21/11/2017

3.992.(21noVEMbro2017.7.7') Columbano Bordalo Pinheiro

***
Nasceu a 21noVEMbro1857, em Lisboa...
e morreu a 6noVEMbro1929
***
a pintura dele
com música de Chopin
https://www.youtube.com/watch?v=ctAIaussHSE
***
Segundo Diogo de Macedo (Seara Nova, 1933), Columbano terá dito, um dia: 
«a gente se retrata em tudo o que faz! … Passamos a vida a confessar-nos … não acha?»
***
correio da manhã...fev2007
Columbano, o artista que teve um único amor
Columbano, o artista que teve um único amor Columbano Bordalo Pinheiro não é só a avenida de Lisboa que desemboca na Praça de Espanha. Quem deu o nome à avenida foi um dos maiores pintores portugueses, conhecido principalmente pelos retratos – reproduz-se nesta página o que, no fim da vida, fez de si mesmo – e representações de cenas da vida da burguesia lisboeta. Era, segundo deixou escrito o escultor Diogo Macedo, “misantropo, fechado em si mesmo, dado a análises exaustivas e a dissecações cruéis. Teve apenas um grande amor - a pintura”. Columbano Bordalo Pinheiro nasceu há 150 anos, efeméride que o Museu do Chiado (rua Serpa Pinto, n.º4) celebra inaugurando, na próxima quinta-feira, dia 15, uma exposição de 68 pinturas e 22 desenhos do mestre

Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/mais-cm/domingo/detalhe/columbano-o-artista-que-teve-um-unico-amor
***

A imagem do artista. O auto-retrato

Columbano, fixa, em 1885, no retrato colectivo do Grupo do Leão, testemunho cúmplice de camaradagem artística e Manifesto Pictórico do Naturalismo em Portugal, muitos dos seus heróis e protagonistas, além de ele próprio. Aí, Columbano deixa transparecer um certo narcisismo que transmitiu, por volta de 1904, a um novo Auto-retrato, visto em contre-plongée. O rosto apresenta uma dignidade altiva, lembrada de Van Dyck que transporta em si os signos da situação social do artista, reconhecido entre os seus pares como o mais importante pintor do período.
Do mesmo modo, o Auto-retrato (1927) pertencente à colecção da Galeria degli Uffizi/Palazzo Pitti  impõe-se pelo seu realismo estrutural e atitude de uma orgulhosa dignidade, correspondente à consciência do seu reconhecido mérito.
Este tempo mental do século XX já não era, porém, o seu. Como tal, o seu universo
espectral revelou-se derradeiramente num último e significativo Auto-retrato (1929) que deixou inacabado, quando a morte o surpreendeu. Já não houve tempo para lhe acrescentar a figura da mulher, e dele restou uma pose de Dandi, numa pintura diluída onde apenas avulta o rosto, presença fantasmática de um tempo que era, então, o da Ditadura Militar, pondo termo aos ideais republicanos que sempre haviam norteado a sua vida. R.A.S.
(...)
O Intimismo
A excessiva carga mediática e o exigente trabalho de retratista a que Columbano se dedica acentua o gosto por uma representação de cenas de interior como espaços evasivos, distantes de polémicas.
A obscuridade destas pinturas acentua o carácter concêntrico da temática, a partir de uma imaginária zona da casa de família, o não-lugar, neutralizado por sombras e por um inventário de referentes concretos. A chávena de chá, o samovar, o prato, os objectos de cobre, constituem pontos de tensão que dissipam a importância de identidade da figura retratada. A apresentação emotiva ou alegórica dos objectos elege uma
ambivalência espacial e os frutos, os jarros e as travessas, aproximam-se do espectador como se representassem a essência das coisas, em momentos “insignificantes” que apenas o autor entende.
Mulher e frutos (Femme et fruits), pintura de interior doada pelo autor ao Musée du Luxembourg, destaca a natureza-morta e o estatismo da figura, enquanto que Frutos de Outono aponta a expressividade do rosto de Emília, sua mulher. Frequentemente representado, suspenso na densidade das sombras, simula um fugitivo movimento sugerido pela ausência do corpo.
Esta estética intimista surge como uma espécie de manifesto a uma modernidade, decorrente de um realismo estrutural, perceptível em toda a sua produção. Columbano combina a coexistência da objectividade com uma subjectividade expressiva, geradora de narrativas específicas, ou seja, o artista cria singulares espaços, resultantes de uma associação entre a sua ideia do real e o fantástico. M.A.S.
A expressão da modernidade

A partir de 1911, Columbano ultrapassa os limites do realismo, considerando que a aceitação e manifesta reputação de retratista, tal como a sua participação na vida cultural do país proporcionam uma maior liberdade pictórica, tanto na adaptação aos modelos e à sua psicologia, como nos modos de representação. Na sua expressão da modernidade, o salto alongou-se para algo naturalmente espectral, na denúncia ousada de uma sociedade que se espelha em fisionomias lívidas e “tipos incompletos, almas aos pedaços”.
Surgem retratos expressivos e inquiridores, definidos por linhas fisionómicas duras sobre tons gerais neutros, numa representação dramática, próxima das correntes expressionistas que se esboçam nos começos de novecentos. O carácter ambíguo das pinturas pontua uma aparente tranquilidade de pose e a expressividade das suas fisionomias, em rostos marcadamente desiludidos ou energicamente perspicazes, num
individualismo expressivo que transpõe os limites da realidade e do que se entendia por “verdadeiro”, mas também os da arte nacional.
O estudo das fisionomias, consumidas por uma luz que se impõe num específico protagonismo, serve Columbano na pesquisa de uma realidade interiorizada, através de traços e contracções expressivas, de rostos triangulares, olhos rasgados e linhas rosadas, em pormenores do rosto, numa visão dinâmica do retratado como expressão da sua modernidade. M.A.S.
http://www.museuartecontemporanea.gov.pt/pt/programacao/792
***

Columbano Bordalo Pinheiro, mestre do retrato

É ele o autor de poderosos "retratos psicológicos" tirados a importantes personagens de um país em mudança. Na viragem do século XIX, Portugal está nos quadros de Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929), pintor intimista e "observador de almas".

