. A mediação do sultanato situado na Península Arábica permitiu que os cidadãos dos EUA (cuja identidade não foi revelada mas que os houtis acusam de espionagem) saíssem do cativeiro e fossem evacuados. Em troca, 111 feridos do bombardeamento saudita contra uma cerimónia fúnebre na capital do Iémen, Sanaa, seguiram para Omã para tratamento médico.

O bombardeamento da Arábia Saudita, dia 8, matou pelo menos 140 pessoas e feriu mais de meio milhar. As autoridades de Riade, entretanto, concluíram ter-se tratado de um erro motivado por informações imprecisas fornecidas pelo «exército iemenita» que se encontra ao seu serviço, e ainda se sentiram à vontade para garantir que a acção não teve o acordo final do comando saudita.

Os EUA são o principal aliado e fornecedor de material bélico à Arábia Saudita na campanha militar contra o Iémen, a qual, segundo dados de organizações humanitárias, atirou 21 milhões de pessoas (80 por cento da população) para uma situação de crise humanitária, provocando a morte a pelo menos sete mil iemenitas e forçando cerca de três milhões à deslocação interna.
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7jan2016
http://www.avante.pt/pt/2197/internacional/138592/
Milhares de mortos em agressão saudita
Guerra sem fim no Iémen

Terminaram dia 20 de Dezembro, sem um cessar-fogo consistente e muito menos sem qualquer acordo de paz, as conversações que decorreram em Genebra, na Suíça, sobre o conflito iemenita.

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Segundo o enviado especial das Nações Unidas para o Iémen, Ismail Ould-Cheikh Ahmed, as partes concordaram, porém, voltar à mesa das negociações a 14 de Janeiro de 2016. Este era o desfecho esperado do primeiro diálogo, uma vez que a trégua provisória foi rompida ainda o encontro em Genebra estava no início, com as forças fiéis ao presidente Mansur Hadi, apoiadas pelas forças armadas sauditas, a aproveitarem para lançar uma grande ofensiva.

O objectivo foi garantir o controlo de toda a costa do Mar Vermelho do país, entre os portos de Áden, no Sul, e de Midi, no Norte, junto à fronteira com a Arábia Saudita. Numa das operações, tropas treinadas por Riade iniciaram mesmo a ofensiva partindo de território saudita, tendo, com o apoio da aviação, garantido importantes avanços no Noroeste do território.

Desde Março do ano passado, a agressão militar liderada pela Arábia Saudita no Iémen já provocou cerca de oito mil vítimas, entre as quais pelo menos 2795 mortos civis confirmados, afirmaram, anteontem, as Nações Unidas.

Por outro lado, o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos adverte para as «informações alarmantes» sobre o uso de bombas de fragmentação por parte da coligação integrada por petro-monarquias do Conselho de Cooperação do Golfo. Pedaços daquele tipo de munição e testemunhos de populares feridos estarão já na posse de funcionários das Nações Unidas, adiantou Rupert Colville, porta-voz da organização.

Os EUA têm sido os grandes apoiantes dos sauditas e da aliança árabe que se uniu na agressão contra o Iémen. O governo norte-americano autorizou, em 2015, a venda de 1,29 mil milhões de dólares (1,22 mil milhões de euros) em bombas a Riade. Reino Unido e a Grã-Bretanha figuram, igualmente, entre os maiores fornecedores militares da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, países aspirantes a potênciais regionais e principais envolvidos na actual campanha militar.
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11Junho2015
Albano Nunes
http://www.avante.pt/pt/2167/opiniao/135880/
Iémen
«Depois da luta armada contra os colonialistas, sob a direcção do nosso partido, a nossa independência foi conquistada em 1967, depois de 129 anos de colonialismo. Herdámos uma pesada herança dos colonialistas. Em 1969 entrámos numa nova fase, depois da tomada do poder pela ala progressista da Frente Nacional. Obtivemos desde então muitos êxitos no campo económico, político e social, com muitos sacrifícios do nosso povo, graças à ajuda fraternal dos países socialistas e principalmente da União Soviética». Estas são palavras do representante da Organização Política Unida – Frente Nacional do Iémen na tribuna do VIII Congresso do PCP em 1976. A Revolução de Abril suscitava ampla admiração e solidariedade e as relações dos comunistas portugueses e dos revolucionários iémenitas, que entretanto criaram o Partido Socialista Iemenita orientado pelo marxismo-leninismo, tornaram-se muito estreitas. Em 1980 o camarada Álvaro Cunhal, numa viagem histórica ao Médio Oriente visitou a República Popular Democrática do Iémen. Em tempo de avanço revolucionário o PCP acolhia no seu Congresso organizações anti-imperialistas e progressistas de todo o mundo e o Iémen do Sul, protagonista da primeira experiência de orientação socialista do mundo árabe, não podia faltar.
Entretanto, na viragem dos anos 80, o mundo deu um imenso salto atrás. O desaparecimento da URSS e do socialismo como sistema mundial levou à contra-ofensiva do imperialismo visando impor ao mundo uma nova ordem mundial totalitária. O quadro internacional é hoje completamente diferente daquele em que se realizou a revolução portuguesa e trouxe a Portugal a primeira delegação de revolucionários iemenitas. Perante a resistência dos trabalhadores e dos povos e a braços com o aprofundamento da sua crise estrutural, os sectores mais reaccionários e agressivos do capitalismo jogam cada vez mais abertamente no fascismo e na guerra como «saída» para as suas contradições. Conduzidas pelos EUA, a UE e a NATO multiplicam-se guerras de agressão que, como na Síria, estão a provocar sofrimentos sem conta e a destruir países de cujas riquezas o grande capital transnacional quer apoderar-se, como acontece no Médio Oriente onde se encontram as maiores reservas mundiais de petróleo de que, ao serviço do imperialismo, a Arábia Saudita é um dos principais guardiões.
O que se passa no Iémen integra-se num processo de subversão generalizado em que o imperialismo explora sobrevivências tribais e feudais, atiça conflitos étnicos e religiosos, generaliza a corrupção e os tráficos criminosos, fomenta e instrumentaliza o terrorismo, o grande álibi da sua estratégia agressiva. Nunca devemos esquecer que a Al Qaeda, que a agressão da Arábia Saudita estaria a fortalecer no Iémen, foi uma criação dos EUA alimentada pela repugnante élite saudita. Mas importa sobretudo não esquecer a história da luta libertadora do povo iemenita contra o colonialismo e o imperialismo que culminou com a fundação da RPDI. Por detrás do emaranhado de contradições e conflitos atiçados pela agressão estrangeira – cuja natureza está bem expressa nos criminosos bombardeamentos das cidades de Sana e Adén, sem que o «Ocidente civilizado» levante um dedo de condenação – está a realidade da luta de classes e a certeza do desenlace revolucionário, cedo ou tarde, que a reacção saudita e o imperialismo tanto temem. A roda da história andou para trás. Mas temporariamente. Há sólidas razões para confiar em que no Iémen, como noutros países que gemem sob a bota imperialista, os ideais libertadores acabarão por triunfar.