13/01/2017

4.546. (13jan2017.8.8') Primo Levi

Nasceu a 31jul1919 (Turim)
e morreu a 11ab1987 (Turim)
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Wikipédia:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Primo_Levi
foi um químico e escritor italiano. Escreveu memórias, contos, poemas, e novelas. É mais ..
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Se isto é um homem

Excerto

   Na noite de 13 de Dezembro de 1943, Primo Levi, um jovem químico membro da Resistência, é detido pelas forças alemãs. Tendo confessado a sua ascendência judaica, é deportado para Auschwitz em Fevereiro do ano seguinte; aí permanecerá até finais de Janeiro de 1945, quando o campo é finalmente libertado. Da experiência no campo nasce o escritor que neste livro relata, sem nunca ceder à tentação do melodrama e mantendo-se sempre dos limites da mais rigorosa objectividade, a vida no Lager e a luta pela sobrevivência num meio em que o homem já nada conta.
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em PDF, para ler ou imprimir:
https://joaocamillopenna.files.wordpress.com/2015/03/levi-primo-c3a9-isto-um-homem-1988.pdf
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http://www.citador.pt/biblio.php?op=21&book_id=364
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Plano de aula
"De resto, toda a história do curto "Reich Milenar" pode ser relida 
como guerra contra a memória,..."
 “Reflictam e recordem que tudo isto aconteceu”
"Muitos sobreviventes (…) recordam que os membros das SS se divertiam a avisar cínicamente os prisioneiros: "Seja como for que esta guerra acabe, a guerra contra vós fomos nós a vencê-la; nenhum de vós ficará para dar testemunho, mas mesmo se algum escapar, o mundo não acreditará nele. Talvez haja suspeitas, discussões, investigações de historiadores, mas não haverá certezas, porque nós vamos destruir as provas juntamente convosco. E mesmo que alguma prova ficasse, e algum de vós sobrevivesse, as pessoas diriam que os factos que vós contais são demasiado monstruosos para se poder acreditar neles; diriam que são exageros da propaganda aliada, e acreditariam em nós, que iremos negar tudo, e não em vós. A história dos campos de concentração, seremos nós a ditá-la' "
“Não muito tempo depois entramos pelas portas de Auschwitz. Apenas entrei na área do campo já percebi dezenas de pessoas vestidas com roupas listradas, como aquelas que havia visto na rampa [plataforma]. Ainda que usassem chapéus listrados, percebi que tinham as cabeças raspadas, quase carecas. Ingenuamente pensei que este era um hospital para doentes mentais, e que a nós, as moças, nos trouxeram como enfermeiras para cuidar desses loucos. Nem me ocorreu que em pouco tempo estaria como eles.”
"Podia mesmo acontecer, sobretudo para os que não entendiam alemão, que os prisioneiros nem sequer soubessem em que ponto da Europa se situava o capo onde estavam, e a que tinhan chegado após uma viagem massacrante e tortuosa dentro de vagões selados. Desconheciam a existência de outros campos de concentração, eventualmente a pucos quilómetros de distância[…] Em resumo, sentia-se dominado por um enorme edifício de violência e de ameaça, mas não podía construir uma representação deste porque os seus olhos estavam pregados ao chão pela necessidade de todos os minutos."
"Aqui está minha irmã, e algum amigo (qual?) e muitas outras pesoas. Todos me escutam, enquanto conto do apito em três notas, da cama dura, do vizinho que gostaria de empurar para o lado, mas tenho medo de acordá-lo porque é mais forte que eu. Conto também a história da nosse fome, e do controle dos piolhos, e do Kapo que me deu um soco no nariz e logo mandou que me lavasse porque sangrava. É uma felicidade interna, física, inefável, estar en minha casa, entre pesoas amigas, e ter tanta coisa para contar, mas bem me apercebo de que eles não me escutam. Parecem inidiferentes; falam entre si de outras coisas, como se eu não estivesse. Minha irmã olha para mim, levanta, vai embora em silêncio.
Nasce então, dentro de mim, uma pena desolada, como certas mágoas da infância que ficam vagamente em nossa memoria; uma dor não temperada pelo sentido da realidade ou a intromissão de circunstâncias estranhas, uma dor dessas que fazen chorar as crianças. Melhor, então, que eu torne mais uma vez à tona, que abra bem os olhos; preciso estar certo de que acordei, acordei mesmo.

O sonho está na minha frente, ainda quentinho; eu. Embora desperto, continuo, dentro, com essa angústia do sonho; lembro, então, que não é um sonho qualquer; que, desde que vivo aqui, já o sonhei muitas vezes, com pequenas variantes de ambiente e detalhes. Agora estou bem lúcido, recordo também que ã contei o meu sonho a Alberto e que ele me confessou que esse é também o sonho dele e o sonho de muitos mais; talvez de todos. Por quê? Por que o sofrimento de cada dia se traduz, constantemente, em nossos sonhos, na cena sempre repetida da narração que os outro não escutam?"
Vocês que vivem seguros
em suas cálidas casas
vocês que, voltando à noite,
encontram comida quente e rotos amigos,
pensem bem se isto é um homem
que trabalha no meio do barro,
que não conhece paz,
que luta por um pedaço de pão,
que morre por um sim ou por um não.
Pensem bem se isto é uma mulher,
sem cabelos e sem nome,
sem mais força para lembrar,
vazios os olhos, frio o ventre,
como um sapo no inverno.
Pensem que isto aconteceu:
Eu lhes mando estas palavras.
Gravem-na em seus corações,
estando em casa, andando na rua,
ao deitar, ao levantar;
repitam-nas a seus filhos.

Ou, senão, desmorone-se a sua casa,
a doença os torne inválidos,
os seus filhos virem o rosto para não vê-los."
Primo Levi
http://www.yadvashem.org/yv/en/education/languages/portuguese/lesson_plans/primo_levi.asp#!prettyPhoto
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Wook.pt - Se Isto é um Homem
https://www.wook.pt/livro/se-isto-e-um-homem-primo-levi/1458686
SINOPSE
Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura.

Na noite de 13 de Dezembro de 1943, Primo Levi, um jovem químico membro da resistência, é detido pelas forças alemãs. Tendo confessado a sua ascendência judaica, é deportado para Auschwitz em Fevereiro do ano seguinte; aí permanecerá até finais de Janeiro de 1945, quando o campo é finalmente libertado. 
Da experiência no campo nasce o escritor que neste livro relata, sem nunca ceder à tentação do melodrama e mantendo-se sempre dentro dos limites da mais rigorosa objectividade, a vida no Lager e a luta pela sobrevivência num meio em que o homem já nada conta. 
Se Isto é um Homem tornou-se rapidamente um clássico da literatura italiana e é, sem qualquer dúvida, um dos livros mais importantes da vastíssima produção literária sobre as perseguições nazis aos judeus.
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Via Vanda Furtado Marques
Imagine-se agora um homem ao qual, juntamente com as pessoas amadas, tiram a casa, os hábitos, a roupa, enfim, tudo, literalmente tudo quanto possui: será um homem vazio, reduzido ao sofrimento e à carência, esquecido da dignidade e do bom senso, pois acontece facilmente, a quem tudo perdeu, perder-se de si próprio; reduzido a tal ponto que outros poderão sem problemas de consciência decidir da sua vida ou da sua morte para além de qualquer sentido de afinidade humana; no caso mais optimista, na base de uma mera avaliação de utilidade. Compreender-se-á então o duplo significado da expressão «campo de extermínio», e será claro o que entendemos exprimir com esta frase: jazer no fundo."
in «Se isto é um Homem»