Pintou paisagens, temas históricos, naturezas mortas mas foi como retratista que o seu génio se distinguiu e fez único. São dele os retratos mais expressivos e densos das grandes figuras do início do século XX português. Artistas, escritores, intelectuais, presidentes da República, a todos Columbano Bordalo Pinheiro “desvendou os segredos da alma” com a sua paleta sóbria, intimista e misteriosa.
Nascido em família de artistas, a pintura foi uma descoberta precoce e inevitável na sua vida. Do pai, Manuel Maria Bordalo Pinheiro, pintor e escultor de talentos reconhecidos, recebeu o dom e os primeiros ensinamentos.
Com apenas 14 anos, Columbano matricula-se na Academia Real de Belas-Artes em Lisboa para fazer um curso de sete anos que termina em menos de quatro. De personalidade vigorosa e rebelde não é o típico aluno exemplar mas aprimora e explora técnicas que farão dele um artista inconfundível. Completa a formação artística em Paris, como bolseiro, seguindo os mestres sem perder o traço original do seu poder criativo.
Muitos dos seus trabalhos iniciais auspiciam um caminho glorioso. Em 1881 revela-se já excelente retratista com o quadro que faz de Ramalho Ortigão. As grandes personalidades de um país que transitava da monarquia para a República posaram para o pintor: Antero de Quental, Eça de Queirós, Oliveira Martins, Guerra Junqueiro, Teixeira de Pascoaes e tantos outros ficaram de alma exposta num misterioso jogo de luz e sombra que Columbano usava com destreza e que por isso chegou a ser considerado o Rembrandt português!
Quando regressa de Paris, junta-se ao Grupo de Leão, uma tertúlia de artistas promissores que se reunia na cervejaria Leão e da qual faziam parte, entre outros, José Malhoa, Silva Porto e o seu irmão, Rafael Bordalo Pinheiro. Columbano grava na tela a imagem do grupo e produz em 1885 um dos seus mais célebres quadros exposto no museu do Chiado, em Lisboa. De um pintor que trabalhava todos os dias, que vivia para a pintura, é de esperar uma extensa lista de obras: muitas foram vistas em exposições no estrangeiro, outras valeram-lhe honrosas distinções como a medalha de ouro que recebeu em 1900 no Salão da Exposição Universal de Paris.
Com a  implantação da República, a 5 de Outubro de 1910 , Columbano foi um dos escolhidos pelo governo provisório a integrar a comissão encarregada de escolher o modelo da bandeira nacional. Terá sido ele o maior responsável pela escolha das cores e do desenho da nova bandeira  içada a 1 de dezembro de 1910.
Columbano dedicou-se também ao ensino, sendo professor da Escola de Belas-Artes em Lisboa durante 24 anos. Foi ainda o primeiro diretor do museu de Arte Contemporânea, cargo que manteve até à data da morte, a 6 de novembro de 1929.
http://ensina.rtp.pt/artigo/columbano-bordalo-pinheiro-1857-1929/
***
pinturas dele...wikipédia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_pinturas_de_Columbano_Bordalo_Pinheiro
***
https://www.youtube.com/watch?v=Tv2GE2ENUnM
***
via Eulália Valentim:
Foto de Eulalia Valentim.
"Concerto de Amadores" ou "Soirée chez lui", óleo sobre tela de Columbano Bordalo Pinheiro, 1882
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1876624765698229&set=p.1876624765698229&type=3&theater
*
Pintor português, nascido a 21 de Novembro de 1857 em Lisboa, Columbano Bordalo Pinheiro pertencia a uma família ligada às artes e era irmão de Rafael Bordalo Pinheiro. É considerado o pintor mais significativo dos finais do século XIX. Foi aluno de seu pai, Manuel Maria Bordalo Pinheiro, de Miguel Ângelo Lupi e de Simões de Almeida. Parte para França em 1881, descobrindo a obra de Degas e Maneie, mas também a de Courbet e Deschamps. Foi professor da Escola de Belas-Artes de Lisboa e diretor do Museu Nacional de Arte Contemporânea, vindo a falecer em 1929. Embora frequentando os naturalistas, os temas do amor pela Natureza não o atraiam, conservando-se essencialmente como um retratista, influenciado pela escola flamenga e pela vertente sombria dos mestres espanhóis. Em Concerto de Amadores (1882), uma obra da juventude, apresenta já as linhas de força que virão a ocupar o sentido plástico do seu espaço pictural. Os castanhos e os negros imperam, o tratamento do claro-escuro acentua a encenação dramática. O retrato de D. José Pessanha (1885) constitui uma variação de ocres e cinzentos e toda a composição assume uma postura sabiamente informal. Columbano foi uma testemunha angustiada do quadro político-social dos finais do século. O Retrato de Antero de Quental (1889) parece profetizar o fim próximo do poeta-filósofo, ao mesmo tempo que simboliza toda a geração dos “Vencidos da Vida”.
Foto de Eulalia Valentim.
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1876554549038584&set=a.282097105151011.82379.100000521703651&type=3&theater